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Vasco Guimarães acusa a Câmara Municipal do Porto de "comprar uma ideia que não pagou na totalidade"

Andreia Azevedo Soares

O arquitecto Vasco Guimarães, um dos vencedores do Concurso Público de Ideias de Requalificação da Quinta do Covelo, acusa a Câmara Municipal do Porto de "comprar uma ideia que não pagou na totalidade". Em causa está a não atribuição do primeiro prémio, com o valor pecuniário de 15 mil euros, mas sim a partilha do segundo prémio, de 10 mil euros, entre dois projectos galardoados em regime ex aequo.

Vasco Magalhães considera que "a autarquia não respeitou o Decreto-lei 197/99", o diploma que regulamenta os concursos públicos e que "obriga à atribuição do prémio máximo" anunciado. "A câmara só poderia não dar o primeiro prémio caso os trabalhos não tivessem qualidade. Contudo, se houve uma hierarquização das propostas, e a minha obteve a pontuação máxima [juntamente com outra da equipa de Pedro Miguel Ribeiro de Almeida e José Manuel Candeias Fernandes Soares da Fonseca], isto quer dizer que os trabalhos tinham qualidade", argumenta Vasco Guimarães, que elaborou uma proposta juntamente com os arquitectos Miguel Barbosa e Filipe Afonso, cujos nomes terão sido "vetados" na ficha técnica das maquetas expostas

numa mostra em 2006.

Durante a cerimónia de entrega dos prémios, realizada na quinta-feira passada, os arquitectos vencedores "não puderam usar da palavra", denunciou ainda Vasco Guimarães. Na sua opinião, a Câmara Municipal do Porto procurou chamar para si "o brilhantismo de ideias que não são suas" e o mérito de ter realizado "um concurso que, na prática, não é nada". O arquitecto compreende, no entanto, que a autarquia tenha procurado premiar o maior número de candidaturas possível - duas outras partilharam o valor do terceiro prémio, também ex aequo -, tendo como objectivo dispor de um inventário de boas ideias.

Propostas "equivalentes"

Em declarações ao PÚBLICO, no mesmo dia da atribuição dos prémios do concurso, Álvaro Castelo-Branco, vice-presidente da Câmara do Porto, explicou que não houve primeiro prémio, porque o júri deliberou que "os projectos apresentados possuíam elementos similares e soluções equivalentes". O vice-presidente da câmara recordou nessa altura, antes da contestação de Vasco Guimarães, que as ideias não seriam necessariamente levadas à prática. As mais-valias de cada proposta poderão, isso sim, eventualmente ser aproveitadas pelos técnicos de arquitectura e paisagismo da autarquia. Mas, para já, não estão definidos prazos para a elaboração desse projecto. E, assim sendo, não há orçamento nem discussão agendada com o Governo, que detém 44 por cento do parque.

Ordem desaconselhou participação

Concurso não foi reservado aos arquitectos

Esta não é a primeira vez que a iniciativa de renovação Quinta do Covelo, uma área verde com 7,6 hectares na zona oriental da cidade, resulta em contestação. Em Agosto do ano passado, a Ordem dos Arquitectos já havia desaconselhado a participação dos seus membros neste concurso de ideias. O atrito com a autarquia foi motivado pelo facto de qualquer pessoa poder candidatar-se, algo que a Ordem dos Arquitectos considerou uma "inconformidade", uma vez que se pediam no regulamento "estudos prévios" - documentos que, segundo a mesma entidade, não podem ser elaborados por um cidadão comum.

Recorde-se ainda que a Câmara Municipal do Porto levou a cabo, nos anos 90, uma iniciativa homóloga com o objectivo de construir na Quinta do Covelo uma feira popular. A iniciativa não foi concretizada e, agora, o executivo camarário liderado pelo social-democrata Rui Rio pretende revitalizar o espaço verde e de lazer que hoje se encontra manifestamente degradado. Preservar a mata, reabilitar uma casa centenária em ruínas e disponibilizar equipamentos culturais, desportivos e de lazer serão os objectivos principais da intervenção. Só não está definido como, quando e com que dinheiro.

Fonte: Ordem dos Arquitectos
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Que bronca...

"Em Agosto do ano passado, a Ordem dos Arquitectos já havia desaconselhado a participação dos seus membros neste concurso de ideias."

Fiquei a pensar no seguinte... se os arquitectos eram desaconselhados a participar, quem iria realizar o projecto? :)

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porque será que os arquitectos têm tanto medo?


Não é medo. É estarmos fartos.
Estarmos fartos por não sermos levados a sério.
Estarmos fartos por sermos responsabilizados quando tudo corre mal porque ninguem ouviu o que o arquitecto disse.
Estarmos fartos que toda a gente julgue que só porque sabe fazer duas linhas direitas no autocad sabe automáticamente projectar.
Fartos de só ver autenticos abortos espalhados pela cidade e depois toda a gente dizer "ah mas esse foi feito por um arquitecto" e depois na realidade não foi.
Fartos de país de faz de conta afinal...

Eu já percebi que nos fundo os parvos são os arquitectos que andaram a estudar sabe-se lá o quê, e sabe-se lá porquê quando na realidade nada disso é preciso porque afinal toda a gente sabe projectar, não é verdade?

Haja paciência.
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"a Ordem dos Arquitectos já havia desaconselhado a participação dos seus membros neste concurso de ideias. O atrito com a autarquia foi motivado pelo facto de qualquer pessoa poder candidatar-se, algo que a Ordem dos Arquitectos considerou uma "inconformidade", uma vez que se pediam no regulamento "estudos prévios" - documentos que, segundo a mesma entidade, não podem ser elaborados por um cidadão comum."

Sinceramente, se não podem ser elaborados por um cidadão comum, então os arquitectos não deviam estar preocupados, porque para eles isto são "favas contadas", não é? Acho que a ordem dos arquitectos só gosta é de concursos para grupos restritos de arquitectos, como é o caso do novo aeroporto da OTA, em vez de deixarem participar as pessoas e que ganhe o melhor.
Infelizmente a Arq. Helena Roseta e companhia Lda, só se preocupam com o aborto em vez de se preocuparem realmente com os problemas dos arquitectos...

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Fartos de só ver autenticos abortos espalhados pela cidade e depois toda a gente dizer "ah mas esse foi feito por um arquitecto" e depois na realidade não foi.


Concordo perfeitamente. Inda à dias tava na loja dos meus pais e entrou lá um cliente que sabia que eu estava a tirar uma licenciatura em arquitectura em Lisboa e aproveitou logo para mandar a bokinha que a arquitectura de em Lisboa estava decadente. Eu pensei, coitado ele nem sabe o que é arquitectura quanto mais distingui-la de uma construção de engenheiro ou até mesmo das empresas de construção civil... enfim.

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