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Ha meses que estou para criar este topico. Num forum em que existe admiracao por uma arquitectura erudita e contemporanea segundo os termos do Modernismo, Pos-Modernismo e Tendencias Contemporaneas expor um topico sobre este tipo de Arquitectura vai cair muito mal nalguns utilizadores.

Eh um topico criado por Zemaria aqui do forum no qual me deu autorizacao para o colocar aqui no forum. Sugeri primeiro que ele colocasse aqui no forum porem ele afirmou que nao tinha tempo nem disposicao para o fazer.

O TOPICO

Thiago Braddell é o nome de um arquitecto bastante conhecido (pelo menos no meio em que tem mais clientes), com uma quantidade invejável de obra construida (quase totalmente moradias), mas que por um estranho fenómeno é totalmente ignorado pelos seus pares e pelos meios de divulgação da disciplina.

Braddell utiliza uma linguagem absolutamente inconfundível, tão própria que eu arrisquei publicar aqui fotografias de obras que suponho que sejam suas, mas sobre cuja autoria não tenho de facto nenhuma certeza.


http-~~-//farm3.static.flickr.com/2127/2167319534_a5b46d2d25_o.jpg

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Acredito que seja justamente por utilizar uma linguagem "antiga" e sem qualquer inovação ao longo das diversas obras (e são inúmeras) que este arquitecto é desconsiderado pela sua classe. Pessoalmente, nem como arquitecto desenharia este tipo de construção no século XXI, nem como cliente adquiriria uma casa destas feita de raiz nos dias de hoje. Contudo, tenho que admitir, observando com atenção, que estas são casas muito bem desenhadas, tendo distribuições de espaços interiores muito bem elaboradas.
Não conheço nenhuma por dentro depois de habitada, já que o meu passatempo é explorá-las enquanto em obra, até apanhar uma pazada de um capataz mais desconfiado, mas do que vi até hoje, achei-as sempre casas muito agradáveis e bem pensadas. Terão vãos demasiado contidos ou sombreados para o meu gosto, mas no geral são surpreendentemente bem projectadas.
Não se pode dizer que Braddell utilize esta linguagem por saber que há uma classe de tias (da Quinta da Marinha e do Patiño até à Beloura) que procura este tipo de estética e não a encontra facilmente noutro arquitecto. A verdade é que ele próprio habita uma casa Braddell tão igual às outras como qualquer uma.

Para que ninguém diga que este arquitecto só faz moradias, aqui fica o monumento da Senhora do Cabo, construido bem perto da sua própria casa:


http-~~-//farm3.static.flickr.com/2373/2166579925_b5978e25aa_o.jpg

A mais notável das suas obras, no entanto, foi a recuperação do velho Hotel da Lawrence, em Sintra. Talvez só por esta valha a pena todas as outras em que ganhou experiência.

Não sou muito adepto do saudosismo estético ou artístico. Jamais compraria um desses Minis actuais ou o Beettle, mas se no mercado automóvel isso não parece gerar grande prurido, porque há-de ser diferente na arquitectura?

Embora de uma forma mais variada, com uma linguagem menos monótona e mais actual, José Baganha tem um tipo de produção semelhante, sendo embora muito mais considerado entre arquitectos.

Não sei se é por as casas Braddell serem tão facilmente identificáveis ou se este arquitecto é um verdadeiro caso de sucesso, mas o facto é que não conheço nenhum outro com tanto projecto construido. Só na zona onde moro há cerca de 10 casas Braddell construidas (incluindo aquela onde habita). Como já referi, tem obra nos solos mais caros do país, nomeadamente na Quinta da Marinha e julgo que também do Patiño.
É tão ignorado pela "critica" quanto procurado pelos clientes. Como já disse, eu não lhe compraria um projecto, mas tenho a certeza que, sentado no seu terraço, com a serra de Sintra à frente, ao final do dia, esse facto deve diverti-lo bastante.


zm

in http://arrumario.blogspot.com/search/label/arquitectura

Resposta as Reaccoes ao Topico criado por ZM


Escrevi a entrada anterior, sobre Thiago Braddell, em jeito de provocação, mas não esperava gerar tanta animação e sobretudo não contava ser lido por arquitectos de cuja produção bloguista sou leitor e por quem (porquê escondê-lo) nutro respeito intelectual.
Surpreende-me igualmente a forma como os comentários a essa entrada vêm no sentido de "eu também gosto de Thiago Braddell". Caramba, eu não gosto! Alguma falha da minha escrita deu a entender o que não sinto.
Quando digo que acho estas casas "bem desenhadas", "bem projectadas" ou com "distribuições de espaços interiores bem elaboradas" quero dizer apenas isso. Não quero de forma nenhuma dizer que gosto (esteticamente entenda-se) desta arquitectura.
Como recuperação de construções da época que pretende mimetizar, parece-me que este arquitecto faz um trabalho notável, daí a comparação com Baganha, mas partilho a ideia de que procurar esta linguagem no século XXI é uma rendição ao tal saudosismo de que fala João Amaro quando diz que “procuramos o enraizamento em pretéritas memórias. Ou antes, traços de memórias do que não se viveu nunca, numa fuga inquieta para o paraíso artificial e perdido”.
“O desejo de redenção dos nossos medos contemporâneos, a ilusão do passado, em conflito com o presente angustiante, é o tema da arquitectura de Thiago Bradell”. Admito que sim. Não tinha ido tão longe.
Recordo com ironia algumas das casas de Braddell na Quinta da Marinha, que não aparecem fotografadas e cujos donos (bem conhecidos) sei quem são.

“As contradições disciplinares são evidentes. Construir de novo o antigo com a tecnologia do presente é um óbvio paradoxo. O resultado é um postiço. A matéria arquitectónica é manipulada ao sabor da conveniência mesquinha da aparência.
Os vãos, as coberturas, as pérgolas, os pórticos, as chaminés, as cantarias, são a concretização pífia da ordem simbólica de um mundo facilmente reconhecível e apreensível. A escala é a da brutalidade com que se pretende afirmar um paradoxo e proporcional à carteira e desejos do cliente.”
Não teria sabido escrevê-lo desta forma, mas concordo em absoluto.

Também concordo com o António, que diz:
“Por estranho e absurdo que pareça, aquelas coisas do Thiago Bardell (ou lá como é...) são uma das mais justas e pertinentes "criticas" à arquitectura "fashion" das "caixas" mais ou menos "re-vestidas", bem fotografadas e muito a-parecidas (umas com as outras...), publicitadas nas revistas (todas...) e nos "suplementos" da praxe...
Uma crítica ao discurso absolutamente "vazio" dos umbigos e dos académicos”.

Não deixa de ser curioso que, apesar de tudo, tanta gente procure a arquitectura de Braddell, como se não se revisse na arquitectura do seu tempo, nomeadamente o próprio, como referi.
Eu, que sou apenas um consumidor de arquitectura, não me revejo igualmente em alguma da arquitectura do meu tempo, na qual encontro defeitos semelhantes aos apontados a Braddell: o ser por vezes "Um nicho de mercado das aspirações nouveau riche avessas à cidade e à sua diversidade e pluralismo" (como escreve João Amaro) e a mesma "brutalidade" na escala.

Vão lá ler, que vale a pena.

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O que assusta em tudo isto, e que isto nao tem muito da Arquitectura popular, e devo ate dizer que se parece muito mais com a feira popular ou Disney Land, do que com arquitectura popular. mas numa primeira aproximacao, nao acho que se deva de comaprar os srs Braddell e Baganha, porque numa primeira aproximacao, estao a anos luz um do outro.

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http://baganha.pauloribeiro.net/img/portfolio/1/2/jbaganha_1_15.jpg Penso que sao dois arquitectos que estao dentro da chamada arquitectura vernacular pseudo-popular. O que eu pretendo neste topico eh tentar perceber porque razao este tipo de arquitectura tem mais aceitacao nas pessoas comuns tanto da classe media como na classe alta. Pretendo tambem tentar compreender este fenomeno para alem da razao exposta e desgastada pelos arquitectos da proclamada ignorancia dos portugueses em relacao ah Arquitectura. Temos que ser mais realistas e tentar compreender o amago da questao. Porque razao os portugueses preferem este tipo de arquitectura e nao exemplares arquitectonicos contemporaneos?

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JVS: Vai ao flickr e coloca no motor de busca "Arquitectura portuguesa" e verás que tipo de fotografia aparece. É tão simples quanto isso. Nós ainda vivemos (e sempre viveremos) atrás daquela ideia romântica do antigo, do passado.Depois cada um faz a sua interpretação. E o que se nota é que a maior parte do comum dos mortais ao ter a oportunidade de ter uma casa, queria uma casa "rústica" com um estilo vernacular, mas feita por um arquitecto que a pensa e a projecta, contrariando por completo a ideia de arquitectura vernacular ou mesmo de arquitectura popular. No final de contas andamos a reproduzir imagens de arquitectura, que não sendo imagens das revistas que nós sabemos, é igualmente condenável o facto de se andar a fazer um pastiche de algo que hoje seria impensável fazer tanto pelas condições de vida actuais como pelos avanços tecnológicos que nos obrigam a pensar a arquitectura de uma forma evolutiva, com reflexos na sua função e na sua forma.

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nao somos so nos, esta ideia abunda por toda a Europa, acreditem. O problema e que a obra do sr. Bradell nao e de forma alguma um estudo sobre a Arquitectura popular, mas sim uma colagem de cliches palacianos. razao pela qual vulgarmente lhe chamo de pseudo palaciana.

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Asimplemind, obrigado por teres trazido este assunto para aqui. Não foi por falta de tempo ou disposição que não o fiz eu próprio, foi porque não imaginava a forma de apresentar isto sem parecer pretensioso. Entretanto, recentemente, visitei (em obra mais uma vez) uma outra obra dele, a nascer mesmo ao pé de onde moro. Continuo a achar que são casas muito bem pensadas do ponto de vista funcional. Pena a linguagem, a escala e o excesso de rococós. A mim parece-me que isto é uma questão de budget. Quem tem verba para um projecto destes são as pessoas mais conservadoras da nossa sociedade. Além disso, imitam-se umas às outras, como de resto fazem com os automóveis (todos têm mercedes cinza prata). No entanto, há arquitectos mais modernos, que quase só trabalham para esta mesma classe de clientes e cujo trabalho tão pouco me agrada. Refiro-me, por exemplo, a José Guedes Cruz (que tem projectos feitos com o único objectivo de encher o olho). É verdade que neste caso, pelo menos vamos habituando as pessoas a verem uma linguagem mais arejada, mas é um tipo de casa que me diz pouco.

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Nao tera FLW comecado a sua coleccao de moradias apartir da casa tradicional americana? O mesmo podem fazer os arquitectos portugueses. Ou nao?

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casa tradicional Americana? o que e isso?


http-~~-//www.eplans.com/content-images/common/plans/images/DGG0/DGG136/DGG136-FR-PH-CO-MD.JPG

http-~~-//www.localwin.com/member/gallery/jqp/f36.jpg

http-~~-//lcweb2.loc.gov/ammem/collections/habs_haer/images/bdc971.jpg

http-~~-//www.brynmawr.edu/Acads/Cities/imgb/nextone/med/1128.jpg

http-~~-//photos.igougo.com/images/p168633-Chicago-Frank_Lloyd_Wright_Home.jpg

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