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JVS

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  1. Suspensão do PDM de Alcácer do sal Vai desbloquear construção do quartel dos Bombeiros Voluntários A câmara municipal aprovou, ontem, em reunião de câmara, a suspensão do Plano Director Municipal (PDM) exclusivamente na área do terreno onde se prevê a construção do novo quartel dos Bombeiros Voluntários de Alcácer do Sal (BVAS). Esta medida, precedida de uma “negociação muito complicada com a Comissão de Coordenação Regional do Alentejo”, adiantou o presidente Pedro Paredes, vai “permitir desbloquear este processo que se arrasta há longos anos”. É que o actual quartel, construído em 1935, fica localizado em leito de cheias e periodicamente é inundado pelas águas do Sado. A câmara pode agora passar à apreciação dos projectos de arquitectura e especialidade do novo quartel, já que aquela construção, há muito ansiada, tem sido inviabilizada por a volumetria do futuro edifício não respeitar as normas do PDM para aquela zona, junto à piscina coberta da cidade. Sendo a revisão do PDM um processo moroso, a câmara avançou para a elaboração de um plano de urbanização do núcleo urbano que viabilizasse a construção, mas também este processo se manifestou lento, ainda mais face à possibilidade próxima de existir financiamento estatal para o quartel. Sendo assim, para além de um protocolo anual de 85 mil euros, um subsídio de 61 mil euros que custeou a aquisição de uma ambulância e de um apoio simbólico de seis mil euros destinados a abrir uma conta para angariar fundos para o quartel, a câmara dá agora outro importante passo no apoio àquela corporação de “soldados da paz” e na concretização desse sonho tão antigo, que é a construção de uma nova sede operacional para os BVAS. in http://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=142125&mostra=2&seccao=autarquias&titulo=Suspensao_do_PDM_de_Alcacer_do_sal%3C
  2. Impossivel.
  3. Onde estavas na eleicoes? Na minha opiniao nenhuma das listas apresentava um programa razoavel para a situacao existente. E como tal em vez estarmos aqui a afirmar que o sistema eh mau e que isto estah tudo mal e que vao para fora podiamos muito bem reflectir na criacao duma Lista Fixa e Permanente para reflectir e resolver os problemas da classe e dialogar com a Ordem. Esta lista deve trabalhar como uma alternancia da Ordem ateh ao dia das eleicoes e nao esperar que listas de arquitectos jah formados e a trabalhar por conta propria decidam os destinos de quem trabalha para eles. E sabem o que voces vao fazer em relacao a esta sugestao? Nada de nada. Sabem porque? Porque amanha voces iao fazer o mesmo.
  4. Experimenta colocar duas familias de ciganos no predio onde habitas e vais ver a reaccao de quem lah mora. Experimenta colocar aquelas familias de ciganos espalhadas num concelho e diz-me o que vai acontecer.
  5. Esquece os moderadores e esquece os assistentes. Nao existe aqui nenhum complot para defender ninguem. O Nuno estava a brincar contigo. Fizeste muito bem em expor essa realidade e acho que deves expor mais essa realidade. Aqui nao ha ditadura dum grupinho. Aqui damos primazia para a liberdade de expressao. Penso que seria importante fundamentares a tua opiniao sobre este assunto. Discutir de forma seria e coerente sobre os assuntos que existem no pais e no mundo.
  6. http-~~-//img359.imageshack.us/img359/3125/windtowersra1.png Parece uma escultura africana. http-~~-//img149.imageshack.us/img149/3391/windtowers2lo6.png King Abdullah Economic City Wind Towers Saudi Arabia Architect: Skidmore, Owings & Merrill LLP Adrian Smith, Consulting Design Partner Gordon Gill, Associate Partner + Lead Designer Client: EMAAR Properties PJSC Design Completed: 2006 Image Credit: © EMAAR Properties PJSC Wind Towers anchor each corner of the Financial Island. A 120-story landmark tower is visible throughout the city. The highly sustainable tower includes a photovoltaic exterior wall and is oriented and formed to take advantage of the winds from the Red Sea to generate energy. The tower rises above the surrounding development and sets a new standard for environmental design in the region. On the eastern edge is a hotel tower standing at approximately 80 stories. This facetted tower takes advantage of harbor views and is designed with a face that is folded to glimmer in the sun. in http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=667584
  7. Como poupar energia electrica durante o dia? [ame=""]YouTube - Globo Litros de Luz[/ame] Durante o “apagão” – o racionamento forçado do consumo de electricidade derivado da crise energética no Brasil que afectou o fornecimento e distribuição a várias cidades em 2001/02 – vieram a tona a ausência e a falta de capacidade das políticas governamentais para lidar com o aumento contínuo do consumo de energia, devido ao crescimento populacional e ao aumento de produção pelas indústrias. E fundamentalmente a dependência em relação ao petróleo. “A crise ocorreu por falta de planejamento e ausência de investimentos em geração e distribuição de energia, e foi agravada pelas poucas chuvas. Com a escassez de chuva, o nível de água dos reservatórios das hidroelétricas baixou e os brasileiros foram obrigados a racionar energia.” Mas enquanto as políticas energéticas não culminam em reais alternativas, o engenho popular tende a desenrascar como pode; eis mais um exemplo. Leia mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_apag%C3%A3o by http://arkitectos.blogspot.com/ Como aplicar esta ideia na arquitectura?
  8. Como devem ser os estabelecimentos prisionais? Eh uma pergunta que pode levar a uma primeira questao. O que eh uma Prisao? Quem vai habitar uma Prisao? Deverah ela ter os mesmo nivel de conforto de uma Habitacao ou simplesmente o oposto? Aqui deixo um exemplar de uma prisao na Austria. Justizzentrum Leoben - Estabelecimento Prisional, Austria 2004. Arq. Josef Hohensinn - Ver aqui as imagens Deixo aqui uma reflexao de um blogger: Recentemente pensei na possibilidade (remota mas possível) de um dia, como arquitecto e antes de tudo cidadão do mundo, aceitar ou não uma encomenda para projectar um estabelecimento prisional. Muitos colegas de profissão certamente não teriam grandes problemas, muitos mais nem tão pouco pensariam em qualquer problema, o certo é que em mim me causa drama apenas pensar em tal possibilidade. Se arquitectura é antes de tudo pensamento, intimamente ligado aos processos da vida, lidando directamente com questões motoras e emocionais do ser humano impondo-lhe maior ou menor qualidade de vida, esta apenas deveria potenciar assim a estados de felicidade dos seus habitantes ou utilizadores. A Arquitectura será então, como mais uma actividade da vida do homem, um feito que busca e/ou propõe um caminho para a harmonia e consequentemente para estados de Felicidades. Expondo uma ideia de arquitectura ligada a uma ideia de ser humano, e suas relações inter-pessoais, ideais, sonhos. Serve, ou deveria servir, para sermos felizes, encontrando a harmonia e beleza em tudo o que temos que fazer. Mas sabendo, à priori, que a felicidade não é uma constante na vida, um estado emocional uniforme, só poderei dizer que a arquitectura serve para estarmos em sintonia com a beleza. Não chego a evidentes conclusões nem tão pouco a princípios de actuação razoáveis. Como humanista já toda a leviana e incipiente arquitectura capitalista contemporânea me irrita demasiado e me incapacita em muito de “peneirar” o menos mau do péssimo... fazemos casas como covis... hospitais como centros de tortura para seres estranhos, shoppings como templos e no fim em nada sobra de arquitectura e pensamento... apenas dinheiro e egoísmo. Hoje, como sempre, “a arquitectura serve para gerar uma mais-valia” (1), contudo, tendo em consideração os vários intervenientes que actuam actualmente num projecto – promotores, políticos, clientes, arquitecto, técnicos, etc – essa catalisação do valor para a ideia de mercadoria constitui-se como problema fundamental da arquitectura. Mas afinal que mais-valias? Segundo o historiador Paulo Varela Gomes, o arquitecto e a arquitectura em geral apenas “serve hoje para resolver esteticamente problemas técnicos da construção”. Aos quais se associa a vertente sentimental e económica. A arquitectura continua a ser um acto de inteligência mas é subserviente de um mercado e de uma sociedade; face a essa realidade “a arquitectura se comodificou e se transformou em mero valor acrescentado de produto inteiramente transaccionável. De facto, num contexto de consumo conspícuo, a arquitectura arrisca-se hoje a não servir para muito mais do que adicionar valor económico à construção, nomeadamente através do markting passivo dos seus próprios autores” (2). Que se constitui a par das concessões ao(s) cliente(s) e restantes intervenientes como o maior obstáculo da luta contra a degeneração. Então como pensar numa prisão... seria justo e humano e coerente projectar um cárcere para uma sociedade que não se procura corrigir mas apenas remediar e alhear-se de si própria? Não sei... Mas o facto é que sempre que visito antigos cárceres medievais ou salazaristas ocultos hoje pela brancura de uma parede ou pelo regozijo de uma jornada turística – quase sempre por ocasião de visitas a castelos – a primeira sensação é de inferir que a sociedade evoluiu para melhor. Não estaremos então a impedir o avanço da sociedade hoje? (1) Gonçalo Byrne no seguimento da sua apresentaão no Seminário “Para que Serve a Arquitectura”. Guimarães 12 Outubro 2006 (2) Gadanho, Pedro; “Para que serve a Arquitectura?”. Texto apresentado no Seminário “Para que Serve a Arquitectura”. Guimarães 12 Outubro 2006. in http://arkitectos.blogspot.com/
  9. Tiraste fotografias? Seria interessante colocar aqui algumas fotos.
  10. Bem vindo.
  11. Bairros Os guetos de betão do realojamento Aos olhos graduados de Cármen, a descrição do cenário cabe numa jarra. 'A chegada aqui foi como ir apanhar umas rosas muito bonitas. Deitam aquela fragrância, depois perdem o cheiro...' Há pouco mais de uma semana, o olfacto sentiu o esturro no bairro da Quinta da fonte, em Loures. Confrontos com armas de fogo. Detenções. Rixa entre dois grupos, que provocou nove feridos e danos materiais. 'Temos passado o diabo com os distúrbios', garante Cármen Dinis, que engrossou a primeira leva de realojados. Há 11 anos disse adeus à barraca de Moscavide. A genica das pernas, a dentição intacta, a lucidez do discurso, desmentem os seus 88 anos. O elixir da conservação deu-lhe ‘água pela barba’: 'Trabalho.' Cármen dirige um pedido à visão dos visitantes. Que as órbitas não se passeiem pelo r/c do número 12 da Rua Ary dos Santos. 'É uma casa de pobre', anuncia sem pingo de lirismo, apontando os tectos e paredes enganados pela humidade dentro da habitação. No dia em que o conflito voltou a sair às ruas do bairro regressava do Tojal, acabada de visitar uma das três filhas. A deslocação impõe-se. Telemóveis não são com a octogenária. 'Ainda era degolada por causa da porcaria de um telefone!', atira. Na Quinta da fonte, onde 90% dos moradores têm como bóia o Rendimento Social de Inserção, a população cresceu com os anos, mas as contas entre o deve e o haver no bairro são quase todas de subtracção. 'Havia uma peixaria, fechou um dos dois talhos, já só há dois dos três cafés.' Os serviços minguaram à medida que subiu a parada de problemas. José Gabriel Pereira Bastos, antropólogo, coordenador científico do Centro de Estudos da Migração e Minorias Étnicas da Universidade Nova de Lisboa, muito crítico deste processo de ‘guetização’, aponta os dedos todos da mão ao racismo, xenofobia e interesses, bem melhor instalados que qualquer um dos realojados. 'Por um custo muito baixo encaixota-se as pessoas, parecendo que se elimina a miséria dos bairros de lata.' Madrid, bandeira da solidariedade imigrante, segundo o especialista, dá o exemplo de que 'o que parece utopia não o é'. 'Já se decidiu não construir mais bairros sociais. As autoridades para o realojamento compram os apartamentos. Não mandam lá negros, nem ciganos, para acabar com a recusa e o racismo. E disseminam-nos pela malha urbana.' Na Quinta da fonte, o medo de sair à rua molha as palavras de Cármen mas não lhe afoga a língua. 'Já me roubaram a mala três vezes. Tenho medo... mas não tenho remédio senão andar na rua. Limito-me ao ‘dá licença’ e ‘obrigada’. Quem dá liberdade quer conversa.' Já Chelas, que sempre foi um colorido albafeto de zonas, dialoga com muitas letras. A fama do bairro, na parte oriental de Lisboa, estacionou na consoante J. O toldo do estabelecimento de Luís Pereira, de 41 anos, demora-se antes num par de palavras: ‘Dois Unidos.’ O nome peca por defeito. São três, quatro, cinco. Muitos. Tantos. Novos e velhos. Brancos, negros, ciganos. O café e restaurante sempre deu bola a todas as raças e credos, não fosse o responsável antigo amigo íntimo dos relvados. 'Está a falar com um grande jogador!' Luís arrumou as chuteiras mas as lembranças dos encontros de futebol ao serviço do seu Sporting estão sempre fora do armário. Fez fintas e dribles ao lado de Paulo Futre ou Fernando Mendes. Integrou a selecção de esperanças. Depois os ‘leões’ rugiram a sentença do seu empréstimo. Louletano, Paredes, Bragança, União da Madeira, Açores. Até há oito anos, foi saltimbanco das quatro linhas. 'É um vício. Custou muito deixar de jogar...' Já do bairro não custa falar. 'Houve uma fase problemática no início, coisas provocadas por outros bairros, mas o nosso não é aquilo que se fala. Vim para aqui por causa do meu falecido pai. Fomos dos primeiros. Era só mato.' O pessoal é 'agarrado ao bairro', no melhor dos sentidos, jura o amigo Carlos Kassimo, de 52 anos, que põe os pontos nos is nos tempos verbais. O presente virou imperfeito mas só na oração. 'O bairro não tem problemas, ‘tinha’. Há é muitas pessoas sem casa... e muitas casas fechadas.' Nos copos, ao balcão, verte-se ‘mistura branca’. Vinho branco e gasosa dão alento às conversas. 'Não se esqueça de escrever aí: faltam coisas para os miúdos se entreterem!' Está escrito. Como escrito há muito que está que o ócio é o pai de todos os males. 'Chelas é dos problemas mais delicados que temos mas tem vindo a melhorar. As pessoas têm vindo a enraizar- -se', distingue Jorge Gaspar. O especialista em Geografia Humana e Planeamento faz um balanço positivo da generalidade dos processos de realojamento e do convívio intercultural. 'O realojamento na área de Lisboa, nos últimos 20 anos, tem seguido as melhores teorias sociológicas. A qualidade da habitação é excelente. A componente urbanística de inserção na sociedade é que é má. É tudo feito por acrescento, sem um enquadramento de construção de cidade.' Ricardo Martinez, sociólogo, tem opinião dissonante. 'Sou contra estes bairros. Estes realojamentos não ocorreram depois de um trabalho com as populações. Os próprios critérios de repartimento das pessoas estão ultrapassados. Estes depósitos foram crescendo e as pessoas tiveram a noção da descaracterização das zonas, com projectos inacabados.' O docente da Escola Superior de Educação de Setúbal, que conhece bem a realidade de um outro bairro problemático, a Bela Vista, salienta a ausência de acompanhamento das famílias ou a interligação entre as instituições e associações. 'Contra todo o discurso oficial, não há um trabalho em rede.' Neste bairro de Setúbal a rua é a lei. Vê-se. Ainda que o peso do luto cigano não deixe que a máquina ensaie sequer ao de leve a focagem. A foto que fica por tirar traja de preto. Usa chapéu. Vê com olhos azuis-celestes. Cofia barbas quase tão longas como a dor e a saudade. José não dá a cara mas oferece de bom grado a lista de excesso e lacunas na zona. Vandalismo, tráfico de droga, assaltos e degradação a mais. Baloiços para as crianças, posto médico, caixotes do lixo, um lar e um mercado para os comerciantes. Tudo a menos. 'Nascidos e criados' em Setúbal, Manuel Silva, de 59 anos – ou o ‘Silva das Calças’ –, vendedor ambulante, residente na zona amarela do bairro há mais de duas décadas, recorda os tempos em que o negócio corria de vento em popa. As feiras não tinham segredos para 'o cigano mais conhecido de Portugal!', garante. 'Ninguém nos travava. Isto aqui é uma miséria. O bairro está relaxado.' A mulher, Helena, de 56 anos, suspira: 'Se houvesse uma pracinha para vendermos de 15 em 15 dias...' Seis filhos; 23 netos; oito bisnetos. O número consegue ficar aquém das presenças em matrimónios, motivo de orgulho e prestígio. 'Eu caso as ciganas em Portugal. Vou a muitos casamentos. Daqui a pouco há um.' As netas do casal apressam-se para mais uma união num bairro onde o colorido é jurisdição exclusiva das indumentárias. Era conhecido por ‘supermercado da droga’ ou ‘Tarrafal’. Em toda a cidade, o bairro era sinónimo de crime e marginalidade. O estigma foi crescendo ao longo de décadas e a Câmara do Porto decidiu cortar o mal pela raiz. O bairro S. João de Deus, na zona oriental da cidade, foi ficando despido de betão com a demolição gradual dos seus blocos. Um problema resolvido deu origem a um por resolver: realojar as famílias que ficaram sem casa. Em tempos chegou a ter cinco mil habitantes. O Lagarteiro e o Cerco, nas imediações do ‘Tarrafal’, foram dois dos locais escolhidos para acolher as famílias que acabavam de ver as suas casas arrasadas. 'Para aqui só vieram ciganos. Estão a ocupar isto tudo. Mandaram um bairro abaixo para estragar dois', queixa-se um morador do Lagarteiro. Quem sabe bem o poder do estereótipo aos ex-moradores do S. João de Deus é Isabel Ferreira. Aos 32 anos e com quatro filhos, vive há 12 no Lagarteiro. 'No início as pessoas olhavam de lado e sei que falavam de mim nas costas. Vinha do ‘Tarrafal’ e começaram logo a associar- -me a desordens. Hoje são minhas amigas e contam-me que não gostavam de mim quando para aqui vim.' Ali sente que o bairro é 'mais fechado' aos que vêm consumir droga e o espírito de vizinhança é um facto. Cristiano chegou ao bairro bebé e agora, com 14 anos, não desmente a mãe. 'Posso brincar e andar de bicicleta. É melhor que o S. João de Deus.' O cenário muda mas os relatos não. Também ao bairro do Cerco chegaram inúmeras famílias do S. João de Deus e o realojamento das famílias ciganas não agradou a todos. A família Calhaço mudou-se há sete meses para o bairro. Estão melhor que no S. João de Deus? 'Sem dúvida', dispara Luís Calhaço, rodeado dos três filhos e da esposa Alexandrina. 'Viemos porque a minha sogra conseguiu uma casa. Há oito anos que ando a pedir à Câmara uma habitação para a minha família e não tenho resposta', afirmou Luís. Vivem do rendimento mínimo: 'Nem carro tenho para ir vender às feiras. ' PASSADO, PRESENTE E FUTURO DA HABITAÇÃO SOCIAL Em 1918 foi institucionalizada a habitação promovida pelo Estado mas até à década de 30 não saíram do papel projectos de bairros como o do Arco do Cego ou Ajuda/ /Boa-Hora. O Estado Novo promoveu a construção de ‘bairros de casas económicas’. Em 1926, a CM de Lisboa iniciou o ‘estudo de bairros operários’, que dois anos depois se reflectiu no projecto dos Novos Bairros. O bairro do Alvito, primeiro a ser erguido, foi piloto neste empreendimento, que viria a estender-se até ao final da década de 60. Apareceram bairros como a Encarnação, bairro de Santa Cruz ou bairro da Madre de Deus. Após o 25 de Abril, a cidade transbordou além dos seus limites, surgindo grandes complexos urbanos na Amadora e Almada, aqui facilitados pela existência da Ponte 25 de Abril. Em Maio deste ano anunciou-se o fim dos bairros sociais. Em vez de mandar construir mais fogos para as 40 mil famílias que têm necessidade imediata de habitação, o Estado deverá dinamizar o mercado de arrendamento e ser ele próprio a adquirir ou arrendar imóveis, para constituir uma bolsa de fogos. Esta é uma das propostas incluídas no Plano Estratégico da Habitação (PEH), que atribui às câmaras municipais um papel preponderante. DADOS DO REALOJAMENTO O Programa Especial de Realojamento (PER) apareceu em 1993, prometendo erradicar as barracas. Quinze anos volvidos ainda há famílias por realojar nas grandes cidades. Segundo a GEBALIS, empresa que gere os bairros municipais de Lisboa, a cidade tem 67 bairros sociais, com cerca de 25 mil casas, onde habitam 87 mil pessoas. É na freguesia de Marvila que se localiza o maior número de bairros sociais (dez). Os mais populosos são o do Padre Cruz (8793 habitantes) e do Condado – Zona J, em Marvila (6869 pessoas). O Bairro do Presidente Carmona, na freguesia do Alto do Pina, é o mais antigo da capital, tendo sido edificado em 1927. O bairro mais recente é o da Alta de Lisboa Centro, criado em 2007 e que se situa entre as freguesias da Charneca e Lumiar, com 62 049 habitantes. No Porto, 42 575 pessoas distribuem-se por 49 bairros sociais. Destacam-se os das freguesias de Paranhos e Campanhã, os bairros de Lordelo do Ouro, a área do centro histórico e da Baixa e a zona industrial da cidade, que inclui Aldoar e a freguesia de Ramalde. BAIRRO DA BELA VISTA Os primeiros realojamentos realizaram-se em 1980 e contemplaram residentes em barracas e refugiados das ex-colónias. Segundo dados da Câmara de Setúbal, contam-se 265 fogos em propriedade privada e 572 arrendados. O assassínio do jovem cabo-verdiano Tony, em Junho de 2002, é um dos episódios negros. QUINTA DA FONTE São 786 fogos de habitação, onde foram realojadas 480 famílias em 1996, mais 350 do que as inicialmente previstas. A população é maioritariamente jovem – cerca de 50% dos mais de 2500 habitantes têm menos de 15 anos. Os realojamentos no concelho de Loures, que deveriam estar concluídos em 2005, deverão estender-se até 2009. Prevê-se realojar, até à data mencionada, cerca de 1300 famílias ainda à espera de habitação. BAIRRO DE CHELAS Bairro da freguesia de Marvila, em Lisboa, o segundo mais populoso da capital, é composto por zonas, como a I, M, N ou J, uma das mais conhecidas e que deu origem ao filme homónimo. Situado na parte oriental da cidade, o bairro desta zona foi desenhado pelo arquitecto Tomás Taveira e concebido de origem para ser pintado com as cores invulgares visíveis na foto acima. Apesar de ser marcada por incidentes e de viver ainda sob o estigma de bairro problemático, os moradores acreditam que os ânimos têm vindo a amainar. BAIRRO DO LAGARTEIRO Em Setembro de 2004, um conjunto de moradores enfurecidos por falta de casa decidiu ocupar várias habitações devolutas do bair-ro. A carga policial foi grande. Inaugurado em 1973, o bairro foi ampliado em 1977, passando de 248 para as actuais 446 habitações. O projecto governamental de requalificação Bairros Críticos, que deverá estender-se até 2012, abrange o Lagarteiro, a Cova da Moura e o Vale da Amoreira, a sul. BAIRRO DO CERCO Um tiroteio em Maio deste ano alarmou o bairro portuense. Dez homens entraram no Bloco 2 de pistolas em punho e os alvos eram Pedro, conhecido pela alcunha de ‘Pitbull’, e a namorada, Elizabete. Os suspeitos dispararam para as pernas e fugiram, depois de terem começado por ameaças de tiros no peito. O Cerco, que em 1991 cresceu em mais 88 fogos, tem 3069 habitantes. Maria Ramos Silva/João Carlos Malta in http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=CF186963-CE25-4A52-80AC-AB1313A70669&channelid=00000019-0000-0000-0000-000000000019
  12. Lisboa: Objectivos do plano de reconstrução do Chiado atingidos 20 anos depois 2008-07-19 01:37:49 Lisboa, 19 Jul (Lusa) - Vinte anos depois do grande incêndio do Chiado, foram "atingidos e estão perceptíveis" os objectivos do Plano para a Reconstrução da Área Sinistrada, segundo disse à agência Lusa o arquitecto coordenador do projecto. Jorge Carvalho, que foi o "braço direito" de Álvaro Siza Vieira no projecto, explicou que "foram introduzidas melhorias nas ligações urbanas entre a Baixa e a Alta [Chiado], foi integrada uma estação de metro e criou-se habitação como factor de revitalização e segurança da zona". "Agora vê-se vida intensa no Chiado a várias horas do dia. Há 20 anos, o incêndio demorou a ser notado e a ser dado o alarme devido à inexistência de habitação", reiterou. O arquitecto, que coordenou o plano entre 1991 e 2001, falou com a Lusa na sexta-feira, à margem de uma visita guiada ao Chiado promovida pela Ordem dos Arquitectos, no âmbito dos 20 anos do incêndio que deflagrou a 25 de Agosto de 1998 naquela zona da cidade. Mas ainda há pelo menos um objectivo por cumprir. "Falta o último troço de uma ligação pedonal através de escadas, que ligam um pátio criado na traseiras de alguns prédios da Rua do Carmo ao Convento", contou. Segundo explicou, a ligação ainda não foi concretizada "por problemas com propriedade". Revitalizar o Chiado foi, na altura, para um jovem arquitecto, "um grande desafio e uma grande lição, com a responsabilidade acrescida de ser uma zona central da cidade com um grande simbolismo". Quando olha agora para o Chiado, Jorge Carvalho vê "uma cidade que parece existir há já muito tempo". "A intervenção pós-incêndio felizmente está escondida e é ela que possibilita esta vida que se vê, e isso é gratificante", disse. No edifício onde antes do incêndio ficavam os Armazéns do Chiado está agora instalado um centro comercial com o mesmo nome que, garante o arquitecto, "mantém algo da estrutura original". "A estrutura espacial do edifício, que foi projectado no século XVIII, era baseada em dois pátios à volta de um corpo central, essa estrutura forte mantém-se. O centro desenvolve-se entre dois pátios cobertos com vidro", explicou. A ideia inicial para aquele edifício era a de instalar ali um hotel, que ocupasse a maior parte da área. Além do hotel haveria ainda zonas comerciais. "O centro comercial tem a vantagem de diversificar horários, como o hotel teria. O que permite a permanência de pessoas pelo Chiado a horas mais tardias do que na Baixa", afiançou. Visivelmente satisfeito com o trabalho realizado na zona, Jorge Carvalho guiou um grupo de curiosos pelos locais de intervenção do plano. "Voltar a falar do Chiado agora que está vivido e usado é extremamente grato", Jorge Carvalho com os presentes antes de dar inicio à visita guiada. JYS. Lusa/fim in http://aeiou.visao.pt/Pages/Lusa.aspx?News=200807198565866
  13. Fundação: Assinatura do protocolo de cedência da Casa dos Bicos Saramago surpreendeu ontem os participantes de uma cerimónia na Câmara Municipal de Lisboa ao afirmar, sem deixar transparecer traço de ironia: "Posso garantir, depois de ter consultado especialistas em carne, que a Casa dos Bicos não é bife do lombo." Algumas gargalhadas soaram entre a centena de pessoas que assistiu à assinatura do acordo da Fundação José Saramago com a Câmara de Lisboa para a cedência do histórico edifício. Poucos conheciam, de facto, a origem da afirmação. No entanto, com esta frase o Nobel da Literatura, cuja figura reflecte o peso dos 85 anos, fez prova de que não perdeu o sentido crítico. A cedência da Casa dos Bicos foi polémica no seio da reunião da vereação na quarta-feira passada. Houve quem tivesse usado palavras surpreendentes. José Manuel Ramos, vereador eleito pelo movimento Lisboa com Carmona, contrário ao acordo, disse então: "A Câmara de Lisboa está a ceder os bifes do lombo quando podia ceder os bifes da vazia ou da alcatra." Ontem não se falou apenas de carne no belo salão nobre da autarquia lisboeta. Na incisiva intervenção, a mulher de Saramago e presidente da fundação, Pilar del Río, invocou a qualidade de dona de casa, que também é a sua, ao deixar expresso que a instituição "não serve para fazer omeletes", mas "para multiplicar o pão e os peixes." Saramago também falou a sério. O propósito da fundação "é honrar a Casa dos Bicos com trabalho, espírito de iniciativa e vistas largas", anunciou. O papel de "animação e agitação" que a fundação exercerá na Baixa e em toda a capital foi elogiado pelo presidente da edilidade, António Costa, ‘pai’ do acordo ontem assinado. "Não devemos ter medo de homenagear quem merece ser homenageado", disse o autarca. José Luís Feronha in http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=9A1D7FB3-8069-4F1D-A139-50FD9E41F54D&channelid=00000013-0000-0000-0000-000000000013 Fundação Saramago vai ocupar edifício histórico em Lisboa Lisboa, 17 jul (Lusa) - A Fundação José Saramago vai ocupar o edifício histórico da Casa dos Bicos, em Lisboa, com um projeto que promove literatura, direitos humanos e meio ambiente e não leva "nos ombros" o seu patrono, afirmou o escritor português. "Só em circunstâncias muito excepcionais é que a Fundação José Saramago se ocupará da pessoa que lhe deu nome", disse o autor prêmio Nobel de Literatura. O acordo entre a fundação e a Prefeitura de Lisboa para ceder a Casa dos Bicos foi assinado em Lisboa nesta quinta-feira, um dia depois de ter sido aprovado em reunião do Executivo municipal. Saramago se comprometeu a "honrar a Casa dos Bicos com trabalho, com espírito de iniciativa, com vistas largas" e afirmou que um dos objetivos centrais da fundação é a promoção dos direitos humanos. O escritor recordou que abordou no discurso de agradecimento do prêmio Nobel, em Estocolmo, a "porta que se abriu" com a Declaração Universal dos Direitos do Homem. "A porta fechou-se. É preciso abri-la, arrombá-la. É preciso agitação", afirmou. Iniciativa O projeto da fundação engloba a promoção do meio ambiente e da literatura, e depois de uma conferência sobre o escritor luso Jorge de Sena, estão previstas ações sobre a obra de José Rodrigues Miguéis, Raul Brandão e Almada Negreiros. "É uma fundação sui generis que não vai fazer o que em princípio seria a sua vocação: pegar no seu patrono, colocá-lo em ombros e passeá-lo pelo mundo", disse o escritor. A presidente da fundação, Pilar del Rio, também afirmou que a instituição não nasceu para "promover a literatura de José Saramago". "Para isso existem os seus editores. Existimos para coisas mais importantes, encontrarmos o que de mais nobre tem o ser humano: o pensamento, a agitação, a rebelião", disse. A fundação nasceu para "vincular emocionalmente o patrimônio literário à vida real", ao contrário do que muitas vezes acontece, quando "os livros vão por um lado e a vida por outro", afirmou. O prefeito de Lisboa, António Costa, disse acreditar que a fundação vai ajudar a promover a revitalização do local onde será instalada. "Quanto mais aquele edifício for um centro de agitação, mais animação teremos". As obras de adaptação da Casa dos Bicos deverão começar no início de agosto, quando o edifício estará disponível, e serão feitas em parceria com a fundação e sob a orientação do arquiteto Manuel Vicente, responsável pelo projeto de recuperação do imóvel. "O nosso objetivo é que nos próximos meses a fundação entre em funcionamento em pleno na Casa dos Bicos", disse aos jornalistas António Costa. O prefeito de Lisboa não quis adiantar prazos para a conclusão dos trabalhos que, afirmou, serão "pequenas obras de adaptação" que vão contar com o apoio do Cassino de Lisboa. O primeiro-ministro português, José Saramago, afirmou que vai doar "12 ou 13 mil livros" da sua biblioteca para Lisboa, embora ainda não saiba se a Casa dos Bicos irá receber o acervo. in http://www.agencialusa.com.br/index.php?iden=17613
  14. maps.live.com
  15. Conheça o projecto que pode salvar o bairro do Aleixo Projecto de arquitectura distinguido permitiria manter os moradores no bairro a custos reduzidos Demolição é a palavra que, nos últimos dias, mais surge associada ao bairro do Aleixo. O PortugalDiário descobriu um projecto que poderia «salvar» as cinco torres com vista para o Douro. Em Dezembro de 2007, a arquitecta Ana Lima, na altura ainda finalista da Universidade do Porto, propôs, uma solução mais económica do que a demolição e que manteria os moradores onde eles querem ficar: no Aleixo. Para o presidente da câmara do Porto, a reabilitação do bairro é «um desperdício de dinheiro». Às vozes discordantes que se ouvem contra a orientação camária, surge um projecto capaz de requalificar e não destruir o Aleixo. Mais espaço, luz e uma melhor disposição interna são apenas alguns dos pontos abordados por Ana Lima no seu projecto de licenciatura, que lhe valeu uma menção honrosa na sexta Bienal Ibero-Americana de Arquitectura e Urbanística. «Demolir e voltar a construir fica mais caro», esclarece a arquitecta ao PortugalDiário, que se inspirou no trabalho de uma dupla de arquitectos franceses, Lacaton & Vassal, e apresentou um projecto que poderia revolucionar as torres do Aleixo. Deparou-se com falta de informação e pouca colaboração, por parte da câmara, na altura em que realizava o projecto. Mas os entraves não a demoveram de abraçar esta ideia. Rui Rio «não gosta dos pobres» O outro lado do Aleixo As paredes degradadas, que tendem a deixar cair pedaços sobre quem passa na rua, seriam substituídas por fachadas modernas; a criação de amplos halls de entrada, a duplicação dos elevadores e profundas alterações na cave, que passaria a dispor de lojas com acesso ao exterior, mudariam a cara do Aleixo e permitiriam demonstrar uma real preocupação com o espaço e a comodidade dos habitantes. «Este projecto procura não violentar as populações que lá vivem e que já tiveram de se mudar uma vez, da Ribeira para o Aleixo. O projecto procura trabalhar para as populações». «Os pobres não têm direito a ter vista para o rio» Rio Fernandes, geógrafo e professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, explicou ao PortugalDiário a visão que tem da proposta da Câmara do Porto. «Primeiro vejo o projecto como uma solução para um erro cometido no passado. Segundo como uma alteração política de Rui Rio e terceiro com apreensão, porque ninguém esclarece, não há informação». De acordo com Rio Fernandes, é importante respeitar a vontade das pessoas: «Quem quer ficar devia poder ficar». O professor considera que este tipo de solução apenas aumenta a desigualdade social. «As classes mais altas situam-se junto ao rio, ou seja, na zona ocidental da cidade, as classe mais baixas concentram-se na parte oriental do distrito, porque os pobres não têm direito a ter vista para o rio», ironizou. Pobres de um lado, ricos do outro, igual a violência Rio Fernandes salientou ainda o facto de há já muito tempo, pelo menos desde meados de 1970, que nenhum tipo de habitação social é construída na zona da Foz, de Leça da Palmeira, ou seja, na zona ocidental e que cada vez mais surgem bairros deste tipo em, por exemplo, Gondomar e Fânzeres, na zona oriental da cidade. «A demolição pode ser um "óptima" oportunidade de juntar pobres a pobres e ricos a ricos promovendo uma assimetria social, uma dualidade que pode resultar, como já aconteceu em outros países (Brasil), num aumento da violência». O geógrafo alerta para o perigo da «segregação» social, quando «a cidade é uma mistura: não se pode resolver o problema num sítio e criar-se noutro». in http://diario.iol.pt/sociedade/aleixo-ana-lima-requalificacao-projecto-alternativo-arquitecta-rio-fernandes/973239-4071.html
  16. 13 Julho 2008 - 00h00 Paulo Mendes Rocha Um museu elevado para acomodar relíquias da nossa História O autor da futura sede do Museu dos Coches atribui à obra três características. Simples. Sóbria. Suspensa. Paulo Mendes Rocha, vencedor da distinção sublime Pritzker, é o arquitecto eleito para edificar um espaço que combina museologia com urbanismo e que se propõe preservar o passado com a tecnologia do futuro Elevado do chão. Suspenso no ar. Apoiado por colunas. E será branco. Obviamente branco. As cores garridas e os dourados chegam do portento dos artefactos. O futuro Museu do Coches, situado nos terrenos das antigas Oficinas Gerais do Exército, em Belém, onde ainda se encontram instalados os serviços do ex-IPA (Instituto Português de Arqueologia) foi idealizado com clareza e concebido para ganhar a dimensão que enobrecesse as genuínas relíquias da História de Portugal; 15 000 metros de área bruta de construção resumem-se ao tamanho corpóreo do desafio. O autor desta sobrenatural rajada de arte na cidade de Lisboa é um homem encantador. O adjectivo é literal. Paulo Mendes Rocha, que em boa hora aceitou o convite do Governo de José Sócrates, figura de grandiosidade humana, mestre de uma comovente visão universalista da vida, do Mundo, do Homem, nasceu a 25 de Outubro de 1928, ano de excelente casta, em Vitória, Brasil, mas, em sua opinião, não existem arquitectos brasileiros, búlgaros ou portugueses. A verdadeira questão da nacionalidade reside unicamente no conhecimento. O projectista urbanista que dará continuidade à iniciativa da Rainha Dona Amélia tem um curriculum que não cabe em textos com caracteres limitados. É artífice capaz de transformar a paisagem e o espaço, um criador de desenhos arrojados que se equilibram na natureza, criatura poética inspirada nos princípios e linguagem do Modernismo. Em 2006 o júri que lhe concedeu, com eminente mérito, o Prémio Pritzker, não poupou elogios à sua imaginação criadora: 'Paulo Mendes Rocha demonstrou um profundo entendimento de espaço e escala através da grande variedade de edifícios que projectou... Alguns dos seus prédios foram executados fora do Brasil, mas as lições a serem aprendidas do seu trabalho são universais'. Paulo Mendes Rocha gosta de muita coisa, menos de falar de galardões. Recebeu os mais emblemáticos, mas 'porfavornãofaledisso.' Acende um cigarro. E vão dois, contando com o Marlboro da jornalista. As suas palavras representam tiros secos, ensinamentos, que poderiam, se quisesse, se vestisse outro espírito, matar tantos peitos ocos que andam por ali, e por acolá, a transbordar de orgulho. A imensidão da sua personalidade viaja longe: 'O Prémio, os Prémios, resumem-se a uma única evidência: é o reconhecimento de que o Homem está em qualquer lugar.' Ateu convicto, alma de inteligência intensa e prática, Paulo Mendes Rocha prefere dissertar sobre as obras, que, afinal, nunca ficam definitivamente concluídas: 'Ao longo do tempo, há sempre complementos a adir nas construções'. A Arquitectura é intemporal. Não somente. É a mística transformação de seres e forças que unem o universo de maneira inesperada. Um discurso do que se pretende dizer através da forma. Um aviso. Ou um modo de discernimento similar ao diagnóstico. E os arquitectos, tal como os pilotos e os médicos, não podem, não devem ser 'modestos'. As consequências seriam terríveis. Os passageiros do avião morreriam. O doente passaria a defunto. A edificação provocaria calamidades. Entenda-se. Sinta-se. A verdade. A interdição à modéstia simplesmente serve para aludir a séria responsabilidade profissional. O vencedor da distinção equivalente ao ‘Nobel da Arquitectura’ prima pela tocante ausência de vaidade. Quando disse sim à incumbência governamental portuguesa, Paulo Mendes Rocha reagiu como lhe é habitual: 'Com aflição. Nada se faz sem angústia. O que move o Homem é a urgência da angústia. E por tal, eu me mobilizei.' Convidou o arquitecto Ricardo Bak Gordon para o representar em Portugal e o engenheiro Rui Furtado para cuidar das questões de engenharia. 'Ambos aceitaram e foi feita uma parceria.' Bendita angústia. É o caso. O resultado da tribulação premente criativa originou um excelso rebento: um projecto merecedor de aplausos e ‘encores’. Apresentado ao público na quarta-feira no terreno onde se elevará o tão esperado Museu dos Coches, com a presença de Manuel Pino, ministro da Economia e da Inovação, José António de Melo e Pinto, ministro da Cultura, e de um mar de rostos conhecidos da Arquitectura e das Letras, o plano geral da obra fala por si: 'É suspenso, simples e sóbrio para que brilhem os coches.' E grande. Enorme. Infinito. Não somente pela sua magnificente manifestação física, da mágica estrutura metálica, de uma parede branca que se adivinha imensa, quase sem fim, e de uma sala maior que um campo de futebol, mas, sim, e sobretudo, pela imponência sensível de imortalizar e preservar a memória de um Povo. 'O Museu não vai ser transformado em outro Museu, apenas irá progredir na sua genealogia', afinca o mentor, lembrando que o museu ficará adaptado ao século da eternidade, já que os artefactos contarão com uma acérrima manutenção; a luz, a temperatura e a humidade serão controladas ao pormenor, o que permite um detalhe deveras incomensurável: 'A relíquia irá ficar infinitamente preservada para a Humanidade sob a guarda de Portugal.' Paulo Mendes Rocha, apesar de poeta das formas, dispensa metáforas. É directo. Trata o assunto com sentido denotativo. Chama-lhes 'tesouros'. Aos coches. Às berlindas. Às carruagens. Seges. Aos carrinhos de passeio. Às liteiras. 'São peças preciosíssimas', maravilhas ornamentadas a ouro estreme e forradas a veludo requintado, que, sem margem de dúvidas, constituem uma colecção considerada, e com justiça, única neste Mundo e no outro, devido à variedade artística das soberbas viaturas datadas dos séculos XVII, XVIII e XIX, outrora utilizadas pelas cortes europeias até ao surgimento do automóvel. O futuro Museu dos Coches, associado a alta tecnologia, será, então, uma sentida e gentil 'caixa que vai guardar este tesouro'. Um depósito, um cofre, um cosmos arquitectónico, construído a 4,5 metros do chão, por baixo do qual o espaço aberto ficará sem restrições. Esta decisão, planeada ao milímetro, assentou em vários factores, nomeadamente não impedir o trânsito de pessoas que passam na carismática zona de Belém e para que o Tejo seja visto sem armadilhas. Omuseu divide-se em dois espaços principais - Pavilhão Expositivo e Pavilhão Anexo, sendo que o primeiro engloba 'áreas expositivas, públicas, técnicas e de apoio à conservação dos coches' e o segundo inclui 'áreas administrativas, o auditório e o restaurante com vista para os Jerónimos'. Estes dois recintos ficarão ligados por um passadiço, 'destinado ao pessoal técnico e administrativo do Museu'. Apesar dos atrasos do intento pretendido da Frente Ribeirinha, da demissão de José Miguel da sua liderança, o Museu dos Coches, cujo custo sobe aos 31,7 milhões e com financiamento assegurado pelo Turismo de Portugal, verá as suas obras iniciadas no próximo Setembro e abrirá as portas ao público em 2010. Palavra do senhor ministro da Economia. PREOCUPAÇÃO DA RAINHA COM CARROS DE GALA O Museu dos Coches, o mais visitado do País, foi inaugurado a 23 de Maio de 1905 pela rainha D. Amélia, mulher do rei D. Carlos, que se propôs salvaguardar os carros de gala da Casa Real, ciente do seu valor patrimonial. O espólio podia assim ser apresentado ao público, à semelhança que acontecera, pela primeira vez, na Exposição Universal de Paris, em 1900. O Picadeiro Real de Belém, que deixara de ser utilizado, e onde já se armazenavam algumas das viaturas, foi o local escolhido para acolher a mostra. NOVA VIDA PARA FRENTE RIBEIRINHA O novo edifício do Museu dos Coches, localizado na Avenida da Índia, em Lisboa, inscreve-se no projecto de revitalização da frente Tejo lisboeta. As obras arrancam em Setembro deste ano, estando a sua conclusão prevista para Outubro de 2010. A sua área de construção de 15 177 m2 inclui diferentes espaços e funções. À exposição permanente associam-se a extensão cultural, a zona de apoio ao visitante, os serviços técnicos, áreas de apoio científico, educacional, cultural e administrativo e 540 m2 de área útil reservada à restauração. OS MAIS IMPORTANTES PRÉMIOS DE ARQUITECTURA Paulo Archias Mendes da Rocha é formado em Arquitectura e Urbanismo pela Universidade Mackenzie de S. Paulo. Autor de projectos como o Museu Brasileiro da Escultura e do pórtico localizado na Praça do Patriarca, ambos em S. Paulo, cidade onde passou a maior parte da vida, foi professor na Faculdade de Arquitectura e Urbanismo até 1998, ano em que se retirou da docência. Multipremiado, conta no seu curriculum distinções como o Prémio Mies Van Der Rohe pelo projecto de reforma da Pinoteca de São Paulo (2001) e o Prémio Pritzker em 2006. Miriam Assor in http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=759750E8-C7C8-4B5C-BC92-168FD30A5DAB&channelid=00000019-0000-0000-0000-000000000019
  17. Passam três propostas e dois arquitectos para segundo concurso da Biblioteca Central Construção em branco Já se sabe quem apresentou as três melhores ideias para a futura Biblioteca Central de Macau. Os dois arquitectos vencedores são os únicos que vão receber convites para desenvolver a proposta mas o funcionamento do segundo concurso ainda está em aberto. O Instituto Cultural informou ontem que o regulamento será feito pelo RIBA. As críticas já se fazem ouvir. Sónia Nunes Conheceram-se ontem os resultados do concurso de ideias para a futura Biblioteca Central de Macau. O júri outorgou quatro menções honrosas (o regulamento apontava para cinco); o primeiro e segundo lugar foram atribuídos ao mesmo arquitecto que em quatro meses preparou duas propostas para o antigo edifício do Tribunal e ainda não há nada que tutele a segunda etapa do projecto. A presidente do Instituto Cultural (IC) reitera a transparência do processo e garante que nada há a esconder. Durante a conferência de imprensa de ontem, Heidi Ho manteve o registo evasivo e sobre a próxima fase de construção disse apenas que não iria além das três propostas seleccionadas. Já durante a noite fez saber, por nota de imprensa, que contratou o Instituto Real de Arquitectos Britânicos (RIBA) como consultor. Os arquitectos aguçam as críticas e continuam sem perceber por que se dividiu a competição em duas fases. Sendo esta a opção, fica por esclarecer o título de vencedores em vez de pré-seleccionados. O júri seleccionou três propostas. O primeiro e segundo lugar foi entregue a Vong Man Cheng e o terceiro a Chio Wai Tong. Apesar de o colectivo ter, por várias vezes, enaltecido a qualidade dos 31 trabalhos a concurso, decidiu que apenas “quatro tinham direito a nomeação honrosa” – não foram apresentados argumentos. Os títulos de obra seleccionada foram entregues, sem ordem, a Carlos Marreiros, Chan Hou Meng, Maria Carlota Proença de Almeida e Michael Kai Wong. O presidente do colectivo, Milton Tan, esclareceu que “é normal e comum” um mesmo arquitecto submeter duas propostas a concurso e foi parco em comentários sobre a decisão do IC em estipular duas fases de competição. “A divisão por fases, por vezes mais do que duas, está a ficar mais popular. Por uma razão muito simples: é um método que permite uma melhor economia de tempo e recursos”, afirmou. Se a politica é a mais certeira, “depende da natureza do projecto. Se for exigente é melhor que seja dividido por fases”, observou – durante a apresentação dos vencedores os jurados foram unânimes em considerar que as propostas para a Biblioteca Central eram de difícil execução. A justificação apresentada por Heidi Ho aquando da abertura pública das candidaturas (a 24 de Junho) foi, no entanto, outra. A presidente do IC legitimou a opção com a vontade do Governo em ter o número mais amplo possível de participantes, todos os arquitectos inscritos na DSSOPT. A fundamentação – aliada à obrigatória cedência dos direitos patrimoniais e ao direito da organização em “utilizar qualquer proposta premiada como base ou referência para o projecto arquitectónico da Biblioteca” – foi interpretada por alguns profissionais como sendo um escape à possível incapacidade técnica dos autores seleccionados por permitir que o projecto seja desenvolvido por outros arquitectos. Leitura que, de resto, nunca foi confirmada nem desmentida pelo IC. Em termos práticos, os convites para a segunda fase serão entregues a dois arquitectos. Porém, Heidi Ho não sai daqui: “Nesta fase serão entregues convites ao primeiro, segundo e terceiro classificados. É lógico. De certeza absoluta que não vai sair da concepção das três propostas vencedoras”, afirma. Os termos da segunda fase continuam em aberto. Não se sabe se os premiados vão desenvolver autonomamente o projecto ou se será feito uma colisão de ideias, uma espécie de best-off dos três desenhos escolhidos. “Não existe nenhum secretismo. No momento oportuno será conhecido o regulamento. Tem ainda que ser definido. Há aspectos, como o modo de funcionamento do concurso, que têm que ser ponderados”, declarou Ho. A competição será aberta “num futuro breve”, sendo que os arquitectos “podem ficar descansados que vão ter tempo para preparar os trabalhos”. Assim falou a presidente do IC por volta das 13h00 de ontem. Um óvni chamado RIBA Heidi Ho referiu, ainda durante a sessão pública de 24 de Junho, que os trâmites para a segunda fase seriam feitos a partir do relatório do júri divulgado ontem. “Está dependente da organização e da escolha que fizer para seguir em frente”, contrapôs o presidente do colectivo e membro do Ministério de Informação, Comunicação e Artes de Singapura, Milton Tan. Quanto à cedência dos direitos patrimoniais o arquitecto não diz que é uma regra “normal”. É, antes, “uma condição de um contrato assinado entre os concorrentes e a organização” – a justiça “depende do que se recebe em troca”, rematou. O regulamento não prevê quaisquer contrapartidas económicas. Já durante a noite, o IC publicou um comunicado em que se lê que “convidou” o Instituto Real de Arquitectos Britânicos para “acompanhar, na qualidade de entidade consultiva, a segunda fase” do projecto. Mais: “Todo o regulamento, bem como os procedimentos para a selecção do vencedor da próxima fase, serão da responsabilidade desta instituição”. A súbita referência ao RIBA surpreende os arquitectos que aceitaram as regras do jogo do IC. “É completamente desadequado. Há a União Internacional dos Arquitectos, afecta à UNESCO e com secções regionais – no caso de Macau, a Associação dos Arquitectos – que tem um grupo de trabalho que é chamado a servir de suporte ou para organizar concursos”, aponta Mário Duque, um dos arquitectos preteridos pelo júri. Já para a organização, o RIBA, criado em 1837, “é das mais importantes e influentes instituições de arquitectura a nível mundial” e conta com um Gabinete de Competições que opera com “o máximo de profissionalismo e objectividade no âmbito de concursos de design arquitectónico”, sublinha a nota. Concurso a duas caras O vice-presidente da Associação dos Arquitectos, um dos maiores entusiastas à iniciativa lançada pelo IC e um dos candidatos que não passou pelo crivo do júri, Rui Leão, lança as primeiras críticas à organização. Não percebe porque é que numa competição estabelecida em duas fases há premiados e não encontra uma razão para que nada disto tenha vindo escrito no primeiro regulamento. Está à espera de explicações. “Quando se estabelece um concurso por fases não há nem primeiro nem segundo lugar. Há pré-seleccionados. Caso contrário os candidatos não estão em pé de igualdade para a segunda fase. É, antes de mais, um acto democrático: ninguém concorre para perder”, observa. O articulado que tutelou a primeira fase não estipula etapas para o processo – daí a necessidade de se criar um novo regulamento para ancorar a construção do desenho conceptual. Foi a interpretação ao polémico artigo 10º que fez antever o faseamento da competição, confirmada, entretanto, pelo IC. “É muito esquisito que não haja nada que prefigure uma segunda fase. Foi revelada a meio do processo, o que me parece legalmente incorrecto. Houve um regulamento que foi acordado entre as duas partes e foi nessas condições que os candidatos aderiram ao concurso. É uma questão de legitimidade”, apontou Rui Leão. O arquitecto reconhece que lhe fica “mal criticar o concurso nesta altura” mas aponta o dedo ao painel dos jurados. Por dois motivos, que nada têm que ver com a “decisão soberana e isenta” do colectivo: “Estava à espera de um júri realmente internacional. Tirando um dos membros, que é irlandês, o restante painel é chinês. Parece-me haver aqui uma imagem de patriotismo”, avança. Também o perfil dos jurados podia ter sido alargado: “Metade do júri são bibliotecários ou professores de arquitectura. Devia haver mais arquitectos em exercício. A arquitectura chinesa é boa mas caminha para a internacionalização. O que não quer dizer que os professores de arquitectura chineses sejam de primeira água”, acrescenta. Já como vice-presidente da AA, Rui Leão reitera a obrigação de apoiar a iniciativa do IC e em “ter confiança”. “É fundamental para que as instituições se apercebam que a distribuição do trabalho tem de ser feita por concurso”, justifica. “Fico feliz. É bom e lisonjeiro”, comenta Carlos Marreiros sobre a menção honrosa que ontem recebeu. O arquitecto entende que “é prática comum” um mesmo arquitecto submeter duas propostas a concurso e não apresenta objecções em relação ao processo. “O regulamento pode ser melhorado mas nada tenho contra este modelo. Não sendo perfeito, é o primeiro concurso de arquitectura da RAEM. Como ex-presidente da AA sempre pugnei por este tipo de iniciativas. Daí a minha participação. Resta-me felicitar os vencedores e esperar que tenhamos uma biblioteca de qualidade”, concluiu. Ponderação do Júri Segundo Milton Tan, foram entregues trabalhos com muita qualidade e destaca que “em muitos casos, os esforços e os recursos investidos nas propostas foram notáveis”. Para o presidente do júri a maioria das obras manteve a fachada do antigo Tribunal e da sede da Policia Judiciária mas notam-se situações em que não “houve uma apreciação mais profunda sobre o significado” dos aspectos históricos do edifício. O arquitecto considerou também que “em várias propostas entregues, observa-se que os elementos antigos e modernos estão em conflito”. Os melhores desenhos foram, assim, os que “tentarem compatibilizar a geometria e o espírito do local, incluindo um sentido de renovação sobre a chegada à biblioteca pelas entradas da fachada principal, posterior e lateral”. O painel “lamenta a aparente ausência da capacidade de “contar histórias” que algumas propostas revelam” e fala em “rotina de estantes e secretárias alinhadas em fila” – o que foi interpretado como “reflexo da falta de entendimento dos participantes sobre a transformação profunda que tem vindo a alterar o design de bibliotecas, preparando-as para a era digital”. O desafio, esclarece, estaria em pensar o espaço como uma “praça ou mercado público” e devia ter em conta conceitos como mobilidade, fluxo de pessoas (adolescentes e adultos) e poupança de recursos energéticos. O júri destaca ainda que espaços tecnológicos não podem ser resumidos a salas com computadores. “A Biblioteca Central tinha de ser o novo pilar de Macau”, ilustrou Milton Tan. Já o professor Zhaoye Guan realça que os arquitectos que transitaram para a segunda fase vão enfrentar novas metas. “É uma obra muito difícil. As exigências são elevadas”, afirmou. O júri reuniu-se de 11 a 14 de Julho e organizou um total de sete rondas de votos para emitir o veredicto final. “ A escolha foi muito natural”, comentou o director da biblioteca de Xangai, Jianzhong Wu. in http://www.hojemacau.com/news.phtml?id=29574&type=culture&today=15-07-2008
  18. Arquitectura de hotéis em exposição no Algarve Inaugura-se no dia 26 de Julho a exposição “Reacção em Cadeia: Transformações na Arquitectura do Hotel”, em Loulé, no antigo Lagar das Portas do Céu. Uma iniciativa no âmbito do programa Allgarve, e na qual serão também apresentados os catálogos Arte Contemporânea Allgarve'08. Comissariada pelo arquitecto Luís Tavares Pereira, Reacção em Cadeia é a última exposição a ser inaugurada no programa de arte contemporânea do Allgarve’98. O primeiro núcleo da exposição abriu ao público na Quinta da Fonte da Pipa, em Loulé, a 21 de Junho. Com a participação de um grupo de conceituados hoteleiros, arquitectos e artistas, “Reacção em Cadeia” explora o impacto mútuo entre turismo e arquitectura, incidindo sobre o hotel como “unidade de cruzamento de uma sociedade em movimento, que reflecte algo mais focado para a experiência pessoal e diferenciação, sobrepondo-se à “Indústria””, como expresso em comunicado. A exposição conta com projectos de arquitectos portugueses e estrangeiros, com o trabalho do fotógrafo Paulo Catrica e do escritor Jorge Gomes de Miranda. Siza Vieira, Souto Moura, Gonçalo Byrne, Carrilho da Graça, Manuel Taínha, Jean Nouvel, Steven Holl, Zaha Ahdid, Tadao Ando, são apenas alguns dos sessenta arquitectos e gabinetes representados na exposição. Na inauguração da exposição Reacção em Cadeia, a 26 de Julho, serão também apresentados os catálogos de Arte Contemporânea Allgarve’08. Destacam-se as exposições “Sem Actividade”, de Ignasi Aballí, Secção Oficial PhotoEspaña 2008; “Reacção em Cadeia: Transformações na Arquitectura do Hotel”, que inclui a série de fotografias de Paulo Catrica "H.08", especialmente concebida para esta exposição; a antologia literária e ensaística, "Casas como Hotéis, Hotéis como Casas (1965-2008)" e o livro de poemas "Resgate", ambos do escritor Jorge Gomes Miranda; uma selecção de cerca 75 projectos de hotéis contemporâneos; “Mundos Locais: Espaços, Visibilidades e Fluxos Transculturais”, numa edição do Centro Cultural de Lagos; e o Catálogo da Fundação de Serralves sobre as exposições Articulações, “William Kentridge, Bill Viola/James Turrell e Holidays in the Sun”. N.A. in http://www.turisver.com/article.php?id=36801
  19. A ver vamos... o ideal era que os arq pudessem votar na melhor proposta.
  20. Habitação social: "O que resulta é o diálogo" Professor catedrático da Faculdade de Arquitectura do Porto 2008-07-19 HUGO SILVA Manuel Correia Fernandes, professor catedrático da Faculdade de Arquitectura do Porto, não tem dúvidas: mais do que as questões urbanísticas, são as questões sociais que estão na origem dos problemas nos bairros municipais. Os problemas nos bairros de Lisboa e o anúncio da demolição do Aleixo, no Porto, voltaram a colocar na ribalta a habitação social. Correia Fernandes lembra a importância do diálogo com os moradores. Ainda assim, Manuel Correia Fernandes entende que os empreendimentos devem estar abertos à cidade e sublinha a importância dos equipamentos de apoio às populações. Que não devem ser confrontadas com "soluções autocráticas", sem qualquer tipo de diálogo. Correia Fernandes considera ainda que juntar comunidades inteiras de hábitos muito diferentes não é, definitivamente, uma boa estratégia. Poderá ser sinal, até, de uma grande "insensibilidade". As construções em altura, para habitação social, são potenciadoras de problemas? À partida sim. Mas, no caso do Aleixo, é preciso termos atenção ao momento particular em que as torres foram construídas. Eram habitações volantes, temporárias, para as pessoas desalojadas da zona da Ribeira/Barredo. As torres são edifícios muito exigentes do ponto de vista dos serviços e de segurança. Há bairros com blocos baixos, mas também com problemas. É preciso distinguir duas épocas. Os bairros construídos nas décadas de 50 e 60 são de uma arquitectura pouco durável e de uma construção frágil. Os espaços são exíguos, os serviços reduzidos ao mínimo e as paredes muito fininhas. Depois do 25 de Abril foram feitas algumas correcções. Nos bairros anteriores, só se entrava por um lado e só se saía por outro. Os próprios transportes públicos não circulavam no bairro. Mas como se pode resolver a situação dos bairros mais problemáticos? Há bairros que não têm grandes problemas. Mas mesmo naqueles que são mais problemáticos, as situações estão sobretudo ligadas a questões sociais. Questões sociais muito importantes, como desemprego, que depois arrasta uma data de coisas. O que resulta, nestes casos, é a negociação, o diálogo, a organização em torno das associações de moradores, que vão tomando em mãos a missão de resolver alguns problemas. No entanto, há casos de associações que sem o apoio municipal ou da junta de freguesia têm que fechar os seus 'cafézitos' e locais de convívio. Há bairros com condições, mas sem equipamentos. E outros em que se vão fechando alguns os existem. Os moradores não podem ser confrontados com soluções autocráticas. Mais do que uma questão urbanística, trata-se, então, de uma questão social? Sim. É claro que os bairros construídos nas décadas de 50 e de 60 precisam de muitos melhoramentos nos edifícios. Mas não chega. Vão parar aos bairros comunidades inteiras com hábitos completamente diferentes. Só quem nunca andou na rua é que não sabe que uma comunidade cigana não tem nada a ver com uma comunidade africana. Como é tantas vezes dito, será preciso abrir os bairros à cidade, para que deixem de ser guetos, por onde só passam mesmo os moradores... A cidade tem camadas - horizontal e vertical -, que muitas vezes não se tocam. É preciso criar pontes entre quem está em baixo e em cima, à esquerda e à direita, no meio e no centro. É muito complicado, mas é um trabalho que tem de ser feito. É um processo longo, demorado, não tem resultados imediatos. in http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=969570
  21. Arquitectura. 'Atelier' português constrói casa no deserto No deserto de Ordos, na Mongólia, China, vai nascer uma cidade para 200 000 habitantes numa área de 197 hectares. O plano da cidade que se prevê estar concluída em 2020, é da autoria do atelier chinês FAKE Design e prevê 100 parcelas destinadas a habitação unifamiliar de luxo, cujo público alvo são famílias amantes das artes, refere a organização. Para esta iniciativa única no mundo, o promotor, também chinês, solicitou aos arquitectos Herzog and de Meuron, galardoados com o Pritzker e dos nomes maiores da arquitectura mundial, para seleccionar 100 dos mais emergentes jovens arquitectos do mundo para fazerem um projecto de uma casa. De entre 29 países dos quatro continentes, a dupla suíça de arquitectos escolheu apenas um atelier português: SAMI. Sediados em Setúbal, o colectivo que engloba Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira, teve como condicionantes do promotor pequenas definições: a casa deveria ter uma piscina interior, zona de empregados, um número específico de quartos e cozinha ao estilo "ocidental" e não oriental. E, à semelhança de todas as equipas seleccionadas, total liberdade para conceber uma habitação unifamiliar com 1000 metros quadrados, que se pretende inovadora formal e conceptualmente. Os arquitectos do atelier SAMI explicaram que a quase total liberdade dada pelo cliente e o sítio sem referencias e em constante progresso afiguraram-se como uma " perspectiva assustadora". Mas resolveram o desafio proposto recorrendo a um conceito forte: uma linha imaginária, elemento de composição que atravessa toda a casa, e define os compartimentos, separando o interior do exterior. "Infinita e inquebrável, a linha dá força, coesão e dinamismo ao edifício", referem os arquitectos, que acrescentam: "embora a função da linha à medida que vai do exterior para o interior possa mudar, a sua integridade mantém- -se, dando a cada compartimento um valor igual." A presença da linha como elemento de concepção começa a evidenciar-se no piso térreo, através da piscina, que tem uma forma extremamente fluído e orgânica , encontra-se semi aberta e semi encerrada e comunica visualmente com as salas. A piscina também foi entendida como elemento de mediação entre o interior e o exterior, e cuja presença da água é geradora de luminosidade e fertilidade para todo o edifício. Todos os compartimentos da casa são fluidos e dinâmicos na sua utilização e estas características encontram-se enfatizadas nas áreas sociais da casa, cujos espaços estão interligados física e visualmente. Este dinamismo é estendido às alturas dos compartimentos, extremamente variadas de forma a potenciar diferentes intensidades luminosas. Foi dado especial destaque à principal sala de refeições, o espaço mais iluminado da casa, que comunica com um pátio, também ele uma zona de refeições exterior, e onde irá ser plantada uma árvore, alusão ao espaço natural que irá existir na envolvente. Quanto às propostas habitacionais dos 99 arquitectos remanescentes, foram apresentadas soluções tão variadas como uma casa com 100 quartos, outra para um narcisista, uma casa-monolito, uma casa-montanha ou uma casa-duna. in http://dn.sapo.pt/2008/07/20/artes/casa_portuguesa_mongolia.html Pensar Arquitectura sem Limites Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira foram convidados a integrar um projecto de arquitectura na Mongólia Interior. Chama-se “Ordos 100” e os dois jovens são os únicos portugueses escolhidos pelo Herzog e De Meuron - atelier que concebeu o Estádio Olímpico de Pequim - para participar naquele que é o primeiro projecto feito a 100 mãos. Maria João Belchior “Surpresa”. É assim que a arquitecta Inês Vieira da Silva descreve a reacção à escolha dos arquitectos suíços Jacques Herzog e Pierre De Meuron para a Sami - Arquitectos integrar uma equipa onde 100 arquitectos iriam desenhar 100 casas diferentes na cidade de Ordos, na Mongólia Interior. O primeiro contacto aconteceu em Julho de 2007 e três meses depois chegou a confirmação para a Sami – Arquitectos viajar até à China. Parte de um projecto que pretende expandir a cidade de Ordos na província da Mongólia Interior, a ideia das 100 casas desenhadas por arquitectos de todo o mundo, junta novamente o artista plástico chinês Ai Wei Wei e o atelier Herzog e De Meuron. (em caixa). Para Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira esta foi a primeira oportunidade de contacto com a China e de uma maneira única porque os obrigou a “pensar a China”. “Ordos 100” é uma ideia ousada que surge através de Cai Jiang, um mongol com negócios na área da exploração do carvão e que nos últimos anos entrou no ramo da imobiliária. Com um percurso ascendente enquanto homem de negócios em várias áreas, Cai Jiang, de 40 anos, partilha um amor especial pela arte e foi ele quem propôs à Herzog e De Meuron a ideia das 100 casas em Ordos. Para o atelier suíço, a ideia podia prometer mais e com Ai Wei Wei, curador do projecto, alargou-se a ideia para uma arquitectura que traga o resto do mundo à Mongólia Interior. Inês e Miguel são unânimes ao dizer que o projecto “Ordos 100” é “arquitectura pura”. Para os jovens portugueses que em Junho passado apresentaram o seu projecto na Mongólia, a forma de pensar para Ordos lançou um desafio uma vez que as casas desenhadas serão depois vendidas a outras pessoas que os arquitectos desconhecem. Cai Jiang é apenas o mentor de uma ideia que Inês Vieira da Silva considera que “alterou a maneira de pensar o início do projecto”. “O processo e os parâmetros mudaram, uma vez que não havia um cliente e era como se fosse um exercício, era arquitectura pura, uma coisa conceptual”. A arquitecta diz ainda que o facto de não haver um sítio e não haver um cliente específico “retira todos os constrangimentos que temos normalmente e isto é o mais difícil de tudo – dizerem-nos que não há limites.” Na verdade, a área onde vão surgir as casas a partir de 2009, estava quase deserta aquando da primeira visita e tem sido objecto de uma reflorestação assim como de uma enorme construção de infra-estruturas necessárias ao novo distrito. Cada arquitecto convidado tem uma área de aproximadamente 1000 metros quadrados o que soma um total de 100 mil metros quadrados. Mas como Inês Vieira da Silva salienta “é apenas uma pequena parte da área do novo distrito artístico e cultural em Ordos”. Um problema, cem ateliers Concentrar 100 diferentes ateliers sobre o mesmo problema foi para a Sami – Arquitectos outro dos pontos fortes deste projecto e como Miguel Vieira refere “foi a primeira vez que tivemos contacto com tantos países diferentes a nível de arquitectura.” “Ordos 100” junta 27 países entre a Ásia, Europa, América e África. De continentes só a Oceânia não consta da lista. Mas trata-se de uma arquitectura sem fronteiras porque imaginada para um espaço onde ainda não havia nada e sem obrigação de ter referências de estilo como por exemplo à Mongólia Interior. Miguel Vieira refere que o projecto da casa que apresentaram se “sintetiza numa parede contínua”. Uma mesma parede delimita a casa relativamente ao exterior mas também divide todos os compartimentos. Para o arquitecto, a ideia, que foi desenvolvida em dois meses, trata-se de “uma coisa conceptual que de alguma maneira nos remetia para a China onde todas as coisas têm um significado próprio e onde as palavras são ideogramas e, logo, uma representação de uma ideia”. Elogiados por vários dos outros arquitectos presentes, a Sami – Arquitectos foi, na apresentação, logo associada à arquitectura de excepção que a nível internacional se reconhece em Portugal através de nomes como o do arquitecto Siza Vieira. Miguel reconhece que “estávamos muito longe de ser anónimos”. “Há uma grande consideração por Portugal em termos de arquitectura com as pessoas a conhecerem o país e inclusive a terem ido lá para fazer o roteiro Siza.” Desta forma, a curiosidade dos outros arquitectos para verem o projecto de Inês e Miguel aumentou devido ao grande respeito pela obra desenvolvida há anos por Álvaro Siza Vieira. Entusiasta da ideia que se desenvolveu, Cai Jiang - que investiu neste projecto 4,5 mil milhões de Renminbis - acompanhou os arquitectos todos os dias e assistiu a todas as apresentações, uma actividade que durou dois dias. No fim, as maquetas que todos levaram até Ordos, juntaram-se como que a fazer um puzzle do que vai ser o Ordos 100. Uma ideia e, por enquanto, um projecto cuja versão final todos os arquitectos terão de enviar durante os próximos dois meses. Depois, a obra ficará a cargo do Chinese Design Institute que a terminará em 2009. Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira, que alargam desta maneira o seu trabalho até à Ásia, concordam ao dizer: “vamos ter vontade de voltar à China.” CAIXA Renovar o panorama arquitectónico Ai Wei Wei é um dos mais conhecidos contemporâneos artistas plásticos chineses. Com formação em arquitectura e um trabalho desenvolvido na área da arte conceptual, Ai Wei Wei, nascido em 1957, integra uma geração de artistas que modificou o panorama artístico chinês nos últimos 20 anos. Curador da obra “ninho de pássaro”, Ai Wei Wei aparece associado à ideia desde o primeiro desenho do projecto no ano 2000. O concurso realizado em 2003, foi ganho pelo atelier Herzog e De Meuron para a obra que ficou terminada este ano e se tornou num ícone da China Moderna, tendo sido escolhida para aparecer na primeira nota comemorativa dos Jogos Olímpicos de Pequim. Apesar de ficar para sempre associado a este projecto - entre vários outros que tem na China como o Parque Arquitectónico Jinhua em Zhejiang - Ai Wei Wei distanciou-se desde o início de qualquer campanha a favor dos Olímpicos e já fez saber que não estará presente na cerimónia de abertura. Mas se com a obra do Estádio Olímpico a relação de Ai Wei Wei com o atelier Herzog e De Meuron se afirmou como uma dupla de qualidade, com o projecto “Ordos 100” a tendência é para continuar. Esta terá sido, aliás, uma das principais razões do empresário Cai Jiang ao surgir com uma ideia que vai claramente renovar o panorama arquitectónico da Mongólia Interior. in http://www.hojemacau.com/news.phtml?id=29547&type=culture&today=14-07-2008
  22. Antiga unidade industrial de Alcântara transformada em ilha criativa Uma antiga unidade industrial de Alcântara está a ser «ocupada» por empresas e profissionais de áreas criativas, criando naqueles 23 mil metros quadrados a «LX Factory», uma ilha onde impera a criatividade «Estamos num compasso de espera. Este terreno está englobado no plano Alcântara XXI da Câmara Municipal de Lisboa, mas o processo está a demorar mais tempo do que estávamos à espera. Para não o deixarmos ao abandono resolvemos devolvê-lo à cidade, durante um período de tempo que ainda não sabemos bem qual é», explicou à agência Lusa Filipa Baptista, da empresa LX Factory, pertencente ao grupo de investimentos imobiliários MainSide. A LX Factory foi criada pela MainSide para gerir os 23 mil metros quadrados comprados à Gráfica Mirandela, enquanto a autarquia não finalizar o projecto de renovação da zona de Alcântara. «No final do ano passado a gráfica começou a mudar-se para Loures e nós iniciámos a divulgação do espaço e a angariação de pessoas interessadas em participar neste projecto», contou Filipa Baptista. O facto de ser um projecto temporário e de os edifícios não permitirem grandes intervenções, «apenas pequenos reparos», leva a que «não haja muita gente a atirar-se para isto». «Direccionámos o projecto para as áreas criativas, porque têm que ser pessoas que consigam conviver com o espaço tal como ele está. Estes terrenos e edifícios marcam-se pela diferença, pela história que têm», disse. Neste momento funcionam na LX Factory cerca de 30 empresas, entre agências de publicidade, uma revista de moda, ateliers de design e arquitectura, uma empresa que trabalha com jogos de computador, outra que comercializa material para montagem de exposições, músicos e um fotógrafo. Em breve, muda-se para um dos pisos do edifício principal, «um dos primeiros exemplos da arquitectura do ferro em Portugal», uma escola de dança. Um dos edifícios ainda alberga máquinas da gráfica Mirandela, que permanecem em Alcântara, por serem de grandes dimensões e a sua mudança para Loures implicar a paragem dos trabalhos de impressão. No dia em que a Lusa visitou a LX Factory estava a decorrer dentro de um dos edifícios uma sessão fotográfica para uma loja de roupa portuguesa. Dias antes o local tinha servido de palco para a rodagem de um anúncio televisivo. «Também já nos abordaram para realizarem aqui videoclips. A Lx Factory já serviu também de palco para uma peça dos alunos do Chapitô, para um encontro de designers e concertos», contou a responsável. Aos que optam por se instalar na antiga unidade fabril Filipa Baptista dá um prazo de cerca de cinco anos para permanecerem ali, mas pode ser menos. No projecto da empresa para o local está prevista habitação, comércio e serviços, mantendo a faceta industrial daqueles 23 mil metros quadrados. «A nossa ideia é que fiquem três edifícios, pelo menos, para marcar o que foi esta zona, para não se perder a história de Lisboa», salientou Filipa Baptista, cuja vontade é que as empresas criativas possam fazer parte da mudança. «Gostava que durasse o tempo suficiente para que as empresas saiam daqui por opção e não porque têm de sair», desabafou. Lusa / SOL in http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=102283
  23. Ao lado de emblemáticos edifícios projectados pelos mais reconhecidos arquitectos nacionais, o Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro, da autoria do arquitecto Joaquim Oliveira, é uma das 21 obras representativas da arquitectura portuguesa que integra a exposição subordinada ao tema “21 Projectos do Século XXI, Reflexos da Arquitectura Portuguesa na década actual”, patente no pavilhão de Portugal da Expo Zaragoza. A selecção dos 21 projectos representativos da arquitectura nacional do século coube ao arquitecto José Manuel Fernandes que colocou o edifício do Departamento de Engenharia Civil da UA ao lado da “Adega Mayor”, de Siza Vieira, da “Torre APL” (Centro de Coordenação e Controlo de Tráfego Marítimo do Porto de Lisboa), de Gonçalo Byrne, ou da “Escola Superior de Música de Lisboa”, de Carrilho da Graça. Para além de autor, entre outros, do edifício de extensão do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro e da recuperação do edifício onde está agora instalada a Nokia Siemens Networks (antiga Fábrica de Moagens de Aveiro), o arquitecto e funcionário dos Serviços Técnicos da Universidade de Aveiro, Joaquim Morais Oliveira, projectou, em 2000, o edifício do Departamento de Engenharia Civil da UA, agora alvo de exposição na Expo Zaragoza, e acompanhou toda a obra até à sua conclusão, em 2004. Na brochura da exposição pode ler-se que o edifício “assume-se como uma construção-espaço experimental, onde os próprios materiais e tecnologias utilizadas significam e dão carácter ao tema departamental da engenharia”. Diz ainda o texto descritivo sobre a obra: “Por um lado, o seu invólucro ou pele externa, ou exibe os materiais da construção industrial tradicional da região (o tijolo burro, a grelha cerâmica translúcida como forma parietal) ou opta pela expressividade do aço e do vidro, subitamente em fachada high-tech. Por outro lado, no interior, os sistemas de estrutura e pavimentos (aço, betão) convivem com um piso intermédio recuado, suspenso desde o terceiro nível por cabos metálicos pré-esforçados, sinal aparente das possibilidades do cálculo. Todo este aparato é executado com contenção e simplicidade de desenho, o que só reforça a eficácia da opção estética, inscrita correctamente na sequência deste campus [universidade de Aveiro] único, aberto sobre a portentosa Ria [de Aveiro].” A imagem fotográfica, o desenho do edifício e a breve descrição que o acompanha pode ser apreciado no Pavilhão de Portugal da Exposição Internacional de Saragoça, até 14 de Setembro, pelos mais de seis milhões de visitantes aguardados pela organização. Importa ainda salientar que o edifício do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro está inserido num Campus que, no seu conjunto, foi já distinguido com o Prémio da Association Internacionale des Critiques D’Art – Secção Portuguesa (AICA 2000). Mais recentemente, quatro edifícios do campus (a Reitoria, a Cantina das Agras do Crasto, a Casa do Estudante e o Complexo Pedagógico, Científico e Tecnológico), construídos entre 2000 e 2003, foram igualmente reconhecidos com a atribuição do Prémio de Arquitectura e Urbanismo do Município de Aveiro. in http://www.cienciapt.info/pt/index.php?option=com_content&task=view&id=41089&Itemid=262
  24. Arquitectura: Eduardo Souto de Moura e Ângelo de Sousa representam Portugal na 11ª Bienal de Veneza Lisboa, 21 Jul (Lusa) - O arquitecto Eduardo Souto de Moura e o artista Ângelo de Sousa vão representar Portugal com a exposição "Cá Fora: Arquitectura Desassossegada" na Bienal Internacional de Arquitectura de Veneza, que decorre entre 14 de Setembro e 23 de Novembro. De acordo com a Direcção-Geral das Artes (DGA), os comissários da representação nacional para esta 11ª Bienal - o filósofo José Gil e o arquitecto Joaquim Moreno - convidaram Eduardo Souto de Moura e Ângelo de Sousa para criar o projecto português. Este ano com o título genérico "Out There: Architecture Beyond Building" (Lá Fora: Arquitectura para lá do edificado), a Bienal de Veneza irá apresentar cerca de duas dezenas de instalações, com a participação de alguns dos mais importantes arquitectos da actualidade, nomeadamente Frank Gehry e Matthew Ritchie. Numa nota sobre o projecto da representação portuguesa, José Gil e Joaquim Moreno explicam que escolheram Souto de Moura e Ângelo de Sousa por acreditarem que são dois criadores que "podem cruzar-se produtivamente para avançar na exploração desta ´arquitectura desassossegada´". "Este desassossego, este contínuo movimento entre o dentro e o fora, é fundamental para pensar os falhanços e os êxitos da arquitectura portuguesa. Sempre que se parou ou capturou esse movimento, a singularidade portuguesa abortou. Mas aqui e ali, um e outro arquitecto teceu linhas de fuga que partiam do intervalo e da intensidade do desassossego", escrevem. Os dois comissários definem o propósito geral da representação portuguesa desta forma: "materializar temporariamente o heteronímico desassossego num contraditório ´Cá Fora´". Representante da chamada Escola do Porto, o arquitecto Eduardo Souto de Moura nasceu naquela cidade, em 1952, e trabalhou com Álvaro Siza Vieira, outro nome emblemático da arquitectura portuguesa contemporânea. Entre as obras criadas por Souto de Moura contam-se o auditório e biblioteca infantil da Biblioteca Pública Municipal do Porto, a Casa de Braga, a Pousada de Santa Maria do Bouro e o Estádio Municipal de Braga, todas elas premiadas. Ângelo de Sousa, nascido em Maputo, em 1938, foi viver para o Porto em 1955, onde passou a residir e a trabalhar. Escultor, pintor e desenhador, tem também usado a fotografia e o filme na sua obra, desenvolvendo pesquisas sobretudo sobre a cor e a luz. Em 1975 foi galardoado com o Prémio Internacional da 13.ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo e em 2007 a Fundação Calouste Gulbenkian agraciou-o com o primeiro Prémio Gulbenkian na categoria Arte. A exposição "Cá Fora: Arquitectura Desassossegada" tem inauguração prevista para 12 de Setembro, às 19:30, no Pavilhão de Portugal Fondaco Marcello, em Veneza. Na edição do ano passado da Bienal Internacional de Arquitectura de Veneza, o tema da participação portuguesa foi "Lisboscópio", da autoria dos arquitectos Pancho Guedes e Ricardo Jacinto, e o projecto foi comissariado pela arquitecta paisagista Cláudia Taborda. AG. Lusa/Fim © 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. 2008-07-21 14:30:02 in http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=355564&visual=26&tema=5
  25. Pequim constrói concorrente à Torre Eiffel A nova sede da televisão chinesa promete ser uma obra emblemática de Pequim e identificar a cidade para sempre. (Veja o vídeo no fim do texto) 23:02 | Terça-feira, 22 de Jul de 2008 Link permanente: x A nova sede da televisão central chinesa, que está a ser construída em Pequim, é um monumento de arquitectura de tal forma original que pode vir a competir com o Big Ben, em Londres, e com a Torre Eiffel, em Paris. O ambicioso e irreverente arranha-céus, conhecido como 'twisted doughnut' (donut distorcido), é composto por dois blocos de torres inclinados que se unem um ao outro, como se se estivessem a amparar, criando um espaço aberto no meio, em forma de Z. A obra do arquitecto holandês, Rem Koolhaas, que começou a tomar forma no fim de 2004, já foi considerada uma reinvenção do design de arranha-céus. O processo de construção foi tão complexo, que os engenheiros envolvidos no projecto garantem que não teria sido possível fazê-lo há alguns anos. Ao todo foram usadas 10 toneladas de aço para garantir que o edifício resiste a tremores de terra. Apesar das críticas aos 504 milhões de euros gastos no projecto e à falta de símbolos chineses, o arquitecto Rocco Yim, que em 2002 fez parte do júri que escolheu o 'donut distorcido', considera que a obra "capta o espírito futurista que o país tem neste momento". Deng Xuexian, professor de arquitectura na Universidade de Tsinghua, defende que é normal que o novo design cause polémica. in http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/373996
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