-
Posts
5034 -
Joined
-
Last visited
-
Days Won
5
Content Type
Profiles
Forums
Events
Everything posted by JVS
-
Cultura Luís Miguel Correia abre ciclo de conferências «Arquitectura & Investigação» em Portimão nuno rodrigues Arquitectura O ciclo de conferências “Arquitectura & Investigação” começa na quinta-feira, dia 22 de Outubro, no Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT), com a conferência do arquitecto Luís Miguel Correia intitulada “Um percurso entre a escola e o escritório”. O ciclo, promovido pelo ISMAT com o apoio da Delegação do Algarve da Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos, decorrerá nas instalações do ISMAT (sala 4) na Rua Estêvão Vasconcelos, em Portimão. Luís Miguel Correia é arquitecto, mestre em Ciências da Construção pelo Departamento de Engenharia da FCTUC e doutorando na Universidade de Coimbra, bem como assistente no Departamento de Arquitectura da FCTUC. É ainda autor e co-autor de diversos projectos, nomeadamente, de intervenção em património classificado, em colaboração directa com o IPPAR e a DGEMN. 19 de Outubro de 2009 | 17:39 barlavento in http://barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=37024&tnid=5
-
Exposição Paris mostra exposição sobre o "Rei-Sol" em Versailles por Lusa19 Outubro 2009 O castelo de Versailles vai apresentar pela primeira vez, a partir de terça-feira, uma exposição sobre Luís XIV, monarca francês absoluto, mas também homem de cultura e de comunicação que soube construir a própria imagem. Intitulada, "Luís XIV, o homem e o rei", a exposição põe fim a uma "verdadeira anomalia", que fez com que o castelo nunca tenha consagrado uma exposição ao seu criador, salientou Jean-Jacques Aillagon, o responsável pela área pública do museu. Do antigo pavilhão de caça de Luís XIII, seu pai, Luís XIV (1638-1715) fez um sumptuoso castelo onde instalou oficialmente a corte e o governo em 1682. Monarca absoluto, reinou durante 54 anos, num período que ficou marcado pelo "florescimento excepcional das artes", sublinhou o antigo ministro da Cultura. O "Rei-Sol", como se auto-apelidou, para se divertir e deixar uma marca própria, gastou dinheiro sem limites na arquitectura, na música, no teatro, na pintura e na arte do jardim. Na exposição poderão ser vistas cerca de 300 peças até 07 de Fevereiro de 2010, algumas provenientes do castelo, outras do museu do Louvre e da Biblioteca Nacional de França, e ainda de coleccionadores estrangeiros, como a rainha britânica Isabel II. "Luís XIV tinha uma grande preocupação com a imagem e com a comunicação, e nisto foi muito moderno" explicou Alexandre Maral, um dos comissários da mostra. " entrada da exposição, o público será recebido por um conjunto escultórico que representa Apolo e as ninfas, realizado entre 1667 e 1675 pelos escultores François Girardon e Thomas Regnaudin. Tags: Artes, Artes Plásticas in http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1395039&seccao=Artes%20Pl%E1sticas 20-10-2009 11:34 França Exposição no Palácio de Versalhes homenageia Luis XIV Paris - Os gostos pessoais do rei francês Luis XIV retornam a partir de hoje ao Palácio de Versalhes, na primeira exposição dedicada à intensa paixão do monarca absolutista por artes, ciências e letras. A exposição "Luis XIV o Homem e o Rei", que abre as suas portas ao público nesta terça-feira, reúne até o dia 7 de Fevereiro mais de 300 excepcionais obras procedentes de colecções de todo o mundo, como pinturas, objectos de arte ou mobília, alguns deles nunca expostos ao público. Este retrato cultural que o palácio dedica ao seu criador, que reinou a França durante 72 anos (de 1643 a 1715), responde à inquietação do presidente da instituição, Jean-Jacques Aillagon, de apresentar a personalidade de Luis XVI de uma maneira original e inédita. "Era uma anomalia e um paradoxo que o Palácio de Versalhes nunca tivesse dedicado uma exposição a Luis XIV, que originou a sua criação", disse hoje à Agência Efe Aillagon, antes de acrescentar que não buscava "uma exposição sobre os aspectos militares e sociais, mas sobre a personalidade e a figura do monarca". Além da sua imagem pública, a mostra examina o homem que existiu por trás do soberano, um rei colecionador de obras de artes, que podia competir com outros monarcas europeus também grandes conhecedores de arte como Felipe IV de Espanha (1605-1665) ou Charles I da Inglaterra (1600-1649). "O contacto directo com os artistas deu a ele um excelente gosto pelas artes", afirmou o curador da exposição Alexandre Maral, "e com muitos deles estabeleceu vínculos de amizade e mecenato", acrescentou. Estreitas relações com Molière no teatro, Le Brun e Mignard na pintura, Le Vau e Hardouin-Mansart na arquitectura, Le Nôtre na arte dos jardins e Lully na música demonstram a sensibilidade do rei mais representativo da monarquia absoluta, que se estendeu por toda a Europa. "Nas últimas duas décadas, o gosto de Luis XIV foi objecto de profundos e exaustivos estudos", cuja primeira síntese serviu de base científica para a mostra, revelou Maral, acrescentando que a ambição da organização foi "reconstruir o retrato mais completo de um verdadeiro amante da arte". A exibição repassa diferentes aspectos do reinado de Luis XVI, como a glória, a paz, o cristianismo, a música, a dança, os espectáculos, a arte dos jardins e o mito. Interessado, sobretudo, pela arquitetura e pela música, Luis XIV demonstrou "um gosto muito pessoal", que evoluiu do barroco da primeira parte do seu reinado ao classicismo dos últimos anos, explicou Aillagon. "Os móveis da época de Luis XIV que estão em Versalhes podem ser contados com os dedos das mãos, já que são apenas cinco, pois os moradores seguintes do palácio não gostavam deles e os venderam", disse. A Biblioteca Nacional da França e o Museu do Louvre colaboraram na organização da mostra, assim como coleccionadores europeus privados e públicos, como o Museu do Prado de Madrid e o Museu Victoria & Albert de Londres. in http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/internacional/2009/9/43/Exposicao-Palacio-Versalhes-homenageia-Luis-XVI,648b0b33-00da-4e95-963a-9700129e029a.html
-
CML Manuel Salgado e serviços contradizem-se nos números 19.10.2009 - 22:04 Por José António Cerejo Local A confusão é total quanto à realidade do domínio do “grupo dos quatro” no ranking dos projectistas que mais processos de obras apresentaram à CML em 2005, 2006 e 2007. Segundo Manuel Salgado, numa primeira resposta escrita ao PÚBLICO, esse número era de “cerca de mil” nos três anos. Noutra altura acrescentou que o total anual de entradas desse tipo de processos, os chamados EDI – que são sobretudo constituídos por projectos de arquitectura – era de “perto de 1200”. Mais tarde, o director municipal de Gestão Urbanística, Gabriel Cardoso, rectificou a primeira daquelas informações, indicando que uma reanálise dos dados apontava para cerca de 800 (três anos), admitindo que em anos anteriores os números pudessem ser mais elevados – situação que não se consegue esclarecer porque o sistema informático (Gesturbe) só é “considerado fiável” desde 2005. Um mapa com o “top 25 dos arquitectos autores em processos EDI” entretanto fornecido pelos serviços de Urbanismo mostra uma realidade completamente diferente: o total dos EDI assinados pelos quatro arquitectos em causa ficava-se pelos 199 (três anos), muito longe dos 800 ou dos 1000. Contraditório também é o facto de Manuel Salgado falar de uma média de 1200 EDI por ano (cerca de 3600 em três anos) e o relatório da sindicância, só para 2005 e 2007, indicar 4596, não disponibilizando ainda os números de 2007. Procurando explicar estas contradições, Gabriel Cordeiro afirmou ontem que só há pouco é que se percebeu que quando o Gesturbe mostra cerca de 800 EDI naqueles três anos, inclui muitos projectos de especialidades (águas e outros) relativos à mesma obra, o que levava a concluir que, fisicamente, os locais e obras desses autores poderia ser muito inferior. “O que sucede é que mesmo que fossem apenas 200, a sua reapreciação se calhar já era incompatível com a capacidade dos serviços”, sintetizou Cordeiro. Manuel Salgado disse anteriormente ao PÚBLICO que chegou a falar com a Ordem dos Arquitectos para lhe pedir apoio para a revisão destes projectos, mas que a Ordem respondeu que não tinha meios. “Uma coisa pode a Ordem fazer. É verificar se é possível um arquitecto fazer tantos projectos num ano”, disse na semana passada a antiga bastonária dos arquitectos e actual vereadora Helena Roseta. in http://www.publico.clix.pt/Local/manuel-salgado-e-servicos-contradizemse-nos-numeros_1405872 Manuel Salgado achou tarefa “impraticável” CM de Lisboa decidiu esquecer projectos suspeitos porque eram quase mil 19.10.2009 - 22:01 Por José António Cerejo O vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, decidiu não cumprir uma deliberação unanimemente aprovada pelo executivo municipal em Janeiro de 2008 por a considerar “impraticável”.Ricardo Jorge Carvalho Os serviços de Urbanismo da CML investigados durante o ano de 2007 A deliberação visava esclarecer uma das conclusões mais intrigantes da sindicância então concluída aos serviços de Urbanismo: Entre os dez arquitectos que asssinaram mais processos de obras particulares submetidos à aprovação da CML entre 2004 e 2007, duas tinham “ligações familiares ou outras a antigos funcionários do município”, sendo que uma tinha apenas 31 anos, e dois eram octogenários. Acontece, acrescentava a magistrada sindicante, que alguns destes quatro autores “ultrapassavam gabinetes de arquitectura que mobilizam dezenas de trabalhadores”. A “reapreciação jurídico-técnica” dos processos apresentados pelo grupo dos quatro foi restringida pela deliberação camarária [que aprovou numerosas outras medidas destinadas a corrigir as ilegalidades e falhas detectadas pela sindicância] aos últimos três anos, por ser este o prazo de “prescrição do procedimento disciplinar”. A sindicante chamara a atenção para o facto desta concentração de trabalhos em tão poucos projectistas poder resultar numa “distorção da concorrência, pela orientação da procura de serviços [pelos promotores] para pessoas determinadas em razão de prévias ligações ao município”. Outra das hipóteses sugeridas era a de haver “simulação de actividade”, através de asssinaturas de favor, por parte de técnicos da Câmara que estão legalmente impedidos de fazer projectos em Lisboa e que pagam a quem não esteja impedido e assine por eles. No cerne da reapreciação aprovada pela CML estava assim o apuramento de situações que poderiam envolver não só responsabilidade disciplinar dos funcionários, mas também a prática de crimes como a corrupção, o tráfico de influências, o abuso de poder e a prevaricação. Questionado pelo PÚBLICO sobre os resultados da reanálise desses processos, Manuel Salgado respondeu por escrito no dia 18 do mês passado: “Medida considerada impraticável atendendo ao elevado número de processos em causa, cerca de mil”. O autarca acrescentou depois que o total de processos daquele tipo entrados anualmente na CML era de “cerca de 1200” – o que permite concluir que ao grupo dos quatro cabia quase um terço, com perto de mil em três anos, num total de 3600. Salgado salientou que a reapreciação de todos aqueles processos conduziria à “paralização dos serviços” e que se concluiu que, em geral, “eles não eram muito relevantes”. Muito por apurar A constatação de que duas arquitectas ligadas a técnicos camarários falecidos e aposentados e de que dois octogenários estão entre os mais produtivos dos autores que submetem projectos à CML revela apenas uma parte de uma teia comum a quase todas as câmaras. Em todo o caso, há factos que a sindicância não apurou, mas que muita gente conhece. A trabalhar com alguns dos quatro há pelo menos dois irmãos de uma das arquitectas citadas – um está também nos primeiros lugares do ranking dos arquitectos e outro é técnico da autarquia. Os três são filhos de um desenhador da CML já falecido. in http://www.publico.clix.pt/Local/cm-de-lisboa-decidiu-esquecer-projectos-suspeitos-porque-eram-quase-mil_1405871 Projectos suspeitos na CML sem investigação 20-Out-2009 Uma das conclusões da sindicância à Câmara de Lisboa foi a existência de quatro arquitectos com um elevado número de projectos aprovados em obras particulares. O executivo decidiu por unanimidade a "reapreciação jurídico-técnica" desses projectos. Mas agora, o vereador Manuel Salgado diz que isso "é impraticável" porque os processos são muitos. Em declarações ao Público, o vereador do urbanismo de António Costa diz que essa investigação conduziria "à paralisação dos serviços" e que tinha chegado à conclusão que afinal "eles não eram muito relevantes", pelo que o resultado de um dos casos mais graves revelados pela sindicância terá a gaveta como destino. Na sindicância à autarquia, foi dito que entre os dez arquitectos com mais processos assinados em obras particulares entre 2004 e 2007, dois tinham "ligações familiares ou outras a antigos funcionários do município". Dois dos arquitectos eram octogenários e uma tinha apenas 31 anos, mas com uma produtividade que "ultrapassava gabinetes de arquitectura que mobilizavam dezenas de trabalhadores", concluiu a magistrada sindicante, que alertava para uma "distorção da concorrência, pela orientação da procura de serviços [pelos promotores] para pessoas determinadas em razão de prévias ligações ao município". A reportagem de José António Cerejo aponta ainda algumas contradições quanto ao número de processos apresentados pelo "grupo dos quatro". Se o vereador Manuel Salgado fala em "cerca de mil", o mapa fornecido pelos serviços de urbanismo refere apenas 199. Apesar da diferença poder ser explicada por alguns dos projectos dizerem respeito à mesma obra, o director municipal de Gestão Urbanística concorda com a posição de Salgado. "O que sucede é que mesmo que fossem apenas 200, a sua reapreciação se calhar já era incompatível com a capacidade dos serviços", disse Gabriel Cordeiro ao Público. in http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=13864&Itemid=28
-
Em causa concurso de Concepção de Recinto Desportivo no Sabugal Sabugal: Ordem dos Arquitectos declara concurso público "inaceitável" 20.10.2009 - 18:29 Por Luísa Pinto Pela terceira vez este ano, a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos declarou como “inaceitável” um concurso público lançado por uma câmara municipal. Depois de sexta feira ter sido declarado como inaceitável o concurso para o projecto do Estádio Municipal de Meda, na Guarda, hoje foi a vez do concurso para a elaboração do estudo Global de Concepção do Recinto Desportivo do Soito, que abrange uma área de 8826 metros quadrados, organizado pela Câmara do Sabugal. Em causa estão várias irregularidades, das quais sobressaem a escassez dos prazos dados aos concorrentes para elaborarem as propostas. A Câmara do Sabugal estipula o prazo de 12 dias de calendário, para a entrega dos trabalhos de concepção. “Assim sendo, todas as peças, escritas e desenhadas respeitantes aos trabalhos a desenvolver, e que inclui um Pavilhão Desportivo, Piscinas Exteriores de Utilização Pública, Zona de Recreio Infantil e Espaços Exteriores, teriam que ser apresentadas em doze dias, a contar do envio do anúncio para publicação em Diário da República. "A prática profissional da Arquitectura não se coaduna com um prazo impraticável e irrealista”, lê-se num comunicado divulgado pela Secção regional do Norte. “Não estando salvaguardados os princípios da própria actividade profissional da Arquitectura, nem tão pouco os Princípios da efectiva Concorrência e da Defesa do Interesse Público, a OASRN, ao declarar este concurso como inaceitável, considera que os Membros da Ordem dos Arquitectos não devem, em qualquer circunstância, apresentar-se como concorrentes ao referido concurso”, continua a ordem profissional. Esta é a terceira vez que a secção regional presidida pela arquitecta Teresa Novais chama a atenção não só dos arquitectos, como de toda a opinião pública, para o facto de continuarem a ser lançados concursos públicos que levantam várias suspeitas de irregularidades. A primeira vez que o Pelouro de Encomenda desta secção (que escrutina diariamente os concursos que vão sendo lançados) detectou problemas, foi no concurso para a construção do Parque de Ciência e Tecnologia em Vila Real, organizado por uma associação cuja maioria pertence à Câmara Municipal de Vila real. Nessa altura, para além da declaração pública do concurso como "inaceitável", foram também alertados os arquitectos que aqueles que participassem nos concursos que tivessem este rótulo poderiam estar sujeitos as sanções disciplinares. Nestes dois ultimos casos, a "ameaça" de sanções disciplinares não é referida. in http://www.publico.clix.pt/Local/sabugal-ordem-dos-arquitectos-declara-concurso-publico-inaceitavel_1406034
-
"A Casa dos Sentidos" de Sérgio Fazenda Rodrigues Noticia Livro "A Casa dos Sentidos" lançado na Livraria Solmar Cultura e Social | 2009-10-21 18:47 É lançado quinta-feira em Ponta Delgada, na Livraria Solmar, às 20h30, o livro “A Casa dos Sentidos”, de Sérgio Fazenda Rodrigues, com apresentação de Igor França. O livro reúne um conjunto de crónicas sobre arquitectura que Sérgio Fazenda Rodrigues publicou no Açoriano Oriental entre 2007 e 2009. Evitando o discurso técnico, as crónicas agora acompanhadas por desenhos do próprio Sérgio Fazenda Rodrigues, procuram a aproximação a um público mais vasto, colocando várias questões que se prendem com a vivência quotidiana do espaço. Rui Jorge Cabral in http://www.acorianooriental.pt/noticias/view/195065
-
Exposição «MGC – Moderno ao Sul» estará em Vila Real de Santo António em Dezembro Casa na Praceta Coronel Pires Viegas, em Faro, do arquitecto Manuel Gomes da Costa A exposição «MGC – Moderno ao Sul» está preparada para ser itinerante, por isso, mal acabe a mostra em Faro, esta ruma a Vila Real de Santo António, a terra natal do arquitecto Manuel Gomes da Costa. «Ainda não há locais, nem datas definidas, mas há a possibilidade da exposição se estender a outras cidades, quer do Algarve, quer do país, pois há contactos de pessoas interessadas. Em primeiro lugar, irá para Vila Real de Santo António, em Dezembro, permanecendo até depois da passagem de ano», disse ao «barlavento» Gonçalo Vargas, um dos responsáveis pela iniciativa. O arquitecto Manuel Gomes da Costa, pioneiro do Modernismo no Algarve nos anos 50 do século XX, depois de ter frequentado a Escola de Belas Artes no Porto, manteve sempre a sua ligação com aquela localidade, tendo criado ao longo da sua carreira diversos projectos para o concelho sotaventino. O maior volume de obras encontra-se em Faro, onde se fixou após o seu regresso ao Algarve, em 1953. Quando voltou tinha uma bagagem teórica repleta de novos valores linguísticos, uma nova arquitectura que rompia com os padrões «Português Suave» do Estado Novo. É um dos embaixadores do Modernismo no Algarve e «talvez o maior representante daquela geração na região, pela excepcional qualidade e quantidade de trabalho», considera Gonçalo Vargas. É que, desde o início da sua carreira, a persistência e coerência do seu trabalho representam o espírito de missão em equipar a sociedade para o futuro com os meios técnicos e linguísticos da sua época. 23 de Outubro de 2009 | 14:47 ana sofia varela in http://barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=37079&tnid=5
-
http-~~-//aeiou.expresso.pt/imv/0/233/926/fd-maquetahotel-f8ce.jpg Hilton no Bom Sucesso O hotel de cinco estrelas previsto para o Bom Sucesso Design Resort será explorado pela cadeia Hilton, com quem aquele empreendimento firmou um contrato. A construção deverá arrancar no início do próximo ano, de modo a abrir as suas portas no primeiro semestre de 2012. Gazeta das Caldas / Fátima Ferreira 15:51 Sexta-feira, 23 de Out de 2009 Última actualização há 11 minutos O hotel é da autoria do arquitecto Eduardo Souto Moura, terá 120 quartos, centro de congressos com capacidade para 500 lugares, três restaurantes e SPA. Um investimento de cerca de 25 milhões de euros que criará 120 empregos, segundo dados da empresa. Como o edifício ficará localizado numa encosta, foi desenhado "ao comprido para caber no sítio e diminuir o impacto de construção", explicou Paulo Graça Moura, presidente da Acordo SGPS. O projecto de arquitectura foi entregue para aprovação na Câmara de Óbidos em Julho passado. Com 10 mil metros quadrados de construção, terá na sua envolvente cerca de 700 mil metros de reserva ecológica "para benefício dos seus utentes", adiantou o mesmo responsável. O hotel faz parte de um conjunto turístico que inclui três aldeamentos - o Aldeamento Turístico Bom Sucesso Lagoa Golf (601 casas), o Aldeamento da Floresta e o Aldeamento do Sul (ambos com 468 casas). in http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/543371
-
http://img7.imageshack.us/img7/8999/51209143.jpg http://img200.imageshack.us/img200/2316/97774662.jpg http://img200.imageshack.us/img200/7526/95956136.jpg http://img30.imageshack.us/img30/7906/88806999.jpg http://img7.imageshack.us/img7/927/34863024.jpg http://img143.imageshack.us/img143/9075/46240833.jpg Fotografias de Luís Raposo Alves
-
Palácio da Justiça de Coimbra Projecto previsto para a Guarda Inglesa - Actuais instalações dos SMTUC: http-~~-//www.ana-arquitectos.pt/mju03/mju03-01.jpg http-~~-//www.ana-arquitectos.pt/mju03/mju03-02.jpg segundo notícia de 02/02/2009, no Diário de Coimbra, a CMC não quer o Tribunal na margem esquerda, pretendendo que fique no Centro Histórico, provavelmente neste parque ao lado do actual Palácio da Justiça: http-~~-//i281.photobucket.com/albums/kk228/WallpaperCoimbra/Topicos/DSC05384.jpg Noticia: http-~~-//i281.photobucket.com/albums/kk228/WallpaperCoimbra/Topicos/Digitalizar0006.jpg Versão Impressa do Jornal O Campeão das Províncias Novo Palácio da Justiça será vizinho do actual Novo tribunal de Coimbra não sai da Baixa mas mantém-se a intenção de tirar SMTUC da margem esquerda e transferi-los para Eiras O novo Palácio da Justiça de Coimbra vai mesmo permanecer na Baixa da cidade e ser construído no terreno, propriedade do Ministério da Justiça (MJ), à entrada da Rua Figueira da Foz que serve, neste momento, de estacionamento do Tribunal da Relação, como, aliás, já havia avançado o Diário de Coimbra no início de Fevereiro. A confirmação foi dada ontem, em conferência de Imprensa, por Carlos Encarnação que garantiu ter, formalmente, a concordância do MJ para que o novo tribunal se construa naquele local, estando o processo dependente, neste momento, da suspensão do PDM, uma vez que, de acordo com o documento, «apenas ali é permitida a manutenção e recuperação do edificado existente» e não a construção. «Vamos fazê-lo o mais urgente possível. É provável que seja pedida pelo próprio Governo», explicou o autarca, que ontem mesmo se reuniu com todos os operadores judiciários do concelho e com a direcção da Associação Comercial e Industrial de Coimbra (ACIC) – que recentemente solicitou a permanência do tribunal na Baixa da cidade – para dar conta desta decisão. A nova localização terá também de ser aprovada pelo executivo camarário, em próxima reunião, mas o presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) garantiu que, «em conversas sobre o assunto», obteve sempre a concordância da maioria dos vereadores sobre esta matéria, prevendo-se, portanto, que seja uma questão pacífica. Aliás, neste momento, o MJ já se encontra a trabalhar no lançamento do concurso de concepção e construção do novo Palácio da Justiça para o novo local, confirmou ontem ao Diário de Coimbra fonte do Gabinete de Imprensa do Ministério. «Já há algum tempo que vimos a trabalhar nessa questão», adiantou a mesma fonte, confirmando a aceitação, por parte do MJ, do terreno proposto pela autarquia. Isto depois de um conjunto de conversações, lideradas por João Rebelo, com o director do Instituto de Gestão Financeira do Ministério. Em cima da mesa esteve também a possibilidade do antigo DRM, em parte já alienado à Universidade de Coimbra, mas Encarnação garantiu ontem que a mesma se tornou «não viável» para as exigências do projecto. Sede da PJ mantém-se na margem esquerda Recorde-se que o novo Palácio da Justiça estava previsto para a margem esquerda, ocupando o terreno dos actuais Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), conforme protocolo assinado em 2001 entre o Ministério da Justiça e a Câmara Municipal de Coimbra, então liderada por Manuel Machado. Chegou a ser lançado concurso mas foi anulado pelo próprio MJ. «Procurei sempre respeitar o compromisso assumido pela câmara anterior, acontece que o Ministério anulou o concurso, que tinha sido concluído, de concepção e construção para a margem esquerda e, recentemente, a ACIC procurou a autarquia para a apresentar a sua preocupação quanto às consequências que a deslocação teria para a desertificação da Baixa», explicou Encarnação, que considera ter sido tomada «a decisão mais prudente e mais aconselhada em termos da cidade». O novo Palácio da Justiça já não vai para a margem esquerda, mas Carlos Encarnação não descarta a possibilidade de manter a decisão de deslocar os SMTUC para Eiras, como estava previsto inicialmente, deixando livre aquele terreno à beira-rio para outros projectos. «Não está descartada essa hipótese», confirmou o autarca, considerando que «aquele sítio pode ser utilizado, com vantagem, para outros fins», mas não especificando, para já, quais. Encarnação aproveitou também para confirmar o interesse do MJ por um terreno no Planalto de Santa Clara onde será construída em breve a nova sede da Polícia Judiciária. Para já, é tempo de pensar no concurso de concepção e construção, sendo certo que, para albergar os sete tribunais comuns da comarca de Coimbra, espalhados neste momento pela cidade, será possível construir até uma altura correspondente a sete pisos, que é o que têm os dois edifícios vizinhos ao terreno do futuro Palácio da Justiça. Um é o do Hotel Tivoli e outro é um prédio de habitação, já na Rua Figueira da Foz, conforme explicou ontem o vice-presidente da autarquia, João Rebelo, que também participou na conferência de Imprensa. Diário de Coimbra via http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=799532
-
Musée Hergé / Christian de Portzamparc 01Jul 2009By Karen Cilento http-~~-//www.archdaily.com/wp-content/uploads/2009/06/hergemuseumtop11.jpg After two years of construction, the Musée Hergé designed by Christian de Portzamparc is complete. Situated in a forest and connected by a footbridge to Louvain-la-Neuve, Belgium, the museum is dedicated to Belgian artist and Tintin author Hergé. The museum highlights Hergé’s life and works through cultural facilities, permanent and temporary exhibition areas, and a video projection room. http-~~-//www.archdaily.com/wp-content/uploads/2009/06/hergemuseum1.jpg “It was at the close of the exhibition, organized by the Pompidou Centre about me in 1996, that I met Fanny and Nick Rodwell. They had seen the exhibition, liked it, and wanted to talk to me about their project for the Hergé Museum…Hergé had not only cradled and enchanted my own childhood, but he was also cradling and enchanting the childhood of my children,” explained de Portzamparc. http-~~-//www.archdaily.com/wp-content/uploads/2009/06/hergemuseum2.jpg When finding inspiration for the museum, Portzamparc immediately looked to the ideas and figures present in Hergé’s writings. Although it took almost a decade for those images to transfer into an architectural language, the result is a space that richly commemorates the famed author. ”What is clear to me, now that the museum exists, is that there were infinite sources of inspiration for the project,” explained de Portzamparc. http-~~-//www.archdaily.com/wp-content/uploads/2009/06/hergemuseum8.jpg The museum is separated from the town, a location Portzamparc found to be advantageous in allowing the visitor to experience and focus on the “four landscape objects”. These four objects are different exhibition areas that illustrate various “kinds of character” through experimenting with form, color and design derived from Hergé’s drawing style. Meandering footbridges link the exhibition spaces while large, comic-strip-like bay windows allow natural light to fill the spaces. As seen on Dezeen. Photographs are copyright Nicolas Borel and Hergé/Croix de l’Aigle. in http://www.archdaily.com/27309/musee-herge-christian-de-portzamparc/
-
The Netherlands-based Cepezed Architects were recently appointed by the offices of the Hague Capital of Culture to design a temporary theater. The city strives to be named the European Capital of Culture in 2018, so the architects have created a contemporary version of the Roman Colosseum to become an important icon for the area. More about the Colosseum after the break. The theatre, which should accommodate approximately 5000 visitors, will sit in the Malieveld in the Hague, a stretch of lawn measuring ten hectares and positioned along the entrance of the city. Although inspired by most famed Flavian amphitheater, this contemporary theatre’s construction techniques are quite different from its ancestor. The theatre will be constructed using steel scaffolding, and a reproduction of M.C. Escher’s Metamorphosis will be stretched tightly over the frame. Inside, the theatre offers a large performing space for concerts, exhibitions and fairs. Cepezed Architects’ design provides an opportunity to turn the competition in favor of the Hague for the European Capital of Culture title. The city will be competing against places such as Almere, Utrecht and Maastricht and all will be waiting anxiously to hear the final decision for the title announced in 2013. As seen on Dexigner. in http://www.archdaily.com/27165/modern-colosseum-cepezed-architects/
-
de Cie Architekten é um dos mais prestigiados escritórios contemporâneos de arquitetura. Com sua sede principal em Amsterdã, na Holanda, ele é dirigido por 4 arquitetos: Pi de Brujin, Frits van Dongen, Branimir Medic e Pero Puljiz. O escritório tem filial em Zagreb na Croácia desde 2005, e em Xangai na China desde 2006. Na Holanda trabalham no escritório cerca de 100 profissionais de mais de 10 países diferentes. Um projeto muito conhecido feito pelo escritório é um conjunto habitacional de uso misto, conhecido como The Whale, localizado na ilha de Borneo-Sporenburg, com frente para o Rio Lj. de Cie Architekten nowadays is one of the most prestigiousness architecture ateliers. It mainly headquarter is in Amsterdam, Netherlands, and it is a partnership of 4 architects: Pi de Brujin, Frits van Dongen, Branimir Medic e Pero Puljiz. The atelier has a filial based in Zagreb, Croatia since 2005 and another one based in Shanghai, Asia. In Netherlands the office comprises approximately 100 professionals from no fewer than 10 countries. A famous design by Cie Amsterdam is a residential complex named The Whale, built in Borneo-Sporenburg Harbour on the Lj River. O projeto é de Frits van Dongen e de uma equipe de colaboradores: A. Mout, P. Puljiz, F. Veerman, R. Konijn, J. Molenaar, A. Moreno e W. Bartels. O edifício tem 214 apartamentos, sendo 150 para locação social e 64 para locação para pessoas com maior renda, 1.200 m² de área construída para usos econômicos, 179 vagas de estacionamento no subsolo e um jardim semi-público em seu interior. A área total construída é de 35.800 m². The design was made by Frits van Dongen and a collaborator team: A. Mout, P. Puljiz, F. Veerman, R. Konijn, J. Molenaar, A. Moreno e W. Bartels. It has 214 apartments, 150 social hiring dwellings and 64 free hiring one; 1,200 square meters of commercial space; 179 underground parking places and a semi-public interior courtyard. There are 35,800 square meters of construction. As fachadas são feitas em zinco e a cobertura de um aluminio especial para esse fim. A forma escultural, com seus ângulos e tetos inclinados fez com que houvesse uma grande variação na tipologia das casas, e que todas recebessem iluminação suficiente e que tivessem bonitas vistas. The structural system uses zinc facade and aluminum roof. The sculptural form with its angled top and underbelly provided several types of dwellings, all of them with sunlight and open views. O tradicional edifício prismático foi transformado a partir da elevação das duas pontas do edifício, com espaços públicos sobre elas. O acesso aos apartamentos é feito por corredores ao longo da fachada interna. The traditional closed block has been transformed, the two ends are lifted, and the public space flows through underneath. The apartments are to be reached from galleries along the inside-facade. in http://theurbanearth.wordpress.com/2008/02/28/ pictures from RIBA website via http://theurbanearth.wordpress.com/2008/02/28/ The wooden finishes ensure that the environment is warm and sound-absorbent. The outdoor garden, designed by Adrian Geuze of West 8 Landscape Architects, was intended to combine the density of an inner-city area with a suburban feel and program, its low-rise buildings punctuated by open spaces. The Whale Residential Complex’s characteristic profile is visible even at night thanks to illumination of the raised ends of the roof. While the Whale Residential Complex’s plot is large, the size of a football pitch, the design of its interior and the landscaping of the central courtyard garden create a feeling of intimacy. The interior of the building consists of an alternating series of galleries attenuating all impressions of heaviness and providing access to the apartments on the same level and on the upper floor. Openings and galleries are also staggered to produce rhythmic variation in the building’s facades. The form created by the sloped lines strongly differentiates the residential units, with truly exceptional apartments on the lower and upper levels of the building. On the outside, taut lines combine with the aluminum of the roof and the natural zinc panels of the facade, imprinting a sort of depth and metropolitan elegance on them. The windows are offset to blend and blur perception of the repetition of floors and create an appearance of definite formal unity extending from the pillared foundations to the roof. The extraordinary design permits the Whale Residential Complex to offer plenty of views of the surrounding environment, including both the dense urban fabric of the city center and the waters of the Ij River. The line of the aluminum roof is angled follows the route of the sun, so that the building is elevated on two sides: to ensure that all the dwellings receive sufficient sunlight, fresh air and open views. A courtyard in the center and the design of the lower floors also allow light to penetrate inside and underneath the main volume. This center courtyard is complete redefinition of the closed block: what has traditionally been an interior domain appears almost like a public park. Despite the strong prevalence of empty spaces (openings, loggias, windows) over full spaces (opaque parts of the facade), the Whale Residential Complex looks like a solid with an essentially even, undifferentiated surface. The local residents have nicknamed the building the “Sphinx”, struck by the fish-like shine on it as well as the enigmatic yet simple, pared-down feeling of this block rising out of a sea of lower level constructions. The scale, the angular forms and the zinc facade of ‘The Whale’ residential complex have won it an iconic status in the redeveloped harbour district. It contrasts with the surroundings of low-rise dwellings like a ‘meteorite’ fallen from the skies. The building harbours a great variety of housing and spatial typologies. The block contains a total of 214 apartments, commercial space, a semi-public interior courtyard and an underground car park. The striking sculptural form with its angled top and underbelly ensures that all the dwellings and the courtyard garden enjoy sufficient sunlight, fresh air and open views and generates the requisite variation in housing types. client: development company New Deal bv, Amsterdam programme: 150 social housing , 64 private housing to rent, 1.100 m2 business accomodation, 179 parking spaces architect: Frits van Dongen project team: A. Mout, P. Puljiz, F. Veerman, R. Konijn, J. Molenaar, A. Moreno, W. Bartels landscape designer: Adriaan Geuze, West 8 Landscape architects bv, Rotterdam contractor: Heijmans Bouw, Almere Stad structural engineer: Pieters Bouwtechniek, Haarlem costs: € 15.700.000,- (ex. V.A.T.) date of commission: 1995 date of construction: 1998 – 2000 gross surface: 35.800 m2 volume: 100.900 m3 in http://www.nikiomahe.com/architecture-design/amsterdam-residential-complex-the-whale-by-frits-van-dongen/
-
LISBOA: FIM DAS ESCOLAS PRÉ-FABRICADAS 2009-09-05 in "JN" ANA RITA JUSTO A escola EB2,3 Telheiras 2 vai deixar de ser a última pré-fabricada de Lisboa. A nova escola vai ser construída de raiz, num modelo integrado com o 1º ciclo. O projecto integra-se na requalificação e reconstrução das escolas básicas da cidade. "Há mais de 30 anos que esta escola foi construída como provisória", explicou Teresa Madrinha, adjunta da Direcção da escola. Ao longo dos 20 anos que tem de casa, a resposável fala do contentamento de todos os que ali trabalham pelo projecto ir para a frente, salientando que lutaram "muito". "Há muitos anos um aluno disse-me uma coisa que nunca mais me esqueci: 'Eu venho de um bairro de latas e tenho uma escola de bairro de latas.' Eles sofrem muito com a falta de condições", disse. Agora finalmente irão começar as obras para que em 2011-2012 este novo modelo de escola básica integrada de 1º, 2º e 3º ciclos esteja pronto. Ao todo serão 20 mil metros quadrados de terreno para 7.600 metros quadrados de área de construção. O anúncio foi formalizado, ontem, numa cerimónia de assinatura dos protocolos. Além da escola de Telheiras, também na zona Sul do Parque das Nações nascerá uma nova escola básica integrada até 2011, "uma aspiração que dura há mais de uma década, devido às exigências das populações desta parte nova da cidade", referiu Rolando Borges Martins, presidente do Conselho de Administração da Parque Expo, empresa que irá encabeçar a contrução destes dois projectos, e ainda a requalificação da EB2,3 Luís António Verney. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, o projecto abrange a construção de sete novas escolas e a reabilitação de 80 das 90 escolas da cidade. "Temos falta destes equipamentos do quotidiano das famílias dentro da cidade. É preciso chamar as famílias para dentro da cidade e para isso a aposta na educação é prioritária", acrescentou o autarca. Já a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, garantiu que estas escolas serão uma "mais-valia para Lisboa", relembrando a visita que fez à escola de Telheiras há dois anos atrás. A governante falou, ainda, a nível nacional, explicando que mais de 50 escolas básicas estão a sofrer modernizações. Publicada por Arq. Luís Marques da silva em 10:15:00 AM IN http://cidadanialx.blogspot.com/2009/09/lisboa-fim-das-escolas-pre-fabricadas.html
-
Dou inicio a um topico sobre o Parque Escolar.
-
IN http://cidadanialx.blogspot.com/2009/09/bar-por-cima-do-mercado-do-loureiro-vai.html
-
ExperimentaDesign Vamos ter um jardim com uma casa na árvore In Público Por Alexandra Prado Coelho «A ExperimentaDesign 2009 aceitou um desafio da Câmara de Lisboa para revitalizar um jardim da cidade. Juntou uma equipa e repensou de cima a baixo o Jardim de Santos. Plantas tropicais, música feita a partir do ecossistema, uma casa na árvore para vermos o Tejo. Um jardim - transformado por designers - como Lisboa nunca teve. O P2 revela como vai ser Imagine um jardim para si. Uma casa no topo de uma antiquíssima árvore cujos ramos ao longo do tempo se foram estendendo como cabelos de bruxa revoltos pelo vento. Pode subir até lá acima, sentar-se no topo da árvore e ver o Tejo. E depois descer e entrar na cafetaria, consultar informação sobre os espectáculos que pode ir ver nesse dia, beber um sumo, comer alguma coisa. Imagine um jardim onde, num determinado ponto, e só aí, pode ouvir música programada por um artista a milhares de quilómetros de distância, noutro ponto do mundo. Gravados nas árvores, à volta, estarão sinais - como nomes de namorados inscritos um dia em segredo - que indicam onde fica o quê na zona. Imagine que no chão há jogos para crianças em que o velho berlinde se mistura com o imaginário dos jogos de computador, que o cheiro de plantas tropicais enche o ar, e que à noite uma luz quente transforma o jardim numa festa ao ar livre. Por enquanto nada disto existe - ou melhor, existe apenas nos projectos, ideias e desenhos da equipa que a bienal ExperimentaDesign 2009 reuniu para o projecto de reabilitação do Jardim de Santos, em Lisboa, e que serão apresentados numa exposição no próprio jardim no dia 9 a partir das 19h30. O que se espera é que, terminada a intervenção (um desafio que partiu do vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes), o velhinho Jardim de Santos, ensonado durante o dia e rodeado de animação à noite por causa dos espaços que nos últimos anos foram abrindo na zona de Santos, se transforme num novo jardim - com casa na árvore, música, sinais nas árvores, jogos no chão e cheiro de plantas no ar. Uma das grandes mudanças será a alteração no trânsito (já aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa): os carros deixarão de passar pela rua em frente ao teatro A Barraca (mantém-se apenas a passagem dos eléctricos), passando a contornar o jardim, que será alargado até aos edifícios. Este é, nas palavras de Guta Moura Guedes, a directora da ExperimentaDesign, um projecto de intervenção urbana "de chave na mão", ou seja, a proposta foi aprovada pela câmara mas toda a responsabilidade pela concepção e execução é da Experimenta. A equipa convidada é composta por João Gomes da Silva (arquitectura paisagista), Fernando Brízio (design de equipamento), Pedro Ferreira e Rita João/Pedrita (design de equipamento), Rui Gato (música e sound design), José Álvaro Correia (design de luz), e António Silveira Gomes/Bárbara Says (design de comunicação). O projecto - que, entre outras coisas, pretende mostrar como o design pode ser usado para melhorar os espaços públicos - está orçamentado em 1,2 milhões de euros, sendo o financiamento também da total responsabilidade da Experimenta (que reuniu um consórcio com vários parceiros e patrocinadores). Quando o trabalho estiver concluído, a manutenção do jardim passará para a câmara, enquanto a manutenção dos conteúdos (informação, música, etc.) continuará a ser responsabilidade da bienal. O jardim A discussão sobre a identidade deste jardim (Nuno Álvares, de seu nome oficial) foi o ponto de partida para tudo o resto. O que João Gomes da Silva, arquitecto paisagista, propôs foi devolver-lhe o seu "carácter exótico e único", que vem da acumulação da "matéria da memória colonial" com "árvores de nomes estranhos, formas da estepe africana ou da floresta brasileira". E, ao mesmo tempo, "abrir o jardim à luz e ao espaço que o circunda, mas criando zonas de maior intimidade e serenidade". Tirando as grandes árvores, com a passagem do tempo o espaço foi sendo ocupado por vegetação que já não tinha nada a ver com o jardim original. Por isso, o arquitecto paisagista defendeu a necessidade de devolver "a exuberância cromática, de cheiros, de alegria" de outros tempos. E no centro do jardim surgirá "uma clareira de relva côncava, rodeada e coberta por raras plantas exóticas". A casa na árvore Desde o início que "toda a equipa estava fascinada com aquela árvore" no centro do jardim, conta Guta Moura Guedes. Por isso foi muito bem recebida a proposta do designer Fernando Brízio para que os frequentadores da zona pudessem ter aquilo com que qualquer criança sonha: uma casa na árvore, onde, neste caso, "se pode estar ao nível dos ramos e ver o rio". A parte de baixo deste novo equipamento do Jardim de Santos terá uma cafetaria (com painéis de vidro amovíveis, podendo ser totalmente aberta quando está calor), esplanada, um espaço de venda de livros e revistas, e um ponto de informação sobre o que Lisboa pode oferecer na área da cultura contemporânea, para além de zonas de criatividade interactivas e lúdicas. A "casa" será em metal, com a plataforma suspensa implantada em torno da árvore, junto aos ramos (a uma altura de 3,30 metros), longe do barulho, e ligada ao chão por três escadas. Dentro da plataforma, que é aberta mas tem pequenas "paredes", haverá bancos de cortiça onde as pessoas se podem sentar ou deitar. O equipamento Para podermos estar no jardim, os Pedrita conceberam um conjunto de assentos (bancos, alguns deles com encosto), de vários tipos, para diferentes usos e momentos do dia ou da noite - tendo em conta que o jardim terá um tipo de utilização diferente consoante as horas. Os assentos estarão espalhados por vários pontos e adaptados a eles, "aproveitando os desníveis, os espaços menos expostos e a possibilidade de usufruir ao máximo do sol". O material escolhido é uma combinação de betão com cortiça - criando, diz Guta, "uma estrutura suave que amortece o impacto do corpo". Esta é, segundo os Pedrita, "uma conjugação invulgar, que inverte os papéis à partida definidos: a cortiça surge como elemento base, estrutural e trabalhado em bloco [o interior do banco]; e o betão como superfície de contacto [na qual nos sentamos], trabalhado formalmente em lâmina". O som Este é, declara Guta Moura Guedes, um "ponto absolutamente revolucionário" na forma de nos relacionamos com um jardim em Lisboa. O desenho de som concebido por Rui Gato tem várias camadas. Haverá altifalantes hipersónicos estrategicamente colocados pelo jardim que vão criar "sweet spots", pontos muito específicos (com um raio de apenas dois ou três metros) nos quais podemos ouvir sons ligados ao passado, presente e futuro. Expliquemos: os sons do "passado" são criados a partir de "uma base de dados sónicos e musicais a partir da interpretação das sequências de ADN das diferentes espécies vegetais do jardim e sua transposição para informação musical" ou das "características morfológicas dos sons naturais", do canto dos pássaros ao vento ou à chuva. O "presente" intervém quando, sobre esta base de dados, um sistema informático "modula a matéria musical através de sinais do meio físico registados no momento", e que variam com a hora do dia ou da noite, a temperatura, a humidade, etc. Por fim, o "futuro": haverá um interface web disponível na cafetaria/Info Point ou através do computador (pela rede wireless) no qual poderemos "desenhar a nossa própria reconfiguração do ecossistema" durante um curto período. Além disso, acrescenta Guta, "podemos desafiar um artista em qualquer ponto do mundo a enviar inputs". Se todo este som é muito discreto e muito focado durante o dia (só ouvido nos tais sweet spots), à noite pode ter uma versão "mais colectiva", criando outro ambiente no jardim. A luz Foi José Álvaro Correia quem trabalhou a luz. Um dos objectivos é "tornar o espaço mais seguro para circular e estar", nomeadamente à noite, altura em que a animação se instala na zona de Santos. A luz geral pretende "acentuar a escala das árvores num efeito de cúpula, reflectindo depois a luz nas zonas de permanência, lazer e circulação". Há também uma luz pontual, que introduzirá cores quentes para "uma atmosfera envolvente e descontraída", que será complementada por uma luz lúdica (aqui entra, tal como no som, a possibilidade de intervenção do utilizador). Por fim, haverá uma luz circundante com uma tonalidade alaranjada, banhando o jardim numa atmosfera quente. A sinalética António Silveira Gomes partiu de uma ideia muito simples: as inscrições que as pessoas fazem nos troncos das árvores, desenhos, nomes, mensagens, marcas de uma passagem. Nas notas sobre a intervenção, o designer lembra práticas culturais que exploram esta "relação entre homem, árvore e cidade", como o Tree-Dressing (vestir as árvores) na Índia, Japão e Inglaterra; o Tree Carving (gravações nas árvores) nos EUA, e os Wish-Trees (colocar desejos escritos em etiquetas em certas árvores). É assim que vai ser a sinalética no novo Jardim de Santos. "São feitos cortes superficiais nas árvores e é usada uma tinta que não tem qualquer perigo para a árvore", garante a directora da Experimenta. Serão assim dadas direcções para espaços culturais nas proximidades, orientações dentro do jardim e informações sobre as próprias árvores. O designer propõe também jogos lúdicos no chão, aproveitando por exemplo as tampas de caixas subterrâneas de serviços vários, que normalmente se tentam esconder. Em vez de esconder, Silveira Gomes quer tirar partido delas, desenhando num baixo-relevo suave jogos/labirintos, misturando a lógica do jogo do berlinde com a da playstation - uma forma também, sublinha Guta, de "fugir ao estereótipo de ter uma zona separada para as crianças". Afinal, não é este um jardim com uma casa na árvore para os adultos realizarem o seu sonho de infância?» Publicada por Paulo Ferrero in http://cidadanialx.blogspot.com/2009/09/experimentadesign-vamos-ter-um-jardim.html
-
Casas assombradas Fotos:Expresso Casa assombrada Há quem garanta que há fantasmas, espíritos do além e casas assombradas. Para outros, é tudo fruto do medo e da imaginação. Era uma vez uma casa onde voavam copos, as portas abriam e fechavam sozinhas, as velas acendiam como que por artes mágicas e até caíam pedras, sem que alguma vez se ferisse alguém. Nesta casa vivia gente. Gente que passava pelos dias e, sobretudo, pelas noites, apavorada. A vizinhança tinha já presenciado certas manifestações que todos atribuíam a presenças do além. Pior, era o próprio demónio o autor de tão insólitos acontecimentos. Até que um dia o senhor António, o habitante mais velho da casa, decidiu recorrer ao cura da aldeia, ali numa paróquia do Minho, a pedir que fosse lá a casa, fizesse umas rezas e expulsasse os espíritos. Antes de tomar qualquer decisão, o pároco decidiu passar um dia em casa daquela apavorada família. Não queria acreditar quando assistiu, ele próprio, ao que o senhor António lhe tinha relatado no silêncio da sua sacristia. Aquelas coisas estranhas aconteciam mesmo. Todos, lá em casa, lhe rogaram para que benzesse o lar e, mais, ali fizesse um exorcismo. Não se deixando convencer à primeira, ainda que tenha presenciado tão estranhos eventos, recorreu a uns conhecimentos que tinha em Braga para ali trazer especialistas ligados à parapsicologia. Casa das Pedras, na Linha de Cascais... Mesmo na presença dos doutores, os espíritos não estiveram com meias-tintas. Choveram pedras, portas e janelas abriram e fecharam-se sozinhas e até alguns fardos de palha arrumados no telheiro começaram a arder. Maria Luísa Albuquerque, uma encartada chamada pelo cura, a todos perguntou pela idade, na esperança de que o causador fosse algum adolescente dado a brincadeiras. Segundo os estudos de parapsicologia, são eles os responsáveis por 90% destes casos. Adolescentes naquela casa só o neto, um rapaz de 15 anos... e o senhor António, na presença dos quais os fenómenos aconteciam repetidamente. Avô e neto foram afastados de casa por alguns dias, a parapsicóloga conversou com ambos em separado e, tal como se supunha, não houve mais nenhum objecto voador. O senhor António, 76 anos acabados de fazer, andava muito angustiado com a ideia da morte; já Francisco, levava a vida "na boa". Resolvido o mistério havia que solucionar os problemas psicológicos do senhor António, que se manifestavam com estas reacções parapsicológicas. "Tudo aquilo se devia à emissão de energia somática, do senhor António, ao que em parapsicologia damos o nome de telergia, e a essa energia chamamos de psicorragia", esclarece Maria Luísa Albuquerque, que também ajudou o patriarca da família a encarar a ideia de morte de forma menos negativa. Os calmantes receitados pelo médico de família levaram-no a dormir melhor, e, a partir daí, os fenómenos cessaram. Tudo se resumia, afinal, ao medo "do que encontraria do outro lado, depois da morte, ele que tinha dedicado a vida à família e às terras", recorda a parapsicóloga, licenciada por uma universidade de São Paulo, no Brasil, e com doutoramento em Espanha dedicado ao tema "Demónio, um caso clínico". Heitor Morais, padre jesuíta e director da revista "Magnificat", sediada em Braga, tem uma explicação para estes fenómenos: "Tudo isto é causado pela força física da mente. As pessoas andam angustiadas, têm problemas que as inquietam, medos, angústias, e de forma inesperada, involuntária e inconscientemente provocam reacções físicas nos objectos." Ele próprio já assistiu a estas ocorrências e já tranquilizou as pessoas dizendo-lhes que aquilo eram reacções parapsicológicas que terminariam quando as pessoas se tranquilizassem. "Mesmo assim pedem-me para lhes benzer as casas, talvez por sugestão, para ficarem mais tranquilos. Em regra não rezo, nem deito água benta, mas se isso fizer com que as pessoas fiquem sossegadas..." ... e Castelinho, também na Linha de Cascais, conhecidas pela presença de fantasmas A casa onde José Castelo Branco teve uma visão parece um pequenino castelo, com torres e imitações de ameias. Fica junto ao mar, em São João do Estoril, na estrada Marginal que liga Lisboa a Cascais. Esteve durante muito anos votada ao abandono, mas nem por isso quem lá passava deixava de ver luzes a acender e a apagar. Figura ímpar do jet set nacional, Castelo Branco esteve decidido a comprá-la em 1983. Na sua primeira visita ao local logo mudou de ideias, quando avistou uma criança, menina, a brincar em cima do muro da propriedade, junto à falésia, acompanhada por outras, sentadas nos rochedos. Na altura, o marchant sentiu-se tentado a voar. "Se não me tivessem agarrado teria caído ali mesmo." Desistiu do negócio e não se arrepende. A mesma casa tentou a mãe de Lili Caneças. "Eu era a pessoa certa para a morada certa. Aquele castelinho com ameias junto ao mar faria de mim a princesa que eu sempre achei que era." O preço pedido era até convidativo. Mas o negócio ficou por acontecer dado que foram informadas de que a casa seria assombrada e de que as pessoas que lá viviam ou morriam rapidamente ou os negócios estoiravam. "Era a visão do inferno de Dante. A minha mãe não quis arriscar e desistimos do negócio. Hoje teria insistido para que se comprasse a casa. Quando por lá passo conto esta história ao meu neto", diz Lili Caneças. Actualmente, o castelinho, conhecido por casa do Dr. Cebola, está habitada e restaurada e não consta que alguma desgraça tenha acontecido. Ali bem perto, na Parede, mas do lado oposto, apresenta-se outra habitação com fama de assombrações. Mandada construir em 1904 pelo comandante e capitão-de-fragata Manuel de Azevedo Gomes, ficou conhecida como a casa das pedras. Em vias de classificação, foi desenhada pelo arquitecto italiano Nicola Bigaglia para ser casa de veraneio. O proprietário, dada a paixão que tinha pelo mar, pediu que fosse totalmente revestida a pedras, seixos e conchas trazidas da costa. "Com um corpo arredondado virado a sul, abrigando um jardim de Inverno, tem várias ameias e merlões, jogando com o imaginário dos castelos medievais. De tom escuro, com a pedra evidente, o edifício impõe-se ao passante como uma sugestão misteriosa, tenebrosa e repleta de opções estéticas próprias do gosto do romantismo tardio português que caracteriza o início do século XX", explica Mário Lisboa, técnico superior da Câmara Municipal de Cascais. Mas nem por isso a explicação atenua os boatos que correm sobre as assombrações desta casa. Talvez por esta moradia tão inusitada ter sido sempre habitada por pessoas de muita idade. "A mulher do capitão viveu lá até ser muito velhinha, ia à janela, assim como a sua filha, a D. Alice, que ali viveu até ter mais de 90 anos", refere Mário Lisboa. Actualmente habitada, não consta que alguma vez os seus inquilinos tenham sido importunados. Sanatório da Serra da Estrela, onde vivem espirítos de antigos doentes Ainda na estrada Marginal, agora já bem mais próximo de Lisboa, há referências, diga-se rumores, de uma outra casa assombrada. Em ruínas, fica em Caxias, junto à curva que dá acesso à A5, próximo do farol da Gibalta. Antiga casa de chá, nunca ali viveu ou funcionou durante muito tempo gente ou negócios. Diz-se que os antigos donos não querem lá ninguém. Para já, têm tido sorte. Está previsto que aquele vale seja todo reconvertido e transformado em habitação e comércio. Ana Maria Magalhães, a autora que em parceria com Isabel Alçada tem escrito a colecção "Uma Aventura", foi proprietária de uma casa dita assombrada. Comprou-a nos anos 60 e logo após o 25 de Abril viu as casas vizinhas serem todas ocupadas. A sua foi uma excepção. Ninguém a quis. Até ao dia em que comentou o facto com uma vizinha e esta lhe disse que a casa era assombrada por um pescador, antigo proprietário, conhecido como Rompedias. Em vida, Rompedias jurara que a sua casa nunca haveria de sair da família. Como saiu, o falecido pescador não abandonou a moradia. Até então, a escritora nunca tinha dado por nada. Mas a partir daí começou a reconhecer fenómenos estranhos: "Emprestava a casa a amigos e alguns deles vinham de lá pálidos e diziam que não queriam lá voltar, garantindo que tinham visto um velho com camisa aos quadrados na sala ou a espreitar à janela." Ana Maria Magalhães garante nunca ter sido visitada, mas numa noite de Verão ouviu uma porta a bater e, quando foi espreitar, a porta da casa de banho estava trancada por dentro. "Não estava lá ninguém e não havia janelas. Só não sei se foi o Rompedias", graceja. A verdade é que a história serviu de inspiração a um dos seus livros e até o fantasma da história ganhou o nome de Rompedias. Hotel da Bela Vista, em Portimão. Diz a lenda que a antiga proprietária ainda por lá anda Vítor Rodrigues, psicólogo e psicoterapeuta, garante que a forma mais fácil de criar fantasmas é a sugestão: "Se uma pessoa vai a uma casa sabendo que existe uma lenda, fica logo influenciada. Qualquer perito em efeitos especiais sabe que é facílimo criar ilusões deste tipo, e, às vezes, criam-se para fazer baixar os preços de uma casa, mas também há locais onde de facto se produzem fenómenos bizarros. A existência de campos electromagnéticos, de veios de água subterrâneos podem provocar perturbações. A existência de infra-sons provocados por fenómenos naturais podem ter o mesmo efeito." Mas Vítor Rodrigues também reconhece que "há pessoas com elevada percepção extra-sensorial, capaz de captar informação e de agir sobre fenómenos físicos e biológicos do nosso mundo tangível sem qualquer mediação física conhecida". Acrescenta: "Não falta rigor epistemológico à investigação que demonstra a existência da possibilidade de seres humanos, e até animais, poderem interagir à distância com sistemas físicos e biológicos ou poderem transcender os limites de espaço e tempo e captarem informação sobre eventos distantes no futuro e no passado. Como é evidente, qualquer especulação sobre hipotéticas implicações religiosas deste facto poderá ser ilusória." Ruínas de uma casa de chá em Caxias, onde nada vai avante José Lucas não tem ilusões. Para ele, as casas assombradas são um facto. "Não são mais do que locais onde existem manifestações espirituais, repetitivas, que podem ter várias causas". Explica: "Existem locais onde, certas pessoas, após a morte do corpo físico, se apegam e ficam por lá." Isso acontece, esclarece José Lucas, militar e secretário da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, pelo facto de alguém, que tendo uma obsessão muito grande pela sua casa, terreno, ou qualquer outro bem material, continuar depois de morta ligada mentalmente àquilo que valoriza: os seus bens particulares. Podem existir outros motivos, como explica "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec. Assim sendo, "se alguém alugar ou adquirir aquela casa, as pessoas no mundo espiritual, sentindo os novos donos como ameaças aos seus pertences, desencadeiam barulhos e outros fenómenos de efeitos físicos, no sentido de afastar os intrusos e assim ficarem sozinhos com o que é deles". Mas também existe outro fenómeno, clarifica José Lucas, em que algum habitante, com poderes de médium, liberta ectoplasma, uma substância utilizada pelos espíritos para agirem sobre a matéria. Nesses casos, as pessoas, pensando ser a casa que está assombrada, mudam de residência, continuando os mesmos fenómenos para onde forem. Segundo consta, as assombrações que atormentaram Jenna Bush, uma das filhas de George W. Bush, enquanto viveu na Casa Branca, não a seguiram. Mas se ficaram pelos salões parece que ainda não visitaram a família Obama. Contudo, no site oficial da casa mais famosa de Washington, a tradição não é abafada e por lá se referem as famosas aparições dos fantasmas do 16º Presidente dos EUA, Abraham Lincoln, e de Abigail Adams, mulher do segundo Presidente dos EUA, e dos sons celestiais que saem de algumas lareiras. Será que pelos corredores de Belém e de São Bento também há fantasmas? Talvez assim se expliquem os espiões do Governo e os assessores do Presidente a serem seguidos. Era uma vez... Texto publicado na edição do Expresso de 22 de Agosto de 2009 in http://www.vooz.com.br/blogs/casas-assombradas-14414.html
-
História transparente O novo Museu da Acrópole abriu finalmente na capital grega. Mas para ficar completo ainda precisa que Londres lhe devolva as esculturas roubadas A espera foi longa, mas os gregos sentem que valeu a pena, apesar da factura acumulada de 130 milhões de euros numa ideia que começou a germinar há três décadas e cujo projecto arquitectónico, da autoria do suíço Bernard Tschumi, levou oito anos a concluir. Inaugurado oficialmente a 20 de Junho, numa cerimónia que fez recordar o espectáculo da abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, o Novo Museu da Acrópole promete tornar-se num dos principais pontos de interesse da cidade. As expectativas dos organizadores apontam para que a lotação máxima de 10 mil visitantes diários seja alcançada de forma ininterrupta até ao final do ano período em que os bilhetes se vão manter ao custo simbólico de um euro (por comparação, o preço de uma entrada simples custa €9 no Louvre, em Paris, e €14 no Metropolitan, em Nova Iorque, só para citar museus semelhantes). O novo edifício foi erguido a cerca de 300 metros da colina da Acrópole e foi classificado pelo seu arquitecto como uma obra "anti-Bilbao". Ou seja: interessou-lhe muito mais criar um "lar" adequado e discreto para as obras expostas, do que seguir os passos de Frank Gehry e introduzir um novo marco numa cidade já repleta de monumentos e construções com peso e significado. "Não estava interessado em imitar o Partenon. O que queria era atingir um nível de perfeição semelhante, mas dentro dos parâmetros da arquitectura do meu tempo", declarou o arquitecto. O equilíbrio parece ter sido encontrado. Bem como o respeito pela memória do local, patente na entrada, com um chão de vidro para que o visitante possa apreciar os vestígios arqueológicos encontrados no subsolo durante a construção do edifício. No piso intermédio, predomina o mármore e o espaço destina-se, essencialmente, à exibição de artefactos do período arcaico do Império Romano. No último piso, a luz natural adquire um papel de destaque, mas as atenções dos visitantes centram-se, acima de tudo, na solução encontrada por Tschumi para albergar o principal tesouro ausente do prédio: os chamados mármores de Elgin, os baixos relevos originais do Partenon, um dos principais templos da Acrópole, construído no século V antes de Cristo. Originalmente com 160 metros de comprimento, estas esculturas foram amputadas, no início do século XIX, por Lord Elgin, um diplomata britânico, que as levou para Londres, onde hoje se encontram expostas no British Museum. Há pouco mais de três décadas, após o final do regime dos coronéis e a instauração do regime democrático na Grécia, a exigência da devolução do friso tornou-se num contencioso permanente entre os governos de Atenas e de Londres (e na batalha da vida da actriz e ministra da Cultura socialista Melina Mercouri). Só que as exigências gregas esbarraram sempre no argumento britânico de que as esculturas estavam melhor acomodadas no British Museum do que no velho museu existente na Acrópole. Embora ninguém o admita explicitamente, a construção do novo museu parece ter tido como único propósito o de fazer regressar o friso a casa. E a verdade é que outros pedaços dessa escultura, que se encontravam em poder da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, e do governo italiano, foram entregues aos gregos. E encontram-se expostas, no último piso do edifício, num espaço próprio, em vidro, onde só faltam os mármores de Elgin. Durante quanto mais tempo? CONTACTO: Novo Museu da Acrópole Rua Makriyianni, 2-4, Atenas Aberto das 8 às 20h, excepto segundas-feiras. Preço: €1 até 31 de Dezembro de 2009 www.theacropolismuseum.gr in http://aeiou.visao.pt/historia-transparente=f527590
-
Seia: Câmara inaugura Centro Escolar na próxima sexta-feira Terça, 08 Setembro 2009 17:32 O Centro Escolar de Seia está pronto a acolher os primeiros alunos e vai ser inaugurado dia 11 de Setembro, numa sessão marcada para as 17h00. O espaço, que se traduziu num investimento de cerca de três milhões de euros, financiado pelo QREN em mais de dois milhões de Euros, já mereceu uma visita dos professores no passado dia 23 de Julho. Projectado pelo arquitecto Miguel Krippahl, o Centro Escolar de Seia, executado pela empresa Manuel Rodrigues Gouveia, tem capacidade para 375 alunos e está localizado na área adjacente à EB 2, 3 Dr. Guilherme Correia de Carvalho. O edifício de linhas futuristas concentra num único espaço as três escolas do 1º ciclo e o jardim-de-infância existentes em Seia. De acordo com a autarquia, a integração de várias escolas no único espaço pretende facilitar a organização de tempos lectivos em horário normal, podendo assim ser alcançado o objectivo estratégico de garantir a “Escola a Tempo Inteiro”, incluído no Programa de Requalificação da Rede Escolar do 1º Ciclo do Ensino e da Educação Pré-escolar. in http://www.correiodabeiraserra.com/index.php?option=com_content&view=article&id=2571:seia-camara-inaugura-centro-escolar-na-proxima-sexta-feira&catid=46&Itemid=93
-
Mire de Tibães, Braga | Mosteiro de Tibães | João Carlos Santos
JVS replied to m a r g a r i d a's topic in Arquitectura
Renovação do Mosteiro de Tibães termina hoje, ao fim de 20 anos Por Samuel Silva A área visitável do edifício foi alargada. Ala sul do mosteiro e claustro do refeitório destruído no século XIX foram integralmente renovados Inauguração Religiosas vão gerir hospedaria e restaurante do mosteiro A última fase de intervenção no mosteiro permitiu alargar a área visitável a todo o edifício. A ala sul do mosteiro e o claustro do refeitório, espaços que estavam quase totalmente destruídos, foram integralmente renovados. "Tentámos aproveitar sempre o máximo que podíamos da estrutura original, o que nesta ala foi pouco", explica João Carlos Santos, arquitecto responsável pela intervenção. "Só as paredes e algumas lajes de pedra se mantinham. O chão que existia era de terra", ilustra. A obra de renovação da ala sul acabou, por isso, por ter um cunho mais contemporâneo, particularmente no espaço do antigo claustro do refeitório, destruído por um incêndio em 1894. "Esta zona estava completamente destruída, mas restabelecemos a ligação entre a livraria e o claustro do cemitério, criando uma varanda com vista sobre Braga", explica o arquitecto. No local foi também construída uma plataforma para eventos culturais, um palco multifunções com uma forma que sugere a configuração anterior daquele espaço. A última fase de recuperação do Mosteiro de Tibães prolongou-se entre Setembro de 2006 e Dezembro do ano passado e custou cerca de 4,7 milhões de euros. O noviciado, o hospício e a cozinha foram também reabilitados. No edifício, cuja actual configuração data dos séculos XVII e XVIII, foi adquirido pelo Estado em 1986. Desde então o mosteiro começou a ser recuperado, mas as grandes intervenções estruturais começaram em 1994. Desde então já foram investidos mais de 13 milhões de euros. Durante os últimos dois anos foi recuperado o espaço da antiga livraria, onde vai ficar instalado o Centro de Estudos de Ordens Monásticas, numa parceria com as universidades do Porto e do Minho. Cinco celas desta ala foram transformadas em locais de estudo para investigadores. As antigas cavalariças deram lugar a uma nova área de recepção dos visitantes do monumento. Aqui foi instalado um centro interpretativo da história do mosteiro, com quiosques multimedia, bem como uma loja. Este será o ponto inicial da visita ao Mosteiro de Tibães, que a partir de agora incluirá também o espaço das antigas cozinhas, agora recuperadas. Templo medieval Durante os trabalhos de acompanhamento arqueológico da última fase de intervenção foram detectadas as bases do templo medieval que existiu em Tibães, antes da criação da ordem beneditina. As ruínas foram musealizadas, num espaço que integra também alguns dos achados mais relevantes dos 20 anos de intervenção dos arqueólogos da Universidade do Minho naquele local. in http://jornal.publico.clix.pt/noticia/09-09-2009/renovacao-do-mosteiro-de-tibaes-termina-hoje-ao-fim-de-20-anos-17755957.htm -
Velódromo de Sangalhos concretiza "sonho" para despertar corredores para a pista O Velódromo Nacional - Centro de Alto Rendimento (CAR) de Ciclismo e Sangalhos vai ser inaugurado sexta-feira, concretizando um “sonho” do presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Artur Lopes, para despertar os corredores portugueses para as competições de pista. “É um sonho. Sonhei com um carrinho pequeno, um Fiat, e agora vejo-me com um Ferrari nas mãos, que até me assusta conduzi-lo. Mesmo assim, vou em frente com toda a força durante os próximos três anos que me faltam de mandato”, disse à Agência Lusa Artur Lopes. Esta infra-estrutura, orçada em mais de 10 milhões de euros, primeira e única para o ciclismo em pista coberta em Portugal, cuja inauguração será presidida pelo primeiro-ministro, José Sócrates, servirá todas as vertentes da modalidade, mas em particular a especialidade de pista. “Sem um velódromo era impossível preparar atletas de pista para correrem em Campeonatos do Mundo ou Jogos Olímpicos. Porque na pista, e há imensas provas de velocidade e de fundo em pista, é tudo ao centésimo, a táctica e a técnica tem de ser muito rigorosa e a formação só é possível com este tipo de instalações”, explicou o presidente da FPC, manifestando o “sonho e a ambição” de instalar no CAR “uma escola de pista, onde os atletas apenas treinam, seguindo uma base de trabalho duríssima, e estudam”. Para concretizar este objectivo, Artur Lopes admite contratar um técnico estrangeiro, para “transmitir o ‘know-how’ aos portugueses”: “Nem reconheço nenhum treinador português com conhecimento específico para o fazer. Não somos menos que os outros, mas temos de aprender”. Além da vertente de pista, o presidente da FPC, que elogia o “empenho” do secretário de Estado da Juventude e Desporto, Laurentino Dias, e do presidente da Câmara Municipal da Anadia, Litério Marques, assegura que estas instalações “servem de apoio às outras especialidades, desde a estrada, com os estágios que antecedem as grandes provas, ao BMX”, realçando que o autarca pretende “construir uma pista de BMX, junto ao Velódromo, para criar a base de uma selecção para esta modalidade Olímpica”. “É um bom sinal, como todos aqueles pretextos que sirvam para promover a prática da modalidade. Significa que as pessoas querem inovar no ciclismo, numa vertente em que não temos nenhum especialista. Pode ser que agora haja ciclistas de pista, porque julgo que há capacidade”, realçou o bicampeão da Volta a Portugal (2003 e 2009) em bicicleta, Nuno Ribeiro (Liberty Seguros), em declarações à Lusa. Distinguindo as novas instalações das existentes, porque “nenhuma pista era como este velódromo”, o corredor de Sobrado enaltece a possibilidade de “formar corredores, começando do zero, e descobrir talentos que não deixem Portugal ficar mal nas grandes competições”. “O Velódromo e o CAR que tem associado são preponderantes para a evolução de uma modalidade, que está votada ao esquecimento em Portugal, mas, sobretudo, para as camadas jovens adquirirem a técnica de correr em pista”, frisou o director desportivo da Liberty Seguros, Américo Silva, destacando o “caricato” de o campeão nacional de estrada, o “sprinter” Manuel Cardoso, “aos 25 anos, nunca ter utilizado uma bicicleta de pista”. Também Cândido Barbosa (Palmeiras Resort-Prio) elogia o “investimento no desporto”, que pode contrariar “a falta de tradição de Portugal em pista”, confessando: “Eu nunca gostei de pista, nem que tivesse agora 25 anos ia competir nesta especialidade, mas tudo o que sirva para promover a participação dos jovens portugueses em competições internacionais é benéfico”. Após a cerimónia de inauguração, o velódromo vai acolher competições, sábado e domingo, pela selecção espanhola de pista, cerca de duas dezenas de corredores elites espanhóis, outros tantos portugueses “adaptados da estrada” e 18 juniores de cada nação, revelou Artur Lopes. Em comunicado, a FPC anuncia que a nova pista será “estreada” pelo antigo corredor Alves Barbosa, vencedor da Volta em 1951, 1956 e 1958. O Velódromo Nacional de Sangalhos integra a rede de CAR, compreende uma pista coberta de 250 metros de extensão, com piso rebaixado ao centro, para a prática de outras modalidades, bem como infra-estruturas de apoio, incluindo um centro de estágio, com alojamento e ginásio, num projecto com a assinatura do arquitecto Rui Rosmaninho. O edifício, em forma de elipse, tem cerca de 30 metros de altura, 118 de comprimento e 82 de largura e utiliza principalmente a madeira como material, tendo capacidade para 1200 espectadores de ciclismo com visibilidade para a pista e cerca de mil para outras modalidades no piso inferior. in http://www.ojogo.pt/Directo/NoticiaHora_cicvelodromorealizasonho_100909_170963.asp
-
Lisboa | Reabilitação do Parque Mayer | Manuel Aires Mateus
JVS replied to Márcio Ferreira's topic in Arquitectura
Cidadãos criticam "inversão dos valores e da causa" da reabilitação do Parque Mayer por LUSAHoje O movimento Cidadania Lisboa criticou hoje o modelo urbano da Câmara de Lisboa para o Parque Mayer, acusando-o de representar uma "filosofia errada e grave" que "inverte os valores e a causa" da reabilitação do equipamento. Um dia depois de o executivo camarário ter aprovado o modelo urbano desenvolvido para o plano de pormenor daquela infra-estrutura, do Jardim Botânico e zona envolvente, elaborado pelo arquitecto Aires Mateus, o grupo de cidadãos dirigiu ao presidente António Costa (PS) uma lista de preocupações sobre as construções previstas. O movimento considera que estas obras, a par das ampliações e alterações aos edifícios já existentes, se destinam a "permitir empreendimentos (habitação, hotéis ou escritórios) 'with a view' para o jardim botânico", que assim serviria de "logradouro" desses prédios. "Parece-nos uma filosofia errada e grave", refere a carta, divulgada à comunicação social. Os cidadãos dizem-se também surpreendidos com casos de "duplicação (e às vezes mais) da altura das cérceas", apontando a Rua do Salitre como alvo da maior "quebra de equilíbrio urbanístico": no seu entender, as construções de um centro interpretativo e de um hotel com quatro pisos são "escandalosamente erradas" face à reduzida altura dos prédios mais próximos. Outras propostas criticadas são a edificação de quatro hotéis e o "esventramento" de uma alameda junto à antiga Escola Politécnica para criação de um parque de estacionamento subterrâneo, obra tida pelo Cidadania Lisboa como "intrusiva" para com a envolvente do Jardim Botânico. O movimento defende ainda que existem algumas inconsistências sobre as salas de espectáculos, em particular o auditório de dois mil lugares. "Haverá público e programadores para tanta sala ou o objectivo é fazer um centro de congressos 'abastecido' pelos hotéis das imediações? Se assim for, pensamos que a Câmara está a inverter os valores e a causa", dizem os cidadãos. Tags: Portugal, Sul in http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1358264&seccao=Sul -
Avilés, Astúrias | Centro Cultural Internacional | Oscar Niemeyer
JVS posted a topic in Arquitectura
Projectos Niemeyer do mundo em festa por Cláudia Melo23 Agosto 2009 Oscar Niemeyer é o autor do projecto e a figura evocada e homenageada no Centro Cultural Internacional que está a ser construído em Avilés, nas Astúrias, para albergar uma fundação dedicada a manter viva e acessível a memória da sua obra e pensamento. A iniciativa de projectar o edifício - embora com outra finalidade - partiu, aliás, do próprio arquitecto brasileiro, que completou 102 anos. Vencedor, em 1989, do Prémio Príncipe das Astúrias das Artes, Niemeyer foi posteriormente convidado para as comemorações do 25.º aniversário deste galardão. Em sinal de agradecimento, decidiu presentear a Fundação com o projecto de um edifício, que mais tarde, tomaria a forma do Centro Cultural Internacional Óscar Niemeyer, por vontade do governo de Espanha e do Principado das Astúrias. Sobranceiro ao porto da cidade, o Centro Niemeyer localiza-se numa ilha artificial, a "Isla de la Inovación", criada para o acolher e, posteriormente, a outras actividades criativas no âmbito das artes e da ciência. O Centro irá dispor de um auditório com capacidade para mil espectadores, um espaço de exposição de cerca de 4000 metros quadrados, uma Torre Miradouro sobre a ria e a cidade e um edifício polivalente que albergará um cinema, salas de ensaio, de reuniões e de conferências. No exterior, "uma praça aberta, em que se programarão actividades culturais e lúdicas de forma contínua, e que pretende ser o elo de união entre o Centro e a cidade", refere a Fundação. Conceptualmente, o conjunto é puro Niemeyer: dominam as formas curvas e as linhas sinuosas que caracterizam praticamente toda a obra do arquitecto brasileiro, que assinou com Le Corbusier o edifício das Nações Unidas, em Nova Iorque, e dos principais edifícios de Brasília. Como referiu no início do seu largo e vasto caminho pela Arquitectura: "Não é o ângulo recto que me atrai, nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein." Com uma linguagem mais próxima da escultura que da arquitectura, Niemeyer inventa e materializa objectos que criam relações entre si aparentemente casuísticas, mas que dão vida a um mundo fantástico e próprio, facilmente reconhecível, embora distinto, independente, do mundo quotodiano que habitamos. O Centro Niemeyer será, também, um complexo cultural que pretende ter um alcance internacional, como "pólo de conhecimento e criação artística", além de contribuir para a "regeneração económica e urbanística de uma área em pleno processo de transformação cultural como é a ria de Avilés", prevê a Fundação Príncipe das Astúrias. Toda a zona ribeirinha da cidade está a ser alvo de um profundo processo de requalificação ambiental e urbana, após mais de cem anos de ocupação por actividades da indústria pesada. No seu primeiro edifício em terras de Espanha, mais uma vez, Niemeyer recorre ao betão maciço e à cor branca, com apontamentos de cores quentes, como vermelho e amarelo, que enfatizam um mundo em festa, presente e homenagem do arquitecto ao país europeu que melhor o soube acolher. http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1342789&seccao=Arquitectura Tags: Artes, Arquitectura -
Histórias de Paula Rego Cascais recebe o novo museu dedicado à obra de Paula Rego. Dos contos cruéis às histórias de encantar, aquele será o espaço para o universo narrativo da artista portuguesa radicada em Londres. Valdemar Cruz (texto), António Pedro Ferreira (fotos) 10:38 Domingo, 23 de Ago de 2009 Divertida, Paula Rego recria a posição das bailarinas das suas obras. Não consegue disfarçar o nervosismo com a inauguração da sua nova casa Todos os anos pela Primavera, todos os anos pelo Outono, surgirão novas histórias para serem contadas em Cascais. Paula Rego vai ter uma casa onde se passearão as figuras de pesadelo, as imagens de sonho saídas do seu imaginário. Todos poderão brincar lá dentro. Seja apenas com o olhar, seja com o desejo de partir à procura dos contos escondidos naquele universo feito de espanto. É a Casa das Histórias, um projecto de Eduardo Souto de Moura, com inauguração marcada para 18 de Setembro, acondicionada num edifício para já escarlate mas que o tempo se encarregará de empalidecer até lhe dar um tom rosa-velho. Mais de um mês antes da abertura, quando começavam a ser colocadas as primeiras obras nas paredes, a pintora vivia ainda na angústia de perceber a dimensão da transformação em curso até ser obtido o resultado final. Olha para os quadros pousados no chão, encostados às paredes, e confessa-se perturbada por ver "tudo assim", num tamanho estado de desarrumação. O confronto com as célebres "Avestruzes Dançarinas" diminui-lhe o rosto, por tanto lhe terem crescido os olhos com o susto. Há um choque plasmado no modo como chama Dalila Rodrigues, a directora artística do museu, para lhe manifestar desagrado por estar "tudo tão escuro". A inquietude do olhar de Dalila logo se esfuma num largo sorriso. Aquela insuficiência, explica, ficará resolvida a partir do final do mês, mal seja instalado o sistema de iluminação concebido para as diferentes salas. Paula Rego fica mais tranquila e já observa de outra maneira aquelas mulheres "a quererem beijinhos sem os poderem ter. Já são velhas de mais. Já ninguém lhes queria dar beijinhos". As "Avestruzes" estão colocadas na sala de exposições temporárias, onde serão organizadas duas mostras por ano. Na abertura da Casa das Histórias e durante os próximos seis meses, o exclusivo é de Paula Rego. Na Primavera do próximo ano, é inaugurada uma exposição dedicada a pinturas de Victor Willing, falecido marido de Paula. As obras escolhidas para a inauguração foram concebidas entre 1987 e 2008. Pertencem à Galeria Marlborough e são, na sua maioria, pinturas de grande formato. Dalila Rodrigues explica que "o objectivo desta exposição é reforçar as possibilidades discursivas da colecção. São pinturas que reflectem mudanças muito expressivas e significativas em termos criativos e técnicos". Estarão lá criações tão simbólicas como "A Mulher-Cão", que ilustra a capa do catálogo da exposição, ou "A Filha do Polícia", cronologicamente o primeiro quadro. Na opinião de Dalila, trata-se de "uma obra-prima absoluta". "A artista também a considera muito, e acordámos que seria o primeiro encontro para quem entra na sala." "A Mulher-Cão" e a tia Narcisa O projecto de Eduardo Souto de Moura começa agora a ganhar vida No percurso para o espaço das mostras temporárias, Paula Rego fala da sua paixão "pelo Walt Disney antigo". Nomeia a "Branca de Neve e os Sete Anões", ou o "Pinóquio", uma "obra-prima de medo, de terror". E acrescenta: "Lembro-me de ver estas coisas no Tivoli com a minha avó. Eu tinha um medo horrível." Já na sala, vê-se frente a duas das suas encenações de Branca de Neve e não resiste a chamar a atenção para a mulher caída em "Branca de Neve Engole a Maçã Envenenada", de 1995. A primeira coisa que as mulheres fazem quando caem, diz, "é tapar o rabo. Ela está a segurar o vestido por ter vergonha". Ao lado repousa a primeira mulher-cão pintada por Paula, datada de 1994. Recorda a conversa tida com Lila, a sua modelo. "Comecei a tentar fazer a minha própria perna, copiando de um espelho. Vi que não conseguia fazer isto a copiar-me porque não tinha informação suficiente e então disse à Lila para se pôr de cócoras. Aquela expressão naquela cara morde. Ela está contra a parede, mas morde. Ao mesmo tempo, há um ar de súplica." Numa outra parede vêem-se estudos para "A Mulher-Cão", e isso será uma constante ao longo de todo o percurso expositivo. Junto ao quadro "A Filha do Polícia", por exemplo, há um estudo em que a rapariga segura a bota "com mais carinho", como refere Paula, e não com a firmeza contida no quadro final. A pintora já falou do erotismo patente na cena, mas agora prefere não seguir esse caminho e fala antes de um pai que abusa da filha. "Ela tem uma certa raiva, mas ao mesmo tempo é obediente. Ele é pai, pode." "A Prova" é outro dos quadros em destaque. Paula aproxima-se e logo lhe narra a história. Fala da "tia Narcisa, que fazia fatos em Lisboa para as senhoras da sociedade. Está a fazer a bainha daquele vestido, porque a mãe vai vestir a filha para a mostrar à sociedade". Logo passa para o processo de construção do quadro, para dizer das dificuldades de desenhar o vestido. "Antigamente copiava de desenhos, não fazia directamente", como agora, que se inspira em modelos especialmente concebidos para darem cor ao seu imaginário. O polvo gigante que fugiu Paula Rego com o arquitecto Eduardo Souto de Moura Com a matreirice de quem espreita pelo buraco da fechadura, a pintora circula pela sala e deita olhares dispersos a quadros à espera de lugar fixo. Ao passar pelo tríptico "Pillow Man", recupera histórias das idas do pai à pesca no cabo da Roca. "Uma vez a minha mãe também foi e quando ele pôs a cana viu sair do mar um polvo gigante. A minha mãe só lhe dizia para deixar cair. O meu pai largou tudo, e o polvo lá foi, até desaparecer no oceano." E a pintora explica outro momento do tríptico, o "Pillow Man", cujo modelo estará na exposição: "Está a ler à filha o 'Inferno', de Dante, com ilustrações de Gustave Doré, que era o que o meu pai fazia." A agitação daquele dia inicial confunde-a. Revela-se incapaz de participar na montagem de uma exposição. "É o mais difícil que existe. É preciso conceber o espaço entre as coisas, cuidar dos tamanhos, ter atenção à luz." Ainda assim, segue tudo com curiosidade, ansiosa por ver o resultado final, até porque, acrescenta, "há muitas coisas que estiveram anos e anos enroladas" no seu estúdio e só agora vão ser mostradas. Na companhia da filha, Carolina Willing, Paula tem pressa de resolver um outro problema. Com o arquitecto Souto Moura, a directora do museu e a vereadora da Cultura da Câmara de Cascais, é organizada uma espécie de cimeira da escada. Por exigências legais e de segurança, há uma escada de que ninguém gosta a cair sobre o palco da sala-estúdio. Paula acha insuportável a ideia de ver ali aqueles degraus de um modo tão impositivo. Já trocaram cartas, ideias, sugestões. Numa rara oportunidade em que conseguem estar todos juntos, chega por fim a solução. Souto Moura fala-nos de uns armários móveis japoneses em forma de escada. "Esses móveis são colocados em casas de dois pisos, e as pessoas sobem ao piso de cima através desses armários. Se fizer um armário com essa madeira, consigo as escadas e acaba-se o drama." Embora a obra esteja terminada, o arquitecto é ainda solicitado para pequenas intervenções, soluções pontuais capazes de dar mais eficiência a um edifício que sobressai agora na paisagem urbana de Cascais, devido às duas enormes pirâmides que lhe preenchem um dos lados. Souto Moura explica-as com a necessidade de conferir visibilidade ao museu. Para se ver, diz, "precisava de um elemento mais alto". "Se fizesse o museu sem aquele elemento vertical, ninguém perceberia que havia ali o edifício", acrescenta. Estudada a arquitectura de Cascais e de Sintra, descobre casas do arquitecto Raul Lino (1879-1974) que pensa serem inspiradas no Palácio de Sintra ou na cozinha do Mosteiro de Alcobaça. "Tem esta cor vermelha que evolui para um rosa-velho." É uma forma, prossegue o arquitecto, de "criar o contraste, o positivo e o negativo, proporcionado pelo verde da vegetação e o vermelho do edifício". A arquitectura avança para cima do jardim, embora tenha havido a preocupação de só fazer construção onde não havia árvores. Ainda marcado pelas polémicas ecologistas à volta da construção de algumas estações do metro do Porto, Souto Moura terá jurado a si mesmo que "não deitava nenhuma árvore abaixo". Uma impossibilidade, de resto, num terreno como o escolhido para o museu, onde pontificava um denso bosque com dois campos de ténis no meio. No interior, surgem desde logo a loja e a cafetaria, nos espaços correspondentes às duas pirâmides. A iluminação jorra do vértice das pirâmides, e tudo aquilo é uma imensidão de luz. Já nas salas de exposições, outros foram os cuidados com a luminosidade. Para lá de haver luz natural em quase todos os espaços, haverá sempre recurso a iluminação artificial, mas "não directa", sublinha o arquitecto. Do que se vai ver e como se vai ver trata Dalila Rodrigues. A professora universitária e ex-directora do Museu Nacional de Arte Antiga e do Museu Grão Vasco foi, tal como Souto Moura, uma escolha pessoal de Paula Rego. Fascinada com a ideia de pôr de pé, de raiz, este projecto, Dalila não se cansa de elogiar o comportamento exemplar da Câmara de Cascais no processo. "Sobretudo, por não termos tido de nos debater com todo aquele tipo de ingerências muito habituais em situações similares", explica. António Capucho assegurou-lhe total liberdade para constituir a sua própria equipa e não quis interferir num projecto que tem em Paula Rego, Souto Moura e Dalila Rodrigues os seus principais intérpretes. A colecção permanente da Casa das Histórias vai reflectir o resultado de uma doação e de um empréstimo. Paula Rego doou ao município de Cascais a totalidade da sua obra gravada e algumas centenas de desenhos. Emprestou por um período de dez anos, prorrogáveis por idênticos períodos de tempo, obras suas de pintura e desenho e ainda de pintura do marido. Com uma área expositiva total de 750 metros quadrados, a Casa das Histórias tem na primeira sala da mostra permanente obras tão emblemáticas como o "Centauro" ou "Quando Tínhamos Uma Casa no Campo". São, como explica a directora, "obras que de algum modo reflectem uma linguagem não figurativa e uma relação de Paula Rego com temas que não escondem uma crítica social e política ao Estado Novo". A segunda sala, a maior do percurso, alberga obras maioritariamente de pintura realizadas ao longo dos anos 80. Numa zona de rebatimento do pé direito vão estar desenhos da colecção. "O Anjo", gravuras e desenhos As obras escolhidas para a inauguração, que vão tomando os seus lugares no novo espaço Contente por o edifício oferecer "francas possibilidades de trabalho", Dalila refere ter sido "pacífica a organização do percurso da exposição, embora naturalmente tenham de ocorrer acertos durante o processo de montagem". A terceira sala tem um carácter mais intimista. Neste espaço vão estar pinturas emblemáticas, como "O Anjo", da série O Crime do Padre Amaro. A primeira série de gravuras realizadas no final dos anos 80, da série Meninas e Cães, também lá estará. Trata-se, na opinião de Dalila, de uma série "muito importante, porque é a partir daí que Paula Rego conquista uma linguagem realista, que nunca mais a abandonou". As gravuras, meio fundamental de expressão da pintora a partir dos finais dos anos 80, aparecem na parte final do percurso, mas é aberta ali uma excepção para facilitar a compreensão do percurso criativo da artista. A sequência de salas mais pequenas vai incluir desenhos preparatórios para o Jardim de Crivelli, da National Gallery, desenhos preparatórios para o ciclo da Vida da Virgem da Capela do Palácio de Belém e três trabalhos a pastel da mesma série. Para um segundo momento ficará a série do "Peter Pan", bem como "Jane Eyre". A obra gravada é constituída por 257 gravuras. Como os três espaços disponíveis são relativamente exíguos, está assegurada a rotatividade das obras, o que será, de resto, uma componente essencial de toda a área da exposição permanente. Com um auditório de 200 lugares, o museu incluirá ainda na sua programação ciclos de conferências e a apresentação de documentários. No dia seguinte à inauguração, a 19 de Setembro, será exibido o mais recente trabalho do realizador Jake Auerbach, sobre Paula Rego, estreado este ano na National Gallery. O próprio Auerbach, que já assinou documentários sobre Francis Bacon ou Lucien Freud, deslocar-se-á a Cascais para fazer a apresentação do filme. Sem excluir outras áreas de expressão artística, como o teatro, o museu procurará criar formas de se abrir aos contadores de histórias, uma paixão de Paula Rego. De ténis, roupas exuberantes de cor, a artista passeia-se pelo museu como a criança que experimenta ainda os possíveis segredos da sua casa de bonecas. Há um brilho intenso no olhar húmido. A nudez das salas é apenas um estádio intermédio de suspensão até serem ocupadas por aquelas figuras tão estranhas e tão próximas de nós, marcadas pela sede de amor, pelo excesso de ódio, pela frustração contida, pelo desejo amordaçado, pelo desejo exposto. Fantasmas irreais da nossa própria realidade surgem como naturais habitantes da Casa das Histórias. Portugal vive de chicote e caridade "Isto não é uma exposição. É um Carnaval. É uma festa!" Envergonhada com tanta exposição da obra feita, a pintora vê a inauguração da sua Casa das Histórias como um Carnaval cheio de festa. Está entusiasmada com a inauguração? Entusiasmada não é a palavra certa. Há uma mistura de vergonha, de espanto, sobretudo porque é um museu muito bonito, muito bem desenhado. Vergonha porquê? Porque está tudo à mostra. Tenho feito muitas exposições, mas não mostro tudo de uma vez. Também já fiz várias retrospectivas, e não é a mesma coisa, porque isto é uma casa para bonecos. É diferente. Por enquanto, ainda não me sinto à vontade. No fundo, nunca estamos à vontade. Entro no meu estúdio e não estou à vontade. Apesar de ser um espaço que domina? É a minha sala de brinquedos. Vou todos os dias para lá, excepto ao domingo. Não começo a trabalhar antes das dez horas e depois fico até às sete da tarde. Também depende dos meus modelos. Brincar é como quando as crianças estão juntas a cavar o jardim. Não estão a trabalhar. Estão a inventar bonecos. Quando falo de brincar, refiro-me a isso. Inventar bonecos. Inventar histórias para fazer o que se chama brincar. Continua fascinada pelas histórias? As histórias são o mais importante. Todas as histórias são inventadas. Por isso se deu o nome de Casa das Histórias, porque são as nossas histórias tradicionais portuguesas, muito antigas. O Leite de Vasconcelos fez pesquisa e tem muitas versões da mesma história. Tem coisas extraordinárias, que não se encontram noutras culturas. Já estudei histórias tradicionais de todo o mundo. Graças à Fundação Gulbenkian, estive seis meses na British Library a consultar tudo o que havia. Quando se chega às nossas histórias, percebe-se que não são como as outras. O 'Capuchinho Vermelho' também existe noutros países, mas é diferente. É mais calmo. O que é que distingue as nossas histórias? São extremamente violentas, física e psicologicamente. São más e belas. O grotesco é belo, que é a coisa mais maravilhosa que existe. Somos superbons nisso. Há alguns contos que são terríveis, como a mulher a cortar o peito para dar de comer ao marido. Não conheço um outro país que tenha uma história assim. Espanta-me como é que saem daqui estas brutalidades tão belas. Num país de brandos costumes, fazem cada clister... As pessoas são cruéis, mas às vezes também dão beijinhos. Portugal vive muito de chicote e caridade. Isso fascina-me, admira-me. Espanto-me. Por isso era tão importante para si associar o nome deste museu às histórias? Sim, porque no meu caso não posso fazer um quadro sem ter uma história, sem ter um enredo. Não sou uma pintora abstracta, e mesmo muitos pintores abstractos têm histórias lá dentro. Há muita narrativa na minha pintura. Para mim, é muito importante aquela questão que a criança coloca à avó: "E depois? E depois?" É a curiosidade e o encanto. É daí que vêm os bonecos, que depois ilustro. Havia um tempo em que chamar ilustrador era o maior insulto que se podia fazer a um pintor. Admiro profundamente os ilustradores. O Gustave Doré, o Bordalo Pinheiro, e outros ingleses. Admiro o trabalho deles, sobretudo os do século XIX. Aceitaria que se dissesse que também é uma ilustradora? Então, não sou? Pois sou. Sou uma ilustradora de histórias. Está satisfeita com o edifício concebido por Souto Moura? Gosto muito do edifício. Mas a ideia disto foi do presidente da Câmara de Cascais, António Capucho. Depois, quando se colocou a questão do arquitecto, pensei logo no Souto Moura. Já tinha visto umas coisas lindíssimas que ele fez em Londres. Quando ele foi falar comigo, não lhe pedi nada. Só lhe disse que precisava desta casa. Ele acompanhou-me na visita a uma exposição na Tate Britain e, se calhar, percebeu o que era tudo aquilo, toda aquela mistura de imaginação, de histórias. O que imagina para esta casa? Primeiro, isto parece pedantismo, mas o meu desejo é que continue a estimular a imaginação de todos. Depois, gostava, se possível, de manter a nossa tradição oral. A nossa tradição oral é Portugal. Vai-se perdendo, mas ainda aparece nas telenovelas, por exemplo. Vê muita televisão? Três ou quatro coisas. Vejo o que gosto. Prefiro ler. Quando se entra num livro, é maravilhoso. Para isso, é preciso tempo. A gente chega à noite cansada e cai a dormir. Passo o dia no ateliê. Vou sempre no bus 46. Gosto muito, porque neste bus há muitas nacionalidades diferentes. Tudo o que se possa imaginar está lá. Gosto disso. Está satisfeita com as obras escolhidas para a exposição temporária? São das melhores coisas que tenho feito. Acho eu, mas já não me lembro. Se calhar, já não gosto. A gente deixa de gostar das coisas. Há uma ou duas que são muito importantes, porque são milagrosas. É "O Anjo" e também "As Criadas". "O Anjo" pertence mesmo à Fundação. Ofereci à Câmara de Cascais um exemplar de todas as minhas gravuras, mesmo as que não estão editadas. Há algumas de que só tenho um exemplar de cada, mas mesmo essas vieram para Cascais. Ofereci também uns desenhos antigos, e depois há os quadros, que são da minha família. Também estarão cá alguns modelos, como a árvore das pilas caídas, as cabeças dos coelhos ou o "Pillow Man". Pintar sempre cansa-a? Absolutamente o contrário. O que mais gosto de fazer não é pintar. Gosto mais de desenhar. Tenho um modelo, a Lila. Quando chega a altura de começar a trabalhar, há um prazer enorme em fazer coisas com o lápis ou com o pastel. Adoro riscar o papel. Isso não é um prazer como estar a comer bolos de nata. É outra coisa. Não é fácil desenhar, porque resulta de uma constante observação. Não há nada que não seja observado. Não há nada que seja gratuito. Detesto expressionismo. Tudo é feito com a maior atenção. Acabo de fazer uma coisa e, se vejo que está parecida com o que está à minha frente, fico contente. Depois mudam-se umas coisas, anda-se à procura do segredo daquilo. Posso desenhar a sua cara, por exemplo, mas a sua cara tem muitos aspectos e muitas histórias. É isso profundamente que me interessa. Pede especificamente as posições do modelo? Especificamente, indico qual é a posição necessária para ilustrar a história. Se não está bem, digo-lhe para dar um jeito. A Lila dá um jeito qualquer e fica melhor. Há uma colaboração, porque trabalhamos juntas há muitos anos. Que história está a contar neste momento? Acabei de fazer um oratório para um orfanato inglês. Tem 2,85 metros de altura. Não tem nada de religioso. Abrem-se as portas e tem uma violação, uma criança a nascer à luz da lua. Do lado direito há alguém a atirar uma criança da janela abaixo, depois há uma criança a ser atirada ao poço e alguém a dançar com a morte. No meio daquilo estão figuras feitas por mim. Uma é parecida com a minha filha quando era mais pequena, outra é a prima Manela. Noutra está uma rapariga a dar a maminha ao menino, porque eles não tinham carinho nenhum. Ela tinha 12 anos e deu-lhe a maminha para o confortar. A proximidade da inauguração deixa-a ansiosa? Claro. Isto não é uma exposição. É um Carnaval. É uma festa! Uma exposição é muito interessante, mas não tem nada a ver com isto. A abertura desta casa é uma festa. Neste momento, estou um pouco nervosa. É natural. No dia da inauguração ainda será pior, por tudo o que é preciso fazer. Texto publicado no Actual da edição do Expresso de 7 de Junho de 2008 in http://aeiou.expresso.pt/historias-de-paula-rego=f532124
-
O ministro da Cultura explicou que a medalha pretende ser "um agradecimento a Siza Vieira, por fazer o que faz, e sobretudo por ser quem é" Arquitecto Siza Vieira homenageado em Leça da Palmeira Siza: Medalha de mérito atribuída a arquitectos devia ser "medalha de resistência cultural" 28.08.2009 - 17h45 Lusa O arquitecto Álvaro Siza Vieira disse hoje, em Leça da Palmeira, que a medalha de mérito cultural que recebeu, quando atribuída a arquitectos, devia chamar-se "medalha de resistência cultural". O arquitecto falava depois de ter recebido a medalha atribuída pelo ministro da Cultura, numa cerimónia que decorreu no primeiro edifício público projectado pelo arquitecto, a Casa de Chá da Boa Nova, situada em Leça da Palmeira (Matosinhos). "Isto sensibiliza-me muito, ainda mais porque esta cerimónia é feita na minha terra, no primeiro edifício público que desenhei, numa zona a que estou muito ligado, como projectista, mas também humanamente, porque vinha aqui tomar banho muitas vezes, noutras alturas", disse Álvaro Siza Vieira, em declarações aos jornalistas. A ocasião serviu, também, para o arquitecto lembrar que a obra devia ter sido feita por Fernando Távora. "Antes disto tinha feito umas três casinhas em Matosinhos. Esta foi a primeira obra pública importante, feita em circunstâncias muito especiais: foi feito um concurso e o arquitecto Távora, com quem eu trabalhava, teve de se ausentar e disse aos colaboradores, tudo gente nova, vocês façam que eu assino. Assim foi feito", recordou Siza Vieira. O ministro da Cultura explicou que a medalha pretende ser "um agradecimento a Siza Vieira, por fazer o que faz, e sobretudo por ser quem é". Pinto Ribeiro teve em conta o contributo do arquitecto para a arquitectura e a arte, "o papel criativo extraordinário", mas, também, o facto de Siza ser uma pessoa "muito preocupada socialmente". O cineasta Manoel de Oliveira foi uma das personalidades convidadas para estar presente na cerimónia de homenagem a Siza Vieira e fez saber que pretende filmar as suas obras. "É um jovem. Eu, ao pé dele, sinto-me cansado. A última vez que estivemos juntos disse-me: Vamos pelo mundo fora, eu filmo e conversamos. Eu fiquei preocupado e disse 'mas isso é muito longe'. Ele perguntou 'E depois? É para isso que servem os aviões. Eu devo ter ficado ainda mais preocupado e ele disse 'Não se preocupe, eu tenho dois filmes a fazer antes, o seu será só depois'", descreveu o arquitecto. Manoel de Oliveira confirmou, aos jornalistas, que "gostava que fosse possível" fazer um filme sobre a obra de Siza Vieira, adiantando que "a ideia é precisa", falta é a acertar a possibilidade de avançar com o projecto, que, alertou, é preciso financiamento. O cineasta já recebeu a medalha de mérito cultural que hoje foi entregue a Siza Vieira, mas fez questão de elogiar o arquitecto. "Já recebi, com menos mérito do que Siza Vieira, que admiro muito e que é um homem extraordinário, reconhecido em todo o mundo. Eu ando um pouco à roda disso, mas um pouco mais por baixo", afirmou. in http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1398191&idCanal=14
