Rui Resende
Membros-
Posts
300 -
Joined
-
Last visited
-
Days Won
2
Content Type
Profiles
Forums
Events
Everything posted by Rui Resende
-
Dia 18 de Fevereiro de 2007 foi anunciado o vencedor do concurso para a arquitectura do museu moderno de Varsóvia. Do júri fazia parte pessoal como o Libeskind, participaram arquitectos como o Kuma ou a Saha Hadid. Não tinha sequer tomado conhecimento, mas outro dia tive a oportunidade de assistir a uma aula do arq.Camilo Rebelo em que ele mostrou a sua proposta para este concurso, que foi premiada com uma menção honrosa. Fui investigar as outras propostas; acho a título de curiosidade que há propostas bem mais interessantes do que o vencedor, que terá talvez conseguido alguma unanimidade pela enorme clareza de princípios/forma/etc. mas que me pareceu um pouco chata. Deixo algumas imagens das propostas premiadas e de algumas que não o tendo sido me chamaram a atenção: 1º prémio - Christian Kerez, Architekt ETH/ SIA 2º prémio - Szaroszyk & Rycerski Architekci Sp. z o.o. 3º prémio - Atelier WW Architekten SIA Special mention - ALA Architects Ltd. / Grupa 5 Architekci / Jarosław Kozakiewicz Menções honrosas (algumas que me interessaram mais, não todas): Camilo Rebelo Arquitecto Unipesoal, G.O.P. - Gabinete de Organizacao e Projectos, Lda. Steffen Lemmerzahl, Architekt ETH/SIA, Zürich / Proplaning AG, Basel Agustin Sebastian Rivera, Jorge Quesada Ordeig Outros (não identificados no site, concorrentes que não tiveram prémio): (era opinião especulativa do Arq Camilo que este projecto seria o da Zaha Hadid. Não é, naturalmente, possível confirmar já que não está identificado no site, mas fica a nota.) esta é a página de todos os premiados e participantes, caso alguém queira explorar mais alguma coisa: http://www.museumcompetition.pl/nagrody.php?lang=eng
-
Ela está publicada, na Casabella de (salvo erro) Outubro 2006. Está bastante bem documentada. E já agora, também acho q é do melhor que ele fez nas últimas experiências dessa espécie de reinvenção da curva com betão branco que ele anda a fazer nos últimos anos. Há bastante pouco tempo atrás tive a oportunidade de assistir a uma aula em que ele explicou todo o projecto, incluindo o facto de o projecto estar incompleto, já que para além do volume de pavilhão e piscina, havia uma terceira função inicialmente desenhada e depois abandonada por falta de dinheiro, que serviria para qualquer coisa "multi" não sei o quê. No contexto do conjunto, o volume ausente (como melhor que eu explicou o arq) faz bastante falta, no equilíbrio da composição.
-
cada caso é um caso. O Jornal de Notícias já mudou de aspecto 3 vezes desde que me lembro de o "ver" (fora as outras antes de eu tomar nota) e continua a ser líder de mercado, com tendência a subir. As coisas têm de ser é bem feitas... é uma opção manter ou não o aspecto, dependente também do peso que esse aspecto tem junto das pessoas. A coca-cola é um caso clássico. Não me parece que o Público vá ver afectadas as suas vendas pelo seu novo aspecto. Eu não leio regularmente o Público porque de facto não sou grande aficcionado do jornal, não pelo aspecto que tem. O design anterior era do Henrique Cayatte, o novo também é dele?
-
Bem, o tema é interessante. acho que a prisão é uma tipologia arquitectónica no seu direito próprio, e não muito estudada (compreende-se porquê, dada a sua não tão grande proliferação, felizmente). Nunca pensei no assunto que levantas, e portanto o que vou dar a seguir são apenas primeiras ideias que me ocorreram; tentarei actualizar caso me ocorra algo. De qualquer maneira, em relação a filmes sugiro de repente 3: Os condenados de Shawshank (1994) http://www.imdb.com/title/tt0111161/ Não coloco nem de longe nem de perto este filme no patamar de qualidade onde os (muitos) votantes do imdb o colocam. No entanto, é de facto bastante interessante de seguir, passa-se tirando raras cenas totalmente no interior de uma prisão (espaço) e o tema não sendo exclusivamente em torno da questão teórica da liberdade do homem ou o que isso significa trata, no entanto, o assunto. Baseia-se numa história de Stephen King, se interessar saber. Papillon (1973) http://www.imdb.com/title/tt0070511/ Este sim, é muito interessante. Como filme e, creio, pode-te interessar para o teu tema. Um filme de fuga, em princípio mais ou menos dirigido às audiências, que no entanto explora o tema da fortaleza-prisão-ilha de uma maneira inteligente, que acusa sensibilidade ao espaço. Além disso também se debatem as questões do efeito da prisão no homem, e da procura da liberdade. O Rochedo (1996) http://www.imdb.com/title/tt0117500/ É só um filme de acção, Hollywood, no entanto tem a particularidade de se passar na (eventualmente) mais famosa prisão do mundo, Alcatraz. E, muito embora seja como disse apenas um consumível de usar e deitar para o lado, o espaço da prisão é notavelmente bem utilizado, e podes aprender bastante acerca do seu funcionamento e organização espacial (sobretudo se estiveres munida de material desenhado prévio). Em termos de livros, apenas me ocorre, embora seja com certeza um pouco fora do tema que pretendes ao certo, as ideias de prisões sem paredes exploradas incessantemente pelo G. Orwell nos seus romances. Nesse sentido aconselho-te os inevitáveis 1984 e o Animal Farm (este para mim o mais interessante sem dúvida). Penso que a tradução oficial para português é o triunfo dos porcos. Fala de domínio e da capacidade de da aparente liberdae conseguir-se um domínio sobre seres humanos bem mais acentuado e opressor que colocando-lhes paredes à volta. Sei que a ajuda não foi grande, mas caso me ocorra algo eu coloco por aqui.
-
Arquitectos e engenheiros com papel "redefinido" a partir de 2012
Rui Resende replied to lllARKlll's topic in Arquitectura
imagina que eras um dos profissionais que neste momento pode fazer o trabalho que dentro de 5 anos será exclusivo de arquitectos. És desenhador ou engenheiro ou outro qualquer, e vives de desenhar casas na tua terra. A tua família precisa disso. E agora o teu país onde tudo é rápido e eficiente aprova que já não és qualificado para fazer aquilo que fizeste toda a tua vida e que dentro de 11 meses vais ficar desempregado e sem possibilidade de permaneceres no que sempre fizeste... eu acho que dar 5 anos a estas pessoas é no mínimo razoável para que se possam readaptar e arranjar outras ocupações. Antes de haver arquitectos a engrossar as fileiras do desemprego já havia essas pessoas a fazerem a vida delas. Haja respeito por elas. O ponto de vista dos arquitectos não é o único nesta situação; isto afecta muita gente. Portanto, concordo com a alteração da lei, e parece-me razoável o prazo dado. -
Cerva, Ribeira de Pena | Casa Tóló | Alvaro Leite Siza
Rui Resende replied to kaz's topic in Arquitectura
Por princípio não há nada banal num prédio construído na cidade ou numa vivenda dos arredores. E o dinheiro da obra por princípio também não é determinante da qualidade da obra. Alguns dos mehlores edifícios portugueses do século XX correspondem a habitação social, logo simultaneamente prédios (ou habitações geminadas), feitos em cidades e com muitíssimo pouco dinheiro. Era só um reparo, porque compreendi o sentido da afirmação. -
Lisboa | Terraços de Bragança | Alvaro Siza Vieira
Rui Resende replied to lllARKlll's topic in Arquitectura
estas são algumas fotos que tirei quando por lá passi, mais ou menos há dois anos. Sinceramente, não é dos projectos do Siza que mais me fascina, está bem encaixado, mas o desenho das varandas na relação com a rua (que tem uma pendente fortíssima e isso não é bem considerado) não está bem resolvido. O último piso é bem feito para, como diz no texto colocado pelo |||ARK||| "camuflar os edifícios no céu". Mas também aí não o encaro muito bem na relação com o resto do edifício. Depois, os enfiamentos no intervalo entre volumes parecem-me um pouco forçados, e a muralha, sendo de realçar a sua conservação, são, no entanto, apenas toleradas e não integradas com especial sucesso na intervenção. Evidentemente estou a falar de um edifício do Siza, merece várias análises que eu não fiz, apenas estive no local uma vez. Quem mora em Lisboa e eventualmente convive diariamente com ele poderá falar melhor. Já agora, ele está publicado numa Arquitectura Ibérica dedicada à habitação, não sei qual delas mas só há 2 ou 3 AI para habitação por isso deverá ser fácil encontrar. -
Exacto, a cultura provavelmente é a palavra chave nesta história. É um pouco como o que se falava em relação à casa Malaparte. Se todos os clientes fossem como o Malaparte podíamos hipoteticamente pensar que não seriam mais precisos arquitectos, pelo menos para fazer as casas das pessoas (aliás um pouco como já foi quando a habitação era autoconstrução e os arquitectos desenhavam palácios e edifícios religiosos). Mas não são todos (aliás quase nenhum) como o Malaparte. Agora a questão é que, não havendo cultura, é difícil explicar a uma pessoa para que serve de facto um arquitecto... as pessoas vivem o mesmo tempo recorrendo ou não a um arquitecto, e até vivem mais ricas, que sai mais barato não recorrer a ele... Portanto, para quê o arquitecto?... Por outro lado, há o arquitecto, que muitas vezes está-se perfeitamente nas tintas para o que o cliente na verdade quer, ou o que é melhor para o contexto onde vai construir.
-
pagar um serviço é diferente de comprar um escravo. O arquitecto galego César Portela tem um ponto de vista relativamente a esta questão com o qual me identifico em larga medida, por isso vou citar algumas das palavras dele: Espero ter conseguido passar a minha opinião acerca das questões levantadas pelo user Rodrigues.
-
Pois, essa é uma questão debatida, e nem é só em relação a dias que correm, mas em geral, relativamente a todos os tempos. A minha opinião pessoal é. Se há escritores, dramaturgos e cineastas em Portugal a escreverem livros, peças de teatro e a realizarem filmes, então há literatura, teatro e cinema português... Há autores? Criadores? então há obra. Se fazem todos igual, se pertencem a uma "escola", não interessa... Hoje em dia um pouco por todo o lado há autores não há escolas... e é isso que interessa. Por isso, cada filme é um filme, não há que enquadrá-lo... Se vejo um filme português manifestamente mau ou bom, isso não diz absolutamente nada da qualidade ou características do próximo... No entanto, este que vi e o próximo que verei são ambos cinema português.
-
O Claude Chabrol, já agora, é um dos nomes importantes menos conhecidos da chamada nouvelle vague francesa, liderada por pessoas como JL Godard ou F Truffaut. O plano longo e a câmara fixa não são exclusivos do cinema português e nem sequer são tão característicos como é ideia comum, quando se considera "Manoel de Olveira" o cinema português. É no entanto verdade que, em geral, os cineastas portugueses procuram mais ser poetas do que ser narradores e, como refere Chabrol, quando corre mal, corre mesmo mal. Não sei o que esperar deste filme, Little Children, a não ser que pelo trailer, recordou-me talvez um Hitchcock, com a câmara a reverter em favor de uma suspensão ou retardar da acção. Não me pareceu poesia, que associo a um Tarkovsky, Kar Wai ou, sim, Manoel de Oliveira, que já agora é um cineasta que aprecio imenso.
-
o meu comentário para o imdb: http://www.imdb.com/title/tt0449467/usercomments-330
-
Estes textos que tens colocado são de facto muito interessantes. Confesso que desconheço o autor, pelo nome. Em relação a esta especificamente, quem já teve aulas com o arq Graça Dias com certeza terá ouvido contar esta história da casa Malaparte e das relações conturbadas entre o dono e o arquitecto Libera. E também, como o autor, não tenho dúvidas de que o projecto de Malaparte é incomparavelmente melhor que o do arquitecto. Isto porque a casa aparece na ideia de M. como aparece toda a arquitectura espontânea e a autoconstrução: com simplicidade de princípios e economia de meios. A evoluçâo mostrou que a arquitectura contemporânea acompanhou o "arquitecto" Malaparte e deixou cair em desuso a visão de Libera. De qualquer maneira, como referiu o Dreamer, é preciso ter em atenção que nem todos (para não dizer praticamente nenhum) os clientes são como Malaparte, um escritor de vanguarda, um homem de talento, iluminado, que tinha uma sensibilidade superior em relação ao que via, embora normalmente a mostrasse pela escrita. Permito-me apenas discordar do autor na referência ao filme Le Mépris, de JL Godard. Isto porque não concordo minimamente que ele seja hoje uma peça de museu (pelo menos não mais do que a própria casa que ele filmou). Isto porque o filme é ainda hoje uma referência e uma lição de cinema, e marcou naquele momento (juntamente com outros filmes do mesmo contexto) uma viragem e uma inovação na maneira de fazer filmes e na própria questão ideológica da actividade de fazer filmes. Além disso, Godard fez mais do que utilizar a casa como cenário, ele usou-a como poucas vezes vi arquitectura ser usada no cinema, com um olhar extremamente arquitectónico e sensível, transformando a casa num objecto altamente cinemático (aliás relembrando o estilo de Antonioni, que possui também um olhar extremamente arquitectónico). Como conclusão proponho a quem conseguir encontrá-lo o visionamento do filme "La Pelle" (realizado por Liliana Cavani em 1981, com Mastroiani no papel principal). É um filme baseado em escritos biográficos do próprio Malaparte (Mastroiani representa o escritor no filme) e também ele tem momentos passados e filmados na Casa Malaparte. Daqui penso que se compreenderão duas coisas: 1, a vida e sobretudo personalidade e motivações de Curzio Malaparte (e logo se entenderá que ele não era uma pessoa vulgar e logo a sua genial autoconstrução em Capri é única, irrepetível em qualidade por outros autoconstrutores) 2 o que Godard fez em 1963 com Le Mépris, em comparação com o que Cavani faz em 1981, no que toca a captar a arquitectura pela câmara. Daqui se poderá imaginar que a fama que a casa alcançou depois de 63 não teve apenas a ver com o facto de ter aparecido num filme, mas muito mais com a forma como apareceu. Continua a dar-nos deste material pf Dreamer
-
Ok, eu achava, agora tenho a certeza, que tinha direccionado mal os meus primeiros posts, porque foquei-me demasiado em refutar coisas segundo a minha opinião e pouco a criticar o que realmente eu penso havia a criticar no texto. Posto isto, vou tentar, se ainda possível, rectificar o que puder ser rectificado e deixar um bocado mais claros os motivos que me levaram a colocar o texto aqui no fórum. Eu acho muito bem que as pessoas que utilizam arquitectura (que são toda a gente) sem a estudarem opinem sobre ela. Arquitectura é para as pessoas. Nesse sentido, os erros que ela possa conter, e aqui incluo todos aqueles que são apontados na opinião pública ao estádio do Braga. É positivo para a arquitectura, e com certeza para o seu autor que esses erros sejam apontados. Disse isto nos posts acima. Neste caso específico são apontados problemas de funcionamento, não só pelo autor do texto que eu coloquei mas por muito mais pessoas. Nesse sentido devem ser levadas as críticas em conta. Eu não concordo (com as que refutei acima) baseado na minha experiência pessoal como utilizador do edifício, mas concordo que as críticas podem ser válidas. Não é por aí. Neste aspecto apenas quis realçar que não concordo que as más audiências dos jogos do Braga tenham a ver com o seu estádio. Mais digo para que fico claro, se fosse o Benfica ou o Porto a jogarem naquele mesmo estádio, ele estaria cheio todos os jogos (como aliás o está sempre que estes clubes ali jogam). Mas não é esse aspecto que pretendia criticar embora tenha focado demasiado o assunto, e aí o meu erro. O que eu quis criticar foi o momento em que o crítico/utilizador espontâneo de um edifício que por acaso é conhecido nos círculos de apreciadores de arquitectura se resolva a fazer mais que aquilo que de facto pode honestamente observar enquanto utente. Não tem nada a ver com ser ou não um edifício do Souto Moura, ou um edifício de que eu ou outra pessoa qualquer gosta. Eu não sugiro ao médico uma cura para o meu problema, porque de medicina nada sei. Eu faço o médico saber que sintomas sinto. Eu não pergunto ao técnico informático como posso remediar (determinados) problemas que o meu hardware possa ter, porque de facto nada entendo de computadores. Conheço pessoas que vão ao médico e dizem "dói-me a cabeça logo agradecia que me desse um medicamento como a minha cunhada levou a semana passada também pra dor de cabeça". Conheço médicos que se queixam disto. Na medicina é claro que o médico é que sabe como lidar com os sintomas que cada um apresenta, as pessoas todas em geral reconhecem-lhe essa competência. Na arquitectura não se passa isso. Porque é do senso comum que toda a gente sabe resolver uma questão arquitectónica, voltando ao estereótipo de que um arquitecto na verdade para pouco ou nada serve. E isso não é verdade. Por isso, diagnósticos sim, soluções não. É colocar em causa o trabalho de um arquitecto dar soluções em colunas de jornal quando ele demora meses a pensá-las. Acredito numa arquitectura para e ao serviço da sociedade, mas feita por quem tem a competência para tal. E isso não é autismo, é participação social, democrática e atribuída. A caneta e a cartinha JVS, pega tu nela, escreve tu nela e pergunta ao sr do artigo se alguém já lhe escreveu sobre o assunto. Talvez ele te diga que já alguém escreveu.
-
Acho que levantaste a questão importante dos jogadores. É importante perceber o que eles sentem lá em baixo, é uma opinião válida e fundamental. Em relação aos problemas, eu refutei (os que refutei) com base na minha experiência pessoal lá no estádio. Houve por exemplo a questão do vento, que eu não senti quando o utilizei porque de facto não havia vento quando lá estive, mas parece-me que pode mesmo ser um problema em certos dias. Mas a minha revolta não estava exactamente direccionada à detecção de problemas funcionais do estádio, embora me tenha centrado bastante em analisá-los. Acho como disse acima que a arquitectura deve ser criticada primariamente pelos seus utilizadores. O que critico é (partes negras) a "arquitectura de bancada" o falar com vocabulário e de conceitos que eu, após 5 anos a estudar arquitectura tenho hesitação e dúvida em usar. é precisamente como quando vemos toda a sorte de gente a opinar sobre o que cada treinador devia fazer na sua equipa, não percebendo rigorosamente nada da bola a não ser saltar quando ela entra. Acho que estamos num ponto em que a arquitectura pode cair "na boca do mundo". Este artigo para mim foi uma manifestação disso mesmo. Que as pessoas falem de arquitectura, sim, ela é feita para as pessoas, mas é preciso identificar quem é está qualificado para o fazer de forma profissional e rigorosa e quem pode apenas dar uma opinião empírica... Era mais por aí, creio que levei o meu post anterior no sentido errado...
-
Agora o que eu acho do artigo, da opinião que nele está expressa e da crítica arquitectónica à "foge-que-te-apanho" e do estádio do Braga: . Em primeiro, as partes coloquei a negro mostram nada mais que uma coisa: o autor (que até escreveu, não sei se ainda escreve, alguma literatura juvenil de qualidade, a série Triângulo Jota, que eu li e apreciei bastante) nada sabe de arquitectura (se alguma formação tem, pouco se nota nas palavras que escreve), pouco mais se informou para escrever o que escreveu, o que torna o artigo dele uma nulidade nesse aspecto, com o perigo enorme de ser publicado no diário de maior tiragem nacional, e logo, poder ser lido por (muito) mais pessoas do que merecia. Isto tem uma palavra, chama-se irresponsabilidade. "a sua dramática suspensão no espaço." O que significa isto? Há alguma coisa suspensa ali?. Nem há algo fisicamente "suspenso" nem nada que sugira tal. O estádio, antes de qualquer coisa está perfeitamente "pousado" (não suspenso) e "encaixado" no local. Encostada uma das bancadas à pedreira, auto-sustentada a outra, mas o objecto integra-se e não se "suspende" em lado nenhum. "O problema principal reside na supressão deliberada dos topos, o que, além de impor a visão unívoca da lateralidade, provoca a fragmentação dos adeptos e despreza conceitos como ressonância, unidade e envolvimento, só possíveis de alcançar com a circularidade tradicional." Genial. Eu já visitei por diversas vezes o estádio do Braga, já assisti a jogos no estádio do Braga e nunca tinha reparado que não tinha bancadas nos topos, agora daí a ser um problema, é discutível, ainda mais com os argumentos que seguem: a "visão unívoca da lateralidade", isto significa falta de palas para orientar os burros para o caminho certo? Um estádio tem de ser um sítio onde nada mais se possa ver, caso contrário as pessoas distraem-se e começam a ver a paisagem desistindo do jogo? Após o diagnóstico absoluto de "O problema..." segue-se a solução não menos irreversível de "só possíveis de alcançar". Porque é que não se publicam estas máximas num livro todas seguidas e passamos a ficar com um formulário porreiro para desenhistas. Não se precisa pensar em mais nada, só há uma resposta para cada coisa. Ainda para mais quando a resposta dada é a "circularidade tradicional". Gostava de saber onde é que o insígne crítico vê circularidade no modelo corrente do estádio inglês (que em Portugal tem o representante no estádio do Bessa, Porto). Aquilo a mim parece-me que em planta deve dar um rectângulo, aliás para dizer a verdade, o do Dragão deverá ser o único circular, os outros, em geral, têm curvas sim, e muitas até são circulares, mas daí a dizer que é tradicional vai um passo... "fez com que o estádio se adaptasse à sua obra, que se caracteriza pela simplicidade dos gestos e a redução dos elementos (inicialmente estava mesmo prevista uma única bancada)" Eu até acho que o arq Souto Moura iniciou uma nova fase da sua obra com este estádio (já um pouco antes, mas a face mais visível apareceu aqui). A simplicidade dos gestos e a redução dos elementos caracteriza a obra do arquitecto. Ainda bem que este senhor está aqui para dizer isso... Eu digo mais, caracteriza a do arq Souto Moura e a de mais um milhão de arquitectos no mundo. Partir daí e dizer que o estádio se adapta à sua obra é no mínimo redutor (o que é aceitável vindo de alguém que vive a arquitectura sem se preocupar com ela mais do que nos aspectos em que ela o serve, o que não é o caso de alguém que vem fazer crítica arquitectónica de jornal). Fiquei irritado com este artigo. Não porque "atacava" (uma crítica apresentaria argumentos, eu não considero as baboseiras descritas como argumentos) a dita obra de arquitectura, que eu por acaso aprecio bastante, mas porque corresponde a um exercício completamente relaxado e inconsciente de quem, não tendo mais nada com certeza para fazer, resolve que de repente tem competência para utilizar a sua (enorme) responsabilidade enquanto colunista para disparatar sobre assuntos para os quais não tem evidentemente, o conhecimento necessário. Acho que a arquitectura deve ter nos seus utilizadores os principais críticos, que fique claro. Elas são feitas para eles e portanto aquilo que não funcionar, aquilo que não servir os interesses que deveria cumprir deve com certeza ser detectado por não outros senão aqueles que a utilizam. Mas daí a assumir que a fraca audiência dos jogos do Braga se deve ao estádio que eles têm, é no mínimo, construir um bode expiatório fantástico (o estádio está construído, não se vai agora mudar, a culpa é do arquitecto com manias de artista) que desvia o olhar para outro facto: o de que tirando os 3 maiores clubes portugueses (e a fantástica excepção do V.Guimarães) nenhum clube em Portugal leva para os estádios mais adeptos em média do que o Braga leva, neste ou noutro estádio qualquer. Apanham chuva? coitadinhos. O antigo estádio das Antas (por exemplo) estava praticamente todo descoberto e enchia praticamente todos os jogos. Quem quer ir ao futebol não se inibe porque está a chover. Além do mais apanha chuva (quando chove, que parece que até nem era o caso no jogo que criou a polémica) apenas uma porção reduzida de espectadores, os que se encontram nas pontas (já tive oportunidade de observar isso ao vivo). não cria envolvência? com 9000 adeptos acredito que não. pior do que esta só a do seleccionador búlgaro quando se queixou que perdeu o jogo de Euro em Braga porque os seus jogadores não viam a baliza porque tinha pedra atrás. Aliás pegando nesse jogo, analise-se e veja-se se tinha ou não envolvência, quando o estádio estava cheíssimo nos jogos do Euro. Frio? Em Braga, norte de Portugal, coração do Minho, em temperaturas de Inverno, queriam o quê? 30º à sombra??? frio há em todo o lado, que eu saiba não há aquecimento, esse vem de casa e chama-se agasalho. Passei o mesmo frio no Dragão e em Braga. Claro, a mim pareceu-me que o meu sofá era mais confortável... se calhar a culpa foi do Manuel Salgado e do Souto Moura. Isto já vai longo, se leitores houve a começar a ler-me com certeza desistiram antes de acabar, mas queria ter deixado aqui expressa a minha preocupação pelo facto de a arquitectura, por de repente estar a tornar-se um assunto tão moda como futebol, possa correr o risco de (re)começar a ser discutida e criticada por quem não a sabe olhar.
-
Ontem li uma coluna no JN, assinada pelo senhor Álvaro Magalhães, e gostava de partilhá-la convosco, penso que após a lerem vão perceber o sentido que tem o título que dei a este tópico: realcei os excertos que me parecem mais interessantes de analisar do ponto de vista da inconsciência e falta de rigor na análise da obra (que foi o que ele fez). ver em: http://jn.sapo.pt/2006/12/24/desporto/bonitopara_que.html
-
a propósito da ficção científica em cinema
Rui Resende replied to Rui Resende's topic in Arquitectura
-
a propósito da ficção científica em cinema
Rui Resende replied to Rui Resende's topic in Arquitectura
Eu pessoalmente sou muito mais BR do que Alien, mas acho defensável que o Alien o supere. A temática é diferente, as ideias também, são duas obras primas, mas eu apreciei mais o dispositivo de exposição de ideias do blade runner. O Tarkovksy, sem comentários, espero viver o suficiente para conseguir apreciar no máximo o que ele deixou, e que merece contínuas revisões. Todos os filmes do Tarkovsky para mim são filmes sobre cinema, é um dos pouquíssimos "inventores" na história do cinema. E tem também de facto uma visão única do papel da ficção científica no cinema (e aqui falo pelo Stalker, não tanto pelo Solyaris, que até acho dos filmes menos conseguidos dele). De qualquer maneira, um pouco em paralelo com o Kubrick, o T. consegue que cada um dos seus poucos filmes seja um evento irrepetível. como disseste, não é entretenimento, é poesia. -
Vi poucos tópicos neste fórum mais oportunos do que este. É este O assunto com que a cidade portuguesa se debate e à custa do qual definha nos dias que correm. Urbanismo e corrupção, hoje, no nosso contexto, não será a expressão mais correcta. Urbanismo é corrupção, talvez se aproxime mais. E acho que a questão da "apropriação das mais valias urbanísticas" ser 100% privada é precisamente o relfexo de tudo isso. É o produto de um capitalismo liberal desenfreado, mesmo selvagem. A questão é sempre a mesma e tem a ver com princípios. O dinheiro é o objectivo nº 1, todos os outros são secundários. Como quem tem dinheiro é que pode fazer alguma coisa (não o estado, mas o investidor privado) e quem tem dinheiro coloca a sua multiplicação à frente de tudo, o processo é interminável. Aqueles que se possam revoltar e achar que algo está mal não poder sequer para debater a questão o suficiente, porque os lobbies são demasiados. Eu nem sequer vou pela questão de comparação com os outros países, realmente não acho que seja tão necessário estarmos sempre com o mote de "somos o país da Europa onde...". Acho que o diagnóstico em relação ao que está mal e deveria mudar está feito e bem feito. O triste é que muito sinceramente, com toda a boa intenção que eu possa ter, não sei o que pode, neste estado de coisas, ser feito... e isso de facto é muito triste. outra grande verdade. E esta proponho que se verifique apenas à luz destes dados muito simples: A área metropolitana de Barcelona tem cerca de 3.135.758 habitantes e uma área de cerca de 635 km². A área metropolitana do Porto tem cerca de 1.760.679 habitantes e uma área de cerca de 817 km². Ou seja, conseguimos pôr um pouco mais de metade da população da AM de Barcelona em quase 200km2 mais de extensão. Notável, o Corbusier ficaria impressionado se visse isto. Eu moro junto a Espinho, portanto no limite Sul da AM Porto e o percurso que faço diariamente de cerca de 22km mostra precisamente a desconexão de que fala o artigo. Quilómetros intermináveis de nada, terrenos ao abandono, sem indústria ou agricultura, palacetes abandonados em herdades de centenas de m2, no concelho de Gaia é brutal o quão descontrolada está a questão urbana, onde a habitação em (pouca) altura aparece onde quem investe sabe que rende mais que o loteamente de habitação unifamiliar, que vai dispersando o território um pouco por toda a parte. E isto é de facto desconsolador. Já agora gostava de chamar a atenção para o que se passa em Espinho, já que o mencionei atrás, porque os 3 ou 4 km2 que a sua malha ocupa e a gestão que se faz desse espaço são para mim uma excepção absolutamente notável nos rios de podridão que correm pelo país abaixo.
-
acabei de escrever ontem um comentário pessoal ao Blade Runner para o imdb, e gostava de o partilhar convosco. isto porque o Blade Runner (Ridley Scott, 1982) acaba por ser um dos 3 modelos de ficção científica maiores já produzidos na história do cinema (os outros 2 sendo 2001 odisseia no espaço e o "fresquíssimo" Barbarella). De qualquer maneira vou partilhar o meu comentário para o imdb aqui, e gostava de saber a vossa opinião sobre esta questão da ficção científica no cinema, caso a tenham. http://www.imdb.com/title/tt0083658/usercomments-769 este é o link para o comentário, se tiverem lido e acharem alguma coisa agradecia que deixassem o vosso voto ( Was the above comment useful to you?) no site. Para sim ou para não, gosto de opiniões.
-
não tinha lido os últimos comentários deste post por falha, só agora reparei. Eu não sou um conhecedor profundo de Animé porque não a procuro muito. Reconheço a originalidade de muitas criações, e sobretudo a sua influência em muitos outros produtos semelhantes um pouco por todo o mundo. No entanto já tive oportunidade de ver, naturalmente, algumas das obras mais marcantes, e o ghost in the shell (1) é uma delas, o Akira também. Pessoalmente, no que toca a animação japonesa sou muito mais Miyazaki, sem retirar valor à Manga. Já no que toca a o ghost in the shell ter inspirado a saga matrix eu acho q isso pode ter alguma verdade mas não toda e não a verdade principal. Evidentemente há uma forte influência da animação japonesa no tipo comunicação visual que o Matrix adopta, e nesse sentido as obras fortes japonesas servem sempre de referência. Mas para mim o essencial do Matrix é o conceito do mundo artificial onde todos vivemos sem nos apercebermos... aquilo que todos provavelmente saberemos porque já o vimos. E essa ideia, tomada como sendo o verdadeiro interesse do Matrix, não é ghost in the shell nem nenhuma outra animé. Essa sai copiada directamente e sem grandes adaptações de um filme praticamente desconhecido do grande público. O filme é de 1973, chama-se "Welt am draht" e foi realizado por um dos meus realizadores favoritos, o alemão Rainer Werner Fassbinder. Para verem, esta é a sinopse do filme como está no imdb: lembra alguma coisa? quando virem o filme vai lembrar ainda mais. http://www.imdb.com/title/tt0070904/ (link do filme para o imdb)
-
lol, eu aqui ouvi essa mas em vez de decoração de interiores tinha belas artes :p
-
Casa de Malaparte - as maquetes! - Projecto 1º Ano UAL, Lisboa
Rui Resende replied to patriarca's topic in Arquitectura
Gostei da ideia do trabalho. Acho uma experiência interessante para se ter no primeiro ano por muitos aspectos. E há aí algumas "propostas" interessantes:). Uma pergunta, essa cadeira é dada pelo Graça Dias na UAL? Já agora em relação à casa Malaparte, há um filme essencial de se ver, de 1963, Jean Luc Godard, Le Mépris. É antes de mais, para mim, um filme sobre cinema, e não há arte potencialmente mais autoreferencial que o cinema, e para além disso, utiliza a arquitectura, paisagem, território (nunca consegui distingui-los em relação a esta casa) da Malaparte com uma intensidade que poucas vezes o cinema conseguiu em relação a arquitectura real, não criada para o filme especificamente. Fica a recomendação: http://www.imdb.com/title/tt0057345/ vejam este. -
Posted: Sun Nov 27, 2005 9:04 pm Título: Oríon Autor: Mário Cláudio Editora: D.Quixote Terminei recentemente de ler este Oríon, o segundo desta triologia que finaliza com outra constelação, Gémeos. Oríon, na minha opinão, ultrapassa em quase todos os parâmetros que consigo analisar o primeiro livro, Ursamaior. Mais uma vez o escritor utiliza como fio condutor e unificador da obra uma das cosntelações de sete estrelas, e segue as vidas de sete miúdos, unidos por um destino semelhante. Sete crianças deportadas para "os horrores de S.Tomé", como seria conhecida esta ilha no séc XV para onde a narrativa nos envia. S.Tomé, na descrição do autor, simula o paraíso, uma ilha original, onde todos os acontecimentos são os primeiros, onde todos os pecados nunca foram cometidos e, fundamental, explora as relações de cada um com o poder que vão tendo. Todas as personagens, independentemente do seu fim mais ou menos trágico, estabelecem na sua vida relações especiais com o poder, todos eles se tornam proprietários, materiais ou de conhecimento que lhes permitem superiorizar-se em relação a um grupo de pessoas que controlam ou respeitados por um grupo maior que os teme ou venera. Assim surgem proprietários de engenhos de açúcar, prostituta, feiticeira, chebe de tribo ou traficante de escravos, cada um com uma resposta diferente a uma tábua rasa comum a todos, todos judeus, todos deportados no mesmo barco, para a mesma ilha. Em termos mais gerais, o livro representa, para mim, uma refexão muito sensível e interessante acerca de todos os caminhos que a alma e o corpo do Homem pode tomar perante premissas iguais. As múltiplas maneiras que a sobrevivência encontra no meio da selva (não me refiro a vegetação, refiro-me a sociedade, refiro-me a civilização) para subsistir, e como deter poder pode ser a forma mais eficaz de sobreviver. Se não podes vencê-los, junta-te a eles. Pessoas que foram vítimas de poderes não derrubáveis tornam-se, elas mesmas, detentoras de um poder que outros vão sentir. Os erros repetem-se, em gerações diferentes... Aconselho muito este, não muito extenso, o estilo de escrita bastante denso de Mário Cláudio ganha aqui contornos mais apaixonantes e faz esperar curiosamente o desfecho da triologia e a visita às obras mais antigas (e futuras já agora) deste excelente autor. Uma vez mais, também aqui os comentários tem já uma dada passada... espero que sejam de utilidade para quem os ler
