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Honorários


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Boa tarde,

 

sou arquitecta licenciada em Dezembro de 2006 pela FAUP. Tive alguma experiência de trabalho em gabinetes de arquitetura em Portugal e no estrangeiro exercendo sempre a minha actividade a recibos verdes, sem qualquer contrato. Talvez por isso tenha aproveitado para cultivar um certo número de experiências profissionais de curta ou média duração, nunca longa, mais devido ao mercado e ào não cumprimento das leis laborais que supostamente devem reger e proteger os trabalhadores.

Actualmente desde há um ano direccionei a minha profissionalização para o ramo imobiliário, trabalhando como consultora para a Remax, o que me tem permitido não ficar restrita a um horário de gabinete e sendo uma atividade que estando relacionada à minha formação de base, vem acrescentar uma nova vertente mais comercial e de comunicação que muito me apraz.

Apesar de ter congelado as cotas na Ordem dos Arquitectos, tenho sempre tendência a não recusar trabalho, quando ele vem por intermédio quer de familiares, amigos ou pessoas conhecidas ou até antigos clientes. No entanto, vejo-me sempre confrontada com a questão dos honorários, nunca sabendo bem o que é justo, razoável ou correcto "levar" actualmente ao cliente. Acabo sempre por ter a impressão de  que não me faço valer das minhas competências, acabando por cobrar honorários que estão fora da realidade.

Quanto é suposto um arquitecto cobrar para ir à Câmara pedir e preencher um formulário para saber o que pode ser feito em termos de projecto, num dado terreno?

As despesas de deslocamento, alimentação, portagens, são calculadas à parte? Deverá ser cobrado um valor à hora quando se trata de trabalhos pontuais p.ex. requesição de documentos para o dono de obra?

E, no caso de um novo projecto para uma moradia, depois de estimados os custos da obra, i.é, tendo um primeiro orçamento em mãos para o custo estimado da obra, que percentagem devemos levar para o projecto de arquitectura? Faseado de que forma?

A "nossa fatia do bolo é equiparável às restantes especialidades?

Em relação aos projectos de estabilidade, incêndios, águas e esgotos, térmica e acustica, somos apenas mais uma especialidade? Ou como coordenadores destas especialidades e diretores técnicos da obra podemos e devemos cobrar mais?

Existe algum regulamento onde possa consultar os valores praticados em termos de honorários à hora, ou por exemplo, à peça?

Agradeço desde já qualquer tipo de esclarecimento, uma vez que tenho vindo a dar-me conta que não tenho feito valer o suficiente o meu trabalho, um pouco por consequência da precariedade da encomenda e dos clientes se fazerem valer dos baixos honorários dos técnicos, quer arquitectos, quer engenheiros, e também por descuido pessoal.

Bom fim-de-semana!

Sara Monteiro

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Os honorários não são tabelados, pormenor que presumo que deve saber... dois mil euros para o projeto de licenciamento + cerca de dois mil euros para as especialidades, para quem trabalha a partir da casa, sem custos adicionais (rendas ou imi´s, luz, água, informática variada, colaboradores, estas tretas todas sobre a forma de custos) é um preço que garante margem de lucro assaz, se for praticado tipo patrão a frente de uma empresa, o preço é diferente para mais geralmente embora existam gabinetes, que cobram 700 euros por um projeto de arquitetura, tipo copy paste, pega na moradia que fizeste ali em Peniche e cola em Torres Vedras, troca janelas, muda uma coisitas ao jeito do cliente e como inteligência é coisas que não abunda por estas bandas, o patrão diz, "Estou-lhe a fazer um desconto", o cliente responde "Obrigada", é assim que ganha 700 euros numa semana apenas no projeto de arquitetura... eu para fazer porcaria, merdas horrorosas, por favor ao próximo, prefiro não fazer, é preferível fazer uma moradia de 10 em 10 anos, mas que fique bem feita e cobrar 6000 Euros ao cliente, mas incluímos, Arquitetura + Especialidades + Assistência Técnica na Obra + Plano de Segurança e Saúde + Caderno de Encargos + Orçamentos, tudo com contrato, escrito a assinado... porquê as porcarias que se faz, por preços de Merda, nunca valem o sacrifício, tipo:

Vou olhar para aquele mono o resto da minha vida, cujo autor fui eu, mas que foi feito ao gosto do cliente? É deprimente!

Quanto é suposto um arquitecto cobrar para ir à Câmara pedir e preencher um formulário para saber o que pode ser feito em termos de projecto, num dado terreno?

Isto pode ser preço de custo, além de ir passear à CM local, as taxas obviamente ficam por conta do cliente (PIP).

As despesas de deslocamento, alimentação, portagens, são calculadas à parte? Deverá ser cobrado um valor à hora quando se trata de trabalhos pontuais p.ex. requesição de documentos para o dono de obra?

Portagens e deslocação = 0.3 Euros/Km, era o que pagavam para Avaliações Imobiliárias para empresas privadas em 2010 (agora simplesmente não pagam nada), se trabalhasse para o estado a custa do dinheiro dos contribuintes, aí escuso de falar, seria gozar ainda mais com a cara dos Portugueses... que ainda se levantam, para ir votar!

E, no caso de um novo projecto para uma moradia, depois de estimados os custos da obra, i.é, tendo um primeiro orçamento em mãos para o custo estimado da obra, que percentagem devemos levar para o projecto de arquitectura? Faseado de que forma.

Não há regras, mas o bom senso obriga a que a maior fatia seja na fase de licenciamento + especialidades (que engloba orçamento e caderno de encargos).

A "nossa fatia do bolo é equiparável às restantes especialidades?

Hoje em dia os engenheiros, com os programas de estruturas, já perdem a sensibilidade para os cálculos, existem projetos de especialidades, cujos pilares são de forma indistinta todos iguais, acredito mesmo, que nem as armaduras mudam de pilar para pilar, qualquer Arquitecto percebe se a carga não é a mesma em todos os pilares, porque razão os pilares não poderão ser mais finos de forma a poupar betão caso a caso conforme a solicitação de cargas, eles ainda pensam, que nós nas pescamos nada disso... nem com meios informáticos as vezes conseguem escamotear pilares nas paredes, o que é frustrante, num projeto simples sem SADI e AVAC, não há razão para que a nossa ponderação não seja superior a deles.

Em relação aos projectos de estabilidade, incêndios, águas e esgotos, térmica e acustica, somos apenas mais uma especialidade? Ou como coordenadores destas especialidades e diretores técnicos da obra podemos e devemos cobrar mais?

Cobrar o quê, fazer um projeto de Arquitetura, sempre se pressupôs as especialidades e repectiva compatibilidade, se tudo estiver bem feito, não haverá problemas (raras vezes). Nota, não pode fazer Direção Técnica de Obra ou Fiscalização e ser o Autor de Projeto, a Ordem não deixava (Necessito de confirmar no novo estatuto, mas penso que contínua igual) e penso que continua a não deixar, coisas que estes estúpidos nas CM´s as vezes não percebem. Isto era a mesma coisas que fazer projeto para uma Câmara e depois ir aprová-los internamente como funcionário da mesma. Apenas como diretor de obra, ganha o seu salário de diretor de obra, a partir da empresa de construção, garanta o cumprimento do projeto de acordo com o aprovado na CM e dentro do budget.

Mas você vende casas, tipo gaja gira e comunicativa com outdoors pendurados nas fachadas? Eles gabam-se muito do verdinho que ganham... cá em Portugal as pessoas não se medem em altura física, capacidades e conduta, é pela conta bancária e o carro que ostentam pago ou não.

Já ouviu falar dos PQ e dos PAI? Esqueça isso da Remax, andou na melhor escola do País de Arquitetura para vender casas?

Edited by XXXXX
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