Bom..é claro que eu tenho a perfeita consciência desse facto. É certo que, a formação em arquitectura assim como em qualquer outra área é um processo contínuo que não termina, como é óbvio, na faculdade e que face às exigências do mercado de trabalho existe uma grande necessidade do recém-licenciado adquirir as ferramentas necessárias para o seu desenvolvimento profissional. Mas a questão é a seguinte: se nem todos os gabinetes utilizam o mesmo software, ou é autoCad, ou é Archicad, ou Revit, ou 3d studio, ou mais não sei o quê. Se vamos cultivar o nosso cv para que tenhamos mais hipoteses de fazer face a estas exigências, não há carteira que aguente. Por esta ordem de pensamento andamos quase que a coleccionar uma série de cursos, dos quais um ou mais irão ficar na gaveta, com certeza. E eu sinceramente não tenho possibilidades financeiras para tal. Agora eu penso sinceramente que este não é o factor x na dificuldade em conseguir estágio. Acontece que neste momento existem, penso que, por volta de umas 18 escolas de Arquitectura no país, existe como é obvio uma enorme sobrecarga de re(sem)-emprego na nossa classe. Depois, ou consegue quem tem cunha (e isto é verdade, já ouvi da boca de um arquitecto), ou quem tem sorte, porque isto já não vai lá com esforço, nem com vontade, nem com formação, inteligência ou competência. Só quem tem sorte nos dias de hoje é que consegue encontrar um lugar no mercado de trabalho. Parece um tanto ou quanto ridículo fundamentar o pensamento com crenças deste tipo, mais ou menos supersticiosas mas, o que é certo é que, muitas vezes, o caminho que seguimos ou mais concretamente a(s) proposta(s) de trabalho que poderemos vir a aceitar advém, não de uma escolha por nós calculada e estimada, mas como sendo fruto, muitas vezes, da exiguidade de oportunidades que se nos colocam. Por isso é que muitos recém-licenciados em Arquitectura acabam por aceitar estagiar sem sequer serem remunerados. Depois gera-se aqui um ciclo vicioso que, começa nos patronos que todos os anos colocam entre 1 a 3 estagiários a trabalhar nos seus gabinetes e todos os anos os substituem por outros tantos, colocando uma série de jovens arquitectos no desemprego, porque é deveras mais vantajoso colocar um arquitecto estagiário, em situação de 1º emprego, em regime de isenção, a trabalhar ora a custo de nada, ora com gratificações bastante diminutas, do que colocar um arquitecto com um "salário digno". Depois admirem-se os jovens arquitectos em inicio de carreira de não conseguirem encontrar trabalho. É verdade os estagiários estão a dominar a cena toda, pelo menos os que conseguem e os que aceitam trabalho a custo zero. E é esta a visão com que nos deparamos, nós licenciados, depois de seis anos de curso? É esta a nossa condição, por perseguirmos incessantemente um sonho que se junta agora à necessidade de sobrevivência! Porque os estagiários não se alimentam de ar, digamos não aos estágios não remunerados! E os arquitectos em início de carreira agradecem! Obrigado.