bem... após já la ter passado umas vezes desde que cheguei de erasmus e de ter estado a reflectir um pouco vou expressar aqui os meus pensamentos sobre o assunto.
Quando a vi pela primeira vez, depois de ter estado a ler posts no forum e de ter ouvido e lido noticias com comentarios de cidadãos do porto, fiquei radiante. Tinha uma imagem altamente negativa do que seria o novo aspecto da avenida, fomentada por todos os comentarios que li, mas na realidade aquilo que vi e aquilo que experimentei não tem praticamente nada a ver com a ideia que tinha formado.
O que tinhamos antes?
Uma avenida edificada em finais do séc. XIX com uma imensidão de grandes edifícios nos mais variados estilos, desde os revivalismos barrocos, neoclassicos até às primeiras linhas modernistas, toda ela feita de forma a reflectir o explendor da unica avenida da cidade e o ponto central do poder monarquico. O ambiente da avenida e praça era traçado pelo pavimento em basalto com os desenhos alusivos aos descobrimentos e às colónias feito como um enorme mosaico que só a mestria de alguns permitia que tal fosse possível. Os jardins e as árvores davam mais riqueza a este ambiente tornando-o um pouco bucólico e símbolo da cidade através da estátua equestre de D. Pedro IV apontando para o brasil.
O que é que ao fim destes anos todos tínhamos naquele lugar?
Uma avenida cada vez mais densamente atravessada por pessoas, carros e autocarros, os passeios com altos e baixos, pedras que desapareciam, jardins pouco cuidados, a estátua de D. Pedro em vez de voltada para o brasil estava com o seu dedo indicador quase a tocar o vidro do palácio no fundo da avenida. Uma faixa central pouco convidativa à deslocação de pessoas, mas mais usada para repousar, mesmo no frenesim de taxis, autocarros e carros a acelerar para apanhar os últimos centésimos de amarelo no semáforo. Tinhamos uma avenida que em dias de festa (s.joão ou vitória do porto) não conseguia conter o enorme fluxo de pessoas que aí se deslocavam, mesmo com as suas enormes dimensões.
O que se passa a seguir?
Era necessário revitalizar a baixa, fazer passar o metro por de baixo da avenida, dar uma imagem e uma função à avenida ao nível das cidades europeias.
O que temos agora?
O que se vê hoje em dia e, que para mim é de forte interesse em termos arquitecturais e urbanisticos é uma avenida notoriamente urbana, bem regrada, feita para as pessoas, os automóveis e o metro e que, permite de uma forma absolutamente incrivel visualizar todos os grandiosos edifícios que formam a fachada da avenida e que até então nunca tínhamos a percepção, mesmo eu que já a atravessei vezes sem conta, nunca tinha visto a riqueza arquitectural dos edifícios da avenida como agora se apresenta.
Mais, só quem nunca esteve noutras cidades europeias é que não compreende o interesse e as vantagens da remodelação de uma avenida como esta, com as dimensões que esta tem. O facto da faixa central estar livre permite que as pessoas não andem só pelos passeios laterais, mas que façam o seu percurso pela faixa central, permitindo estar no eixo entre a camara e a estátua equestre e visualizando coisas até então nunca antes vistas. Ao descer temos a percepção da Sé do Porto que se lança no ceu, temos os enfiamentos das ruas transversais à avenida que mantêm a riqueza arquitectural exposta na avenida, temos a noção de estar num espaço urbano, rico em história e que priviligia o fluxo de pessoas permitindo que o tráfego de automóveis siga de forma contida e regrada. Esta nova avenida faz-me lembrar o centro de Copenhaga: um espaço destinado ao comércio tradicional e às pessoas, onde a mais variedade de eventos sociais podem ter lugar nesse espaço se que para isso seja necessária a criação de estruturas. A nova avenida dos aliados é um espaço não só funcional mas de criação. É um espaço de expressão artística, social, é um espaço urbano no verdadeiro sentido do termo. A nova configuração da avenida permite albergar toda a variedade de acontecimentos que acontecem regularmente e que não podem passar despercebidos pois fazem parte da cultura urbana do porto.
Mas como é obvio e visivel a todos, sendo esta uma intervenção de carácter radical, há coisas que me chocam um pouco, por exemplo. A Fonte que criaram junto à camara para mim é uma absoluta tristeza, não faz sentido nenhum nem sequer trás nada de novo ao espaço. Quando passamos de carro temos a percepção de haver um buraco enorme lá, não se vê água. Quando estamos ao lado, parece que estamos numa espécia de mini-barragem que eu tenho dificuldades de acreditar que possam ter sido os dois mestres da arquitectura portuense a desenhá-la... Penso que as árvores novas que colocaram trarão nos próximos anos muito mais vida à praça e demonstram que pode haver bastante frescura mesmo só utilizando árvores. As duas estátuas que estão a meio da avenida a meu ver neste momento perderam todo o sentido. Estão nuas e sem carácter. Penso que no mínimo à volta das estatuas deveria haver um pequeno jardim de flores ou algo que lhes desse mais vida... Agrada-me bastante as cadeiras e mesas que puseram junto à fonte. Para mim são das coisas mais interessantes da praça e é notoriamente uma provocação dos arquitectos e um apelo a uma sensibilidade urbana.
Continuo sem entender porque é que a estatua equestre de d. pedro IV não foi voltada ao contrario, dando coerencia ao projecto, como tinha sido pensada. Não sei se foi a voz do povo ou falta de iniciativa...
Desculpem este post extenso mas senti vontade de exprimir o que pensava sobre o assunto