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Arquitectura.pt


Rui Resende

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  1. “Phone Booth” (2002) IMDb cinema centrípeto Isto podia ter sido memorável. Tinha um conceito interessante detrás, mas quem executou arruinou-o. Suponho que em grande parte a responsabilidade devia ser atribuída a Schumacher. Ele é incompetente, ele vai com a maré, ele faz o que quer que as audiências consumam facilmente, e não se interessa por cinema ou como pode construi-lo numa base visual. Os seus filmes funcionam para mim como poluição visual, a estratégia dele é encher o olho com todo o tipo de imagens para substituir a falta das suas próprias ideias. Assim, algumas coisas boas perde
  2. “The Apartment” (1960) IMDb tempos modernos Vale a pena ver o que Billy Wilder fez, independentemente do que seja, ou sob que circunstâncias ele as fez. Isso porque ele sempre tentou contornar adversidades, mesmo se no final isso aparece com a forma da ironia e da crítica aos seus patrões, usando as possibilidades que eles dão. É o que ele faz aqui. Os resultados não são muito impressionantes, talvez porque ele mistura mundos diferentes. Ele tem um romance para contar, foi para isso que foi contratado, para produzir a comédia romântica que se esperava dele, início dos anos 60, mas feita como
  3. “Helvetica” (2007) IMDb Catálogo Como um futuro arquitecto, eu senti-me próximo do que estava em discussão aqui. A evolução de muitas das concepções, concepções vulgares, do que arquitectura deveria ser ou, como o design gráfico deveria ser encarado, é bastante similar. Assim, temos design, aqui representado pelas diversas fontes de escrita, que surgem como resposta a uma necessidade, uma representação de um certo momento no tempo, ou o ícone de determinada postura política ou de vida. O título do filme é uma criação do modernismo, e isso significa que funciona, tenta ser universal, e é duráv
  4. “Die Fälscher” (2007) IMDb uma nova abordagem Tendo em conta todos os filmes que já foram feitos sobre a opressão nazi aos judeus, este é inteligente na forma como constrói os seus personagens e a sua abordagem ao tema. O que se passa é, os criadores aqui são suficientemente competentes, especialmente na cinematografia, que segue Rembrandt, uma tradição belíssima no que toca ao uso da luz, e a construção de um ambiente. Com isto falo de imagens onde a luz é uma massa com a forma do objecto iluminado no meio de um ambiente escuro, mas nunca, ou quase nunca, percebemos a fonte da luz, é como se
  5. “The Transporter” (2002) pólvora seca Isto está baseado em nada. Tudo explode, mas nada rebenta. Os elementos usados neste filme serão vistos, suponho, como as características principais nos filmes de acção desta primeira década do século. Temos uma cinematografia específica, baseada em tons azuis que funcionam como um tipo de imagem sóbria, dura, mesmo violenta. Isto supostamente marca o tom da acção, que por sua vez é coreografada, mas também dura, pesada. A edição tem um papel fundamental nisto tudo, [...] 7Olhares - The transporter
  6. “Billy Madison” (1995) Sandler com uma ajuda este é um filme vulgar com dois momentos que o valorizam parcialmente. O Adam Sandler acostumou-nos a projectos em que tudo gira em torno do seu personagem, todos os elementos existem para realçar as suas qualidades como intérprete de comédia. Ele é um daqueles humoristas que construíu uma carreira em redor de um personagem específico. Neste caso, alguém que é anormal, aparentemente aparte de tudo que, no entanto, acaba por ser capaz de completar feitos puramente honestos e difíceis. Assim é o caso aqui. Mesmo o título dá-nos o que veremos: bill
  7. “No Country for Old Men” (2007) (Este país não é para velhos) as crianças que saíram da caixa de areia Este filme é uma grande experiência em muitos níveis, e um dos melhores usos do widescreen que tenho visto em produções recentes. A fotografia é invejável, e chamo a atenção para todas as cenas que têm lugar no sítio do massacre. Dia, noite, de cima para baixo e ao contrário, todas as situações e ângulos são tentados, todos eles significam coisas diferentes em pontos diferentes da narração. É realmente grande trabalho. Mas há questões aqui para ser analisadas, creio. Estou convencido
  8. Vi este anúncio outro dia e achei uma coisa fantástica. Talvez já o conheçam, de qualquer forma cá vai: [ame="http://www.youtube.com/watch?v=xmbM8XGMZxI&feature=related"]YouTube - Comercial Hitler da Folha de Sao Paulo[/ame]
  9. “Breaking and Entering” (2006) visual, mas pouco vigoroso Interessa-me muito o trabalho de Minghella. Há uma poesia visual transversal a todos os seus filmes, bons ou maus que, apesar claramente enraizados em referências específicas, são bastante pessoais e honestos. Muitas vezes tenho a impressão que ao longo de todo o filme ele está apenas a mostrar uma única imagem, que é distorcida, desvanecida, ligeiramente mudada. Assim ele é coerente no seu próprio mundo. Ele é abstracto na forma como cria sensações e sentimentos que podem não estar directamente relacionados com a história ou os per
  10. “Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street” (2007) (demasiado) clássico Este filme está feito a partir de uma linha clara, que é pervertida e torcida de acordo com a visão própria de Burton montar as coisas. Temos a música como “números” no tipo de construção que os musicais americanos clássicos usavam, e que era já usada na ópera italiana (sobretudo bel canto). Esta estrutura usa canções onde a ópera usava as árias (momentos de reflexão), e os diálogos onde a ópera colocava o recitativo (desenvolvimento de acção). Burton não tenta nem por um momento mudar isto. Tudo bem para mim. Ape
  11. “D-Tox” (2002) Como evitar ser um bom filme Quando chego a coisas como isto, tento não me fixar nas coisas óbvias que são más, ou que simplesmente não estão e deviam estar. Tento antes compreender as coisas que podiam ter sido boas, mas simplesmente falharam, por incompetência, pressões comerciais (seja isso o que for) ou pura inabilidade para ver as possibilidades. Aqui, esse potencial não usado é bastante claro para mim. Temos um personagem principal que é, até um certo ponto, louco. Ele é colocado junto com outros personagens, num espaço fechado, algures no meio de um clima frio adverso.
  12. “Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón” (1980) no princípio… Suspeitava que iria ver algo assim antes de o ver. Estava interessado em compreender as raízes de Almodóvar como realizador, como ele começou a desenvolver o seu tipo de narração visual, que é tão único hoje. Ao mesmo tempo, queria compreender e sentir a pulsação do espírito underground de Madrid naqueles dias. Estas questões são pessoais para mim. Quero compreender como se pode utilizar uma força jovem (e inexperiente) disponível e talentosa e dar uma expressão fiel de um certo momento no espaço e no tempo. Também queria (e
  13. “Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón” (1980) no princípio… Suspeitava que iria ver algo assim antes de o ver. Estava interessado em compreender as raízes de Almodóvar como realizador, como ele começou a desenvolver o seu tipo de narração visual, que é tão único hoje. Ao mesmo tempo, queria compreender e sentir a pulsação do espírito underground de Madrid naqueles dias. Estas questões são pessoais para mim. Quero compreender como se pode utilizar uma força jovem (e inexperiente) disponível e talentosa e dar uma expressão fiel de um certo momento no espaço e no tempo. Também queria (e
  14. “Byt” (1968) Cinema codificado Este foi o meu primeiro contacto com Svankmajer. E que impressão forte tive! Ele está ‘rotulado’ com o movimento surrealista, e é frequentemente colado aos outros nomes do surrealismo em cinema. Por este filme sozinho, não verifico nada que possa ser chamado surrealismo, excepto por algumas escolhas estéticas, e alguma física do mundo do filme. Isto porque o surrealismo sempre teve que ver com a procura de transmitir através da arte estados de (in)consciência que estão para além da auto-consciência. Exemplo maior, os sonhos. Coisas que não podemos controlar,
  15. “Byt” (1968) Cinema codificado Este foi o meu primeiro contacto com Svankmajer. E que impressão forte tive! Ele está ‘rotulado’ com o movimento surrealista, e é frequentemente colado aos outros nomes do surrealismo em cinema. Por este filme sozinho, não verifico nada que possa ser chamado surrealismo, excepto por algumas escolhas estéticas, e alguma física do mundo do filme. Isto porque o surrealismo sempre teve que ver com a procura de transmitir através da arte estados de (in)consciência que estão para além da auto-consciência. Exemplo maior, os sonhos. Coisas que não podemos controlar,
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