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Apresento-vos o meu projecto final do 4º ano enquanto estudante erasmus no Institut Supèrieur d'Architecture de la Communauté Française - La Cambre em Bruxelas, Bélgica.

Este projecto foi desenvolvido durante um mês e baseou-se principalmente em reflexões teóricas sobre a vivência do espaço de habitar em conjunto com outros tipos de programa. O projecto resultante é uma formalização de toda uma série de questões e reflexões que foram levantadas ao longo deste tempo, pretendendo ser apenas um projecto de ideias.

Memória Descritiva

O local de intervenção, situado na zona da Gare du Nord em Bruxelas na Bélgica, é definido através de duas grandes avenidas perpendiculares, uma na direcção do centro da cidade e a outra na direcção do canal. A ocupação desta área é feita através de torres de escritórios, ao longo da avenida principal e de blocos de habitação e fábricas junto ao canal. Aqui o problema é a mono-funcionalidade do local. Como é ocupado maioritariamente com serviços, não há uma população fixa, assim esta área vive em dois ritmos: das 9h às 18h onde as ruas são percorridas por pessoas e carros e das 18h às 9h em que as ruas se esvaziam e se propiciam actos de vandalismo. Como podemos então transformar uma zona mono-funcional em algo mais dinâmico e seguro? Há diferentes formas de abordar o problema, mas aqui surge a necessidade de criar uma população residente, trazendo também actividades sociais a esta área. Ao tornar o local mais populoso podemos quebrar os dois ritmos de vida e providenciar uma maior qualidade de vida, de trabalho e lazer. Outro aspecto que se tornou importante foi a necessidade de criar um ponto focal nesta zona. Bruxelas está dotada de uma grande rede cultural, no entanto ela é bastante centralizada, deste modo pretende-se expandir o perímetro cultural e dinamizar esta área.

O interesse de trabalhar com um programa diversificado é que podemos estabelecer conexões entre partes do programa. Assim, como é que devemos encarar um programa composto de habitação e um museu de arte contemporânea? Não há grandes ligações funcionais entre os dois. As suas necessidades são diferentes e os seus usos distintos. Assim, como poderemos criar laços entre as duas partes do programa?

Nas últimas décadas a Arte tem sofrido bastantes evoluções e aperfeiçoamentos. Hoje em dia não podemos pensar em Arte apenas como um quadro numa parede. A Arte não tem moldura, não tem corpo ou imagem. A Arte joga com a realidade e é ela própria real. Assim, porque não oferecer aos artistas algo mais que uma parede branca ou um espaço fechado? Será a obra de Arte a condição do espaço ou pode o espaço ser estimulador para criar Arte? Se a Arte trabalha com a condição humana, porque não pensar num espaço que possa oferecer esta matéria-prima aos artistas?

A decisão de trabalhar com um programa destes é que se torna possível estudar formas reais e interessantes de estabelecer ligações entre as duas partes (habitação e museu). Deste modo, torna-se importante pensar o espaço de museu não como a “caixa branca”, abstracta e indefinida, mas enquanto espaço com identidade própria propício à criação de Arte. Os artistas expõem no espaço aquilo que criaram através dele. Por outro lado, qual é o interesse de se viver em conexão com um museu? Não é por vivermos ao lado que o iremos visitar mais vezes. Assim, porque não viver numa casa que tenha ligações reais ao museu? Porque não fazer parte do museu enquanto espectadores e actores?

O aspecto de maior interesse neste projecto é o facto de que cada casa tem a sua própria conexão ao museu. Seja uma janela na cozinha, uma varanda a partir da sala, do atelier ou mesmo do jardim, cada pessoa que aí vive fará parte do museu. Cada um terá a sua “moldura” nas paredes do museu que poderá ser um espaço de exposição ou que, ao mesmo tempo poderá ser algo que os artistas possam usar para criar obras únicas naquele espaço. Cada habitante pode fazer parte do museu enquanto actor ou espectador na sua casa enquanto que os artistas encontrarão uma série de espaços inspiradores e com uma matéria-prima especifica para a criação de obras de Arte.

A formalização deste projecto no local parte da ideia de criar um contraste entre a grande escala das torres de escritórios e a escala média das fábricas e habitações mais antigas na parte oeste. A escala e imagem propostas pretendem antes de mais marcar um lugar criando uma ruptura de escalas de forma a caracterizar a presença do conjunto edificado.

O museu implanta-se como uma fita que se estende dentro da área de intervenção criando diferentes áreas de exposição e um percurso contínuo que as liga. Através da sua geometria irregular os percursos do museu tornam-se dinâmicos, permitindo que estes adquiram cotas diferentes afirmando a sua existência no exterior.

Ao nível da rua desenvolve-se uma malha que define passagens transversais ao terreno de norte a sul. Deste modo, ao mesmo tempo que se garante o acesso a todas as habitações estabelecem-se também relações visuais com os espaços do museu quando as passagens exteriores os intersectam.

Em relação às habitações, porque praticamente todas estão cercadas no seu perímetro, a forma de organizar os espaços da casa foi pensada através de pátios e jardins que permitem a entrada de luz natural e arejamento. Cada habitação foi pensada para conter um espaço de trabalho ou atelier que pudesse ser utilizado em diferentes actividades e por pessoas distintas. Cada casa tem o seu atelier, o seu pátio/jardim e as suas ligações ao museu. As coberturas foram pensadas de forma a criar uma distinção entre os volumes do museu e os volumes das habitações. Neste caso, o tratamento das coberturas ganha o carácter expressivo de alçado já que é totalmente perceptível por quase todas as construções adjacentes. Quis-se assim oferecer mais espaços exteriores aos habitantes integrando coberturas planas ajardinadas em todas as habitações, permitindo novas relações visuais e inspirando a maiores interacções sociais entre habitantes.



Imagens síntese:

Bruxelas:
centro histórico a vermelho e local de intervenção a amarelo

Esquema de implantação:
terreno a negro

Implantação:

Esquemas de organização do programa:

Planta Geral: com espaços do museu + habitações tipo

Secção Tipo:

Habitações Tipo:

Vistas do museu:

Painél de apresentação: A1+A1
P.S. Para o entendimento deste projecto é fulcral a leitura atenta da memória descritiva.
  • 2 weeks later...
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Confesso que ainda não tinha visto este tópico... é raro isto acontecer! Já estava de saída, mas prometo olhar com mais calma e deixar um comentário... Abraço

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Não gostei dos renders interiores, por outro lado, gostei bastante dos esquiços, é nos esquiços que vemos que temos Arq.to. No entanto, a maioria dos alunos terminam Arquitectura sem saber esquiçar... Isso foram as primeiras impressões, vou ver melhor e já digo algo.

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Chamou-me bastante a atenção da fusão tipológica. A ideia de museu habitado torna-se uma mais valia numa envolvente mono-funcional. Tenho algumas dúvidas quanto à funcionalidade do atelier da TipologiaA...torna-se mais um pequeno escritório da casa do que propriamente um atelier independente da mesma... deste ponto de vista a organização interior ficou um pouco aquém da minha expectativa... não sei se foi por falta de tempo, mas acho que poderias ter resolvido melhor certos aspectos. :D

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Não gostei muito da organização da Tipologia A, no segundo piso, tens corredores demasiado extensos (sempre mau sinal) e uma casa de banho sem vão em relação ao exterior. Não dá para perceber muito bem se os vãos/compartimentos são funcionais em termos de insolação, não faço a mínima ideia de onde está o Norte no Projecto. Acho a interdependência Museu/Habitação interessante, por ser algo inaudito naquilo que tenho visto por aí em projectos, tanto mais que resulta muito bem esteticamente, no mosaico urbano que compõe o conjunto. Quanto a inserção Urbana, na minha opinião não há, o conjunto edificado não projecta a sua envolvente , não cataliza as valências do local, opta antes por ser um quarteirão que se isola automaticamente pelas suas diferenças tipológicas, pode ter sido opção, a mim parece um misto de descuido e falta de sensibilidade para projectar no meio de várias autorias. Como já disse noutro tópico, não percebo porque razão o ideário de um projecto não se deve submeter à ordem de várias autorias espalhadas na envolvente urbana consolidada...é egotismo esta opção.

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respostas aos comentários: :D - Quanto às habitações, elas pretendiam compor-se através de dois espaços principais que era a área de pátio e o atelier ou área de trabalho isolada. Quanto à habitação A considero que realmente poderia ter sido bem melhor trabalhada, o atelier neste caso diferencia-se pelo facto de ter pé-direito duplo. Quanto à localização do Norte é no sentido vertical em cima nas imagens de implantação do conjunto. - Quanto à forma de implantação, aquilo que se explorou foi criar realmente um contraste com a envolvente. Porquê? Porque é altamente desqualificada, com escalas que naquela situação resultam desadequadas ao facto humano enquanto actor da cidade. Talvez necessite de colocar aqui algumas fotos do local para entenderem o que digo. Deste modo este projecto pretende agarrar uma escala que está próxima e que tem muito mais a ver com a vivência do quarteirão. Deste modo o projecto implanta-se também de forma a criar uma proximidade com as pessoas, levando-as a percorrer os espaços. E de forma a marcar realmente o carácter singular do programa proposto enquanto equipamento urbano à escala da cidade decidiu-se criar uma imagem bastante diferenciada da envolvente, no entanto, ao contrário do que se costuma fazer que é tentar fazer com que os edifícios sobresaiam acima de tudo, perante esta envolvente a atitude é a contrária. O edifício destaca-se pelo vazio volumétrico aos níveis superiores e relaciona-se muito mais com a cota da rua.

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Não gostei dos renders interiores, por outro lado, gostei bastante dos esquiços, é nos esquiços que vemos que temos Arq.to. No entanto, a maioria dos alunos terminam Arquitectura sem saber esquiçar...

Isso foram as primeiras impressões, vou ver melhor e já digo algo.


Por acaso não me parece que os esquissos funcionem muito bem na lógica do painel, mas acredito que tenham sido necessários para explicar algo. De qualquer forma não é por aí que vemos o arquitecto, ou então só se faz arquitectura cá no país, já pra não falar dos manetas e dos cegos...Desenhar não é só riscar.
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Bons esquiços funcionam bem em qualquer lugar, é o promordial meio de representar algo na Arquitectura.
Quanto estamos de frente para o cliente e ele quer ideias, não pegamos em bocado de cartões e maquetamos, não pegamos no Sketchup e fazemos pequenos renders, nos Arquitectos fazemos esquiços, é a nossa capacidade mais treinada a nível da faculdade. A maioria dos Arq.tos. que se licencia hoje em dia, esquiçam mal, muito mal mesmo, são incapazes de fazer um desenho no momento, perante um cliente, é um misto de vergonha e incapacidade que faz deles, apenas mais uns desenhadores. É nestas pequenas coisas que se nota, este tipo é Arquitecto, porque tem aquela capacidade determinante (maquetes e renders qualquer um faz!).

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Gostava de começar por dizer que acho extremamente interessante a relação habitação/museu. Não me parece que seja de todo uma relação pouco provavel, talvez apenas pouco explorada, porque como já em tempos disse aqui, agrada-me as possibilidades que a mutabilidade dos espaços, caracteristica dos museus, pode trazer para o ambiente da habitação. Neste ponto é minha opinião que pegaste muito bem no tema e o desenvolveste de uma forma interessante, uma relação real entre os espaços, um cruzar das actividades que acaba por potenciar cada uma delas. Mas isto já é adiantar-me na análise. Ao nível urbano, volumetricamente falando, é perfeitamente defensavel a tua posição. Aquilo que questiono é a forma como são feitas as relações com a envolvente. A informação acerca de envolvente é pouca e como dizes, talvez algumas fotografias possam ajudar-nos a compreender melhor o terreno. Sinceramente parece-me (porque não te referes a isso) que a forma como o circuito do museu e as circulações exteriores se estabelecem, aparecem um pouco descontextualizadas do contexto da cidade. Não consigo perceber essas relações, o porquê de estes serem resolvidos como são. O apresentado transparece que o elemento que tem mais força é a entrada do museu, aliás, parece ser o único que tem razão de ser naquele local. Tudo o resto, nomeadamente as pequenas praças e percursos, parecem ser algo que faz o projecto voltar-se sobre si mesmo, fechando-se à cidade, contrariando um propósito teu. De um lado existe um parque, noutros 2 a densidade e clausura da mancha edificada, do outro não se percebe. Quanto a mim falta a ligação entre os pontos de maior desanuviamento, o parque e os cruzamentos envolventes. Na entrada do museu percebe-se isso, mas nos restantes espaços não. Eu optaria por fazer das circulações exteriores, canais de circulação que potenciassem a presença de pessoas que pretendem atravessar o espaço nas diversas direcções e não apenas no sentido em que elas se apresentam. Em relação às tipologias, falo sem conhecer a vivência do povo de bruxelas, mas penso que em aguns casos pecam pela organização espacial. Quanto a mim há um exagero nas zonas de circulação em todas as tipologias, que acabam por consumir uma parcela importante das áreas disponiveis. Por outtro lado as salas carecem de mais desenho, até mesmo ao nível do mobiliário, para serem mais "humanizadas". Faltava também esclarecer como cada tipologia, em determinado local, se relaciona com a posição do sol... Pessoalmente talvez tivesse tirado maior partido da "topografia" das coberturas, como um espaço único que pudesse ser vivido pela cidade como uma continuação natural do parque, mas isso seria a minha forma de encarar o terreno. Compreendo a decisão de se criarem espaços privados, mas, como dizes, o facto de ser visto por "todos" à volta, podia prejudicar essa vivência. Isto é uma observação pessoal, que em nada recrimina a opção tomada. Admito que me transmita estas sensações por falta de informação, por isso espero pelo feedback para uma opinião mais fundamentada. :) De qualquer forma parabéns pelo projecto, acredito que o pouco tempo disponível te tenha impedido de evoluí-lo ainda mais, porque a base está lá...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

  • 1 month later...
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por esquecimento nunca cheguei a publicar aqui as fotos do terreno por isso aqui vão algumas imagens que dão a entender o contexto do projecto: vista de oeste para este com a Gare du Nord ao fundo (o terreno está à esquerda) vista de sul para norte vista de norte para sul vista de norte para sul desde os blocos de habitação http://img125.imageshack.us/img125/2149/dsc08687zw7.jpg

  • 4 months later...
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desde já joão,
peço-te desculpas por não ter visto este projecto mais cedo...
sem dúvida que a mutação do programa, o modo como o integraste e o fundiste é o elemento/ critica mais importante do projecto...
é importante entendermos como podemos alterar a tipica ideia de projecto, e nisso parece-me que conseguiste de uma forma satisfatória..
quanto ao projecto tenho algumas perguntas.
o museu marca a sua entrada num local previligiado do tecido urbano, mas o que me questiono é sobre o final do próprio museu, a forma como o remataste e o enquadramento urbano será o melhor?
percebo que "se calhar" só ali poderia ser o seu término, mas será que não deveria ter, também, em remate desenhado como o inicio do museu?

- entendo que tenhas colocado duas "tipologias tipo" mas com o desenho que apresentas tens 2 tipologias tipo e +/- 50 adaptações do mesmo. será que essas adaptações estão bem resolvidas como as restantes?
eu sei que era impossivel apresentar esse número de adaptações...

- quanto às tipologias em si, tenho algumas dúvidas.
1. não pensaste que as escadas poderiam ser uma mais valia para os pátios e poderiam ser integradas no mesmo?
2. na tipologia D, não seria melhor rescindir de um pátio, de modo a quebrar com aqueles grande espaço de circulação que existe desde o quarto à sala?
2.1 na mesma tipologia (embora se percebe que é para 1 pessoa) as I.S não estão um pouco longe do quarto?
2.2 as dimensões do quarto parecem-me pouco "confortáveis" para ser habitado...não?

3. na tipologia A , perto das escadas e atrás das I.S tens um espaço sem acesso...será que não poderia ser usado? ou o pé direito era muito pequeno para, por exemplo, situarmos as I.S nesse local?

4. todas as tipologias tem relação directa entre o pátio/ atelier, apenas na tipologia C essa relação não existe. tem haver com o número de quartos(3) em si? ou quiseste quebrar com essa relação?ou não houve possibilidade desse..."encontro?"

5. adoro os esquemas apresentados de "evolução" do projecto no território. está limpo e de leitura clara e rápida.parabéns :D

quanto ao resto, penso que o mais interessante no teu projecto é a forma como deste volta ao programa, notasse que esse foi o pronto primordial de pensamento e....sinceramente...é o ponto primordial que um arquitecto deve ter, e nisso tu TÁS LÀ! eheheh

parabéns

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