Jump to content

Recommended Posts

Posted
Arquitectos e engenheiros: origens
Artigo por: Adelto Gonçalves

Durante muitos anos, arquitectura e engenharia significaram a mesma coisa. Para tentar estabelecer quando essa ruptura se deu no mundo lusófono, o historiador e arquitecto Nireu Oliveira Cavalcanti atirou-se mais uma vez aos arquivos do Brasil e de Portugal em busca de documentos que pudessem dar as pistas do início dessa ruptura do conteúdo global da arquitectura civil, encontrando esses indícios no século XVIII, quando a matéria passou a ser estudada em dois cursos autónomos: arquitectura civil e engenharia civil ou politécnica.
O resultado é este Arquitectos e engenheiros: sonho de entidade desde 1798, publicado pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitectura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), obra sobre a mentalidade técnica-científica e artística comum a arquitectos e engenheiros no final do século XVIII.

A base para esse estudo está num manuscrito de autoria do arquitecto das Obras Reais, o português José Manoel de Carvalho e Medeiros, escrito em 1798, que faz parte do acervo da Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. Filho do arquitecto Eugénio dos Santos e Carvalho, um dos membros da equipa do engenheiro Manoel da Maia, responsável pelos projectos de reconstrução de Lisboa, destruída em parte pelo terremoto de Novembro de 1755, Negreiros era neto de Eugénio dos Santos, arquitecto e pintor, que exerceu importante função na Casa do Infantado do Grão Piorado do Crato.

No documento, Negreiros faz uma proposta pioneira de criação de uma entidade de classe — laica e não uma irmandade como seria próprio à época —, que congregasse os profissionais vinculados à concepção e realização de obras de arquitectura, engenharia, paisagismo e de fortificações. O documento foi transcrito na sua íntegra e actualizada a sua grafia e pontuação, para melhor entendimento pelos leitores do nosso tempo.

Cavalcanti faz ainda interessante contextualização histórica sobre as origens dos profissionais arquitectos e engenheiros, indo buscar nos escritos de Marcus Vitruvius, arquitecto romano (século I antes de Cristo) autor do livro Da Arquitectura, considerada a obra fonte dos ensinamentos da arquitectura ocidental, a raiz da formação dos profissionais no reino de Portugal e das suas colónias.

Embasado em pesquisa histórica e documental, Cavalcanti mostra como e com quem estudavam os arquitectos, engenheiros, mestres-de-obras e outros profissionais da área. E recupera também o acervo bibliográfico usado por essas pessoas no Brasil colonial e as formas de controlo do seu exercício e o surgimento das primeiras organizações de classe que congregavam pessoas interessadas na ciência e arte da arquitetura e da engenharia.
Complementando o estudo, foram anexados ao livro sete documentos muito ricos de informações referentes à história da educação, da ciência e da tecnologia em Portugal e no Brasil, especialmente, no Rio de Janeiro.

Destacam-se os anexos A e B: o primeiro, com uma relação dos alunos da Academia Militar do Rio de Janeiro, em 1798, e as suas minuciosas informações académicas sobre cada um deles; e o segundo, com a relação de 94 engenheiros e arquitectos que serviam à monarquia portuguesa, discriminando, além de dados biográficos, onde estudou e o que estudou.
Um pormenor interessante trazido à luz por esse documento é que mais de 80% dos engenheiros militares estudaram arquitectura civil, o que explica a razão desses profissionais serem os projectistas das belas igrejas, palácios e traçados de muitas cidades que tiveram origem no período colonial.

Cavalcanti ressalta, porém, que é no século XIX que decorre a diferenciação do trabalho do arquitecto, em função da amplitude da sua intervenção projectual, surgindo, assim, o arquitecto urbanista. "Consequentemente, a matéria urbanismo insere-se, gradativamente, nos cursos de arquitectura", acrescenta.

Como destaca o arquitecto Hélio Brasil no prefácio, o trabalho de Cavalcanti é uma importante contribuição para que as novas gerações de arquitectos e engenheiros brasileiros tomem conhecimento da sua origem, que se situa muito antes da realização dos profissionais da primeira metade do século XX, quando o presidente Getúlio Vargas assinou o decreto que criou o sistema Confea-Crea, isto é, o convívio entre engenheiros e arquitectos. Hoje, afirma Brasil, talvez a separação seja inevitável, ou, quem sabe, desejável. Mas há problemas maiores a discutir do que a separação das duas categorias, diz, ressaltando a concorrência de escritórios estrangeiros, que invadem o espaço do profissional brasileiro, e a ausência de investimentos nas áreas públicas, além da debilidade dos cursos e daqueles que trabalham na área académica.

Continuar a ler artigo...



Fonte: Diário dos Açores
Posted

A propósito, queria partilhar a opinião, minha de arquitecto e de alguns colegas engenheiros, de que as profissões encontram, em portugal, excessivamente separadas! Somos da opinião de que na maioria dos casos simples, como calculo de estruturas para vivendas unifamiliares, ou mesmo edifícios até determinados pisos, poderiam e deveriam ser os próprios arquitectos a calcular, como acontece em espanha. Pontes, túneis, autoestradas, barragens, infraestruturas, isso sim são obras de engenharia!

Posted

Isso é muito giro num plano Teórico, o pior é a formação em Portugal que é totalmente diferente da Espanha, sabes dimensionar armaduras de betão armado numa laje maciça ou numa fungiforme? Estas coisas não se aprendem no Curso de Arquitectura , exigem estudo do REBAP e alguma experiência profissional. Um Arquitecto é um coordenador de especialidades, um Engenheiro é um especialista, é esta a mentalidade em Portugal, a qual acho mais correcta do que a Espanhola. Mas concordo num ponto, acho que os Arquitectos deveriam assinar os projectos de especialidades, mais correntes e simples.

  • 3 weeks later...
Posted

Desculpa, mas os engenheiros, no calculo de vivendas e prédios, utilizam 3 ou 4 cadeiras do curso inteiro. Na prática profissional, colocam alguns dados no computador e carregam no enter. Sejamos realistas... É uma palhaçada. Qual formação? Mesmo que fosse, não te sentes capaz de aprender umas quantas vertentes de física? o que é isso para um arq., que tem de apanhar 18 de média de curso para entrar numa pública?, e acho muito bem - já somos demasiados! Devia ser 19 e meio. Se incutissem o ensino da física, então era só embarcá-los para espanha! Mais do que já acontece... Não é que eles não tenham de aprender tudo outra vez... É que, em portugal, ser arquitecto é uma coisa e ser engenheiro é outra.

  • 1 month later...
Posted

...E quem vai sofrendo, são os Arquitectos que vêm muito dos trabalhos que lhes compete serem entregues ou assinados por engenheiros quando estes deveriam era seguir a obra mediante os seus cálculos em fórmulas informatizadas...:* Eu estou no 1º ano de arquitectura mas também já fui o que vocês podem chamar "trolha" e nesse tempo dedicado aos tectos falsos e divisórias lidei com muitos engenheiros que me faziam rir de tão inexperientes e básicos que eram... A culpa de um engenheiro poder assinar projectos até um certo valor é mais uma vegonha que só mesmo nesta ré-pública dos ananazes... As ordens também têem a sua cota parte de responsabilidade inexplicável... :icon_boxing::icon_builder:

Posted

Partilhando mais uma opnião, concordo inteiramente com o nosso colega Sputnic, nós arquitectos, deveriamos poder assinar as nossas proprias especialidades até um determinado limite de complexidade, pois eu tive essa formação e dos arquitectos que não tiveram sempre lhes será possivel obterem. Não deveremos tablar a fasquia por baixo mas sim por alto. Eu por exemplo no meu curso de arquitectura tive 4 anos de estruturas. Aprendemos a pre dimensionar e a dimensionar, estruturas de betão armado, metalicas e mistas. É claro que por exemplo, edificios formalmente complexos e projectos cujas dimensões e soluções técnicas não sejam do tipo "normal" os engenheiros serão sempre precisos, torres, barragens, pontes, etc... Mas tambem sou da opinião de que tais obras e devido sobretudo á sua dimensão e impacto visual não deveriam ser somente sobescritas por engenheiros, mas somente em conjunto com arquitectos exactamente pelas mesmas razões de que a lei invoca a assinatura dos projectos de arquitectura somente por arquitectos. Quanto ao tema deste topico acho claro de que a disciplina comum entre arquitectura e engenharia que posteriormente as originaram foram o desenho e a geometria como metodo indutivo e que segundo várias deduções se chegou a algebra linear e ao calculo. Partindo deste pressuposto poderemos sempre encarar a engenharia principalmente a civil, como uma das disciplinas da arquitectura mas nunca o contrário, puro e simplesmente porque a engenharia não está encarregada, e ainda bem, na concepção de novos espaços arquitectonicos...

Posted

Pela leitura dos vários Posts parece-me que ninguém tem realente presente qual a função de cada um dos intervenientes (Arquitecto e Engenheiro) no processo construtivo.

Tentando desmitificar algumas ideias erradas:

Desculpa, mas os engenheiros, no calculo de vivendas e prédios, utilizam 3 ou 4 cadeiras do curso inteiro. Na prática profissional, colocam alguns dados no computador e carregam no enter.

O trabalho de um Engenheiro pode ser vastante vasto, como aqui já foi referido, desde o cálculo de pontes ou barragens, gestão de sistemas de saneamento, projecto de estabilidade de edifícios correntes, director de obra de rodovias, etc. Toda a formação profissional obtida não será utilizada certamente numa actividade específica que venha a exercer.
Na área de cálculo/projecto os softwares de cálculo são apenas ferramentas que não substituem o engenheiro na realização do projecto final, para o qual recorre muitas vezes a simulações matemáticas.

Sejamos realistas... É uma palhaçada. Qual formação? Mesmo que fosse, não te sentes capaz de aprender umas quantas vertentes de física? o que é isso para um arq., que tem de apanhar 18 de média de curso para entrar numa pública?


Não deves conhecer o plano de formação de um curso de Engenharia Civil, pois se conhecesses reparavas que mais que cadeiras de físicas abundam matemáticas, álgebras e "físicas" mais específicas como "resistência de materiais" ou "estruturas". Para além disso como aqui já foi referido há legislação específica que tem de ser cumprida, como o REBAP, RSA ou REAE, só para referir algumas portuguesas na especialidade de estruturas.


Eu estou no 1º ano de arquitectura mas também já fui o que vocês podem chamar "trolha" e nesse tempo dedicado aos tectos falsos e divisórias lidei com muitos engenheiros que me faziam rir de tão inexperientes e básicos que eram...
A culpa de um engenheiro poder assinar projectos até um certo valor é mais uma vegonha que só mesmo nesta ré-pública dos ananazes... As ordens também têem a sua cota parte de responsabilidade inexplicável...


Os engenheiros técnicos são aqueles que estão limitados na dimensão do projecto. Os engenheiros com o cursos reconhecido pela ordem não têm essa limitação. Para além disso pode acontecer em determinadas especialidades ser necessário formação específica.




Cumprimentos

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

×
×
  • Create New...

Important Information

We have placed cookies on your device to help make this website better. You can adjust your cookie settings, otherwise we'll assume you're okay to continue.