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Boa ideia. O facto de ele jogar com o a engenharia ao limite (a sua tese de doutoramento foi sobre uma teoria da disfiguração e dobralidade das estruturas), e ao mesmo tempo a sua capacidade creativa e o recurso as formas organicas fascina-me. Ele é Engenharia + Arquitectura = o que se vê por ai nas suas obras, coisas fascinantes. Digam mais para eu continuar :p

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Como já disse noutros posts, acho que (passe a expressão) o Calatrava funciona melhor em determinados registos, leia-se programas... É sem dúvida nenhuma um génio da arquitectura aliada a 100% à engenharia, mas por vezes parece esquecer-se daquilo que envolve o local para onde projecta...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Mas o resultado final normalmente sobrepoe-se a questão da envolvente, da maneira como se torna marcante do espaço, quase todas as obras de calatrava acambam por ser marcos na cidade onde estão inceridas, uma aproximação ao monomento em certa medida.

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A questão é mesmo essa... a arquitectura do Calatrava sobrepõe-se à questão da envolvente... Não lhe chamaria monumentos, mas antes marcos, porque são dois conceitos bem diferentes, no sentido que realmente marca a paisagem. A questão é se cada terra onde ele projecta precisa realmente desses marcos... Claro que os promotores para o escolherem já sabem com o que é que podem contar, já sabem que vão receber visitantes para ver a arquitectura Calatraviana, mas o respeito e a valorização do espaço existente não deve ser como uma pedra no sapato, que se não sai, acaba por se ignorar... É que se não há cuidado com isso, depois pode acontecer como na gare do oriente, onde num projecto que ao que dizem perdeu um concurso noutro lado, dá-se uns retoques e já serve para ali... não digo que a gare não seja interessante, mas serve este exemplo para demonstrar um mau princípio de desenvolvimento projectual... Contudo continuo a dizer que a receita do Calatrava funciona bem em determindos registos, tal como pontes, aeroportos, ou gares, por si só edifícios/construção de excepção, mas quando se vai para outros programas isso já não tem realmente de acontecer... senão corre-se o risco de todos os edifícios se transformarem nesses marcos... e depois não há mais nada na paisagem...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Nessa linha de ideias, gostava de ver um projecto de um jardim de infÂncia pelo calatrava. Devo admitir que conheço pouco a sua obra, estive na estação de zurique e lisboa, vi a ponte em bilbao e fiquei boquiaberto na Biblioteca da eth também em zurique, aí percebi que o gajo era mais que um engenheiro e até dava um bom arquitecto, gostaria de ir um dia a valência ver aquela enormidade.

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Mas ele é unico por ser mesmo assim. Mas nao deixa de ser um problema, o que vale é que ha poucos a fazer isso. Quer dizer que a Gar do Oriente foi buscada na reciclagem ? Nao sabia. Realmente os grandes espaços publicos, pontes e terminais de transportes cabem bem a obra do Calatrava. Mas também a projectar daquela forma, pede-se que seja espaços publicos para se viver bem aquele espaço. Por isso tudo eu disse que tinha de se saber mais para saber se esse corno no meio da cidade funciona bem ou nao. Para os flashes funciona.

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... aí percebi que o gajo era mais que um engenheiro e até dava um bom arquitecto, gostaria de ir um dia a valência ver aquela enormidade.


Ele foi primeiro Arquitecto, e so depois engenheiro. E so foi para engenharia porque realmente gosta dos desafios da gravidade, e da estática. Assim torna-se do que chamo um homem total para a arquitectura.
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Pode ser só boato, como muitos outros, e posso estar aqui apenas a alimentá-lo, mas consta que a gare foi reciclada, pelo menos foi algo de que se falou na altura, mas será sempre complicado provar uma coisa dessas... Voltando ao que interessa, a relação com a envlovente e com a cultura do país parece ser sempre um ponto pouco relevante na escala das prioridades, porque a imagem que serve para um local, serve para outro e assim sucessivamente... Parece querer impôr a sua imagem ao mundo, como se este não fosse composto de culturas e realidades distintas, países e locais diferentes... Vejam o exemplo da dupla Herzog e De Meuron, que apesar de projectarem "marcos", têm a sensibilidade de perceber o local e aquilo que que no "ali" faz falta...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Sim realmente ele vai sempre buscar, como conceitos que tanta gente discute aqui e que andam ai as aranhas para o encontrar, formas organicas, maior parte humanas, como olhos, maos, a rotação do tronco (torso) e da pouca imnortancia evolvente..ou nao liga quase nada. Mas gosto de resultado, :p

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mas não achas que quando referes "engenharia+arquitectura" não será "engenharia-arquitectura"? É que a meu ver arquitectura tem que ver sobretudo com a instauração poética de espaços humanos na paisagem. A meu ver o calatrava dedica-se bastante à criação da sua "peça" ignorando um pouco a envolvente. Já reparaste na Gare que estão a construir em Liège na Bélgica? eu estive lá algumas vezes e ele criou uma estrutura enormissima, muito bem desenhada, extremamente cuidada mas, o local não tem capacidade para uma construção daquele porte. O edifício tem uma altura de 8 andares mais ou menos e está rodeado 10 metros ao lado por casas de 2 pisos que eram já pré-existentes... Ou se arrasaria as construções existentes para criar uma praça que pudesse albergar a estrutura ou então deveria ter feito algo mais sensível ao que existia anteriormente. O Calatrava resulta mais em termos de obras monumentais de referencia, mas quando as suas obras pretendem estar inseridas na cidade penso que aí falha por completo.

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O Calatrava resulta mais em termos de obras monumentais de referencia, mas quando as suas obras pretendem estar inseridas na cidade penso que aí falha por completo.


Não concordo nada, apenas porque tive em zurique, e se lá fosses e vivenciasses aquele espaço terias outra opinião.

É uma estação de comboios secundária, não é a Hauptbahnhof. Mas é muito bem inserida no seu contexto, quase que passa despercebida a quem não a conhece. Depois tem uma parte subterrânea que faz lembrar a gare em Lisboa, vemos que foi lá que tirou a inspiração para as suas obras posteriores.

A biblioteca então é inserida dentro de um claustro da universidade, não tem qualquer vão para o exterior, à parte da cobertura retractil, que tive a oportunidade de ver a abrir e fechar. Algo espantoso.

Por fim tenho também a dizer que estes edifícios "look at me look at me or i'll crush you" são-me contraditórios, é uma relação amor-ódio. Fascina-me o fenómeno bilbao mas enquanto pensador de cidade (que não o sou) arrepia-me negativamente.

Cump.s.
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sim claro....mas assim sendo vamos entrar numa linha de pensamento que não so englobe o Arquitecto Calatrava como o Arquitecto Frank Gehry...e porque não a Arquitecta Zaha Hadid e outros que tais? Afinal o que é arquitectura? A que somente se encontra inserida na cidade ou também a que "não faz parte dela"? A arquitectura deverá ser sempre um continuar da cidade? É um continuar do existente ou também pode ser um "ponto de interrogação" do mesmo? Como se criam obras de excepção? :nerd:

margarida duarte

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Gui.pt: não só estive em Zurique como estive em Lucerne várias vezes na estação que te referes. Realmente essa poderá ser um dos bons exemplos do calatrava, mas também há que ver que foi a estação que originou a envolvente e não o contrário. Porque existia antes a antiga estação e quando fizeram o plano, toda essa zona se centrava na estação do calatrava, acompanhada do Kunsthaus do Nouvel. Mas se quiseres comparar entre a estação de Lucerne do Calatrava e a de Zurique que não sei de quem é, a de Zurique é subtilmente uma obra de arquitectura pensada em relação e continuidade com a cidade. Adoro a forma como se abre para a cidade como se tratasse de uma grande praça de onde partem os comboios, ao contrario da maior parte das estaçoes que conhecemos que se fecham para o exterior e se abrem no interior.

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Ninguem ta a dizer que nao é, nem o que é , nem o que nao é e nunca foi nem nunca será, nem o que deverá ser a arquitctura. A arquitectura é aquilo que quiseres fazer.

Tá-se bem yooo

:p




sim, claro! tava só a colocar questões....para alguém me responder....porque acho que a forma de fazer arquitectura na cidade é muito mais do que dizer apenas "gosto" ou "não gosto". only that! :D

margarida duarte

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já agora em continuade com a minha reflexão pretendo de uma forma um pouco provocatória mostrar os tais 3 exemplos de estações feitas por Calatrava numa tentativa de assentar alguns pontos.

Gare de Liège, Bélgica:

'>
http://www.greisch.com/news/20060608-guillemins.jpg

Inserida numa zona urbana mas com uma escala similar à da gare de lyon.

Gare de Lyon, França:

http://mishilo.image.pbase.com/u23/riri/large/11600351.101_0165.jpg
http://www.socgeo.org/aeugeo/images/lyon_saint-ex.jpg

Envolvente sem grandes referências urbanas, com uma escala monumental e conectada ao aeroporto.

Gare de Lucerne, Suíça:

'>
http://www.vcd-bw.de/termine/2005/20050625/fotos/DSC00190.JPG

Inserida no centro da cidade e com uma escala mais ou menos adaptada ao local

Gare do Oriente em Lisboa:

http://charquinho.weblog.com.pt/arquivo/gare%20do%20oriente.JPG
http://www.iadis.org/icwi2005/imagens/gare_oriente.jpg

Com uma escala um pouco monumental que advém de toda uma ideia geral da zona.

---

Aquilo que prentendo exprimir é um pouco a ideia de que há certos casos em que uma obra, mesmo que inserida num meio urbano ou periférico ou sub-urbano, tem caracteristicas bastante semelhantes de escala do edifício que por vezes pode entrar em contradição. Para mim o exemplo de Liège é bastante claro, é uma gare de uma escala semelhante à de lyon mas neste caso inserida no meio urbano e, como tal necessitava de um espaço proporcional a essa escala para que o edifício pudesse respirar e integrar-se. Já em Lisboa, a escala do local permite com que o edifício se integre melhor no local se bem que a nível de usos há bastantes aspectos negativos

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Acho que desta conversa podemos tirar dois pontos importantes, a relação com a envolvente (escala) da arquitectura "calatraviana"... e como é que essa a arquitectura funciona (ou não) em diferentes registos e realidades... A primeira questão passa por pensar como é que a monumentalidade (diferente de monumento) é associada/dissociada da realidade local... Se formos ver ao longo da história, os edifícios de excepção tinham, em grande parte dos casos, uma envolvência que lhes "amparava" a dimensão e a monumentalidade, seja uma praça, uma avenida, um espaço mais aberto, etc... Para ver isso basta ver uma planta da zona antiga de Roma, onde grande parte das praças exitem para dar vida a um edifício de excepção, e vice-versa... Realmente o caso de Liège parece um caso claro de uma deficiente integração na malha urbana... A segunda questão passa pela concretização projectual que o Calatrava preconiza para as suas obras... que como já disse e já foi dito, parece muito a teoria do "Hello, I´m a monument"... É importante ser sensivel ao local, à cultura, à realidade do povo, à história. Contudo, pessoas como o Calatrava, Ghery, Zaha Hadid, etc, parecem ser imunes a isso, realizando as suas obras e impondo a sua "imagem de marca" onde quer que projectem... A monumentalidade não é um problema, porque desde que bem planeada e associada à realidade local, funciona e funcionará muito melhor do que espetar em qualquer lado o bom e velho OVNI...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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