Gaf.arq Posted December 4, 2006 Report Posted December 4, 2006 O programa pedia unidades de até 50 m², de forma a que o conjunto fosse destinado a programas oficiais de financiamento e acesso à moradia no Brasil. Embora não seja considerada "habitação de interesse social" devido à restrita legislação brasileira de financiamento, ainda assim está no contexto da destinação de terrenos no centro da cidade de São Paulo às moradias ditas "populares". O projeto foi desenvolvido em pouco mais de 3 meses, em um sítio próximo a um dos principais eixos viários da cidade (a avenida Nove de Julho), no bairro do Bixiga (antigo bairro operário, local de concentração dos imigrantes de origem italiana e hoje um dos principais locais com concentração de teatros e casas de espetáculo na cidade). O programa também previa uma padaria à rez-do-chão.>>>>>>>>> Os princípios que nortearam o desenho foram: espaço público qualificado para a cidade; qualidade no desenho da unidade habitacional (a qual englobava ventilação transversal, integração visual à cidade); criação de caminhos interessantes entre público e privado. A implantação se deu de forma a minimazar os efeitos sobre o edifício vizinho, que possui varandas voltadas a este sítio e atenuar a empena cega do outro edifício que se justapõe ao projetado. O espaço livre criado chão da cidade é inteiramente cedido a ela, criando novos fluxos e espaços de apropriação pública. Partiu-se do princípio de aglutinar a circulação de acesso a um conjunto de apartamentos (que no andamento do projeto revelaram-se como sete) em um único grande espaço comunitário de uso flexível que constitui um pavimento intermediário. Concentram-se três apartamentos ao longo de um pavimento, cujos acessos se dão pelo pavimento intermediário (subindo ou descendo), criando-se assim um andar superior e outro inferior àquele pavimento. Neste pavimento ainda há um apartamento (cujo acesso em nível possibilita sua habitação por portadores de deficiência física). As paradas do elevador se dão apenas no pavimento intermediário. Tal configuração surge do desejo de propor uma espacialidade diversa do tradicional "empilhamento" de apartamentos em edifícios dotados de circulação avarandada. Isto também possibilita que todos os apartamentos possuam visuais da cidade que não se limitam apenas a uma das faces do edifício. Quote
asimplemind Posted December 4, 2006 Report Posted December 4, 2006 antes de mais os meus parabens por seres o primeiro não portugues a mostrar um projecto académico feito fora de portugal! Assim podemos até ver como é que as coisas se desenrolam nos outros sítios! é bastante interessante. Vou ver o que aqui deixaste para analisar melhor Quote
asimplemind Posted December 4, 2006 Report Posted December 4, 2006 em relação ao que percebi do teu projecto, estavas condicionado à partida com a questão das áreas dos apartamentos por serem de baixos custos. Realmente não faço ideia como é o local, mas parece-me que o teu edifício consegue ter uma relação interessante a nível transversal com a envolvente. Já a nível longitudinal tenho algumas questões a colocar: Primeiro, porque é que decidiste colocar um volume autónomo de elevadores? Falaste que querias que os apartamentos tivessem duas frentes, mas podias resolver isso com acessos verticais interiores também, apesar que se calhar necessitarias de mais do que um. Segundo, como é que se faz o acesso aos apartamentos nos níveis intermédios? é através de escadas que ou descem ou sobem? Haverá hipótese de haver pessoas com mobilidade reduzida que morem nesse edifício? obrigado por partilhares este projecto! Quote
Gaf.arq Posted December 4, 2006 Author Report Posted December 4, 2006 Realmente, talvez seriam criadas espacialidades mais interessantes caso houvesse prumadas de circulação vertical internas à lámina, mas chegamos a estudá-las e consideramos tal iniciativa muito limitadora (do ponto de vista da quantidade final de apartamentos, visto que resultariam possivelmente menos unidades por andar). Acreditávamos que quanto menor a dimensão transversal da lâmina melhor seria para o conjunto, o que levou à solução atual. Já que concentramos a circulação vertical (elevadores e escada, que em São Paulo exige-se enclausurada - ou seja, totalmente fechada em relação às unidades) em um único ponto (e que coincidia com a esquina), procuramos ressaltá-la como materialidade que é: daí o volume em concreto (betão) aparente rasgado pelas janelas verticais. Também achamos interessante o caminho entre a torre de circulação e o pavimento intermediário (em uma dinâmica do tipo "entrar-sair-entrar"). Quanto aos portadores de deficiência física, previmos três unidades em cada um dos níveis intermediários. Quote
3CPO Posted December 4, 2006 Report Posted December 4, 2006 Bastante interessante o projecto...e aquilo que parece ser um entrave (o enclausuramento do bloco de escadas), tornou-se um elemento plástico na leitura do edifício... Não sei se tens mais informações sobre a materialidade...maquetes, ou algo que nos permita entender um pouco melhor a expressão material do edifício...seria interessante... Fica desde já os parabéns pelo facto de ser um dos primeiros membros Brasileiros a públicar o projecto por iniciativa própria... Abraços :p Quote
Gaf.arq Posted December 5, 2006 Author Report Posted December 5, 2006 Obrigado pelos comentários. As imagens que tenho dos modelos ainda estão desatualizadas (visto que correspondiam a etapas anteriores do projeto), por isso não as postei aqui, mas pretendo fazê-lo logo. Quote
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