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Há as drogas proibidas e há as novas drogas que escapam ao controlo das autoridades porque não integram nenhuma lista oficial. São vendidas na internet e em lojas especializadas como produtos à base de ervas, mas têm os mesmos efeitos das substâncias ilegais. Há quem as compre sabendo com o que conta, há quem pense que está a adquirir um produto natural. Um dos exemplos é o Spice, rotulado como incenso ou "ambientador" mas semelhante à canábis quando fumado. O Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) identificou 13 novos produtos psicoactivos lançados no mercado e, no seu relatório anual divulgado ontem, alerta para a necessidade de combater estas novas ofertas.

Portugal é um dos países onde o Spice foi encontrado em lojas de porta aberta, refere o relatório do OEDT. O presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência, João Goulão, confirma a necessidade de "estar atento" a estes fenómenos. "É uma realidade nova que merece uma acção conjunta concertada" com os outros países onde estas novas drogas têm mais força. "Não é fácil de combater. Há trabalho policial que está a ser desenvolvido. Em Portugal não temos um levantamento exaustivo destas lojas - há uma em Aveiro que foi encerrada recentemente. Mas não sentimos que é significativo, pelo menos para já", refere. Nas lojas online, o trabalho das autoridades é ainda mais difícil. A maioria dos retalhistas tem sede no Reino Unido, na Alemanha, na Holanda e na Roménia.

De acordo com a agência europeia, as informações dos rótulos dos produtos Spice "indicam que são compostos por nada menos que 14 ingredientes de origem vegetal". Dois deles têm efeitos psicoactivos comprovados, mas "pouco se sabe sobre a farmacologia e toxicologia das matérias vegetais supostamente neles contidas". No ano passado foram encontradas em estabelecimentos comerciais de nove estados-membros, entre eles Portugal. As autoridades policiais têm tentado avaliar os componentes, mas esbarram no facto de a lei ser omissa em relação a muitas destas substâncias.

As polícias da Alemanha e da Áustria identificaram um canabinóide sintético usado no Spice, com uma potência superior à canábis natural. Já este ano também foi detectada outro nestes produtos. Estão presentes, mas as quantidades variam. E nunca constam dos rótulos, que "apenas mencionam ingredientes herbáceos". Os canabinóides sintéticos são "a última etapa" das chamadas drogas sintéticas, alertam os peritos.

As incertezas quanto ao mercado destas substâncias ainda são grandes e o director do OEDT, Wolfgang Götz, afirma que a novidade está "na vasta gama de substâncias que estão a ser exploradas e na comercialização agressiva de produtos intencionalmente mal rotulados". Não se sabe se a procura já atinge uma grande dimensão e por isso o Conselho Europeu ainda não tomou nenhuma iniciativa legislativa. No entanto, há cinco países que já avançaram para a proibição - Alemanha, França, Áustria, Luxemburgo e Polónia. João Goulão refere que em relação a Portugal não está nada previsto por enquanto.

Os cogumelos alucinogénios parecem estar a desaparecer dos escaparates das lojas virtuais, ao contrário do que acontecia em 2008. Porém, estão a ser substituídos por outros elementos. Um levantamento do OEDT feito em 115 sites encontrou "uma grande variedade de produtos herbáceos para fumar [mais de 27], 'pastilhas de festa' [alternativas legais ao ecstasy] e substâncias semelhantes ao BZP - um componente de medicamentos para tratar parasitas que circulou durante anos sem qualquer entrave legal e foi recentemente incluído na lista de drogas ilegais. O Spice é mais uma vez um campeão de popularidade, estando presente em 48% dos retalhistas inquiridos. Depois das medidas legislativas de alguns países, foram retirados, mas é uma espécie de jogo do gato e do rato. O Observatório sublinha que "o rápido surgimento de produtos substitutos do Spice realça a capacidade mostrada por este mercado para responder prontamente à mudança de estatuto jurídico" e lançar novas drogas ainda desconhecidas das autoridades. "Os fornecedores são muito inovadores", refere a agência europeia, sublinhando "as dificuldades de acertar num alvo em movimento".

Os exemplos são muitos. Para substituir a cocaína ou as anfetaminas, há vários produtos de rapé que, "supostamente, são compostos por cafeína e ingredientes à base de plantas como a tília". "Os pós à base de plantas também têm suscitado um interesse crescente", refere o relatório.

Não se pode baixar a guarda Se os números globais mostram que a Europa não regista um grande aumento nas maioria dos consumos, há drogas que permanecem um problema, "como a cocaína e a heroína" e é "crucial que não se recuse assistência às pessoas que precisam dela".

A mensagem é deixada pelo director do OEDT e reforçada por João Goulão. "Numa época de crise, os governos não devem desinvestir nesta área. Em Portugal, há dez anos, o consumo de droga era a maior preocupação dos portugueses, mas hoje desapareceu do discurso político. Não é uma prioridade política, mas é uma realidade extremamente mutável e não podemos correr o risco de desinvestir, sob pena de assistirmos a um recrudescimento", refere o responsável português.

http://www.ionline.pt/conteudo/31529-incenso-vendido-no-pais-com-efeitos-iguais-ao-da-cannabis

margarida duarte

  • 1 month later...

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