JVS Posted September 26, 2008 Report Posted September 26, 2008 De antiga prisão política a Pousada de Portugal Câmara exige preservação do Museu da Resistência e da memória do que ali se passou Ontem A Fortaleza de Peniche, monumento militar e antiga prisão política do Estado Novo, está parcialmente ao abandono e em degradação, aguardando há anos por um projecto turístico. esta quinta-feira, a Enatur e o Grupo Pestana assinam um acordo de exploração. O que oTurismo de Portugal e o Grupo Pestana vão rubricar é um aditamento ao contrato de exploração da Enatur com vista à construção de três novas Pousadas de Portugal, entre as quais uma na Fortaleza de Peniche. A Câmara de Peniche (CDU) concorda com a construção de uma Pousada de Portugal na Fortaleza da cidade, mas alerta para a necessidade do investimento contemplar a valorização do património ligado à antiga prisão política. "Esta pousada será diferente de qualquer outra. O que a diferencia é que será construída numa antiga prisão política e num local que é visitado por milhares de pessoas à procura da memória do que ali se passou", afirmou ontem o presidente da Câmara Municipal de Peniche, António José Correia. Por isso, "tem que haver uma compatibilização entre as funções da pousada e a preservação da memória da prisão política e do museu da resistência", sustentou o autarca. "Entendemos que é possível compatibilizar o actual museu municipal de Peniche e a sua componente ligada à resistência com a nova estrutura", frisou, por seu lado, o dirigente comunista de Peniche, Jorge Amador. As novas pousadas estão projectadas para o Convento de Santa Clara, em Vila do Conde, a Fortaleza de Peniche e o antigo Sanatório da Serra da Estrela, na Covilhã. Segundo adiantou Luís Patrão, presidente do Turismo de Portugal, cada uma das três novas pousadas a construir em território nacional deve custar entre 10 a 15 milhões de euros. Erigido no século XVII sobre rochedos em frente ao mar, para defesa da costa, foi perdendo interesse do ponto de vista militar até que, na década de 30 do século XX, as casernas deram lugar a celas por onde passaram presos políticos como Álvaro Cunhal. As celas ficariam vazias desde o dia 27 de Abril de 1974 quando o forte deixou de ser prisão e foram libertados os últimos 39 presos, relata uma acta da cadeia. Um dos três pavilhões foi transformado em Museu Municipal, em 1984, mostrando "as memórias da antiga prisão" com as celas individuais e os parlatórios, os quais são visitados anualmente por mais de 40 mil pessoas. Os visitantes podem ver a cela onde esteve preso o histórico secretário-geral do PCP e alguns dos seus desenhos a carvão bem como o local por onde se evadiu em 1960. "À excepção de 15 celas, ocupadas por artistas locais que as transformaram em ateliê, a zona de recreio dos presos (Pateo da Cisterna) e os outros dois pavilhões de dois e três pisos, com mais de 50 celas, estão abandonados e degradados. Em Junho de 2005, o actual Governo anunciou que estava a estudar a construção de uma Pousada de Portugal na Fortaleza de Peniche para a qual já existe uma maqueta da autoria do arquitecto Álvaro Siza Vieira. Na altura, após uma visita ao forte, o secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, afirmou que "o projecto [para a construção de uma Pousada] não ficará inviabilizado". Em 2003, foi assinado um protocolo entre a Câmara de Peniche, a Enatur e o Estado, através da Direcção-Geral do Património, para afectar parte da fortaleza à Enatur. A autarquia realizou alguns investimentos ao abrigo do protocolo e a pedido da Enatur, nomeadamente um levantamento cartográfico digitalizado e avançou com compromissos para a rede de infra-estruturas da futura pousada. in http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Leiria&Concelho=Peniche&Option=Interior&content_id=1017577 Quote
kwhyl Posted October 6, 2008 Report Posted October 6, 2008 quando o tema é polémico o melhor é sempre chamar o Siza para abafar a polémica. dada a qualidade do projecto proposto ninguém será capaz de dizer que não ao novo uso, ficando maravilhados com mais uma construção do nosso arquitecto herói nacional. é uma grande política... Quote
3CPO Posted October 8, 2008 Report Posted October 8, 2008 Alvaro Siza wins RIBA gold medal...http://www.bdonline.co.uk/story.asp?sectioncode=725&storycode=3124407&c=1 :) Quote
Dreamer Posted October 8, 2008 Report Posted October 8, 2008 Alvaro Siza wins RIBA Gold MedalBy Marguerite Lazell Portugal’s Alvaro Siza has been awarded the RIBA’s Royal Gold Medal for 2009. Making the announcement at today's RIBA Council meeting, president Sunand Prasad said: "Alvaro Siza is simply a profoundly complete architect who defies categorisation. In Siza’s buildings, perhaps like no others, it is the relationships between the elements of the architecture that is given primacy rather than the shape or texture of the elements themselves. "This is an architecture in which an economy of expressive means is combined with an abundance of spatial revelation." Siza qualified in Portugal in 1955, and began his working life with Fernando Tavora. He has built projects in Germany, Spain, Italy, France, the Netherlands and South Korea, and designed the Serpentine Pavilion in London in 2006 in collaboration with Eduardo Souta de Loura. He won the Pritzker Prize in 1992. Alvaro Siza will be presented with the Royal Gold Medal at the RIBA in February and will give the 2009 Royal Gold Medal lecture the following day. Ao Siza, parabéns por mais um prémio e o reconhecimento merecido. Destaque ainda para a referência a um tal de Eduardo Souto de Loura... Quote Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...
JVS Posted October 17, 2008 Author Report Posted October 17, 2008 Peniche: Câmara informou que pousada não será concretizada nos próximos anos" - Associação Peniche, Leria, 08 Out (Lusa) - A associação Não Apaguem a Memória criticou hoje a instalação de uma Pousada de Portugal na Fortaleza de Peniche e revelou que a Câmara a informou de que "o projecto da pousada não será concretizado nos próximos anos". 6:30 | Quarta-feira, 8 de Out de 2008 Peniche, Leria, 08 Out (Lusa) - A associação Não Apaguem a Memória criticou hoje a instalação de uma Pousada de Portugal na Fortaleza de Peniche e revelou que a Câmara a informou de que "o projecto da pousada não será concretizado nos próximos anos". "A Fortaleza de Peniche é um símbolo único da resistência e não devia ser cedido para fins turísticos que se vão sobrepor e impor ao aspecto museológico", afirmou à agência Lusa Joana Lopes da direcção da associação Não Apaguem a Memória. Defendendo que "não faz sentido converter toda a área da Fortaleza em museu, sugeriu que à semelhança do que acontece noutros países, o espaço podia ser transformado em centro cultural, biblioteca ou para outras actividades culturais". Joana Lopes falava à saída de uma reunião da direcção da associação que decorreu esta noite na câmara de Peniche. A responsável disse ainda que "ficou surpreendida" com a informação prestada pela câmara e segundo a qual "o projecto da pousada não será concretizado nos próximos anos". "Ficamos a perceber que a Câmara não pensa em inviabilizar o projecto da pousada desde que salvaguarde o núcleo museológico da resistência mas ficamos também surpreendidos por constatarmos que não existe estudo prévio, nem projecto nem adjudicação", disse. "Está tudo extremamente atrasado, nem sequer estão determinadas as áreas destinadas à pousada, ao museu e as áreas comuns", acrescentou. Por seu lado, o presidente da Câmara de Peniche, António José Correia (CDU) reafirmou que "tudo deverá ser feito de modo a que a memória seja preservada e que haja compatibilização entre a pousada e a vertente da resistência". O presidente da Câmara de Peniche disse ainda que se deve manter o arquitecto Siza Vieira como autor do projecto uma vez que o próprio já tinha efectuado uma visita ao local (no ano 2000) com esse objectivo. O Turismo de Portugal e o Grupo Pestana assinaram a 25 de Setembro um aditamento ao contrato de exploração da Enatur com vista à construção de três novas Pousadas de Portugal, entre as quais uma na Fortaleza de Peniche. A Fortaleza de Peniche, monumento militar que continua a ser visitado sobretudo pela sua dimensão de antiga prisão política do Estado Novo, está parcialmente ao abandono e em degradação. Erigido no século XVII sobre rochedos em frente ao mar, para defesa da costa, foi perdendo interesse do ponto de vista militar até que, na década de 30 do século XX, as casernas deram lugar a celas por onde passaram presos políticos como Álvaro Cunhal. Um dos três pavilhões foi transformado em Museu Municipal, em 1984, mostrando "as memórias da antiga prisão" com as celas individuais e os parlatórios, os quais são visitados anualmente por mais de 40 mil pessoas. ZO. Lusa/Fimhttp://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/419042 Quote
Space Invaders Posted October 19, 2008 Report Posted October 19, 2008 E o concurso público onde está? Não é uma obra de interesse público? Sem subestimar o seu último prémio, tenho de confessar que me parece difícil algum outro português (excepto mais dois ou três) ganharem, dado que 99% das obras de arquitectura em Portugal de maior dimensão são a eles entregues... Quote
JVS Posted October 25, 2008 Author Report Posted October 25, 2008 Sendo Alvaro Siza Vieira comunista como eh que o Partido Comunista Portugues olha para esta situacao? E como vai ser esta obra num edificio com uma memoria do tempo da ditadura (na qual os comunistas consideram de fascista) realizado por alguem que era considerada de comunista, o oposto antagonico de fascista? Eh provavelmente um projecto que suscita alguma curiosidade. Deixo aqui um texto escrito pelo PCP atraves do Avante. Museu da Resistência Denunciar a política repressiva da ditadura A URAP defende a criação, na Fortaleza de Peniche, de um espaço para a criação de um Museu da Resistência, destinado a actividades culturais de divulgação pública de uma das épocas mais negras da história de Portugal contemporânea. «Antiga prisão de Peniche vai ser pousada turística», «Fortaleza de Peniche vai ser transformada em pousada» e «De antiga prisão política a pousada de Portugal» foram títulos que fizeram, recentemente, notícia em alguns dos principais jornais nacionais. Em vez de se informarem, desinformaram a opinião pública. Para se perceber a situação é necessário ir às suas origens. O Forte de Peniche deixou de ser uma prisão política logo depois do 25 de Abril de 1974, não tendo tido qualquer tipo de tratamento como espaço histórico até 1984, altura em que a autarquia e o Governo, na altura PS, se propôs criar um museu municipal sobre a resistência. «Foi a partir dai que houve a preocupação de se criar, no Forte de Peniche, um espaço que homenageasse e ao mesmo tempo contasse a história sobre a sua utilização como cadeia política. Devido à falta de meios, ficou apenas reservado uma parte do pavilhão onde tinham estado os presos políticos, o parlatório, o refeitório, o reduto da evasão de Dias Lourenço e os espaços percorridos pela fuga de Álvaro Cunhal», informou, em declarações ao Avante! Aurélio Santos, coordenador do Conselho Directivo da União de Resistentes antifascistas Portugueses (URAP). Passados alguns anos, esta ideia voltou a surgir, com uma outra força política no Executivo da autarquia (CDU). «Esta ideia preocupou a URAP e os antifascistas, e, nesse sentido, antes de assinarmos um protocolo com a Câmara de Peniche, tivemos o cuidado de falar com o Siza Vieira, arquitecto que fez o projecto da pousada e que coordena todo o trabalho de transformação, reabilitação e revalorização do Forte no sentido de lá ser integrado o Museu da Resistência», revelou, acrescentando: «O projecto da pousada que ele [siza Vieira] me mostrou nessa altura, até porque o Forte é muito grande, não entrava em conflito nem em contradição com o museu». Foi entretanto assinado um acordo entre a Enatur, o Turismo de Portugal, o Grupo Pestana Pousadas e a Direcção Geral do Tesouro para a construção da pousada. «Este tema tem de ser atentamente analisado, até porque pode haver aqui uma desfiguração do Forte a pôr em causa o projecto do museu», advertiu Aurélio Santos, lembrando que este deverá ser um espaço «sobre a resistência e a luta pela liberdade em Portugal». Para além das celas, onde estiveram os antifascistas, e a sua reabilitação, o museu da resistência deverá ainda contar com processos adequados de tratamento museológico e artístico, audiovisual e arquitectónico, que possa manter e desenvolver o interesse com que milhares de pessoas visitam anualmente o Forte. No que respeita ao Museu da Resistência, a URAP está desde já a trabalhar com um conjunto de especialistas e instituições capazes de assegurar formas de apresentação adequadas. Está também em curso uma recolha de documentação para criação de um Centro de Documentação, devidamente informatizado, que possa contribuir para o estudo e divulgação histórica e pedagógica dessa época. «A URAP está em contacto com outros museus, o que pode colocar Peniche num roteiro de museus europeus», adiantou Aurélio Santos. Por seu lado, a Câmara Municipal pretende ainda utilizar os espaços disponíveis no Forte para criação de outros espaços museológicos ligados com a história e as actividades de Peniche, designadamente um museu das pescas e um museu do mar que apresente o valioso conjunto de achados arqueológicos de navios naufragados nos mares de Peniche. in http://www.avante.pt/noticia.asp?id=26453&area=7 Quote
JVS Posted April 10, 2011 Author Report Posted April 10, 2011 Aprovado estudo prévio da Pousada da Fortaleza A Pousada na Fortaleza de Peniche já tem estudo prévio, aprovado pela autarquia esta quarta-feira. Foi um processo que se arrastou no tempo e levantou polémica por causa do Museu da Resistência que ali funciona na antiga prisão política. Segundo António José Correia, presidente da Câmara, “houve uma apreciação favorável, na medida em que estão salvaguardados alguns dos aspectos que se tinham colocado, nomeadamente, a compatibilização desta unidade com aquilo que é a preservação da memória”. “Todo o espaço museológico vai ser melhorado muito proximamente”, garantiu. Também “a questão da volumetria mereceu a concordância dos serviços técnicos” da autarquia. O projecto, depois de concluído, deve ser objecto de uma candidatura ao Programa Operacional de Valorização Territorial até ao final do ano. “Nós temos que ter isto despachado até ao final do ano”, sublinhou o presidente do Turismo do Oeste, António Carneiro. Segundo António Carneiro, o estudo prévio, assinado pelo arquitecto David Sinclair, “coloca 76 quartos no mesmo espaço onde eram colocados 30, pelo arquitecto Siza Vieira”. A Pousada de Peniche faz parte do Plano de Expansão das Pousadas de Portugal e representa um investimento superior a dez milhões de euros e vai ser gerida pelo “Grupo Pestana”. in http://www.oesteonline.pt/noticias/noticia.asp?nid=23294 Quote
Recommended Posts
Join the conversation
You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.