Concordo plenamente com "Desde que a respectiva civilização se identifique com ela" mas as reconstruções periódicas dos templos japoneses são feitas segundos preceitos rígidos, não são uma questão de modas ou de relações públicas para os media. A madeira é extraída do bosque sagrado e o templo não é construído no mesmo local, mas sim vai alternando dentro da área considerada sagrada (comporta a zona do portico de entrada, do largo a seguir e do bosque sagrado) e só após a construção do último estar finalizada e que o primeiro cessa de existir.
Mas esses conceitos de reconstrução, evolução, crescimento estão bem patentes na arquitectura habitacional tradicional, eles não têm o conceito de valor patrimonial que os ocidentais começaram a adoptar em finais do séc. XVIII inícios do séc. XIX. Para eles não faria sentido a preservação morta que aqui se faz (às vezes).
A sociedade evolui e as necessidades tb. Assim sendo os "equipamentos" tb têm de evoluir, já não estamos na reconquista cristã no entanto temos "reconstruções" que não cumprem função alguma excepto a de servirem para palco de uma ou duas manifestações culturais ao longo de um ano. Será esse o caminho a seguir?
Tudo tem apenas o significado que lhe damos, a reconstrução das estátuas afegãs é outro exemplo, o regime, que naquele caso representava uma linha extremista da cultura maioritária considerou-as uma ameaça e derrubou-as. Mas a sua mera reconstrução só para dizer que estão lá no deserto... não me parece uma alternativa viável.
De que forma é que esses elementos "reconstruídos" beneficiam as populações e os países?? A arquitectura não pode existir como uma cultura de laboratório para os "crânios" apreciarem. Foi feita pq tinha utilização e valor para quem as fez e assim deve continuar. A arquitectura serve as pessoas e não a si própria.