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Portugal leva a Veneza estrutura para ver e usar
Paula Lobo


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Não é um pavilhão, não é uma exposição, e também não é aquilo que os visitantes esperam encontrar nos Giardini. Lisboscópio, da autoria dos arquitectos Pancho Guedes e Ricardo Jacinto (este, mais conhecido como artista plástico), é um dispositivo para habitar e experienciar o espaço, que evoca Lisboa e a permanente construção da cidade. Com esta obra que apela à interacção das pessoas, Portugal ocupa pela primeira vez uma área própria no coração da Bienal Internacional de Arquitectura de Veneza, cuja 10.ª edição se inaugurará a 7 de Setembro.

Apresentada ontem em Lisboa, na sede do IA/Instituto das Artes (responsável pela organização), a terceira participação nacional no evento - após o Leão de Ouro conquistado por Álvaro Siza, em 2002, e a colectiva Metaflux-Duas Gerações na Arquitectura Portuguesa Recente, em 2004 - foi descrita como "a maior" e "mais importante" de sempre.

Isto porque, além de Lisboscópio, no programa paralelo será apresentada uma selecção de Habitar Portugal 2003/2005, organizada pela Mapei/Ordem dos Arquitectos. E a Fondaco Marcello, onde esta mostra ficará até 19 de Novembro, deverá ser o pavilhão permanente de Portugal nas bienais de arquitectura e artes visuais da cidade italiana (ver caixa).

Segundo afirmou o secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, está "em fase de negociação" o aluguer a longo termo desse edifício, localizado no centro. A concretizar-se o acordo, o País não só ganhará visibilidade em Veneza como poderá assegurar presença "de forma mais sólida e mais planeada".

Mário Vieira de Carvalho garantiu que "não haverá perda de competências" com a passagem do IA a direcção-geral (no âmbito da restruturação da administração pública), pelo que a presença nestes eventos continuará a cargo do organismo.

O investimento nesta bienal de arquitectura, acrescentou o SEC, ronda os 405 mil euros, dos quais 335 mil provenientes do Instituto das Artes. O valor remanescente é suportado pela Ordem dos Arquitectos (numa parceria que é "para continuar"), Icep Portugal (ao abrigo da colaboração com o Ministério da Economia) e Corda Seca, que co-edita o livro sobre Lisboscópio (uma obra que inclui textos, entre outros, dos arquitectos Nuno Portas e Cedric Green, dos artistas Nuno Ribeiro e Hugo Brito e do crítico e curador Delfim Sardo.

Habitável e itinerante

Pela primeira (e última) vez na bienal, o espaço Esedra - uma clareira nos Giardini destinada a café/esplanada- será ocupado por uma representação nacional. Excepção que o comissário geral da edição, Richard Burdett, aceitou atendendo à "qualidade do projecto que Portugal apresentou", disse Adelaide Ginga Tchen, subdirectora do IA.

Comissariado pela arquitecta paisagista Cláudia Taborda (ex-directora do Parque de Serralves), o projecto Lisboscópio parte do tema desta bienal - "Cidades, Arquitectura e Sociedade" - e, de uma forma lúdica, debruça-se sobre questões como a habitabilidade, transportabilidade e uso de materiais precários.

Amâncio (Pancho) Guedes, nascido em Lisboa, em 1925, formado pela Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, e com grande parte do seu trabalho em Moçambique, é também pintor e escultor. Ricardo Jacinto, nascido em Lisboa, em 1975, é licenciado em Arquitectura, estudou escultura, artes plásticas e música e expõe desde 1998.

A ideia de ambos, explicou em tom bem humorado Pancho Guedes, foi criar "uma barraca que fosse até Veneza e voltasse". O resultado é um "círculo quebrado a meio e deslocado", acrescentou Ricardo Jacinto, capaz de itinerar - Pequim e Xangai, na Primavera de 2007, Espanha, Lisboa e Porto são as etapas previstas.

No interior dessa grande estrutura há uma construção de tubos que os visitantes podem usar para comunicar. E uma panorâmica de 360 graus de Lisboa, captada no Cristo Rei. Três réplicas mais pequenas, dentro e fora do dispositivo, remetem para a "arquitectura de tendas".

Entre arquitectura e arte, esta é uma obra que, como referiu Cláudia Taborda, não procura soluções mas lança desafios. Feita de andaimes, redes e telas publicitárias, esta peça que não é site specific, mas foi pensada para o local, relaciona formas e escalas e, "tal como a cidade, depende exclusivamente do seu utilizador".

in http://dn.sapo.pt/2006/08/29/artes/portugal_leva_a_veneza_estrutura_par.html

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