Partindo de um objectivo concreto, formalizei uma ideia inicialmente abstracta, que se materializa e ganha preponderância no projecto que desenvolvi. Numa primeira fase procurei perceber os valores essenciais a reter nos objectivos do concurso, preconizando e estabelecendo algumas normas em termos de organização às quais me regi durante todo o meu processo projectual. Percebendo a necessidade de projectar um espaço mínimo, que reunisse as condições necessárias e inerentes à vida humana, proclamei ao longo das diferentes fases estabelecer hierarquias na projecção de espaços e na sua organização. Decidi à partida criar uma habitação que subsistisse num núcleo urbano moderno, e que na relação com uma possível malha de implantação, esta (habitação) não a descaracterizasse nem lhe retirasse todo a sua identidade e carácter de uma forma abrupta. Neste sentido proferi uma composição ortogonal da mesma, tornando-a formalmente coerente e libertando-a no seu interior, podendo desse modo desenvolver uma organização espacial com sentido e disciplinada. Abordando o modo como articulei a área habitacional, posso afirmar que desenvolvi espaços hierarquicamente dissemelhantes, onde a zona comum da habitação e a zona privada da mesma se relacionam de uma forma subtil, e a sua configuração material e formal é diferente. Assim, a área comum subsiste numa conexão de espaços, onde a habitação se vai revelando desde a entrada (para a zona de estar) à qual se sucede um lugar determinante, pelo qual se interligam os diferentes espaços. O espaço privado ganha relevância e torna-se num espaço autónomo da habitação, precavendo uma maior noção de intimidade e individualidade. A área destinada ao preparo de refeições (cozinha), liga-se de uma forma directa à zona de comer, fazendo com que a organização espacial não entre em conflito em torno de si própria. A casa de banho (instalação sanitária) como espaço qualitativo e de grande relevância na habitação, serve tanto a área comum como o espaço mais privado da habitação (o quarto). Sendo um dos objectivos do concurso promover um espaço habitável com o máximo de 27m3, tive em atenção promover um jogo a nível do pé-direito dos espaços, onde o espaço mais social da habitação (sala de estar, zona de comer e própria cozinha) teriam um pé-direito maior, relativamente ao quarto (espaço privado da habitação) e instalação sanitária. Este jogo volumétrico, resulta num deslocamento visual de volumes que se consolidam num todo unitário. A escolha dos materiais reflecte a preocupação que tive em diferenciar a zona comum (onde o vidro e o metal cromado envolvem todo um espaço mais frio, mais permeável ao contacto exterior, mais diário, ou seja mais social) e a área privada (onde a madeira como material mais quente, mais acolhedor, que traduz simbolicamente um maior contacto com a natureza e que remete a toda uma intimidade e individualidade inerente ao Homem, ganha forma e como que adquire autonomia no seio da habitação). Em suma, a simplicidade formal da habitação resulta de um desenho esclarecedor da ideia e de uma atitude minimalista, que reflecte e procura solucionar os problemas explícitos no programa do concurso, na concepção do espaço habitável.