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Corrupção da paisagem

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Um estudo publicado recentemente chama a atenção para a importância das zonas verdes no meio urbano, da existência de uma paisagem harmoniosa, de onde não estejam ausentes os elementos naturais. Importância, leia-se, para a saúde física e psíquica dos cidadãos.

Na verdade, um efeito deprimente, com significado na vida das pessoas e no equilíbrio social, resulta daquilo a que podemos chamar "corrupção paisagística". Difícil é não vermos a desarmonia de muito do "urbanismo" que se permite, a degradação do meio rural, o avanço dos subúrbios em mancha de óleo imparável, a má qualidade das construções e do seu enquadramento próximo, a geral fealdade das áreas metropolitanas.

A carência de zonas verdes, a poluição e obstrução de rios e ribeiras, a expulsão insensata da agricultura periurbana, tudo isso tem como consequência a doença, no indivíduo e na a comunidade.

A "corrupção da paisagem" não é apenas mau gosto ou falta de meios para fazer melhor. Deriva de um somatório de equívocos e de pressões. A paisagem corrompida não é senão o palco das «operações urbanísticas» somadas, o cenário dos loteamentos, do devorismo construtivista, do gosto nivelado pela mediocridade. Vemos locais que deixaram de ser rurais e que, provavelmente, nunca serão cidade. Vemos o litoral devastado. Por toda a parte, fazem-se asneiras de palmatória, que um dia alguém irá pagar.

No meio desta ditadura do que é feio e disforme, o ruído campeia sem freios, a atmosfera é poluída, o asfalto e o cimento deixam pouco espaço para uma singela réstia de Natureza.

Como o mercado funciona, quem deseja e pode libertar-se destes espaços sem qualidade, beleza e prestígio, afasta-se e procura sítio melhor. Quem não pode…suporta a lógica que lhe é imposta, mais pela dinâmica do imobiliário que por uma suposta intervenção municipal ou governamental, a quem caberia a defesa do interesse público.

O resultado, esse, faz-se esperar. Mas tarde ou cedo há-de manifestar-se em desconforto, em revolta, ou simplesmente em conformada disfunção social.

Quem pode ser feliz em ambiente desqualificado? Talvez um dia aprendamos que a paisagem conta, que o meio físico pesa na vida das pessoas.

Se a «corrupção da paisagem» tem a haver com outra corrupção, a que insidiosamente mistura privados interesses e públicas funções, ao sabor da rapina e dos mais diversos desígnios encobertos…isso é outro problema. Tire cada um a sua conclusão. Mas seria positivo desatar o nó dos processos que permitem a alguns fazer fortuna… quando um terreno rural passa a ser urbano, com os respectivos direitos de construção. O Estado deveria recuperar essa mais-valia, por via fiscal ou outra, mas parece que a medida não passa nas altas instâncias, perdendo-se a oportunidade para desincentivar uma das causas da ocupação nefasta e suspeita de muitas áreas do nosso território.

Precisamos de beleza, sim. De Natureza que humaniza as cidades. E de transparência e participação cívica. Caminhamos para aí, há esperança de melhoria? O ministro do Ambiente diz que o ordenamento do território já não é problema. Felizes os optimistas, mas a declaração ministerial serviu para comentar as cheias no sul do país, tragédia anunciada…e resultado da falta reiterada de ordenamento! Ao mesmo tempo, abrem-se as vias que podem levar à municipalização da Reserva Ecológica Nacional, pondo a raposa ávida dentro do frágil galinheiro, como alguém disse. Mal ou bem, tem a REN sido um travão a algumas asneiras e à expansão do betão em áreas naturais vitais.

Sabe-se o que é preciso fazer. Por que não se avança em outro sentido?

blguimaraes@hotmail.com


Link:
http://jn.sapo.pt/2008/02/26/porto/corrupcao_paisagem.html

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Corrupção da paisagem

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Um estudo publicado recentemente chama a atenção para a importância das zonas verdes no meio urbano, da existência de uma paisagem harmoniosa, de onde não estejam ausentes os elementos naturais. Importância, leia-se, para a saúde física e psíquica dos cidadãos.

Na verdade, um efeito deprimente, com significado na vida das pessoas e no equilíbrio social, resulta daquilo a que podemos chamar "corrupção paisagística". Difícil é não vermos a desarmonia de muito do "urbanismo" que se permite, a degradação do meio rural, o avanço dos subúrbios em mancha de óleo imparável, a má qualidade das construções e do seu enquadramento próximo, a geral fealdade das áreas metropolitanas.

A carência de zonas verdes, a poluição e obstrução de rios e ribeiras, a expulsão insensata da agricultura periurbana, tudo isso tem como consequência a doença, no indivíduo e na a comunidade.

A "corrupção da paisagem" não é apenas mau gosto ou falta de meios para fazer melhor. Deriva de um somatório de equívocos e de pressões. A paisagem corrompida não é senão o palco das «operações urbanísticas» somadas, o cenário dos loteamentos, do devorismo construtivista, do gosto nivelado pela mediocridade. Vemos locais que deixaram de ser rurais e que, provavelmente, nunca serão cidade. Vemos o litoral devastado. Por toda a parte, fazem-se asneiras de palmatória, que um dia alguém irá pagar.

No meio desta ditadura do que é feio e disforme, o ruído campeia sem freios, a atmosfera é poluída, o asfalto e o cimento deixam pouco espaço para uma singela réstia de Natureza.

Como o mercado funciona, quem deseja e pode libertar-se destes espaços sem qualidade, beleza e prestígio, afasta-se e procura sítio melhor. Quem não pode…suporta a lógica que lhe é imposta, mais pela dinâmica do imobiliário que por uma suposta intervenção municipal ou governamental, a quem caberia a defesa do interesse público.

O resultado, esse, faz-se esperar. Mas tarde ou cedo há-de manifestar-se em desconforto, em revolta, ou simplesmente em conformada disfunção social.

Quem pode ser feliz em ambiente desqualificado? Talvez um dia aprendamos que a paisagem conta, que o meio físico pesa na vida das pessoas.

Se a «corrupção da paisagem» tem a haver com outra corrupção, a que insidiosamente mistura privados interesses e públicas funções, ao sabor da rapina e dos mais diversos desígnios encobertos…isso é outro problema. Tire cada um a sua conclusão. Mas seria positivo desatar o nó dos processos que permitem a alguns fazer fortuna… quando um terreno rural passa a ser urbano, com os respectivos direitos de construção. O Estado deveria recuperar essa mais-valia, por via fiscal ou outra, mas parece que a medida não passa nas altas instâncias, perdendo-se a oportunidade para desincentivar uma das causas da ocupação nefasta e suspeita de muitas áreas do nosso território.

Precisamos de beleza, sim. De Natureza que humaniza as cidades. E de transparência e participação cívica. Caminhamos para aí, há esperança de melhoria? O ministro do Ambiente diz que o ordenamento do território já não é problema. Felizes os optimistas, mas a declaração ministerial serviu para comentar as cheias no sul do país, tragédia anunciada…e resultado da falta reiterada de ordenamento! Ao mesmo tempo, abrem-se as vias que podem levar à municipalização da Reserva Ecológica Nacional, pondo a raposa ávida dentro do frágil galinheiro, como alguém disse. Mal ou bem, tem a REN sido um travão a algumas asneiras e à expansão do betão em áreas naturais vitais.

Sabe-se o que é preciso fazer. Por que não se avança em outro sentido?

blguimaraes@hotmail.com


Link:
http://jn.sapo.pt/2008/02/26/porto/corrupcao_paisagem.html

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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" Que desperdício de metros quadrados em árvores , arbustos e relva"- diz o senhor Zeca Empreiteiro. " E para quê? Para andarem aí a passear e a ler uns livros. Pior é a canalha, não páram quietos.- Completou o Dr. Francisco com a sua visão de Edil. " Ainda por cima as árvores não pagam contribuição autárquica- completou o mesmo" .... etc etc etc.. Um dia seremos melhores

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" Que desperdício de metros quadrados em árvores , arbustos e relva"- diz o senhor Zeca Empreiteiro. " E para quê? Para andarem aí a passear e a ler uns livros. Pior é a canalha, não páram quietos.- Completou o Dr. Francisco com a sua visão de Edil. " Ainda por cima as árvores não pagam contribuição autárquica- completou o mesmo" .... etc etc etc.. Um dia seremos melhores

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