Moshe Safdie
Um dos meus predilectos.
Mas é necessário falar dum 'antecedente'. Unidade de Habitação de Marselha (1947-1953)
Construída por Corbusier em resposta à procura de soluções, que respondessem de forma técnica e racional aos problemas das sociedades do seu tempo (pós-guerra).
Utilizando normas padronizadas para projectar os apartamentos, Corbusier procurou conciliar a funcionalidade com o bem-estar do utilizador, num edifício auto-suficiente, e que proporcionasse todas as condições e recursos para que a vida pudesse decorrer de acordo com os altos padrões de higiene, salubridade, etc.. "...assenta sobre colossais pilotis e possui 12 andares que terminam numa cobertura em terraço...além dos 337 fogos habitacionais, possui ainda: na cobertura, parcialmente tapada, uma creche, um ginásio, uma piscina e uma pista de corrida, um hotel, e uma rua comercial..."
Mas nem tudo é harmonia, depois de construída, a Unidade recebeu várias critícas: aspecto mtui maciço e compacto, os corredores interiores sem iluminação natural, pouca segurança, etc...
Claramente uma obra funcionalista, despojada dos elementos estéticos, e preocupada com a economia de espaço, material...
No entanto, este edifício serve, na minha opinião, de construção preliminar do Habitat 67.
O Habitat 67, com um aspecto formal exterior muito mais desmarcado, derivado de vários elementos, os blocos de habitação, o cubo como a base, organizados ritmicamente e com uma 'certa' dísparidade, embora no conjunto, a estrutura seja simétrica, atribuem-lhe uma composição muito mais livre do que se pode observar na Unidade de Marselha. É certo que ambos têm objectivos parecidos, alojar um grande número de pessoas, mas o contexto da época em que foram construídos difere banstante, acabando por moldar também a figura das estruturas das construções. Tornam-se assim, estes dois edifícios, marcos da evolução da arquitectura, do praticamente funcionalista e materialista, para o que o Kandinsky disse, desconstrutivismo, o 'encaixar dos blocos', apresentando-nos volumes arrojados e dinâmicos, que se tornam muito mais agradáveis do que um bloco de betão, construído na vertical.
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