asimplemind Posted April 25, 2007 Report Posted April 25, 2007 Visto que hoje foram publicados os vencedores do concurso, decidi publicar também aqui a minha participação no concurso "Habiter Paris". Este concurso tinha como objectivo incentivar à criação de um conjunto habitacional que respeitasse as regras para uma arquitectura sustentável, ao mesmo tempo em que se pedia que houvesse um entendimento de toda uma área de cidade que irá ser renovada.Apresentação: A minha proposta incidia sobre um conjunto habitacional que ocuparia o lote previsto onde se criariam relações intensas entre os diferentes espaços exteriores e os apartamentos. Ao mesmo tempo a implantação do edifício surge de uma adaptação a uma exposição solar favorável para o aquecimento das casas, abrindo-se também em terraços em direcção ao centro da cidade de Paris. Procurou-se uma continuidade com a boulevard principal, estabelecendo uma imagem de alçados coerente ao longo dos diferentes volumes. A sucessão de espaços exteriores pretende criar diferentes formas de ocupação do espaço, havendo zonas arborizadas, terreno em terra para jogos, um espelho de água com zona de estar, um jardim de lavanda e uma horta. Também se trabalham as coberturas mais favoráveis para a criação de terraços-jardim rentabilizando o usofruto dos espaços exteriores. As propostas habitacionais centram-se numa diversidade de tipologias permitindo também uma diversidade de ocupantes. Assim, por todo o rés-do-chão propôem-se casas adaptadas à mobilidade reduzida e projectadas para pessoas idosas. Nos seguintes pisos os apartamentos são quase todos duplex e destinam-se a familias entre 1 e 9 pessoas, havendo 25 tipos de apartamentos diferentes. No interior do edifício propõem-se também espaços de reunião, de estar, espaços de lavandarias públicas e no rés-do-chão, um espaço de ATL destinado às crianças residentes. Partindo de princípios da arquitectura sustentável, não só o edifício se abre para sul/oeste e se fecha quase completamente para Norte como todos os apartamentos são projectados em função da sua orientação solar, procurando uma boa ensolarização. Todas as fachadas são trabalhadas através de um sistema de fachada ventilada onde se coloca o isolamento térmico no exterior da alvenaria, criando posteriormente uma caixa de ar entre o isolamento e o revestimento da fachada que está desligado da construção, permitindo um arejamento das paredes, reduzindo condensações e humidades. A ventilação no interior das casas é feita através de uma ventilação natural que é trabalhada através de um sistema de janelas que permite a entrada e saída de ar, conectando-se a um sistema de aquecimento que pode aproveitar o fluxo de ar para aquecer a casa no inverno. Caso estejam interessados em ler a totalidade do texto justificativo da minha proposta (em francês) podem aceder a partir daqui:Painéis: Perspectivas: Cortes:Plantas:implantação:rés-do-chão:1º andar:2º andar:3º andar:Plantas de algumas habitações: Esquemas: Para verem os projectos que ganharam o concurso: http://www.archi.fr/concours_caue75/resultats.php?cid=0f84b57663da28f8af67178a12c23ce6 Quote
asimplemind Posted April 26, 2007 Author Report Posted April 26, 2007 Actualizado com as perspectivas que faltavam! Quote
Márcio Ferreira Posted April 27, 2007 Report Posted April 27, 2007 parabéns! tá 1 projecto interessante, penso que só pecou por não ter uns render´s, podia melhorar os paineis... Quote
asimplemind Posted April 27, 2007 Author Report Posted April 27, 2007 pois eu também senti falta de criar imagens e penso que poderá ter sido isso que tenha revelado um certo afastamento ao meu projecto. Mas isto de fazer concursos sozinho enquanto estamos com bastante trabalho na escola é complicado... Tinha uns 3d que ficaram a meio mas que tenciono acabá-los até para colocar futuramente no meu portfolio. Quote
Rui Resende Posted April 28, 2007 Report Posted April 28, 2007 vou tentar apresentar o que achei do teu trabalho. Apresentação A questão dos renders faz de facto sentido. Acho que o fica menos conseguido em termos de apresentação nem é tanto não ter especificamente renders, é não ter uma imagem, globalmente e especificamente falando, por imagem posso até estar a falar de um título forte, algo que possa rapidamente descrever o projecto, e claro imagens de facto, desenhadas ou renderizadas que vendam o projecto, os próprios esquissos estão porreiros, mas é preciso procurá-los quando se quer perceber o projecto, eles não "vêm" até nós quando nos deparamos com os cartazes, percebes o que quero dizer? Eu detesto esta última parte que acabei de dizer, acho terrível ter de se produzir imagens pa bater nos olhos do examinador, mas os concursos (também) são feitos dessas coisas. Também a questão da sustentabilidade talvez pudesse ter sido melhor explorada em termos de imagem. Eu também não sei ainda lidar com essa questão, mas a minha opinião é que todos os sistemas "amigos do ambiente", implantações de acordo com orientação solar, etc. correspondem a questões técnicas que têm por trás atitudes de preservação e de renovação de mentalidades. O segredo para apresentar isto estará em conseguir mostrar esses dispositivos técnicos como metáforas de atitudes globais que extravasam o domínio do desenho. naturalmente falar é fácil, fazer é mais difícil , eu estou só a mandar um bitaite . De qualquer maneira, quando se explicam estas questões, tenho a opinião que um esquema (mesmo fora de escala e irreal) funciona melhor que um desenho técnico (ainda que este seja esquemático). Deixa passar melhor a ideia. ProjectoAparentemente, sem conhecer o programa que era preciso cumprir e a densidade de ocupação, etc. o que me parece é que a massa construída surge algo pesada, talvez pudesses (se calhar estou a dizer apenas o que eu teria feito) ter concentrado mais ainda em altura com menos profusão de volumetrias, mantendo, apesar disso, a tua ideia de definir quarteirão e percorrê-lo, simplesmente com uma volumetria mais simplificada que até poderia conter simultaneamente as ideias de edifícios de médio/grande porte junto a outros bastante mais baixos (e aqui lembrei-me do parque Lafayette, o complexo salvo erro em Detroit onde o Mies faz precisamente essa junção, e muito bem). O opores assumidamente e confrontares essas duas escalas opostas poderia também ajudar-te a criar a tal "ideia" ou "imagem" global da proposta, que assim talvez surja um pouco mais indefinida. O que, de facto, me pareceu mais interessante, e também me pareceu que foi dos factores que mais valorizaste, foi o trabalhar do espaço interior do quarteirão, não tanto na relação com as habitações, mas como espaço público utilizável, penetrável e agradável (ter no entanto em conta a perigosa ambiguidade espaço público - espaço comunitário). Relembrou-me esta ideia 3 referências: uma, a do espaço público tipo inglês, do jardim comunitário que é público mas gerido e mantido pelos moradores adjacentes, que têm um tipo de utilização muito próxima da que eu imagino para a tua proposta e dois projectos: um, o conjunto "the economist" dos Smithsons, que também promove (notura escala e função, claro) esse tipo de atravessamento e um projecto que eu acho fabuloso do Carlos Ferrater em Barcelona, em intervenção num quarteirão de Cerdá, que "remenda" parte dos edifícios do quarteirão e promove uma vivência de espaço interior do quarteirão muito agradável. Acho que te podia interessar ver estes casos. Desculpa a dimensão do comentário, começa-se a falar e nunca mais se pára. Eu tentei essencialmente dizer as coisas que achei que podiam melhorar, daí provavelmente dizer mais más coisas do que boas. Mas acho o projecto bastante interessante, simplesmente achei mais útil para ti que soubesses o que acho estar mal (porque também acho mais útil para mim que me realcem os pontos negativos dos meus trabalhos). Espero que tenha ajudado. Quote
asimplemind Posted April 28, 2007 Author Report Posted April 28, 2007 Rui: tens bastante razão naquilo que dizes, tenho de concordar contigo. A questão da imagem, nos concursos acaba por ser quase fulcral pois é sempre aquela primeira impressão. Infelizmente não tive tempo para me dedicar a fazer uns renders a sério por isso optei por desenhar e tentar fazer umas imagens que fossem expressivas e demonstrassem alguns espaços da proposta, mas comparando com as propostas que ganharam, as outras são muito mais apelativas a nível visual... Quanto à sustentabilidade, quando comecei este projecto estava praticamente no zero... tinha umas noções muito vagas. Tratei de estudar bastante a questão, de ler livros específicos e manuais que os próprios promotores do concurso nos sugeriam e decidi aplicar algumas técnicas de sustentabilidade que não interferissem forçosamente numa imagem que queria para o meu edifício, porque para mim um dos factores mais importantes do projecto era a relação urbana entre o meu edifício e a envolvente e (ao contrário da maioria das propostas) que queria criar uma continuidade urbana, um edifício que fizesse frentes de rua mas que ao mesmo tempo desvendasse os seus segredos no interior. Tentei fazer uns esquemas dos sistemas que utilizei para a questao da sustentabilidade, mas a verdade é que não saíram tão bem como eu queria, no entanto no texto justificativo descrevi-os ao pormenor para que fosse entendido. Quanto aos teus comentários sobre o projecto, passados já alguns meses de ter terminado a minha proposta também olho para o que fiz e penso que poderia ter feito alguns ajustes a nível volumétrico e talvez dar ainda mais destaque à zona nordeste com maior altura, fazendo um pouco a transição da torre que está ao lado para a escala das casas do outro lado. Aquilo que sempre quis fazer desde o inicio foi criar uma diversidade de espaços exteriores que pudesses estar ligados directamente entre eles, mas que ao mesmo tempo fossem de certa forma independentes em termos de funções e de identidade. Aqui colocou.se a questão de "quem é que vai usar os espaços?" se é público se é privado, se são sempre abertos ou se sao fechados, ... Por fim aquilo que decidi apostar foi numa organização espacial do quarteirão apoiada sobre diversos espaços exteriores com características diferentes que fossem directamente acessíveis de dois pontos da rua, não tendo criado barreiras físicas aparentes, mas supondo que sendo o espaço de um quarteirão onde apenas há duas entradas e onde toda a gente que vive no rés-do-chão tem forçosamente que aceder pelo interior do quarteirão, se criasse um certo ambiente comunitário que, mesmo estando aberto à cidade fosse de certa forma mais privado e onde as pessoas que ali habitam sentissem que aquele espaço lhes pertence... No programa era pedido uma densidade de 2,9 creio e um mínimo de 2610m2 de área nao construída ao solo tendo o terreno 6140m2 de área. Isto desde logo indicia que haverá bastante espaço não construído e que necessita de ser tratado. Não tive grandes referências a nível do tratamento do espaço do quarteirão e se calhar isso poderia ter enriquecido a minha proposta... Mas vou investigar esses exemplos! obrigado pelo comentário extenso, fico contente que tenhas perdido tempo a analisar a minha proposta :) Quote
Recommended Posts
Join the conversation
You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.