O valor de uma obra não reside unicamente na aparência dos edifícios, mas, sim, em todos os detalhes nela implicados. Isto porque uma obra não é (ou não deveria ser) o resultado de uma forma definida pelo encantamento instantâneo provocado pelo observador, mas pelo seu conteúdo.
Isto porque a forma, enquanto aspecto exterior de um objecto, não pode ser julgada com base naquilo que se vê sem entender tudo o que está vinculada a ela. Fazer uma crítica dessa forma, com base na mera observação, sem que ajam outros elementos essenciais para uma boa análise, impõe, antes de tudo, criticar os modos pelos quais a pensamos. Essa crítica sensorial está completamente desligada do mundo pelo qual se deve basear uma obra arquitectónica (a cultura, a história, a tradição, o saber, o dever, bem como, até mesmo, as decisões). Desta forma o objecto passaria a residir, exclusivamente, no âmbito das aparências.
De facto, a realidade que se evidencia, é uma admiração por uma arquitectura para ser vista e não propriamente para ser vivida. Parece que existe o hábito de admirar os espaços à nossa frente, esquecendo que estes devem ser vistos como espaços de convivência, que devem desenvolver-se ao nosso redor, sugerindo relações e afectos, de modo a promover o bem-estar.
A arquitectura deve fazer face às solicitações da sociedade actual e suas necessidades. De modo que, se torna cada vez mais importante dar novos rumos à arquitectura, insistindo em espaços cada vez mais funcionais, mais adequados às novas técnicas e materiais, bem como às necessidades da vida contemporânea, em detrimento de uma arquitectura despojada de conteúdo, meramente aprazível aos olhos.
A arquitectura não deve ser feita para ser olhada de uma forma unicamente estéctica. Não deve ser feita para ser olhada como objecto artístico, agradável aos olhos, mas o modo pelo qual se apresenta resolvida a tríade vitruviana, tendo a capacidade, de resistir às “modernices”. E isto porque, a arquitectura envolve dimensões e implicações que ultrapassam em muito o que se está acostumado a ver. De modo que, quem faz uma crítica, deve perceber que ela deve ter um objectivo, fundamentada, com base numa constatação atenta evitando qualquer interferência, desnudando-se de influências e esforçando-se a ver o que está por detrás de uma obra arquitectónica. Tentar fazer o contrário, após uma mera observação, sem outros elementos fundamentais, pode correr-se o risco de fazer uma crítica sem conteúdo, meramente especulativa, e demolidora.