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Lisboa | Novo Museu Nacional dos Coches | Paulo Mendes da Rocha
JVS replied to gigi's topic in Arquitectura
Museu dos Coches: Sócrates lembra família de arquitectos Discurso do primeiro-ministro na cerimónia de lançamento da primeira pedra do novo Museu dos Coches José Sócrates falava após intervenções do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, do secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, e da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, num discurso em que também fez rasgados elogios ao projecto do arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha para o novo Museu dos Coches. «Deus sabe as dificuldades para que este dia pudesse ser o dia de arranque da construção do novo Museu dos Coches. Todas as mudanças, todos os novos projectos têm as suas dificuldades, e aqui também as tivemos, mas esse esforço é agora recompensado, porque permitiu a Portugal dar um sinal claro de investimento numa área cultural e museológica da maior importância», declarou Sócrates. Na sua intervenção, José Sócrates também aludiu às ligações de membros da sua família à área da arquitectura. «Sou de uma família de arquitectos: o meu pai é arquitecto, o meu sogro e o meu cunhado são arquitectos - e até eu sempre tive a mania que sabia alguma coisa de arquitectura e tenho muitas opiniões sobre arquitectura. A arquitectura não é a solução para todos os problemas do mundo, mas a arte da arquitectura é uma das mais importantes para os povos e pode dar um grande contributo para a nossa qualidade de vida», sustentou. Neste contexto, o primeiro-ministro afirmou que Portugal sente «grande orgulho por ter das escolas de arquitectura mais conhecidas do mundo inteiro». in http://www.tvi24.iol.pt/politica/arquitectos-socrates-tvi24-ultimas-museu-dos-coches/1135961-4072.html Belém vai passar a ter dois Museus dos CochesInserido em 01-02-2010 19:48 Além do novo Museu dos Coches, projectado pelo arquitecto Paulo Mendes da Rocha, o antigo, em frente ao antigo museu, não irá fechar portas - vai manter um núcleo mais pequeno para visitas mais rápidas. A garantia foi dada hoje, no lançamento da primeira pedra - uma cerimónia a marcar os 100 dias de Governo e que contou com a presença de José Sócrates. A cerimónia começou mais de uma hora atrasada à espera do Primeiro-ministro, a quem a ministra da Cultura teve de explicar como seria colocado o primeiro tijolo. A directora Silvana Bessone garante assim que Belém vai passar a ter não um, mas dois museus dos Coches: “No antigo museu fica um pequeno núcleo de viaturas do séc. XVIII, continuando aquele espaço a integrar a visita ao novo museu dos coches e a potenciar a prestação de um serviço de cedências de espaço”. Perante o arquitecto brasileiro, prémio Priztker, autor do novo museu, José Sócrates sublinhou a importância da arquitectura: “Eu sou de uma família de arquitectos (…) e até eu sempre tive a mania que sabia alguma coisa de arquitectura e tenho muitas opiniões sobre arquitectura, mas estou convencido que a arte da arquitectura é um das artes mais importantes para os povos”. O novo museu dos Coches custará mais de 31 milhões de euros e terá mais de 15 mil metros quadrados in http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=92&did=89759 Primeira pedra do novo Museu do Coches 2010-02-01 O Primeiro-Ministro presidiu ao lançamento da primeira pedra do novo Museu dos Coches, em Belém, Lisboa, que irá ocupar o espaço das antigas Oficinas Gerais de Material do Exército, que será transformado através de um projecto do arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha. «Todas as mudanças, todos os novos projectos têm as suas dificuldades, e aqui também as tivemos, mas esse esforço é agora recompensado, porque permitiu a Portugal dar um sinal claro de investimento numa área cultural e museológica da maior importância», afirmou José Sócrates. A colecção do Museu dos Coches é a mais importante, completa e famosa do mundo: é composta por 130 viaturas, 54 das quais se encontram no actual Museu dos Coches e as restantes 76 no núcleo de Vila Viçosa, instalado desde 1984 nas antigas cocheiras e cavalariças do palácio; destas 32 virão para o novo museu, permanecendo as restantes 44 em Vila Viçosa. No antigo museu - o mais visitado de Portugal - ficará um pequeno núcleo de viaturas do século XVIII e o espaço continuará a integrar a visita ao Museu dos Coches. Assinalando que «a arquitectura não é a solução para todos os problemas do mundo, mas a arte da arquitectura é uma das mais importantes para os povos e pode dar um grande contributo para a nossa qualidade de vida», o Chefe do Governo acrescentou que Portugal sente «grande orgulho por ter das escolas de arquitectura mais conhecidas do mundo inteiro». O PM homenageou ainda «a visão da Câmara de Lisboa que, compreendendo bem que a alma portuguesa foi sempre cosmopolita e universalista, decidiu ter na zona mais nobre de Belém as melhores escolas de arquitectura do mundo. Além deste projecto, de um brasileiro, teremos nesta zona um de Charles Correia (um indiano de Goa) e de David Adjay (um africano). Isto significa que Lisboa não desiste da sua ambição cosmopolita e universal, querendo ter na cidade os melhores arquitectos do mundo». A Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, recordou que o Museu dos Coches é «precisamente aquele que é o mais visitado e que tem prestígio a nível mundial, graças à excelência da sua colecção e à sua singularidade: é única no mundo». «A decisão de relocalizar o Museu dos Coches nas antigas OGME reflecte a ambição cultural do plano estratégico de requalificação da frente ribeirinha de Lisboa, em particular o eixo Ajuda-Belém». O novo Museu dos Coches «irá potenciar a dinâmica cultural e turística de todo o eixo Ajuda-Belém», onde «se irá integrar também o Museu de Arte Popular e, ainda nesta legislatura, o futuro Museu Nacional de Arqueologia relocalizado na Cordoaria». O museu será «um equipamento que faz a ponte entre o passado e o presente: um diálogo entre a arquitectura e um conceito museológico contemporâneo e a expressão da nossa história através das viaturas dos séculos XVII, XVIII e XIX». O arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, já foi distinguido com o Prémio Pritzker, o mais importante prémio mundial de arquitectura. in http://www.governo.gov.pt/pt/GC18/PrimeiroMinistro/Noticias/Pages/20100201_PM_Not_Museu_Coches.aspx Obras do novo Museu dos Coches já começaram data de abertura ainda será anunciada Presstur 03-02-2010 (15h39) O futuro Museu dos Coches já começou a ser construído, e vai contar com dois percursos de visita que incluem dois espaços com tempos diferentes de visita, disse ao PressTUR a sua directora, Silvana Bessone. Da autoria do arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, com projecto museológico da autoria do arquitecto Nuno Sampaio, o objectivo é de criar um “Museu de Vanguarda”, como o caracterizou a sua directora, Silvana Bessone. O espaço “vai ter em exposição cerca de 76 viaturas do acervo do museu, ficando as restantes 44 viaturas, de caça e da região no núcleo de Vila Viçosa, e 10 carruagens do século XVIII no edifício do actual museu, do outro lado da rua, a fim de preservar a memória”, revelou ao PressTUR a responsável, adiantando ainda que, o restante espaço vai ser para receber e promover eventos de gala. O actual projecto tem poucas alterações face ao apresentado inicialmente, sendo a maior mudança, a eliminação do silo de estacionamento projectado por Paulo Mendes da Rocha. “Outra das novidades no novo museu vai ser a existência de dois percursos de visita que incluem os dois espaços, com tempos diferentes de duração de visita, de forma a corresponder às necessidades dos operadores turísticos”, revelou ainda a responsável, durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra, nas antigas Oficinas Gerais do Exército, em Belém. Depois de ter sido apresentado ao público em Julho de 2008, a cerimónia do lançamento da primeira pedra do novo edifício foi presidida pelo primeiro-ministro José Sócrates e pela ministra da Cultura Gabriela Canavilhas. O Museu ainda não tem prevista a data de abertura, mas vai compreender uma área de exposições permanentes, área para exposições temporárias, oficinas de restauro visíveis ao público, uma área reservada para o serviço educativo e administração, uma sala de documentação e biblioteca, arquivo, um restaurante panorâmico, uma cafetaria, dois espaços para lojas com artigos do museu no piso térreo e um auditório. Com paredes brancas, blindadas, janelas grandes, estrutura quadrada e suspensa, o museu vai ocupar uma área total de cerca de 15.177 metros quadrados, dos quais 11.800 metros quadrados estão destinados à área expositiva e o restante para oficinas de manutenção e conservação das peças e serviços. O novo museu vai integrar o circuito museológico ribeirinho de Belém, a par do Museu de Arte Popular, do Picadeiro, que apresentará espectáculos da Escola Portuguesa de Arte Equestre, o novo Museu de Arqueologia na Cordoaria e do Palácio da Ajuda, a juntar aos equipamentos já existentes, como o Mosteiro dos Jerónimos, o Museu da Marinha, o Museu da Presidência, o Museu de Etnologia, o CCB, o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém. O Museu Nacional dos Coches foi inaugurado em 1905, pela rainha D. Amélia, com o objectivo de reunir e preservar o “conjunto de viaturas de gala e equipagens pertencentes à Casa Real Portuguesa” dispersas por várias localizações e é actualmente o museu português mais visitado, com 90% de visitantes estrangeiros e têm uma das melhores colecções do género, de todo o mundo. in http://www.presstur.com/site/news.asp?news=23715 Museu dos Coches: Arquitecto diz que espaço tem muitas potencialidades Inserido em 05-02-2010 19:13 Paulo Mendes Rocha, o arquitecto brasileiro a quem foi encomendado o edifício do novo Museu Nacional dos Coches consegue imaginar o espaço que desenhou não só como museu, mas como área para eventos, como o lançamento de carros. Na semana em que foi, simbolicamente, colocada a primeira pedra do futuro edifício, em entrevista exclusiva à Renascença, o arquitecto diz que um museu pode ser mais que um local de memórias. Paulo Mendes da Rocha, a caminho dos 82 anos, diz que o trabalho é o melhor passatempo que um homem pode ter. Em entrevista à Renascença - que pode ouvir hoje, às 23h30, no programa Ensaio Geral - o prémio Pritzker da arquitectura em 2006 nega que tenha um estilo próprio e reconhece que um arquitecto é feito de ilusões e pensamentos. “O arquitecto é feito só de ilusões e pensamentos, mas eu tenho a impressão que antes de mais, a arquitectura pertence ao senso comum. No fundo nós nascemos arquitectos. Nascemos numa casa, sabemos o que é uma janela, uma porta, um abrigo. Depois nós vemos logo por necessidade as questões da cidade aparecerem. Todos nós começamos a ir à escola, a nossa casa tem de se abastecer, é preciso ir ao mercado. A cidade é uma construção que faz parte da nossa vida. Na mentalidade de arquitecto, nós sabemos que podemos desfrutar da cidade que é feita por nós. Não existe na natureza” - sublinhou. À pergunta “Como é que surgiu o novo Museu dos Coches de Belém”, responde que ficou surpreendido com o convite e não teve argumentos para dizer que não: “Fomos vendo, o terreno estava lá destinado para isso. No projecto, a grande preocupação foi o recinto todo, enquanto espaço; o turismo intenso que já existe, a frente Tejo, os Jerónimos, as embarcações, as travessias que são muito importantes – a calçada da Ajuda, que tem o interesse dos grandes monumentos do passado, com instalações militares ligadas à cavalaria. Ou seja, ninguém inventou o Museu dos Coches, ele já existe. Por isso mesmo, ele sabe demandar o sufi ciente. Os espaços devem ser proporcionais ao tamanho daquelas coisas todas que tem de expor. A lotação de um dos museus mais visitados de Lisboa. Tudo isso acarreta exigências”. in http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=96&did=90473 -
Abrigo Quem quer sobreviver? por Cláudia Melo07 Fevereiro 2010 Serve para situações de catástrofe. Pretende ser o mais autónomo possível do ponto de vista energético, recorrendo a células fotovoltaicas para a produção de electricidade, bem como o aproveitamento das águas pluviais Shelter Box" (caixa abrigo), é um abrigo para situações de catástrofe, da autoria dos arquitectos portugueses João Sequeira, Ana Figueiredo, Marta Moreira e Pedro Ferreira, tendo vencido o Concurso Internacional de Arquitectura e Energias Renováveis - Ares Competition, lançado pela Technical Chamber of Greece (TCG), Work Programme on Architecture and Renewable Energy Sources (ARES) da União Internacional dos Arquitectos. De acordo com os seus autores, o conceito do Shelter Box "assenta na versatilidade, pré-construção e rapidez de edificação, como também na ecologia, sustentabilidade e sobretudo no uso de recursos energéticos renováveis". De facto, a peça baseia-se na conjugação de duas ideias de execução muito simples - a tenda e o acordeão. Conforme explica o colectivo, "a tenda é o abrigo mais vulgar e mais usado em todo o tipo de situações de emergência, e tem-se transformado na memória, sempre renovada, dos vastos campos de refugiados que ocorrem pelo mundo desde o pós-guerra até à actualidade; o acordeão permitia--nos, por um lado, usá-lo formalmente, explorando a possibilidade de portabilidade e de transformação espacial, que ocorrem naturalmente na produção dos sons deste instrumento musical e por outro lado, usá-lo como nó poético, lembrando-nos a importância da música e da poesia na vida de cada um". Sendo um instrumento de sobrevivência, a Shelter Box pretende ser o mais autónomo possível do ponto de vista energético, recorrendo a células fotovoltaicas para a produção de electricidade, bem como o aproveitamento das águas pluviais. Funcionalmente, é composto de uma unidade multi-funcional que contém a instalação sanitária e a cozinha, onde se encontram as baterias de acumulação de energia fotovoltaica e o depósito de águas pluviais, com possível ligação de água.A estratégia de sobrevivência também obriga a que seja facilmente implantado : esta tenda/acordeão é colocada no solo desdobrada em duas, adquirindo firmeza pela translação destes dois braços. A sua flexibilidade e versatilidade permite conexões diversas, dando origem a expansões e espaços de abrigo para famílias numerosas, criação de estruturas urbanas diversas ou adaptação aglomerados já existentes. "As expansões da Shelter Box permitem também alterações às funções a que se destinam, como a criação de escolas provisórias, de centros de atendimentos dos refugiados, de centros médicos, entre outros", refere o colectivo. Dada a sua versatilidade, pode inserir-se em qualquer zona geográfica, adaptando-se às características climáticas mediante o uso de cores específicas dos seus acabamentos (ex. zonas quentes/cores quentes - laranja e amarelos -, zonas frias/cores frias - azuis). Para chegar facilmente aos destinos, o transporte do módulo, pode ser feito por via terrestre, marítima, ou aérea. Para transporte de longa e média distância (via camião, comboio ou barco) , seriam transportados oito unidades por contentor, sendo possível o transporte de vários contentores. A via aérea, (helicóptero) permite o transporte de apenas duas ou três unidades, mas com mais frequência. As épocas de mudança, climática e consequentemente social, obrigam à criação de soluções versáteis e novas tipologias, mas também a repensar o papel da arquitectura e do arquitecto enquanto agente desinteressado e transformador da comunidade. in http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1488917&seccao=Arquitectura
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Casas bioclimáticas ainda não convencem portugueses por Lusa07 Fevereiro 2010 Os edifícios bioclimáticos permitem um ambiente mais confortável e gastam menos energia, sendo mais económicos, mas os portugueses ainda resistem a optar por estas casas, por falta de sensibilização e também pelo preço inicial, que pode ser mais elevado. A orientação do edifício, com as divisões mais utilizadas viradas a sul, a distribuição das áreas envidraçadas, a ventilação e a forma de utilizar os materiais são factores decisivos para obter uma casa bioclimática, ou seja, uma casa que "responde" bem às condições do clima, sem grandes necessidades energéticas. Porém, na hora de comprar um imóvel, os portugueses não questionam a eficiência energética da construção, como já fazem quando adquirem um frigorífico, por exemplo. Estão mais preocupados com o preço e a localização do novo lar. Segundo alguns técnicos do sector, as casas bioclimáticas apresentam um preço inicial mais elevado, um acréscimo recuperado a médio ou longo prazo, com a redução dos custos energéticos. Outras opiniões referem que se trata de usar os mesmos materiais, mas de forma diferente, o que não implica aumento de investimento. "A arquitectura bioclimática consiste em projectar um edifício tendo em conta a sua envolvência climatérica e as características do local" de modo a "maximizar o conforto ambiental no interior", na temperatura e humidade, mas também na acústica, luminosidade e qualidade do ar, referiu à Lusa o director técnico da consultora Carbono Verde, Pedro Carvalho. Pretende-se "ter o máximo conforto térmico com o mínimo consumo de energia", resumiu o técnico, salientando que não basta passar a habitar um edifício bioclimático, é "fundamental" que os consumidores saibam utilizá-lo, caso contrário "pode gastar-se tanto como uma casa não bioclimática". O responsável pelo sistema de avaliação de sustentabilidade LiderA, Manuel Pinheiro, defendeu que "fazer casas bioclimáticas não é mais caro do que fazer das outras", já que se trata de optar por uma forma de construção, tendo cuidado com alguns pontos, como a orientação do edifício ou o isolamento. No entanto, "tem de ser pensado no projecto". Manuel Pinheiro realçou que a construção tradicional, que atendia às condições do clima, perdeu terreno, "mas está a ser retomada, a diferentes níveis" e começa a haver no mercado procura para este tipo de casa. Em Portugal, "ainda há poucos exemplos de casas a seguir estas regras", como apontou também a técnica da DECO/Proteste Isabel Oliveira. "Não há procura, não há oferta", resumiu o director geral da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas (AECOPS), Pais Afonso. "Quando existir um verdadeiro mercado de arrendamento, teremos mais procura de edifícios racionais", defendeu Pais Afonso, realçando que esta é uma "razão específica" para a situação em Portugal, onde a preocupação face à sustentabilidade ambiental é mais recente do que em outros países europeus. in http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1489120&seccao=Biosfera
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Património Construção de residência universitária revela a muralha mais antiga do Porto Já se encontrou muita cerâmica, túmulos e cachimbos de uma antiga fábrica, mas o maior achado das várias obras da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) do Porto aconteceu na Sé, onde está agora à vista a muralha mais antiga da cidade Os vestígios vão ser preservados no local, incorporando o projecto de uma residência universitária que deverá estar pronta dentro de dois anos. «Sabíamos que existia ocupação deste período, mas nunca tínhamos encontrado nenhuma estrutura. É uma muralha castreja, da idade do Ferro. Segundo os especialistas, será do século II antes de Cristo», explicou à Lusa Vítor Fonseca, da empresa Arqueologia e Património, responsável pelos trabalhos arqueológicos da obra da empresa Novopca no morro da Sé. À custa desta e de outras descobertas, o projecto de arquitectura foi revisto quatro vezes: das 150 camas inicialmente previstas, apenas vão ser instaladas 140, e aos cinco mil metros quadrados de construção somaram-se mais dois mil, porque as escavações deixaram a descoberto o piso -1 do edifício. «Os custos aumentaram e a rentabilidade diminuiu. Mas temos a noção de que estes achados têm de ser mantidos. É uma articulação complicada. Por um lado valorizam o edifício, por outro condicionam», descreve Patrícia Santos, da Novopca. Este é um dos casos em que a importância da descoberta obriga à sua musealização, ajustando o projecto sem destruir a estrutura e permitindo a sua fruição pública, explica Belém Campos Paiva, arqueóloga da Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN). A entidade, tutelada pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR), é responsável por acompanhar de perto os trabalhos no centro histórico portuense. E não tem tido mãos a medir: desde que a SRU foi constituída, em 2004, já foram feitas intervenções em cerca de 200 prédios (150 através de contratos e cerca de 40 através de parcerias que incluem os quarteirões de Carlos Alberto, Corpo da Guarda, Cardosas ou Morro da Sé), revelou à Lusa Rui Quelhas, administrador executivo da Porto Vivo. Na DRC Norte, tanta intervenção obrigou a um trabalho acrescido e à criação de uma «linha verde, com mais reuniões e marcadas em menos tempo», admite a directora Paula Silva. «Foram encontradas muitas coisas, muito interessantes, porque o Porto é uma cidade sobreposta, é um sítio com muita história», acrescenta. Dependendo da avaliação feita pela tutela aos vestígios encontrados, eles podem ser transferidos para museus ou pode criar-se uma espécie de memorial no local. «No caso das estruturas (muros, alicerces, lageados), sempre que o projecto permite opta-se por não desmontá-las. Depois dos registos, é colocada uma protecção, e a obra prossegue como planeado. Caso a importância patrimonial o justifique, pode optar-se por deixar uma memória visível ou contar a história do lugar criando um espaço adequado», descreve Belém Campos Paiva. A preservação pelo registo é outra das hipóteses, esclarece João Pedro Cunha Ribeiro, subdirector do IGESPAR. «A lei do património exige, como princípio único, a preservação pelo registo. Muitas vezes, o material encontrado é volátil e não exige preservação no local. Os achados podem não ter a monumentalidade que exija a sua musealização e, nesses casos, fica o seu registo», nota. Lusa / SOL in http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=162119
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Torre mais alta do mundo encerra um mês depois de abrir O edifício mais alto do mundo, a Torre Califa no Dubai, com 828 metros de altura, fechou as portas ao público um mês depois da sua abertura Esta medida deve-se ao excesso de visitantes no primeiro mês, obrigando a alguns trabalhos de manutenção. «Por causa da forte afluência, que não estava prevista, a torre de observação foi fechada de forma temporária para trabalhos de manutenção e organização», avançou o porta-voz, que não adianta qualquer data para a reabertura. A Torre Califa foi inaugurada a 4 de Janeiro, no Dubai, com o objectivo de superar os limites da arquitectura e tentando ainda salvar a imagem do país depois da grava crise financeira que o afectou. SOL com agências in http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=162225
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Hospital Privado de Braga abre em Abril O Hospital Privado de Braga, um investimento de 26 milhões de euros do Grupo Britalar, encontra-se em processo de conclusão estando a abertura prevista para Abril, disse fonte empresarial à agência Lusa. A administração, liderada por António Salvador, adiantou que o Hospital terá internamento com 80 camas, e quatro blocos com cinco pisos, um deles com cave para 366 lugares de estacionamento e serviços de apoio ao hospital. A unidade hospitalar, cuja gestão será feita pelo Grupo Trofa Saúde, terá, ainda, um bloco operatório, com seis salas, uma Unidade de Consulta externa, com 40 gabinetes, seis quartos privados, suites e enfermarias, e uma Unidade de Fisioterapia, com piscina. Engloba, ainda, um serviço de Urgência a funcionar 24 horas, uma unidade de Cuidados Intensivos e quatro quartos de fase de dilatação e parto O Hospital fica situado numa área arborizada com percursos pedonais e curso de água de 17.000 m metros quadrados, dos quais 16.000 m2 constituem a área de construção do empreendimento. A fonte adiantou que o projecto de construção, liderado pela Britalar, foi aceite no GreenBuilding Programme (GBP) da União Europeia, um programa criado em 2005, para promover a eficiência energética através da sensibilização, do apoio e reconhecimento público às empresas. Com a adesão ao programa, a Britalar comprometeu-se a adoptar medidas de eficiência energética em edifícios não residenciais. A administração garante que o Hospital Privado de Braga "possui uma arquitectura de prestígio, com os melhores acabamentos e equipamentos de ponta, capazes de proporcionar à cidade de Braga e ao Minho um serviço de elevada qualidade". A Britalar encontra-se, também, na fase final de um processo de obtenção da certificação de qualidade nas áreas do ambiente e da responsabilidade social. 2010-02-11 | 08:37 in http://www.rcmpharma.com/news/6690/5...-em-Abril.html Hospital Privado entra no GreenBuilding da UE Braga 2010-02-11 Redacção O Hospital Privado de Braga, um investimento privado promovido e realizado pelo Grupo Britalar, e que contará com o Grupo Trofa Saúde na Gestão da unidade hospitalar, foi aceite no GreenBuilding Programme da União Europeia. Este programa, que teve início em 2005, visa promover a eficiência energética através da sensibilização, do apoio e reconhecimento público às empresas cuja gestão se compromete na adopção de medidas de eficiência energética em edifícios não residenciais, distinguindo as mais diversas obras de elevado valor de notabilidade por toda a a Europa. O Hospital Privado de Braga, já em processo de conclusão e com abertura prevista para Abril, possui uma arquitectura de prestígio, com os melhores acabamentos e tecnologia de ponta, que proporcionará à cidade e à região do Minho um serviço hospitalar de elevada qualidade. Na fase final do processo para obtenção da certificação em ambiente e responsabilidade social, este é um reconhecimento internacional do trabalho contínuo do Grupo Britalar para a construção de um mundo sustentável. in http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=22965
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Arquitetura O arquitecto francês Jean Nouvel, vencedor do prémio Pritzker em 2008, participou na Imagina 2010, uma importante feira europeia dedicada à tecnologia 3D, que decorreu recentemente em Monte Carlo. Nesse evento, Nouvel, autor de mais de duzentos projectos espalhados por todo o mundo, deu uma palestra sobre a utilização do computador e das tecnologias 3D no seu trabalho. JEAN NOUVEL – O computador alterou completamente o trabalho do arquitecto, porque agora pode-se simular tudo, pode-se desenhar mais rapidamente, pode-se decompor um edifício em partes separadas. Pode-se verificar todas as combinações, e daí haver novas e extraordinárias possibilidades para a concepção e para a realização. CLAUDIO ROCCO – O senhor disse que as imagens são mentiras. Com as novas tecnologias mente-se menos? J N – Com as novas tecnologias pode-se mentir na mesma e talvez melhor. É aí que reside o problema ético. Mas também é verdade que essa mentira sempre existiu: eu falava das perspectivas ditas “de promoção”, com um grande ângulo em que as divisões aparecem três vezes maiores, com carros de luxo em primeiro plano, as árvores e tudo o que quisermos. Deixou-se de ver o que é a arquitectura, e só se vêem sinais de luxo, que estão à venda ao mesmo tempo. Esta mentira existe sempre, mas com o computador se existir uma ética, pode-se representar as coisas de forma muito, muito fiável. Assim, seria bom estabelecer um certo número de regras, uma espécie de código ético que permita assegurar que o que se vê é verdadeiro. CR – Acha que algumas das suas obras não poderiam ter sido realizadas sem o computador? JN – Isso é absolutamente verdade, ou seja, em primeiro lugar não teria as ideias que tive, porque o computador abriu-me a mente. Por exemplo, eu trabalho muito com a luz e existem coisas que nunca poderia ter imaginado sem o computador. Em segundo lugar existem coisas que nem sequer poderia realizar: actualmente, por exemplo, estamos a trabalhar na abóbada do Louvre Abu Dhabi, que é uma espécie de poço de luz organizado através das abóbadas perfuradas, e onde as manchas de luz desaparecem e se juntam. Se quisesse simular e trabalhar isso há dez anos teriam sido necessários dois ou três séculos, o que é demasiado para mim. Com o computador pude fazê-lo. CR – Chegamos à relação com o passado. Em algumas das suas obras, por exemplo, na Ópera de Lyon, integrou estruturas antigas em estruturas modernas. Qual é a relação do arquitecto com o passado? Como se integra o moderno no antigo? JN – Creio que devemos servir-nos sempre da história e dos precedentes. O que falta frequentemente na arquitectura contemporânea é esse elo com a história e com a geografia. Eu digo que é sempre necessário estabelecer uma relação com o precedente e reutilizar mais frequentemente essa matéria. Efectivamente, na História muitas obras-primas foram feitas ao longo de séculos por sedimentação. CR – As cidades de hoje! Acha que as cidades de hoje continuarão a existir dentro de cinquenta ou cem anos? Como vê, como imagina a cidade do futuro? JN – É preciso ter em consideração que o futuro não são cidades novas. As cidades estão sempre em mutação. O que é importante actualmente é ver quais são os factores dessa mutação. No séc.XX acumularam-se rapidamente muitos bairros novos, muitos edifícios novos que não estão em interferência, estão simplesmente acrescentados. A cidade é muito estereotipada, por isso é necessário que as cidades se movimentem em torno de si próprias. É esse movimento que lhes vai dar uma complexidade e, espero, mais humanidade e mais profundidade. O futuro das cidades já lá está em cerca de cinquenta por cento. Uma das coisas extraordinárias em “Blade Runner”, o filme de Ridley Scott, é que se via bem que o futuro estava sempre em conflito ou em relação, ou em sobreposição com a matéria existente, com os edifícios do século passado. É essa relação entre o futuro e o passado que criou a cidade. Copyright © 2010 euronews in http://pt.euronews.net/2010/02/11/jean-nouvel-com-as-novas-tecnologias-pode-se-mentir-na-mesma-e-talvez-melhor/
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Uma viagem pelos 120 anos da Mercedes-BenzNo novo museu da Mercedes é possível viajar no tempo, conhecendo a evolução do automóvel e a história da marca 12/02/2010 Para os apaixonados da indústria automóvel, o novo Museu da Mercedes é ponto de paragem obrigatória. No novo edíficio, inaugurado em maio passado, em Estugarda, Alemanha, é possível viajar no tempo, ao longo dos 120 anos da marca, conhecendo a evolução do automóvel e a vida da marca. O novo museu foi construído em Unterturkheim, paredes meias com uma das fábricas da marca da estrela. A Mercedes apostou forte na recordação do seu património e, por isso, lançou um grande concurso para escolher o melhor projecto. Os vencedores, Ben van Berkel e Caroline Bos, desenharam um edifício moderno, com 47,5 metros de altura e uma área coberta de 4800 m2. A forma simples, mas arrojada, onde nenhum dos vidros é igual a outro, oferece um espaço interior amplo, como uma planta, em que os nove pisos surgem como folhas de trevo, estando ligados por um longo corredor em elipse, ao longo do qual se viaja no tempo, com pausas de repouso em espaços paralelos, onde exposições temáticas - as chamadas colecções - nos propõem caminhos alternativos à memória histórica. A arquitectura do edifício propõe duas alternativas: a viagem pela história do automóvel, feita com modelos da Mercedes, ou um caminho paralelo, onde diversas colecções nos mostram que o automóvel é muito mais do que um meio de transporte, tendo assumido ao longo da sua evolução as mais diversas valências. A viagem pelos 120 anos da Mercedes inicia-se do topo para o rés-do-chão. Um elevador leva os visitantes até ao nível superior do Museu, de onde duas rampas em forma de espiral descem através de nove andares até ao ponto de partida (entrada), representando, metaforicamente, a história da marca. Ao longo do primeiro percurso, existem sete áreas designadas como “Legend Areas”, que relatam a história da marca por ordem cronológica. O segundo percurso congrega a enorme exposição de veículos, dividida por cinco áreas distintas (“Collection”), apresentando o portofolio da marca ao longo dos tempos, onde se inclui, como novidade, mais de 100 anos de Veículos Comerciais. A introdução do motor diesel em veículos de passageiros mas também a evolução dos transportes, das pessoas com vários autocarros ou táxis - onde não falta o exemplar de um táxi Português exposto -, os diversos veículos utilizados ao longo dos anos por bombeiros, assim como automóveis utilizados por figuras do "jet-set", políticos ou até o "Papamobile" de João Paulo II, o museu expõe 160 veículos e 1500 objectos, entre maquetes, documentos e peças históricas. No ano que marca o regresso da estrela à Fórmula 1 como equipa, os «flechas de prata» surgem em grande destaque, numa grande curva, expostos de forma decrescente todos os carros com que a Mercedes ajudou a escrever a história do desporto automóvel. O Museu da Mercedes está aberto de terça-feira a domingo (incluindo feriados) das 9.00 às 18.00 horas. O bilhete de um dia para um adulto custa 32 euros (as crianças pagam 15 euros). O acesso aos simuladores, que surgem na zona dedicada à competição, tem o preço de quatro euros. in http://www.autoportal.iol.pt/noticias/geral/uma-viagem-pelos-120-anos-da-mercedes-benz
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2010-02-12, Vanessa Sardinha ‘Atentados Urbanísticos’ causam impacto no Barreiro Pulverizadas um pouco por todo o concelho, algumas construções podem causar um impacto negativo na população barreirense. Edifícios inacabados, geograficamente mal localizados ou esteticamente desenquadrados da realidade, traduzem estas obras em ‘Atentados Urbanísticos’. O Jornal do Barreiro quis não só saber a opinião de alguns arquitectos barreirenses relativamente a estas construções, como também o esclarecimento e/ou justificação do vereador Rui Lopo, responsável pela área do Planeamento e Gestão Urbana da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), para a existência e persistência dos mesmos da nossa cidade. Com algumas particularidades próprias, algumas construções conferem um problema para a circulação pedonal, ou mesmo um impacto negativo na concepção estética da cidade. A existência de edifícios inacabados constitui outro problema no que diz respeito à falta de aproveitamento do espaço em si e à inexistência de soluções para estes casos. "Os grandes prédios que estão abandonados estão tipicamente associados a processos de insolvência que nós acompanhamos mas em relação aos quais, para além de fazermos algumas insistências para ver de que modo se pode resolver a situação, pouco mais podemos fazer", esclarece Rui Lopo. Em declarações ao nosso semanário, o vereador acrescenta ainda que esta situação "complica um pouco", já que "as entidades bancárias querem pressionar para vender, evitando gastar dinheiro do processo de construção propriamente dito". O responsável pela área do Planeamento e Gestão Urbana da CMB afirma que, em muitas destas situações, a Câmara Municipal não tem de recursos viáveis e legais para intervir nestes casos. "Muitas vezes, o problema prende-se com a falta de dinheiro por parte de quem teve a iniciativa de construir uma pequena habitação ou prédio; acabam por ser processos administrativos que têm limitações com prazos que não fazem sentido e do qual a CMB não tem os recursos para gerir da forma mais eficaz", explica o autarca. Rui Lopo acredita que, actualmente, a lei existente sobre esta matéria "já caminha no sentido de forçar as Câmaras a actuar neste tipo de situações, pelo que posteriormente falha no modelo de governação dessa intervenção". Este problema existe quando, "a dada altura, as Câmaras têm quase que tomar posse administrativa destes edifícios que não têm processo de insolvência" e procederem à reabilitação dos mesmos, sem que tenham meios financeiros para tal. O autarca explica ainda que "os processos de actividade económica são extremamente complicados, com entidades que começam uma determinada actividade sem estarem autorizados", facto que obriga a uma intervenção da Câmara "para que a loja em questão seja encerrada e para que o processo seja concluído, mas ninguém faz respeitar a lei o que torna tudo muito complicado". Relativamente ao surgimento deste tipo de edifícios, Miguel Amado, arquitecto, acredita que estes ‘atentados urbanísticos’ existem um pouco "por todo o país", em grande parte como "resultado de intervenções realizadas num período em que existia um considerável número de Câmaras Municipais sem arquitectos". O arquitecto acrescenta que outra razão geradora deste tipo de construções, actualmente desenquadradas dos conceitos urbanísticos de construção, teve a ver com o facto de "ao abrigo do Decreto-Lei nº73/73, recentemente revogado, ter sido possível ter projectos de construção de edifícios realizados por técnicos sem qualquer formação em arquitectura". Miguel Amado aponta como terceira razão " o facto de apenas no início da década de 90 se ter coberto o país com Planos Directores Municipais (PDM)", destinados a pré-definir locais de construção apropriados tendo em conta o espaço em questão. "Ocorre-me salientar como imagem de ‘atentado urbanístico’ o edifício das actuais instalações dos serviços técnicos da CMB no Largo das Obras, elemento que se constitui como marca negativa condicionadora de toda uma zona envolvente", refere o arquitecto, como exemplo deste tipo de construção. Como outro exemplo, o arquitecto refere que uma outra influência negativa para a cidade "é todo o conjunto a sul da Avenida do Bocage sem espaços públicos e actividades comerciais e de serviços, transformando uma parte central da cidade num dormitório". Miguel Amado aponta ainda que apesar do impacto negativo que este tipo de construções pode ter, o verdadeiro atentando encontra-se no facto de ainda "não existir uma estratégia concelhia para a protecção e requalificação dos espaços públicos". Esta é uma situação que "não permite inverter o processo de degradação da cidade, abrindo porta ao desenvolvimento de ‘atentados urbanísticos’ isolados e sempre mascarados com uma imagem de suposta inovação e qualidade dentro de paredes, deixando ao acaso o espaço público envolvente". Também contactado pelo nosso semanário, o arquitecto Luís Pedro Cerqueira considera que este assunto merece ser discutido "à luz do tempo em que [esses ‘atentados’] foram produzidos e aprovados", sendo, nesse sentido, importante ter em consideração "as motivações que levaram à sua construção", não esquecendo o contexto histórico que as envolve. "Aquele edifício cumpre tudo para naquele local estar edificado" Um dos exemplos referidos para esta reportagem como sendo um ‘atentado urbanístico’ foi de facto o edifício, ainda em construção, situado na Rua Miguel Pais. Quanto ao mesmo, o vereador Rui Lopo afirma que, para além do edifício cumprir "tudo para estar edificado naquele local", é necessário ter em consideração o facto do terreno em questão "pertencer a uma entidade privada", condicionando a sua gestão à vontade da mesma. "O prédio só tem aquela localização por duas razões: fazer um contínuo com a rua que está atrás, permitindo a criação de lugares de estacionamento nas traseiras do edifício e libertando a parte da frente, que é a zona contínua à zona ribeirinha, para uma zona de lazer e de fruição", justifica o autarca. "Tudo o resto são processos com procedimentos legais, que nós pressionamos, acompanhamos e investigamos mas não conseguimos fazer nada porque são processos de insolvência", acrescenta Rui Lopo. "Temos um edifício que podia ter funções interessantes no centro da cidade e não tem, é esse o problema" O edifício ‘Fenix’, situado na Avenida Alfredo da Silva, é igualmente apontado como um ‘atentado urbanístico’ pelo tipo de construção que confere e que se encontra desenquadrada com as restantes actuais linhas de construção na cidade. Rui Lopo afirma que, embora o edifício cumpra com os parâmetros legais, não estará, provavelmente, dentro do "admissível para a actual perspectiva de cidade que actualmente existe para o Barreiro". Mais uma vez, o responsável pela área do Planeamento e Gestão Urbana salienta o facto de o espaço pertencer a uma entidade privada. "Os privados vão em defesa dos seus interesses e nós estamos cá para a defesa dos interesses dos barreirenses; mas os interesses dos privados também têm que ser tidos em conta e, portanto, há que rentabilizar os seus espaços e ver até que ponto é que eles são compatíveis com os interesses dos barreirenses", acrescenta o autarca. "Como vereador, o que me interessa não é a existência daquele edifício mas sim que ele está vazio e que isso revela que precisamos de mais vida para o Barreiro, de mais pessoas e de mais actividade económica", comenta Rui Lopo. "Admitimos que a configuração que queremos não é a que temos hoje" Relativamente ao PDM do concelho do Barreiro e à sua revisão em curso, Rui Lopo aponta que "o que está a ser feito vai ser amplamente discutido por toda a população barreirense nas suas diferentes vertentes". Segundo o vereador, o objectivo é que a Câmara deixe de ser uma entidade da qual "toda a gente fala mas que ninguém conhece" e que os barreirenses "saibam opinar sobre o que está a ser feito na sua terra". O autarca lembra ainda que "a dinâmica do Barreiro de hoje em dia já não coincide com a matriz que fora montada", no anterior PDM, já que a cidade "se adaptou ao desenvolvimento mas a matriz não acompanhou esse progresso". "Respeitando tudo aquilo que são legalidades e pensamentos que temos para o concelho, essa matriz vai ter que mudar para os próximos 20 anos, sendo, portanto, fundamental que o PDM se adapte às necessidades de desenvolvimento do Barreiro", conclui o vereador. in http://www.jornaldobarreiro.com.pt/new.php?category=2&id=1037
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Um castelo de cultura na fronteira Por Sónia Balasteiro Fazer parte de um país não significa ter uma só identidade. É, antes, conviver com uma pluralidade de identidades. Quando se chega à zona da chamada Raia beirã, separada por uma linha imaginária de Espanha, essa perspectiva ganha especial sentido Ali, persiste o Portugal dos antigos latifúndios, da agricultura de subsistência, das pedras da idade do tempo, das montanhas, do silêncio. Viver fora dos centros de decisão, sejam políticos ou culturais, carrega, para o bem e para o mal, o peso de uma identidade diferente. Uma identidade que encontrou, em 1997, a sua expressão materializada no Centro Cultural Raiano (CCR), em Idanha-a-Nova. É, portanto, natural que o Centro tenha nascido enquanto projecto transfronteiriço. «O último castelo raiano» - assim lhe chamaram os seus dinamizadores, da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova. Mas, neste caso, é de defender a cultura de um povo que se fala. Seja trazendo a arte que se vai fazendo fora, seja mostrando a arte que há dentro das gentes, que a vêem assim valorizada. O Centro Cultural Raiano é um edifício austero, belo, um bloco robusto que integrou o granito, a pedra da região, na sua arquitectura. Foi há 12 anos. A nível 'funcional', integrou bem mais: além dos espectáculos que acontecem regularmente no auditório (com teia italiana e capacidade para 250 pessoas), e das sessões semanais de cinema, o CCR funciona como museu. Mais: funciona como o núcleo central dos vários pólos museológicos que se estendem em rede pelo concelho de Idanha-a-Nova. Como núcleo, o CCR dispõe de duas salas de exposições. Na sala maior, o espólio dá conta de uma das maiores memórias da Raia, a agricultura, através de todo o tipo de utensílios. De arados a carroças, de forquilhas aos búzios com que, antigamente, se chamavam as ceifeiras para a labuta diária. Na sala contígua, uma exposição, esta temporária, sobre a gastronomia da região e os momentos em que ganha protagonismo. Depois, há os gabinetes: de antro- pologia, de geologia, de conservação e restauro. Mas nem só de memórias próprias entra a cultura por aqui: a arte contemporânea tem porta larga. Paula Rego, Maria João, Mário Laginha e Dulce Pontes são alguns dos artistas cujas obras, nas suas diferentes expressões, os visitantes do CCR já tiveram oportunidade de conhecer. No mesmo 'castelo raiano', criado pelo arquitecto Marçal Grilo, funciona a sede do Geoparque Naturtejo da Meseta Meridional, criado em 2005 por vários concelhos do interior, para promover geosítios com milhões de anos, como os icnofósseis (vestígios de cobras aquáticas) de Penha Garcia. Aproveitando as valências do CCR, explica-nos Pedro, que nos guia pelos espaços que se estendem em torno de um jardim interior, «quando aconteceu a Conferência Internacional de Geoparques foi inaugurada uma exposição de Arte Fóssil, para que as pessoas soubessem do que se estava a falar». Foi um êxito. Falar do CCR é, por muitos motivos, falar da Raia, das memórias e dos projectos de uma zona de que raramente se ouve falar. E vale a pena conhecer uma identidade tão vincada. Pela fronteira, pelas raízes profundas criadas na zona. CENTRO CULTURAL RAIANO TEL. 277 202 900/ http://www.cm-idanhanova.pt/ IDANHA-A-NOVA sonia.balasteiro@sol.pt IN http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=162547
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Projecto: Sede do Campeonato do Mundo Simplesmente Verdão por CLÁUDIA MELO14 Fevereiro 2010 Cuiabá. Os três grandes ecossistemas no estado de Mato Grosso - Amazonas, Pantanal e Cerrado - inspiraram o projecto Cuiabá Arena, com uma área de 300 mil metros quadrados e cinco pisos, que acolherá os participantes do eventoprojectos: Sede do campeonato do mundo de futebol no brasil em 2014. Para a cidade-sede do campeonato do Mundo de Futebol a realizar no Brasil em 2014, Cuiabá, capital do Mato Grosso, está prevista a construção do Cuiabá Arena, ou, conforme lhe preferem chamar carinhosamente os brasileiros, o Verdão. Esta denominação está relacionada com a sua localização, no bairro do Verdão, mas também alude aos três grandes ecossistemas que rodeiam a cidade - Amazonas, Pantanal e Cerrado. Mas também remete para a intenção dos seus autores, o colectivo de arquitectos liderado por Sérgio Coelho, Adriana Oliveira e Maurício Reverendo, que coordenam o atelier GCP arquitectos, de ser um estádio emblemático do ponto de vista do consumo energético. Pretende ser um estádio "verde" e almejar a mais alta distinção nesta área, a certificação LEED. Com uma área bruta de construção de cerca de 300 mil metros quadrados organizados em cinco pisos, o Verdão será um equipamento multiusos que procura responder não apenas aos rigorosos requisitos da FIFA para estádio - sede do campeonato do Mundo de Futebol - mas também servir como pólo de desenvolvimento da região. Para além do estádio, terá valências ao nível da cultura, educação e lazer, como centro de convenções, palco para shows e feiras, cinemas, restaurantes, hotéis, estacionamentos, lagos, bosque, pista para caminhada, e todo o equipamento foi pen- sado para a sua utilização durante e após o Campeonato do Mundo. Assim, durante o evento, apresenta-se com capacidade para 42 263 espectadores, findo o qual poderá ser desmontado, e lotação reduzida para 27 000 espectadores. O edifício é flexível e parcialmente desmontável, recorrendo a uma estrutura de betão armado na parte permanente e outra metálica modular na parte móvel, que permite que algumas arquibancadas e respectivas coberturas sejam desmontadas e colocadas noutros locais. As fachadas exteriores serão em pórticos verticais metálicos ancorados aos pilares pré-moldados, revestidos em membrana impermeável de PVC. Para proteger da forte radiação solar do sul e permitir ventilação cruzada ao imóvel, serão utilizadas sombreadores tipo "brises soliel" em madeira, que os arquitectos fazem questão que seja certificada, i.e., madeira que resulta de um plano de florestação e não do abate indiscriminado de árvores. A nova Arena terá sistema de reutilização de água, tanto de chuva como de esgoto cinza, devidamente tratadas via ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais). A água reciclada será utilizada para descarga de bacias sanitárias, abastecimento do sistema de ar-condicionado (à base de tubagens de água ) e irrigação do relvado do campo de futebol , este último com um consumo diário de aproximadamente 40 m3. Ainda, todas as instalações hidráulicas, eléctricas e de ar condicionado da nova Arena atenderão os mais rigorosos preceitos ambientais e de eficiência energética e este conjunto de soluções irá possibilitar almejar o LEED. Verde, simples e funcional. Assim é o Verdão. in http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1494824&seccao=Arquitectura
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3/4 das escolas secundárias poderão sair do património do Estado 15-Feb-2010 O Bloco propôs uma audição a várias entidades, incluindo a Parque Escolar, devido aos problemas de “transparência” e possibilidade de todas as escolas em obras passarem para as mãos daquela empresa. Todas as escolas abrangidas no âmbito do programa de modernização dos seus edifícios tutelado pela Empresa Parque Escolar (EPE), vão deixar de integrar o património do Estado para passar a ser propriedade daquela entidade pública empresarial, segundo as informações recolhidas pelo Público, junto do seu presidente, João Sintra Nunes. Assim, a Parque Escolar será proprietária de inúmeros terrenos que poderão ser alienados de forma mais fácil a partir do momento em que saírem do património do Estado. Para já, está decidido que as obras, lançadas há três anos, abrangerão 332 das 445 escolas públicas de Portugal continental que têm ensino secundário, mas a intervenção poderá ser alargada a mais outras 38, referiu. No entanto, no final do mês de Janeiro, a deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago questionou o Governo sobre a transparência destes negócios e apoiou a proposta de uma auditoria do Tribunal de Contas à actividade da Parque Escolar, considerando que a criação da empresa permitiu “desviar dinheiro público para uma aplicação não transparente”, disse a deputada. “O governo está a adjudicar os projectos numa situação de total opacidade" disse na altura, e com a nova prorrogação dos ajustes directos decidida pelo conselho de ministros da semana passada, o executivo Sócrates passa a contar, em matéria de construção de escolas, "com dois anos de permanente ajuste directo", conforme sublinhou. Na sua intervenção no parlamento, aquando desta discussão, insistiu nesse aspecto: “É necessário transparência, é necessário responsabilidade para fazer uma obra que é necessária”. Nesse sentido, o Bloco aprovou, na Comissão de Educação, uma audição com várias entidades onde estão incluídas a Parque Escolar, a Ordem dos Arquitectos, os promotores da petição contra os ajustes directos na Parque Escolar e associações de empresários da construção civil. Segundo Sintra Nunes, a transferência de propriedade para a Parque Escolar, que afectará assim entre 75 a 83 por cento das escolas com secundário, será feita "à medida que as escolas vão sendo modernizadas". Das 205 escolas já seleccionadas para obras, em 20 os trabalhos estão concluídos, há 11 em fase de conclusão e 75 estarão prontas no 1º semestre do próximo ano. Para as outras 100 estão agora a ser adjudicados os projectos de arquitectura. A Parque Escolar foi criada por um decreto-lei de 2007 para levar por diante este programa de obras, justificado com a necessidade de adaptar as instalações escolares ao uso das novas tecnologias e às novas normas de climatização e ruído. Tem "autonomia administrativa, financeira e patrimonial". Com um investimento que poderá chegar aos 3,5 mil milhões de euros - um montante superior ao da construção do novo aeroporto de Lisboa -, este programa é financiado por verbas do Orçamento do Estado, por fundos comunitários e por empréstimos que podem ser contraídos pela Parque Escolar. Até agora, o Governo transferiu para esta empresa o direito de propriedade de sete escolas, entre as quais figuram alguns dos chamados "liceus históricos" (Passos Manuel e Pedro Nunes, em Lisboa, e Rodrigues de Freitas, no Porto) e tem respondido às questões argumentando que a Parque Escolar é uma empresa pública. No entanto, os estatutos da Parque Escolar permitem também que concessione serviços como as cantinas e papelarias e que fique com 50 por cento das receitas auferidas pelas escolas com o aluguer de espaços (pavilhões e campos de jogos) ao exterior. http://www.esquerda.net/content/view/15305/27/
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Olhão: Aquário da Ria Formosa em estudo de viabilidade 17-02-2010 7:24:00 Construir um aquário para realce das potencialidades da Ria Formosa “é um projecto para o qual admito criar uma empresa municipal de capitais público-privados”,diz o autarca Francisco Leal. A concretização de um projecto que já conta quase dez anos, uma vez que os primeiros estudos datam de 2000, está no entanto dependente do “estudo de viabilidade económica e de ser demonstrado que é um investimento sustentável” explica o autarca ao Observatório do Algarve. O projecto de arquitectura foi desenvolvido pelo gabinete Promontório Arquitectos e a localização prevista é na Avenida Marginal de Olhão, paredes meias com o empreendimento do Grupo Hotéis Real, actualmente em construção. Embora não tenha “intenção usar o património autárquico para garantir empréstimos, porque há princípios que tenho dificuldade em ultrapassar”(ver notícia aqui) o autarca de Olhão, que não poderá candidatar-se a outro mandato, considera que este investimento “é estruturante para a cidade” e pretende retomar o projecto. “É possível montar uma candidatura co-financiada pelos fundos comunitários e ainda, atrair investidores. Assim faz sentido a autarquia pedir empréstimos”, refere, sem contudo avançar pormenores, pois considera necessário actualizar os dados económicos, antes de avançar. Recorde-se que Olhão viu aprovada a instalação de um Centro de Ecohidrologia Costeira da Unesco, projecto da Universidade do Algarve, cujos laboratórios ficarão instalados na cidade. O edifício será construído de raiz junto ao novo Auditório Municipal de Olhão e a obra tem uma previsão de construção de cerca de um ano. Contudo, está ainda sujeita à atribuição de verbas comunitárias. Actualmente, apenas existe um CEC na Europa, localizado no norte do continente, e 17 no mundo. A unidade algarvia deverá ter “entre 16 e 31 cientistas em regime de permanência”, e o laboratório da Unesco irá estudar questões relacionadas com o ambiente e com a água. São projectos que se complementam e reforçam a ligação de Olhão ao mar, que até aqui foi económica, através das pescas e das conserveiras e poderá estender-se igualmente à ciência e à sua divulgação. A Ria Formosa é um verdadeiro laboratório natural, cheio de potencialidades, pelo que a construção do Aquárioda Ria Formosa é um um projecto em que me vou empenhar, assegura o autarca de Olhão. in http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=34982
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Beja, Bragança e Portalegre correm risco de desaparecer por FRANCISCO MANGASOntem Portugal "cada vez mais macrocéfalo" põe a maioria das cidades dependentes dos serviços públicos Algumas capitais de distrito como Bragança, Portalegre ou Beja "estão perto de situações perigosas" num país cada vez mais macrocéfalo. Dependentes dos serviços do Estado, a sua pequena dimensão não lhes permite captar investimento privado. Portugal continua a ser Lisboa, o resto é paisagem. O centralismo "quase genético" ganhou novo alento com a União Europeia e globalização. "É uma combinação explosiva", diz o geógrafo Álvaro Domingues. "Pequena escala misturado com pouca diversidade funcional", se falhar um sector, "pode ser o caos" em cidades como Bragança, Portalegre ou Beja. A grande dificuldade destas áreas urbanas é sobreviver sem a dependência do investimento público. Uma universidade, por exemplo, reconhece o autarca de Bragança Jorge Nunes, seria contributo "muito importante" para a cidade. No entanto, não partilha da visão do geógrafo. "A cidade tem capacidade de se afirmar e tenta ganhar centralidade: 60% das exportações de Trás-os-Montes hoje são de Bragança." O que define a centralidade, agora que se desfazem as fronteiras? "A presença do Governo e da administração pública", responde Álvaro Domingues. A globalização económica alterou a sede de decisão: tudo emigra para a capital - "e, se calhar, Lisboa dará lugar a Madrid". A sede da empresa EDP Renováveis, por exemplo, é em Oviedo, Espanha. Responsável pela cadeira de Geografia, Território e Formas Urbanas, na Universidade do Porto, Álvaro Domingues lembra que Portugal sempre foi um "reino com cabeça que descentraliza pouco". Nunca nenhuma elite, "desde a Igreja à nobreza", teve poderes para inverter a regra. "Superconcentrado" durante o Estado Novo, continua macrocéfalo. Não trava o despovoamento do interior: é um país "dependente" dos serviços públicos para sobreviver. "Vai a Coimbra, tira a universidade e os hospitais e ela afunda-se no meio do Mondego", diz Domingues - que define como "cidades do Estado" as capitais de distrito. Para além de Aveiro e Braga, "com uma economia diversificada", existem apenas "cidades do Estado". Ou seja, sobrevivem graças aos serviços públicos, modernizados nas últimas décadas com os fundos que chegaram da União Europeia. Mesmo assim, refere o docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, algumas capitais de distrito estão em situação muito difícil. O presidente da Associação Nacional de Municípios subscreve as palavras do geógrafo. O País "é cada vez mais centralizado", e a tendência centralista "reforçou-se" com o Governo de José Sócrates. Fernando Ruas dá este exemplo: os presidentes das comissões de coordenação e desenvolvimento regionais (CCDR) "eram eleitos pelos autarcas da área correspondente, agora passaram as ser nomeados pelo Governo". Foi também o Executivo socialista, refere Fernando Ruas, a retirar as câmaras municipais da participação no Instituto de Conservação da Natureza. Antes, os municípios tinham uma palavra na gestão das áreas protegidas. in http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1497343 Como travar "dinâmica de sucção" de Lisboa? Ontem Há 12 anos, Rui Rio acreditava ser possível "uma maior igualdade na repartição dos recursos" sem se avançar com o processo da regionalização. Enganou-se. Ou, se se quiser, a experiência à frente da Câmara Municipal do Porto fê-lo mudar de opinião. "Doze anos depois, digo que a situação se agravou, a centralização é cada vez mais forte", Lisboa é o destino de quase tudo. Outros autarcas ouvidos pelo DN partilham a opinião de Rio. "Não há nada que não dependa de Lisboa", lamenta Fernando Ruas. E a distribuição dos investimentos públicos continua a desvalorizar as zonas despovoadas. "Mais de cinquenta por cento dos municípios ficam fora do PIDAC, e são quase todos do interior", sublinha o autarca. Afinal, o que é que Lisboa tem capaz de fazer desequilibrar o País? "O Governo está em Lisboa, em contacto com as pessoas de Lisboa. Há uma dinâmica muito difícil de travar: seria preciso uma vontade férrea para inverter a situação", refere Rui Rio. É uma dinâmica "de sucção", Lisboa tudo atrai. A passagem do festival aéreo Red Bull do Porto para a capital, diz o autarca social-democrata, é um bom exemplo - "nem tanto pelo valor do evento" - de como a coisas ocorrem naturalmente. "Esta transferência enquadra-se na lógica da dinâmica de sucção: quando é preciso arranjar um patrocínio, em Lisboa é mais fácil; o PIB de Lisboa é maior, há muito mais a quem recorrer; enfim, a sede da Red Bull é em Lisboa." Quando o sector financeiro foi liberalizado, recorda o geógrafo Álvaro Domingues, "o Porto surgiu como uma capital financeira, e isso desapareceu". A globalização económica faz a "recentragem" na capital do País. Poderá a regionalização tornar Portugal menos centralista? "Depende de que regionalização queremos", adverte o autarca do Porto. "No momento actual vale a pena consensualizar posições, terá de ser um modelo que contrarie a centralização." Para Jorge Pulido Valente, sem regionalização, não há descentralização. "As CCDR continuam a funcionar como correia de transmissão dos centralismos", diz o autarca socialista de Beja. in http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1497345
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A programação de um novo lugar paroquial Pe. Paulo Franco, pároco do Parque das Nações Na edificação da nova Comunidade Paroquial do Parque das Nações e na programação da construção do seu Templo, a teologia de comunhão e de povo de Deus desenvolvida pelo Concílio Ecuménico Vaticano II teve uma implicação central. Assim, o Templo teria de ser a casa e a escola de comunhão. Procurou-se, portanto, definir claramente os princípios basilares e conceptuais que deveriam presidir a qualquer projecto que viesse a ser apresentado pelas equipas de arquitectos. A elaboração de um programa iconográfico foi fundamental para que todos compreendessem que edifício deveria ser projectado. Esta foi a primeira etapa: não apenas elaborar um programa de instalações, onde são descriminados todos os espaços necessários e respectivas áreas, mas, principalmente, um programa onde se deixaria claro o desejo de uma arquitectura simbólica que estaria, assim, ao serviço da liturgia, havendo, desta maneira, uma correspondência perfeita entre a forma da liturgia e a forma das igrejas. A arquitectura deveria então sublinhar dois acontecimentos cruciais: o Baptismo, pelo qual nascemos para a comunhão e a Eucaristia, que nos alimenta e ensina, realizando a verdadeira comunhão. Ficava, então, claro que desejávamos uma arquitectura carregada de símbolos; que nos ajudasse a estar em sintonia com o carácter de verdadeiro mistério que ali iríamos celebrar. Deveria ser uma arquitectura inequívoca, que a identificasse como Igreja. Pareceu-nos importante, perante os arquitectos convidados a apresentar as suas propostas, sublinhar alguns aspectos que a seguir destacamos: 1. Centralidade - No seu interior, a disposição dos espaços e da assembleia, convergirá para o que deve ser o seu centro: O Altar, centro da acção Litúrgica da Eucaristia. 2. Axialidade - A existência de um eixo que dinamize a função da Igreja enquanto espaço celebrativo, realçando os seguintes focos litúrgicos: presidência (a cabeça da celebração, Cristo que está no meio de nós, sendo o presidente quem o torna presente); Ambão (a "boca" de onde sai a Palavra); Baptistério (o elemento constituinte da Igreja, enquanto povo de Deus). 3. Assembleia - Há um protagonismo próprio da assembleia que celebra a sua fé, que participa, que se sente como corpo. O entendimento da Eucaristia, baseada na participação da assembleia e da comunidade, centrando inteiramente nestas a acção litúrgica, é uma perspectiva proposta pelo Concílio Vaticano II que queríamos ver presente na própria arquitectura. 4. Iconografia - A contemplação dos mistérios Luminosos do Rosário seria a temática de toda a iconografia que viesse a estar presente na própria arquitectura, num diálogo com as opções artísticas que poderiam vir a ser escolhidas. Clarificado que estava o conceito da futura igreja, a escolha do projecto a edificar, de entre onze propostas de outras tantas equipas de arquitectos previamente seleccionadas, tornou-se uma tarefa desafiante. A contribuição do Sector das Novas Igrejas do Patriarcado de Lisboa, bem como de técnicos e especialistas na área da arquitectura e engenharia, foi essencial nesta etapa que se tornara muito delicada. Nenhum projecto é perfeito nem possível de responder, de forma inquestionável, ao desejo de quem o procura. Foi, então, necessário corrigir e melhorar o projecto escolhido. Nesta etapa, a comissão da paróquia responsável pelo processo da nova igreja teve um papel determinante, sobretudo o comité técnico - uma atitude crítica e atenta foi fundamental para que nenhum pormenor fosse descurado. Pe. Paulo Franco, pároco do Parque das Nações in http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=77696
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segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010 | 10:29 Imprimir Enviar por Email Construção em terra é alternativa económica e sustentável A construção em terra é uma boa alternativa económica e sustentável para a arquitetura contemporânea, nomeadamente a habitacional, defende uma especialista da Universidade de Coimbra, organizadora de um seminário internacional sobre o tema. «É de baixo custo e acessível em qualquer parte do mundo», disse à agência Lusa Maria Fernandes, arquiteta, ligada ao Centro de Estudos Arqueológicos da Universidade de Coimbra e membro da organização do 6.º Seminário de Arquitetura de Terra em Portugal/9.º Seminário Ibero-Americano de Arquitetura e Construção com Terra, a realizar nos dias 21 e 22 na sua instituição. Na sua perspetiva, trata-se de uma construção de custos muito mais baixos, que permite a produção dos materiais e tem custos energéticos menores, dada a sua elevada eficiência térmica. Até algumas fragilidades, como a resistência a sismos, tem vindo a ser melhorada, com técnicas que aconselham uma construção o mais equilibrada possível, a utilização de redes de malhas plásticas nas paredes e o escoramento com vigas em madeira. Embora seja um tipo de construção muito utilizada para resolver problemas em países pobres, a arquitetura de terra tem vindo a integrar projetos contemporâneos, designadamente nos Estados Unidos da América (Texas, Califórnia e Novo México), na Suíça ou na Alemanha. Também em Portugal se assiste a um recuperação desta técnica milenar na arquitetura contemporânea, nomeadamente em projetos de Alexandre Bastos, Graça Jalles, Henrique Schreck ou Teresa Beirão. A arquiteta Maria Fernandes considera que em Portugal os exemplares mais significativos de arquitetura de terra são as construções de castelos em taipa militar, do período de islâmico, do domínio Almóada, como os de Alcácer do Sal ou de Paderne. Do século passado, nomeadamente no Alentejo, há exemplos de um cineteatro em taipa ou de montes, mas este tipo de construção está disseminada por Portugal. No património classificado pela UNESCO encontram-se núcleos habitacionais onde a arquitetura de terra é utilizada, como nos centros históricos de Évora, Porto, Guimarães e Angra do Heroísmo. No resto do mundo são mais de 100 os sítios e perto de um milhar os bens com a classificação como património da humanidade, nomeadamente no Brasil, México, Gana, França, Azerbaijão, Japão, Guatemala, Argélia ou Irão. Neste seminário, a decorrer em Coimbra, a 21 e 22, estarão presentes cerca de duas centenas de investigadores e profissionais estrangeiros ligados a áreas como a arqueologia, arquitetura, engenharia, antropologia e história. O programa do evento, no qual serão apresentados mais de uma centena de artigos, está estruturado em quatro painéis - «Arqueologia, Arte e Antropologia», «Património e Conservação», «Técnicas, Construção, Investigação e Desenvolvimento» e «Arquitetura Vernácula e Contemporânea». A preceder o seminário, no dia 20, realiza-se uma oficina teórico-prática de construção com terra, e para o dia 23 estão programadas visitas a Conímbriga e ao património arquitetónico em adobe no concelho de Ílhavo. A 24 realiza-se a 9.ª Assembleia Geral da Rede Ibero-Americana PROTERRA, uma organização de cooperação técnica que promove a investigação e o desenvolvimento da construção em terra e que conta com mais de 100 membros da Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Cuba, Chile, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela. O 6.º Seminário de Arquitetura de Terra em Portugal/9.º Seminário Ibero-Americano de Arquitetura e Construção com Terra é promovido pelo Centro de Estudos Arqueológicos da Universidade de Coimbra, Fundação para a Ciência e Tecnologia, Escola Superior Gallaecia, Fundação Convento da Orada, Associação Centro da Terra e Rede Ibero-Americana PROTERRA. Diário Digital / Lusa http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=114&id_news=435661&page=4 Especialistas discutem a Arquitectura em Terra enquanto solução ecologicamente sustentável e património a preservar Investigadores e profissionais reúnem-se na Universidade de Coimbra para abordar as últimas novidades da construção em terra, uma técnica milenar que pode também ser solução para os problemas ambientais da actualidade. A procura de soluções mais sustentáveis a nível energético, numa actualidade marcada por questões ambientais, mas também a preservação do património das construções em terra e da sua memória, vão estar no centro do "6.º Seminário de Arquitectura de Terra em Portugal / 9.º Seminário Ibero-Americano de Arquitectura e Construção com Terra", que decorrerá nos dias 21 e 22 de Fevereiro, no Auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Neste evento vão estar reunidos cerca de duas centenas de investigadores e profissionais oriundos de países da América Central e do Sul, dos Estados Unidos e de vários países europeus, incluindo Portugal, e ligados a áreas que vão desde a arqueologia, a arquitectura, passando pela engenharia, antropologia e história, entre outras. Em destaque estará o papel que a construção em terra pode desempenhar na arquitectura contemporânea, tendo em conta o seu potencial em termos de eco-sustentabilidade: as matérias-primas não carecem de processos de transformação industrial, existem nos locais onde se pretende construir e de forma abundante, têm uma elevada capacidade isolante, tanto a nível térmico como acústico e são recicláveis. Além disso, diversas investigações nesta área têm tornado possível adaptar as antigas técnicas às exigências da vida moderna. O panorama português estará também em análise, tendo em conta que Portugal é um dos países europeus com tradições na construção em terra, nomeadamente em adobe e taipa, duas das técnicas mais usadas neste tipo de arquitectura. É objectivo dar a conhecer esta realidade para alertar para a preservação deste património e da sua herança cultural. Do programa do evento, no qual serão apresentados mais de cem artigos e que se divide em quatro painéis Arqueologia, Arte e Antropologia, Património e Conservação, Técnicas, Construção, Investigação e Desenvolvimento e Arquitectura Vernácula e Contemporânea fazem ainda parte, no dia 20 de Fevereiro, uma oficina teórico-prática de construção com terra e, no dia 23 de Fevereiro, visitas a Conímbriga e ao património arquitectónico em adobe no concelho de Ílhavo. O evento é promovido pelo Centro de Estudos Arqueológicos da Universidade de Coimbra, pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, pela Escola Superior Gallaecia, pela Fundação Convento da Orada, pela Associação Centro da Terra e pela Rede Ibero-Americana PROTERRA. INFORMAÇÃO ADICIONAL Sítio Web do 6.º Seminário de Arquitectura de Terra em Portugal / 9.º Seminário Ibero-Americano de Arquitectura e Construção com Terra www.esg.pt A UNIVERSIDADE DE COIMBRA A Universidade de Coimbra é uma referência incontornável no panorama do Ensino Superior em Portugal, pela qualidade reconhecida do ensino ministrado nas suas oito Faculdades e pelos avanços que tem permitido em várias áreas do conhecimento, em Portugal e no mundo. Não só esta universidade constitui um verdadeiro ícone de Portugal no estrangeiro, como prossegue, em diversas frentes, esforços de melhoria constante que lhe permitem continuar a afirmar a qualidade do seu trabalho, em ligação com organizações multinacionais e internacionais. IN http://www.universia.pt/servicos_net/informacao/noticia.jsp?noticia=57854
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Veneza entre o esplendor e a ruína A cidade prodigiosa está gravemente doente de um vírus chamado excesso de turismo que ela alimentou de maneira irresponsável e agora a empurra para a decadência. Clique para visitar o canal Life & Style. António Guerreiro (texto) Giacomo Cosua (fotografias) 17:23 Quinta-feira, 18 de Fev de 2010 Última actualização há 18 minutos Quem, na condição de visitante, se dispõe a escrever sobre Veneza, ou é insensível ao ridículo de sucumbir ao mais estereotipado impulso literário ou deve começar por pedir desculpa. Visitá-la e falar dela confere distinção - a distinção snobe dos estetas. Comecemos, pois, por pedir desculpa e apelar à benevolência do auditório, prometendo não fazer literatura apologética nem dar razão a quem acha que a palavra kitsch errou na pátria e devia ter nascido veneziana. Por mais difícil que seja, vamos ignorar a Veneza de Goethe ("obra grandiosa e veneranda"), fechar os olhos à teologia veneziana de Proust ("lugar cimeiro da religião da Beleza"), e resistir ao esteticismo mórbido que Thomas Mann experimentou na "mais inverosímil cidade do mundo". Partamos então em busca de uma Veneza decadente, acumulação grotesca de problemas que advêm da sua prodigiosa construção e da condição de suprema cidade-museu devastada pelo turismo, invadida pela fancaria. Não é difícil encontrá-la. Quando entramos de comboio, pela ponte inaugurada em 1865, que a tirou da condição insular, conseguimos vislumbrar a mítica Serenissima e ver as silhuetas de um esplendor intacto. Mas mal saímos da estação ferroviária dissipa-se a serenidade, e à teatralidade congénita da cidade sobrepõe-se um espectáculo muito menos elegante e sumptuoso: começa ali (ou ao lado, no Piazzale Roma, onde desembocam os autocarros) o percurso labiríntico que conduz à Praça de São Marcos, supremo lugar de peregrinação para os mais de 50 mil visitantes diários; e ali se inicia a exibição de uma cidade convertida à monocultura do turismo, adaptada às necessidades e às solicitações de quem a atravessa por um ou vários dias, onde já mal se vê o que ainda resta de vida autóctone. Jovens fogem da cidade Annalisa de March, professora Annalisa de March, veneziana, professora do ensino básico, exprime assim este sentimento de espoliação comum à grande parte dos seus concidadãos: "É triste dizê-lo, mas já não os vejo como pessoas, só os vejo como turistas". Isto é, como uma massa informe que avança todos os dias a partir das nove da manhã e recua ao fim da tarde, apropriando-se de um território que não é como a rua ou a avenida das outras cidades. Annalisa formula essa relação do veneziano com o espaço exterior através de uma frase consagrada pela tradição: "O meu quarto é o meu apartamento mas a minha casa é Veneza". Toda a cultura veneziana da representação e da máscara tem na sua base esta fronteira muito ténue entre o espaço público e o privado, entre a rua e o interior. E, referindo-se às consequências mais ruinosas do turismo de massa, Annalisa fala da fuga dos jovens e do envelhecimento dos habitantes da cidade; da expulsão, para Mestre (a cidade que fica em terra firme, antes de se entrar na laguna) do 'povo' veneziano; da multiplicação de lojas para turistas. E conta que há uma farmácia em Veneza que utiliza um mostruário electrónico para dar a informação do número de habitantes da cidade. Tal obsessão explica os recorrentes vaticínios acerca do ano em que Veneza deixará de ter habitantes. E, no entanto, confrontada com um ambiente calmo como é a segunda quinzena de Janeiro (a época baixa em Veneza limita-se ao período que vai do início de Janeiro até à semana anterior ao Carnaval), Annalisa confessa sentir que é triste a cidade sem turistas. Quando não há turistas não há nada, porque a população da cidade é escassa e poucas são as actividades não subordinadas ao turismo. Extinguiu-se todo o tecido produtivo tradicional, ligado aos ofícios, ao artesanato, às pequenas empresas. Salvar Veneza foi uma palavra de ordem universalmente difundida quando, em 1966, houve inundações e o fenómeno da acqua alta atingiu o nível inusitado de 1,90 metros (a partir de um metro acima do nível do mar, as partes mais baixas da cidade começam a ficar submersas). Tratava-se então de arranjar uma solução para a fragilidade desta construção humana plantada sobre as águas e sobre pântanos, onde cada obra de arquitectura foi sempre, ao mesmo tempo, obra de conquista de território, de superfície. Aqui, nunca houve terra firme: nenhum edifício pôde ser construído sem se construir também o solo. Mas, actualmente, salvar Veneza significa também responder a uma outra urgência: a de encontrar um ponto de equilíbrio entre a satisfação das suas necessidades económicas e a presença avassaladora e única do turismo. A hipótese de introduzir uma limitação às entradas, impondo aos não-residentes a obrigação de adquirir um passe de ingresso ou uma reserva, já chegou a ser discutida publicamente. Uma cidade superlotada, ao ponto de, durante longas horas, não se conseguir entrar nem sair, com as ruas e as duas ligações (a ferroviária e a rodoviária) completamente entupidas, é algo que já ocorreu, com dimensão assustadora, num fim-de-semana prolongado de Maio de 2008. Para percebermos a que se referem os gritos de alarme e as exortações ao salvamento de Veneza, convém conhecer alguns números: a cidade tem actualmente 60.000 habitantes. Em 1950, ano de uma expansão demográfica só comparável à da segunda metade do séc. XVI, tinha 184.000. A hemorragia anual é de cerca de mil habitantes. Os utentes diários da cidade são à volta do dobro dos residentes; os mais de 21 milhões de turistas de 2008 representam um aumento de 9% em três anos; os alojamentos para uso turístico aumentaram 450% de 2000 a 2006 (graças ao fenómeno do bed & breakfast) e o número de camas duplicou nos últimos dez anos. Mas há ainda outro número temível: o do aumento, para o dobro, nos últimos dez anos, do movimento turístico do porto de passageiros. Veneza tornou-se o primeiro destino italiano de navios de cruzeiro que oferecem o mais apetecível programa de viagem turística: a possibilidade de ver a Praça de São Marcos de um miradouro flutuante que se ergue à altura das torres mais altas da cidade. Os efeitos são bem visíveis, mesmo para o visitante leigo: enormes massas de água geram correntes intensíssimas que se propagam até aos canais mais internos. Pode parecer fácil tomar uma medida que afaste estes colossos flutuantes, mas quem ousa prescindir do movimento turístico do porto que, em 2007, foi de um milhão e meio de passageiros? Giorgio Mastinu, galerista Giorgio Mastinu, arquitecto, a viver em Veneza há 24 anos (desde que veio da Sardenha para estudar aqui arquitectura) lembra como o turismo de massa, a partir dos anos 80, mudou completamente o ambiente cultural e intelectual da cidade. E enumera factos: hoje só há uma sala de cinema e não tem público, enquanto em 1985 existiam cinco salas; a bienal de música, tão importante nos anos 50 e 60, já há muito que não existe; O Palazzo Grassi, assim como a Punta della Dogana (a ponta triangular entre o Grande Canal e o Canal da Giudecca), restaurada pelo arquitecto japonês Tadao Ando e inaugurada em Junho do ano passado como grande centro de arte contemporânea, estão entregues à Fundação do grande magnata francês François Pinault, que transformou estes dois lugares de exposição em vitrina da sua colecção privada, subtraindo-os a qualquer programa dinâmico na relação com a cidade. E Giorgio Mastinu conta que a Fundação Pinault, quando assumiu a gestão do Palazzo Grassi, hasteou no exterior a bandeira da Bretanha. E o relato dos desvios a que foram sujeitas algumas instituições culturais não acaba aqui: o Palazzo Fortuny foi também entregue a um magnata belga. Em oposição a este vazio cultural (apesar do presidente da Câmara ser um eminente filósofo: Massimo Cacciari), Mastinu lembra que nos anos 80 o arquitecto Vittorio Gregotti lançou a ideia de Veneza como a cidade da "nova modernidade". Pouco mais de uma década depois, em 1993, já outro nome importante da Escola de Arquitectura de Veneza, Manfredo Tafuri, substituía a visão utópica por um diagnóstico cruel: Veneza apresentava-se-lhe como um "cadáver em liquefacção diante dos nossos olhos". Citando esse texto, um dos mais ilustres habitantes actuais da cidade, o filósofo Giorgio Agamben, escreveu há dois anos que Veneza tinha passado à fase seguinte: já não a do cadáver, mas a do espectro, isto é, "a de um morto que surge inesperadamente, de preferência a horas nocturnas". Imitações de máscaras "made in China" Para dar uma ideia do poder devastador do turismo de massa, Giorgio Mastinu conta o que aconteceu recentemente na zona onde vivia. Era uma zona ainda não integrada nos circuitos obrigatórios (porque, no labirinto veneziano, há um fio que conduz por vias inescapáveis e tudo o que é lateral a elas fica por conta de uma minoria rebelde e curiosa). Mas assim que começou a ser sinalizada nos principais guias, tornou-se lugar de passagem dos turistas e o comércio que servia predominantemente as necessidades dos residentes foi substituído pelas lojas de ricordi: máscaras, vidros, artesanato, chapéus e camisolas de gondoleiro. Tudo o que é necessário para garantir às hordas de apaixonados por Veneza que não regressarão a casa sem um pedaço da cidade, mesmo que seja uma contrafacção reles fabricada noutro sítio, como passou a ser regra. É assim o círculo infernal descrito por Mastinu: o comércio e os serviços para residentes é substituído por comércio e restaurantes para turistas, os preços da habitação sobem vertiginosamente (ou esta torna-se mesmo inexistente) e tornam-se inacessíveis. Simultaneamente, tudo se conforma à prática turística, o que convida os habitantes a abandonar a cidade, sobretudo os jovens, dando ainda mais força à razão que os expeliu (no círculo vicioso, as causas tornam-se consequências e vice-versa). E assim se instaurou um mercado do imobiliário que exclui a residência e privilegia a aquisição por parte de estrangeiros ricos, para utilização pontual ou sazonal, ou para o único comércio rentável que é o turismo. O triunfo em toda a linha da actividade única que domina os sectores da cidade ficou bem patente na lei que, há quase uma década, permitiu a transformação de casas de habitação em albergues e bed & breakfast. O efeito foi imparável e nasceram em todo o lado esse tipo de alojamentos, assegura Cristina Toso, outra veneziana com quem falámos, que lamenta a "perda de identidade" de Veneza. E, por perda de identidade, não entende apenas o desaparecimento daquilo que constituía o centro do tecido produtivo da cidade: as manufacturas e as pequenas actividades comerciais. Hoje, diz Cristina, até as máscaras e os vidros ditos de Murano (uma das ilhas da laguna) vêm da China. E da China, acrescenta, vêm compradores das lojas, dos restaurantes, das pizarias. E assegura que é o dinheiro chinês que se está a apoderar do comércio veneziano (Giorgio Mastinu também aludiu a este facto). Uma trattoria italiana com gerência chinesa é já um facto vulgar. Caminha-se assim para uma cidade em que tudo é falso. Nem sequer já os gondolieri são de Veneza. O que não deixa de ser uma situação cómica, se pensarmos que há uns anos Cacciari queria exigir direitos, em nome da 'marca Veneza', pelas réplicas venezianas construídas em Las Vegas. Eis a ironia máxima da reversibilidade: Las Vegas que imita Veneza que imita Las Vegas. Cristina Toso dá um exemplo do que é a quintessência veneziana dos últimos tempos: em todo o sestiere de São Marcos (a parte da cidade em torno desta praça) já não há uma única loja de bens de primeira necessidade. É aí que se instalaram as grandes marcas da moda italiana (Armani, Prada, Gucci), não porque o volume de vendas compense o custo astronómico das rendas, mas para estarem presentes, para fazer de Veneza a sua montra. Se é para exibir, Veneza tem vocação de séculos. Centro histórico é a cidade toda Para a degradação da vida da cidade a todos os níveis contribuiu o enfraquecimento do ambiente universitário. Até aos anos 80, o Instituto Universitário de Arquitectura de Veneza (IUAV), pelo seu prestígio, atraía estudantes de todo o país que se instalavam na cidade. O IUAV não era apenas uma escola de Arquitectura e um centro de irradiação artística: era um laboratório de pensamento. Giorgio Mastinu explica assim o auge e a queda da Universidade: na II Guerra, quando a Itália estava a ser bombardeada, Veneza foi um refúgio tranquilo de intelectuais, ao ponto de se dizer que era a capital cultural da República de Salò. Esse ambiente permaneceu no pós-guerra, durante décadas, até que todas as cidades do Norte da Itália começaram a ter universidades com cursos de Arquitectura. A esse enfraquecimento devido à concorrência, juntou-se um outro factor: viver na cidade deixou de ser comportável para estudantes, que tiveram de seguir o movimento pendular de entrar de manhã e sair ao fim da tarde, regressando de comboio a casa, onde sempre viveram, ou à residência que encontraram fora de Veneza (por exemplo, em Mestre) a preços muito mais razoáveis. Cristina Toso, professora Veneza tem a característica única de ser toda ela centro histórico. Quem é empurrado do centro não vai para uma periferia mas para fora da cidade. Pessimista, Giorgio Mastinu prevê que o futuro de Veneza é o de ser o centro histórico das cidades mais próximas: Mestre, Pádua, Treviso. Nesta projecção pessimista, o centro histórico deixou de ter a vida diversificada de uma cidade autónoma: é apenas um museu de onde foi banida a vida, e o património artístico e arquitectónico surge congelado no seu valor de exposição. Francesco Indovina, professor no IUAV, desenvolveu o conceito de "cidade difusa" para explicar o possível lugar de Veneza nesta constelação. Mas a sua hipótese é muito mais optimista. Na sua ideia de cidade difusa (de um arquipélago de cidades que formam um sistema), o lugar de Veneza não é unicamente o de museu e residência dos espectros. Este professor concorda com os diagnósticos que identificam a doença de excesso de turismo e não relativiza a sua gravidade. Mas o seu plano é o de que se controle o turismo, deixando de viver exclusivamente dele e não permitindo que ele absorva todas as actividades. Por isso, propõe para Veneza um conjunto de actividades imateriais que implicam fazer do Arsenal (uma grande superfície desactivada, outrora ocupada por indústrias militares), em vez de um grande hotel de luxo, como está previsto, uma "cittadella della scienza"; e propõe a requalificação da laguna e de Porto Marghera, que foi a zona industrial de Veneza, situada ao lado de Mestre. O problema da acqua alta Colocar a laguna na vanguarda de uma gestão ecologicamente correcta requer, diz Francesco Indovina, finalizar os trabalhos de construção do MoSE (acrónimo para Módulo sperimentale elettromeccanico), isto é, o projecto para salvar Veneza que consiste num sistema de diques móveis construído nas três bocas de porto (onde o mar entra na laguna: Lido, Malamocco e Chioggia), cuja primeira pedra foi lançada em 2003. Este projecto tem sido fortemente contestado, quer pelos seus custos elevadíssimos, quer pela convicção dos seus detractores de que só provocará mais danos. E não são apenas os ecologistas que estão na frente desta luta. O fenómeno da acqua alta, que até aos anos 60 não foi preocupante, tornou-se entretanto um problema, quer pela sua frequência, quer pelos níveis elevados que a água atinge. Em meados de Janeiro, Veneza tinha vivido quase um mês seguido de acqua alta, situação inédita que pôs à prova a proverbial camona dos venezianos, isto é, aquela calma e lentidão que exaspera os que vêm de fora. Os que se habituaram a viver nesta cidade contranatura aguentam os contratempos da subida da água com bom humor. E reagem às marés cheias de turistas com pragmático cinismo. Ouvindo os nossos interlocutores, aqueles que comparecem nesta reportagem mas também outros que ficaram de fora, parece que à primeira oportunidade abandonariam Veneza. Mas interrogados directamente acerca de tal hipótese, todos pronunciam um rotundo "não": que não seriam capazes de viver numa cidade com carros e com periferia, e onde sair à rua não fosse entrar num palco com um cenário magnificente. Mesmo que esse cenário seja o objecto ausente do desejo melancólico: o desejo de uma Veneza que já não existe. Publicado na Revista Única do Expresso de 13 de Fevereiro de 2010 in http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/566060
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A arquitectura bioclimática é a forma mais racional de construir uma habitação, mas os seus princípios são pouco aplicados nas modernas construções e habitações. Arquitectura bioclimática dá passos ainda tímidos na Região Projectar e construir um edifício considerando a envolvente climática é o objectivo da arquitectura bioclimática, um conceito que, afinal, não é nada de novo, uma vez que nasceu com as primeiras habitações construídas pelos homens. Todavia, os princípios da arquitectura bioclimática têm sido esquecidos e ignorados na construção das habitações modernas, onde a utilização do betão e das “soluções fáceis” continua a dominar, com consequências nefastas no consumo energético e na vida dos edifícios. Na Madeira, o conceito de arquitectura bioclimática dá ainda passos tímidos. Da utilização do conceito de arquitectura bioclimática advêem ganhos bastante significativos. Tanto no Inverno, como no Verão, quase não precisa de aquecer ou arrefecer as divisões de casa. Tal repercute-se na conta da electricidade e de gás, mais baixa do que em construções onde o conforto térmico não está assegurado. Tal como realçou ao JM o Eng.º Filipe Oliveira, da Agência Regional de Energia e Ambiente da Região Autónoma da Madeira (AREAM) tem um clima bastante favorável à adopção dos princípios da arquitectura bioclimática. Deste modo, salienta haverem “princípios simples que pode serem aplicados na construção das habitações, como seja fazer os sombreamento, a orientação, a ventilação natural e o aproveitamento da luz natural”. Todavia, realça que embora “estes princípios sejam do senso comum há quem aplique mal e ourtos procuram aplicar melhor”. A falta de conforto térmico nas casas resulta de problemas construtivos. Para ultrapassar o desconforto, gasta-se electricidade em excesso para aquecer ou arrefecer. Porém, as casas construídas segundo critérios bioclimáticos apresentam temperaturas que, na maior parte do ano, dispensam equipamentos de aquecimento ou arrefecimento. Assim, como acentua Filipe Oliveira, na arquitectura bioclimática, a exemplo do que foi feito na Casa Solar do Porto Santo, “podem-se utilizar entradas de ar subterrâneas em que o ar entra por debaixo da terra e arrefece e quando entra dentro de casa já fresco, o que é uma grande vantagem no Verão”. Por outro lado destaca a utilização de “janelas fingidas” ou “parede de Trombe”, em “que do lado de fora tem um vidro e por detrás da janela tem uma parede, em betão ou pedra, em que o sol passa através do vidro e aquece a parede que, depois, durante a noite vai libertando calor”. Deste modo, sublinha “existirem muitas soluções “para aquecer” ou “arrefacer” uma casa, destacando que na arquitectura solar passiva ou na arquitectura bioclimática “o motor ou a fonte de energia é o sol e o vento”. “É o vento na parte da ventilação, para fazer entrar e sair o ar, e o sol, que faz aquecer e circular o ar”. Neste âmbito destaca a importância de uma casa estar bem orientada, de modo a receber o máximo de luz solar, o que, conjugado com entradas de ar na habitação, nomeadamente pode debaixo da terra, “quanto mais sol tiver mais circulação de ar faz”. Os materiais de construção também influenciam as condições climatéricas no interior. A inércia térmica, própria dos materiais pesados, como dos tijolos maciços e da pedra, é importante em casas bioclimáticas. Com grande inércia térmica, mantêm-se mais tempo frescas durante o dia, enquanto armazenam calor, que libertam à noite. Por isso Filipe Oliveira destaca a importância da “inércia térmica” na habitação. “Se tiver isolamento térmico por fora, a massa que está por dentro vai armazenar o calor no interior, o que quer dizer que se houverem uns dias muito frios as paredes como estão quentes vão manter o calor e uniformizar a temperatura dentro de casa, o mesmo acontecendo nos dias de Leste”. Questionado sobre a razão por que os conceitos da arquitectura bioclimática não são mais vezes utilizados na construção das habitações, salienta que tal deve-se ao facto de que “obriga o arquitecto a pensar”, referindo que são sobretudo os arquitectos mais novos a valorizar estes princípios. Assim, salienta que muitos arquitectos “têm pouca sensibilidade” para a aplicação dos conceitos da arquitectura bioclimática. “Preocupam-se com o interior, com a distribuição de espaços, com a ocupação do lote - embora muitas vezes o terreno seja um factor limitativo - e porque sempre fizeram assim têm mais tendência a fazer de forma idêntica. Quando o projecto é ditado pelos promotores imobiliários a construção segue o princípio do mais barato, embora algumas destas soluções da arquitectura bioclimática não sejam as mais caras”, sublinha. Embora reconheça que hoje em dia a legislação obrigue à utilização de técnicas que conduzem a uma melhor eficiência energética dos edifícios, Filipe Oliveira realça que um edifício que utilize as soluções da arquitectura bioclimática “tem um bom desempenho energético, embora o que é exigido não leva a que haja uma generalização do bioclimático”. Considerando um cenário de consumo de 12.500 kWh/ano, correspondente a um gasto de electricidade de cerca de € 65 mensais e de € 35 de gás, a redução em 80% da fatia do aquecimento significa uma poupança anual superior a 250 euros. Como conseguir um maior conforto térmico Uma construção atenta aos pormenores Técnicas de construção. Para perceber como aplicar algumas técnicas na sua casa, de modo a conseguir um maior conforto térmico, pode recorrer às agências de energia, municipais ou regionais. A ADENE (www.adene.pt) ou AREAM (www.aream.pt) tem informação sobre o Sistema de Certificação dos Edifícios e os novos regulamentos. A orientação das fachadas da casa a Sul é favorável, no Inverno ou Verão, desde que com sistemas de sombreamento a proteger do sol directo. Numa sala de 30 m², por exemplo, as necessidades de arrefecimento podem aumentar em 1 kW, se a sala for orientada a Oeste, em vez de a Sul. O isolamento térmico das paredes simples previne fugas de calor entre o interior e o exterior da habitação. O mesmo deve ser colocado no exterior, revestindo paredes e vigas e evitando as pontes térmicas. Uma parede simples isolada pelo exterior evita até 50% das perdas de calor. Os vidros duplos protegem do calor e do frio. Têm duas camadas de vidro, separadas por uma câmara de gás inerte, de maior efeito isolante. As perdas de calor para o exterior reduzem-se em 45% com uma janela de vidro duplo e caixilharia isolante. A chamada Parede de Trombe é constituída por um vidro exterior orientado a Sul, uma caixa-de-ar e uma parede de grande inércia térmica (de tijolo maciço, por exemplo). Estas paredes acumulam o calor do Sol durante o dia, transmitindo-o para o interior durante a noite. A técnica de arrefecimento pelo solo permite refrigerar as divisões, fazendo passar ar do exterior por tubos enterrados, onde arrefece, sendo depois libertado na casa. No Inverno, o mesmo sistema permite pré-aquecer o ar. A água pode ser usada para arrefecer o ar. Caso haja espaço disponível em frente à habitação, é possível criar espelhos de água. A evaporação da água dá-se junto às paredes exteriores da casa, diminuindo a temperatura do ar em seu redor. As palas, ou varandas, por cima das janelas ajudam, durante o Verão, a quebrar a incidência directa do Sol. As janelas basculantes permitem, com o estore parcialmente fechado, arejar a casa. Por sua vez, as janelas pequenas evitam o arrefecimento excessivo das casas viradas a Norte. A forma do edifício influencia as perdas e os ganhos de calor entre o interior e o exterior. Quanto mais compacto for o edifício, menor serão as perdas energéticas. Além disso, uma casa baixa está menos exposta ao vento. O uso de vegetação, de preferência a Este e a Oeste, evita a entrada de radiação solar directa através das janelas e protege as paredes exteriores do excesso de calor. A vegetação também protege do vento e oxigena o ar. A utilização de painéis solares fotovoltaicos permite converter a energia solar em eléctrica, enquanto os colectores solares têm a vantagem de usá-la para aquecer água. A instalação destes sistemas leva à redução do consumo de energia eléctrica. Legislação não ajuda à aplicação dos princípios da arquitectura bioclimática «As pessoas estão pouco esclarecidas» Ara Rodrigo de Castro é um jovem arquitecto que procura aplicar na construção de casas e edifícios os princípios da arquitectura bioclimática, reconhecendo no entanto que os obstáculos são vários. Salienta que esta arquitectura “sempre se fez, desde o que o homem surgiu no planeta, pois desde o Pólo Norte ao Pólo Sul todas as habitações eram feitas consoante o clima e o local, utilizando os materias disponíveis nesse local, o que fazia com que as casas se tornassem quentes do Inverno e frescas no Verão”. Todavia, realça que “com a Revolução Industrial e com o paradigma da Escola Bauhaus, com a construção em betão, tudo foi destruído, passando-se a construir rapidamente”. Deste modo, Rodrigo de Castro destaca que “as casas de pedra antiga madeirenses” eram feitas com os princípios da arquitectura bioclimáticas, ou seja, “viradas a sul, com as paredes com uma determinada espessura e com as aberturas correctas, o que fazia com que o sol aquecesse a casa durante o dia e o calor fosse libertado no interior da casa durante a noite, aquecendo a casa”. Portando, acentua que o objectivo da arquitectura bioclimática “é projectar consoante a natureza do próprio local e do clima e com os materiais do local”. Deste modo, este jovem arquitecto considera que “pouco se fez em Portugal no âmbito da arquitectura bioclimática”, realçando que a maioria das “pessoas estão pouco esclarecidas e elucidades”, destacando que “muitas vezes o papel do arquitecto é desvalorizado em favor do técnico”. Assim, culpa o decreto-lei 73/73 por esta situação que permite que os engenheiros técnicos possam assinar projectos de arquitectura “deixando o papel do arquitecto um pouco à margem da sociedade”, isto a par da falta de exigência de “projectos de execução” na maior parte das construções. Rodrigo de Castro, salienta, assim, que estes factores contribuem para “que não haja um controlo da qualidade e execução dos edifícios”, o que, acentua, “contribui para por de parte os princípios da arquitectura bioclimática”. Para além de defender uma alteração da legislação, considera que será sobretudo pelo factor de “imitação” que a arquitectura bioclimática irá se impor, uma vez que se as pessoas souberem que o vizinho tem uma casa que gasta metade da energia que consomem “vão querer também ter uma habitação igual”. Augusto Soares in http://www.jornaldamadeira.pt/not2008.php?Seccao=14&id=145361⊃=0&sdata=
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Arquitectura Religiosa : intercâmbio Portugal-Alemanha Diversas iniciativas procuram abrir novas abordagens nesta área Inserido no programa da exposição “Made in Germany: Arquitectura + Religião”, promovida pela Ordem dos Arquitectos, em parceria com o Goethe-Institut Lisboa, está a decorrer um intercâmbio Portugal-Alemanha em matéria de arquitectura religiosa. Aproveitando a presença no nosso país de cinco convidados alemães - o teólogo Walter Zhaner e os arquitectos Paul Böhm, Amandus Sattler, e Ulrich e Ilse Königs – é promovido entre 17 e 19 de Fevereiro um itinerário com arquitectos portugueses, proporcionando a visita a várias obras, com início na cidade do Porto e chegada a Lisboa, passando por Fátima, Portalegre e Évora. Segundo a organização do evento, “esta viagem de estudo e aprendizagem será marcada pela partilha, debate e vivência de participantes de Portugal e Alemanha, e enriquecida pela presença e orientação guiada de alguns dos autores das obras visitadas, como os arquitectos João Luís Carrilho da Graça e José Fernando Gonçalves”. Fazem parte do percurso obras como a Igreja de Santa Maria, em Marco de Canavezes (Álvaro Siza Vieira); o Museu de Serralves, no Porto (Álvaro Siza Vieira); a Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima (Alexandros Tombazis); a Igreja de Santo António, em Portalegre (João Carrilho da Graça); o Museu de Arte Sacra, em Évora (João Carrilho da Graça) e a Igreja do Convento dos Dominicanos, em Lisboa (Paulo Providência e José Fernando Gonçalves). “Com este encontro de culturas, pensamentos e ideias, dedicado a um programa arquitectónico tão pouco debatido em tempos mais recentes, espera-se catalisar novas abordagens, novas perspectivas e novos passos para a arquitectura religiosa portuguesa do presente século, promovendo a qualidade artística e arquitectónica dos edifícios religiosos, referências incontornáveis na construção da identidade e fisionomia das nossas cidades”, indicam os promotores da iniciativa. Esta Sexta-feira, o percurso encerra-se com uma visita na igreja do Sagrado Coração de Jesus, Lisboa (Nuno Teotónio Pereira e Nuno Portas) e com um encontro aberto no Centro Cultural de Belém, Lisboa. No Sábado, 20 de Fevereiro, realizar-se-á um colóquio com a participação dos citados convidados alemães, onde serão debatidos o panorama e contexto histórico da arquitectura religiosa alemã do último século, ilustrados com maior detalhe por três obras recentes de particular interesse para a realidade portuguesa. Após as respectivas conferências, divididas pela parte da manhã e tarde, realizar-se-ão duas mesas redondas, onde se juntarão quatro convidados portugueses – os padres Tolentino Mendonça e Bernardo Miranda e os arquitectos Diogo Lino Pimentel e José Manuel Fernandes – para debater temas como “A liturgia como programa de Igrejas” e “Arte na Igreja e Igreja na Cidade”. O colóquio, que se realizará no auditório do Goethe-Institut em Lisboa procura, “a partir da experiência germânica, confrontada e traduzida para a realidade nacional, promover uma séria reflexão e debate de perspectivas sobre esta temática”. in http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=77870
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Ordem dos engenheiros arranca com petição nacional para revogar portaria 18.02.2010 - 18h39 Por Lusa, Luísa Pinto O bastonário da Ordem dos Engenheiros (OE) anunciou hoje o arranque da campanha de angariação de quatro mil assinaturas a entregar até final de Março na Assembleia da República com as quais pretende suspender e alterar as regras que estabelecem as competências que são necessárias para projectar, dirigir e fiscalizar obras. Em causa está uma portaria,em vigor desde Novembro, e que traz, no entender da OE, um “tratamento discricionário” aos profissionais cujo exercício visa regulamentar . Tal como o PÚBLICO noticiou na edição da passada quarta feira, trata-se da Portaria que veio regulamentar a Lei 31/2009, a lei que veio susbtituiur o polémico e muito discutido 73/73. Se a lei em si foi muito discutida e trabalhada, a portaria que a regulamenta não terá sido, já que, afirmou Fernando Santo, citado pela Lusa, a portaria resultou de uma decisão do Ministério das Obras Públicas, então tutelado por Mário Lino, quando confrontado com a falta de entendimento entre a Ordem dos Engenheiros e a Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos (ANET), Os engenheiros pretendem que o Parlamento recomende ao Governo a suspensão da portaria e a sua reformulação para que “seja reposta a legalidade”. A Ordem esteve contra a proposta do InCI porque “a portaria não tem em conta a lei e permite atribuir competências a quem as não tem”. Além da definição dos “limites de intervenção dos engenheiros técnicos, uma vez que a sua formação é de três anos e a formação dos engenheiros é de cinco”, coloca-se, para os arquitectos, a questão da direcção de obras “porque a sua formação, segundo os planos curriculares das escolas, não lhes dá formação” para esta tarefa, realçou Fernando Santo. O bastonário recordou que a Ordem dos Engenheiros “aceitou que os engenheiros civis deixassem de assinar projectos de arquitectura a partir da entrada em vigor da lei porque não tinham formação base das escolas que permitissem ter competências em arquitectura”. “Há aqui um tratamento discricionário de algumas associações profissionais e interesses que levaram a que não houvesse paridade no tratamento das competências de acordo com a lei”, defendeu. Aliás, “se as próprias escolas têm uma diferenciação de formações de três e cinco anos na área das engenharias como é que uma lei ignora essas formações para tentar igualizar o que é diferente?”, questionou o bastonário. “Será que está na linha das Novas Oportunidades, em que todos passam rapidamente para ter um título e fazer tudo? Onde está o interesse público assegurado?”, perguntou ainda. A Ordem considera que este é um problema que não se resume aos engenheiros e, por isso, a petição é aberta “a todos os cidadãos que se sentem incomodados por, a partir de agora, deixarem de confiar em muitas pessoas que têm por lei competências, mas na prática não têm as formações para terem essas competências”, realçou Fernando Ferreira Santo. Ordem vai a votos Além dos engenheiros civis, a Ordem dos Engenheiros representa, entre outros, os profissionais das engenharias do ambiente, electrónica, florestal, informática, mecânica e naval. Os cerca de 40 mil profissionais que estão inscritos na Ordem são chamados a votar os novos corpos dirigentes no próximo dia 26, estando na corrida três candidatos. Para além do actual presidente do Laboratório nacional de Engenharia Civil, Carlos Matias Ramos, e de Fernando Silveira Ramos, ex-presidente da Associação Portuguesa de rojectistas e Consultores, Luís Malheiro, engenheiro electrotécnico. in http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1423351
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Edifício Natura Towers revolucionam mercado Ana Baptista 20/01/10 00:05 A recepção das Natura Towers é em mármore preto e além do painel de plantas e de uma pequena cascata, tem uma escadaria em espiral. A MSF - Moniz da Maia, Serra e Fortunato acaba de comemorar 40 anos e para celebrar a data mudou-se para um edifício promovido e construído pela própria empresa. Um investimento de 30 milhões de euros que além de albergar todos os trabalhadores do grupo é o primeiro edifício totalmente ‘verde' em Portugal. Concebidas pelo atelier de arquitectura GJP, as Natura Towers ficam em Lisboa, no Alto da Faia, entre Telheiras, Lumiar e o Eixo Norte-Sul, e não é pela altura que se destacam mas sim pelo ‘design' e pelo facto de consumirem menos 60% de energia do que um edifício normal de escritórios. Como? Simples. Cada uma das torres que compõem este empreendimento tem uma fachada dupla que permite uma melhor circulação do ar e ainda painéis fotovoltaicos na cobertura e na fachada. Além disso, conta com uma faixa de 35 metros de altura de relva com rega incorporada. Mais, no pátio do edifício no exterior e em ambas as recepções tem painéis de plantas e flores de cerca de 160 espécies diferentes, o que faz com este edifício seja "uma verdadeira planta", sublinhou Joaquim Fortunato, presidente do grupo MSF, durante a inauguração das torres no final do ano passado. José Fortunato, administrador do grupo responsável pelo imobiliário, disse ao Diário Económico que este é o primeiro edifício do País que conjuga a poupança energética com a redução das emissões de CO2. "As fachadas verdes produzem oxigénio, o que ajuda a absorver CO2 e ainda temos, entre outros equipamentos, um sistema de armazenagem de água da chuva e um sistema de iluminação que reflecte a luz", adiantou. Segunda torre para arrendamento A primeira torre será totalmente ocupada pela MSF, mas a segunda está para arrendamento, estando já três dos oito pisos já pré-arrendados, segundo adiantou José Fortunato. Aliás, o edifício tem estado a suscitar tanto interesse no mercado que a MSF já recebeu propostas para comprar a totalidade da segunda torre, que deverá ficar concluía dentro de dois meses. "Não queremos vender. Por questões emocionais e porque acreditamos que o mercado de escritórios vai valorizar", disse. A MSF está inclusivé empenhada em replicar o conceito das Natura Towers nos empreendimentos turísticos e de habitação promovidos pelo grupo. "Temos feito alguns testes na Marina de Lagos", que é um dos mais importantes projectos do grupo em termos de imobiliário. A MSF é ainda das poucas empresas de construção nacionais que continua a dar grande importância a este sector. ‘É uma área do grupo em que queremos investir", conta José Fortunato, adiantando que actualmente têm em curso, entre obras realizadas e por realizar - projectos de 350 a 400 milhões de euros. O grupo MSF - A MSF elebrou 40 anos e além da nova sede, criou um novo logotipo e alterou o nome da participada do grupo para a Construção e Obras Públicas, para MSF Engenharia. - O grupo apresenta hoje uma facturação anual acima dos 358 milhões de euros, 57 % desta gerada fora de Portugal, em seis países distintos, na Europa e em África. - Conta com 33 empresas e um total de 2.553 colaboradores, sendo que a construção, o iobiliário e as concessões são a prioridade do grupo. - No imobiliário, a crise obrigou a rever o plano estratégico previa investir mil milhões de euros em dez anos. - Em Dezembro arrancaram com a construção do ‘resort' Royal Óbidos, cuja primeira fase - golfe e hotel - estará pronta dentro de dois anos. As características das Natura Towers Consumo As Natura Towers aliam o ‘design' às soluções de sustentabilidade disponíveis no mercado. Os dois edifícios de escritórios que compõem o empreendimento conseguem poupar 41% do consumo no aquecimento e um total de 60% nos consumos totais do edifício, desde energia às águas sanitárias. Altura Cada uma das torres do empreendimento da MSF tem 35 metros de altura, mas estão localizadas num piso elevado - no Alto da Faia - o que as torna mais visivéis, principalmente à noite que estão iluminadas, tanto nas fachadas como através de iluminação em ‘leds' colocada no átrio exterior. Área Com arquitectura do atelier GJP, cada uma das torres tem oito pisos e seguindo a tendência actual de escritórios com pisos mais amplos, apresenta um total de 700 metros quadrados por cada andar, divisivéis em quatro fracções. A área bruta locável (a área em uso) total é de 11 mil metros quadrados. Rendas O preço que a MSF está a pedir pelo arrendamento da segunda torre - a única que está para arrendar, uma vez que a primeira torre será toda ocupada pelo grupo MSF - é de 17 euros mensais por metro quadrado, um valor justo para o mercado, tendo em conta a qualidade do edifício e sua localização. Plantas No interior das torres e no pátio exterior existem painéis de pequenas bolsas com inúmeras espécies de plantas, algumas com flor. De acordo com José Fortunato, "as plantas são escolhidas uma a uma e em função da sua estética e propósito para o desempenho do edifício". No total, há cerca de 160 diferentes espécies. Custo O empreendimento Natura Towers representou um investimento para o grupo MSF de 30 milhões de euros, "25% superior ao custo de um edifício normal", disse José Fortunato. Contudo, não foram apenas os equipamentos de sustentabilidade que encareceram o projecto, mas também as questões estéticas. in http://economico.sapo.pt/noticias/natura-towers-revolucionam-mercado_79179.html
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Engenheiros "olímpicos" fazem ponte Projecto dos ingleses marca início do Parque da Sustentabilidade 2010-01-23 ____ JOÃO PAULO COSTA, ____ O que têm em comum o estádio olímpico de Londres, o novo Louvre em Abu Dhabi e a futura ponte que vai ligar o Alboi ao Rossio em Aveiro? Resposta: o gabinete de engenharia. É inglês, tal como o arquitecto. A ponte deverá estar concluída até Março de 2011. O projecto de engenharia da nova ponte pedonal sobre a ria de Aveiro, que vai ligar o Alboi ao Rossio, será feito pelo gabinete inglês Buro Happold, um dos mais cotados consultores na área da engenharia, que está a colaborar, por exemplo, nos projectos do novo estádio Olímpico de Londres 2012 e no novo Louvre em Abu Dhabi, desenhado pelo arquitecto Jean Nouvel. O gabinete de Happold vai trabalhar em conjunto com a Powed-Williams Architects, que tal como o JN avançou ontem, venceu o concurso de ideias para a nova ponte pedonal sobre a Ria de Aveiro, que deverá estar concluída até ao primeiro trimestre de 2011. "Bonita, funcional e barata" Dezoito projectos concorreram ao concurso anónimo da ponte. A identificação dos candidatos só foi conhecida após o júri ter seleccionado o projecto vencedor (ver ficha) e depois deste ter sido aprovado pelo executivo camarário. Ontem, foram divulgados os 18 projectos numa sessão que contou com a presença dos vencedores (Kit Powell e Simon Fryer). O júri ficou surpreendido com o aparecimento dos ingleses, que confessaram ter tido conhecimento do concurso aveirense através de uma base de dados italiana. "São gabinetes credenciados que dão garantias", afirmou José Quintão, arquitecto da Câmara e membro do Júri. Quintão resumiu os critérios de selecção da nova ponte em três palavras, "bonita, funcional e barata", sublinhando a necessidade do projecto "não marcar fortemente uma zona delicada". O presidente da Câmara, Élio Maia, lembrou que nova ponte "marca o arranque do Parque da Sustentabilidade, um projecto que vai transformar Aveiro até 2014". Desenvolvido pela autarquia, em conjunto com a Universidade de Aveiro e parceiros privados, o "Parque da Sustentabilidade" abrange uma área de 29 hectares, desde o Parque Infante D. Pedro até à Baixa de Santo António, e é considerado pelo executivo como "o maior projecto de intervenção de requalificação urbana" jamais realizado no concelho. O "Parque da Sustentabilidade" representa um investimento de 14 milhões de euros, sendo financiado em seis milhões pelo FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. A Câmara tem a responsabilidade de 1,4 milhões de euros e a parceria público-privada/Universidade de Aveiro suporta seis milhões de euros. in http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Aveiro&Concelho=Aveiro&Option=Interior&content_id=1476709 Aveiro: Nova ponte pedonal marca arranque de “revolução” na cidade Travessia entre o Rossio e o Alboi foi desenhada pelo gabinete de arquitectura inglês Powell-Williams e terá de estar construída até Dezembro deste ano O gabinete de arquitectura inglês Powell-Williams Architects venceu o concurso de ideias para a construção de uma ponte pedonal sobre a Ria de Aveiro entre o Rossio e o Alboi, no centro da cidade. O segundo lugar foi atribuído a Paula Santos. Um total de 18 concorrentes apresentou-se a concurso, mas a escolha da autarquia recaiu sobre um gabinete com sede em Londres que possui uma vasta experiência na realização deste tipo de projectos, com destaque para a Ponte Della Musica, em Roma (Itália), ou a ponte do novo Estádio de Wembley (Inglaterra). O arquitecto vencedor vai realizar o projecto em conjunto com o gabinete de engenharia Buro Happold, que, entre outras obras, está a colaborar na extensão do Museu do Louvre em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, desenhado pelo arquitecto Jean Nouvel. Segundo Élio Maia, líder do município, que falava na apresentação da candidatura vencedora, a construção da ponte – que terá de estar concluída até Dezembro deste ano – assinala o arranque de um “projecto mais vasto”, aludindo ao Parque da Sustentabilidade, avaliado em 14 milhões de euros, com um financiamento comunitário de seis milhões. Este conjunto de empreendimentos será executado numa área com cerca de 20 hectares e representará uma “revolução profunda” da zona central da cidade, acrescentou o autarca eleito pela coligação PSD/CDS. O Parque da Sustentabilidade, que Élio Maia olha como “o maior projecto de intervenção de requalificação urbana” do concelho, será desenvolvido até 2012 pela autarquia, em conjunto com a Universidade de Aveiro e outros parceiros públicos e privados. Os vários projectos de arquitectura deverão estar concluídos até Maio. Rui Cunha in http://www.diarioaveiro.pt/main.php?srvacr=pages_13&mode=public&template=frontoffice&layout=layout&id_page=7644
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Trienal de Lisboa começa com seminário sobre reabilitação da Cova da Moura publicado 09:57 23 Janeiro '10 TextoLisboa, 23 Jan (Lusa) - A reabilitação da Cova da Moura, na Amadora, vai estar em foco num seminário que se realiza segunda-feira, no Teatro Camões, para discutir como pode a arquitectura constribuir para melhorar as condições de vida no bairro. Trienal de Lisboa começa com seminário sobre reabilitação da Cova da Moura 7 twitterShare O encontro, que já conta com 550 inscritos, vai decorrer durante todo o dia por iniciativa da segunda edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa, que terá lugar entre 14 de Outubro de 2010 e 16 de Janeiro de 2011, com curadoria geral de Delfim Sardo. Esta primeira iniciativa, com entrada gratuita, pretende ser um momento de reflexão e enquadramento do concurso que a Trienal lançou às faculdades de arquitectura e arquitectura paisagista do país para elaborarem projectos para a Cova da Moura, uma bairro considerado problemático. in http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Trienal-de-Lisboa-comeca-com-seminario-sobre-reabilitacao-da-Cova-da-Moura.rtp&article=313041&layout=10&visual=3&tm=5
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Luanda | Novo estádio de futebol de Luanda | Mário Sua Kay
JVS replied to m a r g a r i d a's topic in Arquitectura
A nova jóia de Luanda tem assinatura portuguesa Por Nuno Paralvas Mário Sua Kay desenhou palco da final do CAN. Arquitecto fala a A BOLA do megaprojecto. Quando Mário Sua Kay assistiu à cerimónia de abertura do Campeonato Africano das Nações sentiu orgulho e satisfação - ali estava, para todo o mundo ver, a sua criação. Quando recebeu os parabéns vindos de Luanda, de amigos e responsáveis angolanos que assistiram ao jogo, sentiu o conforto de ter criado um estádio que funcionava, por potenciar um ambiente fantástico - ali estava, para todo o mundo ver, o seu sucesso. Ainda custa a acreditar ao arquitecto português como foi possível que tudo acontecesse tão rápido. E tão bem. «Fomos contactados por uma empresa angolana há cerca de dois anos. Preparámos todo o conceito e demorámos 45 dias a desenhar o estádio todo, do projecto base às especificações, tudo», começa por dizer Mário Sua Kay, 57 anos, no seu atelier em Lisboa. O primeiro ensaio, porém, desgostou a empresa. Foi numa viagem à Polónia, pouco depois, que começou a nascer o Estádio 11 de Novembro, com capacidade para 50 mil espectadores e um custo de 181 milhões de euros, inaugurado em Dezembro. «Comecei a desenhar os símbolos angolanos, a palanca e a welvitchia (planta local) num avião. A conjugação desses elementos, embora pouco original, foi muito bem vista pelo Estado angolano. Os chifres da palanca foram inspiração para a estrutura de metal. Quando vi a folha da welvitchia percebi que estava ali o meu estádio. As folhas estão na cobertura. Há uma ligação aos símbolos , até a cor vermelha da bandeira é identificável», conta. Natural de Lourenço Marques, Mário Sua Kay, filho de pai macaense de origem chinesa e mãe alemã, cresceu sob a influência «do Benfica de Eusébio e Coluna». Também gostava de Matateu, outro moçambicano, mas acabou mesmo benfiquista. Em Inglaterra, estudou arquitectura na Universidade de Westminster, graduou-se em 1977, trabalhou em vários ateliers londrinos até 1981 e alimentou a paixão pelo futebol. Essa paixão que se reflecte na nova jóia de Luanda. «Qualquer arquitecto bem documentado, razoavelmente dedicado, desenha um estádio. Não é um bicho de sete cabeças. Mas é preciso saber o que significa o futebol para que o projecto resulte. Wembley é uma obra-prima da arquitectura, mas as pessoas não sentem que é um estádio de futebol. Dizem, por exemplo, que o estádio de Braga é mais difícil e frio. Talvez os bracarenses pensem de outra maneira. Esse extra do gosto pelo futebol é preciso para que seja criado um ambiente de futebol no estádio», argumenta. Leia mais na edição impressa de A BOLA 10:14 - 23-01-2010 in http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=190765 -
Parque Escolar, requalificação ou oportunidade perdida? Para temperar a indignação de um dos autores do blogue Câmara Corporativa perante as poucas notícias que a requalificação das escolas realizada pela Parque Escolar, decidi discuti-lo e questionar alguns factos. A partir dos Relatórios de Contas de 2007 e 2008, questionei os critérios de adjudicação directa de 3/4 ou 5 escolas por ano a uma ou outra empresa de prestação de serviços, questionei os critérios que motivariam as escolhas e fui descobrindo estranhas coincidências de percurso de vida entre os membros do Conselho de Administração da Parque Escolar e as empresas mais favorecidas neste processo, descobri uma Ordem dos Arquitectos totalmente colaborante com os procedimentos dos ajustes e levantei a dúvida: será que estes procedimentos geraram emprego ou trabalho precário? O que fui escrevendo pode ser lido aqui . Tiago Mota Saraiva 22:43 Sábado, 23 de Jan de 2010 Vamos agora à questão, porventura, mais importante: que escola projectamos para o futuro? A Parque Escolar, ao que julgo saber, tenciona desenvolver obras em todas as escolas secundárias do país. A partir de 2007, fez levantamento, projecto e obra, mas saberá que escola está a construir? Não será certamente a Parque Escolar que deve responder a isto, mas a escola do futuro não se pode desenhar sem a comunidade escolar, sem discussão política e sem uma profunda discussão disciplinar no plano da arquitectura e do urbanismo. Veja-se que nas premissas do processo inglês ( Building Schools for the Future iniciado em 2004), do qual Sócrates retirou a ideia, há uma clara noção do impacto que o desenho e a requalificação de uma escola pode ter no ambiente urbano e valoriza-se a necessidade disciplinar em procurar novas soluções. Sendo conhecida (e tristemente pública) a falta de sensibilidade do primeiro ministro para as questões relacionadas com a arquitectura e o planeamento urbano, este processo não foi participa o mas determinado pelo seu gabinete a toque de chicote. Pouca reflexão e muita construção. A maioria dos projectistas agraciados com os projectos da Parque Escolar não teve outra hipótese que não a de assinar um contrato que os canibalizava, atamancar umas ideias em prazos loucos - defendendo-se normalmente na execução de pormenores já experimentados, sabendo que esta seria a única forma de sobrevivência das suas empresas numa época em que as obras públicas se afunilaram nas escolas. Três curtos anos volvidos, já começam a vir a público as notícias dos problemas nas "novas" escolas , seja pelos erros e omissões de projectos "despachados", seja pela pressão de um ministro que quer cortar a fita. in http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/559719
