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NOTAS SOBRE PROJECTOS, ESPAÇOS, VIVÊNCIAS LIZÁ RAMALHO E ARTUR REBELO (R2) 2009-02-18 «...os espaços multiplicaram-se, fragmentaram-se e diversificaram-se. Existem de todos os tamanhos e de todas as espécies, para todos os usos e para todas as funções. Viver, é passar de um espaço para outro, tentando o mais possível não esbarrar.» — Georges Perec, Espèces d’espaces. Na sequência do trabalho que temos vindo a desenvolver para arquitectos e de projectos de comunicação visual relacionados com o espaço, seguem-se algumas reflexões. Paisagem, encontro, referência Já fora de Lisboa, num desvio no caminho, e sem procurarmos nada em concreto, demos com um descampado e duas barracas. Nesse vazio de vegetação, um pai tinha alinhado computadores obsoletos e televisores velhos. Estes formavam uma estação de trabalho com 5 postos, sem possível ligação à corrente eléctrica, para os seus filhos brincarem. Erraticamente, noutro desvio, encontramos um «a» minúsculo à beira da estrada, na realidade uma peça industrial, ali abandonada. Um «a» verdadeiramente gigante para quem compõe diariamente «a»s, com cerca de 9 pontos para texto corrido. Também ele no meio do nada e à beira da estrada, inesperado naquele espaço, um volume contornável, escalável, imponente e bruto. Noutras pesquisas tivemos igual sorte nos achados. Como o que aconteceu numa incursão à morgue de um conhecido hospital nacional. Percorrendo os seus corredores sombrios, entrámos numa das mais sinistras câmaras. Definindo a parede, um quadro de giz pregado para o registo da autópsia e, suspensos, um crucifixo e uma serra eléctrica. É nestas paisagens, nem sempre descampadas, que encontramos perguntas e respostas para muitos dos projectos que desenvolvemos. São para nós deliciosos espaços, contentores ocupados que nos alimentam num diálogo entre vernacular, insólito, desordem e rigor, grelha, estrutura. Espaços e experiências que contaminam os nossos projectos e a nossa vida. Espaços habitados, interpretados, acasos, levaram-nos a encontrar preciosidades que coleccionamos quando a escala, o material e a propriedade o permitem. Tipografia, matéria, textura Os projectos constroem-se sobre diálogos permanentes que reenviam sistematicamente ao olhar crítico do outro. Com o conteúdo do projecto como ponto de partida, procuramos traduções com diferentes doses de interpretação, racionalidade e intuição. A envolvência impregna o nosso trabalho, opera associações e por vezes faz-nos integrar realidades e objectos, encontros na vida e no projecto, intencionais ou frutos do acaso. Coisas coleccionadas e analisadas, objectos descontextualizados, transformados, ajustados, desviados, alavancas de uma nova abordagem. Procuramos por vezes conferir materialidade à tipografia, a matéria dos espaços e dos objectos que nos rodeiam. No cartaz desenhado para a peça de teatro Molly Bloom de James Joyce, utilizamos tipografia recolhida em diversos tecidos. Recorremos à textura e à forma das letras bordadas para conferir volume às palavras que jorram do interior de Molly. Esta materialidade foi também explorada na série de cartazes desenvolvidos para a divulgação da exposição Reunião de Obra (1), como derivação do conceito do projecto. Com enfoque na importância da passagem do projecto à execução, a tradução visual do evento no cartaz passou pela utilização dos materiais de construção e o desenho do projecto. Tratando-se de uma série, fez-se o levantamento sistemático de materiais representativos de cada Reunião de Obra (2), com os quais se procurou construir texto. Na instalação que concebemos para a fachada da Ermida Nossa Senhora da Conceição (3), agora transformada numa pequena galeria, as letras ganham textura; aqui, a tipografia não sugere apenas volume – ela é de facto tridimensional. O conceito desta intervenção centrou-se na anterior função daquele espaço, que passou de local de culto a galeria. Cobrimos a parede da fachada com expressões características de uma oralidade tão religiosa quanto quotidiana, evocações nem sempre conscientes de uma divindade omnisciente e omnipresente. Através desta intervenção, tanto expressões como divindade regressam ao local onde antes convergiram, agora no seu imperecível muro. O acabamento do texto composto no tipo de letra Knockout (4) tem a mesma materialidade da fachada (pintada de branco para o efeito), dando a sensação que o texto, como que empurrado do interior do templo, surge da capela para a rua. Escala, reprodução, projecto técnico A reprodução de projectos de arquitectura em formatos mais pequenos (como acontece nas publicações) obriga a uma simplificação e um redimensionamento das espessuras das linhas. O desenho técnico do projecto reproduzido num livro chega a sofrer reduções na ordem dos seiscentos por cento. O tratamento do desenho implica que o traço mais fino tenha, para impressão em offset, pelo menos 0.5 pontos, indo até aos 0.4 se for computer to plate (5). No processo de impressão serigráfica, utilizado para os cartazes de rua, a linha mais fina não poderá ter menos de 0,71 pontos. No catálogo que acompanhava a exposição de Raoul De Keyser (6) reflectimos de uma forma mais incisiva sobre como poderíamos manter uma relação mais próxima entre a real variação das proporções das obras reproduzidas ao longo desta publicação. A amplitude de tamanhos e escalas entre elas impedia uma óbvia redução proporcional. A solução encontrada assentou num agrupamento de obras de acordo com a sua dimensão, tendo cada conjunto uma redução correspondente. Na capa, um pormenor de uma das pinturas é apresentado à escala real. Noutros casos, como no cartaz Boca (7), procurando um certo efeito de estranheza e simultaneamente de proximidade, ampliámos aproximadamente novecentos por cento a imagem de duas bocas tocando-se levemente. Tanto o conteúdo, como a escala da imagem, reforçaram os diálogos estabelecidos entre esta e a cidade nas paredes, tapumes e janelas cimentadas onde o cartaz foi afixado. Aqui, é o contexto que, por oposição, acrescenta significado à imagem. Letra, signo, edifício Adrian Frutiger refere frequentemente a proximidade existente entre a arquitectura e a tipografia. No prefácio do livro sobre a obra do arquitecto Paul Andreu (8), Frutiger menciona esse tema como recorrente na colaboração de ambos para o projecto do Aeroporto de Charles de Gaulle. O seu é apenas um exemplo da linguagem comum entre tipógrafos e arquitectos; como refere Félix Studinka (9), ambos falam sobre grelhas e estratificação, proporção e estabilidade visível, e como organizar o preto e o branco. Foi também essa proximidade que contribuiu para um I Love Távora inteiramente tipográfico. O evento que publicitou devia o seu nome ao próprio arquitecto Fernando Távora que, enquanto docente, concebeu uma t-shirt com estas palavras para que os seus alunos e outros interessados a adquirissem. No cartaz, recorremos a caracteres e outras peças tipográficas que, como se de edifícios se tratassem, procuram evocar um plano urbanístico onde se pode também ler um coração. No desenvolvimento de símbolos para identidades visuais para arquitectura, tivemos projectos em que utilizamos referências ao edifício. Por mera coincidência, dois deles desenhados pelo arquitecto Álvaro Siza: o Pavilhão de Portugal, para a Trienal de Arquitectura de Lisboa e o Conjunto Habitacional da Bouça no Porto, para o Atelier da Bouça. Na Trienal, partimos da forma do edifício sendo que durante o processo de investigação experimentamos uma aproximação que traduzisse de forma mais literal a «pala» do Pavilhão de Portugal. Contudo, uma maior abstracção revelou-se mais eficaz: a evocação à existência da pala é feita através de um reforço ao braço do «T», conferindo mais carácter ao símbolo. A forma é um híbrido – parte letra, parte edifício – que nasce de uma sugestão da forma do Pavilhão ao integrar igualmente as letras «T» e «L» de Trienal de Lisboa. A problemática da representação de um edifício em projectos de identidade visual tem particular interesse no caso do Centre Georges Pompidou (10). O símbolo da instituição, inspirado na fachada do edifício onde se destacam as escadas mecânicas, foi interpretado em 1977 por Jean Widmer. A primeira proposta apresentada – e recusada – não traduzia literalmente os pisos existentes, procurando um equilíbrio próprio. A forma inicial foi então substituída por uma versão menos abstracta do símbolo, reflectindo os 5 pisos reais do edifício. Percurso, inventário, cartografia A nossa foi a penúltima de uma série de onze intervenções no edifício da Casa da Música realizadas por designers, arquitectos e artistas portugueses (11). Não incidiu numa das suas salas em particular, mas concentrou-se nos vários espaços e percursos do edifício. Iniciámos duas análises distintas: por um lado, procurámos trajectórias e percursos; por outro, quisemos encontrar uma apreciação emocional das diversas salas por parte dos seus visitantes. Questionámos os trajectos usuais, propondo novas formas de descobrir estes espaços, organizados por ordem alfabética, escala, lotação, cor... Inventariámos, classificámos, contextualizámos; estabelecemos relações entre construído e o habitado. Cartografámos os seus conteúdos e as experiências que proporcionaram aos seus visitantes, representadas de diversas formas em séries inacabadas de «partituras» de dados. Os dados recolhidos foram apresentados sob forma de um livro aberto em cada degrau da escadaria norte da Casa da Música. Parte do conteúdo de cada dupla página contaminava as paredes e listava as palavras obtidas, em questionários aos visitantes (12), para caracterizar cada um dos espaços. Edifício, signo, intersecção Há edifícios que se deixam contaminar literalmente pelo seu conteúdo: o Pato de Long Island (13) é o ex-libris dessa categoria. Outros podem representar para os designers um espaço incontornável na procura de uma marca gráfica, como explica Stefan Sagmeister sobre a imagem que desenvolveu para a Casa da Música (14). Este refere que, por mais que se tentasse afastar do edifício de Koolhaas, todos os seus desenvolvimentos lhe pareciam arbitrários face à forma única deste edifício. Em oposição, a sede da Citröen nos Campos Elísios, projectada por Manuelle Gautrand, é sugerida pela marca gráfica originalmente desenhada por André Citröen. Em alguns casos, a intervenção gráfica num espaço pode ser tão essencial que, sem ela, todo o edifício que o proporciona perderia; um exemplo disso é a Printshop Veenman, projectada por Neutelings Riedijk Architects e com intervenção gráfica de Karel Martens. Tradicionalmente, o designer de comunicação – como refere Ellen Lupton (15) – enquadra os espaços, sítios e objectos e torna-os legíveis, funcionando como mediador. A contribuição actual à reflexão do espaço e da arquitectura por parte de alguns designers esteve patente na exposição Forms of Inquiry (16), cuja itinerância teve início na Architectural Association em Londres em Outubro de 2007. Entre outras coisas, esta exposição apresentou explorações críticas de vários designers face às problemáticas do espaço e da sua representação.(17) Apesar de desenharmos para diferentes funções, partilhamos a mesma linguagem. É essa linguagem comum que torna possível uma colaboração próxima e um diálogo profundo entre designers e arquitectos. É dela que nasce a discussão sobre o interesse mútuo das duas profissões. E é nos territórios partilhados, assim como nas intersecções do espaço urbano, que juntos abrimos novas perspectivas. Lizá Ramalho e Artur Rebelo Licenciados em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes Universidade Porto. Têm um Diploma de Estudos Avançados pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Barcelona. Em 1995 fundaram o atelier R2 Design, no Porto, onde têm desenvolvido projectos de design de comunicação visual. Membros da AGI—Alliance Graphique Internationale desde 2007. NOTAS (1) Série de exposições realizadas pela Ordem dos Arquitectos Secção Regional Norte. Reunião de Obra nº1: arquitectos Fernando Távora + José Bernardo Távora, 15 Dezembro 2005 a 12 Março 2006; Reunião de Obra nº2: arquitecto José Paulo dos Santos, 30 Março a 21 Maio 2006; Reunião de Obra nº3: Atelier Guedes+deCampos 29 Junho a 17 Setembro 2006; Reunião de Obra nº4: arquitecto Álvaro Siza Vieira com arquitecto António Madureira, 30 Outubro 2006 a 14 Janeiro 2007, Reunião de Obra nº5: arquitecto Eduardo Souto de Moura, 9 a 29 de Abril 2007. (2) À excepção da Reunião de Obra nº1, por se tratar do primeiro evento, recorremos a um elemento generalista. (3) Situada na Travessa Marta Pinto em Lisboa, reabriu como galeria em 2008. (4) Família de tipos desenhada por Hoefler & Frere Jones. (5) Tecnologia de impressão mais moderna que permite passar directamente de um ficheiro criado digitalmente para a impressão da chapa de offset. (6) LOOCK, Ulrich, Raoul De Keyser, Fundação de Serralves, 2005. (7) Cartaz desenhado em 2004 para o Teatro Bruto, com base numa fotografia original de Marco Maurício. (8) ANDREU, Paul; JODIDIO, Philip; FRUTIGER, Adrian, «A Building, a typeface», Paul Andreu, Architect, Birkhäuser, 2004, 6-7. (9) STUDINKA, Félix, Poster Collection: Typotecture, Typography as Architectural Imagery. Museum fur Gestaltung Zurich & Lars Muller Publishers, 2002, 5. (10) SMET, Catherine de «Histoire d’un rectangle rayé», Les Cahiers du Musée national d’art moderne, Édition du Centre Georges Pompidou, 2004, 4-23. (11) Nuno Grande, Ricardo Jacinto, Flúor, Pedro Bandeira, Luísa Cunha, Pedrita, as*, Fernanda Fragateiro, Miguel Palma e Filipe Alarcão são os autores das outras intervenções. (12) Questionários realizados entre Setembro e Outubro 2007, a 106 visitantes. Foram analisados os seguintes espaços: Cybermúsica; Entrada; Sala 2; Sala Laranja; Sala Renascença; Sala Roxa; Sala Suggia; Sala VIP; Terraço. (13) VENTURI, Robert; IZENOUR, Steven; BROWN, Denise Scott – Aprendiendo de Las Vegas: El simbolismo olvidado de la forma arquitectónica. 2ª ed. Barcelona: Editorial Gustavo Gili S.A., 1982. (14) RAMALHO, Lizá, «Un logo, des locaux», Étapes França nº148, 2007, 52-56. (15) LUPTON, Ellen; MILLER, J. Abbott , «Critical Wayfinding», The Edge of the Millennium,. ed. Susan Yelavich. New York: Whitney Library of Design, 1993, 220-232. (16) KYES, Zak; OWENS, Mark – Forms of Inquiry: The Architecture of Critical Graphic Design. London: Architectural Association Publications, 2007. (17) Entre os projectos apresentados, destacamos a interpretação gráfica da capela de Notre Dame du Haut (ou Ronchamp) de Le Corbusier, por Karel Martens e David Bennewith para a Architectural Association em Londres. in http://artecapital.net/arq_des.php?ref=45
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ESTRATÉGIA PARA HABITAÇÃO EVOLUTIVA – ÍNDIA FILIPE BALESTRA 2009-10-01 Estava frio em Estocolmo. O orador era um senhor indiano, ícone incontornável do desenvolvimento do terceiro mundo. Jockin Arputham [www.tinyurl.com/y89u8mz] contou histórias sobre morar em Dharavi - o maior bairro de lata do planeta, situado no centro de Bombaim - e descreveu como é que se cresce num espaço onde é necessário dividir uma sanita com quatrocentas pessoas. No fim da palestra, apresentei-me a Arputham e desenhámos paralelos entre o Brasil e a Índia. Contei-lhe a história de Sambarquitectura, o meu projecto de fim de curso de arquitectura que consta de um processo participativo de arquitectura e construção de uma escola e centro social na Rocinha, uma das favelas do Rio de Janeiro. Arputham convidou-me a ir para a Índia ajudar a sua ONG, chamada SPARC [www.sparcindia.org], para desenvolver projectos de habitação. Meses mais tarde, e com Sara Göransson, conheci Sheela Patel [www.tinyurl.com/yd7v58v], partner de Arputham, na conferência Informal Cities, que se realizou em Setembro de 2008. Foi Patel quem nos deu a luz verde para viajarmos até Bombaim para desenvolvermos uma estratégia para habitação evolutiva destinada aos bairros de lata no centro de cidades. A estratégia teria que ser implementável em diversas cidades para beneficiar o maior número de pessoas possível. Segundo Patel, a estratégia não teria qualquer valor se precisasse dos arquitectos para sobreviver; teria sim, de ser suficientemente simples para ser levada a cabo pelas comunidades, sem ajuda de arquitectos. Eu já tinha passado pela experiência de desenhar e construir a tal escola na Rocinha, num processo participativo que envolvia membros da comunidade local. Sara Göransson trabalhara exaustivamente numa estratégia que controla e estrutura o crescimento de Estocolmo, unindo subúrbios segregados, fintando florestas, lagos e outras riquezas naturais. Göransson chamou a esse trabalho Lo-Glo, o qual é, neste momento, referência pelas autoridades locais, para o corrente Plano Director de Estocolmo. Projectos anteriores de melhoramento de bairros de lata em todo o mundo envolveram a demolição de bairros inteiros, seguidos ou de uma construção de blocos de habitação social repetitivos e impessoais, ou do expulsar das comunidades do local onde sempre moraram para subúrbios distantes da sua zona de trabalho. Esta forma de extirpar comunidades que residiram no mesmo local durante décadas traz aos moradores, não só o desemprego, como também o fim de alguma segurança construída a longo prazo com a amizade entre vizinhos. Quem vê de fora, tende a olhar os bairros de lata como uma parte infectada da cidade, um erro que deve ser apagado com medo de um contágio aparente. O antropólogo Rahul Srivastava e o urbanista Matias Enchanove explicam este fenómeno em “Mess is More” constatando que a psicologia humana rejeita o que não consegue compreender. Só estando no terreno, a ouvir os moradores, conseguimos desenrolar, processar e compreender todas as camadas de informação justapostas e este contexto de hiper-densidade social. Este compromisso de humildade, amizade e confiança crescente são as raízes do processo de arquitectura participativa. O projecto-piloto começou em Netaji Nagar, uma fatia de um grande bairro de lata chamado Yerawada, situado dentro da cidade de Pune, a 180 quilómetros de Bombaim. Netaji Nagar nasceu quando uma comunidade foi forçada a sair de um terreno onde se havia decidido que iria nascer um hospital. Netaji Nagar tem hoje 40 anos de idade. Dentro destas aldeias urbanas, as casas podem ser ou Kacchas ou Puccas. As Kacchas são estruturas frágeis de carácter temporário, construídas com chapas metálicas, tijolos de baixa qualidade e outros materiais improvisados. Nelas há falta de iluminação e de ventilação natural. A atmosfera interior é brutalmente quente durante o dia, sistema que se inverte durante a noite devido à falta de isolamento térmico numa chapa metálica que faz simultaneamente de parede e telhado. Estas casas, com cerca de 12 metros quadrados de implantação, também não têm nem casa de banho, nem água. Mesmo assim, numa delas, podem morar várias pessoas, apertadas num só compartimento. As Puccas são casas de carácter permanente, bem construídas, com betão armado e tijolos de boa qualidade. Estas casas podem ter ocasionalmente casa de banho e cozinha. No Netaji Nagar, existem 106 Kacchas e 109 Puccas. Famílias sem instalações sanitárias dentro de casa têm que usar “casas de banho comunitárias” - um edifício com sanitários de senhoras, homens, e um apartamento para o encarregado de limpeza e sua família. No Netaji Nagar, há pessoas que tomam duche todos os dias de manhã em plena rua, porque não existe nem espaço nem condições para o tomar em casa. A água é aquecida no fogo, que por sua vez é feito com ramos secos e lixo. As mulheres cozinham e lavam a roupa no chão em frente às suas casas, transformando meras ruelas em espaços intensamente sociais, nos quais múltiplas funções coexistem. Estas ruas são demasiado estreitas para passar um carro, mas suficientemente largas para passar um rickshaw, uma moto ou uma vaca. A maior parte das pessoas tem empregos temporários, sem contrato. Ganham para o dia, para a semana ou, mais raramente, para o mês. Aqui, não se sabe como vai ser o Futuro. Devido à falta de programas de integração e à densidade da população indiana, no contexto do êxodo rural, as famílias que migram do campo para a cidade acabam por repetir os padrões de comportamento que anteriormente tinham: trazem cabras, vacas e galinhas para morar naquelas ruas estreitas, adicionando assim mais uma camada de vida naquele espaço conturbado. Os animais famintos mastigam, engolem e digerem o lixo local, que é uma mistura de orgânicos e recicláveis. Vi uma galinha a fugir de um cão. Os animais passam fome. As pessoas também. Dois meses depois de termos caminhado nas ruas de Bombaim e Pune, e de iniciarmos o processo, uma equipa internacional de arquitectos, urbanistas, um arquitecto paisagista e uma designer gráfica juntaram-se a nós para, voluntariamente, trabalhar para essas comunidades carentes, dedicando, tal como nós, uma fase das suas vidas para aqueles que não podem pagar o serviço de arquitectos. Ao Martinho Pitta, Carolina Cantante, Guilherme de Bivar, Rafael Balestra, Remi Turquin e Marta Pavão, agradecimentos eternos. Os moradores locais aceitaram a nossa presença, acreditaram no nosso trabalho e foram muitíssimo positivos durante todo o processo: convidavam-nos constantemente a entrar em suas casas para beber chai e conversar um pouco mais sobre o projecto, os seus problemas e soluções. Após termos começado em simultâneo a pesquisa e a arquitectura participativa, o governo central da Índia lançou uma bolsa denominada Basic Services for the Urban Poor (BSUP) para apoiar a reabilitação in situ dos bairros de lata localizados dentro de cidades, em terrenos do estado. Esta bolsa nasceu parcialmente de negociações entre o governo central, Jockin e Sheela, com membros de Mahila Milan (Mulheres Unidas), uma rede social de grupos de poupança dirigida por mulheres, moradoras de bairros de lata. O foco de trabalho de Mahila Milan é também a habitação social e a infra-estrutura. Um subsídio de 4500€ seria dado a famílias que morassem em casas Kaccha, interessadas em melhorar as suas habitações. Os beneficiários elegíveis teriam que contribuir com 10% do valor da casa. O governo comprometeu-se a fornecer serviços básicos como água, esgoto, drenagem de água da chuva e electricidade, antes de começar a construção das casas propriamente ditas. Com esta atitude, o objectivo do governo é melhorar os bairros de lata de maneira a que estes possam ser aceites como bairros formais e permanentes, dentro da cidade. Numa primeira fase, na cidade de Pune, cerca de 4000 famílias beneficiarão desta bolsa. Um processo sustentável como este, para o melhoramento de habitações existentes, só é possível com a participação dos moradores. Esta colaboração é mobilizada pelas mulheres líderes comunitárias do grupo Mahila Milan, que informam todas as famílias sobre a bolsa, fazem pesquisas, inquéritos, levantamentos, conduzem workshops de arquitectura em hindi e ensinam métodos de construção aos moradores. “Na ausência de um grupo como Mahila Milan, os arquitectos estariam limitados a falar com homens, particularmente aqueles com poder local, que iriam optar por questões de interesse financeiro. Não seria possível para arquitectos organizar uma comunidade de uma forma que possibilita a sua própria participação profunda, os locais não teriam capacidades ou sistemas para completar mapas e inquéritos, receber contribuições dos beneficiários e administrar a construção. Quando o arquitecto saísse, no fim do projecto, o processo iria acabar em vez de aumentar de escala.” (Katia Savchuk) A nossa proposta é o resultado de inúmeras reuniões e workshops com os moradores e políticos das comunidades, durante as quais ideias foram formuladas, desenvolvidas e aprovadas. Neste diálogo, usaram-se instrumentos tradicionais como desenhos em perspectiva e maquetas. O processo da equipa envolveu apresentações diárias a moradores, líderes comunitários, políticos, engenheiros e construtores. A estratégia desenvolvida abrange não só o interior das habitações e o respectivo exterior, mas também a aldeia urbana como um todo. Incluiu-se o ajuste das implantações de algumas casas para serem criados mais espaços abertos - para a descompressão e a união - ou para que ruas, demasiado estreitas, pudessem ser alargadas para desasfixiarem-se os fluxos pedonais de motos, de rickshaws, de bicicletas e de gado. Observando as tipologias existentes em Yerawada, e com algumas memórias e aprendizados de meses a “ler” a arquitectura informal da favela da Rocinha, desenvolvemos três protótipos. Estes deviam, para além de ser apropriados à realidade local, oferecer estruturas que pudessem ser aumentadas legalmente no futuro e customizadas pelas necessidades específicas de cada família. De acordo com as regras da bolsa BSUP, a área mínima para cada casa teria que ter 25 metros quadrados. A casa A é uma casa tradicional em dois pisos, cuja estrutura está preparada para receber três pisos. Esta casa permite, à família que lá mora, aumentar verticalmente um andar sem risco de colapso. A casa B é uma casa de três pisos, cujo rés-do-chão está propositadamente vazio. Este vazio pode ser usado para guardar animais, como garagem de rickshaw, como lavandaria, ou pode ainda ser fechado para dar lugar a uma loja ou mais um quarto. A casa C é também uma estrutura com três pisos; esta, porém, tem o vazio no segundo andar. Este vazio serve de varanda social, oficina ao ar livre ou espaço para secar roupa, até ao dia em que a família quiser construir quatro paredes para transformar o vazio em mais um compartimento. Estes conceitos foram desenvolvidos numa “técnica de quatro pilares“ para estruturar cada casa. Assim, depois da demolição da casa Kaccha, inicia-se a construção da nova Pucca. Depois de construída a fundação, cada coluna é colocada num dos cantos da implantação, que tem quase sempre uma forma de trapézio irregular. Se existirem, lado a lado, mais de uma casa Kaccha, partilhar-se-ão a estrutura, as paredes e a infra-estrutura, reduzindo-se assim o custo de construção de cada casa. Os fundos poupados neste processo serão calculados de um modo transparente para melhorar as instalações do bairro de acordo com a vontade da comunidade. Depois de serem construídas instalações sanitárias em todas as casas, os edifícios de casas de banho comunitárias poderão ser demolidos, por já não haver necessidade de uso. Consequentemente, propusemos a manutenção desses espaços, como novos pátios, tão necessários para a reunião de moradores, para as crianças jogarem cricket, para casamentos e outros eventos. Porque existem famílias sem possibilidade de contribuir financeiramente com os 10% necessários para ganhar a bolsa BSUP, foram criadas alternativas para este pagamento. O envolvimento das famílias na demolição da Kaccha existente, no processo de construção, na escolha da cor da tinta e da pintura da casa, assim como a escolha da cerâmica do piso e sua colocação, são possibilidades de alternativas de pagamento. Particularmente na Índia, o poder escolher a cor é, para as famílias, algo de muito importante. Esperamos que este processo de construção participativa leve a arquitectura a ser personalizada - dentro dos restritivos parâmetros de espaço e budget que caracterizam o projecto - e que o carácter tradicional da arquitectura informal e criativa das aldeias urbanas se mantenha: que as casas sejam todas diferentes. Para as pessoas que não podem contribuir com trabalho durante a obra ou com dinheiro, ser-lhes-á proporcionado um empréstimo bancário. Os beneficiários serão ensinados pelas Mahila Milan a monitorarem a construção: a contar o número de ferros em cada pilar de betão armado, a testar a qualidade do betão e dos tijolos, para terem a certeza de que os construtores fazem um trabalho correcto. Durante este período, os moradores serão alojados em instalações temporárias. No caso do projecto-piloto em Netaji Nagar, já foi autorizado por Praveen Pardeshi, o uso de um armazém abandonado no bairro. Depois do projecto ter terminado, os beneficiários irão receber um certificado de ocupação pela Câmara Municipal de Pune. O projecto-piloto desta estratégia para habitação evolutiva está, neste momento, a ser implementado formalmente pela SPARC e Mahila Milan, com o suporte técnico do arquitecto local e director da Universidade de Arquitectura de Pune, Prasanna Desai. Desde a universidade, em Edimburgo, eu e a Sara Göransson defendemos a vivência no terreno como a verdadeira fonte de ideias autênticas: para aprender neste contexto é essencial trabalhar fora do escritório. Se os pintores impressionistas tiveram a necessidade de inventar uma nova técnica por terem resolvido sair dos estúdios para pintar ao ar livre, talvez os arquitectos possam também descobrir novos horizontes fora do atelier… A rua é o espelho da cidade. Filipe Balestra Arquitecto (Rio de Janeiro, 1981). Mestre pelo Royal Institute of Technology em Estocolmo, Bacharel pelo Edinburgh College of Art. Depois de ter tido experiência profissional em Sandellsandberg, Office for Metropolitan Architecture (OMA+AMO), Neutelings-Riedijk, NL architects e Regino Cruz Arquitectos, Filipe Balestra é co-fundador da empresa Urbanouveau [www.urbanouveau.com]. in http://artecapital.net/arq_des.php?ref=53
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AS CORES DA COR CRISTINA PINHEIRO 2008-03-01 As Cores da Cor “Tal como a pele sobre a ossatura, a cor reveste a ordem racional da estrutura. Por vezes destaca-se com a evidência imediata da percepção, ocultando-a. Outras vezes, pelo contrário, acompanha a estrutura revelando-a. As vicissitudes desta dupla, às vezes harmoniosa outras vezes em desacordo, cruzam toda a história da Arquitectura” (1). Habitamos casas com cor, percorremos ruas com cor, vestimos cor, estamos rodeados de objectos coloridos; de tal forma a cor faz parte do nosso ambiente visual, que a vemos, sem muitas vezes repararmos verdadeiramente nela. No entanto, a cor transforma os espaços e a percepção que temos deles, modela a paisagem, transforma a fisionomia das cidades, e faz parte integrante da imagem e da identidade do espaço urbano. No percurso do meu curso de Mestrado em Cor na Arquitectura, (FA.UTL), tivemos que inquirir (sobre cor) alunos dos cursos de Arquitectura e de Design, futuros profissionais que mais tarde iriam aplicar cor nos seus projectos. Foi com alguma surpresa que verificamos a estranheza com que reagiram às questões colocadas. Foi também evidente o quase desconhecimento dos vários aspectos relacionados com a cor e com a sua aplicação prática. E que dizer então dos aspectos muito mais desconhecidos como os efeitos psicofisiológicos da luz e da cor sobre as pessoas... Estávamos a falar de coisas longínquas... e à data (2002) ainda não existia nenhuma disciplina em que se estudasse mais profundamente a Cor, como penso que agora se faz. Mesmo no IADE, onde já se estudava, embora não numa disciplina autónoma como hoje existe, os alunos inquiridos também não foram muito seguros nas suas respostas. Segundo Harald Küppers (2002), 80% das informações que o ser humano recebe são de natureza visual, e dessas, supõe-se que 40% se referem à cor, o que ajuda a perceber a sua importância, seja como meio portador de informação, seja como manifestação estética (2). A capacidade de poder compreender o fenómeno da Cor em toda a sua multidisciplinaridade foi talvez a maior riqueza que um percurso deste nível me conseguiu trazer. Em pouco tempo percebemos como a cor era complexa, como havia ainda tanto para aprender, e que noutros países onde há muito se estudava o assunto, existiam grupos e associações que investigavam a cor, e a estudavam em toda a sua multidisciplinaridade (estética, arte, física (luz e radiações coloridas), química e pigmentos, medicina, oftalmologia (mecanismo da visão das cores), ciência, psicologia, filosofia), assim como estudavam as teorias que ao longo dos tempos se foram formulando sobre o assunto. Ainda no curso conheci a obra de Jean-Philippe Lenclos e a sua metodologia, tão pessoal, de recolha de amostras de rochas, de pigmentos e materiais naturais locais, com as cores características da zona onde depois vai desenvolver os seus projectos cromáticos. Foi importante também neste percurso, o modo como Frank Manhke nos transmitiu as suas preocupações sobre como a cor afecta os seres humanos, como influencia o funcionamento do nosso organismo, e de como as decisões cromáticas e as próprias cores, podem ser tudo menos neutras. Sempre insistindo que as reacções humanas à cor não mudam nos seus aspectos simbólicos, associativos, emocionais, sinestésicos, fisiológicos, neuropsicológicos, psico-somáticos, de ergonomia visual, etc; que a criação de um bom ambiente e plano cromático é completamente independente das tendências ou das modas que mudam de ano para ano. A cor, sendo uma percepção sensorial causada por certos tipos de luz, é recebida pelo olho, reconhecida e depois interpretada pelo cérebro. Quando os raios luminosos atingem as células da retina geram-se impulsos eléctricos, que são conduzidos através do nervo óptico ao cérebro. Ao activar as ondas cerebrais, afecta as funções do Sistema Nervoso Central que regula a actividade hormonal. Por isso essa energia afecta as funções corporais do mesmo modo que influencia a mente e as emoções, de uma forma positiva ou negativa. Se as cores forem correctamente utilizadas podem influenciar o nosso bem-estar físico e emocional. Este aspecto, entre outros, ainda não é bem compreendido fora das comunidades ligadas à investigação da cor, e é um tema que não está suficientemente divulgado fora desses grupos de interesse. “A cor é uma percepção sensorial com efeitos simbólicos, associativos, sinestésicos e emocionais”.(3) Uma utilização incorrecta e o uso excessivo de cor – que criam ambientes “overstimulated” (excesso de estímulos), com abundância de ruído visual, grande variedade de formas, cores fortes em combinações estranhas, excessivo cromatismo, clima exuberante em espaços densos, contrastes acentuados de matiz e luminosidade – pode provocar efeitos bastante negativos, com consequências físicas, desequilíbrio emocional, excitação, fadiga, falta de concentração, etc. Os contrastes muito acentuados obrigam igualmente o nosso aparelho visual a uma adaptação contínua (dilatação e contracção da pupila), causando desgaste nos músculos da íris e provocando cansaço visual. Cores fortes, demasiados padrões visuais e muita luminosidade, exigem atenção voluntária e involuntária. Ainda segundo a opinião do mesmo autor, os ambientes totalmente acromáticos, (branco e cinzentos) são monótonos e pouco estimulantes e não contribuem para o bem-estar dos utentes. Pelo que a opção do totalmente branco ou apenas de cores ditas neutras, mas que na verdade não o são, são igualmente desaconselháveis quando se pretende um ambiente colorido, mas equilibrado. “Colored doesn’t mean colorful.” .(4) Então se a cor tem esses efeitos não deveria ser escolhida e aplicada de forma ponderada e com um pouco mais de entendimento de todos os aspectos envolvidos? Sendo óbvio que o tempo de permanência nos diversos espaços é diferente – exteriores urbanos ou interiores (habitação, escolas, local de trabalho, hospitais, restaurantes, espaços comerciais, etc.) – e por isso, também diferente o tempo de exposição aos estímulos coloridos, é importante que essa diferença seja compreendida, e os efeitos da exposição, considerados na altura das decisões cromáticas. Não sou de todo contra o uso de cor, muito pelo contrário, mas penso que deve ser aplicada observando determinados princípios, com um balanço entre cores fortes e mais suaves, com equilíbrio nas proporções das áreas, estudando os contrastes, as diferentes luminosidades, etc. Uma pequena área de cor, não tem o mesmo impacto que a mesma cor aplicada numa fachada de uma torre. Depois de um desafio lançado pelo Doutor Moreira da Silva para reflectirmos sobre a questão – A Cor na Arquitectura: Intervenção de fundo ou de superfície, e da polémica que na altura ainda se arrastava sobre as cores de Chelas, e a suposta rejeição das cores pelos habitantes, comecei a pensar se o argumento então produzido pela Câmara Municipal de Lisboa e publicado no Público, de que “as cores não ajudam à integração dos bairros sociais, antes produzindo o efeito contrário” serviria de justificação para a opção de se repintar tudo de branco; então pareceu-me que a falta de informação sobre o uso da cor não existia só nas populações residentes no bairro. Por outro lado esse “totalmente branco”, também não seria boa opção, pois só por pouco tempo permanece branco; os fungos e as humidades rapidamente se encarregam de o manchar e de o tornar cinzento. Como me disse o pintor Jorge Martins, só existe o branco puro onde há cal e não há poluição. O desejável, seria mesmo encontrar um equilíbrio entre os princípios da unidade e da complexidade, entre a profusão de cores e o branco total, num ambiente em que as populações se sentissem realmente integradas. Segundo Crewdson (1953) a variedade é necessária para atrair e despertar o interesse, assim como a unidade é essencial para criar uma impressão favorável e satisfazer a disposição e os desejos (5). Demasiada variedade cria confusão e é desagradável. Demasiada unidade cria monotonia. Para se conseguir um bom projecto de cor, é necessário saber posicionar-se entre estes dois extremos. “Variety is indeed the spice - and needed substance - of life”. (6) Tal como então supunha, hoje acredito que as cores de Chelas naquelas combinações, são excessivas e que ao fim de algum tempo a convivência com elas se deve tornar um tanto difícil. Esta é uma questão que não consegui averiguar, mas também não era a isso que a minha investigação se propunha responder. «Se a arquitectura deve servir a comunidade, não deveria ser encontrada uma forma de satisfazer tanto as necessidades dos utentes como as preferências estéticas do arquitecto?» (7). Quando chegou finalmente o momento de escolher o tema da Investigação, coloquei-me a questão de como teriam sido escolhidas as cores da arquitectura construída e de como os profissionais em exercício faziam as opões das cores para aplicar aos seus projectos? Interroguei-me se seria uma decisão final, tipo operação de cosmética, ou se pelo contrário fazia parte do processo conceptual do projecto. A Investigação acabou por centrar-se nas construções de Habitação Social, e no modo como os seus autores desenvolveram os planos cromáticos, com que critérios as cores foram aplicadas, quando surgiu a opção pela cor, pintada ou do material, etc. Depois de um levantamento exaustivo do que se construiu entre 1933 e 2004 em Lisboa, de um levantamento fotográfico do estado e das cores actuais das construções, foram seleccionados alguns conjuntos arquitectónicos, (por diferentes razões que não cabe aqui explicar), e entrevistados os seus autores, ou autores do plano cromático (que também não estão aqui todos referidos). A maioria dos documentos, (os mais antigos), eram a preto e branco, pelo que a cor, na data da construção, em muitos casos não ficou documentada. Dos autores dos conjuntos seleccionados, devo referir que o Arquitecto Tomás Taveira autor do Bairro do Condado, não acedeu ao pedido de entrevista, mas enviou um texto com as suas reflexões sobre cor. O Arquitecto considera que o uso da cor se tem feito “sempre de um modo não racionalizado no sentido científico do termo mas sempre originado por aquilo que apelidamos de emoção e arte. De facto a ideia de que as cidades devem ser Brancas ou ter a cor dos materiais que as constroem foi sempre falsa (!), dado que não se prova que as pessoas sejam desse modo mais felizes; logo o não uso da cor ou imposição administrativa de uma qualquer não passa de uma prepotência e uma limitação abusiva do trabalho do arquitecto enquanto artista”. O pintor Jorge Martins, autor de planos de cor de vários conjuntos, possuía uma boa bibliografia sobre cor na arquitectura e falou com bastante conhecimento sobre vários aspectos da cor; numa atitude de enorme simpatia ofereceu-me uma colecção de esboços de alguns estudos cromáticos que realizou. Foi o mais seguro a falar sobre cor, mas a profissão e a experiência não são alheios a este facto. Sobre se havia “cores de Lisboa” respondeu: “Há cores suaves, há azuis, amarelos, há realmente uma quantidade de cores, mas a cor de uma cidade, a Cor no singular é uma coisa que deve ser escrita com maiúscula, porque é a resultante de várias outras cores. A Cor de um quadro é uma cor feita de dezenas ou centenas de cores. A Cor de uma cidade ou A Luz de uma cidade também é feita de vários materiais. Não sei qual é a Cor de Lisboa infelizmente não sei. Lisboa não tem uma cor. É uma cidade que se deixou degradar e construir de uma maneira tão caótica, que acaba por não ter uma personalidade\". O Arquitecto Pedro Sousa Menezes, autor do conjunto da Rua João Nascimento Costa e co-autor do Conjunto Piano no Bairro Marquês de Abrantes, considera o uso de cor em projectos de habitação social uma forma de mostrar que existe uma preocupação de valorizar os espaços para as pessoas, de lhes dar alegria, e de não esconder estas construções. A sua opinião é de que a cor é mais importante na cidade. Quando existe verde à volta, a cor não interessa tanto. De um modo geral não gosta de fundamentar as opções cromáticas, porque considera que “os arquitectos têm autoridade para brincar com a cor” , e de que usam a cor como uma maneira de marcarem a obra, de marcarem uma posição e uma ideia. “Obra que gera polémica fica na memória. A outra desaparece”. O seu primeiro impacto com a cor foi o edifício amarelo da Rua Alexandre Herculano, que na altura deu polémica porque “as pessoas não estavam habituadas” .A cor pode contribuir para que as pessoas gostem do seu bairro e até o preservem. Gostar do sítio onde se mora é fundamental para ajudar a preservar. As pessoas gostam e interessam-se por aquilo que têm. “Mas na Arquitectura, talvez na política também, uma das razões é exactamente poder utilizar os argumentos que se quiser para justificar. Posso usar uma cor para conjugar e posso usar uma cor para contrastar. A minha ideia não é fazer igual.” A cor não lhe é indiferente e hoje em dia preocupa-se mais com a cor do que antes. Um dos conjuntos que me agradou bastante conhecer melhor, foi o da Travessa Sargento Abílio do Arquitecto Paulo Tormenta Pinto, onde a cor não é logo evidente, não envolve os edifícios, aparece apenas quando se entra. De algum modo está contida dentro dos espaços, ainda que exteriores. A referência, foi uma questão de espaço público e privado, e a noção de que cada espaço tem uma caracterização própria. Os espaços contidos pelos blocos poderiam ser considerados como umas grandes salas de estar, ainda que exteriores, (uma sala azul, uma verde, uma vermelha). O Azul é uma clara referência ao Ives Klein, o verde começou por ser uma memória de um verde água da Avenida Paris, e o vermelho era a cor de um edifício da Rua das Trinas de que gostava muito. Segundo este arquitecto “A cor é uma investigação quase pessoal, é uma sensibilidade que se vai desenvolvendo com o passar do tempo, estando a intuição sempre presente. A cor é uma extensão da própria arquitectura, é uma parte fundamental do projecto”. Se nalguns casos concorda que a cor pode assumir um papel efémero, continuando a arquitectura e a cidade a manter a sua presença, noutros casos esta postura não é consensual. Duvida até do que pensaria caso mudassem a cor ao seu projecto da Travessa Sargento Abílio. Por outro lado a preocupação de colocar nas fachadas placas com a referência exacta das cores para futuras repinturas, mostra a vontade de que aquele projecto mantenha exactamente aquelas cores e não outras semelhantes. Considera como todos os outros, a opção pelo material como uma opção cromática, acrescentando que “há um refúgio que garante que se corre menos riscos utilizando a cor própria do material, do que escolher uma cor. Escolher uma cor é um projecto. Com a cor consegue-se caracterizar o espaço de uma maneira diferente. Custa o mesmo e já que estamos a falar de coisas pobres, de materiais pobres, com possibilidades limitadas em termos de custo, a cor é um excelente material para isso”. Como pude verificar, a cor resultante de pintura foi a opção mais largamente utilizada e por razões de ordem orçamental, sendo a principal e praticamente única opção de cor, dos primeiros bairros de casas económicas. Hoje, depois de sucessivos restauros e acrescentos, encontramos alguns casos onde já não se reconhece sequer a traça original. A pintura não tem tanta sustentabilidade ao tempo, e com a luz de Lisboa as cores rapidamente atenuam e às vezes quase desaparecem, mas não sendo a opção preferida acabou por ser a mais viável neste tipo de construções, agora chamadas de Habitação de Custos Controlados. As soluções cromáticas resultantes da aplicação de outros revestimentos, tornaram-se mais diversificadas, na medida em que foram sendo utilizados outros materiais como as monomassas, algum azulejo, materiais cerâmicos, terracotas, placas estratificadas de madeira de alta densidade, e de novo o tijolo, com muita frequência, como já tinha acontecido na altura da construção dos Olivais. Curiosamente quase todos os entrevistados referiram que o tijolo é muitas vezes escolhido não só pelas suas características, mas pela sua cor. As opções cromáticas fazem parte do processo conceptual embora em fases distintas do projecto. A opção pelos materiais acontece sempre numa fase mais inicial, enquanto a cor pintada é decidida numa fase mais final, já na execução da obra, não por ser menos importante, mas para ser avaliada com a luz e com a envolvente do local, a várias horas do dia. A envolvência e o espaço circundante são sempre avaliados, de modo que a cor seja aplicada, ou para harmonizar, no sentido de se integrar com as outras cores ou pelo contrário, para destacar fazendo sobressair. Muito podia ainda ser dito sobre a cor, e sobre a cor na arquitectura especificamente. Sobre a cor aplicada como revestimento e protecção, ou sobre a cor decorativa dos esgrafitos, e dos trompe-l’œil; sobre a cor própria dos diferentes materiais, sobre as superfícies cortina de vidro ou os revestimentos de azulejos que espelham muitas vezes as cores envolventes. Neste caso as fachadas podem apresentar aspectos interessantes devido à reflexão da luz, tornando-se espelhos dos edifícios frontais ou circundantes. A sua aparência está em permanente mutação, e durante o dia as variações cromáticas estão directamente relacionadas com a oscilação e a intensidade da luz solar. É uma cor imprevisível, por isso é difícil controlar a aparência cromática desses edifícios, mas os efeitos por vezes são surpreendentes. Qualquer projecto cromático deve combinar arte e ciência sem nunca deixar de ter o Homem como o centro da preocupação. “The real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes but in see-ing old landscapes with new eyes.\"(Marcel Proust). Maria Cristina Pinheiro, Licenciatura em Design Visual, Mestrado em Cor na Arquitectura, Membro fundador da APC-Associação Portuguesa da Cor. Referências Bibliográficas: (1) Paczowski, B. (2001). «Couleur, peau et structure» in L’architecture d’aujourd’hui - Couleur. 334. Maio/Junho 2001. p 40. (2) Küppers, H. (1992). Fundamentos de la teoría de los colores. Mexico: Ediciones Gustavo Gilli SA. (3, 4) Mahnke, F. (2003). in Lecture: Psycho-physiological effects of color. FAUTL Lisboa. (5) Crewdson (1953), citado por Mahnke, F. (1986). in Color, Environment and Human Response. New York: John Wiley & Sons. p 26. (6,7) Mahnke. F. (1996). Color, Environment & Human Response. New York: John Wiley & Sons. in http://artecapital.net/arq_des.php?ref=27
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Os atelier tb podiam participar na partilha de informacao.
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Ben Bradshaw attacks Prince Charles for 'scuppering' British architecture Adam Gabbatt guardian.co.uk, Sunday 25 October 2009 19.45 GMT Article history Part of the Richard Rogers scheme for Chelsea barracks, which was dropped by the owners after Prince Charles opposed the plan. Prince Charles' ongoing battle against modernist architecture suffered another blow when the culture secretary, Ben Bradshaw, criticised him for continuing to oppose leading UK projects. Bradshaw's comments in a press interview at the weekend, confirmed by the Department for Culture, Media and Sport, suggested he "would be worried" if architectural schemes were being shelved because of "any one individual". The culture secretary had been asked about the prince's involvement in the Chelsea barracks scheme, which has sparked outrage among allies of the architect, Lord Rogers, and led to calls for the profession to boycott the prince's May speech to the Royal Institute of British Architects (RIBA). "I think British architecture is in a fantastic state and I think it is really important that we celebrate modern architecture," Bradshaw told the Sunday Telegraph. "British architects are not only widely lauded at home but they are lauded and recognised overseas as the best in the world. We have some great modern architecture and I would be worried if great schemes were being jeopardised or scuppered because of the opposition of any one individual." Charles reportedly wrote this year to the Qatari royal family, who own the Chelsea barracks site, criticising the modernist designs of Rogers, calling them "unsympathetic" and "unsuitable" for the area. In what was believed to be part of a concerted effort to encourage the Qataris to reconsider plans for the 5.1-hectare (12.8-acre) west London site, one of Charles' favourite architects, Quinlan Terry, published alternative, classical, designs for the plot after his criticism. Rogers' plans were then dropped by the Qatari royal family in June. After his intervention Charles was accused by some of the world's leading architects, including Lord Foster and Zaha Hadid, of acting against the democratic planning process. Rogers labelled Charles' interception as "totally unconstitutional". Charles first attracted Roger's ire in 1987, when he spoke out against his proposed scheme for Paternoster Square, next to St Paul's Cathedral, London. "You have to give this much to the Luftwaffe," Charles said. "When it knocked down our buildings, it didn't replace them with anything more offensive than rubble." Rogers' plans were scrapped in favour of a classical design by William Whitfield. The prince's considerable track record in interfering in design projects began in 1984, when he derided a proposed National Gallery wing as "a monstrous carbuncle on the face of a well-loved friend" during a speech to the RIBA. His own foray into design, the new-build of Poundbury, near Dorchester, Dorset, seen as his vision of the perfect English village, was criticised in August, with residents complaining that houses and flats were not so well-finished. The Qatari royal family bought the former Chelsea barracks from the Ministry of Defence for £959m in January 2008. Rogers' plans for the site, which is opposite Sir Christopher Wren's royal hospital, included apartment blocks constructed in glass and steel and providing 552 homes, half of which were to have been in the affordable housing category. The Department of Culture, Media and Sport did not comment further on Bradshaw's views. in http://www.guardian.co.uk/uk/2009/oct/25/ben-bradshaw-prince-charles-architecture
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Cathedrals – heavens on earthWhy visit an art gallery when you can visit a cathedral instead? Jonathan Jones takes a tour of our forgotten masterpieces Jonathan Jones guardian.co.uk, Sunday 1 November 2009 21.30 GMT Article history Glorious cloisters … Gloucester Cathedral. Photograph: David Mansell There's a sculpture in Gloucester Cathedral of a youth falling through the air with his arms outstretched, as if he's trying to fly. A man with a curling beard reaches out, in a futile attempt to catch him. The sculpture is known as the Mason's Bracket, because the man wears the toolbelt of a mason. It's an odd little monument that juts out from the wall, with the falling boy carved, cubist style, into its underside. Stand beneath it and look up, and the boy seems to be falling from that great vaulted ceiling high above. Gloucester was my final stop on a journey around Britain's cathedrals to experience their artistic marvels. For a second, standing under that boy, all the glories of the cathedral, its ornate patterns and its mighty walls of honey-tinted stone, faded away – and I was left with the image of a medieval building site, and a craftsman seeing his favourite pupil slip and fall to his death. For the Mason's Bracket is a memorial by the cathedral's builders to one of their own. What a unique piece of sculpture, I thought. Why had I never heard of it? The Mason's Bracket has all the makings of an iconic work. People just need to know it exists. The wonders of Britain's cathedrals, those great stone edifices pierced by coloured glass that tower over our cities, are about to be celebrated at the V&A. Next month will see the opening of the London museum's new galleries, built to showcase its outstanding medieval collection. Among its treasures are an enamelled casket, made to hold the relics of Thomas Becket, and decorated with scenes of the 12th-century archbishop's murder, burial and ascent to heaven, and the ornate Gloucester Candlestick, one of the most sumptuous surviving medieval works in the world. Yet how can we understand such things, made for an age so different from our own? The best way is simply to visit your nearest cathedral. Living theatres of the medieval world, these incredible structures were raised between the 11th and 15th centuries, an age when Christianity – the shared faith of a still deeply primitive Europe – was the prime focus of art. A stained-glass window or a blank-eyed gothic sculpture may seem baffling when seen in a museum, but they have a completely different quality in the setting for which they were designed. Cathedrals are not just great architecture with art inside: they are installations that aspire to enfold you in a multi-sensory artistic experience that culminates in ecstasy. From the intoxicating facade of Durham Cathedral, which rises above a placid river gorge, to the Wagnerian grandeur of Canterbury's dizzying nave, the cathedrals I visited deliver one overwhelming vista after another, their builders having used every trick in the book to awe the faithful. The result is a sense of spectacle that has most film-makers running to them for settings. The cloisters of Gloucester, after all, are better known as the corridors of Hogwarts. A gothic cathedral was an attempt to imitate Jerusalem, the City of God (rather than the actual place) that, according to the Book of Revelation, will triumph at the end of days. That is, literally, the meaning of these places. Every detail, every knobbled spire within a spire, is a nod towards that city, each playing a part in a dazzling evocation of an architectural fantasy. We live in a time besotted by art. Yet we are surrounded by great works most of us don't even know exist; masterpieces by medieval artisans still integrated into the buildings they were made for. Archaeology is increasing in popularity, apparently: well, here's a bit of archaeology we can all do. Visit your nearest cathedral, or one of the many medieval parish churches that survive. You'll find plenty to look at. My tour took in just three cathedrals, yet I saw frescoes, sculptures, stained glass, portraits – a galaxy of beautiful images. And the thrill of finding something for yourself, something overlooked, is unbeatable. Nearly 1,000 years ago, stone masons created, in the form of Durham Cathedral, a geometrical vision that anticipates aspects of Leonardo da Vinci's drawings. Work on Durham began a few years after the Norman Conquest, as a symbol in the north of the regime's power and glory. It's not just the mass of the cathedral's thick stone columns that amazes; it's the fact that they're perfectly cylindrical. Imagine the endless calculations such precision required. And that's not all. Into each column deep patterns were cut: spirals, zigzags, lozenges. Meanwhile, up above, tiers of arches and windows are divided and subdivided again, in perfect proportions. Not long before, Europeans had been quaking in their huts, without laws, cities or architecture, in the long, barbaric aftermath of the fall of Rome; the reason Durham became a religious centre is that monks from Lindisfarne came there looking for a place to rebury their leader, Saint Cuthbert, after Viking raids made Lindisfarne unsafe. In the 11th century, this new society, ruled by knights and the church, had the confidence to build a marvel of a cathedral over that saint's shrine. As well as a ghostly forest of columns, its Galilee Chapel features paintings: frescoes in which Saint Cuthbert is seen with the bloodthirsty Oswald, Christian King of Northumbria. Elsewhere, a statue of Cuthbert nestles Oswald's head in his hand. Although the Reformation was meant to have destroyed monastic buildings and stripped churches bare, many images remain. At Durham, the monstrous head of a mythic beast once adorned the door, to be knocked by people seeking sanctuary. Today, it is in the cathedral museum. At Canterbury, treasures abound in its crypt. There is a chapel with frescoes painted just after 1066, in a style that is an uncanny echo of the contemporaneous Bayeux Tapestry: the characters have big-eyed angelic faces and there's a wonderfully bright image of a palace. More compelling still are the carvings of monstrous beasts in the crypt – creatures from the dark ages that seem to have crawled into the church's shadowy recesses. One reason we should celebrate medieval cathedrals, in this time of ugly British nationalism, is that their creators were truly international in outlook. So let's put patriotism aside and say that, great as they are, our cathedrals are not Europe's finest. Those are in France. In fact, most of the art movements of the middle ages started in France. Above all, there was gothic, which set out to build heaven on earth. Canterbury cathedral – designed by a French architect and even built with Caen stone – was one of the first flowerings of gothic in this country. With its curving, tapering vistas, lit by the blues and reds of stained-glass windows, gothic Canterbury enfolds you in its radical design, almost devoid of straight lines. An entire universe of medieval life is waiting to be read in those painterly windows, from the martyrdom of Becket to the everyday life of peasants, toiling in what must rank among the most haunting images of British landscapes. You might think that art in cathedrals is all religious. But you will also find images of war and chivalry, given the nature of those whose bodies were placed in their tombs. At Canterbury, the helmet and sword of the Black Prince, an exceptional military leader, are preserved. His bronze effigy lies nearby: it's a mighty portrayal, a gigantic figure of a man with legs in armour and a moustache spreading out over a chainmail hood. A miraculous office It's tempting to list treasure after treasure, but it's the overall experience, the harmony of place, that makes these works live so intensely in their original context. Gloucester is perhaps more typical of our cathedrals than Durham or Canterbury, which dominate their towns. Modern Gloucester is a lot less picturesque than those two towns. You feel its cathedral may be a bit less of a tourist attraction, a bit more taken for granted (despite its appearance in the Harry Potter films). It's certainly quieter. In the cloisters, time stops, reverses even. On one side of these sublime tunnels, a trough served the monks' washing needs. On the other, in niches, were their desks. What an office. Above them hung a miracle of "fan vaulting", the radiating, intricately boned branching that was pioneered at Gloucester, and remains the most original British variation on the international art of gothic. But the most overwhelming sight in Gloucester is the vast stained-glass window, which casts a silvery light on the angels in the vaulting. It's so big, so close, it seems to be pressing into the building. The combined effect of vaulting, coloured glass and gloriously enclosed space is majestic – and common to all our cathedrals. It is the heaven that apprentice died to create. in http://www.guardian.co.uk/artanddesign/2009/nov/01/canterbury-gloucester-cathedral-medieval-art
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An architect's plans and equipment. Photograph: Photonica £40,000 Average earnings for a sole principal architect with a small firm £55,000 Average earnings for a principal architect in a partnership £60,500 Average earnings for a private, in-house architect 7 Number of years of combined study and training required to become a registered architect 950 Average number of graduates who register each year 13,500 Students currently on UK architecture courses (most still go on to work in architecture-related fields even if they don't register) 44% work in private practice 29% are principals in partnership 12% are sole principals 9% work in the public sector 6% work as private, in-house architects Percentage split 80% of architects are male, and just 20% are female Sources: The Fees Bureau; RIBA in http://www.guardian.co.uk/money/2009/nov/07/architect-career
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Roma | MAXXI_National Museum of the XXI Century Arts | Zaha Hadid
JVS replied to lllARKlll's topic in Arquitectura
Zaha Hadid's stairway into the futureWith its swooping curves, impossible angles and haunting views, Zaha Hadid's new museum of 21st-century art is her best work yet. Jonathan Glancey gets a guided tour in Rome Jonathan Glancey guardian.co.uk, Monday 16 November 2009 21.30 GMT Article history Bobsleigh … the stairway above the entrance hall to Zaha Hadid's Maxxi museum in Rome. Photograph: Christophe Simon/AFP/Getty I remember looking at Zaha Hadid's drawings for Rome's new museum of 21st-century arts a decade ago and wondering how on earth this structural adventure would ever be built. On paper, it looked like a surreal motorway intersection imagined by JG Ballard, or a wiring diagram plotted for the palace of esoteric giants. Her floor plans were some of the most mesmerising and challenging since Frank Lloyd Wright unveiled his seemingly improbable designs for New York's Guggenheim museum more than 50 years ago. What was so radical about them? The walls of Hadid's new museum, unveiled to the public this month, not only curve but change in depth as they do so. There are moments where walls become floors and even threaten to become ceilings, diving and curving like bobsleigh tracks. (When I went there last week, Hadid told me she wanted the building's concrete curves to "unwind like a ribbon in space".) All of this means that the gallery has been an enormous challenge to build. It took Wright 15 years to realise the Guggenheim; it has taken Hadid 10 to complete Maxxi, as the museum is known (a play on the Roman numerals for 21st century). There have been at least six changes of national government in Italy since the project was first announced in 1998, from left to centre to right, and the future of many such public projects has often seemed doubtful. But now here it stands, in the residential and military Flaminio district, almost exactly as Hadid and her team first imagined it. Open to the public over the past two weekends as an architectural shell, the museum will launch fully next spring. Only then will it be possible to judge whether Maxxi, Hadid's finest built work to date, is a real success. Just how will the museum's curators make use of these extraordinary public spaces and gigantic galleries? What will go on show? The truth is that although the museum, devoted to both architecture and art, has been busy collecting work by Anish Kapoor, Gerhard Richter, Francesco Clemente and many others (along with the archives of architects Carlo Scarpa, Aldo Rossi and Pier Luigi Nervi), this light-filled labyrinth is dedicated to the future. There is no great hurry to fill it, after all: there is the rest of the 21st century to go before the museum can be called complete. Perhaps this is why Hadid has chosen to make Maxxi an almost modest, if not quite self-effacing, building from the outside. She says she hopes it will be fashion-proof. As you approach, it is only the big flags emblazoned with the name Maxxi that guarantee you have come to the right place. Instead, Hadid has reserved her architectural firepower for the interior. The huge entrance lobby sets the tone, punching up through the height of the building and offering views into what appear to be ineffable depths. This is a museum of just a few heroic galleries, but with a variety of ways of reaching them. Daylight is ever-present; this can be blacked out if need be for exhibition purposes, though the sun is always held at bay, with light filtered through a two-tier system of roof-mounted louvres and screens. Artificial lighting is concealed wherever possible. If curators wish to divide the galleries, floating walls can be hung from the dark concrete ribs snaking throughout the building; these can also support sculpture weighing up to a tonne. The gallery's project architect, Gianluca Racana, says: "We didn't want anything – air-conditioning grilles or light fittings – to take away from the raw power of the spaces we've created, or from the art that will be on show." This is a building of few colours: black, white, grey and the varied cream of exposed concrete. The walls and balustrades of the gallery's extraordinary stairs and passageways have been finished in the thick black primer used as an undercoat for new cars. (Highly durable and slightly rough to look at, the paint is surprisingly smooth to the touch.) The stairways rise up through the lobby, with their bare metal treads, disappearing mysteriously into the far recesses of the museum; the effect is cinematic – Piranesian, even – and wholly compelling. There is a point on the first floor where you can choose to walk in one of three directions, between galleries, stairwells, liftshafts and lobbies. Two of these paths take you into the heart of the exhibition spaces, while a third projects you out of the main body of the museum, along a glazed walkway, allowing you to look in at the gallery as if from the outside – a haunting effect. "For me, it's like standing in [Rome's] Piazza del Popolo," Hadid says. "When you look north, you see the tridente [three streets set between two 17th-century baroque churches] offering you this sudden and thrilling choice of direction. Yet, coming south, all three streets lead back to the same single point." This is a brave project, and little short of incredible in a city that has proved so deeply conservative over the past decade. In recent years, there has been little imaginative new architecture in Rome, least of all in the public sector. But, remarkably, Maxxi is funded by what is now the Ministry of Cultural Heritage and Activities, or, as it describes itself, "a laboratory for artistic experimentation and production that gives voice to the different languages of contemporariness". Rome's history is inexhaustible, but it is good to see the city moving forward. In one sense, however, Maxxi is happily old-fashioned. It has been built on-site by local contractors using materials close to hand; Rome led the way when it came to concrete construction 2,000 years ago, and these ambitious new curved walls are made of Roman concrete. "It does sound odd when I say it," says Racana, "but this has been a little like building a medieval cathedral." And, like a medieval cathedral, the museum is in fact several structures gathered together. Tough new legislation ensuring the ability of new buildings to withstand seismic shock was put in place after the earthquake of October 2002, which rocked Italy's Molise and Puglia regions, and was felt in Rome. As a result, the museum consists of five separate buildings leaning against one another, designed to withstand powerful natural shocks. Last week, the roof of Hadid's aquatic centre for the 2012 Olympics was unveiled, a wavy promise of things to come. Hadid won't be pressed on this, and says she will be happy to talk about the building only when it is complete, once the pools are filled and the swimmers are training. "All people want to do is talk about the budget, as if the rise in cost has been something we've caused. We haven't. We've done what we've been asked to do." Her hope, and that of the Olympic committee, is that the building will inspire Britain's sporting stars. Likewise, I have a feeling that the energy and imagination of this new museum, its sense of intrigue and possibilities, will bring out the best in its curators. Who knows what twists and turns architecture will take in the course of the 21st century; for now, Hadid's gallery offers an exhilarating set of Roman walls to build upon. in http://www.guardian.co.uk/artanddesign/2009/nov/16/zaha-hadid-maxxi-rome -
I 10 edifici più brutti del mondo La classifica degli edifici più di cattivo gusto MILANO – Una torre, un teatro, una libreria, alcuni musei: ci sono molti generi di edifici che figurano nella top ten degli edifici più brutti del mondo realizzata (per il secondo anno consecutivo) dal sito turistico generato dagli utenti Virtualtourist. Si tratta di opere talvolta celebrate dall’architettura mondiale come innovative o geniali, ma la verità è che alla gente semplicemente non piacciono e li considera bruttissimi. Gli edifici più brutti del mondo MORRIS MECHANIC THEATER – Teatro di Baltimora progettato dall’architetto John Johansen, viene considerato un esempio di brutalismo architettonico, corrente nata nel 1954 con Corbusier. Di questo edificio lo stesso proprietario, che lo acquistò nel 2005 per 6 milioni di dollari, dice: «Non ho mai conosciuto nessuno a cui piacesse». Anche se gli esperti sostengono che il brutalismo è la nuova frontiera della preservazione. ZIKZOV TELEVISION TOWER – Progettata tra il 1985 e il 1992 dall’architetto e scultore David Cerny (molto discusso e autore tra l’altro anche di una curiosa opera su Saddam), domina la splendida città di Praga con le sue curiose figure infantili che si arrampicano sulla torre. C’è chi dice che si tratta di una costruzione megalomane, chi la definisce un classico esempio di architettura comunista. Secondo i lettori di Virtualtourist è semplicemente brutta. THE BEEHIVE – Il Palazzo Beehive è in Nuova Zelanda, vicino al Parlamento la cui vicinanza –come scrivono i lettori - ne esalta la bruttezza. CENTRO GEORGE POMPIDOU – Conosciuto anche come Beaubourg, il museo e centro culturale di Parigi fu progettato da Renzo Piano, Gianfranco Franchini e Richard e Sue Rogers. Secondo il New York Times il design di questo centro, con i diversi colori delle tubature a seconda del loro utilizzo, ha rovesciato l’architettura mondiale. Ma alla gente non piace per nulla. FEDERATION SQUARE – È la piazza principale della città di Melbourne ed è il punto di riferimento della città. La costruzione è decisamente caotica e dà un leggero effetto mal-di-testa. PETROBRAS HEADQUARTERS – L’edificio brasiliano, situato a Rio de Janeiro, è stato definito un incrocio tra una costruzione lego non terminata e un penitenziario. MARKEL BUILDING – Questa bizzarra opera costruita in Virginia è stata realizzata dall’architetto Richmond, il quale ha dichiarato nella progettazione di essersi ispirato a una patata al forno servitagli durante una cena di architetti. ROYAL ONTARIO MUSEUM – Il quarto museo per dimensioni del Nord America è a Toronto ed è comunemente conosciuto come ROM. L’ultima revisione dell’edificio risale al 2007, ad opera di Daniel Libeskind. «Oppressivo, angustiante e infernale»: così l’ha descritto Lisa Rochom, critica della prestigiosa rivista The Globe and Mail, titolando un suo celebre articolo “Il nuovo ROM fa infuriare il mondo». NATIONAL LIBRARY – L’edificio è nel centro di Pristina, nel Kosovo, e gli utenti, nel criticarlo, scrivono: «Basta guardarlo». E in effetti è inquietante, un po’ alveare e un po’ prigione. RYUGYONG HOTEL – Questo hotel che domina il profilo della capitale nord-coreana entra per la seconda volta consecutiva nella classifica dell’orrore stilata da Virtualtourist. E a questo punto ci fidiamo: deve essere veramente brutto. Emanuela Di Pasqua 20 novembre 2009(ultima modifica: 21 novembre 2009) in http://www.corriere.it/cronache/09_novembre_20/edifici-brutti-mondo_5c8d7284-d5e6-11de-a0b4-00144f02aabc.shtml
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Técnicos e políticos "seguram" o estádio 2009-10-25 JOÃO PAULO COSTA Discordam da implosão e sugerem novos equipamentos para rentabilizar infra-estrutura. O que fazer para reanimar um "elefante branco" de 60 milhões que quinzenalmente leva mil pessoas ao Estádio de Aveiro. Ulisses Pereira sugeriu a implosão. Outros, políticos e técnicos, preferem rentabilizar o espaço com novos equipamentos A ideia de Ulisses Pereira, presidente da Concelhia de Aveiro do PSD e deputado na Assembleia da República, de implodir o novo estádio de Aveiro para construir um mais pequeno por ser um "fardo para o Município e para o Beira-Mar" não tem seguidores. Mesmo estando em causa um estádio que se transformou num "elefante branco", sem vida e quase sem público, com o número médio de espectadores de futebol a rondar os mil (ver caixa) numa região que tem 400 mil pessoas a 20 minutos do estádio. Demolir uma infra-estrutura inaugurada em 2003 e que custou 60 milhões de euros é considerada inadequada pelos vários responsáveis políticos e técnicos contactados pelo JN, que defendem a necessidade de rentabilizar o espaço e a zona onde está localizado. O presidente da Câmara de Aveiro que tomou a decisão de avançar para um novo estádio considera a ideia um "disparate". Alberto Souto (PS) acredita que "ela própria (a ideia) já implodiu" e realça a importância de "não confundir a conjuntura desportiva e económica com a visão a médio e longo prazo necessária para mobilizar a região do Baixo Vouga, onde 400 mil pessoas estão a 20 minutos do estádio". Diz Souto que "não perceber isto é ter visão curta", embora reconheça que é importante que o Beira-Mar estabilize para chegar à I Liga, sendo igualmente fundamental apostar nos espectáculos. O actual presidente da Câmara, Élio Maia (PSD-CDS/PP) disse ao Diário de Aveiro que só poderia equacionar essa possibilidade se todas as alternativas falhassem, nomeadamente a alteração do PDM (que apenas permite equipamentos desportivos na zona) para que possam surgir investidores numa eventual zona comercial. Revela que o estádio custa 50 a 60 mil euros por mês à Câmara e fala dos direitos de autor (arquitecto Tomás Taveira), revelando ter mantido reuniões com Taveira em relação às hipóteses que se colocam para o futuro, acrescentando "temos de contar com o envolvimento do autor do projecto". A lei não obriga a um consentimento por parte do autor do projecto relativamente a alterações ou à destruição da obra, neste caso o estádio. Questionado pelo JN, Nuno César Machado, Consultor Jurídico da Ordem dos Arquitectos da Secção Regional Norte, diz que o Código do Direito de Autor refere que o proprietário (neste caso a Câmara de Aveiro) "tem de informar o autor da sua intenção de alterar o projecto e o modo como o irá fazer, sob pena de, não o fazendo ter que indemnizar o autor por perdas e danos". Depois de consultado, defende o advogado, o autor não pode opor-se às modificações que o dono da obra queira introduzir, incluído a demolição. Tomás Taveira não respondeu em tempo útil às perguntas do JN. Questionado pelo JN sobre a implosão, Ribau Esteves, presidente da Comunidade da Região de Aveiro, diz não perder tempo a comentar "anormalidades". Mano Nunes, ex-presidente do clube, também defende a manutenção do Estádio. "Mas é necessário rentabilizá-lo e isso só é possível se ali for criada uma nova centralidade", refere. Isso, especifica Nunes, passaria pela construção, na zona do estádio, do pavilhão e das piscinas do clube, da academia de futebol do Beira-Mar e pelo aproveitamento dos espaços interiores do estádio para um centro de dia e para uma creche e escola". Segundo Mano Nunes, "dois milhões de euros chegariam para construir o pavilhão, as piscinas e a academia". O dinheiro, defende, "teria de ser conseguido através de uma parceria entre a Câmara e o Beira-Mar". Esta discussão é vista como uma "oportunidade para a cidade aprender a gerir este equipamento", considera José Carlos Mota, professor de Planeamento Regional e Urbano da Universidade de Aveiro, que defende a organização de um evento para "reflectir e ouvir boas práticas nacionais e internacionais". Ricardo Vieira de Melo, delegado da Ordem dos Arquitectos em Aveiro, considera ser prematuro deitar abaixo um edifício que "não está em mau estado" e considera que atendendo às excelentes acessibilidades (A25, A17 e A1), o estádio tem capacidade para ser aproveitado. Dá o exemplo do Municipal de Coimbra, na organização de mega concertos musicais, e defende que a zona envolvente "poderia servir para acolher equipamentos que fazem falta à cidade, nomeadamente um parque desportivo e de lazer". in http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Aveiro&Concelho=Aveiro&Option=Interior&content_id=1400626
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Ponte pedonal em versão "top model" 2009-10-25 LUÍS MIGUEL FONSECA * foto António José/Lusa O arquitecto Carrilho da Graça (Prémio Pessoa 2008) classifica como "sexy" a nova ponte pedonal da Covilhã, uma das suas últimas criações, que o município aponta como novo ícone da cidade e uma referência arquitectónica nacional. A travessia sobre a Ribeira da Carpinteira faz parte do plano de mobilidade da Covilhã e passa a ser uma das pontes pedonais mais altas do país: chega aos 52 metros de altura, o equivalente a um edifício de 17 andares, num dos vales mais entalhados da cidade. Em vez ligar a direito as duas encostas (duas zonas urbanas da cidade), a ponte com 220 metros de extensão serpenteia o vale, seguindo o perfil recortado. Um desenho "mais lógico e estável". "Evidentemente, é uma ponte sexy: tem aquelas curvas que a tornam extremamente elegante, como numa top model", disse Carrilho da Graça à Agência Lusa. "A primeira vez que olhei para o vale fiquei maravilhado. Depois, uma vez que tem uma grande altura e ainda é longo, fiquei arrepiado", confessa. "Por isso é que as guardas da ponte são altas e largas", para que quem passa se sinta confortável, num tabuleiro igualmente espaçoso, sem perder as vistas. Por entre toda a sua obra arquitectónica (como o Pavilhão do Conhecimento, na Expo 98) em Portugal e no resto do mundo, adjectiva a ponte covilhanense como "um projecto bem sucedido". "Gosto imenso deste projecto porque tem uma grande simplicidade e grande eficácia", resume Carrilho da Graça Eficácia atestada por Rui Gigante, residente nos Penedos Altos e que por ali passa todo os dias. "Para ir para as aulas é muito boa. Antes tinha que ir à volta", num sobe de desce de escadarias, até junto à estrada. "Agora é um instante chegar ao centro da cidade", descreve José Paiva, que também reside nos Penedos Altos. "O caminho é mais curto, mais rápido e a ponte está bonita. É um monumento", refere. A ponte pedonal sobre a Ribeira da Carpinteira liga a Rua Marquês d'Ávila e Bolama, que atravessa o centro da Covilhã, e o Bairro dos Penedos Altos, uma das principais zonas residências da cidade. A estrutura faz parte do Plano de Mobilidade da Cidade para "aproximar os bairros residenciais que compõem o núcleo urbano e facilitar a circulação. IN http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Guarda&Concelho=Guarda&Option=Interior&content_id=1400624
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Autarquia pretende avançar com a construção nos terrenos Duas casas modernistas da família Alçada Baptista em perigo por causa de barragem 25.10.2009 - 14:40 O director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) determinou a abertura do processo de classificação do sítio conhecido como Tapada do Dr. António, na Covilhã, mas depois de receber uma carta do presidente da câmara local, solicitando o cancelamento da decisão, veio dizer que afinal tinha sido um "lapso".DR A casa da foto pertenceu ao arquitecto Luiz Alçada Batista, autor do seu projecto e do da casa do irmão, mesmo ao lado O processo foi desencadeado em Agosto de 2008, quando um dos proprietários (Luís Alçada Baptista, filho do arquitecto Luiz Alçada Baptista e sobrinho do escritor António Alçada Baptista) solicitou ao director do Igespar a abertura do processo de classificação do terreno na freguesia de Cortes do Meio. A existência de um sistema hidráulico singular para enchimento de lameiros foi um dos argumentos invocados, juntamente com o da existência de duas habitações modernistas que "foram palco da vivência incontornável da cultura contemporânea portuguesa que envolveu a família Alçada Baptista". O processo seguiu para o chefe da Divisão de Estudos Patrimoniais e Arqueociências do Igespar, que destacou o "valor arquitectónico do edificado", o seu "interesse como testemunho simbólico" e "o que nele se reflecte do ponto de vista da memória colectiva, através da sua ligação a alguns dos momentos e a algumas das figuras mais marcantes da cultura portuguesa da segunda metade do século XX". Miguel Soromenho sublinhou também "a conservação de sistemas hidráulicos tradicionais ligados aos ecossistemas produtivos regionais" e sugeriu a classificação da Tapada do Dr. António. Face a isto e à concordância do director do Departamento de Inventário, Estudos e Divulgação, o director do Igespar, Elísio Summavielle, determinou, em Março de 2009: "Proceda-se à abertura do processo de classificação". A notícia foi mal recebida pelo presidente da Câmara da Covilhã, Carlos Pinto (PSD), que em Maio escreveu uma carta àquele responsável solicitando-lhe o "cancelamento da abertura do procedimento administrativo para classificação". Isto porque a autarquia pretende avançar com a construção nos terrenos da família Alçada Baptista da Barragem da Ribeira das Cortes (para abastecimento de água para consumo humano), mas para isso precisa que seja prorrogada a Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada de Setembro de 2006, por já terem passado dois anos desde a sua emissão. E como esta obra implica, como explica Luís Alçada Baptista, a submersão das duas habitações modernistas e de um sistema de levadas do século XIX, a sua concretização poderia ficar comprometida com a abertura do processo de classificação. Na sequência da carta do presidente de Carlos Pinto, o director do Igespar escreveu a um dos proprietários da tapada dizendo que tinha havido um "lapso", já que o processo tinha sido apenas "remetido para estudo e instrução pela Delegação de Castelo Branco da Direcção Regional de Cultura do Centro, no âmbito das respectivas competências". "Somente após o parecer daqueles serviços este instituto se pronunciará no sentido da abertura, ou não, do processo de classificação", alegou Summavielle. Os proprietários ameaçam contestar este recuo em tribunal, afirmando que "após análise das disposições normativas aplicáveis se concluiu que as Direcções Regionais de Cultura não têm qualquer competência instrutória ou consultiva em processos de classificação de bens imóveis", pelo que o despacho de abertura do processo de classificação proferido por Summavielle "não constitui nenhum lapso" e a sua revogação posterior "não pode deixar de ser inválida". Ao PÚBLICO, o director do Igespar disse que a necessidade de um parecer prévio "não-vinculativo" da Direcção Regional de Cultura do Centro constitui "uma norma interna procedimental, que não decorre da lei". "É evidente que houve uma falha procedimental e é evidente que não podia abrir um precedente", defende-se Elísio Summavielle, garantindo que legalmente pode anular um despacho seu desde que o fundamente, como diz ter feito neste caso. IN http://www.publico.clix.pt/Local/duas-casas-modernistas-da-familia-alcada-baptista-em-perigo-por-causa-de-barragem_1406771
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Em Santo Tirso Novo quartel dos Voluntários tem assinatura de Siza Vieira e começa construção este ano 26.10.2009 - 13:05 Por Lusa O novo quartel dos Bombeiros Voluntários de Santo Tirso, cujo projecto é da autoria do arquitecto Siza Vieira, vai começar a ser construído “ainda este ano” devendo ficar concluído no final de 2010, disse hoje o comandante da corporação, Joaquim Souto. A data do arranque das obras está dependente da assinatura do protocolo relativo ao financiamento do projecto, com 700 mil euros, pelo Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN). Orçado em um 1,1 milhões de euros, o novo edifício será também financiado com 200 mil euros pela autarquia local, que cedeu também o terreno, sendo o restante assegurado pelo dono da obra. O terreno foi doado pela Câmara de Santo Tirso em escritura realizada em Julho de 2003, na comemoração dos 125 anos da Associação, cerimónia que contou com a presença do então ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes. “Trata-se do primeiro quartel de bombeiros a ter a assinatura do arquitecto Siza Vieira”, regozijou-se o comandante Joaquim Souto, explicando que o convite foi feito há já uns anos pela direcção da associação humanitária. Segundo Joaquim Souto, o arquitecto “aderiu muito bem à ideia, por se tratar do seu primeiro quartel de bombeiros”. É um edifício construído de raiz, com cerca de 1400 metros quadrados, que “inclui todas as valências e condições essenciais ao bom funcionamento de um quartel de bombeiros. Tudo isto, aliado ao facto de ter assinatura de um dos maiores arquitectos da actualidade”, frisou o responsável. O terreno onde vai nascer o novo edifício/sede dos Voluntários de Santo Tirso (Vermelhos) tem uma área total de 3.800 metros quadrados, que “contrastam com os 400 metros quadrados das actuais instalações”, considerou o responsável, salientando que actualmente “não há espaço, sequer, para aparcar as viaturas de emergência, nem espaço para formação e parada”. Em relação ao destino a dar ao actual quartel, Joaquim Souto disse que “ainda nada está definido, a não ser que irá manter-se na posse da associação humanitária”. Construído há 75 anos e implantado no centro da cidade onde são frequentes os constrangimentos de trânsito, o actual edifício não dispõe de um parque de viaturas suficientemente espaçoso para acolher as viaturas mais operacionais, não tem camarata feminina e não possui qualquer logradouro ou área descoberta. O novo edifício do quartel dos “Vermelhos”, voluntários de Santo Tirso, será construído na Rua do Arco (Quinta de Geão, junto ao edifício da Biblioteca Municipal), em Santo Tirso. in http://www.publico.clix.pt/Cultura/novo-quartel-dos-voluntarios-tem-assinatura-de-siza-vieira-e-comeca-construcao-este-ano_1406913 Siza desenha primeiro quartel de bombeiros 2009-10-26 ANA CORREIA COSTA Garantido o financiamento, os Bombeiros Voluntários de Santo Tirso, que há anos vivem apertados na velha sede da associação, vão, finalmente, ter casa nova em 2010. E será o primeiro quartel a que Siza Vieira dá forma. Se o projecto consta, por isso, dos desafios do arquitecto? O próprio desmistifica a questão, em telegráfica resposta ao JN, via e-mail: "A atenção a prestar é idêntica à de qualquer tipo de edifício: programa e contexto. Como em qualquer projecto, existe um programa claro e regulamentação específica a cumprir", escreveu. Com mais do triplo da área actual, a nova casa dos "Vermelhos", como é conhecida a corporação de Santo Tirso, será erguida num terreno de 3800 metros quadrados, pertencente à Quinta de Geão e cedido pela Autarquia (além de um subsídio de 200 mil euros). Ficará na Rua do Arco, junto à Biblioteca Municipal e perto da EN 104, o que facilitará a mobilidade. Vai custar 1,1 milhões de euros, dos quais 70% estão assegurados por fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), e será "um quartel e mais qualquer coisa", sorri Joaquim Souto, comandante dos bombeiros, admitindo que a assinatura de Siza é "uma mais-valia". O comandante dobra e desdobra a planta: "Aqui, vai ficar a sala de reuniões, ali o gabinete de comando, da direcção, a sala de formação, uma das camaratas…", desfia. O papel deixa-lhe nos olhos o rasto de um brilho tímido. "Em termos operacionais, está concebido de acordo com as necessidades actuais", orgulha-se. Que passam, entre outras, por mais camaratas e um espaço para a formação dos soldados da paz que é feita como se pode. "O que podemos fazer ao ar livre, aí vamos nós. Ou, então, é cá dentro". Joaquim Souto convida a uma visita pelos 400 metros quadrados da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Santo Tirso, erguidos em 1934, por altura do 56º aniversário da instituição. Há o desafogado salão nobre, pintado de branco e rosa e que, com ténues reminiscências de Arte Déco (movimento artístico surgido em meados dos anos 1920), serviu, em tempos, para teatros, bailes e festas da sociedade tirsense. E a cantina, as pequenas salas de comunicações e o rés-do-chão, "que nem para metade das viaturas dá", informa Joaquim Souto, apontando para os cerca de 13 bólides milimetricamente arrumados e, depois, para a Praça Conde de S. Bento, onde outros tantos têm de ficar aparcados. Um constrangimento que os 1400 metros quadrados do futuro edifício se encarregarão de resolver. As novas instalações, que deverão ficar prontas no final de 2010, trarão, ainda, duas novidades aos Voluntários de Santo Tirso: uma oficina - "para nós é bom, porque passamos a poupar muito dinheiro nos arranjos", aponta Joaquim Souto - e uma camarata feminina. O comandante regressa à velha sede: "Aqui, não há. Temos bombeiras que gostariam de fazer serviço nocturno, mas não existem condições". E, de qualquer forma, o dormitório é, como tudo o resto, insuficiente. "Este ano, na altura do Verão, tínhamos 18 pessoas, no mínimo, a dormir por noite. O que é que a gente faz? Improvisa: pusemos uns beliches no espaço onde funciona o gabinete médico", conta Joaquim Souto. in http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Santo%20Tirso&Option=Interior&content_id=1401311
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Comunicações Já abriu a Casa da Vodafone no Porto Por Ana Isabel Pereira Foi hoje inaugurado, na Avenida da Boavista, o novo edifício da Vodafone. Com uma arquitectura arrojada, a fazer lembrar a do edifício projectado por Rem Koolhaas junto à Rotunda da Boavista, o novo espaço será a sede da empresa de telecomunicações no Porto http-~~-//sol.sapo.pt/Storage/ng1094994.jpg À margem da cerimónia, o presidente António Carrapatoso sublinhou a aposta da Vodafone «em continuar a alargar a oferta da empresa na rede fixa de banda larga». No novo edifício, ficarão instalados uma loja de 600 metros quadrados, o serviço de apoio a clientes, os escritórios e um laboratório de assistência técnica a equipamentos terminais. António Coimbra, presidente executivo da Vodafone, sublinhou ainda que o moderno edifício oferece «excelentes condições de trabalho aos colaboradores da empresa no Porto». Para além de um jardim, cujo desenho reflecte a arquitectura do próprio edifício, as instalações, onde funcionam 240 postos de trabalho, contam ainda com estacionamento, restaurante, cafetaria, auditório, salas de reunião, formação e videoconferência, e vistas fantásticas sobre a cidade. A aposta na segunda cidade do país aconteceu naturalmente, disse Carrapatoso, uma vez que a Vodafone «sempre teve uma posição muito forte no norte do país e, especialmente, no Porto», onde é líder do segmento móvel «quase desde o início». O projecto escolhido, de entre 20 propostas, foi o dos arquitectos José António Barbosa e Pedro Guimarães. «Quando recebemos o convite para o concurso de ideias, em Junho de 2006, passava na rádio um spot publicitário que dizia: Vodafone, a vida em movimento. Pensamos que o novo edifício devia ser fiel a esta filosofia», explicou Barbosa. O edifício de oito pisos, construído em betão armado, «está suportado por esta casca estrutural como se de um ovo se tratasse», comparou o arquitecto. A empresa agradeceu publicamente o apoio da autarquia portuense nos processos de licenciamento. Rui Rio, que elegeu como uma das prioridades do seu terceiro mandato à frente dos destinos da Invicta a competitividade económica da cidade, explicou que este era «um esforço que a Câmara do Porto estava obrigada a fazer», o de tentar baixar «os chamados custos de contexto» ao nível mais baixo possível. Crescer no segmento fixo «A aposta da empresa é explorar todas as possibilidades do móvel mas olhar para a banda larga fixa como uma forma cuidada, para desenvolvermos acções para termos uma oferta cada vez mais competitiva nessa área», disse ao SOL António Carrapatoso, sublinhando que a Vodafone tem vindo a «convergir com o seu concorrente que é líder de mercado, a TMN, sendo, neste momento, quase co-líder, com uma cota de 40% e que tem vindo a subir». A Vodafone quer sobretudo crescer no mercado não móvel. Carrapatoso entende que a decisão do governo de abrir concursos para as redes de banda larga apenas nas zonas do interior veio «condicionar o mercado», mas avança que a empresa terá agora em atenção a forma como vai «evoluir o mercado em termos da sua área grossista, nomeadamente nas zonas rurais» e ponderar se «há oportunidade ou não de fazer associações com os outros agentes do mercado de telecomunicações para criar redes conjuntas com eles». A estratégia para os próximos tempos passa também por «expandir a base dos clientes do IPTV». A Vodafone quer ser, «cada vez mais, um prestador de serviços de comunicações globais». online@sol.pt in http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=152395
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01 Novembro 2009 VianaPolis: um saco de problemas… Paulo Gomes No discurso de posse do novo autarca de Viana do Castelo, José Maria Costa falou do embalo ganho com o Polis. Ele disse «embalo»? Logo na hora me questionei acerca do alcance da afirmação, pois o autarca, fazendo parte do anterior executivo, conhece o processo em pormenor. O Polis, que em Viana anda há anos com uma vida prolongada artificialmente, hoje não passa de um conjunto de problemas e ninguém aposta numa data para a sua resolução. O problema mais famoso é o prédio Coutinho. A demolição do edifício, bandeira da intervenção, tornou-se num imbróglio jurídico maior que o prédio e está a sair caro aos proprietários das fracções e ao erário público. A envolvente de Santa Catarina, na Ribeira, é outra que tal. No risco do arquitecto estava tudo como devia ser: a capela ganhava uma nova centralidade com a demolição de uns quantos edifícios. Na realidade, esqueceram-se que naquelas casas viviam pessoas com direitos. Resultado: algumas foram demolidas, mas outros permanecem de pé, com partes entaipadas para esconder algumas vergonhas e… novo processo em Tribunal. Logo ao lado, foram construídos dois blocos de apartamentos com lojas no rés-do-chão. Era para alojar moradores do “Coutinho” e, com as lojas, fazer mais-valias para pagar a demolição. As lojas do bloco mais interior estão por vender, apenas uma está ocupada com um espaço internet que é da autarquia. Avancemos para a outra ponta da cidade, para mais uma intervenção emblemática do Polis – o parque da cidade. Para satisfazer o risco dos projectistas, foi só expropriar os terrenos. Mais uma vez, titulares de direitos esquecidos e eis novos processos a empatar nos tribunais, porque alguns proprietários não concordam com a indemnização que consideram “miserável”. E não falemos do Parque da Agonia, que abriu e fechou “afogado” na água que nasce ou entra pelas fendas da estrutura. É de mim ou do Polis não vem qualquer embalo para o futuro de Viana do Castelo? [Publicado no DM de 30.10.2009] in http://www.diariodominho.pt/blogs/destelado/post.php?codigo=2354
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Treehouse Hotel permite viver um dia na natureza da cidade por F.A.02 Novembro 2009 O pequeno hotel ecológico está no Jardim da Estrela até domingo. Durante uma noite, dois hóspedes desfrutam de espaço verdejante. Projecto pioneiro continua à procura de outras zonas verdes para repetir experiência É a casa dos duendes urbanos, a cabana ou ainda a casa do jardim, mas também parece um barco sem mastro. É assim que curiosos e habitantes temporários definem o Treehouse Hotel, um pequeno ecoresort que acolhe hóspedes prontos a passar uma noite em sintonia com a natureza. A micro-habitação funciona no Jardim da Estrela, em Lisboa, até domingo, dia 8, inserida na Experimenta Design. O hotel "é pequeno mas tem todas as condições para passarmos até mais do que uma noite", contaram ao DN Rute Novais, de 32 anos e Artur Pais, de 33, que embarcaram na experiência de acordar em pleno Jardim da Estrela. A cama espaçosa para um casal, a casa de banho com W.C. e lavatório com água potável, e uma escada amovível que permite chegar ao terraço através de uma clarabóia são o suficiente para garantir que o espaço de " design amigo do ambiente" seja "muito confortável". E, durante a estadia, o casal foi surpreendido pela Natureza. "Dentro do jardim a música da cidade é outra", confessaram ao DN enquanto tomavam o pequeno-almoço de sábado, no terraço. Os carros que circulam para lá das grades altas que rodeiam o jardim ouvem-se, mas os sons que chegam mais perto do ouvido são a insistente sinfonia dos periquitos que se juntam pela manhã numa palmeira. De facto, a natureza é a divisão principal daquele pequeno hotel com cerca de sete metros quadrados - esticando o braço é possível tocar nas folhas. Mas "a magia" já tinha começado à meia-noite. Os portões do jardim lisboeta (com mais de 150 anos de história) encerraram ao público e de repente, a Rute e o Artur tinham o jardim inteiro só para eles. "Foi como viver uma experiência de criança para adultos", explicaram. "Apanhámos flores e descobrimos que os patos do lago não gostam de uvas", revelou Rute. Já no terraço à luz de uma lanterna, ecológica, houve tempo para desenhar, disse a designer, que deixou o bairro dos Prazeres, mesmo ao lado da Estrela, para "viver a cidade de uma maneira diferente", durante uma noite. Ao DN contou ainda que no silêncio da Estrela as raízes de uma borracheira transformam-se em bancos de jardim para relaxar. Esta experiência custa 50 euros. Mas o Treehouse Hotel, que fica no Jardim da Estrela até dia 8 de Novembro, já tem os dias todos reservados. No entanto, aquele que parece ser o mais pequeno hotel do mundo é propício à visita de transeuntes curiosos que espreitam pelas janelas para ver de perto o projecto pioneiro de ecoturismo urbano. Depois daquela data a casa de madeira procura outros jardins, numa qualquer cidade. "Esperamos que as câmaras e jardins queiram acolher o projecto", expressou David Seabra, o arquitecto português, da Dass, que criou o projecto com a designer alemã, Susan Roeseler, recorrendo a formas pouco usuais nas construções em madeira. O objectivo é "provocar as pessoas de forma positiva", explicou, adiantando que o projecto foi possível devido a várias sinergias. No final, Rute e Artur sorriam. Afinal, nem o facto de o Treehouse Hotel não ter ficado suspenso numa árvore, como se previa inicialmente, e tal como o nome o sugere, lhe retirou magia, garantem. O "ninho" humano é em tudo semelhante aos esconderijos que guardavam os segredos de infância. in http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1407781&seccao=Sul
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05 Novembro 2009 - 00h30 Vila do Conde: Esmagou vizinho e ateou-lhe fogo Arquitecto com pulseira em casa O arquitecto que baleou, esmagou o crânio com uma pedra de 20 quilos e ateou fogo ao corpo do vizinho, por causa dos cães da vítima e por acreditar que tinha sido o autor do pretenso assalto à sua casa na rua dos Descobrimentos, em Mindelo, Vila do Conde, deixou de estar em prisão preventiva. A medida de coacção que lhe tinha sido aplicada há cerca de um mês foi desagravada por um juiz do Tribunal de Vila do Conde que o mandou para casa com pulseira electrónica. Carlos Moreira da Costa, de 45 anos, está acusado da tentativa de homicídio do vizinho Manuel Eusébio, de 55 anos, que continua internado no Hospital S. João, Porto. Chegou a estar em coma, mas melhorou e já anda e fala. No entanto, perdeu um olho ao ser baleado pelo arguido. O arquitecto é tido pelos vizinhos como conflituoso e violento. Estes, aliás, já tinham apresentado queixas na GNR por causa das ameaças do arguido e pelo facto de andar com uma caçadeira na mala do carro. Mas, na altura, os militares não chegaram a revistar a viatura do arquitecto que, dias depois, usou a arma para a agressão violenta a Manuel Eusébio. A PJ do Porto investiga ainda a veracidade do assalto na casa de Carlos Moreira da Costa. Terá sido esse um dos motivos para as ameaças a Manuel Eusébio e outros vizinhos. O CM sabe que os inspectores acreditam que o assalto foi encenado para que o arquitecto pudesse receber dinheiro do seguro. Ana Sofia Coelho / Tânia Laranjo in http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=76D4001A-F09C-43D8-963C-2354A121FE44&channelid=00000010-0000-0000-0000-000000000010
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Teatro S. João inaugura centro de documentação Estará disponível espólio com mais de quatro mil livros e mil números de publicações periódicas, nacionais e internacional. Valdemar Cruz (www.expresso.pt) 15:31 Quinta-feira, 5 de Nov de 2009 O público terá acesso a um espólio com mais de quatro mil livros, sobretudo relacionados com o teatro e a dança O Teatro Nacional S. João inaugura na próxima quarta-feira um centro de documentação numa das salas do Mosteiro de S. Bento da Vitória, no Porto. Trata-se de um espaço de consulta e pesquisa concebido pelo arquitecto Nuno Lacerda Lopes. O público terá acesso a um espólio com mais de quatro mil livros, sobretudo relacionados com o teatro e a dança, mas onde se incluem também dicionários e enciclopédias. O espólio inclui ainda perto de mil exemplares de publicações periódicas nacionais e internacionais, 150 exemplares de vídeos, mais de 300 dossiês fotográficos, 300 textos cénicos e outros documentos. A disponibilização deste material num novo espaço físico é possível graças à criação, no ano 2000, do centro de documentação, que iniciou um processo de recolha e tratamento de todo o material de carácter documental criado pelo Teatro Nacional S. João. O centro gere, desde 2001, uma base de dados, o Cinfo - Centro de Informação , que referencia os documentos fisicamente existentes no centro de documentação e funciona como biblioteca online, uma vez que grande parte dos documentos está também disponível no seu formato digital. Biblioteca especializada O centro de documentação tem vindo, em simultâneo, a desenvolver uma biblioteca especializada em artes performativas. É todo esse espólio que passa agora a estar disponível a todos os interessados, sejam ou não profissionais do teatro. Os livros disponibilizados incluem obras de referência (dicionários e enciclopédias); livros sobre o teatro e a dança do ponto de vista histórico, teórico e crítico; monografias sobre grandes criadores do teatro e da dança; livros sobre as diferentes áreas do teatro (encenação, cenografia, produção, etc.); história e escritos teóricos sobre o drama enquanto género literário; as várias dramaturgias universais nas suas línguas originais ou em traduções para o português, inglês e francês; memórias, autobiografias, entrevistas ou notas dos criadores; biografias de dramaturgos, encenadores e actores. Durante a cerimónia de inauguração será lançado o livro "Identidades Reescritas: Figurações da Irlanda no Teatro Português", da autoria de Paulo Eduardo Carvalho, com apresentações de Maria Helena Serôdio, professora catedrática e presidente da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, e de Rui Carvalho Homem, investigador e professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Será também apresentado em DVD realizado por Tiago Guedes a partir do espectáculo "O Mercador de Veneza", de William Shakespeare, estreado no palco do TNSJ em Novembro de 2008. O novo centro de documentação poderá ser visitado de segunda a sexta-feira, entre as 14h30 e as 18h00. in http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/545844
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Câmara dá lotes de terreno para criação de hortas urbanasInserido em 05-11-2009 17:06 A autarquia de Ponte de Lima criou o projecto "Hortas Urbanas", distribuindo, pelos munícipes interessados, lotes de terreno para cultivo agrícola. "As pessoas que têm o gosto pela terra mas que não dispõem de um terreno para cultivar passam, a partir de agora, a dispor de um espaço para a sua própria horta", explicou, à Lusa, Gonçalo Rodrigues, responsável pelo projecto. Na Veiga do Crasto, mesmo às portas da sede do concelho, foi vedada uma área expressamente para a implantação das "Hortas Urbanas", que, nesta primeira fase, disponibiliza 36 lotes, cada qual com uma área entre 40 a 45 metros quadrados. O projecto já recebeu oito candidaturas, a quem vão ser atribuídos os respectivos lotes, no próximo sábado. Entre os primeiros candidatos, "há de tudo", desde um arquitecto a uma mulher que vivia no campo e que entretanto se transferiu para o núcleo urbano, sendo também muitos variáveis as idades, com gente jovem e outra já a entrar na terceira idade. "O denominador comum a todos é o gosto pela terra", frisou Gonçalo Rodrigues. Naquelas hortas poderá cultivar-se todo o género de produtos hortícolas, bem como flores. Além do lote de terreno, o Município disponibiliza também um ponto de água destinada à rega das culturas, um abrigo comum para armazenamento dos utensílios agrícolas e um espaço comum para compostagem ou colocação de estrumes. in http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=92&did=78062
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Obras de remodelação do Paço Episcopal avançam a bom ritmo A Diocese da Guarda promoveu na manhã da passada sexta-feira, 30 de Outubro, uma visita guiada às obras de recuperação do edifício do Paço Episcopal, com a presença de D. Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda, Carlos Augusto Pina Paula, Ecónomo da Diocese, Joaquim Carreira, arquitecto responsável pelo projecto, e do empreiteiro responsável pela obra a cargo da firma António Ascensão Coelho e Filhos, SA. Durante a visita, D. Manuel Felício disse que a Diocese suporta na totalidade o custo das obras do edifício do Paço Episcopal, orçadas em mais de 900 mil euros (com aquecimento incluído), tendo optado por não pedir apoio ao Estado para “poupar a administração pública”. Adiantou que a decisão de executar o projecto sem financiamento público foi tomada para acelerar o processo. “Se estávamos à espera de financiamentos públicos, não sei se iríamos arrancar”, admitiu, indicando que as mesmas foram iniciadas em Junho de 2009 e têm um prazo de execução de um ano. Segundo o Bispo, a opção também foi tomada “tendo em conta as dificuldades que os mecanismos de financiamento público apresentaram nos últimos anos e continuam a apresentar”. “Resolvemos ir por um caminho de autonomia. Entendemos que devíamos optar por poupar a administração pública a este compromisso”, justificou. A obra está a ser paga com donativos dos fiéis e segundo a Diocese, já foi feito um pagamento ao empreiteiro no valor de 100.668,24 euros, correspondente a dois autos de medição. “A subscrição pública para este efeito está em curso e os resultados vão sendo publicados nos três jornais da Diocese”, foi referido. D. Manuel Felício disse que a Diocese “tem sido generosa” e que “já tem havido iniciativas”. “Na medida em que nós informamos o público de como as coisas estão a andar, da parte realizada e da que falta realizar, certamente que as próprias generosidades vão crescer. Estou convencido disso”, admitiu, no final da visita. Aposta nas energias renováveis O edifício do Paço Episcopal da Guarda, situado na Rua do Encontro, apostará nas energias renováveis para aquecimento, através de geotermia, e, segundo o Bispo está em aberto, a possibilidade de produção de energia fotovoltaica. O Paço Episcopal ocupa uma casa solarenga do século XVIII, construída nos limites da cidade de então, doada pelos Condes de S. João de Areias à Diocese da Guarda. Já foi Colégio (desde o final de oitocentos até 1910), Seminário e Casa Episcopal, após a apropriação pelo Estado do Paço Episcopal e Seminário (construção seiscentista). Depois de um século de uso sem grandes transformações, está agora numa intervenção de fundo para Cúria Diocesana (zona de atendimento, gabinetes, salão e salas de reuniões, arquivo vivo, casa de máquinas, garagens e arrumos); Paço Episcopal com capela, salas de recepção e audiências, Secretaria Episcopal e área de habitação; casa da comunidade religiosa de apoio ao Bispo Diocesano; Biblioteca e arquivos. Como se trata de um edifício do século XVIII, no âmbito da intervenção é assegurada a sua traça arquitectónica original. “A ideia base subjacente a todo o projecto foi sempre de manter as características arquitectónicas do edifício”, disse o autor do projecto, o arquitecto Joaquim Carreira. Explicou que o interior foi adaptado “à legislação actual”, promovendo “a melhoria das condições de habitabilidade”. Refira-se que devido à realização das obras, a residência do Bispo e a Cúria Diocesana estão instalados, provisoriamente, no antigo Colégio de S. José. in http://www.jornalaguarda.com/index.asp?idEdicao=324&id=17419&idSeccao=4301&Action=noticia
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Parque Oriental pronto para visita na Primavera 2009-11-09 CARLA SOFIA LUZ Sidónio Pardal crê que em Abril será possível passear por 10 hectares . Os muros de granito e de xisto são a peça mais marcante no terreno em Campanhã onde cresce o Parque Oriental do Porto. O arquitecto Sidónio Pardal acredita que o espaço verde estará pronto para uma primeira visita na Primavera. É convicção do projectista, também o autor do Parque da Cidade portuense, que os primeiros 10 hectares do espaço verde estarão em condições de acolher visitantes entre Março e Abril do próximo ano. "Gostaria que já fosse aprazível para passar umas horas", explicou, ontem de manhã, Sidónio Pardal numa caminhada pelo local onde decorrem os trabalhos de modelação do terreno, na margem da Alameda de Azevedo e do Lugar do Casal. A entrada principal fica junto ao parque de estacionamento naquela alameda, nas traseiras do Lagarteiro. As fachadas em mau estado do bairro são bem visíveis do caminho enlameado percorrido pelas cerca de 30 pessoas que, sem medo da chuva, responderam ao convite da associação ambientalista Campo Aberto. No futuro, desaparecerão do olhar dos utentes do parque. Serão tapadas pela vegetação, afiança Sidónio Pardal, que conduziu a visita. "Estamos a utilizar o material vegetal que existe no viveiro da Câmara do Porto. Têm centenas de árvores excelentes", apontou o arquitecto. Os carvalhos de folha caduca e os pinheiros mansos predominarão na paisagem entre outras espécies, nomeadamente os cedros, os sobreiros, as tílias, as camélias, os rododendros, as azáleas e as criptomérias japónicas. "É um trabalho muito artesanal", que não se limita á ideia colocada no papel. Todas as sexta-feiras, o arquitecto reúne com os responsáveis da obra para dar as indicações para a semana. Ao ver a evolução dos trabalhos no terreno, surgem novas ideias. Bom exemplo disso é a reabilitação das ruínas de uma antiga habitação agrícola do lugar do Casal que servirá de "casa de fresco para os utentes do parque". Mas a velha moradia da família Mesquita, únicos habitantes deste lugar de Campanhã, deverá ser demolida. "Uma habitação sozinha no meio do parque não faz sentido, mas ainda não está decidido", esclareceu. Está prevista, contudo, a manutenção de alguns núcleos de habitações no perímetro do parque com a reconversão de alguns usos. Não haverá, por exemplo, lugar para estábulos. Sidónio Pardal entende que a construção dos 40 hectares do Parque Oriental não deve ser feita muito depressa. "Se todo o parque ficar pronto dentro de 10 anos, já será muito bom", continua. A tarefa mais complicada será a despoluição do rio Tinto, que atravessa a área. Hoje, a linha de água está escondida num fosso com quatro metros de profundidade. O arquitecto quer colocá-la à vista dos utentes. "Vamos alargar o rio. Passará a ter entre oito a 15 metros de leito, conforme a largura do vale", concluiu. in http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Porto&Option=Interior&content_id=1414116 Parque Oriental do Porto deverá ficar concluído "nos próximos 10 anos", arquitecto De Ana Paula Martinho (LUSA) – 8 de Nov de 2009 Porto, 08 Nov (lusa) - O autor do projecto do futuro Parque Oriental do Porto, o arquitecto paisagista Sidónio Pardal, afirmou hoje que "seria muito bom" se o parque ficasse concluído nos "próximos dez anos". "Um parque é uma coisa viva e está sempre em evolução e transformação, eu diria que se todo o parque estiver pronto nos próximos dez anos seria muito bom", afirmou Sidónio Pardal durante uma visita guiada ao local, promovida pela Associação Campo Aberto. Contudo, Sidónio Pardal salientou que na "próxima Primavera, já deverá ser muito aprazível vir aqui passar umas horas", estimando que em Março/Abril estejam concluídos cerca de dez hectares do parque. © 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. in http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5gTm89qgeZa3Zar8KtSrjOMDug3Hw
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15 Novembro 2009 - 00h00 Mármore: A pedra preferida dos palácios árabes está a desaparecer O tesouro em declínio do Alentejo O mármore das pedreiras alentejanas é considerado o melhor do mundo mas vive dias de agonia. A crise é só uma das razões. Manuel Lobinho aponta para o gigantesco elevador que faz subir um camião carregado de pedras à superfície da enorme cratera de mármore. "Já tinham visto alguma coisa assim? Este elevador é único no Mundo", diz, com indisfarçável orgulho, o encarregado da pedreira Plácido José Simões, uma das que ainda resistem na zona de Borba. A 90 metros de profundidade, os trabalhadores cortam as pesadas lâminas de mármore, por enquanto ainda a maior riqueza da região. Grande parte destas pedras vai acabar em casas, hotéis e palácios do Médio Oriente, mas a crise é a palavra que mais se houve sobre os mármores alentejanos. Manuel tem 51 anos e trabalha nos mármores da zona de Vila Viçosa, Borba e Estremoz desde os 14. Encarregado da única pedreira em actividade da empresa Plácido José Simões, tem visto as encomendas e os postos de trabalho a desaparecerem nos últimos anos. "Só aqui já fomos 17 funcionários. A empresa chegou a ter cinco pedreiras a funcionar, mas hoje somos 13 a trabalhar apenas numa exploração. Desde a guerra do Iraque que o mármore entrou em crise", explica. Por ali, as máquinas de fio diamantado (cabos de aço com partículas de diamante incrustadas) ainda cortam as enormes pedras ao ritmo de oito a nove metros por hora, mas o destino de cada uma destas peças é cada vez mais incerto. O mercado do Médio Oriente continua a ser o principal comprador do mármore alentejano, mas os custos de produção e o euro quase 50% mais caro do que o dólar têm deixado a indústria à beira do colapso. Jorge Plácido, um dos dois irmãos que dirige a empresa criada pelo pai há mais de 30 anos, fala do paradoxo que ameaça a região: "Temos a funcionar uma pedreira de onde extraímos o melhor mármore do Mundo. Mas, para manter a fábrica a funcionar, vejo-me obrigado a importar mármore de outros países, ainda que de menor qualidade", explica o empresário. São várias as razões que explicam as dificuldades do mármore alentejano, e nenhuma delas de fácil solução. "Não consigo competir com os custos de produção de países como a Espanha ou a Turquia. Não temos ajudas no preço da electricidade nem do gasóleo, como acontece nesses países", diz Jorge Plácido. Mas há outro factor ainda mais difícil de contrariar: "O mármore daqui vai do rosa ao branco. Se um arquitecto quer usar outras cores, como o preto, o verde, ou o azul, não temos esse tipo de pedras na nossa região, somos obrigados a importá-las". A extracção do mármore das entranhas da terra tem muito de engenho, mas a sorte joga também um papel crucial. A qualidade da pedra define-se pela ausência de veios. Quanto mais ‘limpa’ e uniforme for a superfície, maior o seu valor. Mas isto é algo que escapa por completo à vontade dos homens – só depois de cortados os enormes blocos é que se pode perceber qual a categoria do material que a terra esconde. É a Natureza que decide o preço a que se vende. "A qualidade é a mesma, a diferença é só estética, mas sempre foi assim e sempre será. O único mármore que tem bom preço garantido é o de primeira qualidade, que é cada vez mais raro", diz Jorge Plácido. Ao seu lado, o intermediário Masd Katura concorda: "O mármore daqui é o melhor mármore do Mundo". Nascido na Jordânia, Masd vive em Portugal desde 1992 – tem cá mulher e filhos e até já recebeu a cidadania portuguesa. Desde então que negoceia mármore para o Médio Oriente, com a Arábia Saudita à cabeça. "Com a escassez de material de primeira categoria, os países árabes compram cada vez mais mármore de segunda ou terceira, a preços muito mais reduzidos", diz. Masd Katura acusa os portugueses de não darem valor ao material que extraem das pedreiras: "Começaram a vender para muitos clientes e o excesso de oferta estragou o preço". E dá um exemplo: "Ainda hoje comprei a uma pedreira alentejana um lote de mármore a metade do preço que negociei há seis meses. Estão a vender abaixo do custo de produção, mas, se não fizerem receita rapidamente, correm o risco de fechar as portas. Para mim também é muito mau, porque os meus clientes exigem preços cada vez mais baixos e as margens ficam muito reduzidas", diz Masd. As pedras de Borba, Vila Viçosa e Estremoz, conhecidas em todo o Mundo pela designação Rosa Portugal, continuam a seguir para palácios, hotéis e grandes edifícios públicos da Arábia Saudita ou do Dubai, mas se as quantidades compradas ainda permitem manter as pedreiras activas, os preços praticados deixam a indústria à beira do colapso. O mercado europeu, sobretudo Espanha e Itália, ainda faz algumas encomendas, mas os negócios rareiam. Perto de Vila Viçosa, Bencatel é uma pequena localidade que vive quase exclusivamente do mármore. É ali que António Manuel Alves tem a sua pedreira, "uma das que tem tirado mármore de melhor qualidade da região", afirma Miguel Gomes, um dos principais intermediários na exportação das pedras portuguesas. Em contracorrente com o que dizem os colegas, António Manuel – que sucedeu ao pai na administração da empresa Ezequiel Francisco Alves – diz-se optimista. "Sinto o efeito da crise, mas ainda consigo vender o material todo. A situação está a melhorar desde Maio". O empresário, que emprega 35 funcionários em Bencatel e tem ainda outra empresa em Pêro Pinheiro, Sintra – outra zona de extracção de mármores – prepara-se para retomar a exploração de uma segunda pedreira no Alentejo, contrariando a tendência das últimas décadas: "Há 15 anos havia 230 pedreiras a funcionar nesta região. Hoje não serão mais de 70". Quase toda a produção da Ezequiel Francisco Alves vai para o estrangeiro – mais uma vez para países do Médio Oriente. António tem 48 anos e três filhos. Apesar do optimismo a curto prazo, não vê maneira de os filhos pegarem no negócio: "Daqui a 15 a 20 anos esta indústria vai acabar por falta de matéria-prima". Miguel Gomes é visita frequente das pedreiras e fábricas do Alentejo e de Pêro Pinheiro. Há muitos anos que exporta pedras portuguesas e estrangeiras, tendo no mercado árabe os seus principais clientes. Percorrendo com ele os enormes armazéns da fábrica Mármores Galrão, uma empresa de Pêro Pinheiro com a qual trabalha e que importa e exporta pedras ornamentais, é fácil de perceber as dificuldades do mármore português. Ali estão em exposições pedras de todo o Mundo: mármores amarelos e castanhos do Brasil, mais escuros do Irão, vermelhos da Índia, enfim, todo o mundo desta pedra num armazém da vila sintrense. Miguel mostra as placas já cortadas e explica as diferenças: "Está a ver, estas placas que vêm de fora tem de levar muita cola e uma estrutura de tela para se aguentarem. O mármore português não precisa de nada disto. Não empena, resiste ao calor e as cores mantêm-se ano após ano. Mas os arquitectos não estão sensibilizados e não têm muita apetência pelo nosso mármore". DIAMANTES NO MÁRMORE É a velha história que se repete desde a revolução industrial: A máquina aperfeiçoa-se, a produção aumenta, os homens tornam-se dispensáveis. A indústria do mármore mudou radicalmente há cerca de 20 anos, quando se começou a usar fio diamantado (com partículas de diamante) para extrair e cortar o mármore, em vez de cabos de aço. "Antes cortar 60 a 80 cm por dia já era bom, hoje conseguimos extrair oito a nove metros de pedra", explica Manuel Lobinho, encarregado de uma pedreira. INTERMEDIÁRIO APONTA EXCESSO DE IMPOSTOS E O VALOR EXCESSIVO DO EURO A trabalhar no sector desde 1988, Miguel (foto à direita) aponta o dedo ao Estado por não proteger as indústrias portuguesas: "Não podemos concorrer com outros países em nada. Nem na electricidade, nem no gasóleo, nem no IVA que pagamos. E depois ainda temos de pagar de imediato os impostos calculados sobre facturas que só são cobradas muitos meses depois. As empresas vivem em asfixia permanente, há quem tenha de pedir empréstimos aos bancos só para pagar os impostos". Os países árabes, ainda os principais importadores de mármore, escolhem matéria de segunda e terceira categoria e procuram sempre os preços mais baixos. "Há cinco anos, chegava a exportar 130 ou 150 contentores por mês. Hoje não passa dos 60. O preço a que está o euro é incomportável, porque um comprador da Arábia Saudita ou da Jordânia, que paga em dólares, tem um agravamento de 50% no preço a que vendemos". PRODUÇÃO E RECEITAS EM QUEDA LIVRE DESDE 1999 A frieza dos números mostra a fragilidade do sector dos mármores na última década. De acordo com os dados oficiais da Direcção-geral de Energia e Geologia, entre 1999 e 2007, tanto a produção como as receitas geradas pelo sector têm vindo a cair ano após ano. Em 1999 o mármore era, de longe, a rocha ornamental que mais receitas gerava em Portugal – 48,7 milhões de euros. Sete anos depois, o mármore gerou apenas 34,6 milhões de euros, abaixo dos calcários (41,7), dos granitos (43,5) e até da pedra para calçada (36,6). Quanto à quantidade produzida, em 2007 retirava-se das pedreiras quase metade do mármore extraído em 1999 – de 383 mil toneladas passou-se para 217 mil. NOTAS PESSOAL Nas pedreiras e na fábrica da empresa Plácido Simões chegaram a trabalhar 120 pessoas. Hoje não são mais de 45. 15 EUROS Preço a que se vende hoje o metro quadrado de mármore de segunda categoria. Noutros tempos chegava a pagar-se 35 euros pela pedra. ARÁBIA Junto à Kaaba – o lugar mais sagrado do Islão – há várias construções com mármore português. PALÁCIOS Várias casas e palácios do Dubai ou da família real da Arábia Saudita têm pedras do Alentejo. DURÁVEL Pedra alentejana não muda de cor e não empena, mesmo sujeita às intempéries do deserto. in http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=F984AA89-B778-4ED8-8F10-15DF8F53CA1B&channelid=00000019-0000-0000-0000-000000000019&h=5 José Carlos Marques
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Igreja do Jardim da Serra é objectivo cumprido Com a dedicação e bênção do altar da igreja de São Tiago a população da paróquia do Jardim da Serra viu concretizado um objectivo que há muitos anos esperava. As cerimónias, que decorreram ontem de manhã, foram presididas por D. António Carrilho e iniciaram-se com a entrega entrega simbólica da chave daquela igreja ao bispo da Diocese, seguindo-se a celebração da Eucaristia, concelebrada por D. Teodoro de Faria, Bispo Emérito da Diocese do Funchal, Pe. Eleutério Ornelas, pároco do Jardim da Serra, Pe. Mário Tavares, anterior pároco, Pe. José Luís Rodrigues, Pe. Manuel Ornelas, Pe. Francisco Caldeira e Cónego Carlos Duarte. A chuva e o nevoeiro não constituíram impedimento às muitas centenas de pessoas que participaram nas cerimónias, enchendo por completo o vasto templo, que tem uma capacidade de 425 lugares sentados mas que poderá atingir os mil em dias de festa como o de ontem. O presidente do Governo Regional da Madeira, o secretário regional do Equipamento Social, o presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos e o presidente da Junta de Freguesia do Jardim da Serra, marcaram presença nesta celebração. O grupo coral da paróquia solenizou a missa na qual se incluíram a bênção do altar e das cruzes, tendo esta cerimónia sido feita pelo Bispo do Funchal, bispo emérito, e pelo actual e anterior pároco de Jardim da Serra. Na homilia D. António Carrilho recordou alguns aspectos históricos daquela paróquia, salientando que desde há muitos anos que a comunidade paroquial ansiava por um templo amplo e com dignidade como é o actual. Sublinhou que aquele era um dia de muita alegria para o Jardim da Serra e para a Diocese do Funchal e agradeceu os apoios do Governo Regional da Madeira, bem como o empenho na concretização deste templo por parte de D. Teodoro de Faria e dos párocos. Também o povo daquela freguesia mereceu palavras de elogio e de agradecimento pelo apoio dado na obra. O prelado funchalense fez algumas reflexões sobre as leituras proclamadas e enunciou alguns aspectos das diversas fases da dedicação da igreja sublinhando que com a unção, o altar torna-se símbolo de Cristo que é chamado ungido, isto é, consagrado. A unção da igreja significa que, toda aquele templo está consagrado ao culto cristão. Os ritos de ungir, incensar, revestir e iluminar o altar manifestam, por meio de sinais visíveis, algo das obras invisíveis que o Senhor realiza através dos divinos mistérios da Igreja, sobretudo pela celebração da Eucaristia. A iluminação do altar, seguida pela iluminação da igreja, lembra-nos que Cristo é a luz para a revelação aos povos com a sua claridade resplandece a Igreja, e, através desta, toda a família humana. D. António Carrilho disse ainda que aquele era um dia de muita alegria para a comunidade paroquial do Jardim da Serra, recordando também os emigrantes daquela localidade que mesmo longe da sua terra natal não a esquecem e também ontem viveram um dia muito especial. A alegria visível na face dos paroquianos do Jardim da Serra, por terem uma nova igreja também se manifestou pelos aplausos em diversos momentos das cerimónias de ontem. No final da celebração o pároco, Pe. Eleutério Ornelas agradeceu o apoio recebido para as obras da nova igreja e manifestou a sua alegria pela concretização daquela importante obra. D. António Carrilho anunciou que a Diocese do Funchal ofereceu a pia baptismal para aquele novo templo. A igreja de São Tiago, cujo projecto é do arquitecto Cunha Paredes, tem uma área de 1.074,59m2 e custou cerca de 1.900.000 euros pagos pelo Governo Regional da Madeira. A este valor acrescenta-se o investimento de cerca de 700.000 euros feito pela fábrica da igreja e pela comunidade paroquial para aquisição do terreno confinante a nascente, bem como da arte sacra para o interior da igreja. Sílvio Mendes in http://www.jornaldamadeira.pt/not2008.php?Seccao=7&id=138165⊃=0&sdata= Fotografias: - http://vistadaserra.blogspot.com/
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Colocada a primeira pedra do Convento de Mafra Actualizado em 17-11-2009 01:12 Corria o ano de 1711 quando o rei de Portugal D. João V ordenou que se edificasse, em Mafra, um convento dedicado a Santo António. Admite-se que na origem da decisão real esteve uma promessa feita pelo próprio rei para alcançar sucessão. Apesar de serem vários os mitos que procuram explicar a decisão de construir o convento, António Filipe Pimentel, professor de História da Arte na Universidade de Coimbra, refere que, à luz do ambiente político-religioso da época, a teoria da sucessão é a mais consistente: “A sucessão dinástica era uma questão central na sobrevivência de Portugal como Estado-Nação independente”. D. Pedro II, pai de D. João V, apesar de governar o país há já alguns anos, só se tornara verdadeiramente rei de Portugal após a morte do seu irmão, Afonso VI, que, por sua vez, não era filho mais velho. “O fio dinástico da Casa de Bragança era, então, muito ténue e o facto de D. João V estar casado há três anos sem sucessão podia reproduzir os episódios de turbulência política já vividos”, explica o especialista. A cerimónia de lançamento da primeira pedra deu-se seis anos depois, a 17 de Novembro de 1717. Desconhecidos continuam ainda os motivos para a data escolhida, mas documentos da época demonstram que a cerimónia estava prevista para o dia 17 de Outubro, mas teve que ser adiada. “Para a cerimónia, D. João V mandou edificar uma igreja, ainda que em materiais efémeros, igual àquela que seria construída. Acontece que, numa das noites anteriores à data, um temporal destruiu a obra, sendo necessária reedificá-la”, afirma António Filipe Pimentel. Há exactamente 292 anos, dava-se, então, início à construção do Convento de Mafra. Desde a cerimónia de lançamento da primeira pedra até à Sagração da Basílica, em 1730, o projecto, sob a direcção do arquitecto João Frederico Ludovice, sofreu inúmeras alterações. De um convento para 13 frades passou para um palácio-convento destinado a acolher 300. “Foi necessário demolir um monte que existia a nascente do edifício original, alterando drasticamente a paisagem”, refere António Filipe Pimentel. O conhecido Convento de Mafra acabou por se transformar no Real Edifício de Mafra. De acordo com o professor da Universidade de Coimbra, longe da promessa para alcançar sucessão, o edifício real pretende “dar à monarquia portuguesa uma imagem simbólica de poder”. Está-se no esplendor do Barroco, época de exteriorização do poder, e é esse ícone que o rei pretende materializar. Com a ampliação do projecto, o erário da Casa de Bragança não se revelou suficiente para suportar os custos inerentes à obra. O ouro do Brasil tornou-se, assim, num dos elementos fundamentais. Apesar de o Real Edifício de Mafra ser considerado, por muitos, um desperdício de recursos, António Filipe Pimentel discorda: “Evidentemente que é o expoente máximo de um reinado que dispõe de meios económicos, mas não foi ele que absorveu o ouro do Brasil. Ele foi disseminado por várias iniciativas”. O Real Edifício de Mafra foi habitado apenas esporadicamente. Foi dali que, em 1910, o último rei de Portugal, D. Manuel II, partiu para o exílio, após a proclamação da República, em 5 de Outubro. Ainda nesse ano, o convento foi classificado com Monumento Nacional. Em 2007, foi um dos finalistas para o concurso das Sete Maravilhas de Portugal. in http://www.rr.pt/informacao_nestedia.aspx?fid=103&did=79575
