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Arquitectura.pt


... tudo se transforma


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A apropriação que cada um faz do SEU espaço é uma transformação, por isso essa expressão faz todo o sentido... Quantos edifícios tinham uma função e quando essa deixou de fazer sentido, foram "transformados" e adaptados a outras vivências?

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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De facto a arquitectura e os espaços criados, transformam-se desde o momento que nascem. A forma como as pessoas se apropriam dos espaços também os transformam. Mas gostaria mais de ver a questão de outro ponto de vista. O que é que permanece imutável na arquitectura e nas obras arquitectónicas?

Porque é que reconhecemos valor arquitectónico a determinado edifício que pode ter 200 ou 2000 anos? O que é que ainda permanece nele para que reconheçamos valor (e não me refiro apenas a valor histórico) quando a sua função já não tem qualquer significado?

Pensar nisso é pensar nas bases do conhecimento arquitectónico e naquilo que define a arquitectura. Neste sentido acho muito mais interessante pensar nas permanências que nas mutações.
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Acredito que o valor que atribuimos a determinado edifício tem muito de cultural, porque noutros tempos, o respeito para com o passado não era o mesmo de hoje, e muitos edifícios eram demolidos e/ou alterados consuante as vivências/necessidades da época... Veja-se o que aconteceu em Roma, quando os mármores dos edifícios da cidade antiga foram retirados para outros usos... veja-se o que aconteceu no Barroco, quando as igrejas foram "adaptadas" à riqueza emergente (em Portugal ao ouro que chegou do Brasil), como forma de cativar os fiéis... vejam-se as ruínas que se encontram em cada escavação em Atenas, enterradas e esquecidas ao longo de milhares de anos... e assim como estes, muitas outros exemplos... O facto de hoje em dia existirem tantos museus, o simples facto de ter surgido o primeiro museu, revela muito da preocupação/interesse pelo passado... vejam-se a quantidade de peças que foram roubadas ao egipto e que hoje se encontram nos maiores museus do mundo... Tenho por isso a certeza de que o factor cultural tem muito a ver com esse interesse nas obras do passado... De uma forma ou outra, cada um "desses" edifícios é um símbolo de uma época, um simbolo da própria cultura, um símbolo do país, em alguns casos um símbolo da humanidade... A questão pode-se pôr em relação a construções que não têm o mesmo significado para todos. Podemos pensar por exemplo na Casa das Artes do Porto, a primeira grande obra de Eduardo Souto Moura. Para alguns seria um ultraje sequer pensar em demolí-la, mas para outros (se calhar a maioria, infelizmente) não representaria grande coisa... Podemos pensar no Mosteiro dos Gerónimos. Para todos os portugueses seria esse mesmo ultraje pensar numa possível demolição... Podemos pensar nas pirâmides de Gizé. Para grande parte da humanidade seria ultrajante pensar num mundo sem elas, quando durante o século XVIII foram assaltadas e expuliadas, por exploradores apenas interessados na fama e no lucro, sem revelar o mínimo interesse pelo existente... É tudo uma questão cultural...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Sim.
Podes começar a pensar fazer um Doutoramento sobre o assunto. Pois vai ser bastante útil para os 10 mil arquitectos que existirem quando terminares a tese. Os restantes 10 mil estarão noutros empregos ou lá fora.

Temos um edificio que foi projectado para ser uma Igreja. Mais tarde torna-se num paiol durante a Guerra Civil. Depois o paiol explode. Mais tarde o antigo paiol transforma-se em casa de 50 familias. Transforma-se num bloco de apartamentos. Mais tarde um empresa imobiliária transforma o condominio em Hotel de 5 estrelas. O hotel fecha por causa de mais uma guerra civil. Transforma-se em quartel general. Transforma-se em fortaleza. Depois um missil israelita dum F16 destroi a fortaleza e kaput...


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E o que axam dos restauros ? Há quem defenda que um restauro nao deve ser a tentativa de restruturar e reconstruir a imagem do espaço como ele fora antes, que isso vai em contra aquilo que deve ser a arquitectura, no que diz respeito á concepção do espaço. Um espaço, como foi designado, deve ter um nacimento, uma vida e uma morte. Pergunto então se vale apena o restauro de edificios antigos na tentativa de voltar atráz na História, ou se um restauro rumo ao futuro é é o que deve ser abordado, ao fim ao cabo, uma transformação do mesmo espaço a ser restaurado.

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Mais uma vez acho que tem muito a ver com a cultura e a importância que o que se quer restaurar tem para o povo. Além é também ser importante saber se o edifício se adqua à função a que está sujeito. Se fores restaurar a capela Sistina, nem sequer te passa pela cabeça alterar as pinturas, enquanto que se fores restaurar o edifício com pouco valor patrimonial, fica ao criterio do cliente saber o que quer ou não fazer, mas aí tens sempre mais liberdade para actuar... Tudo nasce, vive e morre, mas enquanto fizer sentido, pode viver independentemente do seu estado de conservação, porque senão tu próprio, em tua casa, nem pensarias em pintar paredes, eliminar problemas de humidade, ou tratar dos canos entupdos, porque encararias isso como próprio da vida do edifício, o que não é de todo correcto...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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