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Rui Resende

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  1. De que palhaçada estás a falar exactamente? De fazer um investimento consciente na manutenção e abertura ao público de um conjunto importante de obras de arte? Isso é palhaçada? Era bom para nós que todos os anos disponibilizassem uma nova colecção com aquela dimensão ao público, entre muitas outras coisas que se deviam fazer e que talvez pudessem ajudar a desviar a cabeça do "contribuinte" da eterna questão do dinheiro, ele é pouco e pior, ninguém sabe muito bem o que fazer com ele, nem quem governa nem os deputados "de bancada", como tal sempre se critica o investimento que não tem o efeito imediato de produzir mais dinheiro. É a história do velho que morre pobre e sujo e com o colchão cheio de notas desvalorizadas. Em relação a questões destas a minha posição é que cultura/educação (e comprar arte é cultura, não só mas também) são sempre áreas em que se deve investir. Compensa sempre, em vários aspectos. Mas normalmente compensa num médio/longo/muito longo prazo. Pois, nós só pensamos a curto... pois é, não tem nacionalidade, é património da humanidade e somos todos irmãos... mas se ela estiver na Conchichina eu, português, não a posso ver a não ser que vá à Conchichina. Se estiver em Portugal nunca estará a mais de 5 ou 6 horas de carro de mim... por isso agradeço o investimento no quadro que agora eu vou poder ver sem ter que sair do país. Já tiveste alguma vez a sensação de passear na Tate, na National Gallery de Londres ou no Louvre? se já o fizeste sabes a força que tem ver as obras sem ser em fotos de livros. E olha que muitos a quem os ingleses literalmente roubaram arte querem-na de volta... podíamos vender os quadros que temos a esse pessoal, sempre juntávamos mais uns cobres para gastar em... qualquer coisa. Não é a função do estado? então é função de quem? E já agora, qual é a função do estado? é controlar o défice e pagar as vacinas do tétano?
  2. eu concordo com bastante do que dizes JAG, até porque dizes quase lugar comuns (não estou a criticar, muitas vezes, e este é o caso, a verdade é tão evidente que é repetida por todos quantos se debruçam sobre o problema). Mas todas as questões técnicas (som e não só) têm uma causa essencial para mim. Falta de especialização/prática. Quase ninguém trabalha permanentemente em cinema em Portugal, e muitos acabam por ter apenas contactos esporádicos. Por isso acabamos por não ter pessoas com muita experiência que possam passar conhecimento e experiência a outros mais novos, etc. etc. Repare-se que um dos melhores cinematógrafos a trabalhar neste momento é português, e é o Eduardo Serra. Mas evidentemente que se o Eduardo Serra estava à espera de viver só ou maioritariamente de trabalho em Portugal bem podia arranjar um segundo emprego. Por isso, praticamente todos os problemas, para mim, surgem do facto de não haver uma produção continuada, de relevo em termos de quantidade, e onde os valores de produção comecem a ultrapassar pouco a pouco o (ainda muito) amadorismo (no pior sentido) que muitos filmes em Portugal ainda têm. Não se fazem milagres e a qualidade só vem da prática continuada. Em relação aos actores, a verdade é que, para mim, há muito poucos actores portugueses que realmente saibam interpretar o papel e as dinâmicas de um actor de cinema, que nada tem que ver com um actor de teatro. Ou até pode ter a ver, o Oliveira adora explorar essa relação, mas desde há muito tempo (digamos como marco desde que o Marlon Brando fez o Eléctrico chamado desejo em 1955) que há todo um campo novo para um actor de cinema explorar. Então juntar esse actor que sabe realmente o que faz em frente da câmara com o realizador que saiba realçar o trabalho do actor, é ainda mais raro. Aconteceu entre nós com o Alice, e poucas vezes mais no nosso cinema (o Terra estrangeira também tinha relações muito interessantes, mas lá está, a produção era brasileira, e notou-se a qualidade superior das actuações de portugueses nesse filme). De qualquer maneira, para mim, actores a trabalharem agora que saibam realmente fazer cinema, temos o Nicolau Breyner, o João Lagarto, o Filipe Duarte, o Nuno Lopes, a Beatriz Batarda e uma ou outra honrosa excepção que injustamente estou a esquecer neste momento (não conto o Joaquim de Almeida e a Maria de Medeiros, é outra história essa). Em relação ao Manoel de Oliveira, também não vou falar por agora, até porque anda por aí outro tópico em que já se falou dele. Eu sou um grande apreciador e ele tem alguns dos filmes mais inteligentes e que são "cinema" em toda a linha. Como já disse algures, ele carrega o fardo de ter de ser O cinema português. Tenho pena dele por não poder fazer os filmes dele em paz sem ter a malta dos rambos e dos desaparecidos em combate em cada estreia a reclamar que o dinheiro que se gastou no dele devia ir pa produzir um desaparecido em combate à portuguesa, que o pessoal ia ver muito mais facilmente. De qualquer maneira, para mim a "viagem ao princípio do mundo" é uma das melhores experiências que já tive em cinema (o filme falado, je rentre a la maison, aniki-bobó ... são filmes notáveis também). Em relação aos filmes americanizados e em geral maus (casos recentes este Corrupção e o crime do padre amaro) eu tenho uma opinião: deviam fazer pelo menos 30 destes todos os anos. São filmes que se auto pagam, ainda dão bastante lucro, e permitem que com cada um deles, o produtor fique com dinheiro para produzir mais dois ou três... não peço mais, quem me dera que houvesse muitos desses. o cinema português é uma máquina básica, arcaica e que ainda por cima está emperrada. O que é preciso é pô-la a funcionar. O resto vai aparecer.
  3. o problema das rampas é esse. Se as usas como tema da mesma forma que o Siza fez, tudo bem porque não estás a assumir que aquelas rampas são essenciais para alguém chegar onde quer quer seja. Claramente as rampas de acesso exterior ao Carlos Ramos não estão feitas para realmente serem usadas por pessoas de mobilidade condicionada, apenas para resolverem questões de topografia. A verdade é que o Carlos Ramos só pode ser acedido por cadeira de rodas se usares a entrada a nascente. Quanto a todas as outras rampas, tens sempre alternativa por elevador. E acho que é isso que deves fazer. cumprindo estritamente a legislação relativa às inclinações das rampas vais descobrir que não tens de ter apenas "mais alguns metros de extensão", vais ter kilómetros de rampa apenas para subir um piso. Ou seja, rampas como única alternativa para pessoas de mobilidade condicionada, só pequenas subidas (vá lá, meios pisos, como muito). Se pretendes mais do que isso, podes assumir a rampa como tema de criação de espaço, se quiseres, mas aconselho-te a não cometeres a loucura de tentares resolver tudo com rampa "legal" sem alternativa (até porque mesmo que cumpras a legislação toda é extremamente desagradável teres de obrigar alguém em cadeira de rodas a subir 3 metros verticais por rampa.). se reparares na faup, é isso que acontece.
  4. Eu acho que o cinema em Portugal é muito pouco em quantidade comparando com o que países do nosso contexto económico, geográfico, político, etc. conseguem produzir (e mesmo países bastante mais pobres), mesmo assim o cinema que produzimos consegue exceder largamente a procura do público português de filmes portugueses. Ou seja, fazemos poucos, mas nem esses poucos as pessoas querem ver. Procuro sempre que posso acompanhar a maioria das novidades que vão sendo lançadas, e isso é deveras complicado, já que por um lado os filmes estão muitíssimo pouco tempo nos cinemas, e por outro a maioria deles uma vez saídos das salas, nunca mais lhes ponho a vista em cima, nem em DVD nem na televisão, um destes exemplos é um filme, "o gotejar da luz" de há uns anos, que eu não pude ver no cinema e nunca mais lhe pus a vista em cima (é um bom truque para impedir piratarias, já que ninguém mesmo tem acesso ao filme...). Por exemplo eu estava interessado em ver o "a outra margem", não tenho tido oportunidade ultimamente e ontem verifico que, no distrito do Porto, o filme já só está em exibição numa única sala, quando estreou há apenas um mês!!! e aposto que a sala está quase sempre meia cheia na melhor das hipóteses. Também quis rever o filme Fados porque o achei um dos acontecimentos do ano, e estou a falar de todos os filmes de todos os países (este até tinha uma promoção maior) mas no distrito do Porto já não está em exibição, apesar de ter estreado também há 1 mês e 3 semanas. Evidentemente que quem distribui o filme não são más pessoas que querem privar o público dos filmes portugueses, são pessoas que sabem que não vale a pena ter o filme em muitas salas durante muito tempo, porque vão ter prejuízo. Não vi o "a outra margem" mas quando lemos a sinopse, vemos o trailer, analisamos actores e realizador, é um filme teoricamente tão apelativo como tantos estrangeiros, mas o factor "ser português" vale contra o filme. É absurdo mas a culpa, para mim, é do público que não está (não tem?) sensibilidade para procurar o produto com o qual pode ter tanto gozo como com o que normalmente procura (estrangeiro). Claro que depois há o círculo vicioso, como as pessoas não vêm, não se aposta em fazer mais, o que significa que as pessoas que conseguem trabalhar em cinema consistentemente são muito poucas (nenhumas?) e não há aquela "rodagem" que tem quem funciona em sistemas onde a indústria do cinema realmente produz muito (nem estou a falar só dos eua). Já agora, em termos de cinema actual, de realizadores em actividade, não creio que haja assim tanta qualidade, mas há alguns casos interessantes. O Marco Martins fez uma das melhores "primeiras obras" que eu já vi vindas de qualquer realizador, por isso é um caso a seguir, o Pedro Costa é um realizador de culto para muita gente, mesmo no estrangeiro, eu sinceramente ainda não lhe vi o que tanta gente lhe atribui, mas pode ser falta de entendimento meu; depois há obras (mais ou menos) consistentes como a do Luis Filipe Rocha, ou o A.P.Vasconcelos (este já mais "antigo") ou o Fernando Lopes, e outros como esse que vão produzindo qualidade com consistência. Mas muito poucos conseguem ter uma carreira de realizadores, a fazer um filme de 3 em 3 ou 4 em 4 anos como funciona no estrangeiro. Em Portugal há um caso conhecido, o Manoel de Oliveira, que mesmo assim precisou viver até aos 82 anos para começar a realizar com regularidade impressionante, e há um realizador que não posso deixar de referir, porque realizou muito pouco, mas fez dos melhores filmes que temos. É o António da Cunha Telles, e de entre os seus poucos filmes, aconselho um que para mim é uma obra prima, "o Cerco". Isto não é o panorama de todos os realizadores portugueses interessantes ou que aprecio, nem para lá caminha, mas foram realizadores que me ocorreu mencionar.
  5. Não sabia que a fundação Júlio Resende era dele. É um edifício interessante.Ele tem coisas muito interessantes, mas também há que dizer que tem obras bastante vulgares, que parecem mesmo feitas para "despachar", o que se pode chamar arquitectura comercial. Nesse capítulo há por exemplo a parte nova do hospital St. António, o hotel Solverde, em S.Félix da Marinha ou mesmo o edifício da Faculdade de Ciências da up, no campo alegre, junto à faup . Este último para mim será até o menos mau dos 3 que referi, mas todos eles são maus exemplos para mim. Ah, e o Mota Galiza também... JVS essa imagem que colocaste do edifício Parnaso faz parte dum pequeno livro monografia, que não sendo especialmente interessante e abrangente dá para ter uma noção da obra do arquitecto. Nunca o vi à venda, mas pelo menos na biblioteca da faup tem, talvez noutras bibliotecas também.
  6. para mim é o português de quem o fala. O de Portugal está incluído evidentemente. o acordo implica a cedência de ambas as partes, por isso é um acordo. Não acho que devemos ser rígidos em relação a isso, e devemos decidir se querermos ficar sós (orgulhosamente ou não) enquanto o mundo evolui ou se devemos pensar global, apesar de cada um ter culturas e identidades próprias. Eu pessoalmente acho que a segunda situação é melhor, mas evidentemente são opiniões. Não concordo com a postura de a língua é minha, os outros que fiquem como nós se quiserem.
  7. exacto Dreamer, é essa questão, passa a haver apenas uma maneira de escrever as palavras. é claro que as diferenças de construção continuam a existir, o "você" ou o "tu", o "eu mato-te" ou "eu te mato"... mas isso são diferenças que têm a ver com formas de falar locais, até acho bem que existam, só enriquecem a língua. Em relação aos sinónimos não há nenhum tipo de medida em relação a isso, porque é entendido, e eu concordo, que não faz sentido mudar a forma de falar das pessoas em termos de vocabulário, essas diferenças existem em todas as línguas globais. Por exemplo se se analisar o espanhol falado em Espanha do falado do México encontramos diferenças em tudo semelhantes à situação Portugal - Brasil. Isso para mim é sinónimo de riqueza de uma língua, nunca o contrário. Por exemplo o conhecido exemplo do autocarro. Em Portugal dizemos autocarro (na minha zona até há quem diga camioneta), no Brasil diz-se ônibus, em Moçambique diz-se machimbombo (adoro esta palavra). Faz sentido investir em optar por uma destas 3 e "ensinar" as pessoas que é de determinada forma que se diz? eu acho que não. Olhemos para o inglês. Em inglaterra diz-se lorry e diz-se taxi, na américa diz-se truck e diz-se cab... tudo bem, podem coexistir as duas formas. Além disso muitas destas formas acabam por se vulgarizar nos vários territórios, via filmes ou emigração. Já agora uma experiência engraçada em relação a isto é ler os livros de determinados autores, vou destacar um jovem angolano chamado Ondjaki. Há um livro dele, "Bom dia camaradas", em que ele descreve a sua infância em Angola (nasceu em 1977) e usa palavras como "bué", "cota", "bazar" com os significados que muitos jovens portugueses hoje dão a essas palavras... sem que muita gente se aperceba elas entraram no vocabulário do português europeu via influência africana, já que as palavras se usam ali pelo menos 20 anos de se usarem aqui...
  8. creio que este edifício (aliás muito bom) já tinha sido mostrado aqui no fórum... mas nunca é mau relembrar
  9. eu prefiro achar que a língua é o Português, como tal falada por pessoas de 8 países diferentes que como tal têm uma palavra a dizer. esse tipo de afirmação para mim é de puro provincianismo, se quisesse desenvolver um bocadinho ia falar de reminiscentes de espírito colonial, de salazarismos mal resolvidos, etc etc, mas essa discussão não me interessa assim muito.
  10. tudo bem, afinal estás de acordo na questão da unificação, não tinha ficado com essa ideia, discutes é as medidas em si. "quando" e "quem" usam "qu" e lêem-se de formas diferentes, é verdade, mas isso tem a ver com a vogal que vem a seguir ao "u". quando tens um "a" o "u" lê-se e quando tens um "e" o u não se lê. Por isso quando tens um "e" e queres que o u se leia, acentuas o e... daí frequência ter "^" no e. não é preciso usar mais acentuação para além dessa, daí eu concordar que se retire o "¨". em relação às consoantes mudas talvez tenhas razão, admito que podes ter razão mas não estou certo. a verdade é que penso e creio que daqui a 10 gerações quando todos escreverem já com as novas regras, a pronúncia de palavras como arquitectura vai-se manter... mas não sei. Além disso se em palavras como essa posso admitir que tens razão, em palavras como "húmido", por estranho que pareça a quem está habituado escrevê-la "úmido" a verdade é que não faz qualquer tipo de diferença ter lá o h que é também uma consoante muda. em relação a verificarmos como os espanhóis escrevem, eu acho que são situações diferentes, porque os espanhóis de facto pronunciam as letras que aqui são mudas. eles dizem mesmo "acto" "arquitectura", etc etc. não são letras mudas... mas insisto, o essencial deste acordo é que passe a haver uma unidade. Naturalmente as regras são discutíveis, mas a verdade é que o acordo foi preparado ao longo de vários anos por pessoas credenciadas nestas áreas, existe já desde 1990 e já foi visto e revisto, por isso acredito que se deve dar algum crédito e deixar o tempo mostrar o que isto vai dar.
  11. mas todos se ajustam a todos... definiram-se um conjunto de situações a rever nas regras de escrita e estabeleceram-se algumas novas regras. Essas regras vão afectar uma percentagem de palavras escritas em Portugal (e restantes países lusófonos excepto Brasil) e vão afectar uma percentagem de palavras escritas no Brasil. Por casualidade, vão ser mais palavras afectadas em Portugal (creio que 1,5% das palavras) do que no Brasil (creio que 0,46%) mas isso tem simplesmente que ver com o facto de haver mais palavras com consoantes mudas escritas em Portugal do que palavras com acentuações que agora se consideram indevidas no Brasil. No Brasil por exemplo mudam situações como: eles sempre acentuam com ¨ as letras "u" quando se lêem entre um "q" e uma vogal; por exemplo eles escrevem freqüência e terão de passar a escrever frequência, tal como nós fazemos agora. Há um conjunto maior de regras que não sei todas, não conheço assim tão bem o acordo, mas trata-se mesmo de isso, um acordo, como tal é um conjunto de cedências de parte a parte. Ninguém cede nada ao nível da expressão oral, e aí é que está a riqueza e a identidade da língua, a sua diversidade de expressões não está sequer posta em causa. É uma questão de unidade, que tem vantagens óbvias em termos de difusão da língua e mesmo da comunicação entre todos os países lusófonos. e as regras aplicam-se apenas às letras que não se lêem. Quando eu digo "de facto" eu leio "c" como tal continuo a escrevê-lo. Eu não digo o "c" de arquitectura... mas de "facto" vai sempre haver palavras que se escrevem diferente mas são uma percentagem ínfima, mínima mesmo que aliás existe também em línguas como o super-global inglês (color - colour ; theater - theatre, etc.) e com certeza em outras línguas globais, que não conheço tão bem. Agora a questão essencial de a língua portuguesa (no sentido lato do termo) se ajustar ortograficamente entre todos os que a usam ou não é a decisão de querer mantê-la como uma língua local de cada sítio onde vai sendo falada, ou assumi-la como a língua que realmente pode ter uma importância e influência muito superior à que neste momento tem...
  12. não concordo contigo asimplemind, quando dizes que as palavras têm o C porque precisam dele, têm porque por outros motivos se vinha utilizando desde há vários anos e agora quem, como nós, aprendeu a escrever com essas letras mudas tem uma imagem visul da palavra com elas. Mas é uma questão de hábito. Aliás, porque tenho pessoas próximas da família ligadas ao ensino básico posso dizer que é sempre das questões mais problemáticas de ensinar às crianças o porquê de terem de colocar letras que não se lêm em determinadas palavras e é erro comum das crianças em início de formação começarem por escrever as tais palavras sem as letras que não se lêm. lol, claro que não estamos a perder identidade nenhuma. lembro-me que quando houve a polémica do novo projecto dos Aliados, com críticas baseadas no abandono da calçada à portuguesa, o arq Alves Costa disse qualquer coisa como "não acredito numa cidade em que a noção de memória se constrói à volta do material de uma calçada". Aqui é a mesma coisa. Identidade tem alguma coisa que ver com meia dúzia de letras que caem? Então também já a perdemos quando deixamos de usar "ph" para fazer o som "f"... é como diz o Bruno, estas actualizações de ortografia são constantes, nos últimos 200 anos já houve umas 3 ou 4. Neste caso a actualização é importante para mim pela unidade escrita que atribui a todas as expressões do português (que ao nível da ortografia tem duas variantes, a europeia e a brasileira). Está bem explícito no acordo que estas alterações prendem-se apenas com a forma como se escreve, sem qualquer tentativa (que não faria sentido) de tentar mudar a forma como as pessoas falam... este exemplo que o Bruno trouxe: Bautista a determinada altura passou a ser Baptista, que portanto já seria uma deformação da "identidade"... Batista é simplesmente mais um passo... é normal os hábitos mudam e não me admira nada sinceramente que com a vulgarização acelerada de todas as formas de comunicação "rápidas" estilo Sms ou mesmo este tipo de comunidades na net vários outros códigos de escrita venham a ser assumidos em poucas décadas a um nível oficial, na nossa língua e nas outras que conseguem estar presentes nos meios de comunicação mais avançados de que dispomos.
  13. a mim também me vai custar muito mudar muitas coisas, o hábito é forte (claro que para quem escreve sistematicamente com erros, é indiferente, nem dão pela diferença) JAG a questão não é mudar ou não determinadas palavras ou decidir quais devem ou não mudar. A questão é simplesmente a da unificação das escritas. Dicionários comuns, possibilidade de entrar como língua oficial comum em instituições tipo ONU, expansão da língua (até hoje nos países africanos por exemplo existe sempre aquela questão: eles usam o sistema ortográfico europeu, então um brasileiro não pode ir dar aulas de português para moçambique porque ia ensinar "erros" ?). Todas essas coisas ficam muito mais facilitadas havendo uma escrita unificada. Eu sou a favor completamente deste acordo. Agora que vai custar, isso vai...
  14. Ora bem, no máximo no final do ano o governo português vai aprovar o protocolo modificativo do acordo ortográfico da língua portuguesa. Junta-se assim ao Brasil, Cabo Verde e S.Tomé e Príncipe que já tinham aderido. É a passagem à prática do acordo ortográfico de 1990 que basicamente trata de unificar a escrita da língua portuguesa em todos os países de expressão lusófona. Tudo bem parece-me bem, há palavras que os brasileiros começarão a escrever de forma diferente e o mesmo no nosso caso. A regra que mais afectará palavras escritas em Portugal é a que elimina as consoantes que não se lêm (acção passa a ação, acto passa a ato, etc). Ora uma dessas é "Arquitectura" que passa a "Arquitetura". Isto significa que a partir de 2008 o nome deste site passa a estar basicamente mal escrito se calhar era momento de começar a pensar reservar o site www.arquitetura.pt Foi só um pensamento.
  15. Isto é do arq José Carlos Loureiro. O mesmo que fez o palácio de Cristal, o hotel D.Henrique ou o edifício Parnaso no Porto entre outras obras interessantes.
  16. Eu aprecio algum do trabalho do Brendan Fraser, em determinados momentos, e se for suportado por um conjunto de factores (argumento sobretudo) consegue ter momentos bastante interessantes... aliás a respeito disso escrevi recentemente sobre o seu Bedazzled. Mas aqui no americano tranquilo, este não é o registo dele. Ele é demasiado cómico para estar aqui, o que em si não é um problema, há actores eminentemente cómicos que conseguem interpretar bem o papel de fazer "drama". Repara por exemplo naquele momento em que ele entra na casa do Michael Caine com uma garrafa. Repara como ele faz o gesto de retirar a garrafa das costas e a cara q ele faz ao entregá-la. Aquilo tem o exagero de uma caricatura. O filme ajuda a que a prestação dele possa passar por boa, mas na verdade não é...
  17. “The quiet american” (2002) IMDb Diolacton *** Este comentário pode conter spoilers *** Isto é bom trabalho. Cheguei a ele porque revi recentemente o Talentoso Mr. Ripley de Minghella. Este aqui tem Minghella como produtor executivo e, de facto, tem muita da sua força sobretudo no ambiente que ele sempre consegue dar aos seus filmes. Esse ambiente é baseado em contextos culturais específicos e sempre completado por fortes presenças musicais (aqui temos outra banda sonora bastante boa). Aqui temos algo particularmente interessante: o plano inicial. Ele é composto por um plano estático de uma paisagem sobre o rio em Saigão. Vemos mais de metade do écran preenchido com a água do rio, barcos sobre ela e casas e bombas/explosões num último plano. De repente, a câmara move-se, e descobrimos um corpo morto dentro de um barco mesmo por baixo de nós. Tudo isto é completado por sons de explosões e uma narração em voz off feita por Caine, de significado importante para todo o desenvolvimento. A cena tem (como muitas primeiras cenas dos filmes) a capacidade para nos levar para o mundo específico do filme. Temos de apreciar a economia de meios com que esta foi feita. [...] 7 Olhares - The quiet american
  18. eu por acaso até acho q desde que as piratarias via internet se vulgarizaram o preço da música (e mais recentemente dos filmes) é cada vez mais baixo. Isto porque quem detém direitos de autor aprendeu a perceber que havendo canais de pirataria tão abertos, fáceis de aceder e utilizar e sobretudo que deixam os utilizadores impunes, têm de começar a arranjar estratégias para cativar o cliente (e preços baixos sempre foram uma boa estratégia). Da minha parte compro muito mais música agora do que comprava antes de ser tão fácil sacá-la ilegalmente da net. e isso tem a ver com o dinheiro que ela custa... Eu por acaso tenho neste momento no meu carro uma cópia de um cd que tenho original em casa. Faço isto porque os cds nos leitores dos carros com o movimento, lombas etc degradam-se facilmente. e naturalmente n ando co recibo do original atrás de mim, nem sequer sei onde pára o dito cujo. Até digo mais. Pode acontecer amanhã eu perder o cd original não sei onde e portanto não o ter. Isto significa que a partir do momento que eu não tenho recibo nem cd original passa a ser ilegal eu ter a minha cópia que fiz legalmente do meu próprio cd para consumo exclusivo meu?... Que devo fazer? destruir a minha cópia para não ser preso por ter perdido um cd que paguei?... não me parece. exactamente. Aliás já "ouvi falar" de pessoas que pirateiam software (uma coisa muito má que eu não faço e suponho que ninguém aqui no fórum...) e esses "rumores" dizem que quando se arranja por exemplo uma versão pirateada do Autocad há um momento em que ele pede determinados números de série e determinadas palavras pass. E aí há logo a opção de efectuar o registo via telefone ou via internet, e qualquer um deles accionará o processo legal de registo do programa. Se comprarmos o software em qualquer loja, todo embalado e pronto a usar, essas passwords de registo vêm incluídas e dispensa o processo de telefonemas ou acesso a sites. Mas se o programa pedir licensas, etc. é porque é possível chegar a elas legalmente mesmo depois de se efectuar o download...
  19. não é a minha preocupação principal escrever sobre os que estreiam, embora possa acontecer, e já aconteceu. Simplesmente o que se passa é que nem sempre posso ir tanto ao cinema (infelizmente) e quando escrevo, é sempre primeiro para o IMDb e normalmente esse comentário em inglês demora cerca de um mês antes de aparecer no blog traduzido, e nesse espaço, se o filme estivesse a aparecer, já estará quase a desaparecer . Mas tenho a ideia de começar a escrever directamente para o IMDb e traduzido por isso vou tentar escrever sobre filmes em cartaz sempre que possa.
  20. Acerca de caixilharias de Madeira-Alumínio: Precisava de saber se algum membro no fórum já teve algum tipo de experiência de obra, projecto, ou mesmo de utilização de uma caixilharia deste tipo. São caixilharias de alumínio pelo exterior e de madeira pelo interior, que resultam assim: (aspecto por dentro) (aspecto por fora) o perfil naturalmente muda. num dos sites onde tentei informar-me (Nicolau Lucas Duarte) é possível ler as seguintes vantagens: Madeira: Conforto Estético da Madeira pelo Interior; Superior Isolamento Térmico da Madeira; Excelente Isolamento Acústico da Madeira; Possibilidade de escolher qualquer tipo de Madeira; Alumínio: Protecção Exterior do Alumínio; Durabilidade do Alumínio; Possibilidade de escolher entre uma vasta gama de cores para o Alumínio. evidentemente também há aqui discurso de vendedor. O que me causa alguma apreensão é saber se o comportamento dos dois materiais, tão extensamente juntos não vai provocar a degradação precoce do caixilho, e já agora se alguém tem noção em termos de preço, aplicado a habitação colectiva, se é uma solução competitiva comparando com a caixilharia de alumínio (e já agora comparando com a de madeira). agradeço a colaboração
  21. Lol, sempre que posso escrevo um ou outro comentário. Ultimamente tenho tido algum tempo livre...
  22. “Hook” (1991) IMDb a Terra do Nunca cinematográfica Muitas das vezes que Spielberg grava, ele tenta chegar à ternura. Algumas vezes ele consegue realizar um entretenimento minimamente válido, normalmente mais dirigido a crianças ou audiências intelectualmente pouco exigentes, outras vezes nem isso consegue. Aqui temos a segunda situação. O que acontece é que Spielberg tem sempre nos seus filmes uma espécie de rede de segurança que o impede de cair no desastre total. Essa rede tem que ver com a música de Williams e a sua câmara que na maioria das vezes consegue ser um bom complemento para os actores (muitas vezes bastante maus, especialmente as crianças). [...] Hook - 7Olhares
  23. “Live free or Die Hard” (2007) IMDb Nova acção, velhas memórias Há elementos interessantes aqui: . Este filme está inserido numa tendência recente para filmes de acção que creio ter começado com o primeiro Bourne (mas posso estar enganado, estou sempre a procurar as origens de vários elementos e muitas vezes encontro raízes em projectos mais antigos que eu não conhecia). Essa tendência (influência) tem muito que ver com estilo, e normalmente inclui um tipo de fotografia azulado, e uma forma aparente dura de representar as cenas de acção/luta. Também tem que ver com o trabalho de câmara que é muitas vezes segura manualmente e opta-se por não mostrar a acção completamente clara na sua totalidade, como se fôssemos nós próprios intervenientes; assim acabamos por “olhar” para outro local qualquer que não aquele onde a acção efectivamente toma lugar. Este “estilo” já foi usado (com mais ou menos destes elementos) em projectos recentes como a série Bourne, Syriana, mesmo Casino Royale e, claro, este quarto Die Hard. . O engraçado aqui é o seguinte: [...] Live free or Die Hard - 7Olhares
  24. “Children of Men” (2006) IMDb Cinema referencial Esta é uma das experiências mais fascinantes que tive no mundo dos filmes ultimamente. Cuarón é já responsável por algumas criações fortes, incluindo “Y tu mama también” ou o melhor filme Harry Potter, na minha opinião, que é o terceiro (Azkaban). Apesar disso, este é o seu melhor trabalho até agora. E o seu sucesso advém de conhecer os mestres, os faróis no mundo visual do cinema, digo conhecer mesmo qual era a força por trás dos seus filmes (mais do que copiar como, digamos, o Tarantino faz muitas vezes às suas “referências”) e usar esse conhecimento num projecto pessoal. Pelo que conheço do mundo dos filmes, consegui “ver” quatro mestres aqui. Assim: . começamos por Hitchcock. [...] Children of Men - 7Olhares
  25. asimplemind sim ainda deve haver de certeza. Os 10euros nem sequer são preço verde fnac. é mesmo o preço dessa série de dvds, que eu pessoalmente só vi na fnac a venda nos ultimos 2 ou 3 dias. com certeza arranjas. Dreamer, logo verei e deixo de correr o risco que me contes o "final" :D
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