Jump to content

Recommended Posts

Posted
Venham mais vozes


Gomes Fernandes, Arquitecto

O Governo quer fazer da frente ribeirinha lisboeta um "projecto de regime", empenhando verbas e capital político no assunto à boa maneira do que foi feito na Expo 98 ou no Centro Cultural de Belém. É bom que seja entendido que a capitalidade europeia de Lisboa é essencial para a afirmação do país na Europa comunitária de que fazemos parte, mas daí a que se centralizem os grandes projectos e consequentes investimentos na sua cabeça político-administrativa vai, ou deve ir, alguma distância. Portugal não é só Lisboa e o resto "paisagem", assim como um país não se resume nem se pode rever só na sua capital, sobretudo, quando tal visão e consequentes tentações são a expressão directa dum centralismo fora de contexto e sem enquadramento europeu.

Por isso, andou bem Francisco Assis, primeiro vereador do PS na Câmara do Porto, ao vir lembrar ao Governo, do seu Partido, que a cidade pela qual foi eleito para essa função, também tem uma frente ribeirinha para tratar e um projecto orientador para o efeito. Ou seja, veio colocar-se ao lado do presidente da Câmara, adversário político mas presidente eleito pela maioria dos portuenses, numa questão essencial, que é lembrar ao Governo a pouca atenção que tem dado ao Porto. Acertada postura que só peca por escassa e tardia, mas que é um sinal de que há questões em que o interesse da cidade e da região se deve colocar acima das divergências partidárias. Seria bom que houvesse um mais alargado entendimento na exigência de atenção política para o Porto por parte da Administração Central, quer dizer do Governo, e que PSD e PS, pelo menos, olhassem a cidade com vistas largas e horizontes amplos e consertassem projectos estruturantes e a prazo, independentemente das alternativas no exercício do poder.

Um exemplo Assis chegou a falar na sua campanha na proposta de "um polis para os bairros camarários", ideia bem pensada e com "pernas para andar", mas não sei porque razão, passado esse período eleitoral, deixou cair o assunto e não mais voltou a falar nele. Custa-me aceitar que tenha sido por não ter conquistado a Câmara, pois isso seria uma visão menor da política que não faço a injustiça de lhe atribuir.

Agora avança com outra ideia do interesse da cidade, a do apoio do Governo à recuperação e reabilitação da frente ribeirinha do Douro, o que alguns terão visto como uma corajosa exigência mas de implicações partidárias e até ficarão melindrados por ele a ter feito, outros, como aqui a crónica, a apoiam e reforçam, por inteligente e estratégica, para além de oportuna.

Goste-se ou não de Rui Rio ele tem sido um voz inconformada com a situação subalterna a que o Governo tem remetido o Porto em relação a Lisboa, veja-se o arrastamento da segunda fase do Metro, a indecisão sobre a questão do aeroporto Sá Carneiro, o tempo que demorou a "montar" a SRU, a falta da Autoridade Metropolitana de Transportes e outras pequenas questões avulsas mas que, tudo somado reflectem uma atitude mental e política que não deveria ser denunciada só pelo presidente da Câmara portuense e por figuras da sociedade civil fora dos partidos.

O PS/Porto, nestas matérias e noutras de interesse político regional, tem andado "a dormir", por incapacidade cultural ou desinteresse de compreender a importância disto para a cidade e a Região, deixando Rui Rio "capitalizar" sem muito esforço, porque os portuenses, mesmo não estando partidariamente com ele, reconhecem-no como "voz" inconformada e reivindicativa. Francisco Assis poderia e deveria ter-se feito ouvir mais, até por ser inteligente e bem preparado política e intelectualmente, daí que não deve deixar-se ficar, muito menos calar a voz que agora falou para ser ouvida.

Claro que exigências deste tipo ao Governo nada têm de pessoal ou discordante com a "carta de princípios" do PS em relação ao Porto e ao Norte, pelo contrário, são uma via para que este partido se afirme e amplie a sua capacidade de influências na cidade e Área Metropolitana do Porto. Não o entender é recuar defensivamente no terreno e isso, na altura da verdade eleitoral, terá o seu preço amargo. Penso que Assis o entendeu e, não sendo ao que tudo indica o próximo "challanger" de Rio, tem a visão de perceber que, tal como Régio, é altura de dizer "não vou por aí", até porque não leva a lado nenhum.

gomes.fernandes@europlan.pt

Link:
http://jn.sapo.pt/2008/05/21/porto/venham_mais_vozes.html

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

Posted
Governo dá 400 milhões a Lisboa e 1 milhão ao Porto

leonel de castrohttp-~~-//thumbs.sapo.pt/?pic=http-~~-//jn.sapo.pt/2008/05/22/16278157.jpg&H=250&W=250&errorpic=http-~~-//jn.sapo.pt/images/lusomundo/jn/errorpic.gif
Para a Baixa do Porto, o Governo entrou com um milhão de euros para repor 60% do capital da Porto Vivo

Carla Sofia Luz

A reabilitação da Baixa do Porto recebeu cerca de um milhão de euros do Governo, enquanto a recuperação da frente ribeirinha de Lisboa, entre o Cais do Sodré, a Ribeira das Naus e Santa Apolónia, em Lisboa, deverá obter um financiamento governamental de 400 milhões. As contas são feitas pelo presidente da Câmara portuense, Rui Rio, que condena o distinto empenhamento da Administração Central em dois processos de requalificação urbana a Norte e a Sul do país.

"A requalificação da Baixa do Porto não é mais relevante do que 800 metros de frente ribeirinha de Lisboa? Para o Porto, a única comparticipação até à data foi a reposição em 60% do capital da Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), que foi de cerca de um milhão de euros. Não encerra qualquer crítica à Câmara de Lisboa, que fez o que lhe compete. O Governo é que tem de possuir sentido nacional e olhar o país como um todo", critica Rui Rio, sublinhando a diminuta participação da Administração Central no processo de reabilitação de toda a Baixa da Invicta.

Mas, a Norte, um financiamento de 400 milhões de euros serviria para pagar 80% das obras da segunda fase de expansão da rede do metro (orçada em 500 milhões de euros), tal como foi proposta pelos estudos de Paulo Pinho e de Álvaro Costa, especialistas em Mobilidade e professores da Faculdade de Engenharia do Porto. Ontem fez um ano que foi assinado o memorando entre o Governo e a Junta Metropolitana e, para já, decorre o concurso público para a construção da linha entre o Dragão e Venda Nova, Rio Tinto, em Gondomar.

Questionado pelo JN, Rui Rio calcula que serão investidos, nos próximos anos, "quase 10 mil milhões de euros" na região de Lisboa, o que "ultrapassa 5% do Produto Interno Bruto nacional", somando, além do investimento na frente ribeirinha, o financiamento do novo aeroporto de Lisboa, da linha Lisboa/Madrid do TGV e a nova travessia sobre o Tejo.

"É preocupante que os grandes investimentos nacionais estejam a ser canalizados para um local exclusivo do país. Nada diria se esses 10 mil milhões de euros fossem repartidos pelo país e investidos em áreas mais atrasadas, em termos de desenvolvimento, do que as áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa. Não há correspondência de investimentos desta grandeza no país, nomeadamente no Porto", especifica o autarca portuense.

Certo de que as verbas canalizadas do Orçamento de Estado para estas obras, classificadas como investimentos de interesse nacional, Rui Rio não pode dizer o mesmo quanto aos fundos do Quadro Estratégico de Referência Nacional. "Há um desgoverno na afectação de dinheiros públicos. O que estão em causa são verbas comunitárias, retiradas a outras regiões do país, designadamente ao Norte", sublinha o presidente da Câmara do Porto, convencido de que o Executivo socialista "está a perder a oportunidade de reequilibrar o país" com a aplicação dos futuros fundos comunitários.

Link:
http://jn.sapo.pt/2008/05/22/porto/governo_400_milhoes_a_lisboa_milhao_.html

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

Posted

Mais uma voz que se junta...

O primeiro dos últimos
Fernando Timóteo

http-~~-//thumbs.sapo.pt/?pic=http-~~-//jn.sapo.pt/2008/05/26/16305655.jpg&H=250&W=250&errorpic=http-~~-//jn.sapo.pt/images/lusomundo/jn/errorpic.gif
Jorge Vilas, Jornalista

Aprendi com Serafim Ferreira, quando o acompanhei numa das "Voltas a Portugal", que a história das etapas - a bem dizer da própria corrida em si - era a história do primeiro. E o segundo? O segundo, disse-me ele, era o primeiro dos últimos... Lembrei-me há dias deste pequeno episódio ocorrido em 1972 ao "telever" a entrevista que António Mega Ferreira, presidente da Fundação do Centro Cultural de Belém, concedeu ao Público/Renascença, exibida no RT2.

Raquel Abecassis, acolitada por José Manuel Fernandes, disse que os de fora de Lisboa criticam a concentração de investimentos na capital. E perguntou "Têm razão?" Ele respondeu: "Não, os países têm de assumir que há uma cidade que é capital, o que é sobretudo duro para a segunda cidade...". E então a Raquel, gesticulando, dando a entender que ele até puxava das pistolas, considerou: "Pois é, mas Rui Rio contesta essa ideia...". E então o Mega Ferreira, com ar compungido, explanou a sua "filosófica" tirada: "Há custos de capitalidade que derivam não só da dimensão de uma metrópole, onde vive mais de um quarto da população, como também das actividades que aí se concentram". E rematou contundente: "Isto implica investimentos de outra dimensão, pelo que é demagogia criticá-los quando visam resolver problemas de qualidade de vida que são mais graves em Lisboa do que noutras cidades do país."

Custos de capitalidade, disse o Mega Ferreira? Pois ele não saberá que a própria União Europeia, através do seu Comité das Regiões, tem políticas que visam atenuar, além dos custos da capitalidade, os custos da interioridade - o INTERREG, por exemplo - os custos da litoralidade e, por último, os custos da periferia de que sofrem os Açores, a Madeira e as Canárias ? Não saberá Mega Ferreira que, precisamente para atenuar os problemas com que se debatem as cidades do Velho Continente, lançou, recentemente, políticas e financiamentos capazes de contrabalançar precisamente o jacobinismo de que enfermam as capitais dos seus países integrantes ?

Assiste-se entre nós a um espectáculo interessante. Porventura os lisboetas acharão muito bem que para levar o TGV ao novo Aeroporto, em Alcochete, se construa a nova ponte Chelas-Barreiro que vai custar um balúrdio. Mas incomodam-se quando os tripeiros - os primeiros dos últimos - achem, por seu turno, muito mal que depois de se construir a ligação TGV em traçado totalmente novo, chegado o mesmo a Vila Nova de Gaia se pense meter aquele novíssimo meio de transporte na Ponte de S. João e se adapte Campanhã para a sua recepção. Tudo isto porque Mário Lino, o todo-poderoso ministro das Obras Públicas, acolitado por José Sócrates, acha muito caro erguer uma nova ponte a montante da Arrábida e edificar uma nova estação o mais perto possível do Aeroporto do Porto. O TGV, por razões económicas, em Campanhã ? Não será o mesmo que meter o Rossio na Betesga ?

Razão tem, pois, Rui Rio - mesmo sem puxar das pistolas de Raquel Abecassis - de chamar permanentemente a atenção para a gritante disparidades entre os investimentos que o governo se prepara para apadrinhar na capital e os que se prevêem para o resto do país. Milhões para a ponte Chelas-Barreiro, para o Aeroporto em Alcochete, para a renovação/revitalização da orla ribeirinha do Tejo entre o Terreiro do Paço e Belém? Pois sim senhor, que o façam. Em última análise, todos estes equipamentos e melhorias também são nossos porque pagos com os nossos impostos. Mas não seria bom que desses muitos milhões "escorressem" algumas centenas para o Norte? Por exemplo, para o metro do Porto, que nem ata nem desata? Continuávamos a ser os primeiros dos últimos mas, vá lá, tínhamos a possibilidade de levar aquele transporte até Rio Tinto...

http-~~-//thumbs.sapo.pt/?pic=http-~~-//jn.sapo.pt/2008/05/26/16305438.jpg&H=250&W=250&errorpic=http-~~-//jn.sapo.pt/images/lusomundo/jn/errorpic.gif


Link:
http://jn.sapo.pt/2008/05/26/porto/o_primeiro_ultimos.html

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

Posted

Regionalização!!!!!!


Regionalização e regionalismo

http-~~-//thumbs.sapo.pt/?pic=http-~~-//jn.sapo.pt/2008/05/28/16321859.jpg&H=250&W=250&errorpic=http-~~-//jn.sapo.pt/images/lusomundo/jn/errorpic.gif

Gomes Fernandes, Arquitecto

A Regionalização é um conceito de organização do Estado Democrático, de poder uno mas partilhado pelas diversas parcelas com potencial diferenciado do território, que assim podem contribuir de forma específica mas integrada para a valorização mais proveitosa de um País, sobretudo quando ele se integra e faz parte de uma comunidade alargada, como é o nosso caso da Comunidade Europeia ou Europa das Regiões.

O Regionalismo é um valor potencial da natureza de um povo, com características e vontade própria e arreigada nas tradições e cultura específica, na maneira de ser e de se afirmar, até na capacidade de se organizar e corresponder aos desafios que lhe são colocados pelo interesse colectivo.

Bem conjugados e aproveitados, estes dois valores podem servir para que o desenvolvimento de uma comunidade regional se processe de modo harmonioso e potenciador das suas características e potencialidades, esvaziando tensões reivindicativas sem sentido e fragilizantes da discussão cívica e cultural da mesma comunidade.

Por regra, os regionalismos exacerbados ganham projecção e importância quando o Poder Central cede à tentação de se querer reforçar em contra-ciclo, chamando a si um peso decisório que seria mais útil ser exercido em níveis intermédios ou locais. Quer dizer que os governos alimentam esta conflitualidade gerando injustiças ou diferente tratamento e favorecendo a afirmação de regionalismos doentios, quando podiam e deviam estar a contribuir para uma salutar regionalização.

Entre nós e a Norte há regionalismos, por vezes exacerbados, que não têm ajudado na afirmação da força regional. Seja à volta do futebol, onde as coisas por vezes passam das marcas, seja derivado de obras prometidas mas sucessivamente adiadas e que só irritam aqueles a quem elas deviam servir e se sentem injustiçados e as tensões da "Província contra Lisboa" não só não diminuem como se vêm ampliando, Com a agravante de os Governos Socialistas serem os que se portam pior nisto, porque prometem muito e depois…pouco ou nada fazem.

Já havia acontecido com Guterres, que começou por louvar a Região Norte como o motor de indução de uma Euro-Região exemplar e depois nada fez por isso, e prolonga-se agora com Sócrates que diz olhar para Norte mas "aos quesitos" pouco acrescenta que mostre, de facto, apoiar "o norte deprimido".

Muitos pensam e já dei também para esse "peditório", que a Regionalização vai resolver tudo. O que não é verdade, primeiro porque não estou certo de haver tantos regionalistas no PS como alguns julgam, e os que há não terão neste momento influência decisiva na matéria, para além da posição acomodatícia de muitos que vivem da "mesa do orçamento" e põem esses interesses à frente, mesmo de algumas posições que já tiveram.

O PS actual é centralista, goste-se ou não de ouvir isto, e encontrará sempre forma de contornar a "questão regional" enquanto for governo e tiver de o exercer "no fio da navalha". Não são precisos muitos exemplos para demonstrar isto e o Norte e o Porto são os grandes prejudicados, ainda para mais quando as debilidades estruturais são maiores.

É preciso que este tema seja mais discutido e que os Partidos do "arco do poder", PS e PSD, sejam confrontados pela sociedade civil com o problema grave que temos, a fragilização progressiva do Porto e do Norte em relação à Galiza. Qualquer dia não seremos cabeça dessa eventual Euro-Região, mas só um apêndice com reduzido poder de influência.

Já acontece isso bastante no nosso posicionamento interno, em que o Porto e o Norte têm cada vez menos influência e "as vozes" que daqui se levantam já não provocam "pneumonias em Lisboa". Só falta agora que elas qualquer dia já não sejam ouvidas em Santiago.

E acreditem, caros leitores, já estivemos bem mais longe disto, do que hoje!

gomes.fernandes@europlan.pt


Link:
http://jn.sapo.pt/2008/05/28/porto/regionalizacao_e_regionalismo.html

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

Join the conversation

You can post now and register later. If you have an account, sign in now to post with your account.

Guest
Reply to this topic...

×   Pasted as rich text.   Paste as plain text instead

  Only 75 emoji are allowed.

×   Your link has been automatically embedded.   Display as a link instead

×   Your previous content has been restored.   Clear editor

×   You cannot paste images directly. Upload or insert images from URL.

×
×
  • Create New...

Important Information

We have placed cookies on your device to help make this website better. You can adjust your cookie settings, otherwise we'll assume you're okay to continue.