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  1. Independentemente dos juizos subjectivos que se possam fazer à obra do Taveira, a sua obra teria sido impensável antes da "Complexidade e Contradição", e da obra de Charles Mores e Michel Graves, para citar apenas alguns. A sua obra, construída sobre a crítica ao "Movimento Moderno", é agora objecto para que os críticos ponderem sobre o que correu bem e o que correu mal nas diversas reacções e movimentos que começam a surgir depois da Segunda Guerra. Existe por causa da crítica e contribui para a crítica
  2. Aquele que é considerado o último livro de teoria de arquitectura a ser escrito foi: "Complexidade e Contradição", de Robert Venturi, depois do Aldo Rossi "Arquitectura da cidade". Entretanto tenho acompanhado críticas excelentes do J. M. Montaner ("a modernidade superada"), com teorias interessantes e inteligentes - aconselho o capítulo sobre o minimalismo, já que está tão na moda
  3. Há que admitir que o trabalho dos críticos não está nada facíl, mais pelo excesso de informação, interferencia de ruído, do que pela falta, como era até há relativamente pouco tempo.
  4. Sim, mas para garantir que o seu comentário é válido, ele deve possuir um sistema qualquer que lhe permite, de forma sistemática, chegar sempre à verdade, senão seria apenas uma opinião gratuita. Da pouca experiencia que tenho em analisar projectos, já tenho repado que alguns temas são quase sagrados, porque vamos sempre bater neles. São eles: a Implantação; a Distribuição do Programa; o Sistema Construtivo (e a sua relação com a Linguagem). Devem certamente haver mais... Depois tento avaliar qual dos temas foi preponderante para a determinação da forma: normalmente recai sobre a implantação. Com isto vão-se descobrindo processos, estratégias, formas de fazer, até ser possível determinar com exatidão o grau de originalidade de determinada obra, e qual a sua pertinencia dentro de determinado contexto histórico. Bom, já basta...
  5. JAG, dizes: "a pouca critica que existe, acaba por nunca ter um papel preponderante para a obra em si..." Algumas linhas abaixo: "pode haver muito ou pouca critica (...) mas isso não terá um verdadeiro peso sobre o futuro da mesma" De maneira que ficamos sem saber em que pé ficar. Parece-me que estás confundir Crítica com aquela amalga de comentários que frequentemente lemos nas revistas, ou com as opiniões mais ou menos aleatórias que tecemos sobre os projectos uns dos outros, e não é bem disso que se trata... penso eu
  6. É estranho que o teu professor não considere Nuno Portas, por exemplo, que trabalha para a actualização do conceito de arquitectura desde a década de 50, e continua (incluo, portanto, o último "Políticas Urbanas", de 2002). Mas, se for verdade que não há crítica, é legítimo lançar a hipótese de que não é a crítica que está em crise, mas sim a própria noção que temos de arquitectura...
  7. Tal incrementação de árvores desvirtuam o projecto, no sentido em que cortam radicalmente a vista dos edifícios e a sua relação fundamental com o espaço público, mas se é para calar a Baronesa, pronto.
  8. Simplesmente porque o mercado está saturado, não há condições, os instalados aproveitam-se dos novos, a profissão está desprestigiada, não dá dinheiro (senão a uns poucos), e é altamente desgastante física e mentalmente, demais para o benefício de poder ver um nesga de terra que nos dê prazer. É uma porfissão ingrata. Além de que é um pouco ilusório - as faculdades não tem realmente um concenso, nem sequer discussão, sobre como se deve ensinar arquitectura, está tudo em crise, não há uma autêntita teoria da projectação a ser praticada nas salas de aulas, e o estudante torna-se vítima da falta de critérios da sua avaliação, derivadas da abrangência do seu objecto de estudo. A arquitectura é, de todas as artes, a mais difícil de transmitir, de apreender, senão vendo, viajando, utilizando o objecto. Dai se explica ser das mais incompreendidas, senão a mais. Tb considero-me muito pragmático, um pouco como Aldo Rossi. Não acredito que haja "a profissão da minha vida", o sonho e blá blá. As coisas aprendem-se, tornam-se um hábito, que vai melhorando de dia para dia. Se a vida conduzir a outros caminhos, então faz-se outra coisa.
  9. Deves estar a falar no projecto para uma cidade piramidal para Tóquio, a construir em área a ganhar ao mar. Os tubos da mega-estrutura de suporte da pirâmide servem, simultaneamente, de canais de tráfego de pessoas - não existiriam carros. É uma coisa colossal! E o mais incrível é que só já não foi realizado porque os gastos energéticos inviabilizaram económicamente o projecto, porque de resto...
  10. Ainda no outro dia rebentou um apartamento em setúbal, todo o prédio foi desalojado. Sou incapaz de viver numa coisa dessas, chamem-me o que quiserem.
  11. Quando não há uma curiosidade genuina, nunca se aprende realmente nada. Sei que já passou o teu exame, mas se te interessa, se pretendes seguir a carreira (coisa que desaconselho vivamente), ou por curiosidade, pois poderia ser interessante desenvolvermos aqui o assunto, desde que haja algum fied back... Esse assunto tem sido objecto de teses de doutoramento.
  12. Acho o projecto fantastico, só que... Numa situação de emergência ninguém vai estar a pagar painéis solares; numa situação permanente, ninguém vai querer algo tão pequeno. Não vejo qual a sua viabilidade económica
  13. Se todos os projectos pretenderem ser protagonistas, então nenhum será.
  14. Olá overmike. Não tenho qualquer problema em dar a minha opinião, e já vi casos bem mais descarados e a que todos atenderam... A minha opinião é a de que é muito desagradável ter aquelas portas a olharem pra ti o tempo todo, além de que o espaço de abertura delas "come-te" alguma área útil do escritório. o ideal era não haver casa de banho, pura e simplesmente. Para os arrumos podes pensar numa solução suspensa do tecto; ou então outra disposição dos compartimentos, com acesso através de um pequeno corredor. Depois, numa área tão pequena, criar uma sub divisão com pladur, que nem vai até ao tecto, é um contrasenso... Uma estante faz-te perfeitamente o serviço, e quanto mais baixa, melhor - deves pensar na saúde dos funcionários, pelo bem do próprio trabalho. E amahã podes sempre mudá-la de sítio se não precisares daquele espaço. Finalmente, branco com bez acho uma tristeza, prefiro cores contrastantes, mas isso já é mais subjeectivo. Mais do que isto, só pagando, eheh abraço espero que isto sirva para alguma coisa
  15. Ah, a pequena cabana em Cap Martin (?), onde Le Corbusier terminou os seus dias. Curioso que tenha projectado para si próprio esta unidade mínima...
  16. ?Que espaços dinamizariam esse mesmo condomínio?" Penso que a resposta já foi dada - depende do público alvo. Da cultura em questão. Se forem ingleses, um campo de Cricket (?), portugueses: um daqueles que tanto dá para futebol de salão, basket ou tenis. Quando o programa é indeterminado, procura-se uma solução "flexível". Quanto ao problema dos condomínios fechados, penso que é um problema que sai fora do ambito dos arquitectos e tem a ver com a distribuição da riqueza no solo urbano, tem a ver como o problema do valor do solo e na forma como este já está repartido socialmente. De qualquer maneira, entre ter cada casa um muro à volta, e ter apenas um grande muro em torno a uma série de casas e equipamentos, penso que prefiro o 2º.
  17. Então aqui vai: Klein, Alexander - vivienda mínima: 1906 - 1917. Barcelona: editorial GG, 1980 Idem - Das Einfamilienhaus, 1934. Outros arquitectos que se dedicaram à reacionalização da vivenda mínima: Wagner-Speyer, em Berlim M. Brinkmann e van Hardenveld, na Holanda No II Congresso Internacional de Arquitectura Moderna, frankfurt, 1929, Ernast May apresentou diversos estudos de vivendas mínimas. O B. Fuller tem, de facto, diversos projectos que podemos considerar "mínimos", para situações de emergencia, excepcionais, exprimentalistas, etc, contudo a sua polémica tem muito mais a ver com o uso da tecnologia do que com a resolução dos problemas da classe operária. Abraço
  18. Tens razão, Marco. É só que me entristece um pouco que as pessoas venham utilizar o site para lhes "fazerem a papa", perguntando coisas de tal forma específicas que só o que faltava era fazerem-lhe o projecto, revelando grande incapacidade de investigação pessoal e de opinião crítica! Mas em todo caso não justifica a minha reacção. As minhas desculpas ao SilverBlaze.
  19. Realmente com as restrições que colocam ao tabaco nos EUA, melhor tb ficava pelo porto.
  20. Desculpa, mas os engenheiros, no calculo de vivendas e prédios, utilizam 3 ou 4 cadeiras do curso inteiro. Na prática profissional, colocam alguns dados no computador e carregam no enter. Sejamos realistas... É uma palhaçada. Qual formação? Mesmo que fosse, não te sentes capaz de aprender umas quantas vertentes de física? o que é isso para um arq., que tem de apanhar 18 de média de curso para entrar numa pública?, e acho muito bem - já somos demasiados! Devia ser 19 e meio. Se incutissem o ensino da física, então era só embarcá-los para espanha! Mais do que já acontece... Não é que eles não tenham de aprender tudo outra vez... É que, em portugal, ser arquitecto é uma coisa e ser engenheiro é outra.
  21. pá, conheço alguma, mas está em birmanês, suponho que não te interessa
  22. Meu caro Silver Blaze. O meu conselho é que, uma vez que ainda frequentas o 2º ano, estás perfeitamente a tempo de trocar arquitectura pela agricultura. Aliás, é o que eu próprio teria feito, se não tivesse descoberto a minha total incapacidade senão no fim... tem te aconselha, teu amigo é
  23. A discussão sobre o Espaço mínimo existiu e foi bem real. "Existenzminimum", ou algo assim, era como se chamava a investigação levada a cabo pela primeira geração de arquitectos modernos, principalmente alemães e ingleses. Podes ver o Alexander Klein, penso que foi o mais importante, e daí facilmente chegas aos outros. Corbusier era altamente crítico desta modalidade, mas chegou a realizar um projecto de uma casa para operários que consistia num cubo (5 por 5, mais ou menos) cujo 2º piso era cortado na diagonal, abrindo o pé direito duplo sobre a zona de estar - a diagonal como um "truque" para ampliar a percepção do espaço confirma a sua posição crítica sobre o tema. É frequente vermos as propostas de cidade moderna serem opostas à cidade tradicional (blocos soltos num jardim versus ruas e praças) para logo lamentarmos a perda da forma, mas, na verdade, o que a cultura moderna teve de confrontar foi a primeira cidade industrial, já muito depois da cidade tradicional ter sido "engolida" pela cidade "especulativa" de finais de 1800, principios de 1900 (Londres era especialmente dramática). Foi neste contexto, observando a miséria das condições de vida da classe operária, observando as primeiras transformações descontroladas das cidades, que trabalhou a primeira geração moderna (de Tony Garnier a Le Corbusier). Ser arquitecto moderno era ser urbanísta. Arq. tinha um papel social - os materiais baratos, a industrialzação, podiam e deviam ser utilizados ao serviço das populações. Havia uma forte crença no papel social do arquitecto, altamente politizado. Vivenda mínima foi uma inovadora proposta da cultura moderna que teve como pressuposto o príncipio de que seria o Estado, todo poderoso, a intervir na melhoria das condições de vida dos seus cidadãos, e pagar o seu alojamento. Mesmo as áreas mínimas dos projectos conseguem ser melhores que as condições reais em que viviam a primeira e segunda geração de operários. Hoje é altamente criticável a construção sob índices tão baixos porque impossibilita o futuro aproveitamento das casas para o que quer que seja (há uns projectos interessantes na alemanha que unificam diversas "casas" mínimas, chamadas hoffs, numa única casa, mas isto é muito difícil acontecer porque obriga à coordenação entre diversos proprietários...). Sob o ponto de vista da metodologia, Alexander Klein inicia o trabalho medindo tudo o que existe (o "neufert" surgiu depois). Começa por conformar o espaço menor da casa: a retrete, colocada sempre adjacente à entrada, com ventilação directa; este elemento mínimo é o módulo para toda a casa; a organização é uma que dispensa espaços de circulação, contudo os espaços estão devidamente hierarquizados. Tb investiga diversas possibilidades de "flexibilizar" o uso da casa, com espaços de uso ocasional que poderiam "desaparecer" em determinadas alturas, etc. E é isso. Boa sorte
  24. Tens a planta, um alçado e uma belissima descrição do autor no livro "Imaginar a evidencia", o único realmente escrito pelo próprio siza. Ainda a propósito dessa obra, verifica o seguinte: depois de o visitante contemplar a guernica, depois de imaginar os horrores da guerra civil, continua o percurso, sai pela porta e vê o quê? a cornija de Madrid! Um olhar contemplativo sobre a própria cidade, como que a dizer que tudo aquilo foi real, aconteceu, e aconteceu ali! O aspecto cinematográfico da obra do Siza parece-me um dos aspectos essencias para compreender a sua obra (tb muito presente no acesso à casa de chá da boa nova), e no entanto é raro vê-lo mencionado. Espero ter ajudado
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