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  1. O concurso foi também publicado na revista "Arquitectura e Vida" do mês de Maio. Logo que possível, será colocada uma digitalização da página. :)
  2. CNLL Casa Isabel Antunes _ Espinho, Anta . 1999-2004 A proposta é composta por cave, r/chão e andar, tendo havido o maior cuidado no que respeita à sua concepção arquitectónica, promovendo um edifício com características eminentemente actuais. O programa que norteou esta solução é o seguinte: Ao nível da Cave temos a garagem, uma instalação sanitária e um arrumos. Quanto ao R/C temos o hall de entrada, a cozinha com armário despenseiro, sala comum, um quarto de dormir e uma instalação sanitária de apoio a este piso, tendo como elo de ligação ao piso superior a caixa de escadas. Para o 1º Andar, o qual tem uma área superior à prevista no loteamento mas que não excede 3% de aumento permitido, está prevista a zona íntima da habitação composta por três quartos de dormir, sendo um deles com quarto de banho privativo, e um quarto de banho de serviço. Descrição Geral Cliente: António Dias Marques Antunes Descrição: Projecto geral para moradia com cave, r/c e 1 piso Área de intervenção 304 m2 Local: Espinho, Anta Data Início | Fim: 1999 | 2004 Agredecemos a colaboração de CNLL.
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  4. CNLL Casa Brenha _ Espinho . 1999-2004 A proposta assenta no trabalho sobre um programa tradicional; cozinha, salas, 3 quartos, sanitários e procura garantir uma identidade espacial interior dentro das possibilidades que a Câmara restringiu e definiu para o local. A altura correspondente aos dois pisos permitidos, subdivide-se de modo a criar um interior complexo, em que a disposição por pisos substitui-se pela disposição em níveis, tornados possíveis pela sucessão e sobreposição de plataformas, gerando vários momentos onde os olhares e a vida se cruzam num espaço interior heterogéneo, mas ao mesmo tempo aglutinador das várias facetas do quotidiano. Propõe-se assim, uma vivência e um percurso vertical que difere, esclarece e cruza os diferentes lugares do habitar. Desenha-se uma mescla de perspectivas, possibilita-se uma oferta variada de pontos de vista, estimula-se uma implusão interior em cujos fragmentos se constrói o programa e as áreas, que apesar de tudo deverão continuar a ser tradicionais. A sala é para estar, os quartos para dormir, a cozinha para comer, as escadas para separar e também unir os diferentes níveis, transformando todo o percurso, numa experiência emotiva. Como desejo e como símbolo quantos têm na ideia de casa o sonho da representação e do movimento revelado pelas imagens já gastas das sublimes escadarias que Hollywood tantas vezes construiu nos inúmeros filmes das nossas vidas? O projecto aceita essa ideia, esse desafio e procura edificar tão-somente um movimento, aqui pouco romântico e seguramente mais vertiginoso, e não se centra apenas no átrio, mas gira à volta de um programa espacial que as casas de hoje ainda reivindicam. Com o intuito de tirar partido das diferentes alturas e da profundidade disponível, a casa oferece à rua, não a fachada que anteriormente interrompia o quarteirão, mas a diversidade como sinal. É a cobertura que se funde com a fachada numa superfície única e contínua, como uma frágil membrana de separação entre a esfera pública e a esfera privada. Descrição Geral Cliente: João Carlos Brenha Descrição: Projecto geral para moradia com cave, r/c e 1 piso Área de intervenção 334 m2 Local: Espinho, rua 5 Data Início | Fim: 1999 | 2004 Agredecemos a colaboração de CNLL.
  5. CNLL Casa Augusta Miranda _ Espinho . 1998 Marcado por uma necessária e fundamentada contenção de custos, este projecto resulta da necessidade de recuperar uma habitação, degradada pela construção do edifício de 4 pisos localizado a norte. Não havia intenção de construir um prédio com esta dimensão. No entanto, o plano que a Câmara tem em curso assim obrigou e a verba que havia para transformar uma velha casa dos finais do século XIX, deveria permitir para realizar a edificação de um volume com 4 pisos. A solução para este local de grande visibilidade, assenta numa lógica de continuidade volumétrica. O que se pretendia era apenas uma ou duas habitações para a família e se possível fosse, alguma identidade e expressão deste tempo através de um novo desenho, apesar dos meios. O rés-do-chão é a garagem, o primeiro piso uma habitação com dois quartos talvez para os pais, o terceiro e quarto piso a habitação com três quartos em duplex, minimizando circuitos e integrando áreas que as vivências próprias da família, as suas experiências e as suas memórias, diziam ser necessário cumprir e assim se fez. Metaforicamente trabalha-se sobre a fachada como se de um cenário se tratasse. O óculo que traz o mar, emoldurando-o, perturba o sentido da contenção ou do não excesso. Definida a geometria e a composição da fachada, foram-se subtraindo elementos, troços curvilíneos, que resultam num todo homogéneo. Só o lugar descentrado restou, como resultado de uma intersecção inexistente. A fachada oposta é o negativo e só a área central se desenha e recorta, de modo a permitir que entre a luz fundamental. É o movimento curvilíneo, quase côncavo, limitado por um pórtico maciço, que marca e define o desenho deste edifício, sendo capaz de comunicar uma forte relação entre a vida interior, as condições de produção e os vazios das superfícies, num permanente questionar sobre a actual função social da arquitectura. Descrição Geral Cliente: Augusta Maria Sá Meneses Miranda Descrição: Projecto geral para edifício de habitação com r/c e 3 pisos, 2 apartamentos Área de intervenção 488 m2 Local: Espinho, rua 8 Data Início | Fim: 1998 | 2001 Distinção: Obra seleccionada e integrada no inquérito à arquitectura do séc. XX em Portugal, pela ordem dos arquitectos. Agredecemos a colaboração de CNLL.
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  7. CNLL Casa Ana Paula _ Espinho . 1997 | 2000 Situado em Espinho, numa rua de eixo norte-sul e edificações de rés-do-chão e andar, o lote onde se implanta esta habitação resulta das dimensões exíguas do terreno rectangular, com 6,4 metros de frente sobre a via. Assim, o edifício desenvolve-se em quatro pisos, organizados em torno de um pátio central, com jardim, ao nível do piso 1. Corta a sua comunicação com a envolvente e rompe a sua escala, assumindo-se como elemento vertical. O carácter vertical do edifício foi também assumido interiormente, pelo que existem fossos de luz zenital, que irradiam luminosidade para todo o edifício. É através do piso 0 que se realiza a entrada para a habitação e garagem. Um plano encerrado, dissimulando a entrada da habitação, unindo-a à garagem e revelando a sua relação conceptual com o exterior – uma imagem unificadora e encerrada, desligada da rua. O piso 1, apresenta somente uma abertura para a rua, deslocada para um dos lados da fachada. O piso 2 é completamente encerrado, acentuando essa recusa de comunicação com o exterior, permitindo maior privacidade e recolhimento para a zona da biblioteca. O piso 3, já bastante afastado da rua, apresenta uma varanda a toda a largura da fachada, quase como contraponto à sua relação com a rua, não esquecendo também de evidenciar a sua relação com a sua fonte de vida e iluminação (a sua abertura zenital). O edifício remete-se para dentro de si mesmo, quase como uma introversão e desligamento dos problemas quotidianos, local de refúgio e repouso, com a sua grande força virada para o azul do céu e daí recebendo directamente a sua luz e inspiração (que se distribui e espalha por toda a habitação em aberturas zenitais, desde a entrada, pátio interior, comunicante com todos os pisos e quarto principal). A comunicação, interrompida exteriormente, acontece interiormente a todos os níveis, agregando o espaço, através do pátio central. Este pátio central, ao qual se junta a escada de um dos lados, funciona como elemento estruturante e organizador. O espaço é também definido pelo alinhamnto das zonas de serviço, adossadas a um dos lados do lote, e dispostas em série; libertando o resto de espaço para a vivência quodiana e encontro da família. Descrição Geral Cliente: Ana Paula Faria de Sá Descrição: Projecto geral para moradia com r/c e 3 pisos Área de intervenção 384 m2 Local: Espinho, rua 14 Data Início | Fim: 1997 | 2000 Distinção: Obra seleccionada e integrada no inquérito à arquitectura do séc. XX em Portugal, pela ordem dos arquitectos Agredecemos a colaboração de CNLL.
  8. CNLL Auditório e Arranjo Urbanístico entre as Ruas Luís de Camões e Marechal Gomes da Costa . 1998 Localizado em espaço aberto, com acesso privilegiado entre duas ruas, pretende-se requalificar toda uma área urbana, transformando-o no verdadeiro centro de vila. A topografia do local, o seu declive acentuado e sua interligação com a praça do município, com vistas abrangentes, permitiu entender o trabalho, não só na perspectiva de criação de espaços de lazer associados a espaços comerciais e culturais, mas sobretudo como uma procura de criar um conjunto edificado capaz de integrar escalas diversas e de estabelecer relações de conjunto. O espaço público projectado a Praça – desenvolve-se em três níveis. O programa foi distribuído de acordo com as características específicas dos espaços e funções, bem como das exigências e compromissos municipais que existiam relativamente às parcelas de terreno a afectar. Como objectivo primeiro para o desenho desta solução, foi a procura de caracterização do local de intervenção como um "Centro Cívico" da Vila, em espaço aberto onde a dinâmica horizontal do espaço exterior se sobrepõe ao edificado numa adequação à topografia do terreno que se distribui por três planos horizontais distintos, vencendo as diferenças de cota entre a Rua Marechal Gomes da Costa, o interior de quarteirão e a Praça 25 de Abril. Foi princípio conceptual o desenvolvimento de um desenho rigoroso, com sentido de modernidade adequado à difícil capacidade de edificação que o interior possui. Procura-se neste projecto articular e desenvolver uma estratégia de eficácia dos meios económicos, com a necessária funcionalidade e a expressão local de modo a viabilizar a sua construção. A proposta de criação do centro cívico, orienta-se para o desenho de espaço edificado com uma escala controlada, destinada ao desenvolvimento cultural, turístico e comercial do centro de Carrazeda de Ansiães. A nível programático separam-se as funções de auditório/anfiteatro, posto de turismo, galeria de arte, café, esplanadas e, necessariamente, o espaço de circulação, estar e lazer na praça que é o local urbano por excelência. Descrição Geral Cliente: C. M. Carrazeda de Ansiães Descrição: Projecto geral para arranjo urbanístico e fórum municipal com auditório, salas de exposições, posto de turismo, parque de estacionamento coberto e auditório exterior. Área de intervenção 5.902 m2 Local: Carrazeda de Ansiães Data Início | Fim: 1998 | Em fase final de construção Agredecemos a colaboração de CNLL.
  9. CNLL Auditório Nacional Carlos Alberto _ Porto . 1998-2003 O projecto de arquitectura tem como objectivo a reformulação e readaptação do edifício com vista a conferir ao Auditório um carácter singular no seio dos restantes espaços teatrais existentes na cidade do Porto, de modo a oferecer um espaço aberto à experimentação, às novas performances cénicas e às novas dramaturgias da representação teatral. Existe a preocupação de dotar o edifício de um conjunto de áreas que respondessem em especificidade e dimensão às mais diversas solicitações, reorganizando todas as zonas subaproveitadas, sem prejuízo da qualidade e conforto que os respectivos usos exigem. Esta intervenção contempla um relativo aumento da volumetria do edificado, proporcionando assim a criação de melhores áreas de organização interna do edifício, para além de permitir o desenvolvimento de um programa funcional mais completo. Pretende-se um auditório que permita múltiplos formatos de representação, que pudesse ter diversas utilizações, tais como o teatro à italiana, anfiteatro, a sala circular com palco de localização variável, etc... A importância do Auditório Nacional Carlos Alberto como casa de espectáculos acolhedora de parte importante da actividade cultural da cidade do Porto, e a identificação deste espaço como um "espaço de referência" de uma outra dimensão cultural na cidade, são os factores determinantes do presente projecto. A proposta acentua uma ideia de cultura/encontro/experimentação. Procura resolver uma série de necessidades e uma melhoria de condições de modo a permitir receber e criar expressões diversificadas dos valores vários da comunicação e do saber que a actualidade vem produzindo num processo híbrido onde o teatro, o cinema, a conferência, as leituras, as exposições e as instalações, são aspectos de uma linguagem cultural de sabor mais universal e heterogéneo e que este projecto procura reequacionar. As vicissitudes de um país que confunde o poder e o cortar pela metade, levam a desenvolver uma só parte do projecto, comprometendo o todo e o sentido global que os projectos e a obra deveriam conter. Descrição Geral Cliente: Porto 2001, S. A. | Casa da Música Descrição: Projecto geral para remodelação e conservação do edifício com auditório, biblioteca, café e camarins Área de intervenção 3.650 m2 Local: Porto Data Início | Fim: 1998 | 2003 Agredecemos a colaboração de CNLL.
  10. CNLL Remodelação _ Discoteca Double O, Espinho . 2002 O projecto refere-se à remodelação do interior da Discoteca antiga Spinus em Espinho. A intervenção visa definir uma nova organização espacial através da requalificação da decoração interior e da introdução de mobiliário específico. O edifício da discoteca desenvolve-se em dois pisos (R/C e 1º andar), sendo a entrada feita pelo alçado poente para uma antecâmara que contém a área de vestiário e mantém uma ligação com a parte contígua de restaurante. A passagem para o interior da discoteca é deslocada, sendo agora efectuada lateralmente. Um novo entendimento do funcionamento da discoteca leva à mudança da localização da escada que permite o acesso ao piso superior. A sua retirada da área de pé-direito duplo permite, por um lado libertar este espaço central de pista de dança de um obstáculo, e por outro, relacionar de forma mais directa com a entrada a comunicação entre os dois pisos. Em contraponto a este elemento, define-se, no lado oposto, uma parede espelhada inclinada que orienta a pista de dança e estabelece uma relação de referência no piso superior. A disposição da escada e da parede espelhada inclinada orientam e organizam o funcionamento da discoteca. No R/C definem-se, lateralmente à pista de dança, dois espaços diferenciados: uma área de atendimento e uma outra onde se localizam as instalações sanitárias e a saída de emergência. No primeiro piso encontram-se dois espaços de atendimento distintos: um de carácter mais reservado e protegido, e outro mais dinâmico, participando de forma mais intensa com o que se vive no piso inferior. Descrição Geral Cliente: Maia & Leonel, Lda. Descrição: Projecto geral de remodelação de discoteca “discoteca Double O” Área de intervenção 360 m2 Local: Espinho, ruas 6/9 Data Início | Fim: 2002 Agredecemos a colaboração de CNLL.
  11. CNLL Casa Zinita - Espinho . 2000-2005 O terreno, de forma regular localiza-se no gaveto formado pelas Ruas 10 e 29, em Espinho. O local objecto da proposta está caracterizado por uma construção (Vila Natália), classificada por Património a Salvaguardar. Em termos de implantação, a remodelação / ampliação respeita na integra a já existente, verificando-se apenas a sua ampliação com mais um piso que se desenvolverá ligeiramente mais recuado em relação ao plano das fachadas por forma a retratar o mais fielmente possível a traça arquitectónica original. O edifício projectado, procura apresentar uma solução exclusivamente destinada a uma habitação, integrada numa ideia de proporcionar áreas generosas e usufruir das qualidades próprias que este edifício possui. A construção desenvolve-se em três pisos, com a seguinte distribuição: A Cave, que por ser elevada possui iluminação directa do exterior, é destinada a garagem, arrumos, lavandaria, uma instalação sanitária e escadas de acesso aos pisos superiores. Quanto ao R/chão, é composto pelo hall de entrada da habitação, que é feito pela Rua 10, cozinha, sala comum, escritório, um quarto de banho e uma instalação sanitária, um quarto de dormir, escadas de acesso ao piso superior e uma pequena rampa de acesso à garagem devido à diferença de cotas entre a cave e a Rua ser diminuta. No aproveitamento do vão do telhado, cujo volume se altera, propomos a zona íntima da habitação e é composta por apenas dois quartos de dormir, para minimizar o número de janelas e reduzir a ideia de aumentar um piso, que terão instalação sanitária privativa e vestíbulo. Descrição Geral Cliente: Maria dos Anjos Pereira de Oliveira Pinto Descrição: Projecto geral para recuperação e remodelação de moradia com cave, r/c e 1 piso Área de intervenção 457 m2 Local: Espinho, ruas 10/29 Data Início | Fim: 2000 | 2005 Agredecemos a colaboração de CNLL.
  12. Arquitectura Popular dos Açores O Teatro Micaelense e a Ordem dos Arquitectos - Delegação Açores dão corpo à reposição da exposição de Arquitectura Popular dos Açores fruto da recolha de campo efectuada durante 1982/83 e em 1984/85, cujo trabalho foi materializado posteriormente em livro. No cerne desta recuperação está a pretensão de mostrar a Arquitectura Vernácula da Região. As diversas calamidades, tantas delas pela nossa mão. O património era nosso, e não soubemos preservar a memória, criar uma consciência colectiva que o regenerasse, salvaguardasse e transmitisse ao futuro. O testemunho de uma Arquitectura em extinção. A exposição está patente no centro de exposições do Teatro Micaelense até 26 de Maio, de 2ª a sábado, das 14h00 às 20h00. Estão igualmente previstas visitas guiadas à exposição pela Arq. Rita Dourado, por marcação prévia, dedicadas ao público escolar e demais interessados. A entrada é gratuita. Fonte: www.azoresdigital.com
  13. Inês Cortesão Centro de Radiologia, Figueira da Foz . 2004 O espaço que encontramos é escuro, soturno, desajustado no tempo. Foi-me proposto pelos médicos que ali exercem as suas funções que o dotasse das qualidades necessárias ao seu bom funcionamento, segundo os princípios vigentes no “Manual de Boas Práticas de Radiologia”. O edifício de habitação dos anos 30, situado numa cidade balnear, a Figueira da Foz, faz parte de uma lista de bons exemplos de construção de uma época áurea, estilo Art Déco. Neste edifício funciona um Centro de Radiologia, no 1º piso, desde os anos 60. A estrutura do espaço é a de uma habitação com corredor central que distribui para espaços com iluminação natural, à direita e para espaços interiores, à esquerda. Esta última característica em nada prejudica a qualificação do espaço, visto que a prática da radiologia rejeita qualquer tipo de iluminação natural, dando preferência a uma iluminação artificial facilmente manipulável. Das salas de exames procura-se, no exterior, a luz. O desenho de um espaço caracterizado pela marcação rítmica do percurso através da luz foi o princípio conceptual do projecto. Luz desenhada nos tectos, luz indirecta, direccionada aos tectos ou contida em paredes. O espaço da sala de espera abre-se ao exterior, recebe a luz natural e faz a sua distribuição pelos restantes espaços. Constitui um prolongamento da área de chegada-atendimento-recepção. Aqui, a parede composta por caixas de vidro opalino configura em forma de luz o acolhimento do utente. Inicia-se o desenrolar de um percurso por um corredor longo e curvo que distribui os utentes pelos vários espaços do Centro. Acentua-se um ritmo, no percurso, marcado pelo desenho de um lambrim em contraplacado preto que é interrompido pela introdução de portas brancas que ocupam a altura total do pé direito. A imagem caracterizada por uma porta de duas folhas no fim do percurso no corredor é um espelho da mesma imagem no seu início e revela a existência de duas direcções possíveis. Foi criado em todo o espaço um forte ambiente de contraste preto e branco acentuado pela iluminação, podendo estabelecer uma analogia com a prática da radiologia: o líquido de contraste que o utente toma e o feixe de luz que lhe é projectado produzem a radiografia. O espaço foi totalmente reorganizado do ponto de vista funcional, de onde resultaram três zonas relevantes: zona de utentes constituída pelas áreas de atendimento, recepção e espera, corredores de circulação e instalações sanitárias (masculinas, femininas e de pessoas com mobilidade condicionada); zona de apoio constituída pela sala de relatórios e câmara escura; zona de exames constituída pelas salas de exames (radiologia convencional, ecografia, mamografia e tomografia) e pelos respectivos vestiários. A implantação de uma área de atendimento/recepção ampla, capaz de responder às solicitações dos fluxos do Centro foi um dos pontos mais importantes. As salas de exames são dotadas de tectos perfurados acústicos para privilegiar um ambiente de silêncio e de tranquilidade, mas também decorativo pelo facto do utente passar a maior parte do tempo a olhar para eles. O mobiliário foi desenhado e construído com a mesma matéria dos lambrins: o balcão de atendimento, as mesas de trabalho, a mesa de apoio, o porta-revistas, as caixas de lixo; os porta-exames e os móveis de apoio foram lacados a branco como todas as portas do Centro. As cadeiras brancas foram escolhidas para darem continuidade a um ritmo marcado pelo contraste de elementos brancos que se destacam do lambrim em contraplacado preto. No que respeita aos meios de conforto, higiene e segurança os espaços dispõem de redes de infraestruturas eléctricas, de iluminação, rede de telefones internos e externos, rede estruturada de informática e rede de segurança contra incêndios e intrusão. Dispõe também de um sistema de climatização e de ventilação em todo o Centro. Todos os espaços são dotados de sinalética para conferir uma adequada percepção das disposições internas das unidades de radiologia assim como de painéis informativos. Esta obra pretende garantir o direito ao utente de obter os níveis de qualidade de serviço, organização e funcionamento, aliado a um ambiente contemporâneo, exigível nos nossos dias. Ficha Técnica Cliente: Centro de Radiologia da Figueira da Foz Localização: Rua Maestro David de Sousa, Figueira da Foz, Portugal Arquitectura: Inês Cortesão Data: Novembro de 2004 Área Total: 260 m2 Engenharia: Engº Pedro Douwens Créditos Fotográficos: FG+SG - Fernando Guerra Agredecemos a colaboração da Arqª Inês Cortesão.
  14. Inês Cortesão Casa em Santa Cruz, Tomar . 2007 Uma casa e uma garagem são propostas num terreno que tem a particularidade de ser longo e estreito, tendo uma área de 5.080 m2 e uma frente de rua com apenas 12m. Com base nas condicionantes desta configuração, optou-se por traduzir o sentido de longitudinalidade do terreno na casa. Os limites laterais da construção foram definidos pelos afastamentos aos limites do terreno – 1.5m no ponto cardeal norte, dado os respectivos espaços no interior serem exclusivamente de circulação, e 3.00m no ponto cardeal sul, determinados pela necessária abertura de janelas. É a implantação destes dois muros, paralelos entre si, que funciona como ponto de partida, sublinhando o conceito global. O interior da casa surge como conteúdo autónomo, delimitado pelos muros, e no qual é acentuado o mesmo sentido de longitudinalidade – através dos espaços de circulação que desenham enfiamentos visuais do exterior: norte-sul, nascente-poente. Nos espaços funcionais este sentido é contudo preterido, em favor de uma necessária centralidade de uso – tratam-se de espaços amplos e abertos ao exterior, através do rasgamento dos muros, permitindo a entrada de luz. O piso 0 integra a sala, o escritório, e o contentor de serviços: cozinha, dispensa/lavandaria e instalação sanitária. No piso superior, através da introdução de páteos, a paisagem é substituída pela vista do céu, eleita por oposição à vista de um parque de estacionamento saturado em dias de festa. São desta forma os páteos que proporcionam o prolongamento ao exterior dos quartos e das instalações sanitárias. Procurou-se que a casa se integrasse na escala rural que define o local, sendo assim legitimado o desenho dos alçados, que oculta a imediata percepção da existência de dois pisos. Num mesmo sentido, optou-se pela construção dos muros em tijolo cerâmico vermelho, a matéria recorrente nos telhados que caracterizam as construções circundantes. No alçado virado à rua, enterrados no prado verde, evidenciam-se os muros vermelhos – entre os quais um plano de vidro, que corresponde aos dois pisos, oculta a casa enquanto conteúdo e contribui para a acentuação do carácter autónomo dos muros. A garagem, definindo-se também como um conteúdo, é construída num plano próximo da rua, enterrada, e acusando um terraço na cobertura que recupera a memória de uma eira – que forrada a tijoleira cerâmica vermelha poderia ser, conceptualmente, uma indicação de uma base de assentamento da casa que atrás se desenvolve. A casa é implantada mais adiante, afastando-se dos ruídos da rua, já no início da pendente que se desenvolve no terreno e que se reflecte no interior através do aumento do pé direito na sala. De forma quase ausente, a garagem não compromete o protagonismo da casa no terreno. Ficha Técnica Cliente: Sílvia Jácome Mendes e António Miguel dos Santos Antunes Localização: Santa Cruz . Tomar Arquitectura: Inês Cortesão (co-autoria com Margarida Brito Alves) Data: Novembro de 2007 Área Total: 250 m2 Engenharia: Engº Rui Dias Agredecemos a colaboração da Arqª Inês Cortesão.
  15. Inês Cortesão Casa no Príncipe Real, Lisboa . 2004 Uma portuguesa, que vive desde sempre em Nova Iorque, propôs-me que dotasse a sua casa, em Lisboa, de um novo habitar. Analisei o passado do edifício, que tinha sido construído um século antes e ampliado, nos anos 50, com a construção dos dois últimos pisos. O apartamento pertence a esta última intervenção, sem as características que qualificaram a construção inicial de carácter palaciano. O conceito que inicia o projecto devolve-nos esse carácter como forma de clarificar os princípios que deram origem ao edifício. O programa desta casa de 260m2 estava rigorosamente dividido: área social e área privada e dentro destas áreas as articulações entre os diferentes espaços não estabeleciam hierarquias. Salas duplicadas, sequências repetidas, programas desajustados e uma grande área no sótão, que ocupa 120m2 da cobertura da casa, sem uso. A imagem dos pés direitos altos e daquelas salas amplas de portas rasgadas que caracterizam a primeira construção não deixou marcas neste apartamento, situado na máxima altimetria de uma das sete colinas da cidade, com vistas panorâmicas a norte e a sul. A intervenção começa por libertar a área social e estabelecer continuidades no percurso. Desenha-se a ligação com o sótão. Um volume cúbico contém a escada de acesso e configura também a separação entre a chegada e as salas que se propõem. Este constitui o ponto de centralidade no espaço. A área privada mantém os 5 quartos existentes. A escala da casa foi redefinida pela introdução de duas alturas no pé direito. Desenham-se aberturas nos tectos que contêm iluminação indirecta, centralizam os dois espaços das salas e acentuam a dinâmica do percurso no corredor. A imagem é a da leveza de uma folha de papel contrariando o peso dos tectos da casa (numa área de 260m2, um pé direito contínuo de 2,85 pareceu-me desajustado), além disso o tecto mais alto parece sempre revelar mais para lá do que é visível, pretende-se o céu... Esta vontade de leveza está também no plano de parede que constrói a lareira. Pinta-se uma faixa de preto em negativo para criar suspensão, e transpõe-se o positivo em forma de um aparador preto com fundo branco para a parede oposta, que limita a outra sala. Assim como forma de estabelecer uma relação visual entre estes dois espaços, unificando-os. Ao centro, o volume branco contem a escada de acesso ao sótão. Subimos entre paredes côr carmim até emergirmos à superfície com o sol a entrar pelos vários orifícios da cobertura. Este atelier de uma videasta é coberto por uma estrutura de asnas e tectos brancos. Como excepção, um volume carmim pelo exterior e branco no interior contém o lavabo. Os materiais utilizados foram as madeiras e as pedras à imagem do existente: a madeira de riga para os pavimentos e escada, o contraplacado Wisa Red para revestimento interior da escada e exterior do lavabo e o contraplacado de bétula para construir os roupeiros, camas, mesa de jantar e cadeiras; a restante carpintaria foi lacada a branco. As instalações sanitárias revestem-se de liós, a pedra da região que construiu a cidade de Lisboa, à excepção da instalação sanitária social em mármore negro marquina, como o preto da lareira, o preto do aparador, do frigorífico, da placa do fogão e do forno, pontos de articulação visual entre os espaços sociais. A salientar a cama do quarto principal construída em acrílico, um transparente absoluto, como uma nuvem, flutua... O mobiliário foi desenhado ou escolhido à medida da arquitectura na sequência natural para o habitar. Ficha Técnica Cliente: Elsa Vieira Localização: Rua D. Pedro V, Lisboa, Portugal Arquitectura: Inês Cortesão Data: Novembro de 2004 Área Total: 260 m2 Engenharia: Engº Pedro Douwens Créditos Fotográficos: FG+SG - Fernando Guerra Agredecemos a colaboração da Arqª Inês Cortesão.
  16. De acordo com o contacto realizado por email: Luis Tavares Pereira "com excepção de uma ou outra situação pontual" Kazuyo Sejima, Steven Holl, Jean Nouvel, Alejandro Zaera-Polo, Françoise Choay, Jacques Herzog e Kenneth Frampton são os principais ausentes... Pontual, dizem eles... :)
  17. Tal como é visível no vídeo, os elementos ganham bastante destaque e importância no projecto, e como já disseram, torna-se bastante iconográfico. Sería interessante de que forma esses mesmos símbolismos orientaram as várias decisões do projecto. Espero que a influência do Elemento "Heart" não esteja apenas reflectido através de uma vista aérea... E a organização espacial interior? Circulações? Também sofreram influência dos elementos? Abraços
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