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Sputnik

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  1. ma frend, tem cuidado. Arriscaste a deixar de ser arquitecto...
  2. Li num romance italiano a história de um varredor de ruas que balançava a sua vassoura com o gesto majestoso de um ceifeiro. Na sua imaginação ceifava no asfalto um prado imaginário, o grande prado da natureza real em que reencontrava a sua juventude: o grande ofício do ceifeiro ao sol nascente. (pg. 81)
  3. Se a ideia subjacente às Ordens é a delegação de funções do estado (por outras palavras: regulem-se a vós próprios), e se é a ordem que deveria poder decidir isso, porque é que nunca houve uma proposta de lei nesse sentido? Porque é que a Ordem dos arquitectos nunca deu parecer sobre uma das leis que mais afecta a arquitectura, como é a lei das acessibilidades? Nem foi chamada, nem fez falta?? Porque é que a Ordem nunca vai representar os arquitectos? Suponho que pela mesma razão de sempre: lobbys
  4. questão deveras interessante... Quem deu direito à Ordem de decidir que cursos valem e que cursos não valem? E se, à moda de antigamente, um arquitecto consagrado treinasse um aprendiz, sem recorrer a nunhuma universidade, ele teria direito legal de praticar os actos próprios da profissão?
  5. Tica: Como é que é possível apresentar um projecto em excel? estou sinceramente curioso...
  6. excerto retirado de uma memória refundida: "a casa por vezes é como a nuvem de um anjo, por vezes um monstro que nos assombra em sonhos" e, às vezes, simplesmente uma casa
  7. Pois bem, como investigador de fim de semana que sou, fui tentar descobrir coisa é essa que Bachelard tanto ama em Baudelaire. Encontrei este excerto em "Spleen de Paris", que deixo aos leitores a liberdade de... do que quiserem!: "Não é dado a todos tomar um banho de multidão: tirar prazer da multidão é uma arte... aquele a quem uma fada insuflou no berço o gosto pelo disfarce e pela máscara, o ódio pelo domicílio e a paixão pela viagem...Quem não sabe povoar a sua solidão não sabe também estar sozinho numa multidão atarefada... O peta tira prazer deste incomparável privilégio de poder, à sua vontade, ser ele mesmo e outrem. Como aquelas almas errantes que buscam um corpo, ele entra, quando quer, na personagem de cada um...""
  8. Avante! Os antigos não tinham o nosso respeito pela palavra escrita. Era de longe muitíssimo melhor a transmissão oral. E se, por ventura, escreviam, o faziam como escrevemos hoje memorandos, pequenas notas para serem interpretadas, incorporadas por quem de direito, e lidas aos demais! pois só na tradução oral esse conhecimento poderia fazer eco. Sem essa garantia, o nosso Bachelard não tem outra hipótese senão servir-se das palavras e rezar para que elas tenham eco, como, aliás, todos nós. No entanto ele faz a sua escolha: "metáforas?...um crítico literário haveria de julgá-las exageradas. Um psicólogo positivo reduziria imediatamente a linguagem carregada de imagens à realidade psicológica do medo de um homem murmurado na sua solidão. Mas a fenomenologia da imaginação exige que vivamos directamente as imagens... Quando a imagem é nova, o mundo é novo" aí está, na minha opinião, a chave da capacidade de comunicar deste livro: na interpretação de imagens
  9. É mais do que evidente que Bachelard tem uma admiração especial por Bauderaire. Será ironia este homem ter revolucionado o mundo da poesia através do seu minúsculo "casulo alugado" em Paris? E que escreveu, nesse preciso casulo: "Hoje mudei de casa três vezes (na sua imaginação)... para quê obrigar o meu corpo a mudar-se, quando a minha alma viaja tão destramente?" Não lamento aqueles a quem a casa foi penhorada, mas aqueles que não vêem um raio de luz, nem que lhes bata nos olhos. (PS: Convido-o, caro XXXXX, a abrir um tópico sobre métodos de avaliação, no qual terei todo o gosto em refutar o método de calculo linear.)
  10. A maioria das casas que estudei e que estão firmemente solidificadas na minha cultura arquitectónica, nunca cheguei a visitá-las. São apenas reflexos do que eu acho que são. A deliciosa casa-pátio-piloto de Alvar Aalto, a Casa Malaparte, a Ville Savoye, todas vivem na minha imaginação. Como arquitecto, deveria conhecê-las. Como aprendiz de poeta, tanto me faz
  11. ah, afinal alguém lê isto... Longe de mim, caro Xs. Queria apenas exemplificar (desastradamente) que o livro é, em grande parte, feito deste tipo de "devaneios", de delírios momentâneos. Penso que uma casa, qualquer casa, deveria ser capaz de proporcionar ao seu habitante estas fugas de imaginação, que todos nós podemos ter, não só os poetas ilustres
  12. No outro dia aconteceu-me uma coisa magica. Estava eu, na tranquilidade do meu lar, a ouvir as variações de goldenberg (de Bach), olhei sobre a janela e as sebes do vizinho dançavam (sob influencia do vento) ao mesmo ritmo e tom da musica. Por momentos pensei que Deus estivesse falando comigo. Não sei descrever aquele momento. Cada vez que parava para pensar, as sebes paravam tb... Alguns ramos eram mais específicos do que outros, mas igualmente aglutinantes
  13. Escusado será dizer que estas sessões deixaram de ser "domingos de poesia" para passar a ser "dias em que me dá da telha" poesia. Fiel a este horário rigoroso, aproveito esta para falar menos deste livro e de arquitectura, e mais de poesia (não que tivéssemos falado de muito mais coisas). Mas e agora... que dizer?... Poesia é a mentira que diz a verdade. É querer ultrapassar a linguagem para melhor dizer. Como tal é um acto novo, é uma invenção. ("A poesia não tem passado... na sua novidade, a poesia é um ser próprio") Baudelaire, Shubert, Loos, Delacroix... Por vezes penso que procuram todos o mesmo: a expressão precisa de uma novidade que, sendo ilusão, diz a verdade
  14. Ironic, indead! But all those questions are out of the architect´s power of decision. Even in smal competitions, ir order to win an competition, architects propose imposible things, not minding rationality, porpotion, all those things that do not show up, just to win... I gest quality is invisable (sorry for my mirable English!)
  15. Menti quando afirmei, no meu primeiro post, que este livro é, "na verdade, bastante acessível". Quer dizer, é e não é. É porque, apesar da péssima tradução, as palavras constroem frases cuja semântica fazem eco na alma. Não é porque exige do leitor uma predisposição fora do normal: exige que o leitor esteja na intimidade de sua casa, em solidão: nos mesmos termos em que o próprio livro foi escrito. Só assim ocorre aquela cumplicidade, aquela simbiose entre o leitor e o escritor. Essa simbiose parece-me semelhante àquele casamento entre o sítio e o lugar a que nós, arquitectos, estamos habituados a aspirar: as coisas só fazem sentido no seu devido lugar
  16. "Imensidão Íntima" pode, à primeira vista, parecer uma contradição em si mesma - se é íntima não deveria ser confinada?... Mas logo o autor encontra uma imagem brilhante para ilustrar essa imensidão: uma floresta! "não é preciso permanecer muito tempo num bosque para perceber que mergulhamos num mundo sem limites". Precisamente porque toda essa imensidão se encontra povoada por ramos, troncos, folhagem, luz e sombra, não é um vazio neutro: toda a sua extensão pode ser habitada, mesmo que só pelo olhar (já que perdemos as nossas capacidades de saltar de ramo em ramo... "a floresta é um estado de alma. Os poetas sabem disso. Alguns indicam-no numa única linha, como Jules Supervielle, que sabe que somos, nas horas serenas, «habitantes delicados das florestas de nós mesmos».
  17. Não acredito em fazer trabalhos pela negativa, mesmo que a crítica seja justa. Tornar-se-ia, para mim, um inferno. "Fiel à minha vontade de nunca me incomodar com nada, imagino que (as marteladas do meu vizinho) são um pica-pau a construir um ninho..." É tão mais agradável fazê-los como elogio, para partilhar de uma alegria que determinado assunto ou autor nos congratulou. "Ninguém sabe que na leitura revivemos as nossas tentações de ser poeta... todo o leitor que relê uma obra que ama sabe que as páginas amadas lhe dizem respeito"
  18. Manusear um livro é uma arte que requer alguma paixão. Se pretendemos apenas ter uma ideia sobre o que é que o autor fez com aquele livro, sem ter de ler o livro, como encontrá-lo? Neste caso é mais ou menos evidente: face à longa introdução, será, provavelmente, no último capítulo da introdução que ele vai dizer o que quer fazer... Mesmo sem ler
  19. Sempre achei que o problema das pessoas quererem uma casa é o não saberem, realmente, que casa querem... "...não se trata de descrever as casas, de pormenorizar-lhes os aspectos pitorescos e de analisar as razões do seu conforto. É preciso superar os problemas da descrição (...) para atingir as virtudes primárias, aquelas em que se revela uma adesão inerente, à função original do habitar." O quê?! Tá-me a dizer que existe uma espécie de primitivismo, associado ao habitar, que não compactua com nenhuma imagem? com nenhuma solução? com nada pré-descrito?... Então como resolver esse problema??? Com poesia
  20. Caro Asimplemind Retomando a questão de porque é que bairros "sociais" de há 50 anos continuam a servir hoje em dia, eu diria que são tantas as razões que só Deus sabe. Continuo a achar que a eficácia dos projectos de habitação ""social"" dependem muito mais das decisões políticas do que das decisões dos arquitectos (o orçamento, a localização, por vezes até a própria linguagem escapa ao poder decisivo do arquitecto). Portanto se a tua questão é: "o que é, diante de um projecto de Habitação ""Social"", qual é a (pequena) parte de responsabilidade do arquitecto", eu diria: o mesmo que faz com TODOS os projectos - o melhor que pode. Porque o verdadeiro arquitecto não faz distinções, faz escolhas. Dito isto, acrescento ainda a leitura de "Imaginar a Evidência" de Álvaro Siza, texto sobre o bairro da Malagueira.
  21. Claro que quem vir um projecto recusado por uma má interpretação do que é que é o polígono de implantação, ou da cércea, pode sempre recorrer a esta lei e marcar a sua posição. E porque não? Só porque receamos não voltar a ter projectos aceites naquela câmara? São receios legítimos a que todos estamos sujeitos num país corrupto como este.
  22. A iniciativa é louvável: acabar com as interpretações subjectivas das leis por parte dos arquitectos camarários. Mas de que é que serve emitir leis quando não há meios de ver se essas novas leis são cumpridas? Quem é que vai verificar se o arquitecto camarário está a cumprir isto em cada caso?? És tu?? Então de que vale? Outra pó lixo
  23. Claro que F. L. Wight e Mozart só se davam ao trabalho de escrever quando já tinham o "edifício" toda na cabeça, e enquanto o usassem como ferramenta, não haveria diferença nenhuma. O problema é o resto dos mortais para os quais o autocad é uma matriz de projecto
  24. viollet le duc
  25. Será possível desenvolver um projecto inteiro sem fazer um único risco?
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