Rui Resende
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Bem, só dei este título ao tópico para dar seguimento ao tópico relacionado com o cinema. De qualquer maneira, quando recuperava o comentário antigo que fiz ao filme sobre o Corto Maltese que o asimplemind referiu, descobri dois comentários a dois livros que li que me apetece colocar aqui. Porque, me parece, o seu autor, ainda que já por várias vezes reconhecido, não é ainda suficientemente conhecido. Isto não muda nada, de qualquer maneira, é um comentário pessoal: Posted: Mon Oct 10, 2005 8:49 pm Título: UrsaMaior Auto: Mário Cláudio Editora: D.Quixote Não é o melhor romance que já li na minha vida, mas não estava a espera que fosse... Mário Cláudio (prémio Pessoa 2004) é um escritor competente, se é que competente é um adjectivo com que possamos classifcar a obra de arte, que o livro, ao classificar-se romance, imediatamente passa a aspirar a ser. Ele espcreve numa prosa sóbria, nem sempre pragmática, nem sempre suficientemente clara, por vezes demasiado rebuscada, mas com uma grande correcção gramatical e uma grande adequação lexical, numa procura dos discursos e expressões adequadas a diferentes personagens de diferentes extractos sociais, etários e culturais. Este livro é todo acerca de reunir sob o mesmo espectro da delinquência, muitas vezes da imoralidade e outras tantas da incompreensão de quem assiste, todo um grupo de pessoas que, por um motivo ou por outro se reunem por fim na prisão, a casa de quem não cumpre, o garante da justiça, o bode expiatório dos pecados da sociedade. É uma reflexão contemporânea acerca de crime, de motivações para o mesmo, de inversões de valores numa sociedade onde a falta de crença e de motivação para o que é oficial, o que é normalmente aceite e o que é "moral" faz com que os valores sejam postos em causa e rejeitados por quem, em consequência, se torna marginalizado e ultapassado. O livro fala, a meu ver, de como a sociedade se pode tornar uma mãe que come os próprios filhos, ignorando as suas próprias responsabilidades na educação desses filhos. Fala de como seres humanos se tornam monstros, como seres humanos vivem em selva, sem rei nem lei, como seres humanos se desligam do mundo, de como seres humanos recuperam a dignidade... Fala de seres humanos. É o primeiro de uma triologia, que, a seu tempo, eu acabarei de ler. Não é indispensável ler este, mas consegue-se apreciá-lo e consegue-se reflectir sobre ele.
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Também vi esse filme, há algum tempo já. Adorei de facto. Na altura escrevi um pequeno comentário pessoal que já agora recupero e deixo aqui. Posted: Sun Feb 06, 2005 11:51 pm Corto Maltese: La cour secrète des Arcanes (2002) Directed by Pascal Morelli Writing credits Natalia Borodin Hugo Pratt (graphic novel Corto Sconta dette Arcana) (more) Este é um dos melhores filmes de animação que eu já vi. Não sou grande conhecedor da personagem de banda desenhada Corto Maltese, embora o filme me tenha deixado definitivamente com muita vontade de ser. De qualquer maneira o filme faz um retrato fabuloso do ambiente Corto Maltese, e da personalidade enigmática, mágica e solitária do personagem de Hugo Pratt. Recria com tonalidades uniformes da cor do ambiente que se pretende as paisagens frias e por vezes cruéis da Sibéria, da Manchúria e da Ásia oriental... É um filme pleno de sensações, e mais do que isso, pleno de sensibilidade, a lembrar a animação japonesa de melhor nível que se faz hj em dia (estou a falar do "filme de arte", não de anime). As personagens são muito bem caracterizadas como indivíduos e não repetidas em série de acordo com os parâmetros estereotipados dos criadores, erro comum em muitas animações. Nesta isso não falha, aliás, pouco falha, e é um filme que me marca muito e que mostra que a animação europeia produz obras primas poderosas, e duradouras, como esta. A banda sonora também está excelente, consegue estar sempre presente mas alternando entre personagem quase principal (a cena do abate do avião, quando é utilizada música do Quebra Nozes de Tschaikovsky, ou a cena final) e servir apenas como um pano de fundo excelente ao desenrolar da acção; que por sua vez, e esta é talvez uma falha do filme, ou se calhar prova de que o filme foi de facto mais feito para quem já leu o álbum homónimo e conhece o universo Corto Maltese, se torna por vezes um pouco difícil de seguir, certos acontecimentos não são demasiadamente explícitos, o que nos faz patinar um pc por vezes. Tirando isso, é simplesmente excelente o filme. http://www.imdb.com/title/tt0259134/maindetails como sempre em tudo que acabo por comentar e reler mais tarde, se fosse hoje fazia diferente... mas pronto na altura achei isto ...
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Há 22 ou 23 faculdades de arquitectura em Portugal e tu lembraste-te de ver se a faup tinha ou não trabalhos. nada tendencioso. Já agora tenta fazer a relação todos os trabalhos - faculdades respectivas. Não tem absolutamente interesse nenhum para quem quer evoluir como estudante de arqutiectura/futuro arquitecto/arquitecto, mas é sempre porreiro ver umas estatísticas. Dá pa mandar "umas bocas". as portas da faup estão sempre abertas, quem quer pode entrar, em praticamente todas as salas vais encontrar trabalhos académicos dos diversos anos... se te interessam tanto, e eu acho bem que interessem, os da faup e os das outras facs, entra e descobre-os. Se os autores não os mandam para as revistas, é uma opção. Se calhar ter um trabalho publicado não é um objectivo relevante para a média dos estudantes de lá... se calhar ninguém lá sente que tem de provar a alguém fora de lá que pode competir... tantos se calhar que nem vale a pena pensar nisso... Nuno, sejas tu quem fores, a importância não se "dá", conquista-se. Eu não sou importante e estudo na faup. A faup é importante, uma escola de arquitectura forma arquitectos, a faup já formou muitos e não me apetece estar agora a enumerar os muitos que foram reconhecidos pelo que produziram e os muitos mais que anonimamente produziram a boa arquitectura desconhecida portuguesa. Por isso, primeiro, não faltes ao respeito ao passado e ao presente das boas coisas da arquitectura do teu país, e tenta aprender alguma coisa com isso antes de alinhares nesses clubismos selvagens de "a minha é que é...". porque isso de "a verdade tem de ser dita" é no mínimo saloio já para não dizer absurdo. faz lembrar treinadores de futebol a mandar vir com árbitros. Por isso vai trabalhar ou estudar e deixa de "ter a mania" que és o defensor da pobre donzela que é a tua faculdade, que nem sei qual é iupi, tu é que és bom, este ano ainda ganhas o campeonato de faculdades de arquitectura a continuar assim... Aqui há uns tempos estava a assistir a uma covnersa na televisão entre o Jorge Sampaio e o antigo pm espanhol Luis Felipe González (ambos de esquerda). opções politicas à parte este último disse uma coisa interessante: que sempre que alguém na política hoje em dia dizia que hoje em dia a esquerda e a direita não têm diferença, normalmente esses tipos eram de direita. Pelo que me apercebo, no ensino da arquitectura é o mesmo. Sempre que aguém se lembra de comparar esse ente difuso "privadas" com outro igualmente difuso "públicas", curiosamente o tipo é duma privada. Coincidência? frustração? não sei. e atenção que a carapuça só serve a quem serve, há pelo menos uma escola privada em portugal que eu considero ser uma boa escola de arquitectura, já referi várias vezes, e é a ESAP, que eu escolheria frequentar antes de muitas públicas. Pela amostra das outras três das quais conheço pessoas e conheço razoavelmente como funcionam (e não vou referir os nomes para não ferir susceptibilidades), honestamente dá-me vontade perante certas coisas que vejo de continuar a deixar os desenhadores fazer o trabalho de arquitectos... provavelmente fazem-no melhor. e nunopinheiro, não é com comentários super-curtidos, super-revolucionários e super-muitàfrente desses que vais chegar a ser metade do arquitecto médio que a Faup coloca todos os anos cá fora... mas boa sorte com a frustração. Agora, depois disto, queria simplesmente dizer que acho que todos os projectos como o da +arquitectura, precisam de tempo para amadurecer. A revista tem coisas por princípio muito boas e inéditas entre nós, acho q com o tempo, e com a experiência de quem participa nela, pode-se tornar uma boa publicação portuguesa de arquitectura.
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Lol, não tinha a ideia de encerrar a discussão. É um ponto de vista só, mas pronto sr futuro arquitecto kwhyl vou tentar para a próxima não ser assim . É muito verdade que muitas vezes os arquitectos têm sempre a tendência para achar que podem inverter as coisas. Normalmente não é que realmente achem isso, mas é porque na verdade têm uma ideia qualquer para um projecto qualquer, uma ideia de volume, uma ideia de espaço (o tal espaço pelo espaço) e é isso que "espetam" seja onde for, no projecto que calhar naquele momento. E isso é, para mim errado. Tem a ver com o que o A.Mateus dizia outro dia na Concreta. Ele dizia qualquer coisa como "no fundo quero é pintar de branco, e depois arranjo motivos para isso". Teve piada, mas leva a pensar, e de facto muitos (até o mateus) caem nesse atitude, que sem mais rigor pode ser designada de formalismo. Falei do Mateus porque achei interessante ele reconhecer essa faceta. Eu aprecio muito a obra do Aires Mateus, neste momento é provavelmente o único arquitecto português fora do âmbito de influência académica do Porto que eu realmente sigo com interesse e cujas obras realmente me entusiasmam. Mas acho que foi uma autocrítica justa que podemos talvez estender à atitude que levou a uma formalização como a viela dos anjos teve.
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Pois, eu também partilho da opiniao generalizada de quem visitou aquele local. Um espaço aprazzível em teoria, se o tivese visto em maquete diria "grande projecto vai sair ali", mas de facto nos dias que correm, numa cidade com o tamanho que o Porto começa a ter, e sobretudo numa zona problemática como é aquela, é um suicídio urbano produzir um espaço encerrado em si mesmo como aquele. Ou então teria de vir acompanhado de fortes medidas de reestruturação social, que evidentemente o Porto (gestão) não tem capacidade ou vontade de tomar. Aqui discordo asimplemind. O Porto tem mais de mil anos de história. "Sempre" é demasiado comprido para o tempo a que aquelas populações ocupam aquela zona. É preciso não esquecer que há pouco mais de 100 anos apenas é que o centro histórico foi "invadido" e ocupado pelo proletariado rural que chegava à cidade à procura de emprego, precisamente no momento em que os burgueses e a classe média alta ou mesmo ricos abandonava aquele local para ir para as então novas zonas de expansão (nomeadamente a avenida da Boavista). O que quero dizer com isto é que não podemos tomar por certo que como premissa fudnametnal para a recuperação da baixa/centro histórico do Porto ou de qualquer cidade, terão necessariamente que ser aquelas populações a ocupá-la. Estes movimentos demográficos são constantes, e temos que colocar todas as cartas na mesa. E a pergunta é, livre de preconceitos, livre de hierarquias socias predefinidoras: será que populações problemáticas como aquelas são mais fáceis de integrar e de acompanhar vivendo numa estrutura urbana como aquela?, ruas apertadas, espaços misteriosos (potencialmente poéticos, e potencialmente escuros e degradados), facilmente "ghettisáveis", onde todos os problemas sociais podem singrar sem a menor oposição possível?
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O Loureiro projectou um edifício verdadeiramente fantástico que é o actual pavilhão Rosa Mota. Para além disso projectou os muito interessantes Edifícios Parnaso e a casa particular muito modernista recentemente recuperada de Matosinhos. A partir daí tornou-se um arquitecto que criou uma dinastia familiar e passou a projectar edifícios puramente comerciais, cedendo completamente a interesses imobiliários e relegando a qualidade da arquitectura para segundo plano. Falo de, entre vários outros, do edifício novo do hospital St António no Porto ou do hotel Solverde em S.Félix da Marinha, Gaia. Prometeu ser alguém que podia trazer algo novo, mas não passou de uma promessa. O Viana de Lima e o Cassiano, mestres, grandes arquitectos, tiveram a sua altura, devem ser reconhecidos e apreciados. Concordo que se deve procurá-los outra vez e tentar entendê.los melhor (a eles e a todos os bons arquitectos esquecidos). lol. o Siza é mais do que uma moda, por isso saturar é uma palavra um tanto ou quanto injustificada sem mais suporte. Ninguém te obriga a ver. Se te sentes ofuscado, tapa os olhos, se gostas de arquitectura, aparecia a dele como aprecias a de outros. Souto Moura não evoluir... enfim, tenta ver o que ele anda a fazer agora antes de dizeres isso assim sem mais nem menos.
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Pedro vão aí fotos que minhas que tirei quando estive no Serpentine. Devo ter de uma parte das obras que pediste, mas não as tinha à mão e estas são provavelmente as que terás mais dificuldades em encontrar fora do âmbito das publicações. Espero que ajudem. Entretanto procurarei mais das outras obras, aliás estou a escrever isto dentro duma , se precisares de algum momento específico, alguma coisa que te interesse saber o que é pela análise das plantas, diz, que tiro-a. Em tempos dei uma pequena opinião acerca deste edifício, mas perdeu-se nas entranhas do outro fórum. Se alguém aqui por acaso tiver ficado com os backups desse fórum e se quiser dar ao trabalho de procurar, eu agradecia, até porque na altura não guardei o texto e tinha interesse em reavê-lo. Espero que estas te sejam úteis. Podes usá-las como precisares, só te peço que me credites caso o faças. Bom trabalho. Abraço
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como já referi noutro post relativo aos grandes portugueses, acho interessante este tipo de debate sem que o resultado final (o eleito) seja significativo de mais que uma opinião num determinado momento. De qualquer maneira em relação a esta questão, não sei se o Siza é o melhor arquitecto português de sempre porque (felizmente) temos um leque vasto para dificultar a escolha. Mas acho q se tiver de ser comparado, o campeonato é outro. Eu não comparo o Siza ao Cassiano Branco com o Raul Lino com o Pardal Monteiro ou com oTomás Taveira (!!!!) em matéria de escolher quem é o melhor. Nem sequer com o Távora. Eu comparo o Siza se me apetecer esse exercício delicioso e fútil com o João Castilho, o(s) Torralva, o António Rodrigues ou o Nasoni (q n é português mas quase, aliás como o Castilho). E já agora acho absolutamente vergonhoso do ponto de vista da isenção necessária a uma eleição destas se o A.Oliveira Salazar não aparecer na lista de "ajudas" da RTP. Políticas à parte, ideologias à parte, goste-se ou não se goste, e há muita coisa nele para não se gostar, ele é, a não ser que me engane muito, a pessoa que mais tempo governou com um elevado poder em Portugal e aquilo que ele fez teve e continua a ter um peso brutal na maneira como as coisas são hoje em Portugal. Ter essa discussão do "ah não sei se devíamos pôr o Salazar" quando de olhos fechados se escreve o nome de figuras vivas de maior ou menor relevo mas claramente sem o peso que teve o primeiro (e uma vez mais sem qq tipo de politiquice aqui metida, figuras como o Mário Soares ou o Álvaro Cunhal) parece-me um exercício de hipocrisia, estupidez e tentativa estúpida de pseudo lavagem cerebral ao já muito lavado povo (onde é que eu já vi isto de tentarem fazer as pessoas "esquecerem" ou "aprenderem" certas coisas...)
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é engraçado que tenhas referido os ASFP. Recentemente, esta associação foi convidada pelos homólogos italianos para participar num debate/congresso/reflexão acerca da questão da emigração para países da Europa (oriunda de destinos diversos). O convite foi estendido e aceite também aos homólogos de Espanha e da Bélgica. De qualquer maneira, a arquitecta pertencente aos ASFP foi recentemente à minha faculdade promover o evento e propor entre os estudantes um debate sobre esse tema, no qual a arquitectura pode ter uma palavra (mais ou menos) importante. E mesmo que não se discuta directamente arquitectura, discute-se entre arqutiectos (e estudantes de). De qualquer maneira, achei o desafio interessante e vou trabalhar no assunto juntamente com 3 colegas de faculdade e a arquitecta dos ASFP. O congresso decorrerá em Roma entre 12 e 25 Novembro próximo e vou ter a honra e a sorte de poder participar. Acho que este tipo de iniciativas são notáveis e enriquecem em grande escala a experiência neste caso académica (ou profissional para quem é arquitecto envolvido). Daí os meus parabéns aos ASFP. Para além disso têm também outro tipo de iniciativas de maior intervenção directa, nomeadamente no apoio a alojamento pos-tsunami no Sri Lanka.
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Houve em tempos, no outro fórum do qual muitos membros deste faziam parte, alguém que divulgou a notícia de que o arquitecto Oscar Niemeyer estava a projectar ou ia construir um complexo de piscinas na cidade alemã de Düsseldorf. Interessa-me neste momento explorar um pouco do que se vem fazendo com essa tipologia e lembro-me que na altura foram colocadas algumas fotos de 3d do edifício. Gostava de saber se ninguém dispõe dessas fotos e que as possa colocar aqui, bem como o máximo de informação relativa ao edifício. Desde já agradeço a colaboração.
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Gaf.arq, devo dizer que fiquei fascinado com algumas das obras desses ateliês que apresentaste. Não tinha noção de que essa arquitectura se produzia no Brasil dos dias de hoje. E a obra que apresentaste como paradigmática é de facto muitíssimo interessante. Não acho que tenha assim tanta influência do Mies, claro que ele está aí presente, mas não é tão directo como isso. Mas não tinha noção que os movimentos brutalistas de vanguarda do Brasil de há umas décadas estavam a ter seguimento na arquitectura contemporânea brasileira. Mas fiquei contente de saber. Gaf.arq, dizes então que se tivesses de recomendar uma faculdade, uma escola onde estudar no Brasil, essa seria a Faculdade de S.Paulo? obrigado pelos links
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Infante D.Henrique , provavelmente a minha escolha. O tipo que no seu contexto, no seu tempo, tendo em conta tudo o que se sabia e principalmente o que não se sabia, estava provavelmente mais à frente, em Portugal (claro) e no mundo inteiro. Para mim o primeiro europeu pós-medieval, ou moderno, se se quiser, da história. No debate sobre os bichinhos que comiam barcos e marinheiros e uma terra que supostamente era um disco, e um Deus tirano que comia bruxas ou hereges, ele estava muito para além de tudo isso. Definiu tão marcantemente que ainda hoje perdura a ideia de "ser português". O português que todos olhamos como ideal é o português que D.Henrique foi. Não foi sozinho pai das descobertas, mas foi o motor essencial. Provavelmente sabia muito mais do que quis contar, mas a verdade é que o que fez não se iguala em Portugal ou em qq parte do mundo. Disse à Europa que a globalização era o que vinha a seguir, e ensinou os europeus a conhecerem o que vai para além das muralhas de uma cidade. Dos descobrimentos portugueses e do renascimento italiano nasce o pensamento europeu moderno. Por tudo isso, tudo pesado globalmente, seria provavelmente nele que eu votaria. Não quer dizer que seja o melhor, porque isso de "O" melhor não existe, mas é talvez o que mais próximo disso anda.
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Kevin Lynch - A imagem da cidade, edições 70 (salvo erro) isso é a teoria do lynch, acho q é sempre melhor lermos as teorias em primeira mão, não em opiniões de terceiros. Essas são importantes, mas é depois de termos formado a nossa bebendo no original.
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eu acho bem que o Deco se tenha naturalizado, ainda que com o objectivo de jogar na selecção. Há uma lei, dizia que ele precisava viver em Portugal não sei qts anos para se naturalizar, ele viveu-os, tudo bem. Para além do mais é um grande jogador, e faz uma falta enorme à nossa selecção. Não tenho esse tipo de preconceitos contra colocar naturalizados a jogar. Se não era obrigado a indagar da completa "portugalidade" da carla sacramento, do obikwelu (outro polémico), etc etc... Acho é que foi um erro estratégico do Brasil nunca lhe ter dado a chance de jogar enquanto era só brasileiro e relembro o comentário do Mário Zagallo a propósito dele: "como ele tenho dezenas". Se calhar hoje não dizia isso. Aliás é de realçar que neste momento o novo seleccionador brasileiro, o Dunga (grande jogador o tempo dele e acho que ainda vai ter sucesso como seleccionador) convoca todos os jogos menos importantes do Brasil jogadores que nunca tinha convocados que podem ou não vir a ser realmente bons mas que não vão jogar por outra selecção que não o Brasil.
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Para além de tudo isso, essas imagens que mostraste têm muita piada, e é das coisas que mais circulam entre caloiros da faup, dá para rir quando chorar é o que mais apetece. Entre nós é uma piada. Fora parece que é transformar o siza num bode expiatório de qualquer coisa não muito bem identificada. Acontece muito em Portugal com as pessoas que têm sucesso, serem desprezadas por uma boa parte da população que, não conseguindo sair de uma mediania generalizada imposta, procuram arrastar para o meio deles aqueles que, por talento, trabalho ou, provavelmente, os dois, conseguiram subir mais alto. Na faup, a maioria dos professores adoptam apaixonadamente os pricípios fudnamentais e referenciais desta história interessante da arq contemporânea portuguesa que se chama escola do Porto. As referências fundamentias, que são as referências que eles passam (ninguém deve ensinar o que não sabe, embora isso aconteça tantas vezes). Por isso é normal que o Siza, o produto mais genial de todas as gerações escola do Porto seja o arquitecto que mais é analisado e, porque não dizê-lo, adorado. Mas não é o único, muita da qualidade apesar de tudo superior, da arquitectura que se produz no Porto (em relação, por exemplo, a Lisboa), deve-se à influência decisiva que o método da faup tem na zona. Mas a prova de que tudo o que disse é verdade (ou mentira) está na obra de todos os que aprenderam da mesma fonte. Convido quem se interesse a conhecer essa(s) obra(s)
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Bem thiago, eu estudo na Faup e posso portanto falar com (alargado) conhecimento de causa. Não, não é assim tão radical, não, não precisas de te tornar um sizinha. E como prova de que isso é verdade, basta estudar ou verificar ainda que superficialmente a obra dos arquitectos que saem formados na faup (nem todos têm obra publicada mas muitos têm). Facilmente verificas que são obras completamente distintas, baseadas em princípios distintos e diferenciados. A base comum? Uma base académica comum, um método de ensino e de abordagem ao projecto que já se provou inúmeras vezes funcionar. O texto a seguir pode ser longo mas se realmente te interessa vale a pena ler, espero conseguir esclarecer: Aquilo a que hoje se chama escola do Porto aparece, poder-se-á dizer, da acção primeiro do mestre Carlos Ramos, mas sobretudo da mente de um outro mestre chamado Fernando Távora. Este, que teve uma formação fortemente influenciada pelo modernismo e pelas discussões do CIAM (chegou a participar, conheceu o Le Corbusier e outros mestres), a determinada altura, e à semelhança do que ia acontecendo com outros arquitectos na Europa e no mundo (o Corbu incluído, a Lina Bobardi no Brasil, por exemplo), começou a questionar a validade absoluta que os CIAM e que os arquitectos modernistas fundamentalistas pretendiam passar. O modernismo faliu, mas teve influência. E o que entre nós o arq.Távora faz é idealizar uma forma de fazer arquitectura que simultaneamente aproveitasse o que de bom o experimentalismo do modernismo tinha tido com alguma forma de fazer arquitectura até então mais ou menos desconhecida que fosse de raiz portuguesa, que fosse realmente de Portugal, e de nenhum sítio mais. Neste ponto FT opõe-se à ideia então defendida de "casa portuguesa" defendida pelo arquitecto Raúl Lino e apoiada pelo regime então no poder, porque correspondia a um estilo "português suave" que tinha que ver com uma ideia de brandos costumes e corporativismo que interessavam (posso dizer que escrevo isto numa casa de 1955 fortemente influenciada no seu desenho por essa moradia tipo). O Távora escreve no princípio dos anos 50 (ano a confirmar) um texto chamado "o problema da casa portuguesa" onde descreve a sua posição contrária em relação a tudo isto. Para ele, a tal raiz portuguesa estaria na arquitectura vernacular, de cariz popular, produzida espontaneamente por todo o país. Foi então (juntamente com outros notáveis da arquitectura portuguesa de então) um dos maiores entusiastas e participantes no inquérito à arquitectura popular portuguesa, um levantamento em exaustivo e rigoroso de toda a arquitectura popular existente, de norte a sul do país. Esse documento resultante é ainda hoje um monumento inabalável à grande pequena arquitectura anónima e uma fonte inesgotável de aprendizagem para quem estiver disposto a aprender. A arquitectura do Távora reflecte todo este esforço, toda esta análise, e dele são os primeiros exemplos de arquitectura portuguesa que funde o que de mais moderno se produzia com o que de mais português existia. Conclusões retiradas: - não há uma arquitectura popular portuguesa, há muitas, sempre variada, sempre diferente, no Algarve ou em Trás-os-montes; - Entre as características comuns a todas as diversificadas arquitecturas, encontra-se sempre uma enorme sensibilidade ao território, à topografia, ao efeito que o construído causa - uma tendência irrepreendida para a integração, em oposição ao realce do construído (não é isto sinónimo de arquitectura "camaleónica" ao contrário do que muitas interpretações erradas podem concluir) - relacionada com a anterior, uma arquitectura pouco monumental, que se impõe muito pouco (aliás isto é visível até na arquitectura erdudita que fomos produzindo) Assim sendo, singifica que a análise do território no máximo número de vertentes possíveis, histórica, geográfica, etc. e sobretudo, a COMPREENSÃO do território onde se intervém é permissa fundamental, e uma tendência é um gosto por redescobrir e no fundo, porque não dizer, redesenhar a arquitectura que pela sua durabilidade, espontaneidade e funcionalidade sempre se provou uma mais valia para os territórios onde se implanta (a tal arq popular). Este último parágrafo, em si, não corresponde a nenhuma ideia predefinida de arquitectura. Corresponde a uma ATITUDE perante o projecto, perante a arquitectura. E é isso que escola do Porto significa: uma atitude. Essa, sim, foi traduzida por mestre Távora num método de trabalho e, pedagicamente, num método de ensino. Esse é o método que, com actualizações, deturpações e alterações vem sendo ensinado desde então na agora faup (antiga esbap). Em geral, todos os professores que hoje ensinam, tiveram como mestres ou influências Távora ou aqueles que se juntaram a ele nesta ideia que se provou digna, de arquitectura. Esse método baseava-se numa relação muito pessoal e importante com o desenho como ferramente fundamental para o apuramento do olhar, e de percepção de todas as características que referi em cima. Isto é a escola do Porto, segundo Rui Resende, sem por uma vez falar no nome do maior arquitecto português do século XX que é, quem tiver coragem de ver vai perceber, Álvaro Siza Vieira.
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Lol, era realmente carnaval quando fotografei as 3 primeiras fotos :)
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Tele - Habitação Mix - "Novos modos de habitar"
Rui Resende replied to Ricardo Moura's topic in Arquitectura
Eu por acaso acho que neste caso, a qualidade espacial que a sala ganha com o aumento do pé-direito justifica a opção pelos degraus. Por um lado consegue uma hierarquia mais entre o que é zona de circulação e o que é zona de estar, clarifica melhor essas questões e transforma a sala num espaço mais "nobre" da casa. É uma opção, uma sala não tem de ter um pé-direito maior para ser melhor, mas também pode acontecer, e a mim agrada-me. Neste caso parece-me que era a intenção que esta diferenciação existisse. A questão das pessoas de mobilidade condicionada é, neste caso, mais secundária do que noutras condições. Numa habitação em duplex, dois degraus para entrar numa divisão, sobretudo por pessoas que como a expressão indica não se deslocam c facilidade (sendo de crer que não passar o tempo dentro e fora), não assim tão dramático. A questão coloca-se mais em relação a eventuais pessoas inválidas que entrem na casa como visitas. Porque a verdade, embora triste, é que para uma pessoa paraplégica, não há casa razoável... Essa terá de ser realizada em função da pessoa que tiver essa infelicidade e pensada até ao mais mínimo pormenor... Porque se uma pessoa em cadeira de rodas não pode de facto descer os degraus que conduzem à sala, também não é menos verdade que não pode utilizar a banheira, que provavelmente a casa de banho não tem um raio livre suficiente para ele poder efectuar todas as manobras que necessita, apoios na retrete, altura dos móveis na cozinha, altura da banca, etc. etc. etc. Neste caso, está-se a pensar, em princípio, o módulo para uma família média. A família média pode viver nessa casa. -
Pois, ver tudo o que referi até vale mais que um fim de semana só, por isso é que falei daquela avalanche estilo buffet . Sirvam.se do que quiserem mais . Mas realmente o que disse o asimplemind é verdade, é capaz de ser melhor eliminar as propostas que ficam mais afastadas, Leça, Matosinhos, Leixões, e ficar por sítios que não exijam carros ou grandes viagens, eventualmente com algum trânsito. E o mercado do bom sucesso realmente também vale a pena, esqueci-me desse. De qualquer maneira, se calhar era porreiro demarcar tipo duas zonas, ao redor da Boavista, uma e o centro histórico, outra... Com um bocado de esforço e de pernas até se vê tranquilamente uma grande quantidade de coisas. Digo isto porque me parece que é nestas zonas que se encontra a maior concentração de obras "a ver". Fica de fora o Serralves que para mim é imperdível, porque se não é o melhor projecto do Siza, anda lá perto, e para além disso existe lá também a casa antiga de Serralves, um dos projectos mais arrojados do Marques da Silva. Mas não se pode ver tudo, e também só dá pretexto para quem vem voltar mais vezes...
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eu apareço, mas evidentemente para quem é da zona é mais fácil dizer que sim. Por isso, aqueles que são de mais longe é que poderão ter maiores contrariedades, como é compreensível. O que se fará a seguir ao almoço, acho que é de maior interesse que seja uma visita arquitectónica do que a Concreta. A Concreta este ano está com um programa fantástico, mas acho sempre mais interessante numa visita que se que se veja a cidade e não que se passe o tempo fechado numa sala num centro de congressos periférico, mesmo que o que se ouve lá dentro seja realmente interessante. Em relação ao que se pode visitar, acho que vai depender do que o pessoal esteja mais interessado em ver. De qualquer maneira, sugiro em termos de arquitectura contemporânea obras como; -o Museu Serralves, a FAUP, a recém acabada Bouça (que eu ainda não visitei convenientemente ), mais afastado em Leça a casa de chá da Boa Nova e as piscinas de maré, em conjunto com o arranjo urbanístico recente; isto em relação ao inevitável Siza. Já agora incontornavelmente os supra-discutidos Aliados. -A casa dos 24, e a quinta da Conceição junto ao porto de Leixões, do Távora -a casa das artes, edifício do Burgo, estações de Metro, edifícios de habitação para os lados da Foz do Souto Moura -a casa da música -várias outras que, primeiro não me recordei aqui (também só coloquei como se reparou os pesos pesados) ou que merecem ser vistas quase naturalmente quando por lá se passar, sem que precisem ser o "prato principal" da refeição . Aqui refiro obras mais desconhecidas, ou menos conhecidas, como a garagem da rua de Ceuta, o coliseu do porto, teatro rivoli, cinema batalha, o Silo Auto (discutível se se visita ou não mas para mim um dos melhores parques de estacionamento urbanos que conheço), o pólo universitário da Asprela (ao redor do hospital gémeo do Santa Maria, o São João) que está pejado de edifícios de autores mais ou menos conhecidos mas em geral interessantes, incluindo a FEP do V.Lima ou a novíssima Fac de Psicologia (do Távora em colaboração com o filho, já concluída após a morte do primeiro). Toda a marginal da Foz também merece ser vista, o edifício transparente (não que eu ache que faça muita falta visitar mas n deixa de ser referencial). Lembrei-me entretanto, o estádio do Dragão, uma obra absolutamente notável, do ponto de vista arquitectónico como do ponto de vista do arranjo urbanístico, etc. etc. etc. Fora do "menú" arq (+-) contemporânea, é evidente que é indispensável conhecer todo o Porto histórico, a baixa, ribeira, com a praça do Cubo e todas aquelas ruas anónimas e fabulosas onde vão aparecendo obras notáveis como o palácio da bolsa ou o mercado ferreira borges, o convento S.Francisco, a Sé, o paço do bispo, a estação S.Bento, a câmara do Porto (aliados), Clérigos (fundamental), edifício da Universidade, por aí fora. Agora é uma questão de quem vem de fora saber perante este roteiro vasto aquilo que pretende mais ver... Certo é que tudo o que referi é impossível ver numa tarde, quanto mais conhecer bem, mas também é verdade que muitas destas obras estão próximas das outras. Isto foi uma enxurrada, mas agora contava com a ajuda e sugestões de outros para começar a excluir temas e arranjar um programa mais real...
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Ruas como esta André? ou esta: A primeira é a Rua 19, em Espinho (o troço pedonal apenas). A segunda é a muito mais conhecida rua de Santa Catarina, no Porto. Se os exemplos te servirem, eu tenho bastante informação acerca da rua 19, já que a determinada altura investiguei muito sobre a cidade de Espinho e essa rua em geral. Tenho muitas fotografias, e não só. Em relação à rua de Santa Catarina, é muito mais fácil encontrar informação, mas curiosamente, eu não tenho grande coisa sobre ela... Diz o que achas destas e o que precisas mais. :)
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Já agora todo o site vale a pena explorar (offtopic, mas quis lembrar) http://www.misteriojuvenil.com
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Eu também sou grande fã da BIC, como é óbvio , mas uso também bastante a uniball. Desenho a esferográfica é um pouco entre essas duas que alterno, quando me canso da outra... Mas acho que a BIC é das invenções mais duradouras de sempre, um objecto de design genial, uma espécie de fóssil vivo do design industrial daqueles modelos que daqui a 1000 anos vão continuar a fabricar-se praticamente inalterados. Dreamer, quando li o que escreveste lembrei-me de uma coisa que encontrei outro dia pela net... http://pwp.netcabo.pt/0449732802/video/bic.wmv dá uma vista de olhos a ver se te recordas da letra toda . Acho que vais gostar de rever...
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muito verdade André Moraes. Escolas a mais, arquitectos a mais, logo, desemprego na classe mas também se fosse só na nossa classe que houvesse desemprego bem ia o país. De qualquer maneira, se não estou em erro, existem prai 22 ou 23 escolas no país que, como saberás, tem cerca de 18 vezes menos população que o Brasil.
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Habitação Social - paradigmas do bem estar social
Rui Resende replied to asimplemind's topic in Arquitectura
Por acaso preferia que explicasses melhor porque achas que tem escadas a mais, se não te importares claro...
