Sputnik
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As discussões nos chats americanos, apesar de violentas, tem um objectivo. Quem discute sabe que através dessa troca de ideias poderá influenciar a redacção de uma lei, e que isso terá um reflexo real na sua vida cívica. O problema aqui em portugal é que as pessoas, como não tem esperança nenhuma em nada, e realmente não se traduz em nada, vem aqui para o arquitectura.pt fazer discursos para si próprios e competir entre si só porque sim. Porque criaram esta personagem virtual que não são eles, mas é algo que eles gostariam de ser, e imaginar que faria diferença alguma. Como eu...
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Lautner
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Pode falar-se de uma arquitectura especificamente portuguesa?
Sputnik replied to Patricia Amaral's topic in Arquitectura
já agora, arqrosadasilva "Não serão as condições dos lugares e dos sitios (cultura, geografia, meteorologia, etc) os geradores de identidade..." Concordo. Mas de que forma? Pensemos na arquitectura do povoamento dos açores, por exemplo. Numa só rua podias encontrar casas oriundas de diversas regiões do país: casa do Norte com dois pisos, casa alentejana, baixa sem janelas. Aí é a cultura que prevalece sobre o clima e a geografia? Então a arquitectura é eminentemente cultural? Mas depois ao longo dos anos os açorianos vão introduzindo as mesmas modificações nas casas: a falsa onde moram os 20 filhos, os fornos de pão para poder fazer pão em casa. Aí, o modo de vida de uma comunidade, que deriva em parte da geografia, que cria a tradição? É dakelas questões que dava para ficar a falar noites inteiras. -
Kaz Não acho que o problema sejam os ateliês superstar, que até não são assim tantos. Já vi ateliês completamente anónimos a vencerem concursos a gente consagrada. E sendo que já tens essas experiências de trabalho, já sabes que o aprendiz esteve sempre numa posição de "favor" em relação ao mestre. Sempre foi assim, em todas as profissões. O que é inédito em portugal, neste momento, é que, para a comunidade de arquitectos que competiam pacificamente no mercado com os engenheiros e desenhadores até 2000, apareceram uma carrada enorme de licenciados a oferecer trabalhado gratuito. Mesmo que a Ordem não exigisse estágio nenhum! Não é o estágio da Ordem que faz com que o trabalho seja mal renumerado, ou que se predure a situação dos recibos verdes, portanto parem bater no ceguinho!
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Pode falar-se de uma arquitectura especificamente portuguesa?
Sputnik replied to Patricia Amaral's topic in Arquitectura
Como disse, a minha opinião é a minha opinião e não tento impingí-la a ninguém. O facto de que alguns arquitectos brilhantes desta geração terem conseguido este processo de trabalho não nos permite falar de uma "arquitectura portuguesa contemporânea". É so isso. Só tenho pena que a Patricia tenha abandonado esta discussão. Podia dar-nos pistas do que se passa em outros campos do conhecimmento, que não só a arquitectura. -
Pode falar-se de uma arquitectura especificamente portuguesa?
Sputnik replied to Patricia Amaral's topic in Arquitectura
Crei que a expressão usada na altura foi "mais holandês que os Holandeses", mas em relação ao edifício "ponto e virgula" de Siza, na Holanda mesmo. Pode-se aplicar o mesmo ao Bonjour-Tristesse, e percebo a tua confusão. O que interessa é que Siza tem um processo que parte do princípio tirar o máximo proveito de todo o pré-existente: do terreno, de preservar a beleza que já existe, e, se for conveniente (dependendo do orçamento), explorar técnicas enraizadas na cultura das gentes que irão utilizar o edifício. As arquitecturas de cada sítio povoam os imaginários das pessoas desses mesmos sítios, e é um campo interessantíssimo de actuação. O problema dos arquitectos que têm um "processo de enraizamento", é que as suas obras dificilmente serão entendidas pelo grande público, pelo global. Escapam ao comércio das revistas e da opinião pública, e assim é que deve ser. Um cheirinho de moderno enraizado: Lina Bobardi -
Existe um estudo provido pela ordem dos arquitectos intitulado "Relatório Profissão: Arquitecto/a", coordenado por Manuel Cabral e escrito por Vera Borges, de 2006, onde podemos aceder a muita informação relativa ao estado da profissão actual, que evitaria muitas confusões que por ai andam. Não há nada como um informar-se antes de vir para um canal público fazer ruído. A maioria dos arquitectos inscritos actualmente na ordem dos arquitectos tem menos de 35 anos. Conseguem imaginar as repercursões deste dado? Em todo o caso a Ordem não é um sindicato, e irá sempre defender aqueles que já estão consagrados. Quem pretender o contrário... precisa se informar melhor.
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Pode falar-se de uma arquitectura especificamente portuguesa?
Sputnik replied to Patricia Amaral's topic in Arquitectura
Caro Aqueminy O Bonjour Tristesse fica em Berlim. Claro que se podem falar de questões de identidade na arquitectura mas, de um modo geral não se lhes podes atribuir uma "nacionalidade". Hoje os clientes vem com imagens de revistas, e constroi-se com os mesmos blocos em todo o mundo. -
Alvar Aalto estava a tornar-se uma pessoa poderosa na pequena cidade de Helsinkia (?). Às tantas, para o tentarem tramar, perguntaram-lhe qual a sua filiação política. Respondeu: um arquitecto não deve ter partido político, pois tanto pode fazer uma casa para um comunista como para um democrata"
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sou da opinião que sempre que alguém vier aqui à espera que lhe façam os trabalhos de casa, deveria levar como resposta puro e simples silencio.
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Pode falar-se de uma arquitectura especificamente portuguesa?
Sputnik replied to Patricia Amaral's topic in Arquitectura
Olá Patrícia Deparei-me com esse mesmo tema quando fiz a minha prova final do curso de arquitectura na FAUP (ainda apanhei o Távora) e a conclusão a que cheguei é de que não há nada que nos permita dizer que determinada arquitectura, ou maneira de fazer, é portuguesa e não espanhola ou filandesa. Reparaste que todos os exemplos que te deram para caracterizar algo "português" são do passado (arquitectura chã, SAAL), não da contemporaneidade? Aliás, uma das bandeiras da arquitectura "portuguesa" é logo o primeiro a desmistificar esse assunto, logo na primeira obra de referencia: "Este (meu) interesse pelo arquitecto filandês sobreponha-se à atenção pela arquitectura vernacular e pela difusa preocupação pela desmistificação de uma ideia superficial da arquitectura nacional" (...) "Já no projecto seguinte, a piscina, não vejo relação alguma, nem sequer em termos materiais, com a arquitectura vernacular portuguesa" Ãlvaro Siza, Imaginar a Evidência, pg. 34, 35. Só o Estado Novo, e um bando de pseudocríticos actuais, é que tentaram, sem sucesso, passar essa ideia absurda. O inquérito só veio provar que existem "tantas tradições como lugares". Em todo caso, terias sempre de provar que existe uma identidade nacional, antes de poder provar que determinado estilo ou tradição pertence a essa mesma identidade. Espero que tenha servido para alguma coisa bom trabalho -
Ribeira Grande | Centro de Arte Contemporânea | Concurso
Sputnik replied to JVS's topic in Arquitectura
"Afundando navios" A antiga fábrica do Alcool, propriedade desde há muito privada, esteve prestes a ser demolida. Chegaram a haver diversos projectos de transformação deste edifício como habitação colectiva, todas rejeitados pelos privados por razões óbvias: pouca rentabilidade. O Governo Regional, que sabe de tudo, veio resgatar esta peça de arte - decisão mais do que louvável. O mesmo já não se pode dizer sobre o programa escolhido... Assim que a presidente de Câmara de Ponta Delgada soube da notícia, começou logo a tratar do processo de construção de um centro de arte contemporânea em Ponta Delgada: 4 milhões de euros por um edifício projectado pelos necrófagos que trabalham no actual ateliê de Oscar Nimeyer. Se a opção de descentralizar o centro para o longínquo concelho da Ribeira Grande é assim tão boa, porque é que Serralves preferiu criar uma pareceria com o centro de Ponta Delgada, e não do grandioso projecto para a Ribeira Grande? Não se tratam apenas dos milhões para construir os centros, mais outros tantos para os equipar devidamente. Há ainda os outros milhões necessários para constituir um espólio que faça todo o investimento valer a pena. Isto é,mesmo que os iluminados micaelenses tivessem por hábito utilizar as infraestruturas culturais que lhes são tão generosamente oferecidas. Tenho a certeza de que se lhes dessem voz sequer, era isto mesmo que eles queriam! E é assim, caros colegas, que se "afundam navios". -
Ao fazer a tua prova estás numa situação de relativa "liberdade", liberdade de escolha, liberdade de criar um programa, até poderias fazer um projecto utópico só para significar uma coisa, etc. Numa situação de concurso tens um programa rígido, prazos, possivelmente um orçamento, leis (algumas absurdas), enfim, tudo aquilo com que um estudante geralmente não lida ao fazer um projecto. Não vejo muita vantagem em unir os dois. Ou melhor, vejo, mas tb corres o risco de ao responder a um enunciado estares a condicionar o outro. Penso eu...
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...leia-se "estética" em vez de "estática"
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Natural. Mesmo que um edifício cumpra toda a legislação em vigor, que garantias existe de que será... bonito? bem enquadrado? Ou sequer eficaz como edificio? Por outro lado, como é que se legisla questões a ver com estática? Se nem os maiores génios conseguem sequer definir o que é a beleza, e de tempos a tempos surge um elogio ao "feio", ou simplesmente se os gostos são variados? O que poderia haver é algum bom senso, alguma sensibilidade por parte dos promotores em contractar alguém melhor para o serviço, enfim, algo que estamos muito longe de atingir.
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pequeno livro de bolso, baratinho, e muito esclarecedor. Logo no primeiro testemunho um dos seus disciplos conta uma história de quando Alexandro De La Sota levou a cabo um projecto sem projecto de execussão, provando que é mais importante a assistencia à obra do que propriamente "fazer muitos desenhos". A meio temos um testemunho de Sola Morales, que o conheceu através de um concurso em que Sota e Siza eram ambos membros do juri (não será coincidencia que estes génios se conheçam todos uns aos outros, apesar de Soto ser praticamente desconhecido na época...) Enfim, é um mar de lições, para quem já esteja preparado para as apreciar...
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Admito que nem todos os ateliês em Portugal estão preparados para resolver programas de reabilitação. Mas entregar todas essas encomendas de mão beijada a determinados escritórios é um crime! Pior, um crime com o olhar de aprovação da nossa querida Ordem. É preciso uma revolta.
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hum....... acreditam mesmo nisto?
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Problemas deste género são os problemas gerais da construção em Portugal: Não há dinheiro? Então começa por poupar no projecto! Pega-se num projecto e cola-se naquele sítio; Ou então o clássico: "conheço um desenhador que faz isso bem..." O mesmo se podia dizer de edifícios de bombeiros, esquadras de polícia, secretarias públicas, etc. Mais ironico ainda seria pegar em exemplos de Escolas/Faculdades de Arquitectura!
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"a ordem ... pode por-se na posição de proteger os estagiários fazendo pressão para que a situação seja regulamentada!" JoelM Na verdade esse seria a última das prioridades, uma vez que a Ordem é constituída essencialmente por arquitectos que beneficiam dessa mão de obra barata. Sejamos realistas: os estagiários não são um grupo organizado. Se fixarem um estágio de 5 anos, nada a fazer. Não são estudantes nem são trabalhadores, estão no limbo, não tem nenhuma entidade que os defenda (pois ainda não são arquitectos) não tem qualquer poder, EXCEPTO o valor da qualidade trabalho individual. Nenhuma entidade empregadora é idiota ao ponto de deixar escapar um bom funcionário só porque pode ter um mau "à pala", no qual ainda terá de investir um bocado só para "actualizá-lo" na empresa. E só uma empresa grande poderia eventualmente compensar essa rotatividade Penso eu.
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se quiserem pesquisar, leiam o início do Regulamento da OA, que estabelece o estatuto legal da Ordem, e diz qualquer coisa como: "Face ao aumento significativo do número de licenciados, há necessidade de distinguir entre aqueles que já tem o título"... Necessidade óbvia e evidente.
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Tb li as 13 páginas de rajada e parece-me que vai muita confusão por ai. "A escola não me ensinou 95% do que eu devia saber"... "A Ordem não faz tudo ao seu alcance para a defesa dos MEUS interesses"... "O país já não decide nada - é a Europa o grande culpado"... "deviam avisar os novos alunos no que se vão meter, ou fechar directamente cursos!"... É óbvio que quando os interessados não sabem o papel das entidades nas quais estão envolvidos (As Faculdades, A Ordem, Os governos) nem alguns princípios básicos do viver em sociedade, torna-se muito difícil haver uma discussão fértil. Vou só dizer duas coisas: 1º - A Ordem não tem qualquer poder sobre remunerações das entidades privadas ou de quem quer que seja, vive das quotas pagas. Alem do mais, a Ordem não é um sindicato de "estagiários". Serve precisamente para distinguir, dentro do que se chama o "arquitecto", os estagiários daqueles que tem alguma, pouca, experiencia. 2º - tanta pressa para poder assinar... sabem que, em média, por cada trabalho que corre bem o arquitecto ganha 3 clientes. por cada mal perdem 8. Se estão a começar, nem chegam a arrancar do chão. Hoje é tudo em equipe e essa prioridade em estar na Ordem nem sequer é assim tão importante. Depois de ter trabalho, até podem entrar por via de apresentação de um currículo. O meu conselho é que preocupem-se mais em formar-vos como profissionais e menos em cumprir burocracias.
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Olá tougpanther Um arquitecto pertencente à Ordem pode assinar alguns projectos, porque para outros já é preciso estar inscrito há 5 ou 10 anos, consoante o tipo de projecto. Portanto aqui, nada de novo. O decreto que substitui o 73/73 responsabiliza ainda mais os arquitectos. Quanto ao facto de 2 anos de estágio significarem 2 anos sem pagamento, isso já não tem nada a ver com a Ordem. São os próprios estagiários que baixam a fasquia ao aceitarem trabalhar sem remuneração, e a coisa está tão generalizada que já é normal. Com isto está-se inclusivamente, a retirar trabalho aos próprios inscritos. É mau para toda a gente. A única solução seria se todos os estagiários do País se recusassem, de um momento para o outro, a trabalhar sem pagamento - coisa que é muito improvável. Espero ter sido útil
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Está realmente um bocado enviezado. E numas de tentar reorientá-lo, gostaria de deixar um comentário à entrevista de arq. Souto Moura, que é o tema deste tópico. Penso que existe uma grande espectativa de que, com o fim do decreto lei 73/73 subitamente haverá trabalho para todos, pelo menos parcial e temporariamente, pelo menos até que o número de arquitectos não ultrapasse os 10% da população. Mas temos sinceramente que o que irá ocorrer, na difícil hipotese do decreto ser revogado, é o aparecimento do negócio das assinaturas: por uma questão legal é necessário a assinatura de um arquitecto, mas o cliente tipo continuará a pedir o projecto ao desenhador, que não questiona, que não dificulta, que não complica. Quem tiver dinheiro para ter princípios, pode dar-se ao luxo de condenar esse negócio, mas quem não tiver... Em todo o caso, é uma "novela" que tem de ser combatida e o arq. Souto Moura tem, pelo menos, o mérito e o direito de se pronunciar sobre isso.
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Portanto não é que a cultura grega tenha influência ou não. Ela foi a origem de uma série de "pedras basilares" que ainda hoje progridem. Pra não falar da filosofia, vejamos a música: a escala de 12 meios-tons tal como a conhecemos, foi descrita por um desses gregos. A música indiana, por exemplo, utiliza quartos de tons, porque tem origens diferentes... Na arquitectura ocorre-me, por exemplo, Louis Kahn. Ele recuperou aquela grandiosidade dos edifícios antigos, utilizando a simetria, as proprções, a verdade material. Querem mais clássico do que isto?
