foi substituído pelo Paulo Ferreira
O que eu acho é que, fossem quais fossem os problemas da equipa, que os tinha, o resultado é bom. E não estou a dizer isto naquela perspectiva bacoca do tipo "oh somos tão coitadinhos tão fraquinhos que pronto já não foi mau". Não acho que de facto temos uma grande selecção neste momento, e podíamos, se as coisas tivessem corrido de outra forma, passado a França e estar agora na final. Mas não passamos, perdemos, acabou. Mas o mundo (do futebol) não acaba aqui. Agora é seguir pa frente e perceber que só podemos ganhar um Mundial se daqui a 4 anos voltarmos a lá estar. Ou seja: uma meia-final é um bom resultado mas é preciso repeti-lo. A França jogou 3 meias finais e perdeu nas 3 antes de conseguir ser campeã mundial em 1998. E jogou 3 meias finais numa série de vários mundiais em que não conseguiu chegar tão longe. Mas a regularidade acaba por dar frutos e pronto, num acabaram por ganhar, e se calhar domingo repetem a proeza. Não há milagres, embora o Scolari pareça que os consegue. O que há é trabalho. E o que houve também nestes anos na selecção foi trabalho. E isso também se reflecte. Eu estou contente porque se repararmos Desde o Euro2000 estamos presentes em todas as competições (2euros e 2 mundiais) e no meio da cagada de 2002 temos uma final perdida e duas meias finais. A isso começo a chamar de regularidade. Seguindo assim, com esse profissionalismo, o título vai aparecer. Naturalmente e sem milagres.
Ah e já agora acho que o Figo jogou ao longo do Mundial com um nível que eu já não lhe via há vários anos. E desta vez foi um capitão a sério.
Também acho que deviam ter apostado no Nuno Gomes, mas pronto, foi opção, talvez má, mas se corresse mal com o Gomes também agora tavamos a dizer o mesmo. E também tenho uma visão positiva destas demonstrações de patriotismo durante estes eventos. É que mostra que apesar de tudo as pessoas querem gostar de Portugal, querem ter motivos para se orgulharem, claro que depois são todos dum civismo fantástico (!!!) fogem todos aos impostos, todos procuram a baixa, etc., mas pensem do ponto de vista desse português que usa a bandeira em dia de selecção... em que outra altura de qualquer outro evento que diga algo ao grande público é que há a oportunidade de realmente nos sentirmos iguais ou melhores aos outros povos? O futebol também tem este papel, e se serve para estimular um pouco a noção de país que cada um tem, então eu tenho tudo a favor. Como dizia o Orwell "o futebol é a continuação da guerra por outros meios" (SporTV a mais... ). O mal não é o futebol português de selecção estar bom, é tudo o resto estar mal, é isso que temos de mudar, não vamos cair na mediania típica de querer nivelar tudo por baixo, do tipo "o futebol só pode estar bem e com as pessoas a festejar quando tudo o resto estiver também bem".
E já agora gostava que reflectissem um pouco sobre o tão falado civismo dos povos "mais avançados" da Europa em relação à nossa mais que badalada falta dele a partir do que aconteceu nos nosso jogos com a Holanda e na sequência do jogo da Inglaterra. Ou seja, qual é o sentido de se criticar com uma dureza imensa o português por cuspir no chão ou atravessar a passadeira no vermelho quando o sr.holandês , que faz tudo isso como um cão amestrado toma atitude de lesionar um jogador adversário par apoder mais facilmente tentar ganhar um jogo de futebol... Ou qual é o sentido de mandar vir com o mesmo português pelos palavrões que diz quando está na estrada quando o sr.inglês é incapaz de perder sem ter de partir tudo no local antes de vir embora. É que eu fiquei a pensar. E acho que é uma boa oportunidade para percebermos que os nossos defeitos graves e são nossos, mas os outros também os têm, iguais ou piores. E daí talvez, apenas talvez, aprendermos a respeitar um pouco mais o nosso país, e o que é nosso. E se calhar já estamos aí a dar um pequeno passo em frente.