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Como 2º exercício do segundo semestre da cadeira de Arquitectura II, foi pedido uma estrutura espaço/formal, de forma a abstractizar os nossos conceitos e ideias.
A entrega intermédia foi á uma semana atrás e classifiquei o que está aqui publicado como 1ª fase (antes da apresentação) e 2ª fase (após a apresentação e em desenvolvimento). A apresentação não correu muito bem, o meu conceito foi apelidado de "seco" e o objecto até aí desenvolvido de pouco interesse, pela docente Mónica Pacheco, pondo basicamente de lado, grande parte do trabalho que tinha desenvolvido com a docente Ana Vaz Milheiros, a professora da minha turma, sendo que o que poderia suscitar interesse no meu trabalho, seria o modo como explorei os cheios e vazios (na maqueta do pormenor), ou seja, dum lado é vazio, e do outro cheio.

1ª Fase

O exercício consiste na concepção de uma estrutura espaço/formal, com o máximo de 1x1x1m ( excepto em casos de conceitos e ideias brilhantíssimas ), a partir da escolha e leitura de um conto do livro Cidades Invisíveis.

Isaura é uma cidade que se situa sobre um lago subterrâneo, e por todo o lado os habitantes escavaram poços para retirar água, e foi até aí e não mais que a cidade se expandiu. Assim, o conceito é a relação de dois mundos distintos, ou seja, o
exterior/interior, é uma dialéctica.
Interessa mais demonstrar o interior, mas a partir do exterior, já
que está implícito que vai ser o interior que me irá condicionar a
forma exterior, e daí resultariam os dois mundos - quase que como dois
conceitos diferentes. Ou seja, criei uma estrutura metálica, onde iria assentar uma espécie de membrana ( a divisão dos dois mundos ), sendo que as formas desta eram dadas pela estrutura. Primeiro experimentei com um carácter orgânico, acabando por optar por formas irregulares. A membrana iria envolver toda a estrutura, que ficaria oculta, e constituindo assim o interior. Através de uma série de aberturas, conseguiríamos vislumbrar o interior do objecto ( a partir do seu exterior ).

Maqueta de estudo da membrana a assentar na estrutura:
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Pormenor das aberturas:
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2ª Fase

Conceito: o exercício pede a definição de uma estrutura espaço/formal, decorrente da interpretação de um conto do livro “Cidades Invisíveis”, de Italo Calvino. A cidade proposta para o referido exercício foi Isaura.

Isaura, cidade dos mil poços, presume-se que se situe por cima de um lago subterrâneo. (...) o seu perímetro verdejante repete o das margens escuras do lago sepultado, uma paisagem invisível condiciona a visível, tudo o que se move sob o sol é impelido pela onda que bate encerrada sob o céu calcário da rocha.

Por consequência, dão-se religiões de duas espécies em Isaura. Os deuses da cidade, de acordo com uns, habitam as profundidades, o lago negro que nutre as veias subterrâneas. Segundo outros, os deuses, habitam os baldes que sobem pelas roldanas quando saem fora da boca dos poços, nas polés que giram...
A partir do excerto nota-se a dualidade que existe nesta cidade, que assim, comporta quase que duas realidades ou dois elementos independentes com princípios opostos. Estamos pois na presença de dois conceitos, duas religiões, do claro e do escuro, do cheio e do vazio, do interior e do exterior, apenas separados pelo céu calcário da rocha. Este céu é a membrana que permite a distinção destas duas partes, traduzidas em espacialidades discrepantes.
O conceito consiste portanto, na elaboração de diferentes espaços, a partir da importância que o conto dá ao contraste das partes, e pretendendo-se criar diversas atitudes aos intervenientes que interagem com a estrutura final. Assim, trata-se de estabelecer dois espaços/estruturas que tenham uma qualidade ou individualismo muito próprio. Interagindo no espaço, pretendem-se criar novas vivências, propondo um percurso que vá ao encontro dos pontos fundamentais a desenvolver, como a forma, materialidade, luz, todo o conjunto de sistemas que definem os objectos de arquitectura.

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Fotos das maquetas realizadas (2ª fase):
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Pondo de parte o 'interior/exterior', seria então mais
interessante e apelativo explorar as identidades que essa dualidade
cria - duas identidades diferentes. Não deve ser dada tanta importância à presença da
membrana, mas sim à descrição que é feito pelos espaços que cria, ou
seja, não é importante o que divide, mas sim o que está dividido.
Assim, como ideia, pretendo criar uma estrutura que reflecte estas
vivências, ( fotos das maquetas anteriores ), de explorar as duas
identidades através de dois sistemas opostos: os cheios e os vazios.
Gosto principalmente da 4ª foto, que demostra quase que
as duas estruturas a separarem-se, e a mostrar o cheio a afastar-se, e
a ficar marcado o vazio na estrutura oposta. Penso que as identidades,
são quase que como uma tensão entre a palavra e a imagem -
palavra/cheio e imagem/vazio. A palavra não tem um 'poder' tão grande
como o da imagem, talvez esteja errado, mas uma imagem é mais
susceptível à imaginação do que uma palavra, neste texto em concreto.
O devaneio começa portanto, a tomar lugar no meu projecto.



Comentem!! :)

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Bem, a nível conceptual e abstracto parece-me que está a tornar-se interessante.
Questiono-me em relação ao seguinte:

_Em que contexto arquitectónico surge essa estrutura?

A nível abstracto, a dialéctica Interior/Exterior, Cheio/Vazio permite-te desenvolver imensamente o teu trabalho...


Vazio, por definição, seria uma região do espaço não ocupada por coisa alguma, nem matéria (sólida, líquida, gasosa ou plasma) nem campo (elétrico, magnético, gravitacional ou outro) e nem atravessada por radiação (luz, ondas de rádio, raios X ou outra). Por outro lado o vácuo é uma região do espaço não ocupada por matéria, mas podendo estar preenchida por campos e atravessada por radiação. O vazio não existe no Universo, pois todo o espaço é preenchido por campo gravitacional e atravessado por radiação, inclusive de neutrinos. Se não houver coisa alguma também não haverá espaço, isto é, será o "nada".

A definição de "nada" se dá somente por meio da negação de tudo o que existe, portanto o nada não é definido ou conceituado positivamente (uma definição é se dizer o que a coisa é), mas apenas representado, fazendo-se a relação entre seu símbolo (a palavra "nada") e a idéia que se tem da não-existência de coisa alguma. O "nada" não existe, mas é concebido por operações de mente. Esta é a concepção de Bergson, oposta a de Hegel, modernamente reabilitada por Heidegger e Sartre de que o nada seria uma entidade de existência real, em oposição ao ser.


Costuma-se apontar este exemplo quando se fala em "Cheio/Vazio"....
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:)
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Bom primeiro tenho de admitir que acho este exercicio todo um pouco ridiculo. A escala (e o facto de não haver função) torna o pedido mais numa escultura do que própriamente arquitectura.

Passando à frente as criticas ao exercicio...


Pois olha que os exercicios praticados no 1º ano na minha universidade, possivelmente poderei admitir que são tão ou mais abstractos do que este trabalho aqui apresentado (ISCTE).
Mesmo no 2º semestre elaboramos espaços com o dito propósito de ser habitavel, pois a dita função é essa mesma, todavia, sem uso, sem utilização específica.
A matéria que elaboramos no nosso trabalho, resulta da trasnformação racional de vazios em espaços justificados, por meio de aplicação dessa matéria. É, portanto, a articulação da matéria que dá "forma" aos espaços concebidos, e desta forma, os espaços que criamos não têm o propósito de serem criados para museus ou casas ou hoteis, mas com a intenção de serem habitáveis, de serem perceptíveis quanto à sua identidade e quanto à sua relação com o envolvente (desempenhando um papel de destaque ou camuflagem). Todo este processo, tendo como suporte, e de extrema relevância quanto fase processual neste ano (1º), o conceito inicial que fundamenta a intervenção.
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Pois olha que os exercicios praticados no 1º ano na minha universidade, possivelmente poderei admitir que são tão ou mais abstractos do que este trabalho aqui apresentado (ISCTE).
Mesmo no 2º semestre elaboramos espaços com o dito propósito de ser habitavel, pois a dita função é essa mesma, todavia, sem uso, sem utilização específica.


Não dúvido da importância dos exercícios abstractos... eu também os realizei e foram bastante importantes na compreensão de diversas espacialidades... mas...

1 x 1 x 1 m não é de todo uma escala arquitectonica habitável.
Se fosse um exercício do Curso de Escultura ou Artes Plásticas ainda se compreendia...

:)
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concordo que não seja muito "confortavel", mas esse espaço é habitavel, pois essas dimençoes originam um espaço.."contido", mas pode ser interessante o modo como ele pretende ser habitado. É interessante por vezes criar espaços muito estreitos ou de cotas baixas para podermos entender, segundo o conceito estabelecido, a justificação para o propósito escolhido. A forma de habitar esse cubículo, pode ser interessante, no entanto, se o único local de intervenção, é esse cubículo de 1m x 1m x 1m, não será assim tao interessante, concordo.Não há grande espaço de manobra =/ ok, reli o texto do Miguel Coutinho, e realmente, a forma de elaborar este exercício é mais escultural do que arquitectura, propriamente dita. É uma introdução ao exercicio de arquitectura. ( |kandinsky|, acabo por concordar contigo. :s...:)

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Pois, a estrutura não tem como objectivo ser habitável... Mas o 1x1x1 não seria aplicado a todos, em casos excepcionais, a escala passava a estar ao critério do aluno, mas, e sublinhando o que o joaoneves disse, como continuaria sem ter função, nem sequer de habitação, o aumento de escala serviria apenas para dar nas vistas (maqueta neste caso :))

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esse trabalho, Miguel Coutinho, é do 2º semestre do 1º ano? ... para o 2º semestre, acho-o ainda muito inicial e abstracto (talvez muito conceptual ainda). Sinceramente, nesta altura do campeonato estou a desenvolver, como projecto final, uma intervenção na zona do Chiado. Quaisquer info's é so pedir.

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Sim, é do segundo semestre. No 1º, fizemos o levantamento e análise da Igreja da Memória na Ajuda, e de seguida o projecto de um quiosque com 3 espaços distintos para essa mesma zona. neste segundo semestre, fizemos outra análise, e agora estamos com este exercício. Ainda haverá outro. Que genéro de intervenção estás a fazer?

:)

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Aqui fica mais alguma coisa que andei a desenvolver:

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Espero que o esquiço seja perceptível da evolução :) O cubo é irregularizado, divide-se em duas metades, ora duas metades que apelam ao sentido divergente do conceito, e são encaixadas de forma díspar ( o divergente :s ). e assim fica um esboço para a estrutura. Bom, como defini a horizontalidade como um dos princípios a seguir, acho por bem, optar pela disposição das ultimas duas fotos. Mais logo ponho a maketa com materiais.

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Aqui fica o resto:

Maqueta com os materiais. As superfícies passam de regulares a irregulares devido à intersecção das mesmas com os orifícios ( cheios e vazios ). Onde não existe a intersecção, a superfície continua regular. Devido à disposição díspar das duas metades, é permitido ao observador vizualizar tanto o exterior como o interior, devido ás áreas deixadas em aberto, sem qualquer tipo de cobertura.

Enjoy :)

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O meu projecto actual consiste, como disse, na elaborãção/requalificação de um local no chiado, de acordo com o conceito estabelecido por nós, em conformidade com uns binómios detrminados pelos profs (que acabam por ser o que se tem que se ter sempre em conta quando se faz qq projecto... comprimido/fluido, claro/escuro, ...) Temos 7 contentores e pretende-se atribuir a unica e exclusivo propósito de habitar aquele espaço, e de uma maneira + pessoal, revitaliza-lo, seja de forma framáticamente destacado, ou mais sub-entendido. Agora depende de cada um. nesta fase ainda estmos no processo mais conceptual, e análise do espaço, entendimento. Amanha vai a turma toda ao local para falarmos um pouco dele. Qq info é pedir. Já agora, se puderes falar um pouco mais acerca desse trabalho na ajuda, agradecia. Conheço relativamente bem esse local, porque a minha faculdade é mesmo em baixo, .. e de vez em quando la vamos todos almoçar à FAUL por 2€ :)(apetitosa ou não, sai mais barato comer lá que na minha fac):errf:

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Devido à disposição díspar das duas metades, é permitido ao observador vizualizar tanto o exterior como o interior, devido ás áreas deixadas em aberto, sem qualquer tipo de cobertura.


A que altura estão posicionadas essas "aberturas"?

Abraços
:)
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Se estás a elevar o objecto sobre uma base, a regra do 1 x 1 x 1 deixa de existir na medida em que a base se torna parte da tua estrutura...


...e passa a ter um "envolvente"...um "terreno" de implantação.
Isso, a meu ver, não é pretendido
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É assim, foi proposto que o objecto ficasse suspenso no ar, preso ao tecto por fios de nylon, mas eu duvido muito da capacidade para me fazerem isso.. Pronto ok, a base foi precipitado da minha parte..:) sorry, mas fica a ideia que o objecto n é pra ficar assente no solo, tem de ficar ao nível de alcance visual do observador.. (agr a brincar, não quero pessoas a fazer o pino para verem o interior do objecto )

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como continuaria sem ter função, nem sequer de habitação, o aumento de escala serviria apenas para dar nas vistas (maqueta neste caso :))


Pois... esses casos também se sucedem nos nossos projectos, o que acontece também com este que estou a desenvolver neste momento.
O que os professores pretendem, quando te dão a liberdade para aumentar a escala do projecto, é quando tu, justificando, e eles, quando concordam... que pelo aumento da escala, seja então possível ter uma noção mais evidente da materialidade aplicada, se for o caso, ou de determinado(s) momento(s) que numa escala superior se tornem mais curiosos, e de certa forma, seja mais perceptível a aplicação do teu conceito, na fase de figura. Esse tal aumento pode beneficiar a tua obra ou prejudica-la, simplesmente pelo facto de não conseguires, ao aumentar a escala, atribuir uma justificação plausível para o facto, e, desse modo, o professor acaba por extrapolar uma ideia de "inconsistência na esturação da tua ideia". Pelo menos tenho verificado isso ao longo dos projectos que fazemos.
Por vezes a tua obra pode nem ser nada de especial, mas se conseguires justifica-la e integra-la na tua atitude conceptual, estás safo:D (há sempre excepçõesx()
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É assim, foi proposto que o objecto ficasse suspenso no ar, preso ao tecto por fios de nylon, [...] fica a ideia que o objecto n é pra ficar assente no solo, tem de ficar ao nível de alcance visual do observador.. (agr a brincar, não quero pessoas a fazer o pino para verem o interior do objecto )


Est cette architecture?

x(
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Deixo aqui alguma bibliografia interessante para evitar esse tipo de equívocos:

_Introdução à Arquitectura
Leonardo Benevolo _ Edições 70
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O que é - Arquitectura
Maria João Madeira Rodrigues _ Quimera Editores
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Do material à Arquitectura
László Moholy-Nagy _ GG
http://img177.imageshack.us/img177/7346/9788425220128ba5d59ow7.jpg


Pensar a arquitectura
Peter Zumthor _ GG
http://img177.imageshack.us/img177/3976/9788425220593bb4f7afu6.jpg

Os meus comentários a este tópico ficam-se por aqui...
:)

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