Os teóricos das ciências da organização do espaço urbano têm vindo a distinguir de forma
clara, aquilo a que hoje chamamos de Megacidades das normalmente designadas cidades
globais.
O acesso em banda larga, a globalização da economia, os serviços de outsourcing, a força
das praças financeiras, as sociedades de informação e do conhecimento constituiem a face
visivel das novas políticas estratégicas das cidades em rede.
Fortemente competitivas e com niveis de conecção distintas, as cidades globais
apresentam-se no ranking mundial como a nova forma de dinâmica urbana, onde um nova
estrutura do tipo grafo, substitui a tradicional Teoria dos Lugares Centrais de Christaller.
Com a introdução do comboio de Alta Velocidade e da generalização das companhias de
low-cost, as ligações entre as cidades reduziram-se, o tempo alterou-se.
As cidades globais são formas concentradas de prestígio financeiro e de serviços
qualificados, numa mão-de-obra reduzida e especialidada, que cada vez mais se comunica
por bits com recurso a plataformas digitais.
No quadro das cidades globais a arquitectura e o urbanismo têm servido para responder a
programas particulares de reposta a serviços muito especializados, a programas de
infraestruturas de transportes e unidades de I&D, arranha-céus, e de politicas de promoção
do luxo através de habitação ou terceário para multinacionais. Os espaços tendem a ser
cada vez mais pequenos e em localizações com preços de solo muito caros, o que encarece
o o preço de m2.
Em paralelo a esta dinâmica financeira, existe um oceano de pobreza, exclusão e
analfabetismo. Multiplicam-se os bairros degradados e a fome. Situações limite de falta de
saneamento, acesso a água potável ou outras infraestruturas básicas. Situações muito
precárias, de marginalidade e insegurança. Sem acesso à educação, à cultura ou ao
emprego. Cidades demograficamente saturadas, com uma população de milhões de
habitantes com densidades muito elevadas por m2. A estas chamamos Megacidades.
Nem todas as cidades globais são megacidades (v.g. Londres ou Tóquio, embora tenham
grandes índices populacionais), e uma megacidade não é necessariamente uma cidade
global. Porém, as megacidades podem ser consequência das cidades globais, devido à
deficiente distribuição dos rendimentos (v.g. São Paulo ou Lagos). São as cidades duais:
vivem a duas velocidades.
A face visivel do neoliberalismo capitalista continua e fazer avançar o espaço de fluxos das
cidades globais em tempo real, promovendo a arquitectura como a sua espressão física. Em
contraste, continuamos a criar espaços off line cada vez mais problemáticos e dificies
de integrar na malha. Que futuro se espera para a Cidade Global? Como podemos evitar o avanço das Megacidades? Que medidas, programas, políticas e acções publicas e privadas garantem a participação democrática e asseguram o direito, as liberdades e garantias dos cidadãos em contexto da globalização da arquitectura e da cidade?