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Arquitectura.pt


Ivo Sales Costa

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Everything posted by Ivo Sales Costa

  1. Devido ao carácter especial da cedência das imagens remeto quem estiver interessado em conferir mais imagens do projecto para o novo artigo do Aspirina Light publicado hoje. Está aqui
  2. Resta dizer que desses 10 se fará agora a votação final. Fiquei boquiaberto com os lugares de Eusébio e de Amália fora do Top10, embora concorde com a ausência entendo que só pode ter havido uma intervenção divina para que isso acontecesse...
  3. Eu começo é a ficar cansado com esta postura tipica do arquitecto ou do aspirante a arquitecto onde se estar num sitio que não um gabinete é motivo de duvida e comentário pouco generoso. Exercer no ambito militar é uma prática como outra qualquer, onde se recebe como outra qualquer e onde não há a minima necessidade de andar a abrir concursos para executar angares, refeitorios ou dormitorios quando se pode ter um gabinete de projectistas a trabalhar para o ministério. Abram os olhos, não há hierarquia nem classe que valha á dificuldade que é a prática da arquitectura em Portugal caramba, ninguém é superior por trabalhar no Zé Famoso, e contra mim falo... Quem tiver tempo, dirija-se á quinta Real de Caxias em Caxias, dê um passeio pelo magnifico Jardim da Cascata e observe o edificio de entrada na quinta, um refeitório banalissimo desenhado por... Gonçalo Byrne, quando estava ligado ao serviço militar.
  4. essa é brincadeira não Dreamer?? Uma coisa são esses idosos com rendas do tempo em que o Benfica era campeão europeu e outra são as rendas de hoje, onde 300 euros é uma espécie de miragem...
  5. Sem duvida, ja nao fui a tempo de corrigir mas parece que foi feito, muito e muito obrigado pela correcção!
  6. Artigo original em AspirinaLight.com Projecto recentemente publicado na arq./a e que me chamou à atenção não só por ser um professor da Universidade Lusíada pelo qual guardo enorme respeito mas também pelo desenho nada preconceituoso, fica o registo para animar a discussão em torno da Arquitectura Nacional '> '> O projecto para esta casa, perto de Óbidos, começa por se distanciar da premissa recorrente, e algo equivoca, da arquitectura portuguesa contemporânea, sobretudo no domínio desta tipologia específica: a pretensão da derivação directa do objecto arquitectónico de uma interpretação poética do lugar. É óbvio que a forma e estratégia de implantação obedecem a um entendimento lógico da topografia e das possibilidades de um enquadramento visual da paisagem, mas estas premissas são assumidas não como elaborações conceptuais (das quais decorre uma forma) mas antes como deliberados mecanismos de construção de um discurso autónomo, em que a concretização construtiva (o objecto) não é uma decorrência mas o processo em si mesmo. Muito mais do que uma mera forma de apropriação espacial, a casa assume-se como um pictórico e estético biunívoco: do interior como “ecrã” que apresenta um olhar sobre o exterior, e do exterior como moldura múltipla sobre o objecto arquitectónico. Esta vontade de forte caracterização do projecto como guião de uma narrativa visual alternativa corporiza-se no desenho dos vãos enquanto léxico e sintaxe, respondendo simultaneamente à difícil orientação do terreno, virado a poente. Mais uma vez, a resolução projectual é processo e não mera consequência dessa vontade inicial. A nascente desenham-se espaços tensionados por grandes membranas de permeabilidade visual; a poente recortam-se diferentes aberturas sobre os espaços de circulação, como um impacto eminentemente plástico e rítmico. Importa sublinhar que, em nenhum momento, a estratégia da paisagem como “imagem espectáculo” redunda numa falsa ideia de continuidade espacial. Ou seja, o ecrã (essa entidade membranar) jamais se dilui ou nega a si próprio numa eventual ambiguidade interior-exterior, antes configurando uma relação de diálogo de influencia mútua e ambivalente. Assim se compreende que a própria proposta de uma distribuição funcional dos espaços se alicerce naquela narrativa visual que se pretende construir e que o carácter vivencial das diferentes áreas, numa lógica gradação social-intimo, se referencie a esta e sirva o discurso produzido. Em suma, este projecto para uma vivenda unifamiliar, mais do que uma resolução idiossincrática de um programa e tipologia comuns, trata-se de um exercício operativo em torno do papel da imagem no processo de desenho em arquitectura. E é neste âmbito que se torna mais interessante analisá-lo, quando a imagem surge habitualmente a jusante deste processo, como forma de construção subsequente de uma interpretação sobre um objecto arquitectónico dado. Aqui, pelo contrário, a “imagem” é apropriada como ferramenta de projecto, como ponto de partida e de chegada ao objecto e como chave de leitura e vivência do mesmo. A operação perceptiva sobre a forma e a espacialidade é assumida como mecanismo intrínseco de estruturação de uma identidade, tanto visual como construtiva. Assim se compreende, por exemplo, o papel do espaço da biblioteca, elemento ícone (“ecrã e imagem”) a um tempo central e centrífugo, ou o carácter da sala, ponto de confronto com todo um dispositivo cénico e simultaneamente ponto de convergência da actividade da casa. A solução de implantação e do desenho em planta é ela mesma uma recusa da possibilidade de entendimento estático e parcelar (fotográfico) do objecto enquanto “soma de alçados”, por oposição a uma leitura sequencial e cinemática, num jogo de sedução/conflito, na qual todos os intervenientes (homem, objecto, envolvente) são alternadamente sujeitos e objectos, actores e espectadores. '> '> '> '> O sitio web do arquitecto está em www.sousasantos.com e mais informação sobre o projecto consta na revista arq./a de Janeiro 2007 [pags 42 a 47]
  7. A primeira é bastante infeliz a meu ver. A segunda é genial, de mestre mesmo...
  8. Isto é bater no ceguinho, já todos sabemos como funcionam as coisas, trabalhamos num meio de faz de conta onde o trabalho pertence a uma elite restrita e o resto tem de ir á falência concorrendo em concursos, infelizmente é assim nas grandes cidades, pelo interior as coisas são um pouco diferentes, e depois existem os construtores, as camaras municipais, os gabinetes de arquitectura/engenharia onde se ganha melhor e de forma garantida ao fim do mês mas que por isso mesmo vão continuar a ser marginalizados pelos outros que estando em lugares de maior prestigio e a ganhar menos acabam por criar discursos de desvalorização destes meios. Posso dizer que neste momento ganho mais a trabalhar num part-time 5 horas por dia (570 euros) do que ganhei nos 3 anos de licenciatura em que fui colaborando em ateliers onde ganhava 250 a 300 euros trabalhando madrugadas, fins de semana, 24 horas seguidas e afins... o cenário é este.
  9. eu por exemplo até considero que desenho bem mas não tenho noção espacial suficiente para maturar cá dentro do cérebro qual o melhor proveito a tirar de um desnível de uns metros, de um terreno apertado.. é uma questão de métrica, de lugar, de espaço, e nunca de desenho. Para mim a maquete é fundamental, e faço-as feito anormal, pega-se num pedaço de esponja de 3 euros do lidl, corta-se e aplicam-se 3 perfis em cartão. Pega-se num pedaço de barro e experimenta-se uma forma. arranja-se uns bocados de cartão e em meia hora testa-se uma idéia... Mas compreendo a fragilidade que o elemento maquete introduz no processo APENAS E SÓ porque em 90 por cento dos casos resulta num RETARDADOR DO PRODUTO, coisa que neste mundo moderno, rápido e em vertigem constante é demasiado contraditória. Agora essa de associar a elaboração da maquete a fragilidades de desenho ARK, não concordo contigo (contas por alto, em cinco anos terei feito pouco mais de 60 maquetes).
  10. (E os diplomatas da profissão que me vão assolar a existência pela ousadia em colocar figuras tão distintas da cena arquitectónica internacional no mesmo título). Quanto vale a imagem de uma cidade? A questão é pertinente. A impressão digital de um lugar com grande expressão territorial é interpretada através da arquitectura. Num contexto mais vasto do que o mero conceito arquitectónico, uma cidade é exteriormente valorizada pelo seu desenho. E assim se criam os estereótipos, desde as pirâmides egípcias ás linguagens modernas da Europa no pós-guerra é a arquitectura que nos oferece a imagem do lugar, é o pretexto para as nossas viagens imaginárias e o contexto que se visita posteriormente, com maior ou menor desilusão relativamente aquilo que a fotografia ou o vídeo nos mostrou. Sempre considerei Portugal um país com poucas referencias no que à arquitectura propriamente dita diz respeito, mais tarde, nos tempos de faculdade, percebi e entendi o porquê. Investimos sempre muito mais em politica do que em construção, da fundação aos descobrimentos, dos Filipes a Salazar, a regra passou sempre por privilegiar (ou não) o País no seu sentido político em detrimento do investimento no território (à excepção das fortificações e monumentos religiosos). E isso percebe-se quando se comparam imagens a grande escala de Madrid, Barcelona ou Paris com Lisboa e Porto. Há uma clareza no desenho das primeiras muito superior ao desenho orgânico das nossas cidades, o que, no caso não constitui vantagem ou desvantagem, são politicas diferentes, disposições diferentes, economias historicamente diferentes. A discussão do ponto de vista qualitativo é tão subjectiva que não me atrevo a fazer opinião bem fundamentada sobre as respectivas mais valias no que à simples interpretação urbana dos lugares diz respeito. No entanto sobrevive a questão da identidade do lugar onde o postal das nossas cidades dificilmente se associa a um lugar que se reconheça com facilidade. É esse o papel da arquitectura e onde as sucessivas politicam territoriais não contribuíram para um engrandecimento arquitectónico do nosso país. O processo de criação de um ícone faz-se, regra geral, de forma acidental. É o tempo quem se encarrega de categorizar uma determinada peça, como aconteceu com a torre do relógio do palácio de Westminster, o famoso Big Ben, ou com a monumental praça de S Pedro no Vaticano, ou como acontece com as grandes obras da antiguidade, das mais belas construções indígenas do centro e sul-americano à arquitectura árabe e oriental. Do mesmo modo, existem as peças que foram concebidas para se tornarem ícones e que sobreviveram ao tempo da sua concepção, como a Torre Eiffel em Paris ou o estranho Atomium em Bruxelas, construídos para duas exposições mundiais e que constituem hoje ícones fotográficos das respectivas cidades. Em Lisboa, as duas grandes obras com vocação turística datam do tempo dos descobrimentos, estão em Belém e são visitadas anualmente por milhares de pessoas mas nem por isso constituem marcos territoriais que se reconheçam como parte marcante da nossa paisagem, a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos são no fundo dois brilhantes exemplos da história repetida da nossa “arquitectura do desenrasca” mas que se mantiveram tranquilamente como ícones da nossa existência, se por um lado o Mosteiro constituiu notável desenvolvimento construtivo das igrejas salão da época, não é menos verdade que é um exercício atarracado de arquitectura Gótica, como o eram todas as obras de época devido à crónica falta de fundos, a mesma crise que impediu a construção da torre gémea à torre de Belém que deveria constar do outro lado do rio mas que nunca foi edificada. O grande ícone moderno da arquitectura de Lisboa é inevitavelmente o conjunto das Torres das Amoreiras, edifícios de gosto duvidoso e de autoria vulgarmente considerada manhosa, foram durante anos o rosto de uma arquitectura destacada por entre o skyline da capital e assim se manteve até à exposição internacional de 1998, o que nos leva a mais do mesmo, onde de entre toda as obras edificadas se pauta a horizontalidade do pavilhão de Portugal e do pavilhão do conhecimento dos mares, edifícios concebidos respectivamente por Álvaro Siza Vieira e João Luís Carrilho da Graça, dois dos nomes maiores da arquitectura pós-moderna portuguesa. O pretexto da exposição não foi suficiente para que se registasse uma aposta mais ousada e concreta no terreno escolhido, ficámo-nos pela Torre Vasco da Gama, um exercício banal e bastante discutível. Posto isto e sobrevivem as Amoreiras no alto de Campolide, a imagem mais destacada da arquitectura moderna Lisboeta. No norte, para lá de todas as discussões, o Porto 2001 constituiu um verdadeiro veiculo de arranque na interpretação da cidade moderna, a oportunidade foi aproveitada e assim nasceu o pretexto para uma construção com escala citadina e vocação urbana, do Office for a Metropolitan Architecture de Rem Koolhaas surgiu a Casa da Música, que ironicamente havia sido desenhada para ser uma habitação à qual foi aplicado um exercício de escalas e que resultou naquele que é hoje um ícone da cidade, mais do que um exercício de arquitectura de autor, a Casa da Musica contribui para a interpretação moderna de uma cidade que procura renovação e que alcança através da criação de novos marcos territoriais que se interpretam por habitantes e por turistas, para lá de todas as discussões e opiniões contrárias, como uma referência do olhar, e não só como uma sala de espectáculos. Para lá de todas as derrapagens, o Porto 2001 ofereceu à cidade do Porto um novo ponto de vista sobre si mesma enquanto que a Expo 98 constituiu um mero exercício de uma frente degradada da cidade de Lisboa que apesar da excelência da sua execução resulta hoje numa amalgama de arquitecturas estranhas e sinuosas, insuficientes para subverter a presença incomoda do espectro Taveira que continuará, à falta de melhores ideias, a assombrar as mentes bem-educadas dos teóricos da arquitectura que teimam em não aceitar o homem, e, vergonha das vergonhas, é ele quem ombreia com Koolhaas, guru espírita da arquitectura moderna. Ele, Taveira. Este texto e outros conteúdos em AspirinaLight.com
  11. É uma mudança para melhor digo eu... o edificio original era de uma arquitectura bastante estranha, este é uma coisa mais de "arquitecto", resta saber se do ponto de vista do seu uso funciona.
  12. Mas não podes dizer que seja um lugar feio... aquela grande praça que será agora toda corrompida pela presença do novo mamarracho é um espaço com uma dimensão incrivel, eu não sou nada católico e o lugar mexe com a minha "espiritualidade" digamos assim,mas isso também se deve ao facto de existirem dimensões que não conhecemos.
  13. O lugar do santuário de Fátima é tudo menos um espaço feio na minha opinião
  14. Pedro não era o caso porque a verba disponibilizada, por mais absurdo que possa parecer (e parece) é considerada um investimento fundamental de apoio á região, os números estão disponíveis, basta ver o quanto paga o contribuinte e o quanto paga a igreja, é ridiculo. Por todas as razões e mais alguma a proposta de G Byrne era a mais equilibrada, ao nível orçamental e de presença no lugar. Quem conhece o santuário sabe que aquela nave alienigena que ali aterrou estrangula por completo o antigo percurso de aproximação que se fazia de forma gradual e progressiva, que era enfatizado pelo projecto de G Byrne e rematado através daquela enorme cruz que no fundo era o unico elemento francamente novo no desenho da linha do horizonte. Sei que o facto de ter sequer chegado a finalista foi devido á enorme pressão dos arquitectos a juri o que acabou por não ser nada favorável visto que a proposta é tão melhor que a vencedora... Havia uma proposta de um gabinete espanhol também belissima mas que por ser espanhola não podia ser considerada, enfim, mais do mesmo como todos sabemos.
  15. Ai tanto que se especula....... Dos projectos finalistas garanto que o do Arq. Gonçalo Byrne era o que previa um custo de execução mais generoso. E porque nestas coisas da internet o anonimato vale ouro, nas palavras dos clérigos presentes no juri o projecto de G Byrne não foi escolhido porque "não se via" e porque "estava abaixo do chão, não se pode meter uma igreja abaixo do chão e gastar dinheiro com ela". Ganhou o maior mamarraxo porque a igreja queria que ganhasse o maior mamarraxo, era o que se via mais, e o 2º mais caro a concurso. E esta ?
  16. Parece-me que o mais fácil é gerar opinião desfavorável com toda a sinceridade. Não me parece minimamente importante a forma que o edificio terá ou a questão da construção ou não de um novo edificio, ambas as teorias me parecem válidas e eu continuo a acreditar que nestas questões do urbanismo não deve um algarvio opinar sobre o que se faz em torres novas, quanto mais um Europeu acerca do que se faz em NY. Quanto ao tempo que passou... acho justo, e que se multiplicasse por mais 10 ou 20 anos continuaria a ser justo. Não faz qualquer tipo de sentido abordar uma postura de "Rei Morto, Rei Posto" porque o acontecimento não o permite, e acredito que este intervalo de tempo só serve para amadurecer as nossas ideias relativamente ao conceito que é o terrorismo a uma escala global. Seria uma completa subversão do tema e do episódio que hoje em dia, APENAS 5 anos depois já por ali funcionasse um grande edificio "Bigger, Better and Stronger", parece-me que seria uma profunda falta de respeito para com as vitimas. Seguradoras, cheques, economias de compensação, teorias de estrapulação são, no caso, politicas de somenos importância. Há uma frase notável do Herzog que diz que construir ali é "Uma mera" operação de estética e que é isso que torna o exercicio tão fácilmente questionável.
  17. Boas! Estou a elaborar uma listagem algo extensa sobre materiais e sistemas de construção, uma espécie de enciclopédia pessoal que depois poderei divulgar sem problema. Acontece que a limitação a partir da internet é muito maior do que inicialmente pensei, encontram-se algumas marcas no infame construlink mas a coisa mais ou menos que se fica por aqui. Serve o tópico para indagar junto de vocês, sites, portais (foruns não porque este basta ) onde se possa obter informação relativa ao(s) tema(s). Muito e muito obrigado.
  18. A nível de proposta gosto muito de se projectar uma casa que não é uma casa tipica, passada a papel quimico de tantos exemplos que encontramos por aí. Já em relação ao concurso e ao contexto da coisa, gostava muito que tal como o Marcelo e a Olga, TODOS OS OUTROS, tivessem passado também pelo processo do concurso...
  19. Estou a ver é que usas um browser muito á frente!!! :icon14: Fica anotado sim senhor
  20. Por mim farás como entenderes, a mim as tuas conclusões são-me igual a outra qualquer pela qual, do mesmo modo, nutra o natural desprezo que nutro pela que expressaste. No entanto valeu. No fundo consegues em 4 parágrafos curtos confirmar, linha a linha, tudo o que ali estja escrito. Aos que não se ofereçam ás tuas repetidérrimas prosas (acompanhadas hoje de 'h's no remate aberto das vogais) fica o registo desta tua ultima frase: "Existem duas opções: escrever um texto, um manifesto a tentar lutar contra este tipo de coisas ou simplesmente aceitar os factos e afirmar que a arquitectura eh também igual a Economia?" Nem mais meu caro. No que me diz respeito, vou continuando a optar, como a abertura do tópico sugere, pela escrita ou pelo manifesto, ou pelo simples direito à opinião, outros haverão que apesar de não quererem dar o corpo ao próprio manifesto, vão actuando num estilo Robin dos Bosques, ora servem uns, ora servem outros, desde que cheguem a uma conclusão que me ajude a perceber o melhor tudo bem. Depois os outros, os falsos resignados. Os que se dispõem à evolução natural das coisas, ou por outra,à anormalidade do capital enquanto veiculo de subversão da arte pura e simplesmente. E no final até conseguem o seu bom dinheiro, porque deram o corpo, e viraram costas ao manifesto moral. Há muitas outras profissões por aí que assumem esta mesma posição, uma delas é mesmo, segundo consta, a mais antiga do mundo.
  21. O texto está publicado no meu blog, mas deixo aqui para discussão: Sobre o elitismo. E as desgraças da nossa arquitectura… Leio post recente em A Barriga de Um Arquitecto, que constitui, como é do conhecimento geral, um dos mais completos lugares de opinião sobre arquitectura em Portugal. Opinião e não critica. E aí residem alguns dos nossos problemas. Não existe no nosso país um suporte franco à critica sobre a construção. Critica-se a pintura e a escultura a custo, critica-se a politica e a economia por gosto, mas muito raramente se criticam as opções meramente estéticas de um arquitecto, ou vá lá, de um engenheiro. Isto acontece porque o receio da marginalização antecede a posição do lápis ou do teclado em relação ao objecto da nossa critica. Há uma componente politico-financeira demasiado forte a impulsionar o ritmo da nossa construção para que alguém se dê ao luxo de opinar desfavoravelmente sobre quem quer que seja. No limite, criou-se o termo “Taveirada” e mesmo a sua aplicação constitui um raro luxo a que o escritor se pode dispor ao uso. O porquê desta subversão de conteúdos reside, de forma muito fácil de entender, na saturação do mercado de trabalho dos arquitectos, e, em suma, no facto de dependermos todos uns dos outros no que à herança de trabalho diz respeito. Em Portugal, e pela Europa, o Arquitecto é aquele que se distingue dos demais num concurso, é aquele que adquire estatuto ou posição através da subida a pulso na carreira. Mas também é aquele que trabalha para os outros, para os que, algures no tempo, conquistaram (com ou sem mérito) o respectivo lugar ao sol, e nesta relação de proximidade tem de haver muito cuidado no que ao mediar de relações diz respeito. Não estou a divulgar novidade nenhuma. Álvaro Siza dependeu em muito de Fernando Távora, Eduardo Souto Moura dependeu em parte de Álvaro Siza. Manuel Mateus não esconde que deve parte do seu portfolio a Gonçalo Byrne, tal como Inês Lobo ou Nadir Bonacorso rendem a respectiva homenagem a João Luis Carrilho da Graça. Fica-lhes bem, constitui prova cabal de que há no meio uma relação de grande consideração entre o mestre e o discípulo. Impecável. E é deste modo que a coisa se espalha. Existem os que, de frente para o leitor, optam pelo elogio e pela aclamação de tudo e mais alguma coisa que lhes seja pedido comentar. Não que o elogio venha a garantir uma parceria, uma co-autoria ou mesmo uma colaboração discreta. O caso é mais complexo. É que o elogio garante à partida uma vénia e um respeito documentado. Pelo menos ninguém irá pedir explicações ao aclamador. Basta passar os olhos em diagonal para as publicações de arquitectura que passam discretas pelos escaparates das nossas livrarias. Não há, nem por uma vez, uma contrariedade, uma questão. A prosa é fluída, por vezes acompanhada de poesia bonita e muito bem articulada. Bem exprimido não oferece nada de novo, são textos que se fazem e refazem sem oferecer novidade ao debate. Textos penosamente aditivos que não contribuem de modo algum para que se questione afinal o que é que se anda a fazer com o dinheiro do contribuinte, e porque não, o que anda o contribuinte a fazer com o seu próprio dinheiro. Recordo o projecto miserável de Alexandre Alves Costa para o elevador do Rossio. Um modernismo chato e recto em escala exagerada que pisava uma praça da cidade que é diariamente utilizada por milhares de pessoas. Recordo que a critica incidia apenas e só na presença e nunca na estética do objecto. Que era feio pura e simplesmente. Recordo a oportuna critica do então director da ARQ./A, o arquitecto Victor Neves, defendendo o desenho. Pior, recordo que defendia acima de tudo o autor, com um espantoso autismo na coerência da opinião. Um sufoco gritante para conseguir a todo o custo salvar o arquitecto, que naquelas palavras se tornava quase inquestionável. No final da mesma edição, mais do mesmo. Batista Bastos repetia a posição do editor. Convenientemente. Leio o texto de Daniel Carrapa a propósito de empreendimentos como a “Vila Utopia” ou o “Bom Sucesso” e reparo que o autor não só defende a iniciativa como resguarda a todo o custo as questões politicas e de marketing. Pior, financeiras também. Não consigo, de modo algum, defender proliferações de paisagem como os exemplos acima referidos. Não consigo nem por um momento entender as vantagens do cultivo populista da expressão “Arquitectura de Autor” e muito menos quando a coisa é utilizada com propósitos mediáticos. O exemplo da “Vila Utopia” constitui um verdadeiro objecto de estudo, pois não só contribui para o inicio destes veículos de show-off arquitectónico, como ainda transporta para dentro do vicio jovens arquitectos, que mais não são do que meros objectos de troca no que à violência do uso diz respeito. Na futura Vila Utopia, não serão os arquitectos as referências públicas da gestão do espaço. Serão os habitantes. Serão aqueles a quem a vida permite um investimento de novecentos mil euros num imóvel para habitação diária ou sazonal. O arquitecto nunca constitui o mote, e nunca constituirá o produto. O elitismo do espaço, no sentido lato do termo, esse sim constituirá aquilo que a Vila Utopia virá a ser: Capitalismo desgovernado. Como arquitecto recuso a colagem ao capital (de resto, à excepção dos senhores da banca, desconfio que nenhum profissional esteja hoje minimamente interessado em ver o seu oficio tão disparatadamente capitalizado), e recuso porque conheço o meio. Conheço as dificuldades na luta por um lugar ao sol e vou aguardar atentamente pelo debate público, onde as pessoas possam intervir, onde alguém prefira um Fiat a um Mustang apenas pela livre opção. E o problema é esse, é assistir ao avançar progressivo das manias de autor. Dos “convites” para trabalhar. E no fim a dúvida, será que abrindo um concurso público devidamente limpo de todos os vicios, todos os aclamados mestres teriam direito ao seu pelintro de exposição? E aí sim, pagava para ver.
  22. Isso tendo como comparação aqui o extremo ibérico certo ?? Programas de recuperação/construção são autenticos manás no Reino Unido, França, Alemanha, Estados Unidos, Austrália... na Austrália, um dos mais bem sucedidos Reality Shows de sempre é o "The Block" (que teve direito a segunda série). E o problema não está nas pessoas, está nos directores de informação, por cá o The Block foi um dos programas mais vistos no cabo quando esteve no People And Arts, mais audiencia do que o The Aprentice. Apostassem num programa que ajudasse pessoas com casas em mau estado e fizessem disso um programa vocacionado para as massas e talvez as audiencias surpreendessem... eu nao duvido.
  23. Excelente iniciativa, acho muito importante haver esta sensibilização para o tema da representação tridimensional através desta colagem a um determinado projecto... até pelo processo de execução da maquete podem sair logo conclusões fundamentais para esta fase embrionária. Gostei imenso
  24. Eu acho que não tens noção do poder deste apontamento... perspectiva bastante lúcida do que é esta coisa da arquitectura
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