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Arquitectura.pt


gdionisio

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Everything posted by gdionisio

  1. Muito bom!, Fez-me lembrar um amigo meu que é arquitecto e cujo um amigo queria fazer um armazém, e disse "vou encomendar o trabalho a um engenheiro, é para ser uma coisa simples". As pessoas têm a mania que os arquitectos é só para ornamentar/decorar e pouco mais. Andam de cabelo pintado de verde e gostam de tirar fotografias a instalações sanitárias. Um abraço.
  2. Eu fui à conferência, na nossa OA (nossa nas cotas, de alguns na realidade) sobre esta obra e foi largamente referido o comportamento térmico/acústico do edifício, e a resposta foi "levem casacos, pois têm de ver este edifício não como um edifício mas como uma esplanada", com mais ou menos sentido até acho que é um ponto de vista interessante (se é que dizer interessante quer dizer alguma coisa) pois estamos constantemente "agarrados" aos sistemas artificiais de climatização. As portas de vidro não têm juntas, existe um ligeiro afastamento entre folhas permitindo a ventilação natural, o remate dos vidros verticais entre pilares não é fechado em baixo, contribuindo também para o natural arejamento. Em relação à cobertura, eu reparei que havia um tipo de regador numa das extremidades, que possivelmente terá um efeito minimizador da temperatura desta, não sei é se funcionará (tipo o centro comercial vasco da gama/lx?). A acústica tem dado alguns problemas, mas pelo q foi dito, há soluções em vista, tais como a colocação de faixas redutoras na parte inferior das vigas do tecto. Existe um problema maior no interior à noite, o reflexo das luzes nos vidros, fazendo com tu estando lá dentro não vejas nada cá para fora quando os vãos estão todos fechados, a iluminação exterior é mínima, criando o efeito de "lanterna". Mas, segundo palavras dos autores "isto é feito para estar aberto, mesmo à noite" mas este projecto é daqueles que por mais que fosse pensado haveria sempre situações por solucionar, "ainda está em obra".
  3. '> Piranesi elaborou a suas famosas gravuras, incompreendidas possivelmente ainda hoje... '> "Cidades Andantes" é uma velha utopia (1964) de Ron Herron, inicalmente impensável mas...quem sabe... http://homepages.compuserve.de/DrLudgerFischer/pigcity2.jpg "Pig City" da equipa MVRDV é possivelmente a mais pragmática das utopias que conheço, o auge do aproveitamento e da racionalização. P.S.: desculpem lá os formatos manhosos
  4. Sim, realmente parece uma toalha. Faz-me lembrar um "trabalho" que tive no primeiro ano de faculdade, cujo prof era o Pancho Guedes (ao qual presto a minha homenagem), em que consistia em fazer um auditório com uma folha A4, e os resultados foram muito parecidos com este, folhas enroladas e contorcidas ao jeito da imaginação, mas era apenas isso, um exercício à imaginação e também não passou disso mesmo, papel torcido.
  5. Sei que proponho um tema que poderia ser facilmente a base para uma tese de mestrado ou doutoramento, contudo esta questão é motivo de discussão desde os meus tempos académicos (que não foram assim à tanto tempo). Fazendo uma pequena passagem pelas tipologias arquitectónicas de coberturas tradicionais portuguesas, rapidamente ganhamos noção da variedade de formas de resolver um dos principais problemas técnicos da arquitectura, garantir a impermeabilidade de uma cobertura. Podemos retirar outras ilações observando simplesmente estas imagens. Existe uma relação estreita entre a materialidade das coberturas, utilizando os mais diversos materiais e o modo eficiente como estas resolvem não só, o problema da impermeabilidade mas também os altos comportamentos a nível térmico/acústico, economia, durabilidade, versatilidade na manutenção etc. A relação intrínseca com a envolvente e o que esta tem para oferecer, entra em conflito com os novos conceitos que influenciam os modos de actuação (na sua generalidade), as comunicações generalizadas, o efeito globalização, preocupações sobre a reciclagem, a sustentabilidade etc. As crescentes necessidades fazem-nos esquecer um passado recente que é constantemente adulterado e mesmo destruído em prólogo de uma actualidade cenográfica. Tal como na arquitectura popular portuguesa, o modo de resolver as coberturas assume variadas formas. Na arquitectura contemporânea essas formas tornam-se ainda mais evidentes e extravagantes. Tal como qualquer outro material, a telha tem os seus limites e comportamentos não aceitáveis, não podendo comparar ambientes mediterrânicos com situações nórdicas ou outras. É neste sentido que o recurso a materiais recentes que garantem maior longevidade, atitude térmica e possibilidades de aplicação em quase qualquer ponto do planeta, colocam os sistemas vernáculos à margem. Quer dizer, nem todos. Ora vejamos: - Uma das obras mais reconhecidas do Fernando Távora recorre ao uso da telha lusa (mistela entre marselha e canudo) sem que esta descaracterize a essência motriz do conjunto caracterizada pela dicotomia entre a vanguarda modernista e a tradicionalidade revelada pelo inquérito à arquitectura popular portuguesa. - O mais conceituado arquitecto português da actualidade, Siza Vieira, numa das suas primeiras obras, utiliza também a telha lusa como revestimento da cobertura sem qualquer pudor. - O Adalberto Dias, não nos fez a desfeita e também no meio do seu espólio, recorre à mal afamada telha, numa obra no Porto. - O vencedor do prémio secil, Pedro Borges, na Casa Unifamiliar João Pacheco de Melo em S. Miguel nos Açores, utiliza cobertura plana em paralelo com a cobertura inclinada em telha. Acreditamos que o recorrer à telha cerâmica é tão válido como recorrer a qualquer outro material. Tenha ela origens mais ou menos credíveis, interpretações e reinterpretações que nos levam ao descrédito desta (o pato usa e abusa), que se veja na revista Casa Cláudia todas as semanas nas chamadas “casas rústicas” ou seja, pelo facto de a telha ter vindo a alimentar os delírios formais da rusticidade generalizada do nosso edificado, não implica que seja usada, de modo erudito, por aqueles que procuram algo mais que um revivalismo doentio.
  6. Estou de acordo com o "JVS", também não vejo o lado utópico deste projecto. O François Roche é sem dúvida um artista talentoso, tenho visto trabalhos dele de 1997 até aos dias de hoje, ele trabalha muito com vegetação e forma amorfas em forte relação, criando esta dicotomia entre natureza/tecnologia. Luta vorazmente contra consumismos e por um “regresso” ao contacto com a terra. Isto, é claro, é a minha opinião sobre o pouco que conheço das obras dele, contudo não sou da opinião de que ele seja utópico nas propostas que apresenta, ou que tenha mesmo essa intenção, o facto de uma proposta nos fazer pensar, não é necessariamente utópica, acho que tem de ser mais do que isso. Vejo a utopia como uma necessidade premente, e tem-no sido à muito tempo, é a força motriz que nos faz andar para a frente. A definição, “(…) projecto imaginário, irreal(…) - in Dicionários Porto Editora” acho que diz tudo, e as experiências de F. Roche são bastante reais. Bom tema de discusão.
  7. Sem dúvida que ele encontrou a formula mágica, é como fazer castelos na areia que crescem como cogumelos. A questão é bastante pertinente e este não é um caso isolado, temos em Lisboa, por exemplo, situações semelhantes (que infelizmente não foram para a frente) como o elevador do Adalberto Dias ou as torres em Alcântara do Siza Vieira, que pelo facto da intervenção populista, ou da falta de cultura associada ao mediatismo criado em volta destes assuntos, ou por interesses imobiliário/políticos paralelos ficaram no papel. Não estou a colocar em questão a qualidade arquitectónica de nenhum destes projectos, mas valeram a pena nem seja só pela polémica. Neste caso, Gehry leva mais uma vez ao expoente máximo a ligeira diferença entre a arquitectura e a escultura, mas temos um dever para quem vai “viver” a arquitectura que concebemos. Na minha opinião, vejo poucas relações com a envolvente e mais delírios formais surrealistas do que outra coisa. Vejamos, o Guggenheim de Bilbao está inserido num contexto industrial, e aí era realmente necessário um objecto que criasse um acontecimento urbano revitalizador, nessa situação ainda aguento a extravagância do edifício, agora numa “aldeia” onde o objecto preponderante é o campanário de uma igreja, cenário este quase retirado dum filme de Jacques Tati, parece-me um pouco exagerado ou mesmo ridículo.
  8. Eu gostava de ter uma ideia do exterior antes de seguir para o interior, mas n vou a Matosinhos de propósito para beber um copo e ver a envolvente enquanto espero numa fila para ser revistado por um gorila com a 4ª classe (4º ano actualmente). Contudo o interior à primeira vista, parece a loja da U N Benetton, mas temos de ser modestos porque as fotos enganam, sabem bem do que estou a falar (escrever) quantas vezes acontece surpresas boas e más aquando de visitas físicas a obras e mesmo o quanto somos enganados pelas fotos "ideais" de capa de revista?
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