Dreamer Posted July 25, 2006 Report Posted July 25, 2006 Uma moradia demolida "selvaticamente" Sobre a publicação, no vosso jornal, de uma notícia sobre uma moradia, de minha autoria, de 640 m2 de implantação num terreno de 5000 m2, no Porto, que foi selvaticamente demolida, entendo dizer o seguinte Mesmo sem estar à venda havia quem a quisesse comprar. Não havia, portanto, qualquer degradação e quem o afirma não tem qualquer razão ou desconhecia o seu estado. O cavalo de batalha dos que pretendiam a demolição foi que estes se serviam do facto da moradia nao estar classificada. O denso arvoredo que encobria a moradia talvez tivesse sido o impedimento para a classificação que se impunha. Quanto ao não ser publicada em revistas da especialidade, o que posso dizer é há pouca informação, porquanto no livro editado pela Ordem dos Arquitectos em 2001 a moradia está patente em quatro páginas com plantas, alçados e fotografias. Foi dito também que a moradia tem valor arquitectónico, mas não tem características especiais para ser classificada. Não se entende que tenha valor arquitectónico ... e quais são essas características especiais? O que refere o sr. Lino Ferreira não é verdade. A Câmara do Porto tinha forma legal de impedir a demolição e recebeu-a do IPPAR. O sr. arquitecto Carapeto também devia saber, do sr. dr. Manuel Teixeira, que tinha travado o processo. Quando fui recebido pelo dr. Manuel Teixeira, depois deste ter recebido a informação do IPPAR, assegurou-me que o processo estava travado e não havia demolição. Entendo que esta era uma informação responsável em que confiei, mas a Polícia Municipal nunca foi mandada ao local e a demolição fez-se à socapa. Quero referir que muitos colegas se pronunciaram sobre a peça em questão e o arquitecto Aguiar Branco, do Património Cultural, diz "As obras do arquitecto A.Ricca constituem, pedagogicamente, uma das marcas mais qualificadoras e impressivas no contexto arquitectónico-urbanístico portuense,que só uma básica ausência de cultura do acto criativo de projectar permitirá que nao envelheçam vivas". O arquitecto Lacerda Vieira e também o arquitecto Paulo Costa informaram "No terreno em questão está implantada uma moradia do sr. arq. Agostinho Ricca, edifício com características próprias que em nosso entender representa um bom exemplo de arquitectura contemporânea, projecto e edifício já retratado em várias revistas e livros da especialidade". Agora, a parte contrária, o reverso da medalha ".. "Não há base legal para impedir a demolição desde que o requerente assim o entenda, a menos que o projecto apresentado para o local não seja aprovado, até porque, apesar de em meu entender a construção existente ter valor arquitectónico, a mesma é também válida como a construção proposta no projecto de arquitectura agora apresentado, da autoria do arquitecto M. V" - assinado Sandra Salazar, arquitecta". É com argumentos absurdos e estúpidos proferidos por elementos perniciosos com voz activa na Câmara que se vão acabando os exemplos do nosso património. Ao ser substituído, o património não aumenta. É acrescentando obra que o aumentamos. Já foi substituído o Palácio de Cristal pelo Palácio dos Desportos, com argumentos semelhantes durante a presidência do coronel Presa. Por exercício, por exemplo, podemos pensar em substituir o Palácio da Bolsa ou a Torre dos Clérigos!! Do ponto de vista económico, não parece boa opção. Em nenhum local do muro de vedação foi colocado em local visível a indicação do n.º de licença da obra; e isto é sintomático da ligeireza como foi feita a eliminação da moradia. A Câmara do Porto deverá arrepiar caminho e pôr cobro à estupidez e à ganância. Em todos os países civilizados se respeitam os valores arquitectónicos do passado. É triste ver coisas destas... o mesmo aconteceu à uns anos com uma moradia ao estilo corbusiano de Viana de Lima, a casa Honório ????? (não me lembro do resto do nome, mas acho que era Silva) no Porto... Tantos "castelos" que ficam e duram, duram, duram, qual pilhas... e obras com valor patrimonial... vão abaixo... Link:http://jn.sapo.pt/2006/07/25/porto/uma_moradia_demolida_selvaticamente.html Quote Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...
pinTas Posted July 25, 2006 Report Posted July 25, 2006 mais uma vez interesses políticos e compadrios devem andar metidos no meio desta história para tal coisa acontecer :\ Quote
Dreamer Posted July 25, 2006 Author Report Posted July 25, 2006 O que mais poderia ser? Alguém sabe que casa é?... ou onde fica?... Quote Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...
Vampir0 Posted July 26, 2006 Report Posted July 26, 2006 Infelizmente é este o panorama ignorante no nosso país. Estas coisas irritam-me imenso. Deixam uma sensação de frustração e impotência por nada poder fazer sempre que me deparo com edifícios interessantes, sob o ponto de vista de arquitectura e história de uma cidade, que se encontram ao abandono. Por exemplo, em Setúbal existe um edifício, conhecido por muitos como o palacete, de óptima categoria, o seu dono deixou-o ao abandono e, consequentemente, numa profunda degradação. A Câmara não lhe pega, não tem dinheiro. Diz-se que o dono apenas está à espera que o edifício caia para poder substitui-lo por um edifício de habitação, ou seja, um prédio (que é sempre mais rentável, não é). Inclusivé já lhe pegaram fogo umas poucas vezes, provavelmente a mando do próprio dono. O palacete insiste em não cair, alguns azulejos já desapareceram, mas o edifício continua apto a ser reabilitado. Enfim, como este há muitos. cya l8r Quote
ARA Posted August 11, 2006 Report Posted August 11, 2006 Conheço o edifício de que falas e Setúbal tem "muito bons" exemplos disso do Bairro Salgado, passando pela Baixa, até á Quinta da Inveja, por exemplo. Infelizmente não é a única cidade onde isso acontece. A nossa Capital está repleta de edifícios a apodrecer, esperando o fim dos seus dias, lentamente. O pais está cheio de "bons" exemplos como estes... Por vezes parece-me que as coisas vão mudar mas logo me apercebo que foi casual. Quote
3CPO Posted August 11, 2006 Report Posted August 11, 2006 O pao nosso de cada dia em portugal... Quando deixam os premios valmor ruir por degradacao, tudo é possivel... Quote
André Lima Carvalho Posted August 11, 2006 Report Posted August 11, 2006 Pior ainda é qd os mandam abaixo. Tudo em nome do "vil metal", em prol da "renovação urbana" e falta de valor patrimonial dos ditos. Em Portugal assiste-se a uma cultura em que tudo o q não tenha 2 sécs. não é digno de protecção pois não tem valor. Esquecem-se é que em alguma altura esses edfícios foram recentes. As intituições existem mas não funcionam (ou por pressões exteriores ou por falta de organização/pessoal). Um exemplo gritante é aquele do "prédio" (visto q em teoria não é uma urbanização) que tem os pilares colados ao aqueduto das Água Livres e as varandas sobre o dito. Dizem que à terceira é de vez e o IPPAR confirmou a máxima: à 3ª aprovou e nem inspecções tem efectuado. A obra está agora embargada (em teoria). Vamos ver é se isto vai dar em algo... Houve barulho nos media e a câmara (e o presidente) não ficaram mt bem vistos.... Mas o esquema que cá se usa é esperar que a poeira assente e depois... Quote
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