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[Projecto] Casa do Voo dos Pássaros, Açores - Bernardo Rodrigues
Sputnik replied to 3CPO's topic in Arquitectura
Penso que o comentário do show-off é pertinente. A verdade é que este arquitecto, com apenas duas casinhas construídas e uma capelinham, todas na desconhecida ilha de São Miguel. lançaram-no para projectos megalómagos na China e EUA. Foi, portanto, uma pessoa que se soube publicitar, soube vender bem o seu peixe. Como já foi dito, os próprios clientes querem lá saber se a casa é habitável ou não, aliás, querem lá saber o que é arquitectura! Querem é investir o dinheiro num objecto que se valorize mais do que os juros do banco. O Rem Koolhaas tem a mesma estratégia: faz projectos alucinante não para serem contruídos, mas para impressionar, para se por em contacto com os "chefões" que lhe hão de encomendar qualquer coisita. Quanto a esta casa propriamente dita, está ainda na fase dos acabamentos, mas já se pode ver que as lagezinhas fininhas de 20 cm vão ter de engrossar e bem com as camadas isolantes, pladures e tal, e que a realidade será bem diferente daqueles 3ds todos simples, todos limpinhos, que, aliás, nem sequer revelam as "caixas de vidro" do rés-do-chão. O que parece é que o arquitecto desenhou umas formas, mas depois viu-se grego para enfiar lá o programa e para o construír. Esta é a diferênça entre comentar um projecto e comentar a construção - na construção descobre-se a eficácia do projecto. -
Penso que o comentário do show-off é pertinente. A verdade é que este arquitecto, com apenas duas casinhas construídas e uma capelinham, todas na desconhecida ilha de São Miguel. lançaram-no para projectos megalómagos na China e EUA. Foi, portanto, uma pessoa que se soube publicitar, soube vender bem o seu peixe. Como já foi dito, os próprios clientes querem lá saber se a casa é habitável ou não, aliás, querem lá saber o que é arquitectura! Querem é investir o dinheiro num objecto que se valorize mais do que os juros do banco. O Rem Koolhaas tem a mesma estratégia: faz projectos alucinante não para serem contruídos, mas para impressionar, para se por em contacto com os "chefões" que lhe hão de encomendar qualquer coisita. Quanto a esta casa propriamente dita, está ainda na fase dos acabamentos, mas já se pode ver que as lagezinhas fininhas de 20 cm vão ter de engrossar e bem com as camadas isolantes, pladures e tal, e que a realidade será bem diferente daqueles 3ds todos simples, todos limpinhos, que, aliás, nem sequer revelam as "caixas de vidro" do rés-do-chão. O que parece é que o arquitecto desenhou umas formas, mas depois viu-se grego para enfiar lá o programa e para o construír. Esta é a diferênça entre comentar um projecto e comentar a construção - na construção descobre-se a eficácia do projecto.
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Bom, mas afinal não há casa construída por ninguém! Construíram uns renders? Até os profissionais de renders aqui como o ARK tem de reconhecer que a maior vantagem daquilo é iludir o cliente. Não digo ilustrar, digo mesmo iludir: fazer de conta que é uma coisa sendo outra. Quantas vezes a realidade é depois bem mais pobrezinha? E só depois de feito é que o cliente descobre que não gosta da casa, e que, na realidade, nunca gostou, e que foi iludido.
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Por acaso há lá um capítulo sobre o locus... Quando li a primeira vez, no segundo ano, não percebi nada. O livro não esclarece os termos, aplica-os. Convém talvez saber o que significa tipologia primeiro (além do número de quartos de um apartamento); tb convém saber que, apesar da autoridade inquestionável do Aldo Rossi, nem tudo o que ele diz deve ser aceite inquestionavelmente. Por exemplo, ele acha que a tipologia é a própria essência da arquitectura, coisa que o Souto Moura discorda assumidamente. Até hoje os estudantes de arquitectura italianos andam (diria demasiadamente) agarrados à ideia de tipologia, muito por causa desse livro...
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O título "O silêncio em arquitectura" remeteu-me logo para a ideia de uma atitude silenciosa por parte do arquitecto (os silêncios de Paulo Gouveia), mas já vi que colocam em termos de audição. Talvez fosse pertinente também um tópico com "O cheiro em arquitectura". Enfim, tudo o que não seja visual, que visual já ela é demais. Aqui fica a sujestão: "Introdução à Cultura Tectónica" de Kenneth Frampton. O conceito de Metáfora Corpórea - a noção de quer o homem apercebe-se do mundo através da sua apropriação táctil, auditifa, olfactiva, sensitiva, e outros ivas mais.
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sim, muito interessante. Passando para a arquitectura, começo por pensar que a arquitectura pode ser pensada realmente como um "travellling" do corpo no tempo (e logo no espaço)^, corpo com todos os seus cinco sentidos. O homem é, de facto, a medida de todas as coisas, não só no sentido do Neufert, mas no sentido em que a estrutura interessa na medida em que afecta ao homem - fisica, psicológicamente). É, em última instância, um registo, um cadastro, da sua actividade no território.
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Sim, muito interessante. Ao passarmos isto para arquitectura... começo por pensar que a experiencia arquitectónica é de facto um "triller" da deslocação do corpo no tempo (e logo no espaço), corpo com todos os seus cinco sentidos. Arquitectura deveria ser uma "metáfora corpórea"; penso que o Homem é, de facto, a medida de todas as coisas, pois a estrutura só interessa na medida em que tem um impacto no homem (estético, físico, simbólico, como queiram); é, por fim, a sua actividade cartografada no território, um momento de construção do espaço de intimidade, onde ele se refrete, se orienta, se reconhece.
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Continuando... É em torno deste problema da contextualização que Christopher Alexander vai desenvolver o seu método de trabalho... Aconselho a leitura: Notes on the Sintesis of Form. No último capítulo da Introdução ao Estudo da Cultura Tectónica de Kenneth Frampton vem um texto específicamente sobre esta "desresponsabilização" do arqutiecto de que falei
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Em todas as formas podes observar aspectos "genéricos" e aspectos "particulares". O Movimento Moderno propriamente dito (o período heróico), rege-se a um tempo por regras universais, por outro está impregnado de "regionalismos". «Basta ler a Carta de Atenas e ver a Vila Mandrot» (Souto Moura). Yago Conde já havia denunciado na década de 80 a extrema uniformidade de modelos e tipologias construtivas generalizadas por todo o mundo por relações de livre mercado, tal como vemos ser feito no Dubai neste preciso momento. Não importa que nacionalidade, que região do mundo, que cultura habita. O produto (a casa) está generalizado. No meio disto, ao arquitecto é-lhe retirada gradualmente qualquer capacidade interventiva. Não é aconselhável que pense. De facto, já não é capaz de pensar. E afectam a profissão não só através da extrema regulação, como minam-na logo a partir das suas fundações: o ensino. Pela primeira vez na história, os arquitectos saem mais mal formados do que os seus mestres... A arquitectura contemporânea é agora refém dos seus últimos mestres.
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Utilizas o Binómio Estrutura-Pele Semper, por exemplo, distingue entre aspectos simbólicos e técnicos da construção: entre a natureza ontológica da fundação, estrutura e telhado, e o carácter mais simbólico e representacional do fogão e da parede de enchimento. Frampton coloca em termos de Representacional versus Ontológico: «a diferença entre a pele que representa o carácter compósito do construído e o núcleo da construção que é simultaneamente a sua estrutura fundamental e a sua substância. «Semper manteve-se indeciso sobre a expressividade simbólica de estrutura e revestimento, hesitando entre a expressividade simbólica da construção como coisa em si - modelada do ponto de vista técnico como estético - e a elaboração simbólica do revestimento, independentemente da estrutura subjacente. Segundo este último ponto, o revestimento é entendido como um meio fundamental decorativo ou meta-linguístico para enriquecer a forma, de modo a representar o seu estatuto ou valor latente.» Introdução ao Estudo da Cultura Tectónica. Kenneth Frampton, p. 40
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Realmente a única crítica que faço é a total falta de sustentabilidade de um investimento destes... De resto, todas as cidades surgiram pela sua posição estratégica na rede global, e por alguma vantagem particular.
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F.L.Wright talvez?
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[Projecto] Casa do Voo dos Pássaros, Açores - Bernardo Rodrigues
Sputnik replied to 3CPO's topic in Arquitectura
Desculpem a demora, para no fim dizer que não trouxe as ditas fotos. Mas deem uma vista de olhos ao Youtube... -
Desculpem a demora, para no fim dizer que não trouxe as ditas fotos. Mas deem uma vista de olhos ao Youtube...
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Traduzir é trair. A versão em brasileiro, para mais, é feita por um italiano... Desconfiem!
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Isso faz-me lembrar a história do velho, o jovem e o burro. Se vai o velho no burro, falam mal porque não dá lugar ao jovem. Se vai o jovem no burro, falam mal porque não dá lugar ao velho cansado. Se vão os doi, coitado do burro. Se não vá nenhum, que burros!
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[Projecto] Casa do Voo dos Pássaros, Açores - Bernardo Rodrigues
Sputnik replied to 3CPO's topic in Arquitectura
Com mais ou menos acidentes, os toscos já estão prontos. Vou ver se coloco aqui algumas fotos... -
Com mais ou menos acidentes, os toscos já estão prontos. Vou ver se coloco aqui algumas fotos...
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Desculpe. Só o que digo é que esse termo é mal utilizado, e não informa, de tão gasto que está. Distinguir orgânico versus funcional consoante se o arquitecto utiliza curvas, diagonais ou uma grelha ortogonal é falso e enganador. Face a um terreno, plano ou ingreme, o esforço do arquitecto é sempre o mesmo: geometrizar, ordenar, hierarquizar! Ao classificar as soluções consoante são "racionais" ou "orgânicas", na verdade o que estás fazendo é classificar as implantações, as circunstâncias em que o arquitecto actuou, e não o seu método operativo. Incluso se compararmos outros trabalhos deste arquitecto (uma vivenda unifamiliar na Madeira, pintada a negro, por exemplo) dificilmente poderemos considerá-lo um organicista, no sentido histórico do termo.
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Interessante, e penso que faz todo o sentido na Região de Santo Tirso - dispersa e autosufuciente. Sou bastante céptico com relação às novas tecnologias de sustentabilidade, penso que a melhor sustentabilidade é aquela que surge de forma natural, através da implantção, da orientação, ou das aberturas, etc. O antigo quarteirão, por exemplo, não necessita gastar tanto como um bloco livre. habitação colectiva terá sempre maior probabilidade de poupança de gastos (gastos individuais ou gastos comunitários...) do que a habitação unifamiliar, etc. A questão é complicada. Por exemplo, a luz que entra na vertical é sempre muito mais "violenta" do que aquela captada por uma janela vertical. Gostei muito da "pele vegetação", acho que deve criar uma excelente protecção no Verão, mas não sei quanto ao Inverno - além de que gera um nível de humidade permanente à face exterior da parede que pode não ser muito compatível com o aço, dependendo do aço. Penso que só o tempo dirá quais as soluções reamente sustentáveis e quais as experimentalistas.
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[Projecto] Edifício Alto do Parque _ Lisboa - JSTC & Associados
Sputnik replied to 3CPO's topic in Arquitectura
Não só multiplicaram a frente, como conseguiram atingir uma síntese numa imagem inequívoca. Os meus parabens. -
Não acredito que fosse comercial. Um piso inferior seria para o tráfego, para as descargas, os armazenamentos, quer os projectistas queiram ou não. Esta proposta é a de devolver à cidade histórica a sua dimensão pedonal, à cota do segundo piso. Parece-me muito interessante. Mas concordo que é inviável. Mais viável seria cobrir toda a rua com uma estrutura de aço e vidro, por exemplo. Um centro comercial natural! Por exemplo.
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O Arquitecto/a...Que considera ser de maior referência?
Sputnik replied to LFigueiredo's topic in Arquitectura
É sem dúvida excepcional. Realmente houve a adaptação do projecto de uma moradia supostamente "flexível" (de um cliente bem complicado...) para uma Casa da Música, e penso que com isto ele tentou provar essa flexibilidade que, na minha humilde opinião, não existe senão nos seus textos e pretensões. Nada pode ser mais rígido e imutável do que um monumento. Quanto a criar um monumento, disso não tenho dúvidas. Agora não me venham dizer que aquilo é "flexível". Já bem mais versátíl é o projecto para a Maison Lemoine, feita para uma pessoa com mobilidade condicionada. A perspicácia para entender exactamente o que o cliente quer é uma das qualidade que mais admiro em Rem Koolhaas. -
Em todo caso podes, se quiseres, indicar o corte horizantal no corte vertical, tal como ocorre no vice-versa. Quando não, assume-se que passou a 1,2m do chão.
