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A questão pode parecer banal a todos quantos se dedicam de corpo e alma à arquitectura, mas para quem a única preocupação arquitectónica é a de mero ser passivo que habita e fotografa os belos exemplares da dita arte, a dúvida nunca havia surgido.
Eis que me encontro agora a fazer um curso on-line de cultura portuguesa, onde FELIZMENTE, existe um módulo sobre Arquitectura Portuguesa Contemporânea.
Leiga, mas curiosa que sou sobre estes assuntos, tenho procurado em livros e revistas da especialidade, na net e em alunos do curso de Arquitectura, resposta - ou respostas - para a minha questão quase existêncial.
Como não me parece haver consenso - se é que realmente este assunto tem que o ter - gostaria de poder ter a sorte de aprender mais alguma coisa sobre este tema.
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contemporâneo
do Lat. contemporaneu

adj. e s. m.,
que ou aquele que é do mesmo tempo, da mesma época, especialmente da época em que vivemos;



Logicamente existe uma arquitectura portuguesa que marca a viragem do século...actualmente conhecida por Arquitectura Contemporanea...
Na minha opiniao, a dita Arquitectura Contemporanea permanecerá conhecida por "contemporanea"até alguem lhe dar outra doniminacao...tal como aconteceu com inumeros estilos artisticos...

Abracos
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A questão da contemporaneidade é interessante e daria até para uma outra discussão, mas partindo do princípio de que contemporaneidade seria a partir do 25 de Abril de 1974, a minha dúvida é bem mais profunda. Tal como há uma literatura e uma música portuguesas, entendo perfeitamente que haja uma arquitectura portuguesa; no entanto, não sei qual é o factor que determina a nacionalidade de uma obra arquitectónica. Isto é, a música e a literatura são portuguesas porque o produto é de língua portuguesa, seja no Brasil ou Timor. Mas e a arquitectura? É a nacionalidade de um arquitecto que determina a nacionalidade da obra ou é o local onde ela é edificada? Lembro-me do caso da Pavilhão 2005 da Serpentine Gallery, em Londres, de Álvaro Siza e Eduardo Souto Moura e pergunto se hei-de incluir isso como obra portuguesa ou estrangeira, ou ainda portuguesa no estrangeiro. Podem parecer questões pouco interessantes e talvez mesmo reveladoras de um espírito pouco iluminado, mas continuo a achar que da discussão nasce a luz.

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Legalmente as obras são portuguesas se feitas por um português, empresa portuguesa, atelier português ou outro desde que registado em território nacional. Por muito que a nossa equipa seja multi-cultural está registada em Portugal e é esse registo que conta para - por exemplo - a participação em concursos. Existem é casos de filhos de emigrantes, dupla nacionalidade ou de permanência num país de acolhimento por bastante tempo em que apenas se tratará de uma questão "moral" (se assim posso dizer) da pessoa escolher a nacionalidade que se sente melhor. No entanto será sempre dito "o arquitecto francês residente em Portugal à mais de 15 anos" nos jornais. Portanto a Serpentine Gallery é uma obra feita por portugueses no estrangeiro. Provavelmente para ser considerada arquitectura contemporânea portuguesa teria de seguir padrões históricos recentes e esses são feitos pelos historiadores de arquitectura, até porque a equipa nacional com certeza adaptou o seu estilo ao londrino.

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"O que terá de marcar a contemporaneidade, mais que o esilo ou a nacionalidade, será a mudança de atitude que o arquitecto tem de encarar na sua profissão sob pena de esta se desajustar daquilo que lhe é marginalmente contemporaneo. Numa sociedade a 100 á hora onde 5 segundos constituem um atraso quando falamos de internet, não pode a atitude do arquitecto continuar associada a um tempo e um espaço de reflexão e a uma execução demorosa e constantemente adiada, o processo de construção urge uma revisão das metodologias projectuais que se virão a adaptar ás circunstâncias através da constituição de equipas multidisciplinares onde a concertação de temas e meios em tempo útil resultará por fim numa redução do tempo de projecto entre 70 a 80% das velocidades a que hoje trabalhamos. A versatilidade do arquitecto será também a peça fundamental na organização de uma equipa e espaço de trabalho, onde questões relacionadas com o imobiliário e a actividade da construção, a engenharia e a gestão de recursos humanos culminarão por fim numa nova visão do papel do arquitecto á escala global, num paradoxo único e admirável : a necessidade de dominar mais e mais matérias levar-nos-á a uma continua redução de escala de trabalho, resultando enfim no dissociar total entre arquitecto e urbanista." Koolhaas Não me perguntem de onde tirei isto, está no meu caderno de desenho do 2º ano e a única referência que anotei na altura foi que este texto terá sido escrito por Rem Koolhaas, pessoalmente não poderia estar mais de acordo e acredito que a noção de contemporaneidade estará relacionada muito mais com uma mudança de contexto de trabalho do que de estilo ou vertente em sí...

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