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Sputnik

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  1. Não conhecia esse vídeo, mas acho que vou comprar... Já repararam que quase todos os "génios" tiveram vidas trágicas. E não só os arquitectos: Wright, Siza, Beethoven, Newton, etc, etc. Talvez seja por isso trabalham de forma tão obsecada, para que a sua arte os salve da loucura.
  2. A uma média de uma transcrição por semana calculo que em cerca de 20 anos terei transcrito o livro todo aqui para o forum, só pra vocês, amantes da poesia... Uma coisa que me agrada muito neste livro é o respeito com que o autor trata as palavras. Sim, as palavras: "Passo sempre por um pequeno choque, um pequeno sofrimento ... quando um grande escritor toma uma palavra em sentido prejurativo. Em primeiro lugar, as palavras, todas as palavras, cumprem honbestamente o seu ofício na linguagem da vida quotidiana. Além diso as palavras mais usuais, as mais comuns, não perdem por isso as suas possibilidades poéticas." Mais à frente, falando da palavra vasto: "Se eu fosse psiquiatra, aconselharia o paciente com angústia, a ler o poema de Baudelaire, a pronunciar muito suavemente a palavra vasto, que transmite calma e unidade - essa palavra que abre um espaço, que abre o espaço ilimitado. Essa palavra ensina-nos a respirar com o ar que repousa no horizonte, longe das paredes das prisões quiméricas que nos angustiam. ... ...não se pode pensar a vocal «a» sem que se enervem as cordas vocais... Pois essa pequena arpa eólica, ...colocada pela natureza na porta da nossa respiração, é um sexto sentido que surge depois dos outros, acima dos outros."
  3. Sim, nem toda. Mas o facto dos arquitectos abandonarem a sua atenção aos problemas das classes mais desfavorecidas não é apenas uma questão de vontade própria - nós estamos comprometidos e dependentes das decisões políticas e dos investimentos que o estado e os ricos decidem fazer. E temos de pactuar com eles para ver obra feita. Há uns casos esporádicos, e significativos, mas poucos, e mal semeados.
  4. A malha ortogonal não é uma invenção do Corbusier, e não acho que é por ser ortogonal que é chata. O edifício viaduto era para ser preenchido pelos próprios moradores, cada qual com a sua linguagem... Há que ver que o pessoal estava no início. Ele, Hilberseimer, Garnier, todos. E a sua obra evolui no sentido da realização, de se tornar possível: as unidades de habitação são um pouco isso. Com Chandigard, Corbusier aplica uma regra que não tem nada de ortogonal, é até bastante orgânica: a Regra das 7 vias, numa circunstância em que nem sequer havia um levantamento topográfico do local. Agora, seria um contrasenso não querer aproveitar um legado riquíssimo destes, só porque tinha alguns problemazitos, como terraplanar metade de Paris...
  5. Penso que essas coimparações do urbanismo com a Biologia muito fascinantes, e geralmente exageradas, mas pronto. Então tal como uma célula se reproduz e produz determinado tecido urbano (a mais que vista relação entre tipologia edificatória e morfologia urbana), metamorfose seria como um "cancro" positivo, uma célula diferente que acabaria por alterar significativamente o organismo completo. De certa forma os Lofts são um pouco isso. Experimenta ver a cabana para uma chica nómada, do Ito.
  6. Bom, venho aqui redimir-me... Há um livro escrito por Ignasi Sola-Morales intitulado "Presente y Futuros", encontras ai muita vez a palavra metamorfose (do tecido urbano), mas não me recordo de ter visto lá a palavra Hibrido. Há também um pequeníssimo texto de três páginas muito interessantes do Frederico Soriano chamado "Paisaje Especulativo", mas a referência do livro aonde tirei as minhas fotocópias ranhosas nunca cheguei a apontar. É possível que seja um destes: Sin_Tesis. Editorial Gili. Barcelona. 2004 Palacio, ...é pequeno, chove dentro e há formigas (em espanhol). de 2000. Passo umas transcrições e já vez se te interessa: "Resulta impossível recuperar as falsas ilusões (a história tal como a conhecemos), o princípio geral, a disciplina autónoma. Em seu lugar nos «sumamos», fascinados, à deriva das vontades. À liberdade de disciplinas. À heterogénea actualidade. «Todo o Homem deve ser capaz de todas as ideias...» ...O tempo contemporâneo é um lugar de pontos, de sobreposições, de simultaneidades. Os factos históricos em cadeia são substituídos por uma multiplicidade de acontecimentos que definem uma paisagem... Uma landscape, uma historiscape." Depois segue desmistificando os conceitos de terraign vague, de tábua rasa, de centro versus periferia, enfim, destroi tudo, e é um poderoso argumento a favor da mestissagem e da hibrides próprias da nossa era histórica. Espero que sirva para alguma coisa
  7. E continuamos com os nossos domingos de poesia... Para falar de poética do espaço, não serviria simplesmente descrever ou referenciar-nos num espaço concreto. O que o filósofo faz é utilizar-se das descrições de espaços feitas por grandes poetas - é a forma mais justa de transmitir o sentimento poético. "O poeta conta que desde a sua infancia tinha desejado inutilmente possuir uma casa de campo com um jardinzinho e que, agora, com a idade de setenta anos, resolvera dá-los de presente a si mesmo, com a sua própria autoridade de poeta e sem nenhuma despesa. Começara por ter a casa, depois, aumentando o gosto pela posse, acrescentara o jardim, depois o bosquezinho etc. Tudo isto só existia na sua imaginação; mas bastava para que essas pequenas posses quiméricas adquirissem realidade aos seus olhos. Falava delas, desfrutava-as como coisas verdadeiras; e a sua imaginaão era tão forte que eu não ficaria admirado se o visse preocupado com a sitação da sua vinha durante as geadas de Abril ou Maio."
  8. Desculpa, Zgandulo. Não tenho nada contra as pessoas virem aqui em busca de auxílio para realizar os seus trabalhos, mas lançar um tópico e ficar de perninha cruzada à espera que lhe façam a papa, e nem sequer participar no próprio tópico, é uma coisa que me irrita profundamente. Tens de melhorar essa técnica de investigação. Sublinhar "tudo o que diga tempo" é de um primitivismo assustador. Sorte pó trabalho
  9. Será? Uma célebre frase do Corbusier: "uma cozinha? é um problema de urbanismo!", afirma, enquanto pensa nas Unités de Habitação durante a segunda guerra. A vila para trÊs milhões de habitantes é feita com 3 tipologias residenciais; a Ville Radiouse, apenas com os Blocos en redent; Chandigard e Saint Dié utilizam as Unités de habitação - foram a "Morte da Rua". Cada vez que muda a tipologia, altera o plano e vice versa. Penso que uma está intimamente implicada na outra. Digamos: que a arquitectura é consubstancial à cidade, está fora de questão. Agora, dizer que a cidade pode ser ela própria uma grande arquitectura, isso já é uma afirmação mais complicada.
  10. zgandulo, zganchulo. Pelintra há de fazer projectos pelintras. Ops. quebrei a regra de ouro...
  11. o problema do ensino é que os professores não amam a sua profissão, nem os alunos aprendem porque estão curiosos. Quando isso raramente acontece, é extracurricular.
  12. Construímos edifícios "recorrendo a técnicas aeroespaciais e materiais hightech, quando existem" pobres em todo mundo. Isso é um problema de distribuição de riqueza e de oportunidades. Isso não é problema nosso, de arqutiectos. Aliás, toda a arquitectura que encontras na história é a arquitectura da aristocracia. Por alguma razão há de ser. Portanto, não chega a ser verdade nada. E não vejo o que é que o museu meter água tem a ver com o sócrates projectar edifícios. Lá saberás.
  13. É a chamada "tábua rasa". Pois nenhuma das suas inúmeras cidades foi construída (Paris, Moscovo, Buenos Aires, Brasília, Chandigard, Saint Dié, Veneza, Turim, Rio de Janeiro, etc, etc, etc), mas representam uma visão que ainda hoje podemos repegar, refazer. A enorme cidade-viaduto para o Rio de Janeiro foi, de certa forma, realizada nos projectos do A.E. Reidy - naquele edifício "serpente", Brasília é o modelo da Cité Radieuse, etc.
  14. Mete água? E então os senhores administradores do museu deixam uma obra de arte à chuva?! tss tss
  15. Antes quero dizer que estas intromissões na vida privada dos arquitectos interessam apenas porque nos informam sobre o carácter do arquitecto/a e, logo, sobre a sua obra. Quando não, mais vale escrever pá revista Maria. Aqui fica outra personagem com uma vida interessantíssima: Após a conclusão de uma das suas primeiras obras, Adolf Loos recebera directamente das mãos de um polícia uma ordem do tribunal que o proibia de construir. As razões invocadas eram a fealdade da obra, derivado da sua ausencia de decoração, logo da sua simplicidade. No mesmo dia, Loos escreve a um amigo: (não são exactamente estas as palavras, mas é o que recordo): "a razão da proibição foi a sua simplicidade. Portanto era-me confirmado pela polícia de que eu era um artísta!...voltei para casa feliz! Já sentia, no meu íntimo, que era um artísta. Mas vê-lo assim confirmado pela polícia! Quantos artístas poderão dizer o mesmo?!" Vejam-me a ironia refinadíssima de um dos pioneiros do Movimento Moderno. Anos à frente do seu tempo, ri-se desta forma das críticas dos companheiros.
  16. Ainda a propósito da Casa da Cascata, sabiam que os trolhas que construiram a casa recusaram-se, no final, a retirar o último ferro de suporte da grande varanda em consola. Irritado, foi lá pessoalmente o mestre, sem capacete, enfiar um par de cacetadas no ferro. Acho memorável esta história pela confiança que o arquitecto mostrou na sua obra e no seu engenheiro... Faz lembrar uma semelhante com o mestre Afonso Domingues (do nosso Gótico) que, para provar que as suas abóbadas de pedra eram seguras, dormia na própria igreja depois de retirar os andaimes...
  17. Não poderei estar presente, por isso aproveito para expor aqui os meus argumentos, e estão à vontade de os utilizarem na tertúlia como queiram, se acharem que são pertinentes. E começo por separar duas questões: o projecto de recuperação em si, e, em segundo, a quem será entregue a tutela do Mercado. Sobre o primeiro, consultei um texto, mas não vi nenhum desenho concreto do projecto em questão. Já há muito que se pensava em dotar o mercado de estacionamento enterrado, o que implicava, obviamente, cavar um buraco com vários metros de profundidade no centro do mercado. Ou seja, o que quer que estivesse ali no meio estava destinado a ir à vida. E , verdade se diga, o lado interior do mercado nunca chegou a ser construído de acordo com a intensão do projecto original - que era acoplar uma mega cobertura em ferro e vidro, eventualmente tratar a superfície interna, o que nunca foi realizado. Portanto o que lá existe agora não é, na minha opinião, digno de conservação. A passagem de betão no meio é um aborto, os caixilhos não correspondem à métrica (variável) dos vãos, as infraestruturas estão à vista... Tb não acredito que o Ippaa permita uma intervenção de desqualifique o exterior, certamente que não serão tão irresponsáveis... Mas falo sem ter visto o projecto desenhado. Quanto à tutela, essa sim é uma questão que me preocupa, porque se a Camara perde a tutela por 50 anos perde poder de controlo e de exigência sobre esse imóvel, deixa de poder decidir o que se irá lá passar. Penso que o que temos de fazer a Camara e o Sr. Presidente ver é o seguinte: O que é património ali não é apenas o mercado em si, mas principalmente a forma de comércio! O poder comprar uma coisa não a um funcionário, mas ao próprio produtor directamente, regatear o preço, etc. O valor que o Mercado tem como "mercado de frescos à moda antiga" (uma forma de comércio em vias de extinção), daqui a 50 anos, seria um completo achado!! Seria razão para qualquer turista ir ali ver como se vendiam as coisas à 100 anos. E isso aumenta a qualidade de vida na Baixa, a sua procura, é a sua força vital! Portanto, ao perder a tutela por 50 anos, faz um bom negócio a curto prazo, e condena à morte uma coisa que pode muito bem ser uma razão para vir ao Porto daqui a 30 anos. Insistam, por favor, nessa questão. Obrigado
  18. Bom, mas antes teve 7 anos sem projectar nada - por causa daquele incidente do empregado que lhe pegou fogo à casa e matou a família à cacetada. Acredito que durante esse tempo ele andou a fazer experiencias que depois aplicou nessa casa. Por acaso também o Lautner dizia que pensava o projecto todo antes de o passa ao papel... Tem a ver com a doutrina da Taliesin e do Wight: a capacidade de "viver" a obra mentalmente. Exige muita capacidade!
  19. óptima sugestão!
  20. Aconselho-te a leres os "guias de estudante" de cada uma das faculdades. No Porto trabalhas à mão nos primeiros dois anos, a partir do primeiro ano tens um projecto por ano lectivo, o que dá oportunidade de desenvolver muito, e levar tempo a pensar, tb pode ser bastante traiçoeiro... Lá no atelier notamos que os alunos de Lisboa tem outra pedalada, resolvem rapidamente as coisas, tem mais prática com o computador, apesar de fazerem mais asneira. Isto não é a regra, é apenas a minha opinião.
  21. Por outras palavras, vendemos aos holandeses que pagam mais, e deixa de ser responsabilidade da Camara manter e restaurar o Mercado. Aos vendedores, damo-lhe uma batina e que vão trabalhar para as caixas registradoras, ou lá para o diabo. Já agora, sabem se está à venda a Torre dos Clérigos? Conheço uns alemães interessados em fazer ali um negócio de body-jumping.
  22. Podem contar comigo pra esse tópico. Histórias como essas sei uma carrada. E sonhos tb tenho aos montes. Corbusier correu o mundo a tentar levar os seus planos àvante. Aposto que também nunca leram as cartas desesperadas que Corbusier escreveu a Lucio Costa. Como o governo brasileiro exigia, por orgulho nacional, que a "nova capital", o "novos estílo", fosse erguida por brasileiros, emitiu uma lei que interditava a participação em concurso a arquitectos estrangeiros. Foi ai que Lucio Costa e Oscar Nimeyer assinaram e levaram a cabo o projecto do Ministério Público, pelo qual, que eu saiba, Corbusier não recebeu nem um tusto. Convém lembrar que, no final da sua vida, Corbusier vivia com as receitas dos direitos de autor das suas publicações, e não com as receitas dos seus projectos.
  23. A propósito de viagens, não resisto a contar-vos este pequeno episódio: Havia este homem, cujo pai construia relógios. Desenvolvera um gosto quase obsecado pela arquitectura, vai-se lá saber porquê. Construíu umas coisitas pós amigos, achou que tinha dom, inscreveu-se num curso de arquitectura, mas achou que aqui era tudo uma grandessíssima fantochada, e partiu à viajem pela europa, à descoberta da arquitectura. Quando voltou foi bater à porta de outro grande arquitecto, que só não lhe bateu com a porta na cara porque entretanto um pé se antecipou ao batente. Fez-se entrar, atirou-lhe o caderno de viagens à cara e partiu. No dia seguinte estava empregado. Chamava-se Pierre Jeanneret, o outro grande arquitecto era Auguste Perret.
  24. Também tenho um tio, que é dono de 3 hoteis, uma vez comentou comigo que o mais importante eram os serviços. Os serviços devem ser uma espécie de casa dentro de outra casa. Uma rede de circuitos labirinticos, portas ocultas, escadarias secretas dentro das paredes, que, em determinados momentos, encontram a "casa" dos clientes. Por exemplo, o balcão do restaurante dá, nas trasseiras, para o balcão do bar. Um tubo de recolha de lençois - todos os dias são impecavelemnte feitas todas as camas. Um espaço onde os empregados possam fumar um cigarrinho...
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