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To: Câmara Municipal de Lisboa

Exigimos a Experimenta Design.

O maior evento de design de sempre em Portugal, e com relevância internacional, não pode ser ignorado. O seu cancelamento será devastador para a Cultura Portuguesa. Deixemo-nos de silêncios e de comodismos.


Segue-se um comunicado de imprensa pela própria ExperimentaDesign:


A Experimenta decidiu cancelar a quinta edição da “ExperimentaDesign - Bienal de Lisboa” que deveria realizar-se entre 12 De Setembro e 4 de Novembro deste ano. O cancelamento deve-se única e exclusivamente ao incumprimento pela parte da Câmara Municipal de Lisboa do compromisso assumido por esta autarquia a 22 de Junho de 2006 relativamente a este evento.


De forma inesperada a Experimenta recebeu a 12 de Dezembro de 2006 uma carta, datada de 4 de Dezembro, onde, laconicamente, nos foi transmitido que a Câmara Municipal de Lisboa não iria atribuir à ExperimentaDesign2007 – Bienal de Lisboa a verba de 500 mil euros com que se tinha comprometido a 22 de Junho desse mesmo ano ou “qualquer outra contribuição financeira à bienal por motivos de conveniência e de oportunidade – e num contexto de contenção orçamental.”


A alteração da decisão do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Professor António Pedro Carmona Rodrigues, foi tomada de forma unilateral ou seja, sem consultar o outro parceiro estratégico da bienal, o Estado Português, nomeadamente o Ministério da Cultura, com quem a Experimenta tinha já assinado no dia 3 de Novembro de 2006 um protocolo relativo à próxima edição da Bienal de Lisboa, facto que foi nessa data imediatamente comunicado ao Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e o Ministério da Economia, entidade com a qual a Experimenta estava também a negociar uma parceria estratégica como era igualmente do conhecimento da Câmara Municipal de Lisboa.

A montagem financeira da ExperimentaDesign – Bienal de Lisboa efectua-se através de um desenho que pressupõe uma parceria estratégica entre a sociedade civil, a Autarquia lisboeta e o Estado Português.

A quinta edição da bienal foi distinguida a 14 de Junho de 2006 com o Alto Patrocínio do Presidente da República, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva.

Não será demais voltar a dizer que a ExperimentaDesign – Bienal de Lisboa é:


• Um projecto único e inovador no contexto nacional e internacional, pensado e produzido por portugueses, cujo conceito não foi importado de nenhum outro local;
• Um caso de estudo de sucesso que tem sido, por esse motivo, apresentado como tal nas mais diversas cidades do mundo e objecto de estudo em diversos “think tank's” internacionais, que coloca Portugal e Lisboa no centro das diversas actividades da área do design mundial;
• O único evento com estas características na Península Ibérica, com um potencial extraordinário no que se refere ao desenvolvimento das relações com a América Latina, com a China e a Índia no contexto europeu;
• Uma bienal considerada pela critica e pelos diversos agentes da área como um dos melhores, mais bem organizados e mais importantes eventos de design internacionais;
• Uma bienal que provou ter a capacidade de atrair um público internacional de alto nível e que contribui de forma determinante para a qualificação da oferta turística e cultural lisboeta e que representa para a Câmara Municipal de Lisboa um investimento financeiro de apenas 250.000 euros anuais;
• Uma bienal que serve de plataforma de estímulo, promoção e divulgação da capacidade criativa e produtiva portuguesas na área do design, arquitectura e criatividade;
• Um caso de estudo de sucesso apresentado como tal no âmbito do balanço e perspectivas futuras do Programa Operacional da Cultura, a convite da unidade de gestão deste programa, que apoiou por duas vezes a Bienal;
• Uma alavanca para a economia portuguesa e lisboeta, investindo nos criadores portugueses, nomeadamente na área do design, arquitectura e criatividade, articulando o seu trabalho com o tecido industrial e empresarial;
• Uma bienal portuguesa que tem demonstrado ao longo dos anos conseguir atrair investimento estrangeiro para o nosso país sob a forma de uma rede de co-produções com os mais prestigiados interlocutores internacionais e com diversos organismos estatais dos mais importantes países do mundo;
• Uma bienal que é mais de 80% gratuita e que oferece à capital portuguesa e ao país um mês e meio de programação cultural continua e de elevada qualidade e com um serviço educativo que apoia toda a programação;
• Um evento que apresenta a mais valia de uma forte estratégia de comunicação internacional integrada no seu orçamento e uma rentabilização de alguns dos projectos apresentados na bienal após o fim de cada uma das edições;
• Um projecto que tem sido, até agora, sempre aprovado por unanimidade na Assembleia Municipal da Câmara Municipal de Lisboa e obtido o apoio do Estado Português, o Alto Patrocínio do Presidente da República e de um grupo altamente credenciado de mecenas, nacionais e internacionais.

É pois extraordinário que, no ano em que Portugal assume a Presidência do Conselho da União Europeia, a cidade que dá o nome a um dos mais importantes documentos estratégicos da União Europeia, a Agenda de Lisboa, onde é realçado o papel da criatividade e da cultura como vectores de coesão e desenvolvimento social, a Câmara Municipal de Lisboa, de uma forma unilateral, elimine deste modo um projecto desta importância e significado, criado por uma associação sem fins lucrativos e onde a autarquia investe apenas 20% do seu orçamento total, que é de 2.600.000 euros, montante esse dividido em dois anos.


É difícil acreditar que no momento em o design teve pela primeira vez lugar de destaque no “World Economic Forum” de Davos em 2006, sob o tema “Inovação, Criatividade e Design Estratégico” e em que se assiste a um crescente número de cidades que tentam criar eventos dedicados ao design como prova do seu dinamismo e competitividade e do reconhecimento da importância desta disciplina para o desenvolvimento sustentado da sociedade, o actual executivo camarário da capital portuguesa, sem qualquer diálogo e faltando ao compromisso anteriormente assumido, acabe deste modo com a ExperimentaDesign – Bienal de Lisboa.


As consequências do cancelamento de um projecto no qual foram já investidos ao longo de 4 edições, desde 1998 a 2006, mais de 8 milhões de euros, que posicionou a capital portuguesa e Portugal no circuito internacional dos grandes eventos culturais com um projecto pensado, concebido e produzido por portugueses, serão devastadoras.


Não será só o embaraço perante a comunidade internacional mas acima de tudo a perda de um evento que promovia de forma definitiva a criatividade e capacidade portuguesas, formava e informava o público português e atraía a Lisboa e a Portugal milhares de visitantes.


No momento em que recebeu a carta da Câmara Municipal de Lisboa, a 12 de Dezembro de 2006, e a cerca de 9 meses do evento, a Experimenta tinha pronto o programa da Bienal de Lisboa, as parcerias institucionais e internacionais estavam estabelecidas e o grupo de mecenas e marcas associadas da bienal estava definido. A comunicação internacional estava há muito iniciada e já reflectida nos calendários internacionais dos eventos na área da cultura e do design e a comunicação nacional tinha o seu primeiro momento agendado para dia 28 de Fevereiro.


Tendo a Câmara Municipal de Lisboa assumido um compromisso com a Experimenta relativamente à quinta edição da ExperimentaDesign – Bienal de Lisboa e tendo por esse motivo a Experimenta desenvolvido todo o programa da Bienal de Lisboa para 2007 a Experimenta irá responsabilizar a Câmara Municipal de Lisboa por todos os danos causados por este cancelamento através dos meios disponíveis na Lei Portuguesa.



Experimenta

Lisboa, 29 de Janeiro de 2007

Sincerely,
The Undersigned



PS: A validação neste espaço não significa que assinou a petição, pelo que se é do seu interesse, assine e tenha acesso a mais informações em:
http://www.petitiononline.com/xprmnt/petition.html.

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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De que forma é que a ExperimentaDesign se pode auto-sustentar sem depender dos financiamentos do Estado? Acho que é uma boa iniciativa a manter, mas os cortes orçamentais têm sido constantes... Abraços :)

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Kan, como é que a trienal de arquitectura se vai sustentar?... acredito que também terá apoios das autarquias envolvidas... Isso é a mania do português que só vê as "contas" a curto prazo, sem sequer se pensar nas consequências benéficas a curto/médio/longo prazo... - a curto prazo trás os benefícios para o comércio e hotelaria; - a médio prazo a promoção do país por cá e lá fora, turistica e profissionalmente; - a longo prazo a implementação nos cartazes internacionais destes eventos, tal como outras iniciativas lá por fora... ...mas como se tem de despender fundos no "já", o resto fica um pouco de lado...

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Para percebermos a diferença na linha de pensamentos dos nossos governantes locais, veja-se o que se passa este ano em SM Feira:

Um milhão para investir em cultura

A Câmara Municipal de Santa Maria da Feira vai investir um milhão de euros nas actividades culturais programadas para este ano. Só a Viagem Medieval, evento de referência maior no concelho, leva cerca de metade da fatia do orçamento para a programação cultural. A autarquia garante que parte do investimento global é auto-financiado através da receita angariada.

[...]

Sobre as verbas totais que serão disponibilizadas, o responsável pela cultura concelhia recorda que muitas das realizações de referência têm já um retorno considerável do investimento efectuado. Há também novos apoios, como é o caso do Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua, que, este ano, vai contar com cerca de 80 mil euros financiados pelo Ministério da Cultura e igual valor proveniente de uma candidatura a fundos comunitários.


Neste concelho percebe-se e valoriza-se a cultura, reconhecendo os ganhos aos mais diversos níveis...
Não sei se será a nível nacional, mas o reconhecimento destes dois eventos, certamente aqueles com mais visibilidade e dimensão, passa já à muito as fronteiras do concelho e da região, trazendo pessoas de vários pontos do país, além de ser comum verem-se extrangeiros por lá...
Talvez (ainda) não tenham a dimensão qualquer destes eventos em Lisboa poderá atingir, também o público alvo será mais restrito, mas lembremo-nos de que o FantasPorto também começou assim pequenino...

Notícia completa em:
http://jn.sapo.pt/2007/02/01/porto/um_milhao_para_investir_cultura.html

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

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Repara que a Trienal não está a começar nada pequenina... E tal como referiram, os dividendos são esperados logo após a primeira edição... quando não correspondem à expectativa... É uma pena cortarem em áreas tão fundamentais como a cultura... :)

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É uma pena cortarem em áreas tão fundamentais como a cultura...


Eu acho que é bom, sempre se podem construir mais shópes, e que sejam os maiores da PI .... :)
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realmente há uma falta de visão nos políticos do nosso país! no entanto penso que a tendencia sera para dispersar os eventos culturais em vez de os manter em pólos concretos. Como vêmos a camara de lisboa nao está interessada em manter este evento de carácter internacional, no entanto se virmos outras cidades portuguesas, há várias que começam já a ter uma enorme preocupação em criar uma série de eventos culturais que lhes dêem destaque nacional e internacional. É o caso de S.M. da Feira, de Ponte de Lima com o festival dos Jardins, de Gouveia com o festival de Rock progressivo, etc etc Se calhar esta poderá ser uma oportunidade para haver uma dispersão e este evento ser aproveitado por outro município que realmente tenha condições para o albergar e ajude claramente à evolução da cidade em termos culturais e turisticos. Lembro-me por exemplo que este tipo de evento poderia ser em Coimbra, Aveiro, Évora, Braga, ... Há muitos sítios para o fazer, depende é do interesse político municipal. Há uns que já descobriram isso, outros continuam a olhar para o seu umbigo.

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Não sei se alguém aqui participou na edição de 2004. Eu fui de VN Gaia com a minha namorada de mochila às costas para Lisboa durante 3 dias... A viagem de ida e volta foi num autocarro cedido pela universidade de Aveiro, lá o pessoal dividiu-se em grupos e nós os dois andamos entre o CCB (local das conferências), e a baixa, nomeadamente o Chiado e o Bairro Alto, onde existiam outro tipo de iniciativas, como pequenas exposições, e andamos por lá de autocarro e de electrico, a dormir em pensões na zona do Chiado, a correr esse bocado de cidade e a conhecê-la como nunca até aí tinha tido oportunidade... Foi uma oportunidade única extremamente gratificante... PS: Provavelmente para a trienal de arquitectura o programa de viagem vai ser semelhante :)

Não é incrível tudo o que pode caber dentro de um lápis?...

  • 7 months later...
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De que forma é que a ExperimentaDesign se pode auto-sustentar sem depender dos financiamentos do Estado?
Acho que é uma boa iniciativa a manter, mas os cortes orçamentais têm sido constantes...

Abraços :s


não sei se seria possivel o auto-sustento, talvez seja muito dificil, agora na minha opinião a EXD foi das melhores ideias concretizadas nos últimos tempos na divulgação do design e arquitectura, e principalmente da cultura, falamos de cultura.
por vezes estive perto de uma pessoa que fazia parte da organização, e sei o que custava pessoalmente manter de pé esta ideia, e faz-me muita impressão o não apoio de uma câmara ou ainda mais grave do ministério da cultura a um evento único em Portugal, e de alta qualidade realizado com poucos meios e muito esforço das pessoas envolvidas.
é mais uma daquelas coisas que não entendo...
dinheiro para túneis e outras obras públicas por todo o país, que derrapam n"" vezes no seu orçamento, há!

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