A questão da contemporaneidade é interessante e daria até para uma outra discussão, mas partindo do princípio de que contemporaneidade seria a partir do 25 de Abril de 1974, a minha dúvida é bem mais profunda.
Tal como há uma literatura e uma música portuguesas, entendo perfeitamente que haja uma arquitectura portuguesa; no entanto, não sei qual é o factor que determina a nacionalidade de uma obra arquitectónica. Isto é, a música e a literatura são portuguesas porque o produto é de língua portuguesa, seja no Brasil ou Timor. Mas e a arquitectura? É a nacionalidade de um arquitecto que determina a nacionalidade da obra ou é o local onde ela é edificada?
Lembro-me do caso da Pavilhão 2005 da Serpentine Gallery, em Londres, de Álvaro Siza e Eduardo Souto Moura e pergunto se hei-de incluir isso como obra portuguesa ou estrangeira, ou ainda portuguesa no estrangeiro.
Podem parecer questões pouco interessantes e talvez mesmo reveladoras de um espírito pouco iluminado, mas continuo a achar que da discussão nasce a luz.