Abel Rafael
pARasite O espaço habitável proposto, pelo seu carácter de uso temporário, vai ser desenvolvido pensado tendo em consideração as questões mínimas e essenciais à estadia, oferecendo ao habitante dois pólos considerados configuradores. A sua área volúmica é dividida então em espaço-função e espaço-fruição, de forma directa e assumida. Este conceito separa relações entre acções rotineiras e e acções mais sublimes: de um lado asseguram-se as necessidades básicas relativas á sobrevivência do ser humano, do outro tudo o que abarca o metafísico. A materialização destas realidades é também oposta: os espaços-função, como a zona de dormir ou de instalação sanitária, revelam-se totalmente encerrados e num intrincado volumétrico auto-portante, que aglutina espaços consoante a função que precisa: “a house is a machine for living in”. O espaço-fruição, antagónico do anterior, é regular e limpo, uma caixa de vidro que paira no vazio, e que altera de cor consoante o desejo do utilizador, transformando-se numa lâmpada urbana: “transparency is not the same as looking straight through a building: it's not just a physical idea, it's also an intellectual one.” O habitar é então um momento de tensão entre duas circunstâncias. A forma do objecto reconhece-se e assume-se como um p.a.ra.s.i.t.e (Prototypes for Advanced Readymade Amphibious Small-scale Individual Temporary Ecological Houses ), é habitáculo que se implanta no topo de um pré-existencia, e que dela tira melhor partido. O sítio escolhido foi a zona antiga da cidade de Lisboa, mais rica neste layer superior. A topografia dos telhados configura um novo horizonte. Este espaço, tal como o próprio visitante, pode ser universal, pois responde às exigências comuns de qualquer pessoa, que são: utilizar e usufruir.