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Bem, atendendo a um recente acordo que a Colômbia fez com Portugal para que o português seja ensinado nas escolas colombianas, será que esse português, pelas regras actuais, vai ser o "nosso", ou o brasileiro?... Essa é uma questão pertinente, que vai para além da proximidade da Colômbia com o Brasil. Discute-se aqui como tornar o português, uma das línguas mais faladas a nível mundial, numa língua única. Quanto a mim isso faz todo o sentido, resalvando, como tem sido dito, o entendimento quanto às regras de convergência. No entanto temos numa língua mais falada do que o português, um exemplo de como as coisas podem ser diferentes e igualmente bem sucedidas. Não me interessa aqui discutir as razões, mas a verdade é que o inglês "inglês" e o inglês "americano" tem diferenças relevantes que vai muito além de pequenas letras. No entanto as duas coexistem e são bem sucedidas... Como o Scolari "tem dito", as diferenças linguísticas ao nível dos sinónimos também existem no português, mas em relação a este ponto fico um pouco com o pé atrás, porque aqui sim há diferenças com sentido ao nível das nacionalidades e culturas. A minha questão (não sei se o acordo contempla estas situações) prende-se com a complexidade de convergência nesta área dos sinónimos...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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será que esse português, pelas regras actuais, vai ser o "nosso", ou o brasileiro?...


exacto Dreamer, é essa questão, passa a haver apenas uma maneira de escrever as palavras. é claro que as diferenças de construção continuam a existir, o "você" ou o "tu", o "eu mato-te" ou "eu te mato"... mas isso são diferenças que têm a ver com formas de falar locais, até acho bem que existam, só enriquecem a língua.

Em relação aos sinónimos não há nenhum tipo de medida em relação a isso, porque é entendido, e eu concordo, que não faz sentido mudar a forma de falar das pessoas em termos de vocabulário, essas diferenças existem em todas as línguas globais. Por exemplo se se analisar o espanhol falado em Espanha do falado do México encontramos diferenças em tudo semelhantes à situação Portugal - Brasil. Isso para mim é sinónimo de riqueza de uma língua, nunca o contrário. Por exemplo o conhecido exemplo do autocarro. Em Portugal dizemos autocarro (na minha zona até há quem diga camioneta), no Brasil diz-se ônibus, em Moçambique diz-se machimbombo (adoro esta palavra). Faz sentido investir em optar por uma destas 3 e "ensinar" as pessoas que é de determinada forma que se diz? eu acho que não. Olhemos para o inglês. Em inglaterra diz-se lorry e diz-se taxi, na américa diz-se truck e diz-se cab... tudo bem, podem coexistir as duas formas.

Além disso muitas destas formas acabam por se vulgarizar nos vários territórios, via filmes ou emigração. Já agora uma experiência engraçada em relação a isto é ler os livros de determinados autores, vou destacar um jovem angolano chamado Ondjaki. Há um livro dele, "Bom dia camaradas", em que ele descreve a sua infância em Angola (nasceu em 1977) e usa palavras como "bué", "cota", "bazar" com os significados que muitos jovens portugueses hoje dão a essas palavras... sem que muita gente se aperceba elas entraram no vocabulário do português europeu via influência africana, já que as palavras se usam ali pelo menos 20 anos de se usarem aqui...
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eu prefiro achar que a língua é o Português, como tal falada por pessoas de 8 países diferentes que como tal têm uma palavra a dizer. esse tipo de afirmação para mim é de puro provincianismo, se quisesse desenvolver um bocadinho ia falar de reminiscentes de espírito colonial, de salazarismos mal resolvidos, etc etc, mas essa discussão não me interessa assim muito.


Pois, mas é o português de Portugal. E não tem nada a ver com salazarismos nem nada do género, até porque eu aprendi a dizer o alfabeto noutra língua muito antes de o saber dizer em português, e não vejo o que é que isso possa ter a ver com a questão. A questão aqui é que os outros povos que têm a língua portuguesa adaptada ao seu país e á sua cultura devem fazê-lo, mas não de forma é que sejamos agora nós a ter que nos adaptarmos a eles. :tired:
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Pois, mas é o português de Portugal.


para mim é o português de quem o fala. O de Portugal está incluído evidentemente.

A questão aqui é que os outros povos que têm a língua portuguesa adaptada ao seu país e á sua cultura devem fazê-lo, mas não de forma é que sejamos agora nós a ter que nos adaptarmos a eles. :tired:


o acordo implica a cedência de ambas as partes, por isso é um acordo. Não acho que devemos ser rígidos em relação a isso, e devemos decidir se querermos ficar sós (orgulhosamente ou não) enquanto o mundo evolui ou se devemos pensar global, apesar de cada um ter culturas e identidades próprias. Eu pessoalmente acho que a segunda situação é melhor, mas evidentemente são opiniões. Não concordo com a postura de a língua é minha, os outros que fiquem como nós se quiserem.
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Eu também acho que deve haver cedências. Mas não me parece que mudar as coisas dessa forma tão radical, para facilitar a aprendizagem noutros países, seja o melhor remédio. Até porque as palavras não são escritas ao acaso. Há motivos para que exista o "c" em arquitecto.

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ginsoakedboy: quando a isso mais cedo ou mais tarde essa gente acaba por ter noção daquilo que faz ou então acabam por ser ridicularizados mais tarde por escreverem dessa forma... Ou então vivem assim o resto da vida nessa tristeza de não saber escrever (e mesmo sem saber falar) na lingua portuguesa

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A questão da linguagem associada às novas tecnologias é muito interessante. Aqui no fórum respeita-se o português, mas muitos há em que isso não acontece. O que começou por ser falta de espaço nos SMS, passou a rapidez na escrita noutros formatos. Lembro-me à uns anos, no auge do IRC, quando num trabalho escolar saíu um "num" como "não"... vicios... mas garanto-vos que a situação serviu de lição... Admito que quando me sirvo do SMS, acabo por cortar algumas letras, mas raramente uso o "X" ou o "K"... No messenger tento ser mais correcto, se bem que de quando em vez lá se vai alguma regra, normalmente por distracção... Fora isso prezo por escrever o português correcto, seja em e-mails, fóruns, apontamentos no papel, etc... Acho é uma questão de abordagem ao suporte em que se escreve e realmente lidar com as limitações, ou não limitações deste... Quanto à geração que está a ser ensinada com estas novas formas de linguagem, não sei como será, por exemplo, nos trabalhos escolares, mas temo pelo futuro... já que muitos devem usar essas "novas regras" em tudo...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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