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Rui Resende

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  1. “Paycheck” (2003) um nada explosivo Isto é muito trapalhão. Hoje, um pouco antes de ver este, revi a versão do realizador do Blade Runner, não o via há cerca de um ano, é sempre saudável rever essas peças fantásticas, deixa a nossa imaginação trabalhar visualmente e prepara-nos para encarar coisas como este com uma base muito mais forte. Como é que alguém pode negligenciar uma história de Phil Dick de tal forma que ela se torna num simples filme de fuga e perseguição com um enigma qualquer para resolver no meio? Qual é o sentido de fazer cinema se não há a preocupação de resolver visualmente os desafios que a história tem? Hitchcock sempre usou histórias simples, muitas vezes desinteressantes (ou apenas o suficientemente interessantes para dar ao filme algum sítio para onde ir). Isto acontecia porque ele sabia que o que interessava era narrativa visual, assim ele ficava fora de “problemas” no que tocava a conceitos mais complexos, porque ele tinha ideias visuais que queria explorar. Os compositores de ópera italianos procuravam descomprometimentos semelhantes em relação à história para poderem concentrar-se mais na música. [...] Paycheck - 7Olhares
  2. “El laberinto del fauno” (2006) o Bem e o Mal Este foi um projecto ambicioso. O realizador estava realmente apostado em produzir algo notável. E consegue momentos lindos, cheios de intensidade e poesia visual, algo que aquece um espectador mas não é imediatamente sinónimo de bom cinema. Directo ao assunto, eu não gostei realmente deste filme, apesar da avassaladora boa opinião e simpatia da audiência. A estrutura narrativa é clara e simples: temos uma história que acontece num tempo histórico “real”, e temos outra linha que é “mágica” e decorre (talvez) na cabeça e na visão de uma jovem rapariga. A primeira linha deverá representar a crueldade e violência do mundo real, mesmo no meio de um contexto bruto de guerra; a segunda linha é a escapatória para aqueles que são capazes de “ver” magia, aqui encorporada pela nossa pequena rapariga. Ela lê livros, muitos, livros de histórias, e essas histórias “vertem” para o mundo que ela cria, representando isto na verdade o que realmente del Toro queria fazer, cruzar as suas próprias referências e criar um mundo mágico que é, na verdade, uma mistura de várias histórias de “crianças”. Bem, aqui está, para mim, o problema. Fernando Pessoa apoiava o paradoxo de que uma história de crianças nunca deveria ser escrita para crianças. [...] El laberinto del fauno . 7Olhares
  3. “Call Girl” (2007) sobre cinema: pensei várias coisas durante e após ver este filme. E há uma discussão que necessito trazer para a mesa antes de comentar especificamente este filme: Este é um filme por um realizador que não quer um autor. Ele tem o entendimento que a autoria marcada matou o cinema europeu, ele até refere uma data para isso, 1963, quando Fellini chamou ao seu 8 1/2 “Fellini’s 8 1/2″. Tenho a sensação que Vasconcelos encara como snobes os autores que querem ser autores. Assim, ele escolhe o cinema americano erejeita a forma como o cinema europeu, em geral, vem sendo desenvolvido agora e nos últimos 40 anos. Compreendo muitas das suas preocupações e críticas, eu partilho essas mesmas preocupaçõe, nós necessitamos (em Portugal e na maior parte da Europa) de uma indústria de cinema, filmes que possam pagar-se e permitir que outros filmes sejam feitos, e lucros sejam distribuídos. Mas discordo profundamente com a noção implícita (ou não tão implícita) de cinema ‘comercial’, ‘industrial’ como algo oposto a cinema de ‘autor’, cinema ‘de marca’, e creio que os melhores filmes ‘comerciais’ têm ideias visuais profundamente interessante e motivadores, conceitos fortes, o mesmo tipo de ideias por trás de filmes de autor. Assim, eu rejeito a separação entre criações autorais e industriais, e critíco Vasconcelos como tendo uma atitude algo snob em relação às concepções de cinema autoral idêntica à atitude snob que muitos autores têm em relação ao cinema industrial. Muitos dos melhores autores, para mim, nasceram para o cinema produzindo em contextos imensamente comerciais (Wilder, Ray, Hawks, Welles! ), muitos também começaram criando em ambientes underground e vieram a produzir o seu trabalho “importante” para grandes audiências (Hitchcock, Lang, Almodóvar, Kubrick, Park), e alguns dos cineastas mais interessantes de sempre lutaram contra a ideia de se tornarem “industriais” e apesar de se tornarem conhecidos de uma grande audiência, produziram o seu trabalho relativamente livres de exposição pública (Godard, Antonioni, Medem, Kar Wai). Vim a admirar estes ‘autores’, e francamente creio que há muito mais em comum entre, por exemplo, Kubrick, Welles ou Medem do que entre Welles, Hawks, ou Ray… A minha convicção até agora é simplesmente que temos bom e mau cinema, e transversal a esta ideia (de bons e maus filmes), temos aqueles que têm uma boa máquina de marketing a suportá-los, e conseguem uma vasta distribuição (filmes das majors americanas, alguns filmes franceses da Gaumont, certas produções inglesas e o crescente cinema espanhol, com a grande Sogecine e a crescente popularidade de certos ‘autores’ espanhóis). Assim, temos grandes filmes e material mau que é (nos dois casos) vendido eficientemente e que passa praticamente ao lado. O entendimento de se o autor tentou muito deixar a sua marca ou ao invés não se esforçou por o fazer, é para mim secundário. Vamos a ver, não será Hitchcock um dos autores mais reconhecíveis?, não conseguimos identificar um dos seus filmes por um par de planos apenas? Há alguém que tenha vendido filmes tão facilmente como ele no seu tempo? O que será o cinema de Scorcese, Coppola ou Spielberg senão cinema de autor de grande orçamento? Será que o Blade Runner é mais “fácil” de ver que Le Mépris? Magnolia que La ardilla Roja? eu vi-os e partilhei com igual emoção o que entendi ser o cerne de cada filme. E já agora, creio que os 4 filmes que mencionei são cinema de autor. Nos meus comentários, sempre tento submeter todos os filmes ao mesmo tipo de critérios, rejeito a atitude daqueles que rejeitam filmes porque muitas pessoas gostam deles assim como rejeito quem rejeita um filme por ser demasiado “intelectual” (creio que esta deve ser a palavra mais usada por esse tipo de fazedores de opiniões). Tenho pensado neste tema por algum tempo, fiz uma quantidade razoável de pesquisa sobre Vasconcelos e a forma como ele pensa cinema antes de ver este Call Girl (também já vi uma boa parte do seu trabalho anterior), e respeito a sua visão, mas tinha de falar da minha, porque creio que muito do que disse acima influencia as opções (boas e más) do filme que agora comento. o filme: [Continuar a ler...] Call Girl - 7Olhares
  4. eu por acaso sempre ouvi que um artista é 10% de inspiração e 90% de transpiração, sinceramente parece-me que estas percentagens estão bem mais próximas do real, caso isso fosse possível de medir. a questão para mim não é o grau de exigência, ou seja, um professor pode exigir mundos e rios de trabalho por parte dos alunos. Se ele for um mau professor, não vai saber em que medida o que o aluno está a pesquisar e a desenvolver está interessante ou é nefasto, e não estou a falar de orientar o aluno segundo as suas ideias, estou mesmo falar da capacidade de um professor introduzir noções gerais de arquitectura sem castrar o aluno. E por alunos a trabalhar como burros sem os saber orientar é das coisas mais nefastas que pode acontecer. É como estudar um instrumento musical duramente durante 5 anos com as mãos nas posições erradas. Quando se der pelo erro, já é tarde demais para alterar, e os problemas técnicos serão permanentes. Por isso, concordo que um bom ou mau professor não tem nada que ver com o sucesso profissional desse professor como arquitecto, mas que há bons professores e professores terríveis, isso há, e o sucesso da formação de um arquitecto depende em larga medida da qualidade do ensino que ele teve. Também não concordo com a ideia que já passou várias vezes no fórum de que cada um faz o seu curso, independentemente do tipo de apoio pedagógico que tem (esta última observação não tinha a ver com o que escreveste, Koolhas).
  5. “Die Hard: With a Vengeance” (1995) Willis mortífero, com uma ajuda No princípio havia Bruce Willis. Ele tem qualidades como actor sem paralelo em qualquer outro actor “de acção” antes dele (e depois…). Ele falava consigo, o espectador. Lembram-se dos primeiros dois Die Hard? ele queixava-se todo o tempo, com palavras ordinárias, tudo isso sozinho. Não era um monólogo, era um diálogo, com a audiência, consigo. Era um diálogo porque havia uma resposta, a audiência sentia-se em contacto, a audiência interessava-se. Assim, a esse respeito, creio que ninguém esteve sequer perto de igualar as capacidades de Willis, e houve algumas tentativas bastante desastrosas, Nicolas Cage aparece em primeiro lugar aqui. De qualquer forma, houve filmes que já tentaram a abordagem mais directa do actor a chegar à audiência, como Alta Fidelidade (Cusack) ou Alfie (Law). Die Hard 1 foi um marco na actuação por cima por isto apenas. Junto com esse primeiro filme, tivemos a primeira Arma mortífera. [...] Die Hard: With a Vengeance (1995)
  6. “To catch a thief” (1955) precisava mais de “Corda” do que de Bond Comentar filmes como este cria-me momentos em que penso seriamente em não dar uma classificação aos filmes que comento. Isso acontece porque é tão confortável admitir que um filme é realmente bom como é desconfortável dizer que um não é bom, sobretudo quando esse filme é de Hitchcock, com a carga de melancolia e o número de seguidores que tem dentro do mundo dos filmes. Mas este não é, para mim, um bom filme, segundo os padrões que Hitch foi estabelecendo para os seus filmes. Esta é uma afirmação importante para mim: classifico este sobre tudo (mas não só) na relação com o trabalho de AH. Aqui ele estava a “sair” da sua pesquisa sobre o movimento da câmara, o olho da câmara, que teve o seu topo no ano anterior com a obra prima Rear Window. Hitch sempre perseguia novas ideias depois de estar satisfeito com as conclusões que tinha tirado, assim não foi estranho ao seu trabalho que um novo filme tivesse cinematicamente muito pouco que ver com os anteriores. Este é o caso. [...] To catch a thief - 7Olhares
  7. O novo de Oliveira “Cristóvão Colombo - O Enigma” (2007) IMDb Memórias Ligadas No meu livro de referências, Manoel de Oliveira tem uma abordagem única em cinema. Isso é devido a dois aspectos que aparecem aqui vivos como poucas vezes antes na carreira dele. Muitos espectadores (especialmente portugueses) vão-se colocar numa posição gosto/não gosto baseada nas “falhas” imediatamente visíveis:- o diálogo, que é antiquado, inadequado em praticamente todos os momentos, fora de contexto, não cinematográfico na visão que temos hoje (e que já temos há muitos anos) de como um diálogo de filme deverá ser (soar?). Este diálogo explica constantemente demasiadas coisas, para dar ao espectador informação sobre aspectos desconhecidos do enredo usando dispositivos que por vezes são tão denunciados que se tornam infantis. -depois há as actuações, que muitas vezes são simplesmente horríveis, e outras mais melancólicas e sobre-dramáticas que os discursos de, digamos, “e tudo o vento levou”. Se você, caro leitor, pensa que é inteligente porque detectou tudo isto, não é. Tudo isto é verdade, e não me interessa minimamente, nem me afectou a experiência. E não me importam esses defeitos, por dois aspectos: o primeiro tem que ver com o sentido de posicionamento. Oliveira é um verdadeiro mestre na forma como “coloca” as coisas nos seus filmes. Ele coloca a visão, a sua câmara está a maioria do tempo fixa [...] Cristóvão Colombo - O Enigma - 7Olhares
  8. “Le Manteau” (2007) Cinanima 2007 IMDb Havia aqui um bom elemento para explorar, mas o filme falha basicamente porque ignora esse elemento. Estou a falar do elemento do título, o “casaco” que poderia ter sido o motor para algo ao mesmo tempo puramente cinemático e específico do mundo da animação. [...] 7Olhares - Le Manteau
  9. “Ein Sonniger Tag” (2007) Cinanima 2007 IMDb Quando vejo animações, gosto de ver coisas assim. Temos uma história simples. Nem podemos talvez falar de história. Trata-se apenas de “animar” objectos ou entidades comuns que na verdade correspondem a fenómenos naturais e justificar as mecânicas do mundo físico real baseando-nos na pura imaginação. Na mesma sessão em que vi este, vi antes um terrível “Toot & Puddle, i’ll be home for Christmas”. [...] 7Olhares - Ein Sonniger Tag
  10. “Prílepek” (2006) Cinanima 2007 IMDb Isto é trabalho muito interessante. Não é realmente animação (já que todas as imagens são gravadas e não “criadas”) mas assisti a ele num festival de animação. Apesar de tudo, é guiado pelo mesmo tipo de liberdade de pensamento em relação às regras físicas e realidades/mundos criados que tem as boas animações. Por isso justifica-se a sua inclusão num festival de animação. Realmente há vários elementos aqui que retiveram a minha atenção: . o entendimento do cinema como uma sucessão de imagens. Há, na minha opinião, duas linhas possíveis de pensamento quando queremos levar definições ao limite: uma é considerar o cinema como “imagens em movimento”, a outra é considerá-lo como “sucessão de imagens”. [...] 7Olhares - Prílepek
  11. “Over the hill” (2007) Cinanima 2007 IMDb Gosto muito do ambiente deste e das escolhas gráficas que suportam esse ambiente. O filme aparece como uma memória de velhos cartoons americanos, da Warner Brothers e não só. As letras dos créditos, as cores planas e aguareladas, os desenhos simplificados, muito expressiovos e não muito complexos (menos é, neste caso, mais). [...] 7Olhares - Over the Hill
  12. Comentários relativos a filmes que passaram na última edição do Cinanima 2007 “Le programme du jour” (2007) Cinanima 2007 Isto é tão frio cinematograficamente como o tema que trata. Normalmente isso poderia ser uma coisa boa, e uma declaração de coerência e equilíbrio entre o tema e o meio que o trata. Mas aqui coloco esta observação como uma falha que me impediu de apreciar este. Temos animação digital, mas é bastante iArquitectura.pt - Responder ao tópiconeficiente, apesar da sua competência técnica. Eu realmente apreciei o plano inicial, inspirado (pelo menos assim pareceu) por aquelas estruturas cúbicas que Escher costumava gravar quando sugeria o espaço infinito. A forma como a câmara virtual é usada realmente explora as possibilidades que a animação traz à exploração espacial, com as suas vantagens em relação aos planos “físicos”. Isto foi bem feito, e bem concluído, com o bom pormenor do cubo cadáver a cobrir o único ponto de luz. [...] 7Olhares - le programme du jour
  13. eu acho que não são factos esses termos, correspondem a conceitos, mas ntcc, vai para a biblioteca da tua faculdade, que está cheia de muitas centenas de livros onde podes de forma muito mais interessante descobrir essas coisas. e depois de veres nos livros, vai para a rua ver onde estão essas coisas todas formalizadas muitas vezes.
  14. “Eastern promises” (2007) um beijo a mais, um olho a menos *** Este comentário pode conter spoilers *** É preciso separar o que foi feito aqui da forma como foi feito. Pelo que já vi, Cronenberg é sempre suficientemente competente para entregar obras bem trabalhadas, mas ultimamente ele não tem conseguido alimentar a minha imaginação visual. Suponho que em parte será preguiça intelectual (a idade a revelar-se?) e em parte o conforto de confiar em fórmulas. Vejo-me como um principiante no mundo da gramática visual e da construção narrativa, mais ansioso por aprender do que experiente para comentar. Assim uso os comentários sobre filmes como forma de marcar o que compreendi em cada duas horas de filme que consigo ver, e assim tentar aparender mais. Cronenberg já me injectou várias vezes muita cor no meu mundo pessoal dos filmes, mas aqui creio que falhou. [...] 7Olhares - Eastern Promises
  15. nada concreto, conhecia um arquitecto a quem uma empresa contactou para eventualmente ser ele a coordenar a execução do projecto, analisar a informação sobre o edifício original, etc. que esses contactos e essa vontade existia, isso é certo, agora como isso se desenvolveu, não sei...
  16. vencedores da categoria entretenimento tinha que deixar aqui a classificação final, porque muitas das visitas que acabei por receber no meu blog desde que o comecei veio daqui do fórum arquitectura. isto para mim foi uma surpresa completa. já agora agradeço aqui ao pessoal que me tem visitado. abraço
  17. chegaram-me aos ouvidos uns rumores que dava a hipótese de esse pavilhão poder vir a ser reconstruído em Portugal, procurando seguir ao máximo os sistemas construtivos originais e todo esse ambiente sonoro, sem o qual evidentemente o pavilhão perde uma boa parte (ou todo) do sentido. gostava de ver isso.
  18. “Una Giornata Particolare” (1977) contenção e cinema que baila *** Este comentário pode conter spoilers *** Isto está notavelmente bem feito, uma lição em muitos aspectos de encenação e economia de recursos. Scola é alguém que vim a encarar como um caro amigo, pelos grandes momentos que me deu ao descobrir a cada altura o mundo que ele cria com os seus filmes. Aqui está uma das suas composições mais genuínas, bastante complexa na forma como as coisas estão colocadas para nos chegarem como a coisa simples que na verdade é. A ideia básica é contenção. Poucos personagens, um único cenário (o pátio de um edifício de habitação, provavelmente construído pelos fascistas italianos, ou pelo menos tem esse aspecto monumental de arquitectura fascista). A primeira sequência é essencial: vemos imagens reais e narrações de um dia histórico, quando Hitler visitou Mussolini em Roma. Vemos paradas militares, cerimónias, toda a descrição, tudo isto dura 5 ou 6 minutos, completamente de material documental. Assim, temos um pano de fundo, útil pelo aspecto social (mais que o político) para o que se segue. [...] Una giornata particolare - 7Olhares
  19. Obrigado Dreamer Pois, asimplemind, tens razão nisso, a uma boa parte dos blogs são "preguiçosos" já que normalmente repetem apenas informação retirada de um conjunto diferente de sítios. Isso pode ter interesse mas normalmente não tem. Mesmo, assim ainda há muitas pessoas que realmente criam os conteúdos que põem nos seus blogs (tu és um deles), por isso é bom ser reconhecido nessa base. Obrigado pelo apoio.
  20. foi uma surpresa enorme não sei de onde ela veio; é óbvio que é mesmo muito bom descobrir que se foi nomeado, sobretudo porque o blog é relativamente novo (6 meses e qq coisa), mas dá um grande orgulho. Eu só reparei que estava lá nomeado para o melhor blog de entretenimento porque comecei a receber uma quantidade estranha de visitas vindas do blog que nomeou, que já agora é o : http://melhorblogportugues.com/ vamos ver o que sai dali, mas sinto-me já muito feliz por estar ali na lista. Obrigado por reparares asimplemind ;)
  21. “Sexo, Amor e Traição” (2004) IMDb Sexo… sem cinema Terei que verificar a versão mexicana original deste filme. Senti que faltava alguma coisa quando acabei de o ver. Suponho que esperava mais dos normalmente espontâneos e inteligentes brasileiros. O foco está claramente, sem dúvida, no sexo. Assim, o dispositivo é simples, colocam-se três homens e trÊs mulheres no enredo, e cria-se a situação artificial que motivará um grande desejo, relações sexuais e espírito voyeur. Tanto os homens como as mulheres são suficientemente atraentes para fazer este truque resultar, e as actuações também são bastante boas (a escola de telenovelas da televisão brasileira tem os seus bons resultados). O ambiente cultural brasileiro é propício ao sexo, assim este é um bom contexto para inserir uma história deste tipo. [...] 7Olhares - Sexo, Amor e Traição
  22. “Disclosure” (1994) IMDb Mau jogo Interessa-me referir três elementos aqui. O primeiro tem a ver com a escolha dos actores. Michael Douglas aparece aqui para ser Nick Curran uma vez mais. Claramente pretende-se que Demi Moore seja a Tramell de Sharon Stone: mulher atractiva (bem, no caso de Moore apenas finge ser, já que não tem nenhuma das qualidades de personalidade que Stone mostra), que gosta de liderar o jogo. Douglas consegue representar o “homem no escuro que é manipulado” suficientemente bem (ele é quase um detective de noir nesse papel); Moore é peito, pernas e roupa interior, não muito mais que isso. Assim, neste ponto de vista, temos soluções mastigadas, que procuram o sucesso comercial através de fórmulas testadas. Em segundo lugar, temos o dispositivo narrativo. [...] 7Olhares - Disclosure
  23. não podia haver licitações até o estado decidir se usava ou não o direito de preferência. se o estado não quisesse comprar, aí é que o preço poderia (e provavelmente iria) subir muito. O Estado nunca pagaria mais do que o que pagou. Um jogador de futebol não é um quadro, é uma pessoa que pode decidir o que fazer da sua vida, onde quer trabalhar, e o que profissão quer exercer. Não sei qual era a opinião do quadro do Tiepolo acerca do que queria fazer da vida, mas não me parece que ele tivesse grandes preferências acerca do seu futuro. O estado também deve apostar no desporto e dar às pessoas as condições e possibilidades de o praticar, por isso constrói piscinas municipais, campos de múltiplas actividades onde as pessoas podem praticar um conjunto grande de modalidades. Devia fazer bastante mais, mas isso vale em relação a tudo. Assim como a cultura não é só (mas também) quadros e museus, também o desporto não é só construir uma piscina. Mas tudo isso é importante. como disse a ministra da cultura na notícia que a margarida aqui colocou, "Quanto a situações futuras "o Estado reflectirá de caso a caso", disse." O estado não está "obrigado" a fazer nada que não considere ter interesse ou que seja absolutamente insustentável em termos de dinheiro esse valor absoluto que tudo rege e que é o único com o qual todos se preocupam (e o único com que muitos se preocupam de todo).
  24. a colecção Berardo não é "qualquer" obra. Não conheço as reais intenções do Berardo, ele pode claro ter especulado, mas acho uma mais valia para todos os portugueses poderem conservar a colecção Berardo no país e aberta ao público. nem negociador de arte nem especulador, mas um investidor sim, investir em arte, investir em cultura, em educação, em pessoas. Isso é investir... neste caso não tem nada a ver com ir buscar ao estrangeiro para Portugal, tem a ver com manter uma obra em Portugal e expô-la ao público. É uma atitude que me agrada. Na actual conjuntura económico-social e em toda e qualquer conjuntura económico-social, este tipo de investimentos, sem aspas, são para mim prioritários. Pelo menos em qualquer país que pretenda preparar mais que os próximos 10 anos de vida. Eu normalmente não me questiono muito de onde vem o dinheiro que o estado usa. Preocupa-me mais para onde ele vai. Neste caso sei que vai para o quadro, mas já agora, não percebo tecnicamente nada de finanças públicas, mas imagino que o dinheiro veio do mesmo sítio de onde veio o dinheiro sei lá para construir a ponte de Entre-os-rios que começou imediatamente, ou qualquer situação inesperada que surja. Preocupa-me mais saber porque não vem dinheiro de fugas ao fisco ou porque é que os orçamentos de obras públicas sempre excedem (sem explicação) as previsões iniciais, ou porque é que o hospital S.João é um buraco negro onde ninguém percebe como desaparece o dinheiro. Mas claro, a culpa é das pessoas, que fogem ao fisco, metem dinheiro dos orçamentos para consumo próprio e gerem o hospital à sua maneira. Eu tenho a convicção que se desde há muitos anos sempre se tivesse optado por "comprar quadros", todos os quadros, toda a cultura e toda a educação, a probabilidade de as pessoas não fugirem ao fisco nem falcatruarem o vizinho era muito menor. Chama-se educação. Por isso perguntas "o que é que se deixou de fazer para que o quadro pudesse ficar em Portugal" ... acho sinceramente que esse dinheiro não ia fazer nada mais importante do que comprar um quadro do Tiepolo e colocá-lo disponível ao público.
  25. Concordo, é sempre uma verdade relativa ao autor, mas também acho que um crítico deve estabelecer as regras da sua crítica e jogar segundo elas. Desde que as regras estejam claras para quem lê a crítica e desde que não se assuma que o crítico está a dar apenas uma perspectiva possível e não a verdade absoluta, está tudo bem. O problema existe quando o crítico por via do estatuto que vai ganhando e do crédito que lhe vão atribuindo já escreve não uma posição pessoal, mas aquilo que cegamente se torna a opinião de quem o lê. E ao contrário do JAG não acho que uma crítica nesses moldes possa ter pouco impacto na obra. Acho que uma crítica pode destruir injustamente carreiras e até vidas, e há exemplos na história da arte bem dramáticos disso.
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