O 73/73 é um mal menor. Todos os dias se iniciam construções novas cujos projectos são assinados por arquitecto e são uma vergonha para a classe.
Não conheço UM ÚNICO projecto de arquitectura que actualmente não seja subscrito por um arquitecto. O Dom Quixote já passou. Lutem é pela qualidade da arquitectura que só assim é que a classe tem credibilidade.
O nosso bastonário referiu disse que o problema actual era a falta de ordenamento da cidade. Que se tinha iniciado um grupo de trabalho. Não soube explicar o que estão a fazer.
Enquanto a abordagem do arquitecto em Portugal continuar a ser olhar para o umbigo (ler lote), vai-se continuar a criar uma cidade de gente vaidosa que gosta de gritar mais alto que o vizinho. É um nojo.
Para além disso, cada vez que os arquitectos participam nestas discussões, fico envergonhado. Têm um distanciamento da realidade tal que não dá para acreditar. Não sabem falar sobre nada. Não têm uma visão global.
Ainda me lembro do Manuel Salgado no debate sobre a localização do aeroporto que só soube falar do eixo de circulação radial na cidade de na vertical que se tem que inverter. Falta de enquadramento de Lisboa na AML, perspectivas de relocalização das actividade na AML, NADA. Para que a influência do aeroporto apenas tem haver com os movimentos pendulares.
PS, Já que estou embalado, aqui vai. O parecer da ordem sobre o PNPOT quando estava em discussão pública foi outra vergonha. Discutir os caminhos particulares em sede de PNPOT? Por favor! Outra preocupação foi a do ordenamento do espaço marítimo. A sério. Não dá para acreditar.
A assim a classe vai caminhando, descredibilizando-se cada vez que abre a boca ou escreve um artigo, se não se limite estritamente ao campo da arquitectura, mas que se relacione com a sociedade civil.