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Ontem li uma coluna no JN, assinada pelo senhor Álvaro Magalhães, e gostava de partilhá-la convosco, penso que após a lerem vão perceber o sentido que tem o título que dei a este tópico:

O presidente do Braga, irritado com a fraca assistência no jogo com o Grasshoppers, ameaçou levar os jogos da equipa para Guimarães. Leio agora em "O Jogo" que alguns ripostaram argumentando com desconforto do Estádio Municipal, que parece ter sido concebido para uma região tropical. Diz um deles que é "um estádio muito frio e nada funcional", diz outro que "não há lá o mínimo conforto" e outro ainda que "não cria qualquer envolvência".

Agora digo eu Parece impossível! Um estádio que colecciona elogios, prémios, que é considerado uma obra-prima, e não serve para os adeptos? Para que servirá então? Para ilustrar as revistas de arquitectura e para ser visitado por estudantes de arquitectura do mundo inteiro, para isso serve. E, claro, serve para ser bonito, para admirarmos a sua dramática suspensão no espaço. No entanto, já se suspeitava também que serve mal a função de acolher os adeptos que o frequentam.

O problema principal reside na supressão deliberada dos topos, o que, além de impor a visão unívoca da lateralidade, provoca a fragmentação dos adeptos e despreza conceitos como ressonância, unidade e envolvimento, só possíveis de alcançar com a circularidade tradicional.

Mas há ainda outro conceito desprezado, o de recolhimento. Um estádio é um lugar onde se presta um culto. Cada jogo é também uma cerimónia impregnada de religiosidade essencial e o seu carácter ritual não aconselha a abertura e o desvelamento.

Digamos, pois, que Souto Moura fez com que o estádio se adaptasse à sua obra, que se caracteriza pela simplicidade dos gestos e a redução dos elementos (inicialmente estava mesmo prevista uma única bancada), quando deveria ter acontecido o contrário. O resultado desse equívoco é uma obra sensorial e criativa (a tal obra de arte), mas egótica e desligada das funções para que foi criada.

Obviamente, nada me move contra um estádio que seja uma obra de arte, desde que ele não seja apenas isso. A obra de arte não tem uma finalidade prática. Serve para ser bela. É essa a sua utilidade. Mas um estádio de futebol não pode sacrificar à beleza a funcionalidade. Se é belo, tem de ser belo e funcional.

Dizem os cultores mais empolgados deste estádio, e que estão livres de assistir a jogos no topo da bancada em pleno Inverno, que se trata de "algo mais do que um estádio". Será. Porém, para os adeptos, que são os fieis de cada cerimónia, é "algo menos do que um estádio", já que lhe detectam falhas essenciais. E só criaturas tão radicalmente inocentes como eles poderiam vir agora contradizer todas as pessoas inteligentes que têm dedicado ao estádio tantas distinções e louvores.

Esta desconcertante inocência só encontra paralelo na história do menino que não vislumbrava o belo fato novo do imperador, o tal que só podia ser visto por pessoas muito inteligentes, e proclamou "O rei vai nu!"

Pois bem, os adeptos do Braga, pelo menos eles, também olham para aquele belo estádio no Inverno e o vêem nu e desolado.


realcei os excertos que me parecem mais interessantes de analisar do ponto de vista da inconsciência e falta de rigor na análise da obra (que foi o que ele fez).

ver em:
http://jn.sapo.pt/2006/12/24/desporto/bonitopara_que.html
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Agora o que eu acho do artigo, da opinião que nele está expressa e da crítica arquitectónica à "foge-que-te-apanho" e do estádio do Braga:

. Em primeiro, as partes coloquei a negro mostram nada mais que uma coisa: o autor (que até escreveu, não sei se ainda escreve, alguma literatura juvenil de qualidade, a série Triângulo Jota, que eu li e apreciei bastante) nada sabe de arquitectura (se alguma formação tem, pouco se nota nas palavras que escreve), pouco mais se informou para escrever o que escreveu, o que torna o artigo dele uma nulidade nesse aspecto, com o perigo enorme de ser publicado no diário de maior tiragem nacional, e logo, poder ser lido por (muito) mais pessoas do que merecia. Isto tem uma palavra, chama-se irresponsabilidade.

"a sua dramática suspensão no espaço." O que significa isto? Há alguma coisa suspensa ali?. Nem há algo fisicamente "suspenso" nem nada que sugira tal. O estádio, antes de qualquer coisa está perfeitamente "pousado" (não suspenso) e "encaixado" no local. Encostada uma das bancadas à pedreira, auto-sustentada a outra, mas o objecto integra-se e não se "suspende" em lado nenhum.

"O problema principal reside na supressão deliberada dos topos, o que, além de impor a visão unívoca da lateralidade, provoca a fragmentação dos adeptos e despreza conceitos como ressonância, unidade e envolvimento, só possíveis de alcançar com a circularidade tradicional." Genial. Eu já visitei por diversas vezes o estádio do Braga, já assisti a jogos no estádio do Braga e nunca tinha reparado que não tinha bancadas nos topos, agora daí a ser um problema, é discutível, ainda mais com os argumentos que seguem: a "visão unívoca da lateralidade", isto significa falta de palas para orientar os burros para o caminho certo? Um estádio tem de ser um sítio onde nada mais se possa ver, caso contrário as pessoas distraem-se e começam a ver a paisagem desistindo do jogo?
Após o diagnóstico absoluto de "O problema..." segue-se a solução não menos irreversível de "só possíveis de alcançar". Porque é que não se publicam estas máximas num livro todas seguidas e passamos a ficar com um formulário porreiro para desenhistas. Não se precisa pensar em mais nada, só há uma resposta para cada coisa. Ainda para mais quando a resposta dada é a "circularidade tradicional". Gostava de saber onde é que o insígne crítico vê circularidade no modelo corrente do estádio inglês (que em Portugal tem o representante no estádio do Bessa, Porto). Aquilo a mim parece-me que em planta deve dar um rectângulo, aliás para dizer a verdade, o do Dragão deverá ser o único circular, os outros, em geral, têm curvas sim, e muitas até são circulares, mas daí a dizer que é tradicional vai um passo...


"fez com que o estádio se adaptasse à sua obra, que se caracteriza pela simplicidade dos gestos e a redução dos elementos (inicialmente estava mesmo prevista uma única bancada)" Eu até acho que o arq Souto Moura iniciou uma nova fase da sua obra com este estádio (já um pouco antes, mas a face mais visível apareceu aqui). A simplicidade dos gestos e a redução dos elementos caracteriza a obra do arquitecto. Ainda bem que este senhor está aqui para dizer isso... Eu digo mais, caracteriza a do arq Souto Moura e a de mais um milhão de arquitectos no mundo. Partir daí e dizer que o estádio se adapta à sua obra é no mínimo redutor (o que é aceitável vindo de alguém que vive a arquitectura sem se preocupar com ela mais do que nos aspectos em que ela o serve, o que não é o caso de alguém que vem fazer crítica arquitectónica de jornal).


Fiquei irritado com este artigo. Não porque "atacava" (uma crítica apresentaria argumentos, eu não considero as baboseiras descritas como argumentos) a dita obra de arquitectura, que eu por acaso aprecio bastante, mas porque corresponde a um exercício completamente relaxado e inconsciente de quem, não tendo mais nada com certeza para fazer, resolve que de repente tem competência para utilizar a sua (enorme) responsabilidade enquanto colunista para disparatar sobre assuntos para os quais não tem evidentemente, o conhecimento necessário. Acho que a arquitectura deve ter nos seus utilizadores os principais críticos, que fique claro. Elas são feitas para eles e portanto aquilo que não funcionar, aquilo que não servir os interesses que deveria cumprir deve com certeza ser detectado por não outros senão aqueles que a utilizam. Mas daí a assumir que a fraca audiência dos jogos do Braga se deve ao estádio que eles têm, é no mínimo, construir um bode expiatório fantástico (o estádio está construído, não se vai agora mudar, a culpa é do arquitecto com manias de artista) que desvia o olhar para outro facto: o de que tirando os 3 maiores clubes portugueses (e a fantástica excepção do V.Guimarães) nenhum clube em Portugal leva para os estádios mais adeptos em média do que o Braga leva, neste ou noutro estádio qualquer.

Apanham chuva? coitadinhos. O antigo estádio das Antas (por exemplo) estava praticamente todo descoberto e enchia praticamente todos os jogos. Quem quer ir ao futebol não se inibe porque está a chover. Além do mais apanha chuva (quando chove, que parece que até nem era o caso
no jogo que criou a polémica) apenas uma porção reduzida de espectadores, os que se encontram nas pontas (já tive oportunidade de observar isso ao vivo).

não cria envolvência? com 9000 adeptos acredito que não. pior do que esta só a do seleccionador búlgaro quando se queixou que perdeu o jogo de Euro em Braga porque os seus jogadores não viam a baliza porque tinha pedra atrás. Aliás pegando nesse jogo, analise-se e veja-se se tinha ou não envolvência, quando o estádio estava cheíssimo nos jogos do Euro.


Frio? Em Braga, norte de Portugal, coração do Minho, em temperaturas de Inverno, queriam o quê? 30º à sombra??? frio há em todo o lado, que eu saiba não há aquecimento, esse vem de casa e chama-se agasalho. Passei o mesmo frio no Dragão e em Braga. Claro, a mim pareceu-me que o meu sofá era mais confortável... se calhar a culpa foi do Manuel Salgado e do Souto Moura.

Isto já vai longo, se leitores houve a começar a ler-me com certeza desistiram antes de acabar, mas queria ter deixado aqui expressa a minha preocupação pelo facto de a arquitectura, por de repente estar a tornar-se um assunto tão moda como futebol, possa correr o risco de (re)começar a ser discutida e criticada por quem não a sabe olhar.

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Rui Resende concordo em parte com a tua revolta, o estádio do Braga trouxe um novo conceito (há quem diga que não), logo traz um novo ambiente ao Futebol e é algo incontestável. Quanto aos problemas invocados pelo autor, sao problemas reais algo que o Souto Moura afirmou que poderia acontecer, nomeadamente o problema do frio, humidade e vento, algo que á partida só por si é bastante lógico que aconteça dada ás caracteristicas do terreno e o posicionamento do objecto no mesmo!
Quanto ao factor 'concentração' dos jogadores como escreveste em cima também é algo perfeitamente normal que aconteça, quem nunca praticou desporto de alta competição não sabe o quanto estas diferenças alteram o desempenho dos atletas, muitas das pessoas tomam isto como meras desculpas, quando o não são! Falo por mim uma coisa é fazer competições de estádio vazio outras é teres milhares de pessoas a olhar para ti (pressao brutal) e a fazer ruido (resultando na falta de concentraçao para quem não esta habituado)! No caso do Futebol, uma coisa é jogar num estádio sem pista de atletsimo outra é jogar num estádio com pista! o nivel de concentração e pressão é completamente diferente! Agora imagino estares a jogar virado para uma parede, dá um pouco a ideia de estar a jogar uma peladinha,lool !!!

Uma coisa que realmente falta saber é a opiniao dos atletas! Como é estar naquele relvado em dia de jogo, para se poder tirar verdadeiras ilações!
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Acho que levantaste a questão importante dos jogadores. É importante perceber o que eles sentem lá em baixo, é uma opinião válida e fundamental. Em relação aos problemas, eu refutei (os que refutei) com base na minha experiência pessoal lá no estádio. Houve por exemplo a questão do vento, que eu não senti quando o utilizei porque de facto não havia vento quando lá estive, mas parece-me que pode mesmo ser um problema em certos dias. Mas a minha revolta não estava exactamente direccionada à detecção de problemas funcionais do estádio, embora me tenha centrado bastante em analisá-los. Acho como disse acima que a arquitectura deve ser criticada primariamente pelos seus utilizadores. O que critico é (partes negras) a "arquitectura de bancada" o falar com vocabulário e de conceitos que eu, após 5 anos a estudar arquitectura tenho hesitação e dúvida em usar. é precisamente como quando vemos toda a sorte de gente a opinar sobre o que cada treinador devia fazer na sua equipa, não percebendo rigorosamente nada da bola a não ser saltar quando ela entra. Acho que estamos num ponto em que a arquitectura pode cair "na boca do mundo". Este artigo para mim foi uma manifestação disso mesmo. Que as pessoas falem de arquitectura, sim, ela é feita para as pessoas, mas é preciso identificar quem é está qualificado para o fazer de forma profissional e rigorosa e quem pode apenas dar uma opinião empírica... Era mais por aí, creio que levei o meu post anterior no sentido errado...

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uma vez apaixonei-me, chamava-se teresa...era linda para ficarem com uma ideia de como ela era (porque sinceramente já não é tão linda), sempre que olhava para a capa do "pelos teus lindos olhos" do triangulo jota do alvaro magalhaes a via a ela, linda, só não tinha um olho de cada cor, mas era linda. gostava muito dos livros do álvaro magalhes, um bom contador de histórias para jovens que começavam a apaixonar-se e penavam que já tinham ali umas paixões á séria 1.esse senhor escreve livros pa putos e de arquitectura nada percebe acho muito bem que se fale de arquitectura, quem me dera que toda a gente percebe-se a importancia da arquitectura nas suas vidas, quem me dera que toda a gente quisesse casas de (bons) arquitectos quem me dera que toda a gente se cala-se quando falam do que não sabem parecendo que sabem muito 2.assim é este senhor, alvaro magalhaes, que em comum com o ex.treinador adjunto do benfica só tem o nome este gajo usou prái expressoes que nem eu com 5 anos de faup sou capaz de dizer a um professor meu, com vergonha e com a ideia de que estou a blasfemar conceitos que não domino, que nem sei se existem, que nem sei se são propriedade da arquitectura 3.ah, e de futebol este gajo também nada percebe... 4.aqui em Mangualde, (é uma cidade no interior do país ao pé de Viseu) , o grupo desportivo local joga num relvado com uma bancada, do outro lado um morrozito elevado para peoes, uma pista de atletismo (como em alvalade) e num dos topos, onde não há bancada também, curiosamente há uma parede de pedra, sensivelmente com a mesma altura da do estádio do braga, vá também não é tão alta. 4.1 os jogadores rematam contra essa parede (é mm uma "parede" de pedra porque escavaram po estádio, vá uma pdreira) e muitas, muitas vezes, o adversário vence jogos com golos contra essa pedreira 4.2 os adeptos do peão apanham chuva, vento, granizo, neve se neva-se 4.3 os adeptos da bancada apanham chuva, vento, granizo, neve se neva-se 4.4 os adeptos do mangualde gostam de ir ao futebol, e gostavam muito de ter um estádio como o do braga, uma obra de arte, só com duas bancadas (a do peão substuida por banca a serio) suspensa e tal, curioso, fica engraçado, que porreiro termos um estádio suspenso, olha e também se joga lá... ...e com uma pedreira, tal como tem hoje, onde os adversários marcam golos e golos contra a nossa equipa a difreença de mangualde e braga não é o estádio, são os adeptos, os de mangualde vão ao estádio, nem que neve, os de braga não vão, inventam que a culpa é do estádio prrque tem vergonha de dizer que gostam menos de futebol que os de guimaraes e depois há senhores que se apropriam das ideias, transformam numa linguagem sabida, e por capricho, se lembram de fazer duma simples crónica de futebol um inventário sobre como constuir um bom estádio de futebol, em vez de se preocupar em escrever bons livros para putos em vez destes viverem agarrados a consolas de jogos que pouco os ensinam e pouco lhes trabalham a mente...

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Nem todos sao experts na matéria! Mas é bom que se vá falando para as pessoas terem noção para que serve a arquitectura! É pena é so vir á baila, como sempre, os pontos maus e as coisas boas ficarem enterradas e ninguem as chamar a atenção, mesmo que sejam escritas por arq de bancada :D

kwhyl o Estádio 1º de Maio, antigo estádio do braga, não tem um dos topos é um estádio bastante acolhedor e estava sempre com uma boa média de pessoal! E como sabes Braga é a cidade (salvoerro) que tem mais pluviosidade em Portugal, assim como é uma cidade muito fria, logo bastante humida, aliada a um estradio situado numa encosta, 'enfiado' na pedra, sem nenhuma protecção nos topos por causa dos ventos dá uma mistura explosiva se não estiver muito bem controlado! E pessoalmente acredito muito que seja das condiçoes que o estádio oferece!

Outra coisa que me ocorreu é a situação junto ao relvado ser mais favoravel que no 'cimo' das bancadas! Penso que cá em baixo seré muito mais protegido! Daí os jogadores possivelmente não se queixarem, mas continuo a pensar que eles têm algo a dizer :p

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Na exposicao Habitar Portugal havia um video sobre o Estadio e no final do video o Arquitecto citou uma citacao de um pintor: "Eu pinto para os museus."

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. Em primeiro, as partes coloquei a negro mostram nada mais que uma coisa: o autor (que até escreveu, não sei se ainda escreve, alguma literatura juvenil de qualidade, a série Triângulo Jota, que eu li e apreciei bastante) nada sabe de arquitectura (se alguma formação tem, pouco se nota nas palavras que escreve), pouco mais se informou para escrever o que escreveu, o que torna o artigo dele uma nulidade nesse aspecto, com o perigo enorme de ser publicado no diário de maior tiragem nacional, e logo, poder ser lido por (muito) mais pessoas do que merecia. Isto tem uma palavra, chama-se irresponsabilidade.


Desculpa la. Mas devemos ser humildes. Neste momento concordo com este texto. A Arquitectura e para quem?

Uma pessoa veste um casaco de pele em pleno inverno. Este casaco desenhado pela Maria de Fatima tem uns circulo onde o peito nu esta em contacto directo com o ar frio. A pessoa queixa-se de frio e diz que Maria de Fatima e uma pessima designer. Rui Resende vem dizer a publico que a pessoa nada sabe de design e mais valia ficar calada. E no final pergunto: Um casaco nao serve para proteger do frio?

Concordo com o texto do dito cujo... mas calma ai... concordo mas devemos jogar com todas as pecas do xadrez...
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Acho que levantaste a questão importante dos jogadores. É importante perceber o que eles sentem lá em baixo, é uma opinião válida e fundamental.
Em relação aos problemas, eu refutei (os que refutei) com base na minha experiência pessoal lá no estádio. [...] O que critico é (partes negras) a "arquitectura de bancada" o falar com vocabulário e de conceitos que eu, após 5 anos a estudar arquitectura tenho hesitação e dúvida em usar. é precisamente como quando vemos toda a sorte de gente a opinar sobre o que cada treinador devia fazer na sua equipa, não percebendo rigorosamente nada da bola a não ser saltar quando ela entra. Acho que estamos num ponto em que a arquitectura pode cair "na boca do mundo". Este artigo para mim foi uma manifestação disso mesmo. Que as pessoas falem de arquitectura, sim, ela é feita para as pessoas, mas é preciso identificar quem é está qualificado para o fazer de forma profissional e rigorosa e quem pode apenas dar uma opinião empírica...


A tua revolta irrita-me a mim.:D

Tudo bem que tu, eu e todos os que estao aqui tiveram que aturar 5 anos de professores fazer 2 anos de estagio e trabalhamos em atelier ou algo relacionado com arquitectura mas os utilizadores tambem tem direito de opinar.

Se as pessoas nao podem opinar entam que venha o Salazar da Arquitectura... ficamos sempre neste autismo de nao saber o que que os utilizadores acham da arquitectura. Acho muito bem que este Alvaro Magalhaes escreva sobre o assunto. Ele e muitos mais.

Agora em vez de expores aqui a tua revolta deves escrever para o jornal e responder a esse senhor e explicar porque razao o estadio foi construido daquela maneira e ensinar aos utilizadores da arquitectura como e que se deve falar e escrever sobre a arquitectura e nao estar aqui aos saltos com uma arrogancia tipica dos arquitectos.

Pega na caneta e comeca a escrever uma cartinha...:p
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Ok, eu achava, agora tenho a certeza, que tinha direccionado mal os meus primeiros posts, porque foquei-me demasiado em refutar coisas segundo a minha opinião e pouco a criticar o que realmente eu penso havia a criticar no texto.
Posto isto, vou tentar, se ainda possível, rectificar o que puder ser rectificado e deixar um bocado mais claros os motivos que me levaram a colocar o texto aqui no fórum.

Eu acho muito bem que as pessoas que utilizam arquitectura (que são toda a gente) sem a estudarem opinem sobre ela. Arquitectura é para as pessoas. Nesse sentido, os erros que ela possa conter, e aqui incluo todos aqueles que são apontados na opinião pública ao estádio do Braga. É positivo para a arquitectura, e com certeza para o seu autor que esses erros sejam apontados. Disse isto nos posts acima. Neste caso específico são apontados problemas de funcionamento, não só pelo autor do texto que eu coloquei mas por muito mais pessoas. Nesse sentido devem ser levadas as críticas em conta. Eu não concordo (com as que refutei acima) baseado na minha experiência pessoal como utilizador do edifício, mas concordo que as críticas podem ser válidas. Não é por aí. Neste aspecto apenas quis realçar que não concordo que as más audiências dos jogos do Braga tenham a ver com o seu estádio. Mais digo para que fico claro, se fosse o Benfica ou o Porto a jogarem naquele mesmo estádio, ele estaria cheio todos os jogos (como aliás o está sempre que estes clubes ali jogam). Mas não é esse aspecto que pretendia criticar embora tenha focado demasiado o assunto, e aí o meu erro.

O que eu quis criticar foi o momento em que o crítico/utilizador espontâneo de um edifício que por acaso é conhecido nos círculos de apreciadores de arquitectura se resolva a fazer mais que aquilo que de facto pode honestamente observar enquanto utente. Não tem nada a ver com ser ou não um edifício do Souto Moura, ou um edifício de que eu ou outra pessoa qualquer gosta. Eu não sugiro ao médico uma cura para o meu problema, porque de medicina nada sei. Eu faço o médico saber que sintomas sinto. Eu não pergunto ao técnico informático como posso remediar (determinados) problemas que o meu hardware possa ter, porque de facto nada entendo de computadores. Conheço pessoas que vão ao médico e dizem "dói-me a cabeça logo agradecia que me desse um medicamento como a minha cunhada levou a semana passada também pra dor de cabeça". Conheço médicos que se queixam disto. Na medicina é claro que o médico é que sabe como lidar com os sintomas que cada um apresenta, as pessoas todas em geral reconhecem-lhe essa competência. Na arquitectura não se passa isso. Porque é do senso comum que toda a gente sabe resolver uma questão arquitectónica, voltando ao estereótipo de que um arquitecto na verdade para pouco ou nada serve. E isso não é verdade. Por isso, diagnósticos sim, soluções não. É colocar em causa o trabalho de um arquitecto dar soluções em colunas de jornal quando ele demora meses a pensá-las. Acredito numa arquitectura para e ao serviço da sociedade, mas feita por quem tem a competência para tal. E isso não é autismo, é participação social, democrática e atribuída.


A caneta e a cartinha JVS, pega tu nela, escreve tu nela e pergunta ao sr do artigo se alguém já lhe escreveu sobre o assunto. Talvez ele te diga que já alguém escreveu.

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Obviamente, nada me move contra um estádio que seja uma obra de arte, desde que ele não seja apenas isso

o escritor disse isto.
nao peguemos em tanto assassinato porque, parece-me a mim, que ainda tem cabeça. senão nem escritor seria...

o que ele diz. de alguma forma tem nexo.
reparem, se alguém ligado há arquitectura vai criticar sobre o estádio, falava sobre o vento ou a chuva? ou falaria sobre a imponencia do estádio, a tensão entre a bancada e a pedreira o pormenor, sublime, da recolha de água?
é obvio que aqui, remete-me, ao afastamento da arquitectura das pessoas(pode parecer algo afastado neste tópico, mas é verdade)
porque razão num texto critico não existe uma entrevista com quem, realmente, vive o/no espaço?
porque razão se escrevem frases de uma poesia tal quando depois é "apenas" e sempre a beleza dos elementos que nos fascina?
penso que tem de existir um ponto intermédio...
o meu prof falava-me de um arquitecto(desculpem mas nao me recordo mesmo do nome dele, irei perguntar no começo das aulas e depois coloco) que passava 1 semana dentro da casa para perceber se existiam erros antes de entregar aquela "maquina de habitar" aos donos.
outro que passava um fim de semana numa casa com o cliente(pai, mae filhos, etc,etc) para perceber os costumes para assim adaptar o espaço à actividade dos "clientes".
não digo para fazermos tal e qual...ou que o ESdM tinha de passar o natal com todos os elementos da claque do braga...
mas quando temos hipoteses de criar arte e ao mesmo tempo dar conforto e criar a tal ligação com A pessoa ficamo-nos pelo primeiro...
porque hoje em dia não queremos ir para o pião!(sim eu fui...) mas para um espaço em que vemos 22gajos atrás da bola com algum(e já nao coloco todo) conforto...

este tópico é muito semelhante com a Casa Toló(?) do filho do Siza...
arte pela função?
ou
função pela arte?
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Será que um não-arquitecto não pode comentar sobre uma obra? Será que um não-arquitecto não poderá expressar a sua opinião? Será que um não-arquitecto não poderá entender de arquitectura? Será que um não-arquitecto poderá dizer que não gosta do tipo de traços utilizados para a execução de um edificio. Será que um não-arquitecto poderá dizer até está bonito mas faz corrente de ar? A arquitectura é para todos ou somente para os Arquitectos???

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Não acho que um "não-arquitecto" não possa comentar arquitectura, não possa expressar a sua opinião, não possa entender de arquitectura, possa dizer que não gosta do tipo de traços utilizados para a execução de um edificio, possa dizer até está bonito mas faz corrente de ar, mas comentadores e colunistas de jornais e outros meios de comunicação social devem ser responsabilizados pelas afirmações que fazem (verdadeiras, falsas, ou meras opiniões), porque eles próprios têm responsabilidades para com a sociedade... Tal como já disseram antes, se calhar falta aqui a outra perpectiva, o verdadeiro confronto de ideias e posições... mas isto é "apenas" uma coluna de opinião, nada mais do que isso...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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