Rui Resende
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AMestre, também a mim me entristece que aqueles que hoje começam a estudar arquitectura não tenham formas eficientes de aceder à obra do arqutiecto Viana de Lima, por via de publicações e maior divulgação. Estudo arquitectura vai para 5 anos, e é difícil encontrar quem realmente conheça parte da obra do arquitecto, quanto mais o encare como uma possível referência ou um modelo de trabalho. Este arquitecto foi um dos mais entusiastas divulgadores e animadores do movimento Moderno em Portugal, e a ele pertence a autoria de alguns dos mais interessantes edifícios deste período entre nós. Só por aí, o lugar dele na história da nossa arquitectura contemporânea deveria estar mais "desempoeirado". No entanto, não é de facto verdade que seja um arquitecto "simplesmente desconhecido". Eu conheço-o, no meu contexto académico ele é ainda um arquitecto relativamente divulgado, por força de professores que contactaram com ele, alguns mesmo trabalharam com ele. E já por diversas vezes recorri a ele (obra) como referência. Já tive a oportunidade de visitar vários edifícios de sua autoria ou co-autoria, tais como o tribunal de St Maria da Feira, a Faculdade de Economia do Porto, a habitação unifamiliar na Foz do Douro (a qual fui gentilmente autorizado pelos donos a visitar), vários edifícios de habitação colectiva no Porto, onde destaco o edifício de gaveto localizado junto à câmara municipal, e o bloco da rua Costa Cabral (se não estou em erro). Existe na biblioteca da minha fac (FAUP) uma publicação relativamente completa relativa à obra dele (deverá ser a mesma de que falas). Evidentemente não é suficiente este livro para se conhecer a obra do mestre, mas este associado a um esforço por visitar as obras constitui já uma muito boa aproximação. Já agora refiro ainda a participação de Viana de Lima no projecto do hotel que Oscar Niemeyer projectou para a Madeira, nos anos 60, se não estou em erro, no qual o papel do arqutiecto português foi bastante mais acentuado do que o que se possa pensar... Claramente ali encontramos um "Niemeyer" em todos os aspectos, claramente o edifício contou com o traço inconfundível do mestre brasileiro, ao nível da volumetria, implantação, linguagem, etc. etc. A curva do hotel não engana, assim como a volumetria do casino que se socorre de formas derivadas da hipérbole; e por fim o que a mim ainda me fascina mais naquele complexo, que tb já tive a oportunidade de visitar, que é a capacidade de montar um todo coerente a partir de uma aparente colocação aleatória de elementos arquitectónicos. Tudo isto é Niemeyer, mas o que normalmente não é conhecido, é que o brasileiro nunca esteve na ilha da Madeira, nunca viu ao vivo aquele terreno, aquele local, e que o arquitecto de obra foi precisamente o Viana de Lima, e que todo o desenho de pormenor relativo ao edifício foi realizado pelo ateliê do portuense. Para quem conhece um pouco da obra do arquitecto, percebe ao visitar o hotel da Madeira alguns momentos muito Viana de Lima, como por exemplo (refiro este por ser visível em qq foto) a forma como ele resolve o desenho das juntas de construção, numa espécie de ziguezague que ele já tinha utilziado no edifício junto aos Aliados e que transforma um elemento normalmente indesejado de necessidade técnica num elemento de composição que consegue ajudar à unidade. Acho que da análise deste tipo de questões muitas vezes de pormenor é que pode resultar uma maior percepção do porquê do arq. Viana de Lima ser de facto um mestre. Já agora acabo por recomendar o livro onde vem descrita esta participação de VL no projecto da Madeira com o O.Niemeyer, aliás toda a relação de grande amizade e proximidade entre estes dois mestres (a tal ponto que o escritório de Lima no Porto era o que Niemeyer utilizava por empréstimo sempre que por alguns períodos mais ou menos prolongados necessitava trabalhar na Europa). O livro chama-se "O nosso Niemeyer", é sobretudo acerca do Hotel na Madeira. Não é um bom livro do potno de vista da informação técnica (desenhos) do edifício, mas é um bom livro de história(s) relativo a esse projecto e a outros assuntos.
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Lol, evidentemente que a crítica deve ser sempre c vista a melhorar, não só destrutiva etc. etc. Nunca faço críticas completamente destrutivas em sítios como este fórum ou outro local na net... mas compreendo o autor do blog... às vezes dá uma vontade enorme de simplesmente falar mal de tudo, sem critério nem lógica, só para aliviar :p acho q é por isso q tt gente recorre ao futebol
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claro mrc64, mas por isso eu disse em escritórios contemporâneos. Já o Wright, embora bastante perto de nós, ainda pertence a uma época pré 3d, pre informatização, onde o virtuosismo do desenho era uma ferramenta útil. O admirável no zumthor é que esse tipo de prática acaba por ser uma herança que ele assume e serve-se dela na fantástica arquitectura que produz. E já agora, falando de desenhos fantásticos, o ano passado andou pelo Porto (e não sei se noutros sítios), nomeadamente na FAUP uma exposição dedicada ao processo de trabalho/desenhos do Marques da Silva, nome que dispensa apresentações. E devo dizer que não devem nada a ninguém... Com a diferença que foi efectivamente ele que os fez, do princípio ao fim, o que não aocntece com os do Zumthor nem com os do Wright, que normalmente t~em pessoal especializado para realizar esses trabalhos...
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De qualquer maneira há excepções. Já o disse neste post, mas de qualquer maneira vai com imagens. A rotunda da Boavista, é uma rotunda, funciona como tal, e também é um espaço verde real, não apenas na classificação. Questões de escala, evidentemente:
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Deves estar a falar das urbanizações Rokko GinoSoakedBoy. Eu também não sou muito fã deste tipo de arquitectura brutalista contemporânea. Apesar de tudo parece-me mais conseguido o projecto do Tadao, do ponto de vista volumétrico, embora também esse não me fascine muito (apesar de considerar o Tadao um arquitecto fabuloso).
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Porto Alegre | Fundação Iberê Camargo | Alvaro Siza Vieira
Rui Resende replied to lllARKlll's topic in Arquitectura
Ok. Fui mal informado. Obrigado por me corrigires digdoi -
Den Haag - Netherlands | Habitacao | Alvaro Siza & Broek en Bakema
Rui Resende replied to 3CPO's topic in Arquitectura
Conheço de publicações (não ao vivo) os dois projectos, mas eu acho que o primeiro é muito mais interessante que o segundo, que até nem aprecio muito, por me parecer mais descontextualizado. -
lol completamente. Dificilmente vi em ateliês contemporâneos desenhos à mão melhores que aqueles...
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Costa Alentejana | Casa Barreira Antunes | Aires Mateus
Rui Resende replied to Arq.to's topic in Arquitectura
PANICdarko, duvido muito sinceramente que a habitabilidade de uma casa ou de qualquer espaço tenha uma relação demasiado directa com a cor do mesmo, muito menos quando essa cor é o branco que, mais do que qualquer outra, aguenta toda a decoração (quadros, esculturas, jarrões chineses, pastas dos dentes ou esfregonas ) que lá queiras pôr. Se observares por exemplo as obras mais coloridamente brilhantes do Barragan (que já agora é um arquitecto que eu adoro), vais verificar que se calhar estão muito mais condicionadas em termos de apropriação do espaço (isto claro, do ponto de vista da cor). Em relação à casa, acho que é um dos projectos mais interessantes dos Mateus, um projecto com uma resolução em planta e em termos de ocupação do território de uma simplicidade superior e que, para além disso, até responde perfeitamente em termos funcionais, o que nem sempre acontece. Por nota final, é de referir que todas essas questões de habitabilidade e uso deverão ter sido naturalmente discutidas entre arquitecto e cliente e, nesse contexto, com acordo mútuo. Naturalmente isto não desculpa nunca eventuais falhas de projecto, mas neste caso não as encontro relevantes. -
Concordo com praticamente tudo o que disso o asimplemind. Em relação a esta questão do projecto da avenida dos aliados, considero que, antes demais, deu-se um valor e levantou-se uma polémica de longe muito mais agitada do que o próprio projecto merecia. O que ali aconteceu foi nada mais nada menos que a reformulação de um espaço urbano que já por diversas vezes na sua (não tão longa história, frise-se) aconteceu. São intervenções quase de rotina que acontecem quando o ritmo de crescimento e evolução de usos na cidade se alteram, e o desenho tem que acompanhar (nunca o contrário). Não quer isto dizer que o projecto seja perfeito. Mas o projecto não é mau, resolve o programa, fa-lo bem, a meu ver, e coloca definitivamente a avenida dos aliados (do ponto de vista do desenho e tratamento urbanístico) num local simbólico de vanguarda na cidade do Porto. Não que houvesse tão grande problema no tratamento anterior. Mas em geral saiu valorizada. Acho absolutamente absurda, mesmo ridícula, a questão de se criticar o projecto pela mudança do material. Em origem, a calçada à portuguesa nem sequer é assim tão típica do Porto. Mas tudo bem, foi uma opção, funcionou, e agora foi alterada. Tão simples como isso. O pavimento escolhido, até pelo refinamento do seu desenho e colocação, como referiu o asimplemind, em nada desvaloriza o espaço. É uma questão secundaríssima. Como disse o arq. Alves Costa em relação a esta questão: "Não acredito numa cidade que baseia o seu sentido de história no material de um pavimento". Poucas vezes li algo mais sucinto do que isto. Em relação ao resto. acho que o desenho resultou mais claro tanto do ponto de vista da circulação automóvel como amigo do peão, pelo desenvolvimento dos passeios laterais, junto aos edifícios. Em relação às árvores, é sabido que elas não se cosntroem, plantam-se, de maneira que teremos de esperar vários anos para que as que lá estão pequenas e que os (a)críticos cegos não vêm crescem e desempenhem o seu papel. Havia condicionalismos em relação à vegetação derivados da passagem desnivelada da linha do metro, e os tais "buracos com grades" correspondem a necessidades, não a tendências de desenho. Em relação à fonte, sempre achei interessante a ideia de retomar aquele tema que, com o desenho certo, poderia ter animado em muito aquela zona da avenida (que para mim até não é avenida nenhuma, mas mais uma grande praça). Acontece que esse bom desenho não apareceu, o que lá se encontra não tem especial interesse, foi mal resolvido, inconsequente. Também concordo, evidentemente, que o mobiliário urbano deveria ter sido (muito) mais intensificado. O que lá está simplesmente não chega. Acerca da (nova) relação da população com o espaço tenho a dizer que já fui a um evento nesta nova avenida, o S.João, e de longe a prefiro como está do que como estava. A afluência do público aquele espaço não será aumentada ou diminuída pelo novo desenho. E se os adeptos do FCP acorrem menos ao local quando o clube festeja alguma conquista, isso é outra questão que não interessa aqui falar. No S.João se prova que o espaço, no que toca a eventos simbólicos continua vital, central e utilizado. Peço desculpa pela extensão da mensagem, mas ainda não me tinha pronunciado sobre o assunto.
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Matosinhos | Restaurante / bar | Alvaro Leite Siza
Rui Resende replied to 3CPO's topic in Arquitectura
eu tenho a sensação de que isto é o Estado Novo... uma discoteca, portanto. Realmente não tenho a certeza porque das 4 ou 5 vezes que estive no EN akilo estava, evidentemente atestado de pessoal ... Mas se for, acho q é a melhor discoteca do Porto em termos de layout. E curiosamente, cheia funciona muito menos apimbalhada do que nestas fotos. -
Lol ya Legrias, os gajos falam falam mas... n dizem nada... mas ya i tal, eu percebo-te,,, eu também acho q sim por isso te digo... ya ya ya vai em frente eu votyo que sim,... e tal contem cmg...
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o Fernando Rocha e o Gato Fedorento estão em divisões diferentes do campeonato do humor Um é um gajo foleiro que conta umas anedotas que das primeiras 10 vezes até têm piada por causa da caralhada toda que ele para lá mete, outro faz mesmo humor... Para mim é do melhor que apareceu, uma espécie de sucessor do Herman (do bom Herman, não daquele gordo loiro piroso que anda prai agora...), embora claro, com um tipo de humor bastante diferente.
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Depois da primeira semana de outubro também era porreiro para mim, pode ser mais po fim se der mais jeito, como ao asimplemind... O sítio, lol, tou a puxar a sardinha à minha brasa... mas não se devia obedecer à votação? :s
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lol Tico, comprei um portátil à 5 meses e acho q já passei mais tempo co GTA ligado q c o autocad :p muito viciante...
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GTA San Andreas :s
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lol, a mulher é uma brasa :)
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Eu acho o Thomas Crown de 1968 melhor que o de 1999, e gostei bastante deste recente. Uma curiosidade engraçada é que a Faye Dunaway, que faz de psiquiatra no filme de 1999 tinha o papel principal (o da Rene Rousso) no de 1968 Só curiosidade mas acho piada a essas coisas. ;)
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Porto Alegre | Fundação Iberê Camargo | Alvaro Siza Vieira
Rui Resende replied to lllARKlll's topic in Arquitectura
já foi inaugurada a obra, mas também ainda não vi fotos de como ficou -
isto é bem verdade...
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Também acho o Mendes Ribeiro absolutamente exemplar em termos de tratamento cénico dos espectáculos que ajuda a produzir. Contudo, não arrisco colocar a palavra arquitectura associada a esse tipo de actividade. ~~~está certo que ainda é conformar um espaço, ainda que não para ser vivido, mas para ser fingido, com conotação simbólica e representativa de alguma coisa, real ou conceptual, mas arquitectura parece-me exagerado. Arquitectura cénica chamaria eu aquelas estruturas produzidas propositadamente no cinema, como o exemplo paradigmático do Metropolis (1927): '> No entanto, em relação a arquitectos que produzem cenários, gostava de chamar a atenção para um arqutiecto de Espinho, chamado Nuno Lacerda: www.cnll.pt já criou os layouts de vários programas de televisão e colaborou com grandes encenadores do teatro português, como o inevitável Ricardo Pais.
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Kandinsky, deves estar muito provavelmente enganado na época da vida desse rei. Tu estás muito provavelmente a falar do rei D.AfonsoVI, filho de D.João IV (o restaurador) e irmão de D.Pedro II, que o sucedeu. A história do Afonso VI é que, a determinada altura, ele abdica do trono em favor do irmão. Conta-se muita coisa, entre as quais que ele sobria de grandes debilidades mentais; certo é que o irmão prendeu-o nos seus restantes 9 anos de vida num quarto do palácio real de Sintra, num quarto apenas, do qual só saía para assistir à missa. Se visitares esse quarto, o que é possível, ou era prai há 10 anos atrás , encontras uma fita à porta que não te deixa entrar, mas observas o chão e verificas que tem o pavimento extremamente degradado, devido ao facto de o rei deposto não ter feito outra coisa senão caminha caminhar e caminhar à volta da cama nos 9 anos de vida que lá passou... Uma daquelas histórias... mas penso que terá sido o único rei que lá habitou. Até porque, no período que indicas, ainda não haveria, penso, nada que se parecesse com um palácio em Sintra. O castelo deveria ser o mais próximo disso, e mesmo assim, muito primariamente, já que não tinha o desenvolvimento que se vê hoje... ou seja, estamos a falar de um rei de meados do século XVII.
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No deviantart, já sigo o trabalho da ana há algum tempo, e acho q é das melhores galerias que por lá há, sem exagero Bem Vinda
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Também faço parte do deviantart, e já fui relativamente viciado, ultimamente só tenho andado por lá como observador, já n ponho material novo há vários meses, embora esteja a pensar voltar a pôr brevemente. De qualquer maneira, a minha conta está em: http://dijou.deviantart.com
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Lol, obrigado pelo apoio Rach :)
