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Despenalização da IVG?


JVS

Qual o melhor software de desenho de arquitectura?  

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  1. 1. Qual o melhor software de desenho de arquitectura?

    • Autodesk Architectural Desktop
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    • Autodesk AutoCAD
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Sou a favor, neste momento a lei só penaliza as mulheres ( sim porque a culpa de algo feita em conjunto recai apenas sobre a mulher) de classe economica inferior, ou sem possibilidades economicas visto que as outras vão a Espanha. Não acredito que uma mulher o faça sem mais nem menos, e a dor que advem dessa situação já deve ser penosa o sufeciente. Um outro aspecto que não percebo é como se condena a interropção voluntaria da gravidez,( devia ser interropção voluntaria e assistida) um vez que muitas tentam resolver com medicamentos para patologias diversas, e se permite a inseminação artificial, uma vez que são implantados de 6 a 7 embrioes no utero materno para garantir maior taxa de sucesso, e apenas sobrevivendo um e os outros morrem e são eliminados pelo fluxo menstrual....matar 6 para dar vida a 1...isto tem que nome? é ilegal? e porque que não é? Acho que esta questão muito complexa, mas sou a favor da despenalização...

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Eu votei não, apesar de em parte concordar com alguns argumentos do sim.

Quanto à perseguição das mulheres... concordo, é uma verdadeira parvoice responsabilisar as mulheres, pessoalmente acho que as pessoas a serem julgadas no caso de um aborto devem ser tanto o homem como a mulher.

A desculpa que umas não fazem cá porque vão a Espanha portanto vamos liberalizar é das coisas com menos sentido que ja houvi. Sem tentar estabelecer paralelismos... imaginem que em espanha o roubo era legal, iamos liberalizar o roubo em portugal tb? não me parece.

Já agora deixo aqui esta entrada no blog Blasfémias sobre as diferenças legais entre portugal e espanha sobre esta lei.

A questão da implantação dos embriões... epa parece-me que se trata de uma questão técnica. O próprio corpo humano retem o que pode ou que tem programado para reter... Repara que com essa técnica há uma grande percentagem de gémeos.

Depois voto não porque me preocupa especialmente a questão dos direitos de paternidade. Ou seja imaginemos o caso de uma mulher querer fazer um aborto, mas o homem quer a criança. Como é nesse caso?

E depois há outras questões mais "distantes". Num país em que a população jovem está a diminuir de uma maneira que mete medo, em que a população está a envelhecer, qual é o sentido de fazer sair uma lei que irá potencialmente diminuir o nº de crianças?

Exactamente por achar que há muitas perguntas por responder não posso em plena consciencia votar sim.

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esta questao é bastante complexa, mas voto sem dúvida no sim!

se analisarmos os argumentos de ambas as campanhas vemos que os argumentos do não são à base de insistir sobre as mesmas palavras: "morte", "vida", "crime", ... ou seja não conseguem criar um discurso que consiga realmente dar a entender a sua posição e apenas de limitam a "chapar" frases feitas em cimas das pessoas a ver se cola. Outro aspecto é também a igreja. Tenho dúvidas se o sim irá ganhar pois grande parte deste portugal é católico até ao tutano (desculpem-me a frontalidade), ou seja: o padre diz, o padre manda. Ora eu estava no dia de natal na missa quando o sermão do padre foi somente à cerca do aborto. E não é que a meio do sermao ele sai-se com a ideia de "dar dignidade à vida"? Isto para mim é totalmente o contrario de se estar contra o aborto. Ou seja, se um casal por uma variedade infindavel de motivos atravessa um período conturbado e obscuro de incertezas e medos pois não está minimamente preparado para ter um filho, pensará certamente na opção do aborto como forma de evitar trazer um ser humano ao mundo que será certamente mal amado, pelos mais diversos motivos, muitos deles económicos! Será que ao ser obrigatório engravidar e ter filhos um casal sem meios para ter um filho e sem o querer ter nessa altura irá dar dignidade à criança? Serão eles capazes de cuidar, educar e tratar do seu filho com dignidade?

Quem pensa em abortar não pensa de animo leve. É uma decisão absolutamente complicada e as pessoas responsaveis vivem às portas do desespero quando estão numa situação destas. Neste momento as pessoas não podem abortar, mas em casos extremos recorrem a meios ilegais e incrivelmente perigosos para o fazer sob o risco de morte da mulher. Será isto dar dignidade à vida? Se hoje em dia milhares de mulheres abortam ilegalmente será que com a penalização do aborto as pessoas irão pensar duas vezes e não abortar quando uma decisão deste tipo é tomada em situações extremas?

às vezes parece-me que quem apela ao "não", não conhece realmente as problemáticas de uma situação que leva ao aborto.

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asimplemind: votar no sim, só porque a igreja católica diz para votar no não, é igualmente parvo como alguem votar no não só porque a igreja católica diz para votar não. As condições que levam as mulheres a abortar são muito subjectivas. Faz-me lembrar o caso de uma mulher que roubou coisas de um supermercado porque ela e a filha estavam a morrer de fome. É uma situação tramada, porém liberalizou-se o roubo por causa disso? Apesar de as vezes parecer que sim, não vi nada nos jornais a falar nisso, o que me leva a crer que tal coisa ainda não aconteceu. E vejamos uma coisa, é bom lembrar que o aborto em portugal ja é despenabilizado em alguns casos.

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Gin: como leste no meu post eu nao voto sim por causa do não. Voto sim por respeito às pessoas. Penso que não se pode ser totalmente racionalista nesta materia. Não podemos comparar o aborto a roubar comida no supermercado. São atitudes totalmente diferentes. Ninguém faz um aborto de ânimo leve e ninguém o faz por prazer. um casal que decide abortar passou por um período enormemente complexo de duvidas, medos, incertezas, questionaram se por ventura tivessem o filho o que aconteceria e só fazem o aborto quando chegam uma situaçao extrema. Como já disse acima, não admito que haja gente a abandonar crianças porque não têm condiçoes para as educar ou nem sequer estão interessadas nisso.

Por isso mesmo digo que não se trata de ir ali gravida e sair de lá com um aborto e ir fazer um passeio à beira-mar. As pessoas que o fazem, fazem-no por não terem alternativas, muitas vezes fazem-nos após terem tomado as devidas precauções no acto e mesmo depois de terem tomado pilulas de dia seguinte etc...

Quando referi a questão da igreja foi pelo facto de apelarem ao voto do não porque sim. Ou seja, são contra a morte e matematicamente o aborto=morte por isso são coisas tão simples que nem sequer se questionam. Este é o discurso dos padres, bispos, arcebispos, papa, ... por aí fora. Educam a sua audiencia através de dogmas, menosprezando-a. Eu não voto sim por causa da igreja. Como já disse é uma questão bastante complexa e não se pode estar 100% de acordo com nenhuma das opções.

Agora, uma coisa é certa, as pessoas têm de ter maturidade suficiente para tomarem decisões na sua vida sem que para isso haja leis que indiquem que o caminho do lado não pode ser seguido porque é crime. Quando se diz que a partir do momento que se despenaliza a taxa de abortos vai aumentar é totalmente um discurso sem nexo e pouco reflectido. Pelo contrário, havendo a probabilidade de abortar com segurança as pessoas têm de ser suficientemente conscientes daquilo que fazem.

E mais, basear o discurso em termos de crescimento demográfico é descabido. Então agora vamos fazer filhos em série para aumentar a população mesmo que metade deles vivam na pobreza total, sem condições de vida, sem amor dos pais, sem educação, só para olharmos para os censos e nos sentirmos contentes por termos uma taxa alta de natalidade? não é por aí...

voto sim mas respeito as pessoas que votam não (conscientemente)

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asimplemind: Eu quando respondi ao que escreveste procurava apenas responder aos argumentos que apresentavas, percebo perfeitamente que haja quem defenda o sim e respeito essa opção. voltando agora aos argumentos... sim eu concordo que fazer um aborto não é a mesma coisa que roubar, nem queria estabelecer essa relação, apenas procurava comparar situações de grandes dificuldades de parte a parte, honestamente não vejo nada mais complicado para um pai (sem ser a morte de um filho) do que ver a sua criança com fome e não poder comprar nada para lhe dar. O problema na tua argumentação é que partes do pressusposto que os abortos apenas iram ser realizados em casos extremos. Bem sei que teoricamente é onde mais facilmente poderão acontecer esses casos, será que a prática diz isso? Honestamente não sei. Interessa? Honestamente acho que não. A realidade é que não estás a votar para um lei dirigida as pessoas com dificuldades extremas mas sim uma lei que vai afectar todos, até aqueles que fazem um aborto pelas razões mais levianas (sim porque infelizmente esses casos também existem). Quanto as condições para criar as crianças ou falta de interesse para isso. Para mim o dinheiro era melhor utilizado na criação de condições para criar essas crianças dotando-as de condições para se tornarem elementos uteis da sociedade, bem sei que essas condições não existem hoje em dia, apesar de algumas iniciativas, porém acho que o esforço poderia ser melhor dirigido nesse sentido do que ser dirigido para a despenalização do aborto. Em relação à igreja, pessoalmente, acho perfeitamente normal, e no minimo coerente, a sua posição no meio disto tudo. Estranharia se defendessem o contrário. Porém concordo contigo quando me dizes que se rege por dogmas que ninguem se atreve a questionar, sendo exactamente por isso que eu me resolvi afastar da igreja. Relativamente a um possivel aumento do número de abortos realizados, é uma questão que honestamente nem sei o que pensar. Porque percebo os argumentos de ambos os lados, porém acho que ai deveriamos observar o que se passou nos outros paises, entender bem o enquadramento de tudo o que se passou quando a despenalização foi aprovada, para poder extrapolar para o nosso caso. Para compreenderes a questão que eu puz com os censos e o número de crianças tens de não deixar que os teus sentimentos perante esta situação interfiram com o pensamento, é uma pura questão de lógica. A realidade é que parte das dificuldades que Portugal tem hoje deve-se ao envelhecimento da população e à não renovação da mesma. Repara que o nosso sistema de segurança social basea-se no facto das gerações mais novas suportarem as gerações mais velhas, a partir do momento em que a população mais velha é mais numerosa do que a população mais nova o sistema entra em colapso como se vê agora. Um governo quando toma uma decisão destas tem de considerar este factor quer queira quer não. No domingo houvi a intervenção do marcelo rebelo de sousa sobre este assunto, e ele disse algo que me poz a pensar muito. Esta nova lei desresponsabiliza totalmente as pessoas, enquanto que em espanha as pessoas so podem abortar em determinados casos (tal como em portugal neste momento porém esses casos dão mais abertura), ou seja, votando sim agora ninguem tem de justificar o que o leva a fazer o aborto, o que me assusta um bocado. Tudo bem que podemos estar no 8 (e mesmo assim acho que ate nem estamos) mas por favor não vamos passar para o 80

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Eu compreendo e aceito as opiniões dos dois lados, mas vou votar sim... Tal como o asimplemind disse, aquilo que mais incomoda na campanha do não é a repetição constante dos mesmos argumentos... O mais caricato, já aqui falado, é o do envelhecimento da população. Então toca a deixar todas as criancinhas virem cá para fora, muitas delas (talvez a maior parte)para viver na miséria e sem apoio familiar, ou na melhor das hipóteses para serem entregues a uma instituição, que também não lhes dará, na maior parte dos casos, aquilo que eles precisam para serem adultos "plenos"... Outro que tenho dificuldade em compreender é a questão financeira, porque dizem alguns adeptos do não, que os abortos vão ser pagos com o dinheiro dos contribuintes. Então e os abortos mal feitos não trazem custos para o sistema de saúde?... Temos de ter em consideração que quer queiramos, quer não, os abortos acontecem, ilegalmente, ou no extrangeiro... trata-se de uma questão de dar-lhes, ou não, as condições sanitárias para serem realizados. Fazendo aqui uma comparação com o mundo da droga, as "salas de chuto" existem no pressuposto de que apesar do tráfico de drogas ser ilegal, temos, enquanto sociedade, de dar condições salubres para que o consumo seja feito... Acho que o que o sim significa dar um voto de confiança à sociedade para que cada casal seja capaz, perante a terrível hipótese de fazer um aborto, de tomar a decisão que para eles e para o embrião, seja a melhor... Bem sei que nem todas as pessoas terão a razão do seu lado, e algumas irão certamente abortar por uma questão de egoísmo, mas será que também essas não o fazem já hoje em dia ilegalmente, ou se tiverem dinheiro, no estrangeiro?... Não nos podemos esquecer que uma decisão destas implica um transtorno psicológico muito importante para o casal, mas quem melhor que eles saberá o que é melhor para eles e para o embrião?... eu?... algum de nós?... alguém que não os conhece de lado nenhum?... o administração pública?... creio que não... É uma questão de pôr a decisão nas mãos daqueles que a podem tomar conscientemente...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Eu compreendo e aceito as opiniões dos dois lados, mas vou votar sim...

Tal como o asimplemind disse, aquilo que mais incomoda na campanha do não é a repetição constante dos mesmos argumentos...


Bom se reparares isso também acontece do lado do sim.
Pelo que vi até agora todos julgam que o aborto só vai ser praticado por:
a) casais informados e conscientes do que estão a fazer
:) em condições económico-sociais extremamente dificieis ou mesmo em miséria absoluta

e depois quando se lembrar das outras pessoas que não encaixam nesse grupo dizem tal como tu dizes "ah mas esses vão lá fora ao estrangeiro e acabam por fazer na mesma." Como se isso fosse justificação para nós adoptarmos as mesmas práticas.

Se todos se atirassem de um poço tu também te atiravas? olha eu não.

Ainda por cima Portugal nesse aspecto até está habituado a fazer diferente, por exemplo, quando a pena de morte era prática na maioria nos paises europeus Portugal foi dos primeiros a aboli-la. E atenção, não quero de todo estabelecer o paraleslimo do costume entre aborto e morte, estou apenas a dar um caso em que Portugal resolveu adoptar uma política diferente à dos outros paises em relação a algo muito polémico.


O mais caricato, já aqui falado, é o do envelhecimento da população. Então toca a deixar todas as criancinhas virem cá para fora, muitas delas (talvez a maior parte)para viver na miséria e sem apoio familiar, ou na melhor das hipóteses para serem entregues a uma instituição, que também não lhes dará, na maior parte dos casos, aquilo que eles precisam para serem adultos "plenos"...


Como ja disse antes eu até concordo que não existem condições neste momento, mas e se em vez de aplicar tempo, dinheiro e esforço, a advogar pelo aborto, se advogasse por condições melhores? Não sei porque parece um pouco mais util.

Outro que tenho dificuldade em compreender é a questão financeira, porque dizem alguns adeptos do não, que os abortos vão ser pagos com o dinheiro dos contribuintes. Então e os abortos mal feitos não trazem custos para o sistema de saúde?...


Também os acidentes nas estradas gastam dinheiro aos contribuintes e acredita que não é pouco, a questão é "se por haverem muitos acidentes vamos retirar todos os limites de velocidade?" Pelo que tenho observado ultimamente não me parece que seja essa a politica adoptada...


Temos de ter em consideração que quer queiramos, quer não, os abortos acontecem, ilegalmente, ou no extrangeiro... trata-se de uma questão de dar-lhes, ou não, as condições sanitárias para serem realizados.
Fazendo aqui uma comparação com o mundo da droga, as "salas de chuto" existem no pressuposto de que apesar do tráfico de drogas ser ilegal, temos, enquanto sociedade, de dar condições salubres para que o consumo seja feito...


Portanto deixa-me la ver se percebo bem a tua lógica. A ideia é tens uma lei que é infrigida por muita gente portanto o melhor a fazer é liberalizar tudo. Bom até nem é má ideia, como todos (ou a maioria dos portugueses) infringe as leis relativas aos impostos, o melhor seria liberalizar tudo, e deixava-se de pagar impostos. Claro que como consequência o estado não teria dinheiro e todo o sistema colapsava, mas de facto seria muito melhor porque o problema da fuga aos impostos ficaria resolvido.

Acho que o que o sim significa dar um voto de confiança à sociedade para que cada casal seja capaz, perante a terrível hipótese de fazer um aborto, de tomar a decisão que para eles e para o embrião, seja a melhor...
Bem sei que nem todas as pessoas terão a razão do seu lado, e algumas irão certamente abortar por uma questão de egoísmo, mas será que também essas não o fazem já hoje em dia ilegalmente, ou se tiverem dinheiro, no estrangeiro?...


Essa do voto de confiança é um pouco traiçoeira. Afinal as leis estão cá para dar votos de confiança? Quanto mais me debruço sobre leis mais acho que não, vê por exemplo as leis de construção que tens em portugal, achas que servem para dar votos de confiança? Melhor que isso achas que todos os envolvidos no negocio da construção merecem esse tipo de confiança?

Pessoas a darem a volta as leis, vão sempre existir, neste caso existe a escapatória do estrangeiro, não creio que isso sirva de desculpa para despenalizar o que quer que seja, quanto muito serviria de desculpa para estabelecer leis ainda mais rigorosas.

Não nos podemos esquecer que uma decisão destas implica um transtorno psicológico muito importante para o casal, mas quem melhor que eles saberá o que é melhor para eles e para o embrião?... eu?... algum de nós?... alguém que não os conhece de lado nenhum?... o administração pública?... creio que não...
É uma questão de pôr a decisão nas mãos daqueles que a podem tomar conscientemente...


Como ja disse antes o transtorno psicológico de que falas acaba por não interessar, tanto não interessa que tens do lado do não um movimento que é composto por mulheres que já fizeram abortos. Aparentemente uma posição paradoxal, mas na realidade elas é que passaram pela experiência.

O problema é que segundo o estereotipo criado pelo lado do sim, ao aprovar esta lei, não estamos a pôr a decisão nas mãos de pessoas que a possam tomar conscientemente, estamos a falar de pessoas que muito provavelmente vão estar com grandes problemas e que procuram a solução mais fácil para sair deles, seja ela qual for.

Esclareçam-me uma coisa, se a lei for aprovada, quem é contra o aborto com certeza que não o irá praticar e quem o faz irá fazê.lo com condições, logo, para quê tanta discussão?


Porque estamos a falar sobre qual é a posição o Estado em relação à despenalização voluntária da gravidez (vulgo aborto).
Eu podia-te perguntar outra coisa.
Tu roubas? (vou partir do pressuposto que não)
Mas há pessoas que roubam!
É uma injustiça que essas pessoas não tenham condições para roubar, afinal é algo que tem os seus riscos, um tipo pode ser atropelado ao fugir, ou apanhar uma tareia de pessoal que se insurja contra ele.
Portanto o melhor a fazer é liberalizar o roubo, porque assim quem não rouba não o faz, e quem rouba sempre tem condições.
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eu continuo a achar que nao podemos comparar estas coisas... se estamos a criar relações logicas entre o aborto e o roubo ou os acidentes de transito ou os impostos, também posso criar relações logicas com tudo o que existe no mundo... o aborto é uma coisa distinta e ha que tratar desta questao independentemente de outras coisas que nao estao ligadas directamente. Atençao que eu nao voto sim pela campanha do sim, voto sim porque para mim é aquilo que acho mais razoavel. Concordo com o que o Gin diz e concordo com o que o dreamer diz, agora nao altura de votar voto sim. Para mim é mil vezes pior não votar ou abster-se do que votar sim ou nao. E já agora, penso que seria também importante uma lei que proibisse definitivamente o consumo de tabaco em locais fechados e não como o que existe em espanha em que hoje em dia passas na rua e todos os bares decidiram que se pode fumar. Ou seja em vez de proibirem o consumo de tabaco, deram as duas hipoteses e toda a gente escolheu o que lhes convinha, legalizando uma situaçao que supostamente esta pior.. enfim... A questao é, na altura de votar, entre o quadrado do sim e o quadrado do não, qual deles escolher sem recorrer a abstenções.

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eu continuo a achar que nao podemos comparar estas coisas... se estamos a criar relações logicas entre o aborto e o roubo ou os acidentes de transito ou os impostos, também posso criar relações logicas com tudo o que existe no mundo...


Concordo que são questões completamente diferentes, porém há uma visão que se deve manter coerente perante os diferentes assuntos.

Para mim é mil vezes pior não votar ou abster-se do que votar sim ou nao.


Aqui é que eu não podia estar mais de acordo contigo.
Apesar de ser um tema que dificilmente gerará consenso, é importante, seja qual for o resultado, que seja um resultado que transmita a posição das pessoas relativamente a este assunto.

Portanto é bom que não aconteça como no ultimo referendo. Não foram um nem dois que resolveram ir para a praia em vez de ir votar...
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pois! e por isso mesmo também gostava de ver mais gente a falar neste topico em vez de serem sempre os mesmos :) é bom discutir estas coisas. Lembro-me que um dia estava a ler o publico e vinha um artigo de um escritor conceituado que defendia a não revisão da lei. Em relação aos argumentos que apresentou eu não poderia estar mais de acordo, tratava a questão com objectividade e não defendia nem o sim nem o nao, mas votava não. No mesmo jornal havia um artigo extenso de uma sociologa portuguesa que já estudou alguns casos de paises europeus que despenalizaram o aborto e ao mesmo tempo eu não poderia discordar os seu argumentos e conclusóes que a levavam a votar sim. enfim, é uma questão de realmente reflectirmos, discutirmos e tirarmos as nossas conclusoes

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Vou votar branco. :) Seriamente. Vou votar branco. Voto branco porque os argumentos que levam a mulher a fazer aborto são na minha opinião duvidosos. Noutro dia li uma noticia em que a mulher fez o aborto porque se não o fizesse teria um filho solteira o que seria muito mau para ela pois seria votada ao ostracismo. Outro argumento era porque caso não fizesse o aborto não poderia tirar o curso superior e ter um filho contra a sua vontade. E é com estes argumentos que se faz um aborto. E este tipo de argumentos não merecem na minha opinião um perdão. Quantos assassinos matam as pessoas quase pelas mesmas razões? Vejo malta a defender os touros porque coitados dos touros são mortos porque não têm oportunidade ou hipótese de se defenderem duma morte brutal... e tal... e quando referem ao aborto... são a favor. Faz-me confusão. Estes artigos são para as pessoas terem pena das mulheres que morrem ao tentarem matar um ser vivo? Não é um ser vivo doutyra espécie. Não é uma barata, não é um cão, não é um boi, não é um gato... é um ser humano. O aborto é abordado de uma forma extremamente interessante. É abordado como fosse uma grande asneira. Epá fiz m... faço o aborto. É uma solução extrema que é levada ... com sofrimento da mulher.... mas faz-se. E os assassinos que por vezes matam as suas vitimas... gostava de saber quais eram as razões pela qual os tutsis mataram os hutus, ou a razão pela qual sérvios matavam bósnios, ou a perseguição aos judeus, ou voltando aos direitos dos animais... a caça á raposa... um hábito ultra proibido pelos ambientalistas defensores do aborto... também tinha uma razão... as raposas andavam a comer as ovelhas (fonte de rendimento da Inglaterra)... ... Pensando assim votaria Não. Mas voto talvez porque como o aborto existe... e é um hábito na nossa sociedade. Em vez de elas fazerem abortos clandestinamente acho que elas devem-no fazer assumidamente em hospitais e clinicas de luxo. É uma forma de assumir a nossa civilização como uma assassina de crianças indesejadas para o bem da sociedade e para o bem da saúde das mulheres. Voto em Branco... pois é um assunto no qual não me comprometo ainda de julgar no voto. No dia em que me aparecer uma decisão de ter ou não um filho havemos de ver qual será a decisão. E aí saberei qual a minha sincera opinião sobre o Aborto.

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Pensando assim votaria Não. Mas voto talvez porque como o aborto existe... e é um hábito na nossa sociedade. Em vez de elas fazerem abortos clandestinamente acho que elas devem-no fazer assumidamente em hospitais e clinicas de luxo. É uma forma de assumir a nossa civilização como uma assassina de crianças indesejadas para o bem da sociedade e para o bem da saúde das mulheres.

Voto em Branco... pois é um assunto no qual não me comprometo ainda de julgar no voto. No dia em que me aparecer uma decisão de ter ou não um filho havemos de ver qual será a decisão. E aí saberei qual a minha sincera opinião sobre o Aborto.


Então seguindo a tua lógica para votar talvez, deveria-se despenalizar o homicídio .

O homicideo existe. Poderiamos dizer que é um hábito na nossa sociedade. As suas raizes provavelmente são anteriores às do aborto. Então em vez de serem feitos em condições duvidosas poderia-se passar a fazer às claras. Porque não mesmo em clínicas, ou em salas especiais para o efeito.
Se legalizassemos seria uma forma de assumir a nossa civilização, mais a nossa natureza assassina de pessoas indesejadas para o bem da sociedade ou de pelo menos alguns membros da sociedade.

Num referendo sobre esta despenalização também votarias no sim ou no não so depois de sentires se tens ou não vontade de matar alguem?


E atenção este post, apesar de coincidir com a minha tomada de posição nesta questão, trata-se apenas de aplicar a mesma lógica num caso diferente.

Tocas num ponto que ainda ninguem se atreveu a discutir.
Será o aborto a mesma coisa que homicídio ?
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Pensando assim votaria Não. Mas voto talvez porque como o aborto existe... e é um hábito na nossa sociedade. Em vez de elas fazerem abortos clandestinamente acho que elas devem-no fazer assumidamente em hospitais e clinicas de luxo. É uma forma de assumir a nossa civilização como uma assassina de crianças indesejadas para o bem da sociedade e para o bem da saúde das mulheres.


entendes que votando em branco estás a apelar para que a situação continue como está, ou seja, fazer abortos na mesma, clandestinamente e sem meios hospitalares...

não acho que estejas a ser muito coerente..
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Tocas num ponto que ainda ninguem se atreveu a discutir.
Será o aborto a mesma coisa que homicideo?


E a eutanásia?... será homicídio?... será comparável a um aborto?... é uma pessoa que deixou de ter perspectivas de vida, mesmo tendo condições físicas (muitas vezes por máquinas) para ir vivendo...
...será que algumas das crianças que nascem no nosso país têm perspectivas de vida?... será que os pais têm capacidade (fisica, financeira, humanitária, psicológica)para lhes garantirem essas perspectivas?...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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E a eutanásia?... será homicídio?... será comparável a um aborto?... é uma pessoa que deixou de ter perspectivas de vida, mesmo tendo condições físicas (muitas vezes por máquinas) para ir vivendo...
...será que algumas das crianças que nascem no nosso país têm perspectivas de vida?... será que os pais têm capacidade (fisica, financeira, humanitária, psicológica)para lhes garantirem essas perspectivas?...


Repara eu so tou a colocar a questão. Não quer dizer necessáriamente que eu ponha o aborto ao mesmo nível que o homicídio.

Mas se queres saber o que eu acho da diferença entre o aborto e a eutanásia tb te respondo.

No aborto tens alguem a fazer uma opção de morte sobre a vida de outrem. Ou seja, A mãe, ou o casal, a decidir se o filho morre.

Na eutanásia tens alguem que se quer suicidar. Para tal precisa de ajuda de terceiros porque não tem condições fisicas para o fazer sozinho.

Esta diferença é essêncial. E nada tem a ver com questões económicas, de perspectiva de vida, etc. Tem apenas a ver com a pessoa escolher terminar a sua propria vida ou ser uma outra pessoa a escolher terminar com a vida de outro.
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Será o aborto a mesma coisa que homicídio ?


Uma pergunta complexa. Sim. A diferença poderá estar na diferença de idades. Quando se mata alguém esse alguém discorda da sua própria morte... ao contrário daqueles que preferem a eutanásia... em relação ao feto...
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entendes que votando em branco estás a apelar para que a situação continue como está, ou seja, fazer abortos na mesma, clandestinamente e sem meios hospitalares...

não acho que estejas a ser muito coerente..


É um sinal de incoerência. A questão é muito complexa. Para dizer Não.
O Não precisa de uma alternativa... mas acho isso tudo uma questão de perdoar algo que a sociedade já perdoou.

Esta questão do aborto revela que as leis servem somente para os que "existem". Para os cidadãos. O cidadão é um elemento da sociedade legislativa. O feto não é um elemento. Para a sociedade ocidental contemporânea o feto é nada. É zero. Uma mulher grávida é uma futura cidadã mais uma futura cidadã(o). O homicidio é legislado porque trata-se da morte dum cidadão que presta contas ao estado.

Mas a palavra homicidio significa o quê?

HOMO + CIDIO

Morte do Homem

Homem, espécie humana. Hoje em dia as palavras relativas a homem foram corrompidas pelos ideais das Luzes. O homem é equivalente a cidadão. Humanidade é equivalente a um ideal do homem.

POrtanto esta questão do aborto já está resolvida há muito. O feto para a nossa sociedade que há muito se desligou da religião... não é um ser humano. É uma expectativa de Ser Humano. Mesmo depois de nascer a sociedade tem que saber se ele é ou não é normativo...
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